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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28438: Estórias do Zé Teixeira (66): Recordações do Dia 10 de Junho de 1968 em Ingoré (José Teixeira, ex-1.º Cabo Aux Enfermeiro da CCAÇ 2381)

1. Em mensagem do nosso camarada e amigo José Teixeira, ex-1.º Cabo Aux Enfermeiro da CCAÇ 2381 (Buba, Quebo, Mampatá e Empada, 1968/70) com data de 13 de Outubro de 2026:

Carlos
Espero que tu e a Dina estejam bem.
Luís e Alice os mesmos votos de saúde e bem-estar.
Por cá, vai-se andando.

Junto uma narrativa curiosa que vivi no dia 10 de junho de 1968 em Ingoré.

Beijos e abraços
José Teixeira



Recordações

10 de junho de 1968. Estava eu em Ingoré na fronteira norte da Guiné. Era dia feriado em todo o mundo português, por ser o Dia de Camões, da Raça e de Portugal. Tinha passado um mês da minha chegada à Província. A enfermaria militar estava fechada, por ser dia feriado e como tinha saído para o mato no dia anterior, estava livre de qualquer tarefa, pelo que decidi, após o pequeno-almoço, dar uma volta pela Tabanca. Era tempo de partir à exploração da localidade e das gentes, sozinho. À minha maneira, observar, a terra, as casas, as pessoas e os seus costumes.

Ouvi, um som de batuque. Estranhei por ser de manhã, mas dispus-me a segui-lo atentamente. Ainda não tinha tido a oportunidade de ver a tão famosa batucada africana de que falavam os que tinham regressado à Metrópole. Localizei um recinto fechado em cana de bambu e entrei. Era uma espécie de discoteca, com muita juventude que dançava e suava por todos os poros da pele. Um cheiro a catinga como nunca tinha sentido. Dois jovens, logo se dirigiram a mim, com palavras e gestos com palavras que não entendi. (o meu crioulo ainda estava muito ferrugento), e delicadamente pegaram-me por um braço e puseram-no no exterior. Continuei, então, o meu caminho pela tabanca, quando vi aproximarem-se de mim dois “lusitos”. Dois pequenos e franzinos miúdos, bem aprimorados com a farda da Mocidade Portuguesa. Para quem não sabe, ou não se lembra, era o nome dado às crianças que andavam no Liceu. Eram obrigadas a inscreverem-se na Mocidade Portuguesa, e usar a devida farda nas atividades da Mocidade, que eram ao sábado à tarde. No dia 10 de Junho havia grandes desfiles de jovens com a farda da Mocidade, em Lisboa e no Porto, nos grandes ajuntamentos e desfiles militares, onde eram condecorados os heróis do Ultramar, muitos dos quais a título póstumo.
Ingoré, 10 de Junho de 1968 > José Teixeira com os lusitos da Mocidade Portuguesa

OBS: - Foto colorizada com recurso à IA - ChatGPT

Esfreguei os olhos para me certificar que não estava a ver fantasmas. Não! Era verdade. Aproximei-me e cumprimentei-os com um – Bom dia! Responderam-me com uma saudação típica da Mocidade e retribuíram com um bom dia, senhor!

Ali ficamos no meio da tabanca, com um sol do caneco a falar em português correto. Vinham da escola primária local, as comemorações do Dia de Camões de Portugal e da Raça, onde eram alunos da quarta classe.

Para testar os seus conhecimentos fui um pouco malandro, revi a minha 4.ª classe, e fiz perguntas, sobre Portugal continental na área de História e Geografia, e descobriu que sabiam, na ponta da língua, os nomes dos Rios; nascentes, afluentes e onde desaguavam; o nome das serras foi cantado na mesma ladaínha que nós usávamos para decorar; das estações da CP em Portugal; dos Reis que nos governaram, etc. no meio da conversa descobri que não faziam ideia do que era e como era um comboio. No seu livro escolar, parece que havia uma fotografia a preto e branco, com uma máquina a vapor envolvida em fumo e umas carruagens, mas como se movimentava aquele monstro? Explicar-lhe não foi fácil, mas o possível, creio eu, para entenderem.

Na primeira oportunidade, fui visitar a escola, conhecer o professor (creio que se chamava Domingos). Da primeira vez estava a dar aulas, com uma sala cheia de crianças em silêncio, muito atentas. Tinha algumas carteiras, se a memória não me falha, mas não dava para tanta criança. Voltei várias vezes, depois do horário escolar para conversarmos sobre o ensino, a aprendizagem das crianças e do futuro daquela gente esmagada pelo medo da guerra. Era um jovem professor de dezasseis anos. Estava ligado à Comunidade Salesiana de S. Domingos, onde tinha feito alguns estudos do Secundário. Fora colocado em Ingoré no princípio do ano escolar e queria seguir a carreira de professor. Esperava que chegasse o fim do mês de julho para ir nas viaturas militares até ao Sedengal e depois, seguir pela mata, até S. Domingos para continuar os seus estudos durante as férias. Caminho que conhecia bem, pois já o tinha feito algumas vezes.

Passado um mês, a minha Companhia foi deslocada para Sul. Foi tal a rapidez da mudança, que nem me deu tempo para me despedir do jovem professor Domingos, que tinha ganho a minha amizade e profunda admiração pela sua força de vontade e dedicação. Voltei a Ingoré em 2011 com o saudoso Pepito, acompanhado dos meus filhos, para visitar o Infantário Pipisa, que quer dizer Flor de Arroz, o qual estava a ser apoiado pela Associação Tabanca Pequena de Matosinhos. Passei uma bela manhã, a conviver com cerca de cinquenta crianças.

Perguntei pelo Professor Domingos. Era um ilustre desconhecido para aquelas jovens que geriam o infantário. A Escola tinha desaparecido. Havia outra, maior e mais atual. Creio que atualmente há um liceu. A Tabanca cresceu imenso. Incorporou Ingorezinho e outras pequenas tabancas existentes no meu tempo. Ingoré é um mundo, como pude constatar em 2013 e 2015, quando lá voltei.

O tempo (cerca de quarenta e três anos) tinha apagado muita coisa das nossa memórias, mas os dois simpáticos e sabichões “lusitos” e o Professor Domingos continuam bem presentes na minha.

Que será feito deles?
José Teixeira

Eu a interagir com as crianças em 2011
O meu filho Tiago a interagir com as crianças em 2011
O meu Tiago e o saudoso Pepito com as crianças, em 2011
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Nota do editor

Último post da série de 30 de outubro de 2024 > Guiné 61/74 - P26094: Estórias do Zé Teixeira (65): Da Guiné a Lisboa a pé pelo Saará - O sonho que durou vinte anos a concretizar-se (2) (José Teixeira, ex-1.º Cabo Aux Enfermeiro da CCAÇ 2381)

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28406: Em busca de... (336): Camaradas de Júlio Lopes Santos, ex-Soldado Atirador da Companhia de Artilharia n.º 6552/72 (Cameconde, Cabedú e Cufar, 1973/74)

Foto do nosso camarada Júlio Lopes Santos, Soldado Atirador do 3.º Pelotão/3.ªSecção da CART 6552/72
Foto de antigamente de Júlio Lopes Santos
Foto actual de Júlio Lopes Santos

Fotos ©: editadas e legendadas por CV.


Júlio Lopes Santos está vivo e gostaria muito de reencontrar antigos camaradas e fotografias – CART 6552/72 – Cameconde

1. Mensagem de Lúcia Abel Varelas, enviada ao nosso Blogue em 3 de Outubro de 2026:

Exmo. Sr. Luís Graça,

Chamo-me Lúcia (namorada de David, um dos filhos de Júlio Lopes Santos) e estou a tentar reconstruir o percurso militar de Júlio Lopes Santos que é o pai de David, Manuel e Bruno, que esteve na Guiné durante a Guerra Colonial e pertenceu, segundo as informações que possuímos, à CART 6552/72 – “Honra e Dever”, no 3.º Pelotão, 3.ª Secção.

Júlio Lopes Santos nasceu a 27 de agosto de 1951, em Friões, concelho de Valpaços. É filho de Manuel dos Santos e Maria Silveira Lopes.

O seu número de identificação militar é 12445972. Foi incorporado no RI 13, em Vila Real, no dia 23 de outubro de 1972, tendo posteriormente seguido para a Guiné.

Ao pesquisar a história da CART 6552/72, descobri o vosso blogue e, em particular, os testemunhos e fotografias de Cameconde, incluindo os contributos de antigos militares desta companhia. Foi muito emocionante encontrar imagens dos locais onde Júlio terá vivido durante aquele período.

Gostaria muito de saber se algum antigo camarada da CART 6552/72, particularmente do 3.º Pelotão / 3.ª Secção, se recorda de Júlio Lopes Santos ou se possui fotografias, histórias ou outras informações sobre ele.

Junto a esta mensagem envio quatro fotografias de Júlio: uma fotografia militar da época, que consta do seu documento militar, outras fotografias quando era mais novo e uma fotografia atual. Autorizo a publicação destas quatros fotografias no blogue, caso considerem que isso possa ajudar a identificá-lo e a encontrar antigos camaradas.

Seria muito especial para nós conseguir encontrar fotografias de Júlio na Guiné, sobretudo em Cameconde, e eventualmente entrar em contacto com alguém que tenha servido com ele e ainda se recorde daqueles tempos.

Se possível, agradecia também muito a ajuda do Manuel Domingos Ribeiro, antigo camarada da CART 6552/72, que vi referido várias vezes no blogue e que parece possuir muitas memórias e fotografias da companhia.

Muito obrigada por todo o trabalho de preservação da memória dos antigos combatentes da Guiné e por qualquer ajuda que nos possam dar.

Com os melhores cumprimentos,
ABEL VARELAS Lúcia


2. Comentário do editor CV:

A CART 6552/72 tem só 8 entradas no nosso Blogue e um único confrade, o ex-Fur Mil At Art MA, Manuel Domingos Ribeiro,[1] a quem vamos dar conhecimento da petição do camarada Júlio Santos.

Esperemos que apareçam mais camaradas da 6552/72, gente ainda relativamente nova, para iniciarem contactos e relembrar memórias.

Quanto aos camaradas, Manuel Ribeiro e Júlio Santos, "guerreiros do fim do império", desejamos saúde e longa vida. Se encontrarem outros camaradas, tragam-nos até nós porque estamos sedentos de novas estórias.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28366: Notas de leitura (1963): "Sobretudo a Agonia, Angola, Memórias de uma Guerra Íntima", por Celso Braga Rosa, Edições Afrontamento, 2025 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 19 de Maio de 2026:

Queridos amigos,
Começa a ganhar velocidade de cruzeiro esta nova dimensão da literatura da guerra colonial em que os filhos de ex-combatentes vão pelos trilhos do passado, evocam o percurso do pai, no caso vertente Celso Braga Rosa consegue dar-nos o ambiente de horror que se viveu em Carmona (hoje Uíge) na guerra travada entre o MPLA e o FNLA, a fuga dramática de brancos e pretos, os raptos, os roubos, os vexames, a agonia vivida até chegar um avião que os transportou para Portugal. E temos aqui uma relação não conseguida entre pai e filho, como o autor dirá na parte final, a originalidade desta obra assenta também em escritos que são memórias dos outros, portanto citações adequadas e ajustadas, há citações de sufoco, até lamentos por termos perdido a memória como escreveu António Lobo Antunes em Os Cus de Judas: "Tudo é real, sobretudo a agonia [...] Tudo é real menos a guerra que não existiu nunca: jamais houve colónias, nem fascismo, nem Salazar, nem Tarrafal, nem PIDE, nem revolução, jamais houve, compreende, nada, os calendários deste país imobilizaram-se há tanto tempo que nos esquecemos deles [...]."

Um abraço do
Mário



Nascido em Angola, filho de ex-combatente, uma dilacerada relação com o pai

Mário Beja Santos

É um livro que manda respeito, não só pelo alto mérito da narrativa, um estupendo carrossel de memórias órfãs de Angola e de conflitos familiares ainda com muito por resolver; como, igualmente, uma peça de grande calibre para esta nova abordagem da literatura da guerra colonial em que os filhos peregrinam e se encaminham para os locais onde as famílias, ou tão somente os pais, ficaram indelevelmente marcados pelas experiências da guerra, à procura de sublimação, pelo claro entendimento do que ali aconteceu, para que haja reconciliação ou perdão.

Celso Braga Rosa
Sobretudo a Agonia, Angola, Memórias de uma Guerra Íntima, por Celso Braga Rosa, Edições Afrontamento, 2025, é um livro de dor na recuperação da memória, dotado de uma hábil construção, não faltam múltiplas citações e obras de outros autores, mas tudo num rendilhado com forte coesão destas diferentes vozes. O autor é antropólogo, nasceu em 1973 num ponto do Quanza Norte, vivia em Carmona (hoje Uíge) quando se deram os terríveis combates entre a FNLA e o MPLA, obrigando muita gente a fugir dessa quadra infernal.

A figura central desta memória de uma guerra íntima é o fantasma/espectro do pai, um jovem que parecia destinado ao seminário, em Mogofores, e que fugiu para Angola ao encontro do pai, fazendeiro em Quiculungo, e depois fez três comissões militares antes de passar à vida civil. Celso Braga rendilha primorosamente a trama narrativa, aquele pai não embarcou no cais da Rocha do Conde de Óbidos, não houve lágrimas nem lenços brancos, o pai partiu jovem, fez várias comissões militares em Angola, foi desmobilizado, conseguiu emprego em Quiculungo, no Banco Pinto e Sotto Mayor, aqui casou, Celso nasce a 23 de setembro de 1973, o pai irá revelar-se violento, mas muito pouco comunicativo e terno com o filho.

Um dos momentos mais vibrantes desta narrativa passa pelos acontecimentos que viveu em Angola depois do 25 de abril, aqui se retratam os horrores da guerra civil, os combates mortais entre a FNLA e o MPLA, estamos no Kwanza norte, no início dos acontecimentos, tudo parece decorrer na normalidade, as viagens entre povoações, sob proteção de colunas militares, vão gradualmente tornando-se um risco demasiado grande. Em 1975, a caminho da independência, sai-se da paz podre entre os três movimentos, o autor irá descrever os acontecimentos vividos em Carmona. Havia acordos entre FNLA e a UNITA, nessa Carmona depois batizada de Uíge, a população branca era obrigada a ter o cartão de membro da FNLA.

No final do ano as forças do MPLA já controlavam Vila Salazar, depois rebatizada como N’Dalatando, caminharam para Carmona, traziam um poderio militar muito superior ao da FNLA, vão começar os combates nas ruas, e começa então uma formidável fuga numa coluna de viaturas. “Viam-se pessoas desesperadas nos passeios e assistia-se a discussões entre condutores no meio da rua, gritos e choro por todo o lado, carros batidos no meio da estrada. E os tiros e bombardeamentos sempre ali a estalar nos tímpanos, como uma banda sonora macabra. Viam-se grupos de pessoas fugindo a pé ou tentando pedir boleia aos condutores das viaturas que passavam na estrada. Ninguém se importava com ninguém, num salve-se quem puder.”

