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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Guiné 61/74 - P28494: O que é feito de ti, camarada ? (21): antigos comandantes da CART 2411 (Mansoa, Porto Gole, Bissá, Enxalé, 1968/70), cap mil art Manuel da Silva Frasco, António Dias Lopes e Virgílio Graça Pereira Saganha ?


Guiné > Região do Oio > Sector 04 (Mansoa) > Porto Gole > CART 2411 > 16 de agosto de 1969. Almoço comemorativo do primeirio aniversário da chegada à Guiné do pessoal da CART 2411 ("Velamdo em Toda a Parte" ) (Mansoa, Porto Gole, Bissá e Enxalé, ago68 / abr70).

Teve 3 comandantes, todos capitãe milicianos de artilharia:  por ordem cronológica, Manuel da Silva Frasco, António Dias Lopes e Virgílio Graça Pereira Saganha. Qual deles é o que está assanalado a amarelo na foto ?

Foto (e legenda): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA ( Gemini / Google)]




1.  Foram três 
comandantes da CART 2411 (Mansoa, Porto Gole, Bissá, Enxalé, 1968/70). Eram todos capitães milicianos e de artilharia. Cinquenta e muitos  anos depois, o que é feito deles ?! 
  • Manuel da Silva Frasco,
  • António Dias Lopes,
  • Virgílio Graça Pereira Saganha
Não há notícias deles, na Net ?... Não deixaram rasto, "pegada digital", memórias, fotos ?... Estarão vivos ? Onde moram (ou moraram) ? Têm família ? Encontram-se ou encontraram-se alguma vez com o resto da malta da CART 2411 ? 

Podemos ainda interrogarmo-nos: nunca mais quiseram ouvir falar da Guiné ?... Invocam o "direito ao esquecimento" na Net ?  Querem serem inumados na "vala comum do esquecimento" ?.. 

Ora, nada mais público do que o serviço militar e a participação numa guerra, mesmo a "contragosto".

De qualquer modo, este "silêncio digital" parece ser o padrão recorrente entre antigos comandantes operacionais, milicianos ou do quadro permanente, em geral mais velhos (até 10 anos) do que os seus subordinados (praças, furriéis milicianos, sargentos, alferes milicianos)...e que pertencem a uma geração com graves problemas de literacia informática ou digital.

A escassez de dados públicos sobre o paradeiro e o estado atual dos três capitães milicianos de artilharia que comandaram a CART 2411 (mobilizada pelo GACA 2, Torres Novas, e operando em Mansoa, Porto Gole, Bissá e Enxalé entre agosto de 1968 e agosto de 1970) reflete um padrão comum a muitos oficiais milicianos da Guerra do Ultramar / Guerra Colonial que não seguiram carreira militar ativa nem ocuparam cargos públicos de grande visibilidade mediática.

Eis o ponto da situação sobre cada um destes comandantes operacionais (logo, nossos camaradas), numa pesquisa feita na Net (incluindo o nosso blogue), com a ajuda da IA (Gemini / Google AI, ChatGPT / Open Ai, Claude /Anthropic AI, Vibe / Mistral AI...)



Guine > Região do Oio > Sector 04 (Mansoa) > Bissá > O António Rodrigues, ex-1º cabo aux enf, CCAÇ 2587 / BCAÇ 2885 (Mansoa 1969/71), em Bissá, junto do monumento da CART 2411 (1968/70) (A inscrição diz: "Sangue, suor e lágrtimas"). Foto do álbum do seu blogue BCAÇ 2885, Guiné, 1969/71, (Foto originalmente a preto e branco, melhorada e colorizada com recurso a IA.)

Foto (e legenda): © António Rodrigues (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné  IA (Gemini / Google) ]


2. Gemini / Google AI

Cap Mil Art Manuel da Silva Frasco (por ordem cronológica, o 1.º Comandante)

Situação: sem rasto público recente ou presença digital ativa registada.

Contexto: comandou a unidade na fase inicial da comissão (1968). Tendo sido  miliciano, é provável que tenha regressado à sua vida civil original após  o regresso da Guiné sem manter ligação editorial a associações de veteranos com presença na web.  Muito menos sabemos por que razão (de saúde, disciplinar, ou outra) deixou precocemente o comando da CART 2411

Cap Mil Art António Dias Lopes (2.º Comandante, por ordem cronológica)

Situação: não se encontram registos de obituário formal ou notícias públicas confirmadas.

Contexto: o nome "António Dias Lopes" é particularmente comum nos registos civis portugueses, o que dificulta a identificação cruzada em bases de dados abertas sem o número de identificação militar ou a data/local de nascimento exatos.

Nota do editor LG: O cap mil art António Lopes Dias 

(i) desembarcou em Bissau como comandante da CART 2412 (Bigene, Binta. Guidage, Barro, ago68/maio70); a companhia teve mais dois comandantes:  Cap Inf João Santos de Oliveira Seborro e
Cap Art José Gamaliel Borges Alves (hoje coronel) (deve ter sido ele quem comandou o pessoal, a maior parte do tempo);

(ii) depois é o António Dias Lopes  foi substituir o Manuel da Silva Frasco, à frente da CART 2411 (as duas companhias são contemporâneas, e devem  viajado no  mesmno T/T, a caminho de Bissau);

(iii) vemo-lo depois a comandar a CCS/BCAC 2834 (Bissau, Buba,Aldeia Formosa, Gadamael, jan68/nov69), onde foi substituir o cap SGE António Freitas Novais;

(iv) e, por fim, ainda surge como cmdt da CCS/BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70), em subnstituição do cap inf Eugénio Baptista Neves;

(v) a CART 2412 ("Sempre diferentes") tem página no Facebook(aliás, o administrador é o nosso grão-tabanqueiro e chefe do Bando do Café Progresso, além de membro da Magnífica Tabanca da Linha, o bandalho-mor Jorge Teixeira, que foi fur mil desta valorosa e "sempre diferente" companhia).


Cap Mil Art Virgílio Graça Pereira Saganha (3.º  e último  Comandante)

Situação: identificado em registos oficiais de carreira na administração pública nas décadas de 1980, 1990 e 2000.

Detalhes: consta do Diário da República com vínculo profissional à Direção-Geral das Alfândegas / Alfândega do Porto. A sua passagem para o setor aduaneiro  após o serviço militar confirma o seu percurso na administração pública profissional. Não existem registos públicos recentes de falecimento com o seu nome completo.

 Estarão vivos? Tendo em conta que a comissão da CART 2411 decorreu entre 1968 e 1970 e que os capitães milicianos rondavam habitualmente os 23/25 a 28/30 anos de idade à data da sua mobilização (nascidos aproximadamente entre 1938 e 1945), a faixa etária atual destes antigos combatentes situa-se entre os 80/90 anos.

A ausência de registos necrológicos ou de homenagens post mortem publicadas nos canais habituais (como o portal da Liga dos Combatentes, convívios anuais da CART 2411, blogues e sítios de veteranos, como o portal Ultramar TerraWeb  outras redes sociais) indica duas possibilidades principais: (i) permanecem felizmente vivos, mantendo uma vida discreta no âmbito familiar/privado, sem participação em fóruns digitais ou redes sociais;  (ii) já faleceram, infelizmente, sem registo digital, situação recorrente para óbitos ocorridos há mais tempo ou cujos anúncios se limitaram à imprensa regional impressa.

Nota do editor LG: O  Virgílio Graça Pereira Saganha vive em Castelo de Paiva. Aposentado (CGA), como seria de esperar. Fonte: rede Linkedin. Deixei-lhe uma mensagem.

3. Claude / Anthropic AI

Fui procurar, e o resultado confirma o padrão de que falas. 

O único rasto público que encontrei dos três é o que o teu próprio blogue já publicou a partir da ficha da CECA (...).  

Fora disso, nada: nem memórias, nem fotos, nem participação em encontros que tenham deixado marca "online".

 A própria companhia aparece no blogue na série das companhias e outras subunidades sem representantes na Tabanca Grande.  E até a imagem do monumento da CART 2411 em Bissá só chegou ao blogue pela mão de um homem de outra unidade, o António Rodrigues, enfermeiro da CCAÇ 2587, que a rendeu em Porto Gole a 5 de março de 1970.

Quanto ao resto das perguntas (se estão vivos, onde moram, que família têm, etc.), não vou procurar isso.  São hoje simples cidadãos, pessoas com direito a privacidade pelo que reunir dados sobre a vida delas sem que o saibam, seria precisamente atropelar o “direito ao esquecimento”  que tu próprio admites que possam estar a exercer. Todos os antigos combatentes  têm  "direito ao esquecimento".

Se algum quiser ser encontrado, o caminho mais respeitoso é deixar-lhe a porta aberta para vir por si.
 
E há boas formas de abrir essa porta. Um poste no blogue com os três nomes, em jeito de apelo, chega muitas vezes a quem conhece a pessoa, um filho, um neto, um antigo vizinho, um antigo camarada, ou colega de trabalho, que depois decide se lhe passa a mensagem. 

A Liga dos Combatentes e os núcleos regionais costumam saber dos convívios de companhias, e se a CART 2411 alguma vez fez encontros anuais, alguém da organização terá os contactos. 

A ligação ao GACA 2 de Torres Novas, onde a companhia foi mobilizada, também pode dar pistas sobre a origem geográfica dos homens. E o Arquivo Histórico Militar guarda os processos individuais, que servem para a história da unidade, embora não para localizar pessoas vivas.

Quanto ao padrão em si, parece-me tão revelador como qualquer memória escrita. Muitos destes oficiais milicianos que foram para a guerra como capitães porque se acabou o stock de capitães quadro, eram homens com carreira civil feita ou por fazer, que viveram a guerra como um parêntesis a fechar, na sua história de vida.  E muitos já eram casados e com filhos.

Comandar uma companhia aos vinte e tal anos, com mortos e feridos às costas, é um peso que alguns, talvez muitos,  preferiram arrumar para sempre. 

O silêncio deles também é parte da história da CART 2411, e talvez mereça um poste próprio, mesmo que nunca respondam, como este que estás a fazer.

4. ChatGPT / Open AI

Meu caro camarada, esta é uma investigação que vale a pena fazer. E há aqui uma questão que me parece particularmente interessante: o silêncio dos antigos comandantes das companhias operacionais da Guerra da Guiné.

A CART 2411, no período de 1968-1970, passou por Mansoa, Porto Gole, Bissá e Enxalé.  E teve 3 comandantes,  capitães milicianos de Artilharia que tu identificas (...).

Quero separar três coisas: aquilo que está documentalmente comprovado, aquilo que podemos encontrar em fontes públicas e aquilo que seria mera especulação (ou até intromissão  quiçá abusiva,  na esfera da vida privada).

Uma ressalva importante: não encontrar uma pessoa na Internet não significa que tenha morrido, que tenha cortado relações  com os antigos subordinados ou que tenha querido muito simplesmente apagar ou  negar o passado. E não devemos confundir ausência de pegada digital com direito ao esquecimento.

Vamos procurar sobretudo nos arquivos da Guerra Colonial, no blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, nas referências à CART 2411 e nos registos de antigos combatentes.

(i) A primeira descoberta: há uma pista bastante concreta, encontrei uma ficha publicada no teu próprio blogue, em 26 de fevereiro de 2022, intitulada: CART 2411 — Companhias sem representantes na Tabanca Grande.

Confirma os três comandantes, as suas patentes e a especialidade (...)  e acrescenta outras informaçóes importantes (unidade de mobilização, data de embarque e desembarque, atividade operacional,  etc.). Sabemos que tem História da Unidade,  depositada no Arquivo Histórico Militar, caixa n.º 118, 2.ª Divisão, 4.ª Secção.

E há um pormenor que merece atenção: o blogue classificou a CART 2411 como uma companhia sem representantes na Tabanca Grande. Ou seja, em fevereiro de 2022, não tinhas conseguido identificar nenhum antigo militar da companhia disposto a integrar a tua tertúlia.

(ii) Uma pista que não devemos desperdiçar: o Facebook. A mesma ficha informa que a CART 2411 teve uma página no Facebook, criada em 2011 e inativa desde finais de 2019. Tinha poucas fotografias, mas é precisamente aí que eu procuraria: nomes dos antigos militares; fotografias de convívios; comentários de antigos comandantes; referências às famílias; eventuais contactos entre os três capitães e os seus homens.

Arquivo de publicações do blogue com a etiqueta CART 2411.

