sexta-feira, 29 de março de 2024

Guiné 61/74 - P25315: Um conto de António Graça de Abeu: "Lai Yong e Bernardo, uma História Simples" (2018) - Parte I


O escritor (n. Porto, 1947) quando jovem 
(c. 30 e poucos anos)


António Graça de Abreu, na China (c. 1981)

1. Mensagem do António Graça de Abreu, com data de  26 do corrente: 

Luís, segue o texto dos primeiros amores luso-chineses. Acho que dá para publicar, lê-se com gosto, e como dizia o Camões “melhor é experimentá-lo que julgá-lo/mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.”

Creio que podes dividi-lo em três ou quatro partes. As fotos são todas minhas, excepto a do padre Teixeira que é da net. Mas não deve ter direitos de autor.

Abraço,

António Graça de Abreu


Depois da Guiné, 1972/74, com largas estadias em Canchungo, Mansoa e Cufar, regressado a Portugal a 20 de Abril de 1974, era tempo de esquecer as charangas da guerra e recomeçar nova vida. 

Com a democratização da sociedade portuguesa, surgiram os partidos políticos e em 1976 foi tempo de me aproximar dos maoistas do Partido Comunista de Portugal (marxista-leninista), o único que mantinha um relacionamento institucional com Pequim, com o Partido Comunista Chinês. 

Em finais de 1977 fui convidado pelo Eduíno Vilar, secretário-geral do PCP (m-l), conhecia bem a sua esposa, a Ana Faria,  minha colega de Faculdade de Letras – para ir trabalhar na China, nas Edições de Pequim em Línguas Estrangeiras. 

Depois de muito pensar aceitei, o contrato era de quatro anos e acabei por ficar seis anos na capital chinesa e em Shanghai, tendo mudado completamente a minha vida. 

Dediquei-me a estudar a China, a escrever sobre a China, a dar aulas em diferentes universidades portuguesas sobre estudos chineses. 

Conheço pouco, mas a China não me é estranha.

O meu primeiro mergulho no feminino chinês é este texto, este conto, 80% verdadeiro, passado em Macau, que deixo à consideração dos nossos camaradas da Guiné. Prometo leitura exaltante, agradável, edificante.

António Graça de Abreu


Capa do livro "Lay-Yong, Bernardo e outros poemas", de António Graça de Abreu (Póvoa de Santa Iria,  Lua de Marfim Editora, 2019, 91 pp.)

Email do autor: abreuchina@netcabo.pt


2. Segue-se o conto, " Lai Yong e Bernardo, uma História Simples" (pp. 36-57), uma história de encontro e separação de duas culturas,  e de amores efémeros de um homem (Bernardo, português, com formação universitária, e já na casa dos 30 e tal, claramente um "alter ego" do escritor) e uma jovem chinesa de Cantão e Macau,  de 24 anos, Lai Yong. 

Estamos em 1981 em  Cantão  e em Macau (território ainda sob administração portuguesa,  até 1999).  

Vamos dividir o conto em três partes, devido à sua extensão. E agradecemos ao autor, nosso camarada, um histórico do nosso blogue, a sua gentileza e generosidade. O conto foi publicado num dos seus últimos livros, já aqui objeto de uma primeira nota de leitura (*) 

 O António Graça de Abreu tem cerca de 340 referências no nosso blogue.  Foi alf mil, CAOP1 ( Teixeira Pinto, Mansoa e Cufar, 1972/74).  Escritor, poeta  tradutor e professor universitário, é um reputado sinólogo, especialista em língua, cultura e história da China. (LG)



A menina de Cantão e Macau: (...) "Em Santiago da Barra, / desagua um rio de ternura, / para eu navegar
no jade do mar, na tua formosura." (...) 


Fotos (e legenda) : © António Graça de Abreu (2024). Todos os direitos reservados . [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Lai Yong e Bernardo, uma História Simples - Parte I

por António Graça de Abreu


Se não trazem amantes para os quartos, 

as vidas dos anjos não passam de um sonho.

Li Shangyin (813-858)


Grave e leda no gesto, e tão fermosa 

Que se amansava o mar de maravilha.

Camões, Os Lusíadas, Canto VI, 21


I

Cantão, ano de graça de 1981, Outubro.

Diante da cidade, no pequeno cais fluvial do outro lado do braço do rio das Pérolas, o barco da ligação nocturna Cantão-Macau está prestes a partir.

A polícia chinesa procedeu à rigorosa verificação de passaportes e salvos condutos, vistoriou as bagagens dos cidadãos, cerca de duas centenas, que viajam no ferry da noite rumo à pequena cidade portuguesa, na península do Santo Nome de Deus, na China.

Sou o único estrangeiro a bordo. Cheguei esta tarde a Cantão, depois da longa viagem desde Pequim, trinta e nove horas, 2.700 quilómetros na carruagem yingwoche 硬卧车, ou seja, “cama dura”, no beliche do meio de um comboio ronceiro, fumegante e sujo. 

Agora, o naviozinho, uma espécie de cacilheiro meio alindado, acomoda os passageiros para o possível sono da noite numa vasta camarata, com dois pisos iguais em convés coberto, tipo salão, cada andar com uma centena de camas, todas unidas umas às outras.

Depois do comboio, antevejo uma noite tranquila, embalado pelo navegar ritmado do barco, nos cento e trinta quilómetros até Macau por águas escuras, barrentas,mas bonançosas, no delta do rio das Pérolas.

Cabe-me em sorte o leito número 8 no piso inferior do “cacilheiro” chinês. Oito é   um bom número, associado à prosperidade e à riqueza. Deposito a mala, apalpo acama, instalo-me. 

Mesmo ao lado, no número 9  outro número de excelsas qualidades a apontar para longa vida, poder e harmonia, – está uma menina chinesa aí de vinte anos, de pernas cruzadas, bonitas, sentada no colchão. Esplendorosa. Surpreende-se, curiosa com a minha presença, tal como eu me espanto face à sua inesperada aparição.

Vamos dormir, lado a lado, separados por um estreito tabique de madeira, ao rés dos nossos corpos. A chinesa não é bem menina, mais uma mulher jovem, 'mignonne', o rosto cheio, os olhos amendoados e fundos, os cabelos descendo pelos ombros e um sorriso que passeia na fissura da almofada dos lábios, e chega até mim. Sorrio também.

O barco vai descendo o rio. A meu lado, que sorte, que formosa mulher!

Ajeitamo-nos nas camas, é quase hora de fechar os olhos para um possível sono descansado.

No meu catastrófico chinês mandarim, saúdo a inesperada companheira de tãopróximos espaços a compartilhar.

– Boa noite, como te chamas?

–  Li Yang, mas em cantonense chamo-me Lai Yong.

 Eu sou Bernardo, português, vivo há quatro anos em Pequim, onde trabalho e tenho a minha vida. Esta é a minha terceira viagem a Macau. Ni ne? E tu?

 Nasci em Cantão, vim pequena para Macau, com os meus pais.

 O que é que fazes, Lai Yong?

– Trabalho numa loja de arte chinesa, pintura tradicional, caligrafia e livros.

Este o essencial arrevesado da conversa. Estamos apresentados. Outra vez o fíníssimo sorriso a baloiçar nos lábios da Lai Yong e ela a enroscar-se no edredão, preparando o sono da noite. Pergunto-lhe em mandarim, depois em inglês:

 Que língua vamos falar?

 Não vamos falar, vamos dormir. Falo cantonense e mandarim, mais umas palavras de inglês. Mingtian jian, 明天见, “até amanhã”, good night.

 Mingtian jian, sleep well.

Vivendo em Pequim desde 1977, habituara-me a uma existência dura em tempo de rigores políticos, à extremada separação entre chineses e estrangeiros, à quase impossibilidade de um relacionamento com estas meninas de jade e de seda, alvas e perfeitíssimas. 

Recordei como, desde há quatro séculos e meio, este feminino de assombros -- sublimes criações dos deuses , tem povoado o imaginário e a realidade quotidiana de tantos portugueses em Macau, diante de depuradas mulheres, mesmo se de origem humilde, mas quase sempre dedicadas e meigas, tão superiores à mediania e à mediocridade de incontáveis gentes.

A três palmos de mim, no barco da carreira Cantão-Macau, dorme uma primorosa filha das terras da China. O rosto sereno no travesseiro diminuto, creio que nenhum sonho, nenhum sobressalto. Bela e adormecida, Lai Yong parece porcelana.

Apetece tocar.

O barco desce por meandros e curvas do rio das Pérolas. Luzes dispersas, mais anegritude no horizonte, no vasto delta a abrir-se para o mar. Vou também tentar dormir.

Adormeço no sonho de uma chinesa vestida de nuvens coloridas aproximando-se de mim. Um braçado de flores, uma fada imaculada, erva fofa e tenra.

Acordo com um amanhecer difuso. Lá fora, a leste, o céu levemente azul, levemente rosa. Tudo ainda muito escuro. Cá dentro, na penumbra, ao lado, a Lai Yong continua a dormir. É uma ninfa descida de paragens celestiais, veio por detrás do debruar da noite para adormecer junto de mim.

No barco, a estibordo, adivinham-se ainda distantes as primeiras luzes de 9Macau, perfurando o clarear do dia. O farol da Guia a lampejar no alto, depois o traço iluminado dos hotéis Presidente e Lisboa, mais a linha da baía da Praia Grande.  

“cacilheiro” passa sob a ponte Nobre de Carvalho, circunda o extremo sul da península, rodeia a Penha, a Barra, o templo de Amá e encontra o cais para acostar, no Porto Interior. Os passageiros, ainda meio ensonados, deixam as camas para trás, carregam malas e embrulhos, aceleram o passo, saem do barco. É a debandada ligeira e rápida para dentro de Macau, sem nenhuma barreira ou fiscalização, os chineses da polícia e alfândega de Cantão já controlaram tudo. E Macau tem o privilégio de ser um porto livre.

É dia claro. Lai Yong e eu não temos pressa, somos quase os últimos a deixar o barco. Ajudo-a no transporte das suas muitas trouxas e pergunto-lhe:

 Logo à noite, queres jantar comigo?

Lai Yong espera uns vinte segundos, parece hesitar na resposta. Mas o sorriso macio, adocicado, brilha outra vez nos olhos, nos lábios, enche-lhe o rosto todo. Depois diz:

 Keyi, pode ser. Onde nos encontramos?

 Em San Ma Lou, a avenida Almeida Ribeiro, em frente ao Leal Senado.

Um aperto de mão cordial e bye bye, até logo.

II

Sete da noite. Chego ao Leal Senado, no centro da cidade, e questiono-me: Será que a Lai Yong vai mesmo aparecer, ou esfumar-se-á para sempre nos atalhos escondidos das sombras de Macau?

A mulher lá está, os mesmos sapatinhos pretos de Bela Adormecida, saia justa azul arredondando-lhe as formas do corpo, uma blusa vermelha apertada, com o botão de cima aberto no decote sobre o levantar dos seios perfeitos, uma pequena gola de folhos, os olhos de veludo castanho voluptuosamente pintados, a boca rubra entreaberta.

Outra vez o sorriso perfumado, acariciante e leve que não se desprende apenas do abrir dos seus lábios, quero crer que lhe circula no sangue. São os ténues entendimentos de um português romântico, hoje completamente fora de moda, homem da estranha casta lusitana, mas espantado, encantado, embriagado diante de possíveis enxertias em bacelos do sul da China.

Onde vamos jantar?

O Hotel Metrópole está na moda. O restaurante do hotel, o Beira-Mar, é uma sala enorme com um palco e um palanquim lateral onde jovens cantoras de Hong Kong, com voz de rouxinol afinado, entoam modinhas chinesas em cantonense, às vezes em mandarim. Degustamos umas tantas iguarias de comida meio ocidental, meio chinesa, bebemos uma garrafa de vinho verde Gatão, bem fresquinho, o néctar das encostas das terras de Amarante, em Macau, no seu melhor. Lai Yong tende mais para o lado do chá, mas decide fazer companhia ao amigo recente, em suaves libações vínicas. À nossa saúde, Ganbei, 干杯, brindamos à felicidade em nossas vidas.

Bernardo é o primeiro português que conhece nos seus quase vinte e quatro anos de idade, muitos deles já vividos em Macau. Falamos, falamos, falamos num linguajar de trapos, meio mandarim, meio inglês.

Quem és tu Lai Yong, mulher da China, de Cantão, de Macau? Quem sou eu, Bernardo, português dos distantes mares do Ocidente, ancorado em Pequim, agora de passagem por esta estranha cidade do sul do império, com portugueses lá dentro, e mais gente, macaense e chineses, todos filhos das singularidades do mundo e de dez mil desvairos?

Ao modo da velha China trocamos dados sobre os nossos signos, identificamo-nos, descobrimo-nos pelos animais do zodíaco chinês que estão por detrás do ano emque nascemos e que, quase de certeza, nos condicionam as vidas e nos fazem ser o que somos. Recordamos qualidades, esquecemos, por completo, os muitos defeitos.

 Lai Yong é Cabra, um animal simpático, de bom coração que irradia vontade de viver,

Bernardo nasceu no ano privilegiado do Porco Dourado, sob o elemento Fogo, tem por isso um ror de qualidades. É generoso e honesto, por muitas voltas que a vida dê, o dinheiro não lhe costuma faltar, é sensual e corajoso. 

Sorrimos ambos face ao que vamos descobrindo. Não será difícil a aceitação de um pelo outro. Sabemos que temos quase tudo para entendimentos sinuosos mas sublimados, para nos darmos bem porque deverão existir baús e baús de compatibilidades e interesses comuns.

Falo-lhe do meu trabalho em Pequim, na minha danwei 单位 comunista, a entidade de trabalho, a Foreign Languages Press onde tenho bastante liberdade e passo os dias a cerzir textos em razoável português. Pagam-me um magro salário que, no entanto, chega, é suficiente para viver, até dá para viajar e vir a Macau.

Lai Yong é uma mulher quase letrada ao modo do velho Império, ocupa o seu labor cirandando pela pintura tradicional chinesa, a exercitar caligrafia, a ler e a copiar poesia clássica. 

Falo-lhe nos grandes poetas da dinastia Tang (618-907) que também vou descobrindo e que gostaria um dia, ocupando parte dos meus ócios, de traduzir para língua portuguesa. São Li Bai, Du Fu, Wang Wei, Bai Juyi. 

Conhece-os todos, fala-me de Wang Wei: 当一个人品味王玮的诗,有画在他们, “A sua poesia é pintura, a sua pintura é poesia”, e diz-me, também em mandarim, a brincar, um famoso poema de Li Bai, ou Li Po que as crianças chinesas costumam aprender na escola primária. Assim:

床 前 明 月 光

疑 是 地 上 霜

举 头 望 明 月

低 头 思 故 乡

e que, em mandarim, soa deste modo:

chuang qian min yue guang
yi shi di shang shuang
ju tou wang ming yue
di tou si gu xiang

A tradução livre será mais ou menos esta:

“Li Bai, em viagem, acorda numa estalagem longe de sua casa. De madrugada,vem à janela e tem a geada diante dos seus olhos. Ou serão reflexos do luar? O poeta, triste, pensa no seu lar”.

Lai Yong fala-me de outros poetas da dinastia Tang, grande parte deles eu nem sequer conheço. Ela sabe dezenas de poemas de cor. Ah, mulher bonita, eu agarro em ti e levo-te comigo, debaixo do braço, para darmos a volta ao mundo!

Deixamos o restaurante do Hotel Metrópole. Acompanho a Lai Yong, a pé, até casa. Mora na rua da Praia do Manduco, por baixo de S. Lourenço, lá no extremo sul, ao lado do Porto Interior, quase a chegar ao templo de A Má. 

Vamos descendo pela marginal, circundando a Praia Grande, passando a Penha, até à Barra, caminhando lentamente sob árvores seculares num dos espaços mágicos de Macau. 


O meu braço direito sobe e rodeia o ombro de Lai Yong. Puxo-a para mim, a menina de Cantão e Macau aconchega-se suavemente na espalda do amigo recente. Caminhamos enlaçados.

Quase ninguém na noite de Santiago da Barra. Bernardo, os pés em Macau, o coração entre céu e terra, abraça a mulher chinesa, beija a polpa dos lábios da ancestral e presente filha do dragão, lábios perfeitíssimos humedecidos por milénios de águas da chuva, espantos e carícias. Alegria, prazer. O português de Pequim sorve a língua da fada chinesa, de jade, menos fria, tão macia. Flutuamos ambos, como nuvens.

Lai Yong chega a casa, na Praia do Manduco, por detrás do templo da Barra, onde a deusa A Má, chegada da província de Fujian, de quando em quando, promete fortuna, paz e felicidade. A despedida, um beijo agora leve levado pela brisa da noite.

De regresso ao provisório lar, Bernardo escreve o seguinte poema:

Obrigado aos deuses,
deram-me o que eu não merecia.
No silêncio iluminado da noite de Macau,
o bem-querer dos amantes principia.
Em Santiago da Barra,
desagua um rio de ternura,
para eu navegar
no jade do mar, na tua formosura.

António  Graça de Abreu

 (Continua) 

(Seleção,  revisão / fixação de texto para efeitos de publicação neste poste: LG)

______

Nota do editor:

(*) Vd. poste de 25 de março de  2024 > Guiné 61/74 - P25305: Notas de leitura (1678): "Lay Yong, Bernardo e outros poemas", de António Graça de Abreu (Lua de Marfim Editora, 2018, 90 pp.) (Luís Graça)

13 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Que sabiamos nós, quando fomos para a tropa, "do Portugal do Minho a Timor" ?

O alentejano de Castro Verde não sabia onde ficava Freixo de Espada à Cintra. O minhoto de Valença nunca tinha ouvido falar do rio das Pérolas, e o macaense não falava português...

A chinesa Lai Yong comunica em inglês e mandarim com o português Bernardo...

Boas amêndoas para todos os nossos leitores e leitoras em Portugal e em todo o mundo lusófono. LG

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Houve um macaense em Bambadinca. Creio que era de rendição individual, estava na CCS/BART 2917 (1970/72).

Demos conta da sua existência quando aproveitou um bebé de macaco-cão (morto acidentalmente) para fazer um petisco assado na brasa...

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Quem tinha uma forte ligação afetiva a Macau era o nosso saudoso cap SGE José Neto, falecido em 2007 (se não erro).

Valdemar Silva disse...

"Cantão, ano de graça de 1981, Outubro."
em Outubro de 1981, em Cantão era tudo de borla?
estranho, eram tempos de mao-largas.

No ano da graça de 1981 estava o Bernardo a adormecer a uns metros do rio das Pérolas, mas muito perto duma margarita (zhënzhü) e não perdeu a oportunidade de se apresentar e logo ficou pensando como se apoderar daquela joia.

Valdemar Queiroz

antonio graça de abreu disse...

Oh, Valdemar, a que propósito falas em borlas? A descoberta da Lai Yong no barco Cantão-Macau foi rigorosamente acidental. Tudo o que aconteceu a seguir é descrito com 90% de verdade, aconteceu mesmo, exactamente assim. Não houve patacas ou dólares de Hong Kong a inquinar o encontro bonito, enriquecedor, sublime de um português e de uma chinesa, Macau 1981. Talvez entendas, se leres o resto da história.

Abraço,

António G5raça de Abreu

Valdemar Silva disse...

Oh, Graça Abreu, achei piada que o ano 1981 fosse um ano de graça na China, que nesse caso era tudo à borla.

Do resto, não duvido de nada do que se passou no barco Cantão-Macau.

Abraço
Valdemar Queiroz

Eduardo Estrela disse...

Gostei da forma como o António Graça de Abreu inicia o conto e descreve a sua heroína.
Vou ficar à espera do resto da história aproveitando para mandar um abraço.
Eduardo Estrela

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Em Candoz estou com Net limitada...

Mas amanhã e depois saiem as restantes partes do conto (II e III). Já estão editados os postes.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Valdemar, "olho de lince", não te escapa nada... Mas fui confirmar se a gralha era minha, do editor, ou do autor...

No original (no livro e no ficheiro que o António me mandou) está mesmo escrito "ano de graça de 1981"...

Acontece aos melhores. (Felizmente que já vejo bem, graças à nossa senhora oftalmologista que me operou à catarata)...

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Acrescente-se que a expressão portuguesa "de graça", presta-se a alguns trocadilhos jocosos, pícaros ou brejeiros...

Imagina, Valdemar, um estrangeiro, falante da língua de Dante, a tentar dizer na língua de Camões que "oggi fu uno giorno di grazia"...

Pode sair qualquer coisa mais desagradável para os nossos ouvidos mas que não deixa de ter... a sua graça: "Oggi fu dia di grazia".y

Anónimo disse...

Li num ápice. O que não é normal em mim. Espero, ansioso, pelo próximo episódio como no tempo da “Gabriela”.
Parabéns pelo “fresco” da narrativa.
Um abraço
Joaquim Costa

Valdemar Silva disse...

Ano da graça, ou Anno Domini, é uma expressão religiosa 'ano da graça do Senhor' usada para anunciar ou determinar a data de um acontecimento.

"o ano de graça" seria um ano de borlas, que é outra coisa.

Valdemar Queiroz

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Obrigado, Valdemar, estou sempre a aprender... Até morrer. Claro, que o ano em que nascemos tsmb foi um "ano da graça" ... E, como prenda, vinte e poucos anos depois, fomos parar à Guiné, "o que só nos fez bem", dirão alguns...