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sábado, 24 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27668: E as nossas palmas vão para... (33): O régulo Manuel Resende que conseguiu juntar 73 convivas na festa do 16º aniversário da Magnífica Tabanca da Linha, em Algés, no passado dia 14 - Fotogaleria - Parte IV



Foto nº 36 > A mesa dos 3 cofundadores: em primeiro plano de costas, o Mário Fitas e  o Zé Carioca. Falta o António Graça de Abreu.


Fotio nº 37 > O "intruso", o Hélder de Sousa (Setúbal), de perfil, em segundo plano, a falar com o Mário Fitas. Ao fundo, a Helena e Ilda.


Foto nº 38 > Em primeiro plano, à direita, a Helena, esposa do Mário Fitas (que aparece aqui na fota a em "conversa amena"  com o Hélder Sousa, que não pertence a esta mesa)


Foto nº 39 > António Graça de Abreu e José Carioca, ambos de Cascais


Foto nº 40 > O Fernando Serrano e o António Graça de Abreu


Foto nº 41 > Um camarada que conheço de vista à esquerda (o Manuel Resende vai ajudar-me a identificá-lo);  â direita,  Fernando Serrano ( natural de Penamacor, mora em Linda-A-Velha, freguesia de Algés, Linda-a-Velha e Cruz Quebrada-Dafundo, propfessor primário reformado, poeta; já o convidei para integrar a Tabanca Grande) 


Foto nº 42 > João Sacôto, José Carioca e Mário Fitas... (Ofereceu-me,  num dos convívios anteriores, com uma bela dedicatória, o seu ultimo  livro: Mário Vicente - "Do Alentejo à Guiné: Putos, Gandulos e Guerra", ed. autor, maio de 2025, 162 pp.; penitencio-me: ainda não fiz a recensão por absoluta falta de tempo...),.

O João Sacôto é outro dos nososs veteranos: ex-alf mil inf, CCAÇ 617/BCAÇ 619, Catió, ilha do Como e Cachil, 1964/66,


Magnífica Tabanca da Linha > Restaurante Caravela d' Ouro > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário >


Fotos: © Manuel Resende (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.



1. Mais uma mesa de "magníficos":  nesta sentam-se pelo menos 3 cofundadores da Tabanca da Linha: o Mário Fitas, o Zé Carioca e o António Graça de Abreu,  todos os três também sócios da Tabanca Grande, com as "quotas em dia"... O Zé Carioca, que vem de Cascais, trouxe a esposa, Ilda,  como habituamente. O Mário Fitas, idem, com a sua Helena.

Mais uma vez é de sublinhar a competência e o empenho que o Manuel Resende pôs na organização deste evento. Felizmente ele náo precisa de medalhas de mérito para, de dois em dois meses, chamar os "magníficos" a capítulo... Mas sabe sempre bem os outros reconhecerem e agradecerem o nosso trabalho, né, Manel ?!

(Continua)

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(Seleção e edição de fotos, legendagem: LG)

Guiné 61/74 - P27667: Efemérides (382): Conforme noticiado oportunamente, os nossos amigos e camaradas, Luís Graça e José Marcelino Martins, foram agraciados, respectivamente, com a Medalha de Honra ao Mérito da Liga dos Combatentes (grau Ouro) e Medalha de Honra ao Mérito (grau Prata), durante as Cerimónias comemorativas do 107.º aniversário do Armístício da Grande Guerra e 51.º aniversário do fim da Guerra do Ultramar

A partir da esquerda: Isaías Peralta de Carvalho; António Manuel da Silva Gomes; José Marcelino Martins; Luís Graça; Frederico Carvalho; Sargento-Chefe António Machado Fernandes e Luís Leal Rola. 

Fonte: cortesia da página da Liga dos Combatentes


DIA DO ARMISTÍCIO

No passado dia 18 de Novembro de 2025, junto ao Monumento aos Combatentes do Ultramar, em Lisboa, realizou-se a Cerimónia oficial do 107.º aniversário do Armistício da Grande Guerra e 51.º aniversário do fim da Guerra do Ultramar.

A cerimónia foi presidida pelo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, General José Nunes da Fonseca. Estiveram presentes os Vice-Chefes dos três Ramos; Presidente da Liga dos Combatentes, Tenente-General Joaquim Chito Rodrigues; entidades civis e militares assim como representantes dos Núcleos da LC de todo o país.

Durante a cerimónia foram condecorados pela Liga dos Combatentes os seguintes sócios e antigos Combatentes:

Com a Medalha de Honra ao Mérito da Liga dos Combatentes (grau Ouro):

- Isaías Peralta de Carvalho, Sócio Combatente da LC;
- Luís Graça, Combatente na Guiné;
- Frederico Carvalho, ex-Presidente de Junta de Freguesia;
- Luís Leal Rola, Sócio Combatente da LC;

Medalha de Honra ao Mérito da Liga dos Combatentes (grau Prata):

- José Marcelino Martins, Sócio Combatente da LC;
- António Machado Fernandes, Sargento-Chefe, Sócio Combatente da LC;

Medalha de Bons Serviços da Liga dos Combatentes (grau Prata):

António Manuel da Silva Gomes, Sócio Combatente da LC

Um realce para os nossos camaradas e amigos, José Marcelino Martins e Luís Graça, o primeiro, colaborador permanente do nosso Blogue para os assuntos militares, e o segundo, autor, administrador e editor deste Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. 

O trabalho de ambos, em prol dos Antigos Combatentes, foi reconhecido pela Liga dos Combatentes que lhes atribuiu as Medalhas que lhes foram impostas no dia 18 de Novembro passado.
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Notas do editor CV:

Vd. posts de 6 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27392: Efemérides (471): Convite do Presidente da Liga dos Combatentes, Tenente-general Joaquim Chito Rodrigues, para a cerimónia Comemorativa do 107.º Aniversário do Armistício da Grande Guerra e 51.º Aniversário do fim da Guerra do Ultramar, que se realiza no dia 18 de novembro de 2025, pelas 10h00, no Forte do Bom Sucesso, em Belém, Lisboa, durante a qual será condecorado, com a Medalha de Honra ao Mérito, grau Ouro, da Liga dos Combatentes, o nosso editor Luís Graça

21 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27447: Cerimónia Comemorativa do 107.º Aniversário do Armistício da Grande Guerra e 51.º Aniversário do Fim da Guerra do Ultramar, 18 de novembro de 2025: Simbolismo das coroas de flores depositadas no Monumento aos Combatentes do Ulramar (Luís Graça ) - Parte I
e
22 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27450: Cerimónia Comemorativa do 107.º Aniversário do Armistício da Grande Guerra e 51.º Aniversário do Fim da Guerra do Ultramar, 18 de novembro de 2025: Simbolismo das coroas de flores depositadas no Monumento aos Combatentes do Ultramar (Luís Graça ) - II (e última) Parte

Último post da série de 1 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27592: Efemérides (381): Aconteceu há 60 anos em Bissau, passagem de ano na Associação Comercial, Industrial e Agrícola, a comer do melhor marisco, e na mesa onde até estava o Governador da Guiné (Rui Silva, ex-2.º Sarg Mil

Guiné 61/74 - P27666: Os nossos seres, saberes e lazeres (719): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (240): Uma viagem à Córdova árabe, a todos os títulos inesquecível - 7 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 5 de Janeiro de 2026:

Queridos amigos,
Aqui prossegue e termina a visita à Mesquita-Catedral de Córdova. Temos de agradecer aos príncipes Omíadas terem feito de Córdova a metrópole mais relevante do Ocidente, deixaram-nos esta construção feita entre os séculos VIII e X uma joia única da arquitetura mundial, continua na vanguarda de toda a arte islâmica. É monumento nacional desde 1882 e património da humanidade desde 1984, tendo ainda a classificação dada pela UNESCO de Bem Valor Universal Excecional. Procurou-se de forma abreviada falar da estrutura com as diferentes ampliações, recordou-se que a Mesquita não era apenas um local de oração, aqui se faziam conferências, se praticava justiça. No século XVI construiu-se a Catedral. Mas já no século XV se tinha criado a Capela de Villaviciosa, o resultado é uma mistura de arte islâmica de grande beleza, a sua Cúpula é do século IX; para se fazer a Catedral houve que derrubar 63 colunas. Nunca houve atrevimento em mexer em dois pontos altos deste património de altíssimo valor, o mihrab e a maqsura, que no momento em que visitei estavam em restauro. É ocioso dizer, mas não resisto: visitar a Mesquita da Catedral de Córdova é conhecer o que há de mais faustoso da arte islâmica. Vou agora à última etapa, o Palácio Viana.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (240):
Uma viagem à Córdova árabe, a todos os títulos inesquecível - 7


Mário Beja Santos

Não é possível regatear ou procurar comparações com a espantosa singularidade do espaço da Mesquita da Catedral de Córdova, onde se entrecruzam vestígios da Basílica visigoda de S. Vicente (meados do século VI), a primitiva mesquita (século VIII), a primeira ampliação (século IX), a intervenção de Abderramão III (século X), a segunda ampliação, durante o califado Omíada (século X), a última ampliação, por ordem de Almansor (século X), e as obras do século XV até ao século XVII, envolvendo uma Capela-mor e um cruzeiro. Para minha surpresa entrego ao visitante uma brochura onde se vê claramente o espaço quadrangular que abarca o Pátio das Laranjeiras com a Porta do Perdão, a Torre Campanário e a Porta de Santa Catalina, bem como a Porta das Palmas, seguindo-se as sucessivas ampliações desde a Mesquita de Abderramão I.

Para desfrutar de uma visita que nos leve a entender as sucessivas construções, a brochura inclui um plano guia onde se destacam a Mesquita fundacional, que se mostrou no texto anterior, com a reutilização de materiais romanos, helenísticos e visigodos, o visitante fica deslumbrado com o módulo de construção baseado na sobreposição de uma dupla arcada; vê-se depois a ampliação de Abderramão III que se concretiza em 11 capitéis feitos por artesãos locais, temos depois a ampliação de Alhaken II, criou sumptuosidades, introduziu claraboias que conferem mais iluminação; há, depois, o mihrab, que é muito mais do que o nicho que orienta a oração, é um trabalho ornamental dos mosaicos que provém da tradição vicentina; está ali enquistada a Capela Real; e a rematar esta transcendente sequência de preciosidades arquitetónicas e artísticas a ampliação de Almansor, isto para já não falar do cruzeiro onde se vê um perfeito diálogo entre o gótico, o renascimento e o maneirismo, lá em cima uma imensa claraboia que inunda de luz o conjunto.

É esta a viagem que vamos fazer depois da construção de Abderramão I.


Um pormenor do Pátio das Laranjeiras com a torre campanário ao fundo
Entrelaçamento de arcos à entrada da capela da Villaviciosa. Foi uma ampliação no século X por Alhaken II. Esta ampliação foi a mais sumptuosa de todas. Todas as colunas e capitéis foram trabalhados para este edifício. É surpreendente a riqueza ornamental que se centra à volta do mihrab, autêntica joia da Mesquita.
O mihrab é um nicho ornamentado na parede que indica a direção de Meca, para onde os muçulmanos rezam, sendo o espaço mais sagrado de uma mesquita. A estrutura é um exemplo notável da fusão de estilos arquitetónicos islâmicos e cristãos, com elementos omíadas, visigodos, góticos, renascentistas e barrocos. Apresenta arcos em ferradura e colunas de mármore e jaspe recuperadas de edifícios romanos e visigodos anteriores.
Arco da Mesquita, a beleza dos tons azulados e o surpreendente canelado que se adossa ao ponto superior
Pormenor do arco da Mesquita, permitindo ver a riqueza dos cambiantes de cor
Uma floresta de colunas na ampliação de Alhaken II
Outra perspetiva
Mais outra perspetiva
O fabuloso cromatismo de um vitral islâmico
A caminho da Catedral. Cabe aqui lugar um comentário. No século XVI, mesmo com oposição do cabido, o Bispo do D. Alonso Manrique obteve autorização para erguer uma catedral no centro da Mesquita. Mesmo que se queira reconhecer beleza e riqueza a esta catedral, houve imediatamente críticas, logo do Imperador Carlos V: “Haveis destruído o que não existia em lugar nenhum para construir algo que se pode encontrar em qualquer lugar.”
Teto da Capela Maior no lugar conhecido pelo nome de Lucernario de Villaviciosa
A maqsura em restauro. Referiu-se que a ampliação de Alhaken II é a mais sumptuosa de todas. Está perto do mihrab. É surpreendente a riqueza ornamental do mihrab, autêntica joia da Mesquita. A maqsura é um nicho octogonal que, tal como o mihrab, foi trabalhado por artistas bizantinos que realizaram os maravilhosos mosaicos que decoram o seu arco de entrada e a magnífica cúpula que o antecede. Este espaço estava reservado ao califa, nada tem a ver com as cúpulas da arte cristã. A abóboda da maqsura é considerada a abóboda mais formosa da Mesquita.
Para construir esta catedral foram destruídas 63 colunas em tempo recorde. É uma igreja em forma de cruz latina, as suas alfaias religiosas são de uma enorme riqueza.

Houvesse tempo e a visita continuaria pela Sinagoga, pelo Museu Provincial de Belas Artes, não havendo tempo para tudo, aponta-se como objetivo um passeio pela Judiaria. Em Córdova, durante o período do califado, viveu uma grande comunidade judaica, Córdova foi um centro espiritual e social dos judeus. Resta o labirinto das suas estreitas ruelas e pequenas praças encantadoras. Ainda houve oportunidade de uma curta visita ao Museu Arqueológico, está na hora de descansar, amanhã ainda se quer percorrer a Ponte Romana, bisbilhotar os Pátios Cordoveses e visitar o Palácio de Viana, assim se porá termo a esta curta visita Andaluza.