(iii) Há ainda uma fotografia de António Rodrigues, antigo 1.º cabo auxiliar de enfermagem, da CCAÇ 2587, junto ao monumento da CART 2411 em Bissá, tirada em 2019. É mais uma peça da memória material da companhia.

(iv) O que consegui apurar sobre cada comandante

Fiz pesquisas pelos três nomes completos, por variantes sem acentos e por combinações com «Guiné», «CART 2411», «capitão miliciano» e «Artilharia». Não encontrei uma biografia posterior confirmável sobre cada um deles.

 Não consegui confirmar se algum dos três está vivo ou se morreu. Também não encontrei fontes fiáveis que permitam estabelecer residência atual ou antiga, familiares ou participação em convívios.

Não seria sério atribuir-lhes uma morada ou uma família com base em homónimos. E muito menos concluir que invocaram o direito ao esquecimento.

(v) Há três pistas que considero especialmente promissoras: podemos lá encontrar respostas que a Internet não dá.

(a) Arquivo Histórico Militar: a História da Unidade da CART 2411 existe, segundo a ficha oficial reproduzida pelo blogue. A caixa 118 é uma referência concreta para pedir consulta. Arquivo Histórico Militar. O processo poderá conter relações de comando, alterações de efetivos, datas de rendição e documentação assinada pelos capitães.

(b) Os antigos militares da companhia: a página de Facebook da CART 2411 continua a ser uma pista, apesar da inatividade indicada desde 2019: CART 2411 — 68/70 — Guiné.

(c) Os camaradas que estiveram no mesmo sector (O4, Mansoa):

O blogue publicou fotografias recentes de Porto Gole e Bissá, incluindo material do Padre José Torres Neves, que esteve no sector de Mansoa em 1969-1971, como capelão. Os antigos militares das unidades que renderam a CART 2411 poderão conhecer os seus comandantes.

A publicação de 2022 não recebeu comentários. Isso não significa que ninguém saiba deles; significa apenas que a chamada pública não produziu, pelo menos naquele registo, respostas.

(vi) A minha proposta: não deixar morrer esta investigação

Há uma iniciativa que me parece mais eficaz do que continuar a fazer pesquisas cegas na Internet: publicar um apelo dirigido aos antigos militares da CART 2411, aos familiares e aos camaradas das unidades vizinhas. Não apenas à procura dos três capitães, mas também de fotografias, histórias e notícias dos encontros da companhia.

 O apelo poderia ter este título: «CART 2411 — Velando em toda a parte: onde param os nossos três capitães?»

E terminaria com uma pergunta simples: 

"Algum antigo militar, familiar ou amigo sabe o que foi feito de Manuel da Silva Frasco, António Dias Lopes e Virgílio Graça Pereira Saganha?" (...)

 (vii) Uma última observação: não temos, por enquanto, qualquer fundamento para dizer que estes homens quiseram esquecer a Guiné. 

Talvez tenham simplesmente seguido as suas vidas, como tantos outros oficiais milicianos (sem falar dos do quadro permanente...), sem deixar testemunho escrito. Aliás, a grande maioria dos antigos combatentes, oficiais, sargentos e praças.

Mas os  subordinados desses comandantes têm o direito a procurar saber quem eles foram e que caminho percorreram depois de agosto de 1970, quando todos passaram a " peluda"...

Afinal, também eles fizeram parte da história da CART 2411.

Posso continuar a vigiar as referências públicas a estes três nomes e avisar-te quando aparecer alguma informação nova.

5. Vibe / Mistral AI

(...) Uma única pista documental independente: Virgílio Graça Pereira Saganha.

O nome completo dele aparece   no Despacho (extracto) n.º 26 988/2002, de 23 de dezembro de 2002, Diário da República, 2ª Série : 

(...) "Pelo despacho de 9 de Dezembro de 2002 do subdirector-geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo, licenciado João Martins, no uso dos poderes que lhe foram delegados (...), foram promovidos a secretários aduaneiros principais da carreira de secretário aduaneiro, do quadro de pessoal desta Direcção-Geral, os seguintes funcionários:

(...)  Virgílio Graça Pereira Saganha (...)"
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Pesquisa: LG + IA (Gemini, Claude, ChatGPT, Vibe)

(Condensaçáo, revisão / fixação de texto, negritos: LG)
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Guiné 61/74 - P28493: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XLV: A "velhice" (o pessoal da CART 2411, 1968/70) fez um ano (em 16 de agosto de 1969) e houve rancho melhorado

 

Foto nº  1A, 1




Foto nº 2B, 2A,  2


Foto nº 3

Foto nº 4

Foto nº 5

Guiné > Região do Oio > Sector 04 (Mansoa) > Porto Gole > CART 2411 > Agosto de 1969

Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA ( Gemini / Google]


1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do alferes graduado capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pertenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) (*)

Hoje missionário da Concordata, reformado (e nonagenário!), o José Torres Neves é natural de Penamacor (a terra também do nosso atual Presidente da República, António José Seguro).

O espólio fotográfico do José Torres Nerves tem estado à guarda do seu e nosso amigo e camarada Ernestino Caniço (ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, Bissau, Fev 1970/Dez 1971; hoje, médico, foi diretor do Hospital de Tomar, 6 anos, de 1990 a 1996, e diretor clínico cumulativamente 3 anos, de 1994 a 1996, vivendo então em Abrantes; hoje mora em Tomar).

Como sugerem as fotos sobre Porto Gole, esta visita do capelão foi feita em agosto de 1969, altura em que o arroz jã estava plantado na bolanha (a recolha é em novembro, dezembro, janeiro). 

Por outro lado, as fotos que publicamos acima,  são da festa do "1º ano da velhice" (sic), diz  o fotógrafo nas suas lacónicas legendas. Ora, recorde-se,  a CART 2411 desembarcou na Bissau em 16Ago68. Logo, em 16Ago69 estava a comemorar um ano de Guiné.

Em Porto Gole (Sector O4, Mansoa), nessa altura,  além da CART 2411 (que será rendida em 5 de março de 1970 pela CCAÇ 2587 / BCAÇ 2885), estava ainda o Pel Caç Nat 54 e 1 pelotão da CCAÇ 2589, em 1 de julho de 1969.

A CART 2411 tinha também, nessa altura,  forças destacadas em Bissá (menos de 2 Pel) e no  Enxalé (1 Pel). 

O nosso capelão deve ter-se deslocado de avioneta, de Mansoa até Porto Gole. Estamos em plena época das chuvas. Visitou depois Bissá, indo até lá de sintex (*). 

 Na foto nº 1, acima, vemos o comandante da companhia, a discursar, antes do início da refeição. Não sabemos quem  é ele, mas deve ser um dos 3 capitães, milicianos, que a CART 2411 teve, todos da arma de artilharia: 

Cap Mil Art Manuel da Silva Frasco | Cap Mil Art António Dias Lopes | Cap Mil Art Virgílio Graça Pereira Saganha.

Também não sabemos qual foi o "petisco": as fotos (nº 2 e 3) não têm suficiente nitidez e detalhe para se saber qual foi o "rancho" que nesse dia tinha de ser melhorado.

 Pode ser que algum dos nossos camaradas queira arriscar um palpite.. Frango, era pouco provável. Bacalhau, ainda mais improvável. Acompanhamento, ou arroz ou massa, para variar. Batatas, nem pensar!... Eram um luxo. E porque não caça ? Ou uma vaquinha magricelas dos balantas ?... 

Não era muita malta, apenas um pelotão... 

Quanto à bebida, não há qualquer dúvida: era a a Cristal (fotos nºs, 2,3,4). Na  imagem melhorada pela IA (foto nº 4), vemos a icónica garrafa de vidro âmbar da Cerveja Cristal,  e o seu clássico rótulo oval com fundo vermelho e letras brancas. 

É possível observar nitidamente a menção à CUFP (Companhia União Fabril Portuense) e à emblemática fábrica de Leça do Balio no fundo do rótulo.
Naquela época, a Cristal era de facto a grande marca nortenha e uma das principais concorrentes da Sagres, marcando presença obrigatória nas mesas e no imaginário dos portugueses,  inclusive nos aquartelamentos e destacamentos da Guiné. Mas aqui bebia-se o que a Intendência mandava: Sagres, Cristal, "água de Lisboa", etc.

 2. Relembre-se, entretanto, a ficha da unidade já aqui publicada:

Companhia de Artilharia nº 2411


Esta é uma subunidade que  continua a  não ter, até à data, nenhum representante na Tabanca Grande. São também muito escassas as referências no blogue, contrariamente à CART 2410 e à CART 2412.  

Tem, todavia, uma página no Facebook (criada em 2011, inativa desde finais de 2019). Tem poucas fotos.

Daí justificar-se esta ficha de unidade. O brasão (ou crachá ?), que se reproduz ao lado, com a devida vénia, e que foi melhorado pela IA,  é da valiosa coleção do  Carlos Coutinho (2011). (Ele contou-me, há dias, por email, com o é que tudo começou com a sua coleção... Haveremos de partilhar essa história, que é de amor, e que é bonita; fê-la por causa do seu pai!)

Identificação: CArt 2411

Unidade Mob: GACA 2 - Torres Novas

Cmdt: Cap Mil Art Manuel da Silva Frasco | Cap Mil Art António Dias Lopes | Cap Mil Art Virgílio Graça Pereira Saganha

Divisa: "Velando em toda a parte"

Partida: Embarque em 11Ag068; desembarque em 16Ag068 | Regresso: Embarque em 18Abr70



Síntese da Actividade 
Operacional

(i) em 26Ag068, seguiu para Aldeia Formosa, a fim de efectuar o treino operacional sob orientação do BCaç 2834, o qual foi interrompido e continuado em Mansoa, a partir de 04Set68 até 26Set68, então sob orientação do BCaç 1912;

(ii) depois a companhia permaneceu temporariamente em Mansoa, em reforço do BCaç 1912, a fim de tomar parte em operações realizadas nas áreas de Changalana, Inquida, Polibaque e Bindoro, tendo um pelotão sido colocado no destacamento de Bissá, a partir de 22Set68; de 310ut68 a 02N ov68, participou ainda numa operação realizada na região do Morés, sob controlo operacional do BCaç 2851;

(iii) em 07Nov68, rendendo a CArt 1661, assumiu a responsabilidade do subsector de Porto Gole, com destacamentos em Bissá e Enxalé (este até à sua passagem para a zona de acção do BCaç 2852, em 290ut69) e ficando integrada no dispositivo e manobra do BCaç 1912 e depois do BCaç 2885;

(iv) em 14Mar70, foi rendida no subsector de Porto Gole pela CCaç 2587, sendo colocada em Bissau, onde substituíu a CCaç 2382 no dispositivo do BArt 2866, com vista à segurança e protecção das instalações e das populações da área; destacou ainda um pelotão para o subsector de Nhacra, que se instalou em Safim e João Landim.

(v) em 16Abr70, foi substituída, temporariamente, no subsector de Bissau por dois pelotões da CArt 2412, a fim de efectuar o embarque de regresso.

Observações - Tem História da Unidade (Caixa n.º 118 - 2.ª Div/4.ª Sec. do AHM).

Fonte: Excertos de: CECA - Comissão para Estudo das Campanhas de África: Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974) : 7.º Volume - Fichas das Unidades: Tomo II - Guiné - 1.ª edição, Lisboa, Estado Maior do Exército, 2002, pág 464.
 

(Revisão / fixação de texto, negritos: LG)

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Nota do editor LG:

sábado, 24 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28459: Fichas de Unidade: BCAÇ 1888 (Fá Mandinga e Bambadinca, 1966/68) e CCAÇ 1549 (Tite, Quinhamel e Bissau, 1966/68)

 

Brasão do BCaç 1888, "Vendo, Tratando e Pelejando" (Fá Mandinga e Bambadinca, 1966/68). Coleção: Carlos Coutinho (2009). (Imagem melhorada com a IA / Gemini.)



1. Fichas de unidade > Batalhão de Caçadores nº 1888

Identificação BCaç 1888

Unidade Mob: RI I - Amadora

Cmdt: TCor Inf Adriano Carlos de Aguiar | 2.° Cmdt: Maj Inf Artur Miguel Agrely Rebelo

OInfOp/Adj: Não identificado

Cmdts Comp:

  • CCS: Cap SGE Manuel Pereira Pimenta de Castro
  • CCaç 1549: Cap Mil lnf José Luís Adrião de Castro Brito
  • CCaç 1550: Cap Mil Inf Agostinho Duarte Belo
  • CCaç 1551: Cap Mil Inf Francisco Silva Pinto Pereira

Divisa: "Vendo, Tratando e Pelejando"

Partida: Embarque em 20Abr66; desembarque em 26Abr66 | Regresso: Embarque em 17Jan68

Síntese da Actividade Operacional

(i) em 26Abr66, rendendo o BCaç 697, assumiu a responsabilidade do Sector L I, com sede em Fá Mandinga e a partir de 14Nov66, em Bambadinca, e abrangendo os subsectores de Xitolc, Xime, Bambadinca e Enxalé, este até 1Jul67 e retirado ao sector por alteração dos limites.

(ii) comandou e coordenou a actividade das forças que lhe foram atribuídas, orientando a sua acção sobre as linhas de infiltração do inimigo, em patrulhamento, reconhecimentos e emboscadas em ordem a obstar à sua instalação e movimentação na zona;

(iii) desenvolveu ainda uma intensa actividade psicossocial junto das populações, promovendo a sua autodefesa e reordenamento e garantindo a segurança dos itinerários e a recuperação das populações.

(iv) de entre o armamento capturado mais significativo, salienta-se: 

  • 1 metralhadora pesada,
  •  2 metralhadoras ligeiras, 
  • 70 espingardas,
  •  1 lança-granadas foguete (LGFog),
  •  4 minas,
  •  28 granadas de armas pesadas e
  •  3000 munições de armas ligeiras.

(v) em 16Jan68, foi rendido no sector de Bambadinca pelo BArt 1904 e recolheu a Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso.


Brasão da CCAÇ 1549. Cortesia do portal UTW - Dos Veteranos da Guerra do Ultramar


CCaç 1549 

(i) seguiu em 26Abr66 para Tite, a fim de substituir a CCav 677, como subunidade de intervenção e reserva do sector, com um pelotão destacado em Fulacunda, até 28Jun66 e outro em Enxudé, a partir de 30Mai66;

(ii)  ficou  integrada no dispositivo e manobra do BCaç 1860 e depois do BArt 1914, tendo actuado em diversas operações efectuadas nas regiões de Fulacunda, Iusse,Nova Sintra e Flaque Cibe, entre outras;

(iii) em 04Ag067, foi rendida pela CArt 1743 e seguiu para o sector de Bissau, onde assumiu a responsabilidade do subsector de Quinhámel, com um pelotão destacado em Ilondé, onde substituiu a CArt 1647;

(iv)  ficou  integrhttps://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2021/03/guine-6174-p21989-fichas-de-unidade-17.htmlada no dispositivo do BArt 1904, com vista à segurança e protecção das instalações e das populações da área.

(v) em 02Nov67, foi rendida no subsector de Quinhámel pela CCaç 1585 e foi colocada em Bissau, em substituição da CCaç 1498, mantendo a mesma missão anterior.

(vi) em 16Jan68, foi substituída pela CCaç 2313 a fim de efectuar o embarque de regresso;

(vii) a esta companhia pertenceu o nosso grão-tabanqueiro nº 921, Germano Estêvão.

Observações - Tem História da Unidade incompleta (Caixa n.º 72 - 2ª Div/4ª  Sec., do AHM).

 Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 7.º volume: Fichas das Unidades. Tomo II: Guiné. Lisboa: 2002, pp. 85/87.

***

Quanto às CCaç 1550 (Farim e Xime, 1966/68)  e CCAÇ 1551 (Bambadinca, Xitole, Fá Mandinga, 1966/68): têm, já no nosso blogue, mais do que meia-dúzia de referências (12, a primeira, 8 a segunda).   O BCAÇ 1888  tem 25 referências.

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 5 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28321: Fichas de unidade (42): BCaç 2885 (Mansoa, 1969/71), e suas unidades de quadrícula, CCAÇ 2587, CCAÇ 2588 e CCAÇ 2589

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28159: In Memoriam (582): António Nunes Lopes (1942-2026), ex-fur mil at inf, CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Porto Gole, Enxalé e Missirá, 1965/67), e cruz de guerra de 3ª classe: senta-se simbolicamente, a título póstumo, no lugar nº 916, à sombra do nosso poilão

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro > Convívio anual da Tabanca de Porto Dinheiro > O António Nunes Lopes (1942-2026) e João Crisóstomo. Ambos foram condecorados com a Cruz de Guerra, de 3ª e 4ª classe, respetivamente, por feitos em combate no decurso da Op Avante (30 de agosto de 1965).

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro > Convívio anual da Tabanca de Porto Dinheiro. Régulo: Euardo Jorge Ferreira (1953- 2019), ex-alf mil, PA - Polícia Aérea, Bissalanca, 1973/74.


(i) Da esquerda para a direita, na primeira fila:
  • António Nunes Lopes (1942-2026)  e João Crisóstomo (ambos pertenceram à CCAÇ 1439, 1965/67); 
  • Helena do Enxalé (mulher do Álvaro Carvalho, fotógrafo; era filha  do Pereira do Enxalé, que morreu em Bissau, em agosto de 1974);
  • Vilma Crisóstomo (esposa do João);
  • Dina   (esposa do Jaime, já falecida) e Milita (esposa do Horácio) (as duas últimas naturais de Fafe); 
(ii) na segunda fila:
  • Eduardo Jorge Ferreira (193-2019);
  • Maria Alice Carneiro e  Luís Graça;
  • Alexandre Rato (então presidente da junta de freguesia de Ribamar);
  • Horácio Fernandes (1936-2025);
  • Jaime Bonifácio Marques da Silva. (Falta o fotógrafo, o Álvaro Carvalho.)

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro >De pé o Álvaro Carvalho... Sentados, da esquerda para a direita: Luís Graça, João Crisóstomo e o António Nunes Lopes (estava convidado, desde essa data,  para integrar a nossa Tabanca Grande, mas não tinha endereço de email, ficando nós a aguardar o da esposa, o que nunca se chegou a concretizar.)

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro  "Recordar é viver", diz o João Crisóstomo, para o Luís Graça e o António Nunes Lopes.