E assim se fez uma viagem até junto à fronteira com o Zaire, três dias com inúmeros incidentes, vai seguir-se o horror das rusgas e das intimidações Zairenses e dos combatentes angolanos, os fugitivos serão esbulhados nas diferentes triagens. E depois um Boeing 747 da TAP traz a família para Portugal.

Será um regresso inacabado, a vida daquele agregado familiar conheceu uma amputação, como escreve o autor o seu passado é uma imensidão de falhas, de perdas, de grandes silêncios. Ele guarda boas recordações da Nazaré, onde chegaram no mês de fevereiro de 1978, o pai tinha lugar no banco. Ele descreve-nos a adaptação, o grupo de pequenada que se formou, a hostilidade manifesta para quem tinha vindo de África. A mãe voltou ao ensino, o pai progrediu na agência do Banco, tornou-se numa figura de tranche bastante simpática no meio. A irmã de Celso nasce em 1980. Quando vai estudar para Coimbra, Celso sente-se perdido e sozinho, é como que uma ausência de identidade.

E depois os pais divorciam-se, o pai praticamente desaparece da sua vida. Celso regressa a Angola em 2007. Na véspera de partir, recebe um telefonema do pai, queria marcar um encontro. Em 2009, Celso perde a sua companheira, faleceu num acidente de viação e estava grávida. Recebe novo telefonema do pai, Celso, depois da perda da sua companheira, entra no quadro depressivo, tudo se passa em Angola, depois regressa. Em 2019 encontra-se com o pai, almoçam. “Ao regressar a casa depois de almoço, já sozinho, acabei a censurar-me por não ter feito as tantas perguntas que lhe queria fazer, por não o ter colocado frente aos tantos silêncios que queria entender.” Ainda falam ao telefone em 2021, nesse ano o pai morre num acidente de automóvel.

É muito tocante o sentir da despedida que este antropólogo de profissão nos oferece na atmosfera da despedida do seu pai:
“A morte social não se compadece com a morte física. E por isso o meu pai vive ainda porque o escrevo, porque o esquecimento é o único modo de morrer para sempre, e porque acredito que de cada vez que alguém diz o nosso nome, tornamos a viver, nem que seja por um breve instante. Porque nem todas as estórias e vidas ficam registadas em livro, o meu pai, cujo corpo de transmutou em cinzas que foram entregues ao mar de Sagres no mês de novembro, vive ainda em memórias que guardo em caixas que só eu conheço o paradeiro. Vai-se afastando devagar o passado, indiferente, sem se despedir de mim, alheio à herança que me deixou nas mãos e nas páginas. Ao meu pai, que fez finalmente caminho comigo nestas últimas horas e dias, dir-lhe-ia se pudesse, olhando-o nos olhos: a ti calhou-te a guerra, e as guerras depois da guerra.
Calhou-te talvez ser marido sem que o quisesses ser, pai sem que o tivesses verdadeiramente desejado, e a mim, calhou-me ser teu filho, fazer traduções literárias, amar uma mulher de olhos castanhos. Que nem chegaste a conhecer. Este foi um esforço íntimo e assumido de criação e construção de memória, relato de uma viagem que não vai parar de acontecer. Escolhi o que recordar tanto tempo o que deveria esquecer, e nas memórias de outros não só me busquei como essa busca não se revelou infrutífera: encontrei-me nessas memórias alheias, como se, sem que o soubessem, tantos e tantos escrevessem sobre mim há tanto tempo.”


Um belíssimo romance. Uma originalidade na literatura da guerra colonial (haverá quem diga que se trata de literatura da guerra pós-colonial, conceito em que não acredito).

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Nota do editor

Último post da série de 18 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28357: Notas de leitura (1962): "Origem: África", pelo jornalista, escritor e académico Howard W. French; Bertrand Editora, 2022 (6) (Mário Beja Santos)

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Guiné 71/74 - P28331: Manuscrito(s) (Luís Graça) (294): Parabéns, Zé, ao km 78 da tua picada da vida, que também tem tido minas e armadilhas como a de todos nós...



José Ferreira Carneiro, n. 8/9/1948.
Candoz, Paredes de Viadores,
Marco de Canaveses


Região do Vinho Verde,  
Subregião de Amarante,
Quinta de Candoz


Começou a trabalhar cedo, 
aprendiz de ramadeiro, com o pai,
construtor de ramadas


Mobilizado para Angola, em rendição individual, em 1970/72, numa companhia, que guardava os cafezais,  em Camabatela, no norte de Angola, perto de Negage e de Quitexe (CCAÇ 313, do BCAÇ 13, sedeado em Vila Salazar)


Reformado, dedica dois dias por semana 
à Quinta de Candoz


Casada, em segundas núpcias, com a Teresa,
vive em Matosinhos, Padrão da Légua


As cubas para o vinho há muito que são de inox, 
mas ainda há velhos depósitos de cimento armado...


No outono adora apanhar cogumelos


Velha foto estilizada da família: pais (José Carneiro e Maria Ferreira, já falecidos) e irmãos, segundi a ordem de idade  (António, Rosa, Manuel; Nita, Zé e Alice)... O António esteve no Brasil, foi mobiizado para Moçambique, em 1964, onde foi gravemente ferido... A Nita, faleceu em 2023.


Sócia da Quinta de Candoz, com mais 3 irmãos (Rosa, Alice e Zé), a Nita foi em vida a alma da "casa"

A Quinta de Candoz tem  página na Net

A Alice ("Chita") sempre gostou muito deste maninho...


Na festa dos seus 70 anos, pai e filho (a mãe, a Carmen, morreu cedo)


A família também um blogue, A Nossa Quinta de Candoz



Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: Luís Graça (2026)
Imagens: Arquivo dos Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné e A Nossa Quinta de Candoz
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


 
Ao Zé, no seu 78º aniversário


Nascido em Candoz, em Entre-Douro-e-Minho,
De empresa de seguros foi tesoureiro,
Mas começou por aprendiz de ramadeiro,
E agora engarrafador-produtor de vinho.

Técnico de gás, profissional liberal...
Homem dos sete ofícios, é um jeitosinho,
José Ferreira Carneiro, nosso maninho,
Também foi parar à guerra... colonial.

E esquecidas, do trabalho, as mazelas,
Setenta e oito anos já foram passados,
Nunca se queixando da perna nem das costelas.

... E tudo fazes por amor, a todos nós,
Os pais e a mana Nita sempre lembrados,
Mas  hoje, Zé, é tua a festa  em Candoz.

Quinta de Candoz,
8 de setembro de 2026, 
dia da festa de Nossa Senhora da Natividade do Castelinho,
Padroeira do concelho de Marco de Canaveses.


A família de Candoz, Porto, Matosinhos, Lourinhã e Lisboa




1. Não fala da guerra colonial. Não fala com emoção desse tempo. Passou, passou, o tempo da tropa e da guerra. Nunca se encontrou com nenhum camarada daquele tempo. Perdeu todos os contactos. Era de rendição inidvidual. Mas gostou de Camabatela e de Luanda.

Era 1º cabo de transmissões de infantaria, Andou na região do café, com a sua companhia mista de metropolitanos e angolanos (CCAÇ 313 / BCAÇ 13) a guardar as costas dos grandes fazendeiros do café. 

Nunca veio de férias. Pelo SPM, a mãe mandava-lhe os salpicões com que matava saudades de casa, a 8 mil quilómetros de distância.  

Mas não ficou na terra, Candoz, Paredes de Viadores, o apelo da cidade grande era maior. Mudou-se para o Porto. Lá podia estudar e fazer-se homem. Nunca gostou da escola. A professor estava alojada na casa dos pais. E batia-lhe à frente deles, e com a cumplicidade deles. Como é que ele haveria de gostar da escola ? Só depois da "peluda" é que fez o segundo ano da escola comercial (regime noturno).