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 17 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27643: Os nossos seres, saberes e lazeres (718): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (239): Uma viagem à Córdova árabe, a todos os títulos inesquecível - 6 (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P27665: Os 50 anos de independência de Cabo Verde (18): Quando Hitler e Churchill cobiçaram o Porto Grande, Mindelo, São Vicente, que Salazar mandou transformar em fortaleza do Atlântico Médio (Texto: Memórias d'Mindel, página do Facebook de Luís Leite Monteiro) - Parte II


Cabo Verde > Ilha de Santo Antão> Tarrafal de Monte Trigo > 2006



Cabo Verde > Ilha de São Vicente > Mindelo Cemitério Municipal > 2025 > Lápide de 23 de outubro de 2002, homenagem da Liga dos Combatente aos Militares da Força Expedicionária Portuguesa em Cabo Verde, 1939-1945.

Foto: © Nelson Herbert (2025). Todos os direitos reservados. (Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)


1. Com a devida vénia, transcreve-se a postagem do Facebook Memórias d'Mindelo > 21 de janeiro de 2026, 00h16, 

O autor do blogue é Lucas Leite Monteiro (LLM), "alfacinha" por nascimento, "mindelense" por paixão, também conhecido como jovem empresário agrícola (Projeto Ecofarm Cabo Verde, em Ribeira Grande de Santo Antão, onde os seus avós tinham propriedades, e onde faz agora produção orgânica de frutas e legumes).



MEMÓRIAS BÉLICAS II

​O Porto Grande na Mira do Mundo: Mindelo e a Segunda Guerra (1939-1945) – 2ª parte (*)


​Houve um tempo em que o pulsar do Mindelo ditava o ritmo do Atlântico Médio. Entre 1939 e 1945, o nosso Porto Grande despiu a sua farda de cais comercial para envergar a armadura de sentinela estratégica do mundo.

Eram os anos do "blackout": as janelas da cidade cobriam-se de negro para que o brilho da nossa importância geopolítica não servisse de guia aos "lobos cinzentos" que espreitavam sob as ondas.

​A Fortaleza de "Soncente" e os seus 3.000 heróis

​Em maio de 1941, o Mindelo transformou-se. Cerca de 3.000 soldados expedicionários portugueses desembarcaram no cais, juntando-se a 400 recrutas locais, formando uma barreira de defesa sem precedentes. As encostas da Ponta João Ribeiro e do Morro Branco ganharam "dentes" de aço com baterias de artilharia anti-aérea.

​Mas a guarnição não trouxe apenas o rigor da caserna. Entre as fileiras, vinham figuras que marcariam a nossa cultura: o escritor Manuel Ferreira e o músico Chico da Concertina, cujo fole amansava a distância. 

Nas noites de boémia, a música era o escape: entre um copo de pontche e uma serenata, a alma mindelense resistia à "crise" de 41-43, fundindo o fado e a morna num abraço de sobrevivência.

Enquanto a música ecoava nas tabernas do Mindelo, no silêncio do abismo, a nossa ilha "ouvia" os segredos do conflito através da The Western Telegraph Company. Os cabos submarinos (estudados por autores como A.S. Gomes) garantiam que as mensagens das frotas aliadas chegassem aos seus destinos.

Sem este nó central de comunicações, o controlo do Atlântico Sul estaria às escuras. Mas a guerra não vinha apenas por telegrama; ela rugia nas águas vizinhas.

​𝐀 "𝐁atalha de Tarrafal de Monte Trigo": O Duelo de Titãs

​Enquanto a música ecoava nas tabernas de Soncente, no silêncio do abismo, o destino das ilhas era jogado com códigos secretos. 

Na noite de 27 para 28 de setembro de 1941, a baía do Tarrafal de Monte Trigo, em Santo Antão, foi palco de uma das maiores e mais dramáticas batalhas navais em mares de Cabo Verde.

​Três submarinos alemães — o U-67 (Müller-Stöckheim), o U-68 (K.F. Merten) e o U-111 (W.K. Kleinschmidt) — escolheram aquela baía escondida para um encontro clandestino de reabastecimento e assistência médica. 

O que os alemães não sabiam era que o seu segredo fora traído: os Aliados haviam decifrado o código Enigma.

O submarino britânico HMS Clyde, sob o comando do tenente D.C. Ingram, foi enviado para a emboscada. Sozinho contra três, Ingram aproveitou a escuridão e a configuração da baía para semear o caos. 

No meio da confusão, o Clyde desferiu um "audaz golpe de raspão" contra o U-67, retorcendo a sua proa. A proa alemã sofreu o impacto, mas, miraculosamente, a profundidade e a agilidade das manobras evitaram o afundamento imediato dos colossos.

​O fim dos 'Lobos Cinzentos'

​Embora nenhum submarino tenha sido afundado naquela noite, o destino foi implacável. O encontro no Tarrafal foi apenas o prelúdio do fim para a "alcateia alemã":

  • U-111 foi torpedeado e afundado escassos dias depois, a 4 de outubro, a sudoeste de Tenerife, levando consigo 44 marinheiros, incluindo o comandante Kleinschmidt;
  • U-67 sucumbiria no Mar de Sargaços a 28 de março de 1943;
  •  ​U-68 encontraria o seu túmulo a nordeste da Madeira, a 10 de abril de 1944;

A paz voltaria à baía de Monte Trigo, mas a história guardará para sempre o eco daquela noite em que Mindelo e as suas águas vizinhas foram o epicentro de um xadrez mundial onde o heroísmo e a tecnologia se cruzaram no horizonte de Cabo Verde.

Este incidente de proximidade trouxe a tensão máxima da Batalha do Atlântico para a nossa vizinhança, provando que nem o Tarrafal mais isolado estava imune ao xadrez de Hitler e Churchill.
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Fotos: Cabo Verde Postcard e (erenow.org / uboat.net/men/commanders)

Texto/Pesquisa: Memórias d'Mindel (LLM)

Fontes Académicas e Historiográficas:

•A. S. Gomes (António Sebastião Gomes): Citado frequentemente como a autoridade central no estudo da defesa militar e infraestruturas de Cabo Verde durante as Grandes Guerras.

•Daniel A. Pereira: Historiador cabo-verdiano que aborda a importância geopolítica de Cabo Verde em contextos globais.

•Arquivo da Cable & Wireless: A sucessora da The Western Telegraph Company mantém registos históricos sobre as estações de Mindelo e a manutenção dos cabos transatlânticos

•PKT (Porthcurno Telegraph Museum): Este museu no Reino Unido detém o maior arquivo do mundo sobre as companhias de telégrafo submarino, documentando a rede que passava por São Vicente.

•Relatórios das "Cape Verde Islands Patrols": Diários de bordo e relatórios da Marinha Real Britânica e da Marinha dos EUA que operavam no triângulo de comunicações Freetown-Mindelo-Açores

(Revisão / fixação de texto, links, negritos: LG)


2. Comentário do editor LG:

Recorde-se que,  durante a II Guerra Mundial, à semelhança dos Açores (cuja guarnição militar foi reforçada com 30 mil homens, bem como da Madeira, com 1000 homens), para a defesa de Cabo Verde, e sobretudo das duas ilhas com maior importância geoestratégica, a ilha de São Vicente e a ilha do Sal, foram mobilizados 6358 militares, entre 1941 e 1944, assim distribuídos por 3 ilhas (i) 3361 (São Vicente): (ii) 753 (Santo Antão); e (iii) 2244 (Sal).

