Jornal de caserna "O Abutre", da 2ª CART / BART 6523/73 (Cabuca, 1973/74)
Durante uns dias, a rádio "No Tera" (a nossa terra, em crioulo), de Cabuca, ao tempo da 2ª CART /BART 6523, em 1973, anunciou o "Concurso Mama Firme".
Esperava-se, desta forma, classificar e premiar as medidas peitorais das mulheres Cabucanas.
Diga-se de passagem que a tropa se esforçou imenso para que as suas conhecidas, especialmente as suas lavadeiras, ali viessem expor o seu porte.
O Carlos Boto, o diretor da rádio, e que fora o promotor da ideia, esteve quase a levar um enxerto de porrada do corpulento milícia Jeremias, devido às insistências junto de sua mulher.
Quem também não gostou da ideia, foi o chefe de tabanca Mamadu, que lembrou aos radialistas que às mulheres de Cabuca estava vedada a participação em concursos de beleza. E justificou:
Quem também não gostou da ideia, foi o chefe de tabanca Mamadu, que lembrou aos radialistas que às mulheres de Cabuca estava vedada a participação em concursos de beleza. E justificou:
– Poderíamos premiar a beleza interior porque somos nós que a fazemos e não a beleza exterior, porque essa é um produto de Deus.
Dececionados pelo fracasso, os promotores da iniciativa, reunidos de emergência, resolveram considerar a sábia sentença do chefe de tabanca e alterar para um “Concurso de …P*ças”. Reservado a " tugas".
Naquele dia, a emissão da rádio abriu excecionalmente às 15h00, por forma a poder publicitar massivamente a forçada alteração do concurso anunciado.
Foi no refeitório, por volta das 17h30, que se iniciou o evento.
Para começar, ninguém queria mexer em p*ça alheia. Teve que ser o Oficial Dia, o alf mil op esp/ ranger António Barbosa, a assumir a função de Juiz Árbitro.
Decididamente, sacou da faca de mato e traçou sobre a mesa uma linha para servir de medida-limite para admissão ao concurso. E avisou:
– Quem não chegar ao traço, fica logo de fora e quem o ultrapassar mais, ganhará uma garrafa de whisky.
Não levou muito tempo a que aparecessem alguns a “experimentar” a medida. Porém, não satisfeitos, voltavam para trás, e exercitavam-se a “tocar ao bicho”, na esperança de que ele crescesse de forma satisfatória.
Aliás, ninguém abdicou de se exercitar ali mesmo, ... descaradamente. Numa das mesas viam-se o Matosinhos, o Carvalho e o Maia em acção, ao mesmo tempo que olhavam afincadamente para a mesma revista… erótica.
Quem não se desenrascava era o Zé Faroleiro, cuja fama e porte de machão eram bem conhecidos. Por mais festas que fizesse ao animal, não conseguia despertá-lo.
Quem não se desenrascava era o Zé Faroleiro, cuja fama e porte de machão eram bem conhecidos. Por mais festas que fizesse ao animal, não conseguia despertá-lo.
– Ó filhos da p*ta! Seus badalhocos!!!– gritou o vagomestre, surgindo dos lados da cozinha.
E acrescentou:
– Não tendes vergonha de sujar a mesa onde comeis, com pintelhos e pingos???!!! Francamente!!!
O concurso ficou pontualmente suspenso, precisamente quando havia algumas dúvidas quanto ao vencedor. Furioso, o vagomestre chamou o básico Pequenitaites, ajudante da cozinha:
O concurso ficou pontualmente suspenso, precisamente quando havia algumas dúvidas quanto ao vencedor. Furioso, o vagomestre chamou o básico Pequenitaites, ajudante da cozinha:
– Ó faxina, vem cá. Traz um pano húmido e limpa esta mesa.
Quando este se aproximou, tomou conhecimento das medidas que apontavam para o possível vencedor. De repente, exclamou:
Quando este se aproximou, tomou conhecimento das medidas que apontavam para o possível vencedor. De repente, exclamou:
– Se é assim, eu bem podia ganhar!
A gargalhada foi geral. Mas o básico aproximou-se e, um tanto envergonhadamente, abriu a braguilha, sacou o marmanjo e, meio encoberto pelo pano da limpeza, pousou-o sobre a mesa.
Como o Pequenitaites parecia que não atingia a medida maior, logo alguns intervenientes (os mais avantajados) tentaram afastá-lo.
Porém, o básico subiu para um pequeno tijolo de barro para poder chegar com os testículos ao tampo da mesa e poder competir em condições de igualdade.
– Ei, pá!!! F*da-se!!! Mas que grande p*ça!!! – exclamaram abismados, os presentes.
Todas as outras murcharam e… ficaram desclassificadas.
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Nota do autor:
Doze anos depois do regresso, o Ricardo Figueiredo teve a oportunidade de saber da boca do Pequenitaites que o tamanho do seu pénis só lhe trouxera dissabores. Confessou-lhe que as namoradas se assustavam e que a mulher que mais amara, trocara-o por um lingrinhas que era conhecido por “Pilinha de Gato”.
Fonte - Adapt de José Ferreira - Clube Cabuca. In: "Memórias Boas da Minha Guerra, Volume III. Lisboa: Chiado Books, 2019, pp. 207-2014.
(Revisão / fixação de texto, título: LG)
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Nota do editor LG:

