Foto (e legenda): © Jorge Araújo (2014). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
1. Continuação da publicação do Pequeno Dicionário da Tabanca Grande (*), de A a Z, em construção desde 2007, com o contributo de todos os amigos e camaradas da Guiné que se sentam aqui à sombra do nosso simbólico e fraterno poilão. Entradas das letras O, P, Q:
Letra O
OB - Oscar Bravo, obrigado (gíria, adaptado do Código de Fonética Internacional)
Obus 14 - Obus, de calibre 14 cm (ou 140 mm)
OGFE - Oficinas Gerais de Fardamento do Exército
Oinca - Habitante da região do Oio
Oitenta - Morteiro de calbibre 81 (o PAIGC tinha o 82)
ONG - Organização não-governamental
ONGD - Organização não-governamental para o Desenvolvimento
Onze quatro - Peça de artilharia, de calibre 11,4 cm: não confundir com obus
Op - Operação (vg., Op Lança Afiada); operador
Op Cripto - Operador Cripto
Op Esp - Operações especiais ou ranger, com o curso do CIOE, de Penude / Lamego
Ordem Militar da Torre e Espada - Por extenso, Ordem Militar da Torre e Espada, e Valor, Lealdade e Mérito
P2V5 - Avião de luta anti-submarina, também usado no Guiné, no início da guerra, para ataque ao solo
Pachanga - Pistola-Metralhadora SHPAGIN Cal 7,62 mm M-941 (PPSH) (PAIGC); costureirinha (gíria)
PAI - Partido Africano para a Independência, fundado em 1956 (mais tarde, PAIGC)
PAIGC - Partido Africano Para a Indepência da Guiné e Cabo Verde
Panga bariga - Caganeira (crioulo)
Parafusos - Familiares, amigos ou vizinhos de paraquedistas ou de fuzileiros, convivendo com ambos
Páras - Paraquedistas
Parte peso - Dá-me dinheiro (crioulo)
Partir catota - 'Dar o pito' (expressão nortenha); ter relações sexuais (a mulher com o homem) (calão)
Partir punho - Ser masturbado por outrem, à mão (crioulo, calão); "bater uma punheta"
Pastilhas - Enfermeiro (em geral, fur enf) (gíria)
Cópia de uma nota de cem escudos da Guiné (ou pesos), emitida pelo BNU (Banco Nacional Ultramarino), em circulação no nosso tempo.
Esta, por acaso, foi emitida em Lisboa em 17 de Dezembro de 1971. A nota ostenta a efígie do Nuno Tristão, o primeiros dos nossos "camaradas" a morrer na Guiné, "país de azenegues e de negros", no já longínquo ano de 1446, "varado por azagaias envenenadas" (sic), como se pode ler algures no Portugal dos Pequenitos, em Coimbra (se nunca lá foram, aproveitem para ir com os netos um fim-de-semana destes).
Foto (e legenda): © António Santos (2005). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Patacão - Dinheiro, pesos (crioulo)
Pau de Pila - Lança Granadas-Foguete Pancerovka P-27 (PAIGC, gíria)
PC - Posto de Comando
PCV - Posto de Comando Volante
Peça 11,4 - Peça de artilharia, de calibre 11,4 cm; também conhecido por onze quatro
Peça M-130 - Peça de artilharia de longo alcance, da Guiné-Conacri, usada em ataques fronteiriços pelo PAIGC, a partir de 1973
Pel Caç Nat - Pelotão de Caçadores Nativos
Pel Can s/r - Pelotão de Canhão sem recuo
Obus 14 - Obus, de calibre 14 cm (ou 140 mm)
OGFE - Oficinas Gerais de Fardamento do Exército
Oinca - Habitante da região do Oio
Oitenta - Morteiro de calbibre 81 (o PAIGC tinha o 82)
ONG - Organização não-governamental
ONGD - Organização não-governamental para o Desenvolvimento
Onze quatro - Peça de artilharia, de calibre 11,4 cm: não confundir com obus
Op - Operação (vg., Op Lança Afiada); operador
Op Cripto - Operador Cripto
Op Esp - Operações especiais ou ranger, com o curso do CIOE, de Penude / Lamego
Ordem Militar da Torre e Espada - Por extenso, Ordem Militar da Torre e Espada, e Valor, Lealdade e Mérito
Letra P
P2V5 - Avião de luta anti-submarina, também usado no Guiné, no início da guerra, para ataque ao solo
Pachanga - Pistola-Metralhadora SHPAGIN Cal 7,62 mm M-941 (PPSH) (PAIGC); costureirinha (gíria)
PAI - Partido Africano para a Independência, fundado em 1956 (mais tarde, PAIGC)
PAIGC - Partido Africano Para a Indepência da Guiné e Cabo Verde
Panga bariga - Caganeira (crioulo)
Parafusos - Familiares, amigos ou vizinhos de paraquedistas ou de fuzileiros, convivendo com ambos
Páras - Paraquedistas
Parte peso - Dá-me dinheiro (crioulo)
Partir catota - 'Dar o pito' (expressão nortenha); ter relações sexuais (a mulher com o homem) (calão)
Partir punho - Ser masturbado por outrem, à mão (crioulo, calão); "bater uma punheta"
Pastilhas - Enfermeiro (em geral, fur enf) (gíria)
Cópia de uma nota de cem escudos da Guiné (ou pesos), emitida pelo BNU (Banco Nacional Ultramarino), em circulação no nosso tempo.