Mais de 2/3 dos efetivos estavam afetos à defesa do Mindelo (ou seja, do porto atlântico, Porto Grande, ligando a Europa com a América Latina, a par dos cabos submarinos).

Os portugueses (e os cabo-verdianos),  hoje, desconhecem ou conhecem mal o enorme esforço militar que Portugal fez, na II Guerra Mundial, para garantir a defesa das ilhas atlânticas e dos territórios ultramarinos. Cerca de 180 mil homens foram mobilizados nessa época.


Vd. aqui também o livro do nosso grão-tabanqueiro, o cor inf ref  Adriano Miranda Lima, mindelense que vive em Tomar,  "Forças Expedicionárias a Cabo Verde na II Guerra Mundial" (Mindelo, São Vicente, 2020, ed. de autor): morreram em São Vicente, entre 1941 e 1946, 40 militares das forças expedicionários (pág. 172) e 28 na ilha do Sal (pág, 173). Por doença, acidente, suicídio.

O Cemitério Municipal do Mindelo, no Talhão da Liga (Portuguesa) dos Combatentes, continha, em 2018, 68 campas de militares portugueses, expedicionários durante a II Guerra Mundial (1939-1945) 
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Nota do editor LG:

Vd. postes anteriores da série: 

Guiné 61/74 - P27664: In Memoriam (570): Carlos Alberto Machado de Brito (1932-2025), cor inf ref, 1º cmdt da CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, jun 1969/mar 1971): vivia em Braga, e foi comandante da GNR, comando territorial de Braga - II (e última) Parte

Foto nº 1 > Carlos Alberto Machado de Brito (1932-2025).

cor inf ref, 1º comdt CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, 1969/71). Na foto, aos 37 anos, na estrada Xime-Bambadinca. 

A CCAÇ 2590/CCAÇ 12 sempre foi uma família (éramos umas escassas 6 dezenas de graduados e especialistas metropolitanos, a que se juntaram depois mais 100 praças, do recrutamento local,  98% fulas, em junho de 1969, no CIM de Contuboel). Diversos camaradas da CCAÇ 12 são membros da Tabanca Grande, de longa data.  Por todas as razões, o "nosso capitão Brito"   também cá faz falta. Tem já uma dúzia de referências. Tomo a liberdade de o apresentar à Tabanca Grande, inumando-o simbolicamente à sombra do nosso poilão, no lugar nº 911, no talhão dos camaradas e amigos da Guiné que "da lei da morte já se libertaram". Até sempre, comandante!...(LG)

Foto: © Humberto Reis (2006). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto nº  2 > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Bambadinca > Comando e CCS/BCAÇ 2852 (1968/70)  >  A
 equipa de futebol de oficiais de Bambadinca que acabara de jogar contra uma equipa de sargentos.

Na segunda fila, da esquerda para a direita, de pé:

  •  o alf mil Beja Santos (cmdt do Pel Caç Nat 52, 1968/70);
  • o major Cunha Ribeiro, 2º cmdt do BCAÇ 2852 )já falecido, como coronel);
  • o alf mil médico, David Payne Pereira (já falecido, era um conhecido psiquiatra);
  • o cap inf Carlos Alberto Machado de Brito (cor inf ref) (1932-2025), comandante da CCAÇ 12;
  • e ainda o alf mil at int Abel Maria Rodrigues, também da CCAÇ 12.

Na primeira fila, da esquerda para a direita:
  • um militar que ainda não conseguimos identificar;
  • alf mil cav  José António G. Rodrigues, da CCAÇ 12 (já falecido), 
  • o António Carlão, da CCAÇ 12 (já falecido) 
  • e o Ismael Augusto (CCS); (o Fernando Calado, alf mil trms, também fazia parte da equipa mas fracturou um braço, não aparecendo por isso na foto).

O major Cunha Ribeiro  tinha  substituido,  em setembro de 1969,  o major Viriato Amílcar Pires da Silva, transferido por motivos disciplinares. 

Foto (e legenda): © João Pedro Cunha Ribeiro (2023). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Foto nº 3



Foto nº 3A 




Foto nº  3B

Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > c. 1970 > Não, não é uma sessão de cinema, no refeitório das praças (ou sala de convivio das praças, a avaliar pela mesa de pingue-pongue)... É um simples projeção de "slides" ou diapositivos... Tudo servia para ajudar a passar o tempo, embora não fosse habitual esta mistura de "classes" (oficiais, sargentos e praças, ou como  eu gosto de dizer, com graça, "nobreza, clero e povo")... 

Recorde-se que o nosso exército era "classi(ssi) sta" e, em aquartelamentos como o Bambadinca, com razoáveis e desafogadas instalações, a regra era a da estratificação socioespacial, ou seja, nada de misturas...

A esta sessão  de projeção de "slides!" ou diapositivos assistiram,  no refeitório das praças, pelo menos dois capitães (a olhar para o seu lado direito)... O primeiro era o comandante da CCS/BCAÇ 2852, o cap inf Manuel Figueiras... O segundo era o cmdt da CCAÇ 12, cap inf Carlos Brito (Foto nº 3A).

O "artista principal", neste caso,  é o alf mil at cav José António G. Rodrigues, natural de Lisboa, e já falecido, comandante do 4º Gr Comb da CCAÇ 12.

 Em segundo plano, por detrás dos capitães, o alf mil op esp/ranger Francisco Magalhães Moreira, comandante do 1º Gr Comb da CCAÇ 12, e também 2º cmdt da companhia. Nunca maios soube dele, dizem-me que seguiu a carreira das armas e ainda terá feito uma comissão de serviço em Angola. 

O seu Gr Comb, incontestavelmente, era o melhor. Ele tinha talento, carisma e treino para comandar homens no mato. O capitão confiava nele e delegava-lhe missões, porque sabia que ele era o melhor de todos nós. Só se delega a quem é competente e empenhado. Dos outros 3 oficiais (e sem ofensa para nenhum deles, e dois já morreram),  podia-se dizer que eram competentes mas não empenhados, ou então eram empenhados mas menos competentes. (Afinal, nem toda a gente tem jeito para a guerra...).

 De facto, o "projecionista", à civil, era o alf mil cav José António G. Rodrigues... Devia ser também o "dono" dos diapositivos, cujas caixas, de plástico, são visíveis à frente do projeto (Foto nº 3B).

Nessa época, este material fotográfico era tratado na "nossa inimiga"... Suécia, principal aliada, no mundo ocidental, do PAIGC a aquem forneceu importante apoio (político, humanitário, financeiro, logístico...). Era de lá,  da terra dos "vikings" (e das loiras de olhos azuis do nosso imaginário febril!),  que vinham as mágicas caixinhas com os "slides"... Não sei quanto custavam por unidade...

Pormenor interessante: devido ao excesso de calor e humidade do ar, usava-se uma ventoínha para "refrigerar" o ar à volta do projetor...

Mas agora: que raio de "slides" seriam estes para atrair a atenção de tanta gente, oficiais, sargentos e praças ?!... Possivelmente, "recuerdos" das férias do nosso alferes Rodrigues... A ser assim, esta sessão só pode ter acontecido já no 2º semestre de 1970, ao tempo do BART 2917... 

Mas, digam-me lá, quem estava interessado em saber onde e com quem passou férias, na metrópole, o nosso alferes Rodrigues ?... Ainda não havia gajas de biquini no Algarve... E as férias do Rodrigues só poderiam ter sido passadas na metrópole, porque nessa época nenhum militar, em princípio,  podia ter passaporte para ir passar férias ao estrangeiro no "intervalo" da guerra (a licença de férias era de 30/35 dias)...  

Ao lado do alf Rodrigues, reconheço o alf at inf Abel Rodrigues, comandante do 3º Gr Comb da CCAÇ 12, e nosso grão-tabanqueiro (nasceu no mesmo dia e ano que eu, 29/1/1947; é transmontano de Miranda do Douro; acabei de lhe telefonar a dar a triste notícia da morte do nosso capitão...  

Na ponta direita, o nosso 1º cabo escriturário e acordeonista, Eduardo Veríssimo de Sousa Tavares, também já falecido.

Talvez o Abel se lembre do teor dos "slides", sobre os quais tenho imensa curiosidade... (Esqueci-me de lhe perguntar; infelizmente, também não tenho qualquer contacto com familiares do meu malogrado camarada José António G. Rodrigues, com quem alinhei no mato muitas vezes, a par dos outros alferes, o Moreira e o Carlão, com este tive o meu infeliz batismo de fogo, em 7 de setembro de 1969; como prémio, e por ser casado, com a mulher a viver com ele em Bambadinca, teve a sorte grande: foi para a equipa de reordenamentos de Nhabijões; era oriundo do CSM).



Foto nº 4 > Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > c. 2º semestre de 1969 >  Messe de sargentos > Almoço de "confraternização" entre oficiais e sargentos da CCAÇ 2590/CCAÇ 12: ao centro, o cap inf Carlos Brito, à civil... .

Do lado direito, em primeiro plano o fur mil op esp / ranger Humberto Reis, e a seguir o alf mil cav, já falecido, José António G. Rodrigues; do lado esquerdo, em primeiro plano, o fur mil trms José Fernando Gonçalves Almeida ( seguido de outro furriel, de cuja identidade não tenho a certeza: Joaquim Fernandes ou Luciano Almeida ?), e ainda do 2º srgt inf José Martins Rosado Piça e do 1º srgt cav Fernando Aires Fragata (que depois iria frequentar a Escola Central de Sargentos, em Águeda).

A CCAÇ 2590 passou a designar-se CCAÇ 12 a partir de 18 de janeiro de 1970, ainda no tempo do BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70)... 

Ainda a propósito da foto, era a cerveja Cristal que estava na moda..E o petisco, se bem me parece, incluia ostras.

Naturalmente que os sargentos não frequentavam (pelo regulamento) a messe de oficiais que era ali ao lado. Mas o cap  Brito dignava-se, de vez em quando (e sobretudo no princípio) aparecer na messe de sargentos que era muitíssimo mais animada, mesmo sem garotas...

O bar e a messe de sargentos de Bambadinca, no meu tempo (julho de 1969/março de 1971) tinham  uma certa tradição de hospitalidade. Recebiamos gente de fora, estavamos abertos aos vizinhos do lado (messe de oficiais, embora o inverso não fosse verdadeiro)... E sobretudo havia uma bom espirito de camaradagem entre operacionais e não operacionais. a nível de sargentos (CCS/BCAÇ 2852 e depois BART 2917, CCAÇ 12 e outras subunidades adidas). Fazíamos festas conjuntas (por ex., Natal, aniversários), havia preocupação com a qualidade da comida, havia cantorias até às tantas da noite... Bebia-se
 O bar era bem recheado.

Foto do álbum do Arlindo Roda (ex-fur mil at inf, 3º Gr Comb, CCAÇ 12, 1969/71)



Guiné > Zona Leste > Sector L1 (Bambadinca) > CCAÇ 12 (1969/71) > Cambança, descontraída.  de uma bolanha, na região do Xime, no decurso de uma operação que não conseguimos identificar.

A foto (aliás, um diapositivo) deve ter sido tirada ainda em 1969, no final da época das chuva. Infelizmente não temos as legendas das magníficas imagens que o Arlindo Roda, que vive em Setúbal, teve a gentileza de nos mandar, através do Benjamim Durães (CCS / BART 2917, 1970/72). Falei com ele, finalmente, ao telefone há poucos meses, depois do nosso último encontro há mais de 30 anos.

Em primeiro plano, vê-se o 1º cabo Manuel Monteiro Valente, que viria a ser ferido por estilhaços de morteiro em janeiro de 1970 (Op Borbeleta Destemida)...

Em 2º plano, vê-se o fur mil at inf Roda, o alf mil op esp / ranger Francisco Moreira (comandante do 1º Gr Comb). Atrás deles, descortinam-se ainda as cabeças do fur mil op esp / ranger Humberto Reis e o fur mil at inf António Branquinho (já falecido). 

O cap Brito frequentemente alinhava no mato com a malta, sobretudo em operações de maior responsabilidade e risco, a nível de sector. Apesar dos seus já 37/38 anos de idade... E nós, com 22... Tínhamos outra pedalada naquele tempo, com aquela idade.

 
Fotos: © Arlindo T. Roda (2010). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Crachá da CCAÇ2590 ("Excelente e Valorosa) e da CCAÇ 12 ("Sempre Mais Além")
1969/71).   Design: Tony Levezinho. Cortesia do autor (2006).


1. Declaração de conflito de interesses:

Este e o anterior In Memoriam (*), não assinados como a  grande maioria dos postes publicados pelos editores LG e CV, são da minha lavra. Estive no CTIC às ordens do então Cap Brito. 

O único louvor que tive na tropa foi-me atribuído do, recomendado ou sugerido por ele. O louvor é, formalmente,  do comandante do BART 2917, por quem nunca morri de amores... 

Foi coisa que nunca mostrei a ninguém (a não ser aqui no blogue há muitos anos).  Nem nunca utilizei, para efeito nenhum, na minha vida civil e professional. E no início até tinha algum pudor,   pelo evidente exagero dos encómios.

Pensando bem, deveria ter razões para sentir-me honrado pela distinção... Só se fala, é verdade, das minhas qualidades (que também escondem defeitos), o que  é sempre lisonjeiro. 

De qualquer modo, não há, no teor do louvor, nada que me envergonhe como português, cidadão, homem e militar.

E mais acrescento: nem eu nem o meu capitão ficámos a dever favores um ao outro. Sendo eu de armas pesadas de infantaria, e estando numa companhia de intervenção ( e não de quadrícula), depressa tive que  esquecer tudo o que aprendi no CISMI, em Tavira. 

Fui rapidamente  "promovido a atiruense". Deram-me uma G3 e passei a ser o "pião de nicas" da companhia... tapando todos os buracos no comando de secções dos 4 Gr Comb...

Afinal, "não era mais do que os outros", meus camaradas e bons amigos, a começar pelos que dormiam no mesmo quarto...

Por outro lado, eu e o capitão estávamos,  política e ideologicamente,  em campos opostos: eu era, desde os meus 15 anos, um jovem do "reviralho", do "contra" e estava recenseado nos cadernos eleitorais aquando das eleições para a Assembleia Nacional em 26 de outubro de 1969.

Fui,  aliás,  dos poucos militares em Bambadinca a poder exercer o direito de voto. Eu, o meu capitão, e mais um 1º cabo (cujo nome não fixei). Nem sequer os sargentos do quadro estavam recenseados! ... Ou não votaram, o Piça, o Videira...

Patriótico paradoxo. já aqui escrevi em tempos: um português podia morrer pela Pátria mas podia não ter direito de voto nas eleições para a Assembleia Nacional...  

Eu sei que votei em branco, o meu capitão seguramente que votou no  candidato da União Nacional que representava o círculo eleitoral da Guiné, o infortunado James Pinto Bull (Bolama, 15 de Julho de 1913 – Rio Mansoa, 26 de Julho de 1970).

O então cap Brito era minhoto, dizia-se que já tinha feito uma primeira comissão na Índia (o que não posso confirmar), era católico, política e ideologicamente conservador e "situacionista"...

Nunca fez, em contrapartida, o mais pequeno reparo em relação à minha pessoa e à minha posição contra a guerra. Aliás, nunca falámos de "política"... E mais: confiou-me, no final da comissão, a tarefa (ciclópica) de fazer a história da unidade. Eu tinha dado como profissão a de jornalista (da imprensa regionla), mesmo nunca tendo tido carteira profissional,

Já agora registo a seguir os nomes dos outros graduados da CCAÇ 2590/CCAÇ 12 que foram louvados no final da comissão, a começar pelo próprio capitão, 2 alferes mil, 1 sargento QP e 4 furriéis mil  (além de 19 praças):
  • Carlos Alberto Machado Brito, cap inf, CCAÇ 2590 / CCAÇ 12 (Louvor do Brigadeiro Cmdt Militar do CTIG, em 01.06.71):
  • Abel Maria Rodrigues, alf mil at inf / CCAÇ 12  (Louvor do cmtd CCAÇ 12, em 13.03.71);
  • Francisco Magalhães Moreira, alf mil op esp / CCAÇ 12  (Louvor do cmdt BART 2917,  em 12.03.71);
  • José Martins Rosado Piça, 2º srgt inf / CCAÇ 12 (Louvor do cmdt BART 2917 em 11.03.71);
  • António Fernando R. Marques, fur mil at inf / CCAÇ 12 (Louvor do cmdt  CAOP 2 em 04.05.71);
  • Humberto Simões Reis, fur mil op esp /CCAÇ 12 (Louvor do cmdt BART 2917,  em 12.03.71);
  • José Luís Vieira Sousa, fur mil at inf / CCAÇ 12 (Louvor do cmdt BART 2917,  em 25.02.71);
  • Luís Manuel da Graça Henriques, fur mil arm pes inf / CCAÇ 12 (Louvor do cmdt BART 2917,  em 25.02.71). 


Louvor. Reprodução da página 12 da minha caderneta militar... e onde se faz referência ao trabalho de elaboração da história da unidade

Foto (e legenda): © Luís Graça (2010). Todos os direitos reservados. [Edição:  Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


2. O "making of" da história da CCAÇ 12 merece ser aqui recontado, até como forma de homenagem ao "nosso capitão Brito":


(i) escrita por mim (LG), contou com a cumplicidade e a colaboração de vários camaradas, milicianos, incluindo um sargento do quadro, infelizmente já falecido , o 2º srgt Piça ("o Grande Piça, para os amigos!"), que me chamava , com piada, o "Soviético" ( só por ser do " contra");

(ii) oficialmente, o documento não tem (nem podia ter) autor, mas é unanimemente reconhecido que foi escrita por mim;

(iii) mais, foi-me  expressamente incumbida, a sua elaboração, pelo comandante da companhia, o afável capitão inf Carlos Brito;

(iv) o então capitão Brito (em vésperas de ser promovido a major, se não mesmo já major) não autorizou a sua divulgação, nem muito menos o comando do batalhão de quem estávamos hierarquicamente dependentes, o BART 2917, a partir de junho de 1970 até fevereiro de 1971); alegava ter informação "classificada" (o que era inteiramente verdade);

(v) um versão, dactilografada e impressa à luz do dia, a stencil, na secretaria da companhia, foi discretamente distribuída aos alferes e furriéis milicianos (mesmo assim, não sei se a todos...), numa tiragem necessariamente reduzida, na véspera da partida; como era sabido, os quadros metropolitanos e os especialistas da CCAÇ 12, num total de 60, eram de rendição individual;

(vi) em 1994, quando reencontrei o meu antigo capitão, na altura já cor inf ref,  dei-lhe conta desta "deslealdade" que cometi em março de 1971 (a única, em relação a ele, que julgo ter cometido).

Esta pequena homenagem que lhe faço é já tardia, é post-mortem. Sempre quis trazê-lo para o blogue. Ele participou em diversos encontros da malta de Bambadinca de 1968/71. E, quando não podia, tinha sempre a cortesia de contactar o organizador, agradecer o convite e apresentar a competente justificação para a ausência. 

A CCAÇ 2590/CCAÇ 12 sempre foi uma família (éramos escassas 6 dezenas de graduados e especialistas metropolitanos, a que se juntaram depois mais 100 praças, do recrutamento local, todos 98% fulas, em junho de 1969, no CIM de Contuboel).

 Diversos camaradas da CCAÇ 12 são membros da Tabanca Grande, de longa data.  Por todas as razões, o "nosso capitão Brito"   também cá faz falta. Tem já uma dúzia de referências. Tomo a liberdade de o apresentar à Tabanca Grande, inumando-o simbolicamente à sombra do nosso poilão, no lugar no 911, no talhão dos camaradas e amigos da Guiné que "da lei da morte já se libertaram".

Até sempre, "capitão Brito", bom amigo e camarada!...LG


Foto nº 5


Foto nº 5A


Foto nº 5B

Esposende > Fão > 1994 > A primeira vez que a  malta de Bambadinca (1968/71), camaradas da CCAÇ 12, e outras subunidades adidas ao comando do BCAÇ 2852, mas também malta do BART 2917 (1970/72)... 

Este primeiro encontro foi organizado pelo António Carlão, já falecido (ao centro)


Na primeira fila, da esquerda para a direita: 

(i) fur mil MAR Joaquim Moreira Gomes (vivia no Porto, na altura(; 

(ii)  sold cond auto Diniz Giblot Dalot (empresário na área dos transportes, vivia em Aljubarrota, Prazeres,  ou em Samora Correia, não sei ao certo); 

(iii) um antigo escriturário da CCS/ BART 2917 (morava em Fão, Esposende); 

(iv) alf mil at  inf António Manuel Carlão (1947-2018) (casado com a Helena, comerciante, vivia em Fão, Esposende);

(v)  fur mil at inf Arlindo Teixeira Roda (natural de Pousos, Leiria; professor  reformado, vive em Setúbal; grande jogador de king e de lerpa, no nosso tempo, a par do Humberto Reis, e depois de damas, cuja federação portuguesa cofundou e dirigiu); 

(vi)  fur mil armas pes inf Luís [Manuel da ]  Graça [ Henriques]  (prof univ ref., fundador deste blogue, vive entre Alfragide / Amadora e Lourinhã, e com ligações também ao Marco de Canaveses, Quinta de Candoz); 

(vii) Arménio Monteiro Fonseca (taxista, no Porto, da empresa Invictuas, táxi nº 69, mais conhecido no nosso tempo como o "vermelhinha"); 

(viii) fur Mil José Luís Vieira de Sousa (natural do Funchal, onde vive, agente de seguros reformado).

Na segunda fila de pé, da esquerda para a direita: 

(ix) Fernando [Carvalho Taco]  Calado (1945-2025), ex-allf mil trms, CCS/BCAÇ 2852 (vivia em Lisboa, natural de Ferreira do Alentejo(;

(x) alf mil manutenção material, Ismael Quitério Augusto, CCS/BCAÇ 2852, 19698/70 (vive em Lisboa);

(xi)  fur mil at inf, António Eugénio Silva Levezinho [, Tony para os amigos, reformado da Petrogal, vive em Martingal, Sagres, Vila do Bispo]; 

(xii)  capitão inf Carlos Alberto Machado Brito [cor inf ref, vivia em Braga, tendo passado pela GNR] (1932-2025);

(xiii) camarada, de óculos escuros, que não sei identificar [diz-me o Fernando Andrade Sousa que se trata do Pinto dos Santos, ex-furriel mil de Operações e Informações, CCS / BCAÇ 2852, natural de Resende, já falecido];

(xiv) major Ângelo Augusto Cunha Ribeiro, mais conhecido por "major elétrico", 2º comandante do BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70) (1926-2023) (vivia no Porto, era natural de Gondomar);

(xv) fur mil op esp / ranger, Humberto Simões dos Reis (engenheiro técnico, vive Alfragide / Amadora; era o grande fotógrafo da CCAÇ 12, a par do fur mil Arlindo Roda;  na foto, escondido, de óculos escuros); 

(xvi) camarada não identificado;

(xvii) alf mil cav,  José Luís Vacas de Carvalho, cmdt Pel Rec Daimler 2206 (Bambadinca, 1969/71) (vive em Lisboa; natural de Montemor-o-Novo);

(xviii) alf mil at inf,  Mário Beja Santos, cmdt do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70 (vive em Lisboa, nosso colaborador permanente);

(xix)  Fur mil  at inf António Fernando R. Marques (DFA, natural de Abrantes, vive em Cascais, empresário reformado);: 

(xx)  Manuel Monteiro Valente (de bigode e de perfil, ex-1º cabo, 1º Gr Comb, CCAÇ 12, apontador de dilagrama, vive em Vila Nova de Gaia, organizou o convívio, em 2019, do pessoal de Bambadinca, 1968/71):

(xxi) Abel Maria Rodrigues (hoje bancário reformado, vive em Mirando do Douro, ex-alf mil at inf, 3º Gr Comb, CCAÇ 12); 

(xxii) alf mil op esp / ranger,  Francisco Magalhães Moreira (vive em Santo Tirso, se não erro; nunca mais o vi, desde este 1º encontro, em 1994; terá seguido a carreira militar; não é membro da Tabanca Grande, o que é pena(; 

(xxiii) Fur mil at inf,  Joaquim Augusto Matos Fernandes (de óculos escuros, engenheiro técnico, vive ou vivia no Barreiro; também não é membro da Tabanca Grande, infelizmente, mas não costuma falhar os encontros da malta de Bambadinca de 1968/71); 

(xxiv) 1º cabo Carlos Alberto Alves Galvão (o homem que foi ferido duas vezes numa operação, vive na Covilhã; não integra a Tabanca Grande; dizem-me que não comunicou à tropa as habilitações literárias que tinha, para não ir para o CSM); 

(xxv)  Fernando Andrade Sousa (ex-1º cabo aux enf, CCAÇ 12, vive na Trofa); 

(xxvi) e, por fim, 2º sarg inf Alberto Martins Videira (vivia em Vila Real,já falecido, tal como o outo 2º srgt, o José Manuel Rosado Piça, que vivioa em Évora).


Foto (e legenda): © Fernando Calado (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
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Nota do editor:

Último poste da série > 22 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27662: In Memoriam (569): Carlos Alberto Machado de Brito (1932-2025), cor inf ref, 1º cmdt da CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, jun 1969/mar 1971): vivia em Braga, e foi comandante da GNR, comando territorial de Braga - Parte I

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27663: Notas de leitura (1888): "Porto, 1934 a Grande Exposição", por Ercílio de Azevedo; edição de autor, 2003 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 28 de Julho de 2025:

Queridos amigos,
É o primeiro grande teste do Estado Novo para exibir a gesta Imperial, seguir-se-á 1937 e uma exposição que terá lugar no Parque Eduardo VII e em 1940 a Exposição do Mundo Português é o ápice da grande nação colonial, uma das maiores potências coloniais, é o que sobrou depois das guerras da Restauração e da independência do Brasil. Escolheu-se o Porto e uma área apropriada dentro dele, o Palácio de Cristal, houve obras profundas, Henrique Galvão cuidou dos primores decorativos, o êxito foi retumbante, irá ler-se no texto o número impressionante de comboios, camionetas e automóveis envolvidos, mais de um milhão e trezentos mil visitantes. A Guiné caprichou, pela majestade do régulo Mamadu Sissé, o pintor Eduardo Malta desenhou-o e pintou-o, sente-se que o personagem o deslumbrou; a Rosinha, já noiva do régulo dos Balantas, ganhou o concurso da grande beleza, o fotógrafo Domingos Alvão não lhe regateou belas fotografias; o menino Augusto era tão cativante que até fez publicidade; e o varonil e atlético Papé morreu inesperadamente, tal como o menino Augusto faleceu com tuberculose. O Tenente Henrique Galvão foi alvo de queixas das respeitáveis senhores portuenses que consideravam inaceitável andarem para ali umas meninas pretas com o peito ao léu, elas eram a grande atração dos visitantes, os grandes dignitários do regime não deram seguimento à queixa, dizendo que não tinha pés nem cabeça pôr as meninas vestidas à europeia... a civilidade viria com o tempo. E assim foi ganho o grande teste, o Estado Novo podia orgulhar-se de ter mostrado que Portugal não era um país pequeno.

Um abraço do
Mário



A Guiné e a Primeira Exposição Colonial Portuguesa, Porto, 1934

Mário Beja Santos

Porto, 1934 a Grande Exposição, por Ercílio de Azevedo, edição de autor 2003 é uma grande angular sobre o contexto sociopolítico e cultural em que decorreu a primeira exposição colonial, mostrando igualmente acontecimentos fotográficos, jornalísticos e propagandísticos desta grande realização. Era uma grande aposta do Estado Novo a impor em plena exibição pública o sonho imperial, a grandeza do Império, a missão evangelizadora, destacar as glórias da expansão ultramarina. Crescia por toda a Europa o autoritarismo e as apetências imperiais, havia uma larga tradição de feiras universais, mas eram poucas as exibições da história Imperial. O Ministro das Colónias, Armindo Monteiro, encarregou o Tenente Henrique Galvão da tarefa de organização dos stands da exposição.

O Acto Colonial fora prolongado em 1930, Portugal era a quarta potência colonial no mundo, o artigo 2.º do Acto Colonial era explícito, declarava ser da “essência orgânica da Nação Portuguesa desempenhar a função histórica de possuir e colonizar domínios ultramarinos e de civilizar as populações indígenas”. Procurava-se igualmente ultrapassar a deficiência ou a ausência de conhecimentos sobre a realidade colonial. Era grande a aposta, Salazar era Presidente do Governo desde 11 de abril de 1933, António Ferro editava no ano seguinte um luxuoso e artístico álbum que mostrava o estado florescente da nação, o que se alterara na rede viária, na instrução, nas finanças públicas, no restauro dos monumentos, no teatro e no cinema. O autor também nos desvela a vida do Porto por esse tempo.

E temos a realização passo a passo, a apresentação da iniciativa que meteu peditórios, baile e banquete no Palácio da Bolsa. Segue-se um acervo fotográfico entre a primeira pedra e a inauguração, nesse dia não faltarão o Presidente Carmona, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, o Ministro da Guerra, o Ministro das Colónias, o Cardeal-Patriarca. Todas as colónias têm o seu pavilhão, ocupam espaço próprio, os visitantes cedo vão ficar deslumbrados com as mulheres guineenses em tronco nu, irá ouvir-se a queixa das respeitáveis senhoras do Porto, apelos uns atrás dos outros ao Tenente Henrique Galvão para que acabe com aquele desaforo, ver os indianos como encantadores de serpentes ainda vá, mas poder ver aquelas mulheres sem vergonha era inaceitável. Galvão replicou que os indígenas estavam vestidos exatamente como viviam.

Ercílio de Azevedo vai mostrando como ao longo da exposição eram apresentados os trabalhos jornalísticos, as visitas de pompa e circunstância como a do futuro Rei Eduardo VIII de Inglaterra, mostram -se imagens das grandes paradas, não falta o grande Cortejo Colonial, participam também as gentes da metrópole, não faltarão os Pauliteiros de Miranda, o carro da Casa do Douro, as Tricanas de Coimbra. A CP promoveu excursões a preços excecionais. A exposição custou 1.500 contos e rendeu 3.500, foi visitada por um milhão e trezentas mil pessoas, movimentou 1.300 comboios, 5000 camionetas, 2000 camiões e 40.000 automóveis.

Vieram muitos indígenas ao Porto, a comitiva guineense caprichava, o seu Embaixador era o Régulo Mamadu Sissé, o seu filho Abdula era um distinto fidalgo gentílico. Os jornais noticiavam:
“Mamadu, Rei dos Mandingas desde 1913, com a sua corte em Pachisse, domina os Balantas e ganha os Galões de Alferes, submete os Bijagós. Filho espiritual de Maomé, ao nascer do sol voltado para Meca começa o reinado de cada dia. Esposado de Catarina, grande mulher, filha da linhagem do Régulo de Bissau, tem ainda outra e outra. Mas no amor do homem todas três era como se fossem uma só. Malique, filho mais velho, dos treze que são, lá ficou a governar as rudimentares relações dos súbditos com a certeza indestrutível de ter obedecido. Sem fronteiras na vontade, além do Alcorão e do respeito da soberania portuguesa, majestaticamente, Mamadu, hirto nos seus 67 anos de amor a Portugal, em magoada saudade confidencia que Folupe, centro da sua casa, da sua família e da sua corte era a sua Pátria toda.”

A Rosinha merecia todo o destaque da imprensa. Vieram autoridades galegas e condecoraram Mamadu Sissé, houve grande emoção na comitiva guineense. O Régulo que chefiava a secção indígena da Guiné era Mona Sambu, Eduardo Malta fez-lhe um desenho. Entrevistado pela imprensa, Mona Sambu revelou que era Régulo dos Balantas, já o pai desempenhara funções na polícia e acompanhara o Capitão Teixeira Pinto e Mamadu Sissé nas operações de ocupação. A Rosinha iria casar com ele.

Quem ganhou também notoriedade foi o Augusto, era o ai-jesus do público, umas vezes aparecia com o capacete colonial, houve empresas que lhe tiraram fotografias para venderem produtos. Houve igualmente acontecimentos tristes na comitiva guineense. Morreu um Bijagó vigoroso de nome Papé, era apresentado como um dos pretos mais atléticos da exposição. Na aldeia lacustre em que viviam os guineenses batucou-se, em som de luto.

Este álbum termina com uma coletânea de depoimentos revelando imagens propagandísticas de grande valor.


Quadro de Eduardo Malta mostrando o rego Mamadu Sissé e Grupo da Guiné
A dimensão do evento
Fachada da exposição, entrada do Palácio das Colónias
O famoso mapa propagandístico de Henrique Galvão, irá reaparecer com a Guerra Colonial
O comboio da exposição. Fotografia de Domingos Alvão
Interior da exposição, Nave central
"O Homem do Leme na Exposição Colonial de 1934 – Nesta exposição a escultura do Homem do Leme era em barro. Só mais tarde foi fundida e colocada em frente à praia, na Avenida de Montevideu". Do blog Do Porto e não só.
Réplica do Farol da Guia em Macau
Aldeia da Guiné
A Rosinha, mulher Balanta, ganhará o prémio da grande beleza feminina da exposição
O simpático Augusto, chegou a aparecer em anúncios de promoção tabágica, não voltou à Guiné porque morreu tuberculoso. Fotografia de Domingos Alvão
"Amélia Rey Colaço (1898-1990), no Teatro Gil Vicente na Exposição Colonial do Porto, com um vestido de António Amorim tendo ao colo o miúdo guineense Augusto. Foto Domingos Alvão, Porto Museu Nacional do Teatro".
Trabalho de Almada Negreiros alusivo à exposição do Porto
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Nota do editor

Último post da série de 19 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27650: Notas de leitura (1887): "Soldadó", de Carlos Vale Ferraz; Editorial Notícias, 1997 (Mário Beja Santos)