Hoje já tem gmail, como qualquer português que se preze. Mas não faz parte da Tabanca Grande, até porque não esteve na Guiné. Por sorte, é cunhado do editor do blogue (e seu sócio... por estar casado com a Alice).

E é legalmente o produtor-engarrafador do nosso vinho "Nita".  Ele é o mais novo de seis. O caçula.

É trabalhador, é leal, é alegre, é efusivo, é generoso.  É uma "besta de trabalho". Tem às vezes azar com o "esqueleto". Já foi operado à coluna. Já partiu uma perna. E já teve uma ameaçozinho de AVC. 

Aqui vai, com todo o carinho que temos por ele,  eu, a Alice e demais família, um soneto para o nosso Zé, que só amanhã vai ter direito a festa e a rancho melhorado. Mesmo em dia de anos, há imprevistos.  E Candoz fica a 70 km do Padrão da Légua, já nio limte do distrito do Porto. 

Amanhã, é quarta feira, é dia de trabalho. É preciso preparar tudo para as vindimas, marcadas para os dois próximos fins-de-semana.  Mas vou ler-lhe, comn todo o gosto, este soneto e beber comn ele uma "champanha".

________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 18 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28268: Manuscrito(s) (Luís Graça) (293): À Alice, oferta do livro "Luuanda: estórias", do José Luandino Vieira, com dedicatória, dactilografada, em francês, e datada de 17 de maio de 1975

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28327: Humor de caserna (290): A propósito da "Assinatura Ilegível", de Alberto Branquinho... Uma paródia aos "básicos" que, afinal, fomos todos nós, e que mereceu 39 comentários no blogue há 16 anos

 

Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: Alberto Branquinho  (2010)

Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné


1. Afinal, onde estava a graça ?, perguntarão alguns leitores mais sisudos.

O título, "Assinatura Ilegível", convenhamos, não prometia grande coisa. Era apenas mais um texto da série “Contraponto”, do nosso camarada Alberto Branquinho. Notável, de resto, essa série.

Mas o título escondia um pequeno exercício de humor de caserna, escrito na pele de um imaginário “soldado básico”, ordenança de um oficial, com uma ortografia deliberadamente desfigurada, que trocava os "vês" pelos "bês", e que metia uma "estória" de oficiais  "apanhados do clima", cuecas, lavadeiras, comprimidos, leite com milho (que afinal era a o leite achocolatado MILO)  e outras pequenas misérias e grandezas da nossa vida militar na Guiné.

Mas o que aconteceu depois é que é interessante. O texto caiu no goto dos leitores. Afinal,era a"guerra", vista da caserna, de baixo para cima...Invertendo a hieratquia.  

O texto, publicado na segunda feira, 18 de outubro de 2010, às 13h38,  desencadeou uma verdadeira tertúlia "ad-hoc". Sucederam-se os comentários em menos de 48  horas, trinta e nove  no total, até quarta feira,  20 de outubro de 2010, às 21h15.

Vieram os que: 

  • reconheceram naquele “básico” personagens que tinham conhecido; 
  • se reconheceram a si próprios como "básicos" ; 
  •  começaram a investigar quem seria o misterioso oficial cujas  cuecas apareceram a tapar as "partes pudengas"  da lavadeira; 
  • discutiram se a personagem era realmente "básica", analfabeta ou semianalfabeta, ou se estava  apenas a fazer teatro;
  • recordaram os “básicos” das suas (sub)unidades; 
  •  pegaram nas cuecas e fizeram delas matéria de direito, moral, estética,  anatomia, etc. 
Ee houve até quem recuasse aos tempos do PREC e do Conselho da Revolução!

E, naturalmente, vieram os nortenhos, os sulistas, os ilhéus, os milicianos, os do QP, os desterrrados, os combatentes da Guiné e até quem nunca tinha posto os pés na Guiné. Vieram tabanqueiros de várias tabancas, e origens geográficss, de Portugal Continental, das Américas, da Lapónia sueca... 

A certa altura, já ninguém estava propriamente a comentar o texto do Branquinho. Estavam a b"reinar" uns com os outros. É talvez seja aí que esteja o segredo daquela caixinha de comentários. E o lado mais saudavelmente louco deste blogue.  

Foi há  16 anos, camaradas. E alguns já não estão cá entre nós...  Infelizmente. Uma ocasião também para evocar  os seus nomes e os seus exemplos de vida: Carlos Cordeiro, Jorge Cabral, José Manuel Matos Dinis, Torcato Mendonça. Com direito a fotografia. E talvez a uma  BD. Se a Nossa Senhora da Inteligência Artificial nos quiser e  puder valer. (Ela não troca os V pelos B,   troca os nomes e as fotos.,,)


Comentários ao poste P7144 (*), republicado (Poste P28325) (**)

(i) Carlos Vinhal, coeditor

Não costumo comentar os postes que edito e publico, porque felizmente a esmagadora maioria dos nossos camaradas e amigos tertulianos escrevem bem melhor do que eu.

Desta vez achei por bem vir aqui porque o texto publicado pode levar a interpretações de gozo para com os nossos camaradas militares menos habilitados em termos escolares, principalmente os nossos Básicos, que para tudo serviam, até ir para irem para o mato, quando nem para isso estavam habilitados.

Não levemos à letra o texto do camarada António Branquinho, mas encaremo-lo como uma diversão utilizando a língua portuguesa, traiçoeira e tão mal tratada. (...)
 
(ii) Anónimo

Presumo que era...Nortenho. Ou? O B(V)ossemecê confunde-me!  (...)

 

(iii) António Graça de Abreu


Essa do oficial que vestia as suas cuecas nas deliciosas (para homens que gostam de mulheres!) partes baixas da sua lavadeira é de antologia.

Todo o texto é brilhante, meu caro Branquinho, temos a gente do Norte à deriva pela Guiné, a melhor gente de todas, meu querido Porto, carago!

Mas esse oficial é quem? Aceitam-se prognósticos..., só no fim, e dão-se alvíssaras.

Acho que sei quem é esse nosso brilhante camarada, ou talvez seja a minha mente distorcida a fazer juízos injustos. Ou então são uns tantos camaradas, no plural.

Mas leio: "Bossemessê num creia em tudo o qum ufissial da nossa Cumpanhia escrébe prái. Ele num é de cunfiar de todo. Não era má pessua mas aí faz muntas inbenções."

 A carapuça serve a quem a quiser enfiar mas, sem personalizar quem quer que seja, há um ou dois camaradas no nosso blogue a que a gorra encaixa magnificamente. (...)

 segunda-feira, 18 de outubro de 2010 às 15:04:00 WEST 


(iv) Anónimo [José Belo, que escreve da Lapónia, em teclado sem os caracteres portugueses, lapso que corrigimos]

Bom, se vamos por esses caminhos... Cito o Camarada Graça de Abreu: "Essa do oficial que vestia as cuecas nas deliciosas (para homens que gostam de mulheres!) partes baixas da sua lavadeira é de antologia".

Mas, o  que se escreve textualmengte quanto ao desaparecimento das cuecas, (e acentua-se: deaparecimento!) é:  "Porqueu um dia puchei o pano pra baicho à labadeira e a gaija tinha umas cuécas dele bestidas."