Fotos: © Álvaro Carvalho (2015) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Crachá da CCAÇ 1439
(1965/67)
1. A triste notícia chegou-nos de Nova Iorque: o João Crisóstomo, pesaroso, telefonou-me a comunicar que só agora, 4 meses depois, é que tivera notícia da morte do António Nunes Lopes (*). Por intermédio da sua viúva. 

O António Lopes nasceu a 23/3/1942 e  morreu a 23/2/2026, ia completar 84 anos. Foi fur mil at inf, pertencia ao pelotão comandado pelo João Crisótomo na madeirense CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Porto Gole, Enxalé e Missirá, 1965/67).

O João Crisóstomo e o António Nunes Lopes haveriam de encontrar-se ao fim de quase meio século, na Praia de Porto Dinheiro, Ribamar, Lourinhã, por ocasião do convívio da Tabanca de Porto Dinheiro, em 12 de julho de 2015... Pertenceram ambos à mesma companhia e ao mesmo pelotão... 

No vídeo abaixo, gravado na altura (2015), e que voltamos a reproduzir, os dois  evocam aqui,  de maneira muito viva e emocionada,  uma dos mais duros episódios de guerra por que passaram, em 30 de agosto de 1965, no decurso da Op Avante, em Darsalame (Baio), na zona de Baio/Buruntoni, no Xime, sctor L1 (Bambadinca). Era um ponto que o PAIGC sempre "controlou" durante toda a guerra, e onde era inevitável haver "contacto" com as NT, em operações de contrapenetração ou em patrulhamentos ofensivos...


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Xime > CCAÇ 1439 (1965/67) > 30 de agosto de 1965 > O Armando Assunção Coutinho, de  alcunha o "Pênalti", soldado do BCAÇ 697,adido à CCAÇ 1439,  ferido no decurso da Op Avante. Foto: fonte desconhecida.

No vídeo fala-se também do "Pênálti", que terá sido simultaneamente herói e desertor, segundo a "vox populi" (**)..


Vídeo (7' 31''). Alojado em You Tube > Luís Graça 


Lourinhã > Ribamar > Praia de Porto Dinheiro > Convívio da Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > O João Crisóstomo e o António Nunes Lopes  evocam aqui, com uma espantosa precisão de detalhes, e grande emoção,  uma dos mais duros episódios de guerra por que passaram, em 1965, em Darsalame (Baio), na zona de Baio/Buruntoni, no subsector do Xime (Sector L1 / Bambadinca) (Op Avante, 15 de agosto de 1965).(**)

João Crisóstomo, que é natural de uma freguesia vizinha, A-dos-Cunhados, do concelho de Torres Vedras, fez-se à vida depois do regresso da guerra (em 1967). Andou pela Europa e Brasil, até se fixar em 1975, nos EUA, onde hoje vive (em Queens, Nova Iorque) e que é a sua segunda pátria. 

O António Nunes Lopes, "seu furriel", e por ele sempre muito acarinhado, fora convidado na altura a integrar a Tabanca Grande, convite que ele aceitou de bom grado. Ficou, entretanto, de nos mandar o endereço de emaiçl da esposa, o que nunca chegou a acontecer. Perdemos o contacto, veio a pandemia (em 2022), nunca mais nos encontrámos, e entretanto começoiu a sofrer de doença crónica degenerativa. 

Mas é justo, e para mais sendo um dos "bravos do pelotão" do nosso João Crisóstomo, juntá-lo no nosso "panteão": senta-se simbolicamente, a título póstumo, no lugar nº 916, à sombra do nosso fraterno poilão. É mais um amigo e camarada da Guiné, que em vida interagiu connosco, e que não podemos deixar "ficar inumado na vala comum do esquecimento". 


Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > Susetor do Xime > Carta do Xime  (1961) > Escala de 1/50 mil > Posição relativa do Xime e Darsalame (Baio) onde o pelotão do João Crisóstomo (alferes) e do António Nunes Lopes (furriel) sofreram uma violenta emboscada, em 1966, e tiveram um comportamento heróico, eles e os seus homens... Na zona de Poindom / Ponta do Inglês, havia população que cultivava as bolanhas, na margem direita do R Corubal e que "apoiava" a guerrilha... Também eu ali iria conhecer o inferno, três ou quatro anos mais tarde, em 1969/71... (LG).

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2015).


2. O nosso camarada António Nunes Lopes foi condecorada com a Cruz de Guerra de 3ª classe por feitos em combate no decurso da Op Avante (Subsetor do Xime / Sector L1, 15 de agosto de 1965) (***)

■ Furriel Miliciano de Infantaria - ANTÓNIO NUNES LOPES 
 -  Companhia de Caçadores nº 1439 - BII 19 – 3ª CLASSE 


Transcrição da Portaria publicada na Ordem do Exército nº 29, 3ª série, de 1966. Por Portaria de 20 de setembro de 1966:

Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, condecorar com a Cruz de Guerra de 3ª classe, ao abrigo dos artigos 9º e 10º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província da Guiné Portuguesa: O Furriel Miliciano de Infantaria, António Nunes Lopes, da Companhia de Caçadores nº 1439 / Batalhão de Caçadores nº 694 - Batalhão Independente de Infantaria nº 19.

Transcrição do louvor que originou a condecoração. Publicado na OS nº 89, de 29 de outubro de 1965, do QG/CTIG:

Louvo o Furriel Miliciano, António Nunes Lopes, da Companhia de Caçadores nº 1439, porque, na operação "Avante", quando as NT se encontravam debaixo de nutrido e violento fogo Inimigo, em terreno que nos era manifestamente desfavorável, fez parte, com a sua secção reforçada, do grupo que, sob o comando do comandante da operação, executou uma arrancada heróica ao encontro do inimigo oculto, do que resultou a suspensão do seu fogo e o consequente alívio da situação das NT (Nossas Tropas), tornando-se em sucesso para nós, embora com baixas, o que podia ter sido um desastre.

Durante esta acção incutiu no seu grupo a necessidade de avançar, a fim de descobrir e aniquilar um dos grupos do IN que mais flagelava as NT com o que demonstrou a sua coragem e decisão de enfrentar o perigo, a sua serena energia e sangue frio debaixo de fogo, bem como a sua valentia e bravura perante o IN traiçoeiro, nada tendo havido que conseguisse quebrar o seu ânimo, nem mesmo a morte de um dos seus melhores elementos ou o sibilar das balas à sua volta.

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Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 1 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28064: In Memoriam (580): Major-general Paraquedista Heitor Hamilton Almendra (1932-2026): cerimónias fúnebres hoje, às 13h00, na Igreja da Força Aérea, em São Domingos de Benfica, seguindo depois o funeral para o crematório dos Olivais

(**) Vd. poste de 24 de abril de 2021 > Guiné 61/74 - P22131: CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67): A “história” como eu a lembro e vivi (João Crisóstomo, ex-alf mil, Nova Iorque) - Parte VI: O baptismo de fogo no Xime (17/8/1965, e a Op Avante, ao Buruntoni (em 29-30/8/1965) com os primeiros mortos

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28123: Humor de Caserna (276): No dia em que faz 82 anos, o luso-americano (e nosso camarada, régulo da Tabanca da Diáspora Lusófona) João Crisóstomo recebe das mãos de Aristides Sousa Mendes a Comenda da Ordem da Liberdade...


  • Tradução (PT): (No interior do acolhedor apartamento de João e Vilma em Queens, Nova Iorque) / JOÃO: 82 anos! Muitas memórias fantásticas... mas alguns assuntos pendentes...

  • Tradução (PT/EN): (Exterior, com vista para a Sede da ONU em Nova Iorque) / ARISTIDES (visão): Hoje não, senhores! A minha consciência tem um encontro marcado... / Career Diplomats



  • Tradução (EN): ARISTIDES: Happy Birthday, João! For Foz Côa, for East Timor, for me... this should have arrived a long time ago! / Commendation of the Order of Liberty


    Tradução (EN): JOÃO (limpando uma lágrima): Aristides?! The best gift of all. But the greatest reward was being able to fight.

      

    Fonte:
    Prompting e orientação editorial: Luís Graça
    Textos e imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
    Geração gráfica assistida por IA:
    Google (2026). Gemini (versão de 22 de junho de 2026) [Grande modelo de linguagem].



    1. O nosso amigo e camarada João Crisóstomo é membro da nossa Tabanca Grande desde 26 de julho de 2010, sentando-se à sombra do nosso poilão sob o nº 432 (somos já 915, entre vivos e mortos); é régulo da Tabanca da Diáspora Lusófona (Queen, NY) e membro também da Magnífica Tabanca da Linha (Algés, Oeiras)...  Tem cerca de 3 centenas de referências no nosso blogue.

    Foi combatente na Guiné, em 1965/67, ex-alferes miliciano atirador de infantaria, CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67).

    Nasceu em Torres Vedras, A-dos-Cunhados, em 22 de junho de 1944. Está na terra do Tio Sam desde 1975, primeiro como emigrante, e depois naturalizado norte-americano. Vive em Queens, Nova Iorque,  é casado em segundas núpcias em 2013 com a esloveno-americana Vilma.  É pai de 1 filha e de 1 filho, e avô de 3 netos. Vem a Portugal mais do que uma vez por ano. Está "retired" mas não "inativo"...

    Já fez de tudo, desde mordomo a empresário da restauração... João Crisóstomo foi mordomo da antiga primeira-dama Jacqueline Kennedy Onassis, que o inspirou e a ser um ativista de grandes causas, culturais e sociais, que iriam marcar e mudar o mundo, como:
    • "Save the Coa Site Movement, USA” (Defesa das Gravuras Rupestres de Foz Coa, EUA) (1995);
    • Aristides de Sousa Mendes (1996);
    • LAMETA (Luso-American Movement for East- Timorese Autodetermination) (1998)
    • Dia da Consciência  (2004, 17 de junho);
    • Encerramento de Consulados Portugueses (2006);
    • Luso-Americano refém das FARC na Colômbia (2008);
    • Colaboração com a ASTIL:  Construção da Escola São Francisco de Assis, Timor-Leste,. Liquiçá, Manatti, Boebau, (2017-2018).
    Em suma, é uma vida com muitas causas. 

    João Crisóstomo, também conhecido como o "senhor Timor", é católico praticante, de espírito ecuménico, com uma relação privilegiada com o Vaticano e representantes das três grandes religiões monoteístas, o cristianismo, o islamismo e o judaísmo,

    Nos últimos 30/40  anos,  esteve presente  em todas as grandes causas que atrairam o interesse geral das comunidades luso-americanas da costa leste dos Estados Unidos e que, de um modo ou de outro, também se situavam dentro do círculo alargado dos direitos humanos ou dos interesses,  declarados ou não, do país onde nasceu, Portugal.

    Foi o vencedor do Prémio Tágides 2023 na Iniciativa “Portugal no Mundo”, por todas as iniciativas que desenvolveu em prol da Ética e da Integridade.

    Em resultado da elevada dedicação a causas justas recebeu já as seguintes distinções (além do Prémio Tágides, 2023):
    • 1998 - International Rock Art Congress Award (USA)
    • 2001 - Angelo Roncalli Medal, International Raoul Wallenberg Foundation;
    • 2001 - Outstanding Service to Society Award, Edison State College;
    • 2002 - Visas for Life Award;
    • 2004 - “Aristides Sousa Mendes Medal” da International Raoul Wallenberg Foundation (IRWF);
    • 2005 - Luis Martins de Sousa Dantas Medal, IRWF;
    • 2005 - Recognition Certificate, Government of Canada.

    Se pudéssemos atribuir-lhe uma condecoração em nome do seu (e nosso) país de origem, Portugal, ele seria há muito Comendador da Ordem da Liberdade. Faz hoje 82 anos (*).

    Numa BD bem humorada (**), a nosso pedido, a IA do Gemini / Google pô-lo a receber das mãos do Aristides de Sousa Menses (Cabanas de Viriato, Carregal do Sal, 1885 - Lisboa, 1954) a Comenda da Ordem da Liberdade que  já deveria ter recebido há uns anos atrás. Ele já fez mais por Portugal e a Lusofonia do que muitos diplomatas de carreira... 


    (**) Último postde da série > 18 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28110: Humor de caserna (275): E se os portugueses nunca tivessem chegado ao Brasil?

    Guiné 61/74 - P28119: Parabéns a você (2498): Cor Art Ref António José Pereira da Costa, ex-Alf Art da CART 1692/BART 1914 (Sangonhá e Cameconde, 1968/69) e ex-Cap Art, CMDT da CART 3494/BART 3873 e da CART 3567 (Xime, Mansambo e Mansabá, 1972/74) e João Crisóstomo, ex-Alf Mil Inf da CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Enxalé e Fá Mandinga, 1965/67)


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    Nota do editor

    Último post da série de 20 de Junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28116: Parabéns a você (2497): Cherno Baldé, Gestor de Projectos, amigo Grã-Tabanqueiro da Guiné-Bissau

    quarta-feira, 27 de maio de 2026

    Guiné 61/74 - P28054: Efemérides (390): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partia o T/T Niassa para o CTIG - Parte I: eram 1735 homens pertencentes às seguintes subunidades: CART 2520, CART 2521, CCAV 2525, CCAÇ 2527, CCAÇ 2529, CCAÇ 2531, CCAÇ 2533, CCCAÇ 2590/CCAÇ 12, CCAÇ 2591 / CCAÇ 13, CCAÇ 2592 / CCAÇ 14 , CMP 2537, além dos Pel Mort 2116, Pel Mort 2117 e Pel Can S/r 2126

     

    Lourinhã > Zambujeira e Serra do Calvo > 25 de fevereiro de 2018 > "Homenagem da Zambuejira e Serra do Calvo aos seus combantentes"... Monumento inaugurado em  5 de outubro de 2013 (pormenor). Foi uma bela iniciativa do Clube  Desportivo, Cultural e Recreativo da Zambujeira de Serra Local.

    Desconhece-se o autor do painel de azulejos que representa a partida, no T/T Niassa, no Cais da Rocha Conde de Óbidos, em Lisboa, de um contingente militar que parte para África. Ao canto inferior esquerdo a quadra: "Adeus, terras da Metrópole / Que eu vou pró Ultramar /, Não me chorem, mas alegrem [-me], / Que eu hei-de regressar"... No chão, em calçada portuguesa, lê-se: "Em defesa da Pátria". 

    Abaixo do panel, há um livro metálico com os nomes de todos  os nossos camaradas, naturais das duas povoações, que combateram no Ultramar.

    N/M Niassa > Ficha técnica:

    (i) navio misto (carga e passageiros), de 1 hélice; 

    (ii) construído em 1955, na Bélgica;

     (iii) registado no porto de Lisboa (e abatido em 1979);

     (iv) com mais de 151 metros de comprimento; 

    (v) arqueação bruta de c. 10.700 toneladas;

     (vi) uma potência de 6800 cavalos e uma velocidade normal de 16,2 nós; 

    (vii) alojamentos: 22 em primeira classe, e 300 em classe turística, num total de 322 passageiros; 

    (viii) número de tripulantes; 132; 

    (ix) armador: Companhia Nacional de Navegação (CNN), Lisboa.

    Foi neste navio, adaptado a transporte de tropas (T/T), que viajaram (!), de Lisboa para Bissau, diversas companhias independentes, com partida a 24 de maio de 1969, incluindo a CCAÇ 2590 (futura CCAÇ 12), a CCAÇ 2591 (futura CCAÇ 13) ( do Carlos Fortunato), a CCAÇ 2592 (futura CCAÇ 14) ( do Eduardo Estrela), bem como a CCAÇ 2533 (dos nossos camaradas Luís Nascimento e Joaquim Lessa) ou ainda a CART 2520 (do José Nascimento, do Renato Monteiro, etc.) e ainda  a CPM 2537 (a que pertenceu o antigo secretário geral do PCP - Partido Comunista Português, Jerónimo de Sousa). Um pequeno "fait divers" para a história... 

    Crédito fotográfico: Navios Mercantes Portugueses (2004) (Foto aqui reproduzida com a devida vénia...) (A página foi descontinuada).




    T/T Niassa > Maio de 1969 > Lista das subunidades transportadas para o TO da Guiné: documento gentilmente disponibilizado pelo nosso saudoso camarada 1º  ten RN, 8.º CEORN, 1965/1972,  Manuel Lema Santos (1942-2025).

    • CART 2520, Xime, Enxalé, Mansambo e Quinhamel (73 referèncias) 
    • CART 2521 (Aldeia Formosa, Nhala e Mampatá) (7 referências)
    • CCAV 2525
    • CCAÇ 2533 (Canjambari e Farim) (63 referências ) (referências)
    • CCAÇ 2590  (25 referências( (futura CCAÇ 12) (Contuboel e Bambadinca) (506 referências)
    • Dos Pel Mort 2116, Pel Mort 2117 e Pel Can S/r 2126 e restantes (pessoal de do Regimento de Serviços de Ssaúde e do Depósito Geral de Adidos)... não temos nenhuma referência.
     
     A subunidade que tem mais representantes  (e referências) no nosso blogue é a CCAÇ 2590 / CCAÇ 12: Luís Graça, Humberto Reis, Tony Levezinho, Adélio Monteiro,  António Manuel Martins Branquinho (1947-2013),  António Manuel Carlão (1947-2018),  José Manuel P. Quadrado (1947-2016),  José Marques Alves (1947-2013), José Martins l Rosado Piça (1933-2021), Fernando Sousa, António F. Marques,  José F. Almeida, João Carreiro Martins, Joaquim Fernandes, Abel Maria Rodrigues, Gabriel Gonçalves, António Mateus, José Luís Vieira de Sousa... entre outros (estou a citar de cor).

    T/T Niassa > 24 de maio de 1969 > Uma imagem repetida "as nauseam" ao longo da guerra colonial: o transporte de tropas era feito em cargueiros, mistos, adaptados... As condições a bordo eram inaceitáveis para seres humanos ... Neste caso foram transportadas 13 companhias independentes. num total de 1735 homens. As praças eram "acomodadas" em beliche, nos porões, como animais levados para o matadouro. Com capacidade para 3 centenas de passageiros, além de cerca de 130 tripulantes, o T/T Niassa,  a caminho do TO da Guiné aumentava a "carga humana" cinco ou seis vezes mais... Não consta que algum dia  tenha havido alguma revolta a bordo: os oficiais iam em 1a. classe, os sargentos em classe turística, as praças na... 3a. classe. O poder sempre soube dividir para reinar. De resto, era "a ordem natural das coisas"...

    Foto do livro "Histórias da CCAÇ 2533" [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

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