Esta, por acaso, foi emitida em Lisboa em 17 de Dezembro de 1971. A nota ostenta a efígie do Nuno Tristão, o primeiros dos nossos "camaradas" a morrer na Guiné, "país de azenegues e de negros", no já longínquo ano de 1446, "varado por azagaias envenenadas" (sic), como se pode ler algures no Portugal dos Pequenitos, em Coimbra (se nunca lá foram, aproveitem para ir com os netos um fim-de-semana destes).
Foto (e legenda): © António Santos (2005). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Patacão - Dinheiro, pesos (crioulo)
Pau de Pila - Lança Granadas-Foguete Pancerovka P-27 (PAIGC, gíria)
PC - Posto de Comando
PCV - Posto de Comando Volante
Peça 11,4 - Peça de artilharia, de calibre 11,4 cm; também conhecido por onze quatro
Peça M-130 - Peça de artilharia de longo alcance, da Guiné-Conacri, usada em ataques fronteiriços pelo PAIGC, a partir de 1973
Pel Caç Nat - Pelotão de Caçadores Nativos
Pel Can s/r - Pelotão de Canhão sem recuo
Pel Mil - Pelotão de Milícias
Pel Mort - Pelotão de Morteiros
Pel Rec Daimler - Pelotão de Reconhecimento Daimler (Cavalaria)
Pel Rec Fox - Pelotão de Reconhecimento Fox (Cavalaria)
Pel Rec Info - Pelotão de Reconhecimento e Informação
Pelicano – Café, restaurante e esplanada, em Bissau, junto ao estuário do Geba, na marginal, ao tempo colonial
Peluda - Vida civil (depois da tropa)(gíria)
Pepito - "Nickname" ou "nominho" do engº Carlos Schwarz da Silva (1949-2014), guineense de origem portuguesa, nosso grã-tabanqueiro
Perintrep - Periodic Intelligence Report
O Perintrep era uma documento classificado, elaborado pela 2ª Rep/QG/ComChefe/Guiné (, chefiada, no final da guerra, por Artur Baptista Beirão, ten cor inf) (1925-2014). Era elaborado a partir de notícias recebidas (Relim) durante um período semanal, indicando-se sempre a origem ou o órgão da fonte da notícia. O documento, classificado, chegava até aos comandantes operacionais (nível de companhia), que o tinham de incinerar no prazo de 72 horas... As informações nele contidas, devidamente selecionadas, podiam ser (ou não) partilhadas depois com os subordinados, individualmente ou em grupo.
Reprodução (parcial) do Perintrep nº 12/74, relativo ao período de 17 a 24 de março de 1974. Documento (digitalizado) por Nuno Rubim (2016) / Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2016)
Periquito - Militar novato; pira, "piriquito" (sic); maçarico (Angola), checa (Moçambique)
Peso - Unidade da moeda local; escudo guineense (no tempo colonial) (crioulo); valia, no mercado cambial, menos 10% do que o escudo metropolitano; a moeda da Guiné era emitida pelo
PG - Prisioneiro(s) de Guerra
Piça - (i) Pénis (calão); (ii) apelido paterno do 2º srgt inf, da CCAÇ 12 (Bambadinca, 1969/71), José Manuel Rosado Piça, alentejano; costumava apresentar-se às senhoras, brincando com o seu apelido brejeiro: "Sargento Piça, minha senhora, para a servir"; é membro da nossa Tabanca Grande, vive em Évora
Piçada - Repreensão de um superior (gíria)
Picador - Soldado ou milícia que faz a picagem, usando geralmente um vara, com um prego afiado na ponta
Picagem - Deteção de minas e armadilhas num trilho ou picada
Piche-pache(Lê-se: pitche-patche) - Canja de ostras (crioulo)
PIDE/DGS - Polícia política portuguesa: PolíciA Internacional de Defesa do Estado, no tempo de Salazar, rebatisada como Direção Geral de Segurança, no tempo de Marcelo Caetano
O PIFAS - Cartoon, de autor desconhecido.
Cortesia de Miguel Pessoa (2012)
PIFAS - Programa de Informação das Forças Armadas
PIL - Piloto da FAP, abreviatura aplicada a todos os pilotos sargentos milicianos ou do quadro [ex: furriel mil pil Gil Moutinho]:
Pilão - Bairro popular de Bissau, muito frequentado pelas NT nas horas de lazer; cupelon (crioulo)
PILAV - Piloto aviador da FAP, abreviatura aplicada a todos os oficiais milicianos ou do quadro [ex., ten pilav Miguel Pessoa, alf mil pilav Jorge Félix]
PIL NAV - Piloto navegador da FAP: abreviatura aplicada a todos os oficiais do quadro que vieram de sargento, fazendo o respectivo curso de oficiais por atingirem tempo de serviço.
Pimbas - Alcunha do 1º comandante do BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70), ten cor inf Manuel Maria Pimentel Bastos
PINT - Pelotão de Intendência
Pira - Periquito, militar recém-chegado à Guiné; maçarico (Angola); checa (Moçambique)
Pistola-metralhadora - Em inglês, "subgun", submetralhadora; as Forças Armadas usavam várias marcas e modelos, com destaque para a FBP (portguesa) e a Uzi (israelita)
Piurso - Pior que um urso, zangado (gíria)Poilão - (i) Designação comum a algumas árvores da família das bombacáceas (crioulo); nome científico, Ceiba Pentandra; (ii) árvore sagrada para os guineenses, mas também, em termos simbólicos, para os membros da Tabanca Grande, à sombra da qual se sentam, os vivos e os mortos
Poilão (Caderno de Poesia) - Publicação literária de que se fizeram 700 exemplares, a stencil, em fevereiro de 1974, em edição do Grupo Desportivo e Cultural dos Empregados do BNU; editor: Albano Mendes de Matos, membro da nossa Tabanca Grande
Poilon - Poilão (crioulo)
Ponta - Herdade, exploração agrícola (crioulo); o termo aparece em muitos topónimos da Guiné, alguns de trágicas memórias para nós, combatentes da guerra colonial (ex., Ponta do Inglês, na foz do rio Corubal, no subsetor do Xime)
Ponteiro - Proprietário ou cultivador de uma "ponta" (crioulo)
Pop - População
Porrada - (i) Contacto com o IN; (ii) punição disciplinar (gíria)
Posto Escolar Militar (PEM) - Estabelecimento escolar, em geral improvisado, criado e mantido pelas subunidades de quadrícula (ex., PEM nº 8, Xime, setor L1, Bambadinca, região de Bafatá)
PPSH - Metralhadora ligeira, 7,72 mm (PAIGC; a famigerada 'costureirinha' (gíria)
Psico - Acção psicológica e social das NT junto da população (também Psique)
PTE - Pelotão de Transportes Especiais. Pertencia ao BENG 447.
Puto - Nominho dado a Portugal (metrópole) sobretudo pelos "colonos" de Angola e Moçambique, sendo um território muito mais pequeno do que aquelas duas "colónias" ou "províncias ultramarinas"
QG - Quartel General
QG/CCFAG - Quartel General do Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné), sito na Fortaleza da Amura
QG/CTIG – Quartel General do Comando Territorial Independente da Guiné, sito em Santa Luzia
QEO - Quadro Especial de Oficiais
QP - Quadro Permanente (Pessoal)
Quarteleiro – 1º cabo de manutenção de material
Quebra-costelas - Abraço, AB, Alfa Bravo (gíria, de origem alentejana)
Quico - Boné especial da tropa
Puto - Nominho dado a Portugal (metrópole) sobretudo pelos "colonos" de Angola e Moçambique, sendo um território muito mais pequeno do que aquelas duas "colónias" ou "províncias ultramarinas"
Letra Q
QG - Quartel General
QG/CCFAG - Quartel General do Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné), sito na Fortaleza da Amura
QG/CTIG – Quartel General do Comando Territorial Independente da Guiné, sito em Santa Luzia
QEO - Quadro Especial de Oficiais
QP - Quadro Permanente (Pessoal)
Quarteleiro – 1º cabo de manutenção de material
Quebra-costelas - Abraço, AB, Alfa Bravo (gíria, de origem alentejana)
Quico - Boné especial da tropa
___________
Nota do editor:
(*) Vd. postes de:
(*) Vd. postes de:
16 de janeiro de 2020 > Guiné 61/74 - P20562: Pequeno dicionário da Tabanca Grande, de A a Z (9): edição, revista e aumentada, Letras M / N
31 de dezembro de 2019 > Guiné 61/74 - P20516: Pequeno dicionário da Tabanca Grande, de A a Z (8): edição, revista e aumentada, Letras I, J, K e L
28 de dezembro de 2019 > Guiné 61/74 - P20506: Pequeno dicionário da Tabanca Grande, de A a Z (7): edição, revista e aumentada, Letras F, G e H
3 de dezembro 2019 > Guiné 61/74 - P20411: Pequeno dicionário da Tabanca Grande, de A a Z (6): edição, revista e aumentada, Letras D/E
18 de outubro de 2019 > Guiné 61/74 - P20255: Pequeno dicionário da Tabanca Grande, de A a Z (5): edição, revista e aumentada, Letra C
14 de outubro de 2019 > Guiné 61/74 - P20240: Pequeno Dicionário da Tabanca Grande, de A a Z (4): 2ª edição, revista e aumentada, Letras M, de Maçarico, P de Periquito e C de Checa... Qual a origem destas designações para "novato, inexperiente, militar que acaba de chegar ao teatro de operações" ?
13 de outubro de 2019 > Guiné 61/74 - P20237: Pequeno Dicionário da Tabanca Grande, de A a Z (3): 2ª edição, revista e aumentada, Letra B
13 de outubro de 2019 > Guiné 61/74 - P20235: Pequeno Dicionário da Tabanca Grande, de A a Z (2): 2ª edição, revista e aumentada, Letra A
12 de janeiro de 2019 > Guiné 61/74 - P19396: Pequeno Dicionário da Tabanca Grande, de A a Z (1): em construção: para rever, aumentar, melhorar, divulgar, comentar..
16 comentários:
Olá Camaradas
Para já gostava de dizer que a Peça 11,4 e o Obus 14 usavam o mesmo reparo. A diferença situava-se praticamente na ligação elástica e no comprimento do tubo. A relação entre o comprimento do tubo e o calibre - abaixo ou acima de 30 - é que os distinguia.
O calibre da PPSH era 9 mm. Era a costureirinha pelo ruído especial que fazia ao disparar. Era o tak-tak-takum-takum-takum.
um Ab.
António J. P. Costa
Olá Camaradas, de novo
O nosso morteiro era de calibre 80 mm. Depois surgia uma letra isolada I. O resto da nomenclatura já não lembro. Havia também o morteiro 10,7 cm.
O banco emissor do dinheiro da Guiné era o Banco Nacional Ultramarino
um Ab.
António J. P. Costa
Olá, de novo.
A palavra "Piurso" aparece, pela primeira vez, num filme português dos anos 40/50 e é dita pelo António Silva.
Julgo que é no "Pátio das Cantigas" em que ele faz de pai da "rapariga da franja" e de dono da loja de alfaiate.
Um Ab.
Luís,
Será que o conceito "Prémio Governador da Guiné" pode ser incluído no nosso Pequeno Dicionário?
Que tenham um noite tranquila.
Jorge Araújo.
Embora não apareça a letra 'T', lembrei-me de há postes atrás ter havido uma certa relutância quanto ao 'turra', amplamente dito e escrito para designar o inimigo, como diminutivo de terrorista, e então passamos a chamar simplesmente IN.
Entretanto, surgiu numa das habituais 'Memórias do Gabu' P20556, escritas pelo José Saúde, sempre com a sua riqueza de palavras, uma nova descrição para designar o inimigo, que é um tratamento com educação e uma pérola para o nosso dicionário.
'endiabrado prevaricador'
Valdemar Queiroz
Relativamente a
Puto - Nominho dado a Portugal (metrópole) sobretudo pelos "colonos" de Angola e Moçambique, sendo um território muito mais pequeno do que aquelas duas "colónias" ou "províncias ultramarinas".
Em Angola (e talvez também em Moçambique) esta palavra era de uso generalizado, não só pelos "colonos", mas por toda a gente, militares incluídos.
A explicação dada, segundo a qual este nome resulta da pequenez do território metropolitano, em comparação com a vastidão de Angola e de Moçambique, não é verdadeira. Num livro sobre Angola publicado ainda no séc. XIX, creio que de um suíço ao serviço do governo dos Estados Unidos (para que seria?), chamado Héli Chatelain, o qual foi autor de uma gramática de quimbundo entre outros títulos, já esta palavra era empregada e devidamente explicada, como sendo uma abreviação da palavra "Portugal". Portugal -> Puto.
Além disso, no séc. XIX Angola ainda não tinha a extensão que tem hoje. O reino da Lunda e outros reinos mais pequenos ainda eram independentes e existiam duas colónias distintas e geograficamente separadas, em vez de uma só: a colónia de Angola, com capital em Luanda, e a colónia de Benguela, com capital na cidade de Benguela.
Fernando de Sousa Ribeiro, ex-alferes miliciano, C.Caç. 3535, B.Caç. 3880, Angola 1972-74
Camaradas, oscar bravo pelas vossas preciosas achegas...
Valdemar, o poste a seguir, da série "Pequeno Dicionário da Tabanca Grande", deve incluir a letra T... Acho que VOCÁBULOS "turra" e "tuga" estão incluídos...Ou melhor, já foram "grafados"... Eram usados no nosso tempo.... A "língua" é feita pelos falantes... mas também pelos "dicionaristas"...Não temos a pretensão de ser linguística e politicamente corretos... Seria uma "hipocrisia" escamotear palavras do calão. da gíria, etc., do nosso tempo, como "piçada" ou "partir catota"...
Jorge, arranja lá uam entrada para Prémio Governador da Guiné... O dicionário está em atualização permanente... E vamos incluir os "reparos" do Tó Zé, a quem bato a pala... Pala (bater a) devia ser outra entrada ou "verbete"...
O sol brilha lá fora,vou fazer o pequeno almoço, o "mato-bicho"... Já não me lembro como a gente dizia na Guiné...
Em rigor, podemos já chamar "Pequeno Dicionário Enciclopédico da Tabanca Grande"... Ficará, no final, numa página estática, na coluna do lado esquerdo do blogue... Mas sempre atualizável...
Na letra Q, podia acrescentar-se "queca", mas acho que o "palavrão" é fino demais, associo-no às "tias" da Linha (, sem ofensa para os Magníficos da Tabanca da Linha), ao calão pós-mordeno e feminista... No nosso tempo, ninguém dizia que ia "dar um queca"...mas sim "dar uma cambalhota", "mudar o óleo", "berlaitada", etc., etc., que as variantes aqui são mais que as mães...
É como "bejeca" (cerveja)... Ninguém dizia "bejeca", nesse tempo. É linguajar dos nossos putos.
__________________
queca | s. f.
que·ca |é|
(origem obscura)
substantivo feminino
[Portugal, Calão] Relação ou acto sexual (ex.: dar uma queca). = BERLAITADA, PIRAFO
"queca", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/queca [consultado em 02-02-2020].
_________
bejeca | s. f.
be·je·ca
(alteração de [cer]vejeca, diminutivo de cerveja)
substantivo feminino
[Portugal, Informal] Copo, garrafa ou lata de cerveja. = JOLA
"bejeca", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/bejeca [consultado em 02-02-2020].
Obrigado, Fernando, tu é que és o nosso especialista de "angolês"...A tua explicação é convincente... Também tinha a ideia que "Puto" era uma abreviatura de Portugal... Na Guiné não não se usava muito... Preferia-se "Metrópole", "casa"... Os meus amigos retornados de Angola usavam-na (e ainda usam...) com um misto de ternura e desdém...Fihos e netos de gente pobre que se fixou em África, hoje são engenheiros e médicos... "Puto" era a origem dos antepassados, mas também sinónimo de pequenas e pobreza... Em Angola, na época colonial, tinham uma conotação pejorativa, tal como hoje, usada ainda pelos angolanos, meus amigos...médicos, que cá estudaram: um misto de gratidão e ressentimento...Todos temos uma relação de amor-ódio com a nossa "terra"... E com a Guiné, ou melhor, o "campo de concentração" da Guiné que nós conhecemos... Chamava "Imbecilburgo" a Bambadinca...
Fernando, tens toda a liberdade, como membro de pleno direito da Tabanca Grande, para trazeres para aqui, para o nosso "Pequeno Dicionário Enciclopédico da Tabanca Grande", os vocábulos e expressões, incluindo as do quimbundo, usados pela malta no tempo da guerra colonial... A nossa língua é aberta e plástica, confesso que tenho uma paixão pelas questões linguísticas... Seria uma pena perder-se o calão e a gíria da nossa tropa em Angola, Guné, Moçambique, ams também em Cabo Verde, São Tomé, Macau, Timor...
De resto, vou voltar a Luanda em maio, tenho que refrescar o meu fraco "angolês"...
Luís,
Bom dia.
Eis mais alguns exemplos de palavras para a letra «P» do nosso dicionário:
- Paliçada(fileira de estacas);
- Parada (recinto onde se pára e onde têm lugar diversas actividades);
- Parada Militar (desfile militar);
- Paulada (bater com pau);
- Pazada (pancada com pá ou arremesso de algo colocado na pá);
- Paz-de-alma (militar indolente);
- Pórtico (obstáculo);
- Pré (vencimento);
- Promoção/promovido (passagem a posto mais elevado).
Bom domingo para todos.
Jorge Araújo.
Luís Graça, ao contrário do que se passa contigo, eu nunca prestei muito interesse ao vocabulário usado pelas NT.
Passando em revista tudo quanto aqui foi publicado relativamente a este vocabulário, parece-me que a linguagem que utilizávamos em Angola era essencialmente a mesma que vocês usavam na Guiné. Tirando a palavra "maçarico" em vez de "periquito" e alguns termos de crioulo que são específicos da Guiné e que em Angola não se usavam (por ex. "bajuda"), em Angola também se chamava "esquentamento" à blenorragia, dizia-se "mudar o óleo" em vez de "ter relações sexuais", etc. etc. O vocabulário era, portanto, quase o mesmo.
Há, porém, uma palavra que é originária de Angola, mas que também era usada em Moçambique, e que poderás, ou não, acrescentar ao vocabulário, se assim o entenderes. Refiro-me à palavra "cacimbo" e à sua derivada "cacimbado". A palavra "cacimbo" vem do quimbundo kixibu, que designa a estação seca e também a neblina e o orvalho matinal, frequentes nessa estação do ano. Existe, até, um notável blog, cuja leitura muito recomendo, do nosso camarada Manuel Correia Bastos, que foi furriel miliciano em Mueda, no norte de Moçambique, onde ficou sem uma perna por ter pisado uma mina, blog este que se chama, precisamente, Cacimbo.
A palavra "cacimbo", além dos significados dados acima, também era usada como querendo dizer "um certo desarranjo mental". Isto é, a palavra "cacimbo" não designava a loucura pura e dura, mas sim as muitas pequenas asneiras e os muitos pequenos disparates que a malta ia cometendo, e que eram frutos da saudade, da distância e da falta de juízo de quem tinha 20 anos de idade ou pouco mais. Um "cacimbado" não era um doido varrido; era alguém a quem "faltava um parafuso".
A explicação para a utilização da palavra "cacimbo" como significando "um parafuso a menos" deve residir no facto de que, no litoral de Angola (Luanda, Benguela, Moçâmedes, etc.), a estação seca é frequentemente acompanhada por um capacete de nuvens e/ou de névoa, que encobre o sol durante dias e dias, por vezes durante semanas a fio. As pessoas ficam alegadamente tão ansiosas por que o sol volte a aparecer, que começam a fazer disparates. Ficam, por isso, "cacimbadas". No interior de Angola, um tal capacete não existe e os dias são soalheiros, embora frescos (no Sul são mesmo gelados, na verdadeira aceção da palavra), mas as palavras "cacimbo" e "cacimbado" também eram utilizadas pelo nosso pessoal para a falta de juízo.
Fernando de Sousa Ribeiro, ex-alferes miliciano, C.Caç. 3535, B.Caç. 3880, Angola 1972-74
A propósito do "cacimbado", também se dizia "apanhado pelo clima".
Ainda hoje, ambos os termos são utilizados para comentar algumas atitudes disparatadas.
Valdemar Queiroz
Olá Camaradas
Parece-me que os ilustres editores deverão pôr "ordem na casa".
O que é que se pretende? É constituir um léxico militar da Guiné (dá-ouxe, Guiné minhor!) ou um comum a todos os TO daquelas PU?
E, além disso, há expressões que se usavam e faziam parte do léxico militar sem que tivessem significado especial...
Parece-me que o calão militar da Guiné é a primeira prioridade, a par de outras expressões que explicitam a maneira como comunicávamos.
Digo eu...
Um Ab.
Antóni J. P. Costa
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