Em que possível tribunal de costumes poderia o Sr. G .de Abreu, sequer... sequer, insinuar que as cuecas ali tinham sido colocadas pelo Sr .Oficial referido? ( E, para mais,como do texto se näo infere se o referido Exmo. Sr. Oficial é, ou não, do Quadro Permanente,  o que, como é óbvio, tornaria a coisa muito mais séria, e complicada, dentro dos parâmetros proeminentes entre estas reservas morais da Nação); pergunto-me: Não teräo sido as referidas cuecas abusivamente desviadas, e utilizadas, pela Exma. Srª  Lavadeira? 

A assim ser, a perversidade evidente, a amoralidade decadente, a falta de um mínimo de educação religiosa desta "mulher" (e espero que esta tirada chegue para satisfazer alguns Srs. Séniores), näo poderá de modo algum ser imputada (!) ao Sr. Oficial, tão levianamente responsabilizado pelo Sr. Camarada G. de Abreu. 

Espero que este mal-entendido tenha sido originado por leitura demasiado rápida por parte d' este, e não por um qualquer lapso freudiano !!! É claro que estes sérios problemas  reputacionais (!), quando fora das áreas dominadas pelos nossos geniais políticos, acabam por corromper toda a textura moral de uma Civilizacäo como a nossa.

(v) Torcato Mendonca [ 1944-2021]


Caro Branquinho: 

Devia haver alguns desses. Até os encontravas (ou encontras?) na vida civil. Na minha companhia os oficiais, sargentos e praças, excepto o capitão e o 1º sargento, dormiam cada qual em sua cama mas em camarata-abrigo.Não havia diferenças em comida, dormida e roupa lavada...heim...

De um modo geral as cuecas eram para dormir, assim pijama aligeirado...e, devido a micoses, no dia a dia andava tudo "ao pendurão" entre o corpo e calças ou calção. Na cidade, prevendo erecção e etc. convinha o uso das ditas.

Os básicos da minha CART eram gente feliz sem lágrimas. Tanto assim que, mesmo depois de entrar na peluda pensava: porque não fui básico? Se calhar até fui mas com outro nome.

Gostei e continua a glozar com "a guerra e os guerreiros"... Tirar do sério é preciso. ) (...
 
segunda-feira, 18 de outubro de 2010 às 15:59:00 WEST 



(vi) Fernando Gouveia 


Considero o Alberto Branquinho, juntamente com mais dois ou três escribas do Blog, um dos que mais bem interpreta, passados quarenta anos sublinhe-se, o espírito com que se deve ver a nossa vivência na Guiné, repito, passados quarenta anos.

Adoro estórias deste género. (...)



(vii) Alma  [ Jorge Cabral, 1944-2021]

No meu Destacamento as Mulheres não usavam cuecas, tal como o Oficial..

E sempre existiu um Básico,o "cozinheiro" que Bambadinca nos mandava.

Todos excelentes rapazes,dos quais já falei... 

As condições de vida eram iguais para todos,comíamos o mesmo, à mesma mesa...e se alguém tinha vantagens era o "cozinheiro" pois, além de não ir para o Mato,tirava proveito de poder "partir" géneros alimentícios com as mulheres. Um deles foi aliás uma vez,por mim surpreendido, amando com furor, em cima da mesa das nossas refeições, entre cascas de batata... 
Que romântico! Bela vida, a de Básico!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010 às 17:02:00 WEST 

(viii) Alma   [ Jorge Cabral, 1944-2021]

Assina

Jorge Cabral, Alfero (Básico)



(ix) José Manuel Corceiro


Caro Alberto Branquinho

Espirituoso…este teu desanuviar e imprimir humor à guerra!

Estas recreações são económicas, para a Nação e para o cidadão comum, produzem mais eficácia que uma caixa de Valium 10 (Diazepam).

De onde podemos inferir, que o nosso Blogue está a poupar dinheiro ao Estado, ao contribuir para a salutar saúde do cidadão e sã economia do País… Parabéns e um abaraço. 


segunda-feira, 18 de outubro de 2010 às 17:56:00 WEST 

(x) Carlos Cordeiro  [1946 - 2018]



Cá está o José Belo com a sua veia legalista, disciplinadora e moralista (mas não belicista).

Na minha modesta e humilde opinião - e não pretendendo ser polémico (ou controverso, como prefere o Luís) - o oficial referido era do QP [Quadro Permanenete].

O Básico é (quase) claro: "ele num é de cunfiar de todo". (...)



(xi) Vitor Junqueira
 

Este texto do Branquinho devolve-me a vontade de ler e reler cada frase, palavra a palavra, vírgula por vírgula de tudo quanto se escreve neste Blog. 

Não pode ser ofensivo para ninguém porque a verdade e o rigor podem doer mas não ofendem.

 Quem assim falava era um Português, do Norte sem dúvida, mas trouxa é que ele não era. E o ufissial a quem se referia era eu. Ou podia muito bem sê-lo.

Mantenhas para a tertúlia.



(xii) Torcato Mendonca [ 1944-2021]


Eu gostei do escrito do Branquinho. Faz falta prosa assim. Mas: lendo um ou mesmo outro comentário sinto-me, digamos, curioso.

Vossa(s) Excelência(s) preocupa(m)-se com as cuecas de um Senhor Oficial. Mais preocupados se afirmam se o Senhor Oficial é Miliciano ou QP (leia-se do Quadro Permanente) donde se pode presumir que,as ditas, seriam diferentes pois,certamente uma gaita e apêndices de um Senhor Oficial do QP e um Miliciano, diferentes seriam. Será? 

Disso, de gaitas e apêndices pouco percebo, e, menos ainda, essas diferenças estabelecer. Penso contudo que estariam bem entregues na protecção do órgão vaginal da citada lavadeira. Melhor função desempenhariam se não fossem abertas á frente. Talvez não fosse despiciente, contudo, para facilitar certo acto.Talvez. Acto esse a praticar mais, creio eu, por, no máximo, um Senhor Oficial subalterno e Miliciano e nunca um do QP. 

Mais informo que, por informações recolhidas, eram mais usuais as de perna e não as apelidadas de "slip" .

Se me é permitido, sugiro a Vossa(s) Excelência(s) que se averigúe profundamente este melindroso assunto e se recorra a peritos em gaita, não esquecer os apêndices, e cuecas de formas e feitios diversos. 

Mais proponho que seja louvado o soldado básico. Quiça levar este assunto ao Orgão de Ordens e Afins.

Atentamente,
José Simplesmente José


(xiii) José Casimiro Carvalho

Soue um gaijo cum sorte, carago, na minha cumpanhia num abia básics, mas o Zé Belo tirou  cá do meue âmago a resposta ao comentário  ao camarada Graça de Abreu, pois é, já estaba a insinuare coisas do carago, mas não, o que o Básico disse foi isso mesmo, puxou os panmos à labadeira e lá estabam as cuecas (...)

 

segunda-feira, 18 de outubro de 2010 às 20:22:00 WEST 

(xiv)  José Casimiro Carvalho  

[ Este comentário foi removido por um gestor do blogue ]

(xv) Zé Carlos 

Bocês estou m' a vincar, mas num sei se bão a argum lado. A labadeira era esperta, e o sordado tamém era.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010 às 21:15:00 WEST 


(xvi) José Manuel Matos Dinis  [ 1948-2021]

Este Branquinho, tá uma rica pinga.


E pelos bistos, o estilo que pode cumparar-xe ao daquele nubél que já morreu, e não debia de ter a escola primária, está a agradar.

Eu acredito nicho tudo, inda hoje na Guiné andam lá muitos assim, cos homens num mudam do pé prá mão, e eu bi muito com estes ca terra háde comer.

Axino JD que esquexime xe o meu nome é com z u com s.



(xvii) Jose Marcelino Martins.


O Básico a Primeiro (ministro, claro), já!!!!!!!!!!

Este pelo menos é observador das necessidades

segunda-feira, 18 de outubro de 2010 às 22:04:00 WEST 

(xviii) Anónimo [José Belo, que escreve da Lapónia, em teclado sem os caracteres portugueses, lapso que corrigimos]


Antes de mais,ao Alberto Branquinho,um sincero obrigado por uns momentos de nostálgica alegria.

Voltando agora aos tão sérios caminhos "reputacionais": não me venhas dizer, meu Caro simplesmente José, que na recruta que te foi servida em Mafra, não foste obrigado a fazer provas escritas, (e de campo!) sobre o importante capítulo operacional relativo às cuecas dos srs. oficiais? 

José Belo


 A colaboração das meninas transportadas em certa furgoneta vermelha,vinda da Malveira, eestacionada, convenientemente, junto à porta da Tapada,era fundamental para o arejamento das citadas cuecas modelo-Cooperativa Militar.(E por muito que me não creiam, mas História é História, havia, entäo,um Sr. Instrutor, que se preocupava muito por não existir roupa interior em tecido camuflado, referindo sempre o problema grave que surgiria, na selva, em situacöes de combate, caso as calças  se rasgassem e algo nos poderia referenciar ao inimigo! ...

Mafra, 1968! Com comandantes operacionais como este, especialista da Tapada, ainda hoje me custa a compreender näo ter a guerra nos corrido bem melhor, pelo menos na Guiné! 

Lamentavelmente, aparenta não ser bem claro para todos os ex-militares que, (citando) ,"a gaita e os apêndices" de um Senhor Oficial Profissional teriam sempre de ser, regularmente, diferentes de os "apëndices" de um miliciano qualquer! 

Säo estas insinuantes ignorâncias subversivas que me fazem hoje compreender com que facilidade a tal quinta coluna actuava no nosso seio ingénuo. Mas, e mais uma vez, näo vamos cair aqui em sectarismos dignos do saudoso PREC.  

Estas diferenças regulamentadas existiam, obviamente,entre Srs. Oficiais Generais, Oficiais dos Estados Maiores e...outros. Isto para näo referir o caso täo particular da Arma de Cavalaria. E..."aos costumes disse nada"! (...)


(xix) Carlos Nabeiro  [ Moçambique]

Estimados Camaradas.Desculpai a este vosso visitante assíduo e admirador, ao dar a minha "colherada",  visto não ser combatente da Guiné.

A mim não me parece "linguajar"de Básico. Um Básico não tem(tinha) tanto "parlapié", para escrever assim. A mim parece-me mais um "monólogo" uma Sátira Revisteira, dirigida a alguém em estilo Parque Mayer. 

No meu entender, é alguém bem vosso conhecido, a fazer-vos "o ninho atrás da orelha".

Este vosso camarada da guerra nas terras de Moçambique,1968/70.


(xx) Anónimo

Caro Amigo Carlos Nabeiro. Eu conheci um Básico com bastante,(e cito),"parlapié". Chegou mesmo a fazer parte do Conselho da Revolucäo.


(xxi) Anónimo

Ou foram mais?


(xxii) Carlos Nabeiro

Estimado Camarada J. Belo:

Plenamente de acordo, eu também penso que são e foram mais. Na minha Companhia tínhamos dois ou três, aos quais ajudei a dar aulas Regimentais e não eram assim tão Bimbos.Um deles ainda me lembro do nome,o Castro, eu por trocadilho, lhe chamava Crasto, alusivo ás Caves Monte Crasto, devido ao facto ele ter um rosto bonacheirão e avermelhado, como quem gosta da pinga. 

Passados quarenta anos, não acredito que um indivíduo daqueles, não evoluiu nada, ao ponto de escrever conforme falava.Levo mais para o lado de alguém que,  ao vos escrever, quis desabafar, sabendo muito bem o que escrevia, mas para que não o "apanhassem", trocou os bês elos vês.

O texto faz-me lembrar a seríe humorista da RTP, "Tele-rural", transmitida da fictícia "Curral de Moinas" com os pivôs Quim Roscas e Zé Estacionâncio. Aquilo é que era com cada calinada e uns bons pifos. Ou então o Diácono Remédios  do Herman José, "meuzami_ goezz-eze, não habia nexexidade-ezzz". (...)


(xxiii) Artur Conceição


Esta brincadeira do Alberto Branquinho parece um toque de alvorada. O texto está uma maravilha e não será tão irreal assim. Os comentários também estão com muito interesse. Não me parece que alguém se possa sentir visado, porque na verdade não passa de um pedacinho de humor.

Queria apenas deixar uma sugestão ao Alberto Branquinho: Não me leves a mal, mas quando enviares coisas com humor manda também uma foto diferente da que tens no blogue, porque senão a malta fica na dúvida....! (...)
 
terça-feira, 19 de outubro de 2010 às 14:57:00 WEST 


(xxiv) Joaquim Mexia Alves 

Pois é meus camarigos, nesta questão dos básicos, o básico fui eu!!!

Passo a explicar. Na instrução do meu Pelotão da CART 3492, no RAP2, um soldado se distinguiu pela sua fraca participação e entendimento do que lhe era pedido, quer ao nível físico, quer ao nível intelectual.

Claro que lhe disse que não se safava à Guiné, mas que iria como básico!

No Xitole fazia diversos trabalhos, nos quais obviamente não estava incluída a parte operacional.
Julgo que só saiu uma vez para a mata a seu pedido, mas que a partir daí nunca mais lá colocou os pés!

Ora bem,  o básico sou eu, porque passados largos anos, quando nos reencontrámos num qualquer almoço de combatentes, ou talvez lembro-me agora, em Monte Real num qualquer dia, vim a saber que o “básico” era, e é, um empresário de sucesso, com uma vida desafogada e boa.

Quando o confrontei com a discrepância entre os seus “feitos” na tropa e a sua vida de empresário, riu-se com gosto na minha cara, com amizade, dizendo que me tinha enganado bem!

Não o identifico, embora muitos saibam quem é. É um bom amigo, a quem muito prezo, e que também muito bem me enganou!!!

Por isso digo que o básico fui eu!!! (...)

terça-feira, 19 de outubro de 2010 às 15:55:00 WEST 

(xxv) Hélder Valério de Sousa

Caríssimo Branquinho

Confesso que, tendo-me habituado a que não falasses de 'ti nem do teu umbigo', percebi logo que este teu 'reenvio' não tinha nada a ver contigo e seria mesmo uma coisa inocente.

Por outro lado, depois daquele soberbo texto/trabalho sobre a(s) água(s), confesso que estava à espera dum sucedâneo, chamemos-lhe assim, a puxar para o esotérico, ou alquímico, sei lá, qualquer coisa sobre a terra (os diferentes chãos), ou o ar (o clima, o frio, o calor) ou então ainda o fogo (os nossos, os do IN, as queimadas). Não veio agora, mas vou aguardar pacientemente.

A avaliar pelas inúmeras reacções e pelo tipo e teor delas (quase, quase, na linha das que ocorreram a propósito duma namorada do António Graça de Abreu), este teu texto (reenviado...) vem provar que o pessoal não perdeu o sentido do humor (embora isto não seja totalmente verdade, em todas as circunstâncias e para todos os 'observadores') e que sabe bem, pelo menos de vez em quando, 'guardar as G3' e contar, relatar, estas histórias/situações pitorescas.

A prova do que digo está no facto de ter visto, quase depois de um ano passado (ou talvez mais..), ter visto, dizia, uma intervenção de um dos homens deste Blogue que foi para mim um dos primeiros (senão mesmo o primeiro 'audível') com que contactei e que dá pelo nome de de Vitor Junqueira, a quem aproveito para saudar.

Vamos continuar, pois para nos tornar cinzentões já chega o que dia-a-dia nos é imposto... (...)
 



(xxvi) Anónimo 

Básico para futuro Primeiro Ministro! Básico para Ministro da Economia! Básicos em defuntos Conselhos da dita Revolucäo!U m Básico a escrever estes comentários!...Näo vamos estar aqui,sistematicamente, a ofender  os nossos Camaradas Básicos!


(xxvii) José Ferreira da Silva     [ Silva da Cart 1689]


Camaradas Vinhal e Branquinho:

Curioso com a missiva anónima que chegou até vós, resolvi ir esmiuçá-la com o meu vizinho, Inspector da PJ, um mouro infiltrado aqui mesmo junto à "Escola Superior do Vaticano", de Olival/Crestuma, dadas as suas elevadas credenciais, alcançadas como colaborador de M. J. Morgado, na Operação "Apito Domesticado" da guerra santa contra os fiéis e, muito particularmente contra o nosso "Papa", e agora investido na luta pela "Vaidade Desportiva". Acreditei logo em resultados inequívocos. 

Eis as conclusões evidentes:

1 - O Oficial era o mais branco do grupo, já que os outros, excluindo o Capitão, eram ilhéus ou negros;
2 - Quem andava a comer a lavadeira era o Oficial porque sempre que ela se apresentava em serviço, sem as respectivas cuecas, aproveitava o momento em que ele se ia lavar, para enfiar as cuecas abandonadas;
3- O Básico, chatedo com os protestos e acusações do Oficial, oportunamente, aproveitou a presença dos ilhéus e da lavadeira para demonstrar a sua inocência, descompondo a referida profissional;
4 - Um dos ilhéus disse logo "Boa coma milho",  mas ficou-se à espera de ser servido;
5 - Outro fez movimento repulsivo, afastando-se de cu;
6 - O outro desapertava os calções e logo perdia a tusa.

Mais se concluiu que este Básico não era burro e que não é analfabeto. Aliás,é muito possível que:

a)- Tenha feito grande evolução através do ensino nas "Novas Oportunidades";
b) - A sua escrita seja perfeitamente enquadrada na normalização do português, através do "Acordo Ortográfico";
c) - Um dia destes apareça nalgum Ministério Governamental (já com diploma) ocupando um lugar de destaque e vendendo a pomada para a salvação do desgraçado País.

Um grande abraço do Silva para todos, especialmente para os ilhéus, nortenhos, alentejanos, guineenses, palestinianos, etc. e outos ilustres desfavorecidos.



(xxviii) Alberto Branquinho


Disse:

Agora, que parece que não há mais:

1º- Um obrigado a todos, mesmo não sendo "obrigado" a isso, incluindo (sem reserva mental) o Carlos Nabeiro que "enfiou" texto e contexto no "Curral das Moinas", pois sendo eu do interior norte (não de junto do "Puerto", mas onde se diz "Vijeu"), esse programa televisivo me diverte bastante (descontando um ou outro exagero).

2º. Em especal e acima de tudpo, as boas vindas ao Vitor Junqueira (Helder Valério "dixit") e... venha de lá essa frontalidade!

3º. Ao Artur Conceição, que sugere uma outra foto "diferente", reenvio o recado para o Carlos Vinhal, que, apesar de ter só três fotos - uma é menos "carrancuda".

3º. Ao Silva da nossa CART 1689 direi que, quanto ao "ufissial" andou lá perto, mas não identificou a personagem. (Se o vir, será segredo nosso). (...)


(xxix) Alberto Branquinho

Meus senhores, desculpem voltar ao "palco". É que me esqueci de agradecer ao meu advogado José Belo e, além disso, esclarecê-lo sobre essa coisa do "vossemessê". Salvo melhor opinião, esta expressão, ainda muito usada pelo menos no Alto Douro e em Trás-os-Montes, é o resultado da contracção do tratamento mdieval "vossa mercê", devendo, portanto escrever-se "vossemecê". Está correcto?


(xxx) Anónimo [José Belo, que escreve da Lapónia, em teclado sem os caracteres portugueses, lapso que corrigimos]

É sempre uma honra para mim, quando, em humilde obscuridade,vou tendo oportunidade de zelar pela verdade,e muito principalmente pela Moral. 

No caso presente "as cuecas do Sr.oficial", creio ter ficado provado que leituras apressadas por parte de alguns (e de modo algum lapsos freudianos!!!) fizeram surgir perversidades evidentes, e não menos, amoralidades decadentes. 

Creio ter ficado bem demonstrada a inculpabilidade do Sr. Of. quanto a quem colocou as cuecas onde as testemunhas as vieram a encontrar.E cito:"Nas deliciosas partes baixas da lavadeira". Houve uma busca evidente de misturar "vacas sagradas"(pertencentes a outras paragens geográficas), neste caso sórdido. Para tal,foram retiradas,literalmente ,do ego do nosso Camarada Básico as seguintes palavras quando se refere ao Sr. Of.: "Ele num é de confiar de todo".

A partir daqui,e como o Dr. Lobo Antunes täo bem aprendeu,procurou-se apoucar a honestidade do camarada Básico,quando alguns despeitados insinuaram possível participacäo desta honrada Especialidade Militar em traiçoeiros, e felizmente defuntos, Conselhos de uma tal Revolucão (?) e outros anarquismos semelhantes.(Só faltou dá-lo como ordenança de um certo Sr. Oficial do COPCON,mas felizmente que para tudo há limites nisto de destruições de gente honesta...que o digam os nossos geniais governantes!). 

Outros ainda,tomando caminhos do demo,vieram apresentar imagens lúdicas destes honrados camaradas Básicos "amando com furor", como se de alimárias se tratassem, sobre a mesa das sagradas refeições compartilhadas pelos quadros de uma guarnição que, perdida algures na selva africana,defendia com armas na mão a civilizacäo ocidental...e näo só! 

Outros procuraram encaminhar as atenções gerais para drogas e narcóticos,criando uma imagem do nosso Camarada Básico digna das Docas de Lisboa à noite.Alguns,em despudores pagãs atreveram-se a sugerir a intervenção de..."Peritos da Gaita", para esclarecer detalhes impassíveis de serem aqui referidos! 

Depois disto tudo,e tendo procurado defender de alma e coracäo o Sr. Oficial,  proprietário das cuecas,tomo a liberdade de lhe dar um pequeno conselho-lapão:

"Caro Camara!. Não volte a usar  (!!!) as cuequinhas cor-de-rosa com rendinhas que nunca resiste a comprar quando passa por Paris!. As pobres das lavdeiras também são "femeninas'!"

PS - Caro Amigo Alberto Branquinho, segue por correio registado a carta com o recibo dos custos do julgamento para assinares.


(xxxi) Alberto Branquinho

Senhor meu advogado José Belo

Vossemecê desculpe, mas quem não sabe é como quem não vê.

Gostei muito das suas "alegações finais", mas como não sei nada de direito lapão, não percebi se fui absolvido ou se fui condenado ou se foi condenado o outro que tirou ilações precipitadas sobre as cuecas na entreperna da lavadeira.

Se entendi bem, as tais "cuecas cor-de-rosa com rendinhas" são assim a modos como as nossas "pulseiras electrónicas" a serem usadas pelo condenado. Portanto, sou eu ou o outro camarada que está condenado a usá-las ?

O seu cliente, atentamente
Alberto Branquinho


(xxxii) Anónimo [José Belo, que escreve da Lapónia, em teclado sem os caracteres portugueses, lapso que corrigimos]

Será que estes meus mais de 34 anos longe da Pátria...? Estamos os dois a falar de A-D-V-O-G-A-D-O-S ? "Perceber-se" se foi condenado ou absolvido? Haverão diferenças tão mesquinhas no nosso querido Portugal de hoje ? 

Mas,francamente! Näo é para isso que me paga! Para mais,não sendo V.Exª o Oficial proprietário das cuecas de renda....(por amor de Deus näo me venha agora dizer outra coisa!) e tendo o seu amigo sido ilibado das insinuacöes vergonhosas, sim...vergonhosas,do tal leitor freudianamente apressado...a haver justica (ah!)...terá que ser ele a enfrentar o problema das "cuecas-electrónicas" por si referidas. Mas, como ele há cada perverso....será mesmo um "castigo"? Sejamos modernos...Tá?

(xxxiv) Alberto Branquinho  

Senhor meu advogado José Belo

Prontos. Está tudo esclarecido e acabado. Mande a conta, faz favor, pela Aurora Boreal, ao cuidado da D. Alzira, que é a minha porteira, que também é do Norte e que diz que ainda é prima da Aurora.
Obrigados. (...)


(xxxv) Anónimo [José Belo, que escreve da Lapónia, em teclado sem os caracteres portugueses, lapso que corrigimos]

(PERANTE A ÂNSIA DOS EDITORES DO BLOGUE!....Que Deus lhes pague!). 

Caríssimo Alberto Branquinho.

Sendo a tua(salvo seja), D. Alzira, do Norte,e o nosso Camarada que "estraçalhou" por toda a Cibernética este problema relacionado com as C.C.R.(E isto em linguagem de Estado-Maior quer dizer....cuecas cor de rosa)...também ser do Norte...haverá a mínima possibilidade de ambos serem coniventes nestas bestialidades inarráveis (tipo relacionamento dominatrix/escravo?).

Eu sei...eu sei...eu sei!Esta hipótese seria muito mais lógica pelos Estoril,Cascais,ou outras localidades da "Linha" da minha juventude distante.(Atenção!Nada a ver com a rapaziada da Tabanca da Linha!T'ARRENEGO!). Mas no Norte? O Norte de Guimaräes?dos nossos "Máiores"? Aí, deve haver alguma calúnia por ti(involuntariamente...espero) levantada.Eu sei que no Registo consta ser o Pai da Alzirinha um tal Jorge com profissäo de pescador do bacalhau na Guiné-Equatorial.A ser assim,que faria o Algarvio que andava lá sempre metido em casa? É que,como muito bem se sabe,isto de Algarvios...principalmente aqueles que se mudam para serranias...a norte...e se chamam José...tem o que se diga!(atencäo! eu sou José mas lisboêta e aos costumes disse nada!).De qualquer modo,näo é nada que uma boa,e atenta leitura dos Arquivos do Estado Maior General das Forcas Armadas/2-Reparticäo/ näo acabe por esclarecer. Sempre ao dispor com toda a Estima &Consideracäo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010 às 13:09:00 WEST 


(xxxvi)  Torcato Mendonca


Abri agora isto. Andando ao rolar do rato ...e zás - 34 comentários por umas cuecas e que já estão com renda e cor de rosa. Diacho??!!! Que raio de cor...nos tempos que correm cada um consome do que gosta. Mas fala-se de um algarvio com o nome José...terá a ver com o Simplesmente José?? Esse tipo lá não usava cuecas. Bem de quando em vez sim.

Se roupa ofertava á lavadeira era soutien (nº 36,38??? sem memória numeral)e panos, lindos panos de África deles...e, quanto a direito, bem, bem mais outrora que hoje mas pronto para cooperação e há cada uma...

José Simplesmente José

quarta-feira, 20 de outubro de 2010 às 15:55:00 WEST 

(xxxvii) Torcato Mendonca 

Não está em causa o escrito. Gostei e assim comentei. O Alberto Branquinho escreve assim e bem.
Felizmente para ele e para nós.

Não retiro nada ao que anteriormente disse sobre "básicos,cuecas,  gaitas e anexos, lavadeiras...e oficiais.

Só tem a ver com sulista e nortenho...fez-me lembrar a barraca de um politico ainda no activo... (...)



(xxxvii) José Càmara

Mejo amigos,

Isto de botar opinião é cá cagente!

Todos nós chó shabemos ibentar berdades. Achim é qué bom! Shomos todos igalinhos.

Um amigo nócho diche aqui que as labadeiras tinham chido todas comidas com as cascas das chabolhas em chima da meja. Portanto as labadeiras tinham chido comidas.

Vamos aplaudir o nosso bajico ibentado por ter uma memória tão boa. Ochalá que a nocha estiveche tão rota.

Como os burackos que nós ujáavamos chó cherviam para recheber a bijita dos nochos amigos que moravam do outro lado da bolanha, icho shignifica que nós tinhamos que labar as nossas (chó as nochas) coijinhas à mão.

Aquilo às vejes dava muito trabalho a labar pois estavam muito duras. Para ficarem bem labadinhas tinhamos que esfregar aquilo muitas vejes. Ficavamos chempre chatiche feitchos com o nocho trabalho.

Eu já não me lembro da cor das minhas cuecas mas chei que tinham chido rompitas na frente.
E hoje eu não pocho mais. Já estou miuto eschanchado de olhar para ver se ainda ujo cuecas rotas na frente. Agora quem as lava é a minha madrinha de guerra. Ela às vejes pergunta quem é que lava melhor. Se ela ou as labadeiras da Guiné. Eu digo que não chei pois as da Guiné tinham chido todas comidas antes de eu chegar lá.

Antão ela fica muto contente, porque quer ser a única que chabe lavar a minha roupinha.
Por icho eu mando um abraço muito estrechado para o meu amigo basico iventado, e para os outros que me fijeram estar muito cotente com as bochas opiniões.

Shempre she aprende qualquer couja nova no nocho blogue que já é muto grande. E agente para mandar cartas aos nochos amigos já nem prejijamos de por stampas nem comprar envelopes. É c'ma che foche um aragrama do nocho tempo.

Eu não chei c'ma aprender mais uma tonga. Já falava duas e agora chão três.Mas não chei qual delas eu usar melhor.

Che for prejijo eu tradujir mandem-me um aragrama por via bate-estradas. Da terra das caboiadas
Jé Câmara

PS - Daqui faço homenagem sentida aos básicos da minha companhia. Para além de serem excelentes pessoas e militares conscientes (tive a oportunidade de os abraçar no nosso último convite da CCaç 3327) também tiveram bastante sucesso na sua vida profissional.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010 às 17:49:00 WEST 

(xxxviii) Anónimo

A barraca de UM (!) político?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010 às 18:00:00 WEST 

(xxxix) José Marcelino Martins

Meus caros camaradas e amigos e em especial ao Branquinho.

Tenho evitado de me pronunciar sobre este tema porque, de básico não tem nada. Isto deve ser cultura de alto gabarito que, para mim, se torna dificil de entender, já que ainda estou na primeira fase das Novas Oportunidades, depois irei à segunda fase e, espero, usar o acordo de Bolonha, para me instruir.

Concluo no entanto que, nesta matéria, estamos muito mais atrasados hoje que na Guiné em 1974.
A CCaç 5, unidade formada por tropas da província,  não tem, nos mais de 400 nomes que compilei relativos de Agosto/61 a Agosto/74, não encontrei nenhum Básico.

Será que já havia uma Outra Oportunidade que só cá chegou agora?

Nota: este texto não foi elaborado ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico, pelo que se tiver erros, são mesmo erros

quarta-feira, 20 de outubro de 2010 às 21:15:00 WEST

(Seleção, revisão / fixaºção de texto, negritos: LG)

_________________

Notas do editor LG: