sábado, 12 de janeiro de 2019

Guiné 61/74 - P19396: Pequeno Dicionário da Tabanca Grande, de A a Z, em construção: para rever, aumentar, melhorar, divulgar, comentar...


Guiné-Bissau > Região de Cacheu > Jufunco ou Djufunco > 9 de maio de 2013 > Os dois régulos locais com as suas "turpeças" que nunca largam por nada deste mundo... Dois tipos agarrados ao poder, deve ter pensado o régulo da Tabanca de Matosinhos, Zé Teixeira... Sentar-se no banquinho,. tipo tripé,  do régulo é punível com a pena... capital!... Os felupes não fazem a coisa por menos... Mas há um provérbio (dos tugas) que diz: "Quem tropeça, também cai!"... Os senhores dicionaristas do Priberam e outros não nos ligam nenhuma... Ainda não grafaram o termo, nem sabem da sua existência... Enfim, tal como ainda não descobriram que "abibe" não é uma ave pernalta, mas um novato que entra(ava) nos anos 60/70 no "ninho dos Falcões" (a BA 5, em Monte Real).

Foto (e legenda): © José Teixeira (2013). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. São cerca de meio milhar de:

(i) abreviaturas, siglas, acrónimos e termos técnico-militares usadas pelas NT (Nossas Tropas) / Forças Armadas Portuguesas:

(ii) abreviaturas, siglas e acrónimos e termos técnico-miliatres usadas pelo IN (inimigo) (guerrilha / PAIGC):

(iii) topónimos da Guiné, vocábulos e expressões etnográficas e/ou em crioulo e línguas gentílicas

(iv) vocábulos e expressões da gíria ou calão tanto do IN como das NT...

É um pequeno património linguístico que já não nos pertence... Alguns destes vocábulos já estão grafado pelos dicionaristas... Outros poderão vir a sê-lo, se não caírem em desuso.. São quinze anos a blogar, o que dá sete comissões no TO da Guiné... Pequeno dicionário, de A a Z, em construção, com o contributo de todos os amigos e camaradas da Guiné (*) que se sentam aqui à sombra do nosso poilão, e que até até têm um livro de estilo (**)... Mas falta-nos "a gíria e o calão" de outras armas como as da Marinha...Infelizmente temos poucos marinheiros e fuzileiros na Tabanca Grande.

Quanto ao resto (e nomeadamente ao uso de um "calão" mais grosseiro), é bom lembrar que o nosso blogue não é politicamente correto, justamente porque é plural, é um rio com muitos afluentes... Aos nossos amigos e camaradas mais "sensíveis", incluindo os nossos  amigos guineenses, pedimos desculpa de "qualquer coisinha"... LG


Pequeno Dicionário da Tabanca Grande,   de  A a Z... Em construção, desde 2007:


1º Cabo Aux Enf – 1º cabo auxiliar de enfermagem

2TEN FZE RN - 2º Tenente Fuzileiro Especial da Reserva Naval (Marinha)

5ª Rep - Café Bento, o ‘mentidero’ de Bissau

A/C - Mina anticarro

A/D - Autodefesa (tabanca em)

A/P - Mina antipessoal

AB - Alfa Bravo ou alfabravo, abraço (alfabeto fonético internacional, usado pelos nossos Op Trms)

Abibe - Novato na BA 5 (Monte Real) (FAP)

Abo - Você, tu (crioulo)

ACAP - Assuntos Civis e Acção Psicológica (REP / ACAP) 

AD - Acção para o Desenvolvimento - ONGD guineense que teve a marca histórica da liderança do Pepito (1949-2014)

ADFA - Associação dos Deficientes das Forças Armadas (posterior ao 25 de Abril)

Aero - Aerograma, carta, bate-estrada, corta-capim

Afilhado - Militar que tinha uma madrinha de guerra

Água de Lisboa – Vinho (da intendência) (gíria)

Água do Geba (Beber a) - Apaixonar-se pela Guiné

Agr - Agrupamento

AKA - Kalash, Espingarda Automática Kalashnikov (AK) Cal. 7,62 mm (PAIGC)

AL II - Alouette II, helicóptero, de origem francesa (FAP)

AL III - Helicóptero Alouette III, de origem francesa (FAP)

Alf - Alferes

Alf Mil - Alferes Miliciano

Alf Mil Med - Alferes miliciano médico

Alfa Bravo - Abraço

Alfero - Alferes (crioulo)

AM - Academia Militar (antecessora: Escola do Exército)

Amura - Velha fortaleza militar colonial, em Bissau; sede do Com-Chefe; hoje Panteão Nacional da Guiné-Bissau

AN/GRC-9 - Rádio, equipamento de transmissões

AN/PCR-10 - Rádio transmissor-receptor

Animistas - Povos (balantas, manjacos e outros) que praticam o culto dos irãs

Anti-Aérea ZPU-4 - Anti-aérea  quádrupla, de 14,5 mm (PAIGC)[Também tinham peças AA de 37 mm e, depois, o Strela, em 1973]


Anti-G - Fato que ajudar a suportar os Gês (FAP)

AOE - Associação de Operações Especiais

Ap - Apontador

Ap Arm Pes Inf - Apontador de Armas Pesadas de Infantaria (morteiro, canhão s/r, metralhadora 12.7...)

Ap Dil - Apontador de Dilagrama

Ap LGFog - Apontador de Lança-granadas-foguete

Ap Met - Apontador de Metralhadora

Apanhado - Diz-se do combatente afectado pela guerra e pelo clima; cacimbado (em Angola)

Arre-macho - Tropa de infantaria, tropa-macaca (termo depreciativo, usado pelas tropas especiais)

Arv - Arvorado (Soldado)

ASCO - Aly Souleiman & Ca - Casa comercial, de origem sírio-libanesa, com sede em Bissau e filiais no interior, incluindo Gadamael.

Asp Of Mil - Aspirante a Oficial Miliciano

At Art - Atirador de Artilharia

At Cav - Atirador de Cavalaria

At Inf - Atirador de Infantaria

ATAP - Missão resultante de um pedido de fogo imediato, com a saída da parelha de alerta; ataque em alerta (FAP)

ATIP - Missão de apoio de fogo, pré-planeada; ataque independente (FAP)

ATIR - Ataque e reconhecimento (FAP)

BA12 - Base Aérea nº 12 (Bissau, Bissalanca)

BAC1 – Bataria de Artilharia de Campanha nº 1, mais tarde GA7

Bacalhau - Aperto de mão

Badora – Regulado da região de Bafatá; morteiro 120 mm (PAIGC)

Baga baga – Termiteira (crioulo)

Baguera - Abelha (crioulo); ‘Baguera, baguera’!!!, era a expressão de aflição dos africanos quando atacados por abelhas, no mato

Bailarina – Mina A/P que rebentavam acima do solo, a meia altura.

Bajuda - Rapariga, donzela, moça virgem (crioulo; lê-se badjuda)

Balafon - Instrumento da música afro-mandinga, antecedor do xilofone (crioulo)

Balaio - Cesto grande (crioulo)

Balanta Mané - Balanta islamizado

Banana - Rádio, equipamento de transmissões, AVP-1

Bandalho – Membro do “Bando do Café Progresso”, do Porto, tertúlia de ex-combatentes da Guiné

Bandim - Mercado de Bissau

Bandoleira - Correia permitindo o transporte de uma espingarda ao ombro ou a posição de tiro a tiracolo

Barraca - Acampamento temporário no mato (PAIGC)

BART - Batalhão de Artilharia

Básico - Soldado dos serviços auxiliares (afeto sobretudo à cozinha)
Batata - Nome de guerra do ten pilav António Martins de Matos (BA12, Bissalanca, 1972/74), autor de "Voando sobre um ninho de Strelas" (Lisboa: 2018)

Bate-estrada - Aerograma, carta, corta-capim

Bazuca (i)- LGFog (lança-granadas foguete, 8,7 cm); cerveja de 0,6 l (gíria)

Bazuca (ii) - Alcunha, na Academia Militar, do cap cav Fernando José Salgueiro Maia



Guiné > Região de Bafatá > Galomaro > CCS/BCAÇ 3872 (Galomaro, 171/74)

Binta, a bajuda mais bonita de Galomaro e arredores. Foto da coleção de Juvenal Amado (ex-1.º Cabo Condutor Auto Rodas da CCS/BCAÇ 3872, Galomaro, 1971/74), autor do livro "A Tropa Vai Fazer de ti um Homem".

Foto (e legenda): © Juvenal Amado (2014). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

Bazuca China - Lança Granadas-Foguete RPG-2 (PAIGC, gíria)

BCAÇ - Batalhão de Caçadores

BCAV - Batalhão de Cavalaria

BCP - Batalhão de Caçadores Paraquedistas (o BCP nº 12 esteve na Guiné, o nº 21 em Angola e os nºs 31 e 32 em Moçambique)


Bêbeda - Alcunha dada à viatura Fox MG-36-24, que pertenceu aos Pipas, foi sendo sucessivamente rebaptizada: Bêbeda, Diabos do Texas; esteve em Guileje desde 1965 a 1973.
BENG - Batalhão de Engenharia

BENG 447 – Batalhão de Engenharia nº 447, Bissau

Bentém - Banco, baixo, onde os homens grandes se sentam, a conversar, em geral, sob um poilão (crioulo)

Biafra - Clube de Oficiais, no Quartel General, em Santa Luzia, Bissau; Bar dos pilotos, na BA12, Bissalanca (gíria)

Bianda - Comida; arroz, base da alimentação da população na época (crioulo)

Bicha de pirilau - Progressão, em fila, no mato, mantendo cada homem uma distância regulamentar (gíria)

Bideiras - As vendedeiras ambulantes, que andam nas ruas Bissau (crioulo)

Bigrupo - Força IN equivalente a c. 40 homens (PAIGC)

BINT - Batalhão de Intendência

Bioxene – Álcool; estar com os copos (gíria)

Blufo - Rapaz balanta não circuncidado; rapaz inexperiente (crioulo)

Boinas Negras - Fuzileiros

Boinas Verdes - Paraquedistas

Boinas Vermelhas - Comandos (depois de 1974); na Guiné, usavam a boina castanha do exército

Bolanha - Terreno alagadiço, próprio para a cultura do arroz (cioulo)

Bombolom - Intrumento musical, feito a partir do tronco de uma árvore; instrumento tradicional de comunicação entre aldeias balantas e manjacas (crioulo)

Bonifácio - Obus 11,4 cm, TR m/917, da I Guerra Mundial (termo da gíria dos artilheiros)

BOP - Bombardeameno a picar (FAP)

BOR - Embarcação civil, que navegava no Geba, com umas estranhas pás na popa

Brandão - Família da região de Tombali (Catió), mas também de Bambadinca (região de Bafatá)

Bué - Muito, manga de (Não vem de Boé; termo do quimbundo de Angola; não se usava no nosso tempo) (gíria)

Bunda - Cú, traseiro (crioulo)

Burmedjus - Mulatos, mestiços, crioulos, cabo-verdianos (crioulo)

Burrinho - Viatura automóvel Unimog 411, a gasolina (mais pequena que o 404, a gasóleo) (NT) 





Guiné > Região de Tombali > Guileje > A Fox MG-36-24, que pertenceu aos Pipas, foi sendo sucessivamente rebaptizada: Bêbeda, Diabos do Texas... (Bêbeda, porque possivelmente gastava... "cem aos cem"!)...

Segundo Nuno Rubim, "a matrícula da Fox é a mesma que consta numa fotografia tirada por elementos do PAIGC em 25 de maio de 1973, quando ocuparam o quartel, três depois depois do seu abandono por ordem do comandante do COP 7. Portanto a Bêbeda ( que  fica para a história, representada com essa mesma inscrição no diorama de Guileje, que foi construído por Nuno Rubim para o Núcleo Museológico Memória de Guiledje ....) terá servido desde 1965 até 1973, integrada nos sucessivos Pel Rec Fox que por lá passaram"... A foto de baixo  foi gentilmente cedida pelo Teco (Alberto Pires), da CCAÇ 726.

Fotos (e legendas): © Nuno Rubim (2007). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís GRça & Camaradas da Guiné]



Cá bai - Não vai (crioulo)

Cabaceira - Árvore e fruto do embondeiro (não confundir com Poilão) (crioulo)

Cabaço - Hímen, virgindade (crioulo)

Cabeça Grande - Bebedeira (crioulo)

Cabo Aux Enf - 1º Cabo Auxiliar de Enfermeiro

Cabo Enf - 1º Cabo Enfermeiro

Caco / Caco Baldé - Alcunha do Gen Spínola (mas também 'Homem Grande de Bissau', 'O Velho', 'O Bispo'; caco, de monóculo; Baldé, apelido frequente entre os fulas)

Cães Grandes - Oficiais superiores

Chabéu – Dendê (fruto); prato típico da GB, de peixe ou carne, feito com óleo de palma (etimologia: do crioulo "tche bém")

Cal - Calibre

Camarigo - Camarada e Amigo (por contracção); criada na Tabanca Grande

Cambar - Atravessar um rio (crioulo)

Candongas - Transporte colectivo privado, usado hoje no interior da Guiné Bissau

Canhão s/r - Canhão Sem Recuo

Canhota - A espingarda automática G3

CAOP - Comando de Agrupamento Operacional

CAOP1 - Comando de Agrupamento Operacional nº 1

Cap - Capitão

Cap Mil - Capitão Miliciano

Cap QP - Capitão do Quadro Permanente

Capim - Nome comum de planta gramínea, típica da savana arbustiva; graveto, dinheiro (gíria)

Capitão-proveta - Cap Mil, oriundo do CPC (gíria)

Carecada - Castigo disciplinar, imposto pelo superior hierárquico, e que consistia no corte de cabelo à máquina zero (gíria)

CART - Companhia de Artilharia

Casa Gouveia - Principal empresa colonial, fundada por António da Silva Gouveia em finais do Séc. XIX: em 1927 é adquirida pela CUF.

Catota - Orgão sexual feminino; partir catota = ter relações sexuais (crioulo, calão)

Cavalos duros - Feridas no pénis e órgãos genitais e até na boca e no ânus, sintomas de doença venérea (calão)

Cavalos moles - Sintomas de sífilis, doença venérea (fendas no pénis) (calão)

CCAÇ - Companhia de Caçadores

CCAÇ I - Companhia de Caçadores Indígenas

CCAV - Companhia de Cavalaria

CCM - Curso de Capitães Milicianos

CCmds - Companhia de Comandos

CCP - Companhia de Caçadores Paraquedistas

CCS - Companhia de Comando e Serviços

CEME - Chefe do Estado Maior do Exército

CEMGFA - Chefe do Estado Maior General da Força Aérea

Cento e vinte - Morteiro pesado, de 120 mm

Cesca - Pistola de 7,65 mm, de origem checoslovaca (PAIGC)

CFA - Franco da Communauté Francofone Africaine, moeda actual da GB (1 Euro = 655,597 CFAA)

CFORN - Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval (Marinha)

Chão - Território étnico (vg, chão fula)

CHASE - Em formação, atrás de (FAP)

Checa - Pira, periquito (em Moçambique), maçarico (Angola)

Checklist - Livro de notas do piloto (FAP)

Chipmunk - Avião de treino, de dois lugares, monomotor, de origem canadiana (FAP)

Choro - Conjunto de rituais celebrados por ocasião do falecimento de uma pessoa, parente ou vizinho (sobretudo entre os animistas) (crioulo)

Cibe - Palmeira; utilizam-se rachas de cibe como barrotes na construção; é resistente à formiga baga-baga (crioulo)

Cilinha - Nome de guerra de Cecília Supico Pinto, a fundador e líder histórica do MNF – Movimento Nacional Feminino

Cipaio - Elemento nativo da polícia

Circuncisão - Vd. Fanado. Havia/há a circuncisação masculina e a feminina. Vd. MGF.

CISMI - Centro de Instrução de Sargentos Milicianos de Infantaria (Tavira)

CM - Cabo de Manobra (Marinha)

Cmd - Comando

Cmdt - Comandante

COE - Curso de Operações Especiais

COM - Curso de Oficiais Milicianos

Com-Chefe - Comando-Chefe

Conversa giro - Fazer amor, ter relações sexuais (crioulo)

COP - Comando Operacional

COP7 - Comando Operacional 7

Cor - Coronel

Corpinho - Sutiã, soutien (crioulo)

Corpo di bó - Como estás ? (crioulo)


Corta-capim - Aerograma, carta, bate-estrada (gíria)

Costureirinha - Pistola metralhadora PPSH (PAIGC) (gíria)

CPC - Curso de Promoção a Capitão do Quadro Complementar

CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

CSM - Curso de Sargentos Milicianos

CTIG - Comando Territorial Independente da Guiné

CUF - Companhia União Fabril (representada, na Guiné,  pela Casa Gouveia)

Cupilom - Pilão, bairro popular atravessado pela estrada para o aeroporto; Cupelon, Cupilão

Dari - Chimpanzé (da mata do Cantanhez) (crioulo)

DC 3 - Avião de trasporte (FAP)

DC 6 - Avião de transporte (FAP)

DCON - Missão de acompanhamento (FAP)

Degtyarev - Metralhadora ligeira 7,62 mm, de origem soviética (PAIGC)

Degtyarev-Shpagim - Metralhadora pesada 12,7 mm, de origem soviética (PAIGC)

Desenfianço - Escapadela (por ex., até Bissau) (gíria)

Dest - Destacamento

Dest A - Destacamento A

DFA - Deficiente das Forças Armadas

DFE - Destacamento de Fuzileiros Especiais

Diorama - Maqueta a 3 dimensões (v.g., aquartelamento de Guileje)

Djídio (ou gigio) - Cantor ambulante que ia de tabanca em tabanca, transmitindo as notícias (crioulo)

Djila - Vd. Gila

Djubi - Olha! (crioulo), mas também criança, menino

DO 27 - Dornier 27 (Avioneta), avião ligeiro de transporte (Fap

Drone - Máquina voadora não tripulada (não existia no nosso tempo) (FAP)

Drop Tanks - Depósitos de combustível (FAP)

ECS - Escola Central de Sargentos (Águeda)


EE - Escola do Exército (antecessora da AM - Academia Militar)


Embondeiro - Cabaceira, baobá (Senegal)

Embrulhanço - Contacto pelo fogo com o IN, ataque, emboscada (gíria)

Embrulhar - Ser atacado (pelo IN) (gíria)

Enf - Enfermeiro

Enf Para - Enfermeira paraquedista

Engine Master - Botão principal de uma aeronave (FAP)

EP - Exército Popular (PAIGC)


EPA - Escola Prática de Artilharia (Vendas Novas)

EPC - Escola Prática de Cavalaria (Santarém) 

EPI - Escola Prática de Infantaria (Mafra), também conhecida por Máfrica
EREC - Esquadrão de Reconhecimento [de Cavalaria]

Esp - Espingarda

Esp Aut - Espingarda Automática

Esp MMA - Especialista Mecânico de Manutenção Aeronáutica (FAP)

Esq - Esquadrão

Esq Mort - Esquadrão de Morteiro

Esquadra - Organização militar de aeronaves (FAP)

Esquadra 121 Tigres - Constituída por Fiat-G 91, T-6 e DO-27 (BA 12, Bissalanca) (FAP)

Esquadra 122 - Heli AL III (BA12, Bissalanca) (FAP)

Esquadra 123 - Nord Atlas e DC-3 (BA12, Bissalanca) (FAP)

Esquentamento - Blenorragia, doença venérea (corrimento de pus pela uretra) (calão)

Estilhaços de frango - Pouca comida (gíria)

F86 Sabre  - Avião a jato, supersónico, que chegou a operar na Guiné, entre 1961 e 1965. Foi retirado por pressão dos norte-americanos. Foi substituído em 1966 pelo Fiat G-91.


Fala mantenha - Partir mantenha, cumprimentar, saudar (crioulo)

Fanado - Festa da circuncisão, ritual de passagem da puberdade para a vida adulta (crioulo)

Fanateca - Mulher que pratica a MGF – Mutilação Genital Feminina (crioulo)

FARP - Forças Armadas Revolucionárias do Povo, a elite combatente do PAIGC

FBP - Fábrica Braço de Prata; também nome dado a uma pistola metralhadora portuguesa, usada no início da guerra, feita na FBP

Ferrugem - Serviço de Material; termo depreciativo, para o pessoal não-operacional, ligado ao SM) (gíria)

Festa, festival - Ataque aparatoso, ou flagelação, do PAIGC a aquartelamento ou destacamento das NT (gíria)

Fiju (lê-se: fidju) - Filho (crioulo)


Fiju di tuga - Filho de português (crioulo)(Há uma associação, em Bissau, com este nome)

Filhos do Vento - Filhos de militares portugueses, sem reconhecimento da paternidade nem da nacionalidade  


Firma - Estar, ficar, morar (crioulo)

Firminga - Formiga (crioulo)

Fogo de artifício - Flageações ou ataques, a aquartelamentos ou destacamentos vizinhos, vistos de longe (gíria)

Fornilho - Armadilha com cordão de tropeçar

Fotocine - Operador de imagem (fotografia e cinema); destacamento


Fur - Furriel

Fur Enf - Furriel Enfermeiro

Fur Mil - Furriel Miliciano

Fuzos - Fuzileiros especiais

FZE - Fuzileiro Especial (Marinha)

G3 - Espingarda Automática G-3

Gaita à bandoleira (Andar de) - Ter uma doença sexualmente transmissível, em geral blenorragia (ou 'esquentamento') (calão)

GB - Guiné-Bissau

Gen - General

Genti di mato - Turras, população sob controlo do IN (crioulo)

Gês - Força da gravidade (FAP)

Gila (lê-se djila) - Comerciante, vendedor ambulante, contrabandista (que circula pela Guiné e países vizinhos)

GMC - Viatura automóvel pesada, de rodado duplo atrás, de fabrico americano

GMD - Granada de Mão Defensiva

GMO - Granada de Mão Ofensiva

Gorro Novo - Metralhadora Pesada Goryounov, Cal 7,62 mm M-943 SG (PAIGC, gíria)

Gosse, gosse - Depressa (vg, retirar no gosse, gosse) (crioulo)

Gouveia - Casa comercial ligada ao grupo CUF

Gr Comb - Grupo de Combate; pelotão

Gr Comb (-) - Grupo de Combate desfalcado

Gr Comb (+) - Grupo de Combate reforçado

Gr M Of - Granada de mão ofensiva

Grã-tabanqueiro - Membro da Tabanca Grande (blogue)

Heli - Helicóptero

Helicanhão - Helicóptero armado com canhão de 20 mm (vd. Lobo Mau)(FAP)

HK 21 - Metralhadora Ligeira

HM 241 - Hospital Militar nº 241, Bissau

HMP - Hospital Militar Principal (Estrela, Lisboa)

Homem Grande - Chefe de Família (crioulo)

IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional

IN - Inimigo; guerrilheiros e população sob o seu controlo

INT - Intendência

Ir no mato - Fugir (ou ser levado) para uma zona controlada pelo PAIGC (crioulo)

Irã - Ser sobrenatural que, para os animistas (balantas, papéis, manjacos, etc.) habita as florestas (e em especial os poilões) (crioulo)

Jacto do Povo - Foguetão 122 mm; Graad (PAIGC, gíria)

Jagudi - Abutre (crioulo)


Jamara (lê-se:djarama) - Obrigado (fula)

Jambé (lê-se djambé) - Instrumento de percussão africano, em forma de cálice invertido (crioulo)

Kacur - Cachorro (crioulo)


Guiné > Região do Boé > Madina do Boé > CCAÇ 1589/BCAÇ 1894 (Nova Lamego e Madina do Boé, 1966/68). > Uma Kalash, ou Aka, capturada ao PAIGC...

Foto do álbum fotográfico do nosso camarada Manuel Caldeira Coelho, ex-fur mil trms, CCAÇ 1589 (Nova Lamego e Madina do Boé, 1966/68).

Foto (e legenda): © Manuel Coelho (2011). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar:  Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Kalash - Espingarda Automática AK 47 (PAIGC)

Kasumai - Saudação em dialecto felupe

Kora - Instrumento musical mandinga, de cordas, tipo cítara, inventado pelos antepassados do mestre Braima Galissá (músico do Gabu, a viver em Portugal) (crioulo)

Lassas - Abelhas selvagens; alcunha por que era conhecido, pelo PAIGC, o pessoal da CCAÇ 763 (Cufar, 1965/66)

LDG - Lancha de Desembarque Grande (Marinha)

LDM - Lancha de Desembarque Média (Marinha)

LDP - Lancha de Desembarque Pequena (Marinha)

Lerpa - Jogo de cartas, geralmente a dinheiro (gíria)

Lerpar - Perder (à lerpa), apanhar um castigo, morrer (gíria)

LFG - Lancha de Fiscalização Grande (Marinha)

LGFog - Lança-granadas-foguete, bazuca

Lifanti - Elefante (crioulo)

Lion Brand - Conhecida marca de repelente de mosquitos

Lobo Mau - Helicanhão (FAP) (gíria)

Lubu - Hiena (crioulo)

MA - Minas e Armadilhas

Macacada - Tropa, forças do Exército, tropa-macaca (gíria)

Macaco-cão - Babuíno (Macaco Kom, em crioulo)

Macaréu - Vaga impetuosa que, no Rio Geba, precede o começo da praia-mar. É mais sentida no Geba Estreito, a partir da foz do Rio Corubal.

Maçarico - Pira, periquito (Guiné); checa (Moçambique); termo mais usado em Angola

Mach - Velocidade do som (FAP)

Madrinha - Madrinha de guerra, jovem do sexo feminino, maior de 16 anos, que se correspondia com um militar no Ultramar

Mafé - Acompanhamento da bianda, conduto (muitas vezes, peixe, peixe seco, kasseké) (crioulo)

Maj - Major

Maj gen - Major general [antes equivalia o posto de brigadeiro, desde 1999, o primeiro posto permamente de oficial general, imediatamente inferior a tenente-general; tem 2 estrelas]
 

Mama firme - Peito direito (bajuda) (crioulo)

Mancarra - Amendoím (crioulo)

Manga de ronco – Grande festa; sucesso militar (crioulo e gíria)

Manga de sakalata - Muita confusão, muitos sarilhos (crioulo e gíria)

Manga di chocolate - Barulho, grande ataque, com muito fogachal, embrulhanço; corruptela de Manga di sakalata (gíria)

Mantenha(s) - Saudades, lembranças, cumprimentos (crioulo); fala mantenha, partir mantenhas = saudar.
[Da locução portuguesa (que Deus te) mantenha)]

"mantenha", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/mantenha [consultado em 12-01-2019].


Marabu - Sacerdote muçulmano, de vida ascética, considerado sábio e venerado como santo, tanto em vida como depois da morte

Mário Soares - Famoso comerciante de Pirada, de quem se dizia que trabalhava para os "dois lados"


Marmita - Mina A/C (Moçambique, Cancioneiro do Niassa)

Matador - Veículo automóvel pesado usado como reboque do obus (e transporte de tropas)

Mato (i) - Muito, grande quantidade, manga de (expressão comum, ´É mato') (gíria)

Mato (ii) - Zona de guerra, zona de controlo do PAIGC

Mec Aut - Mecânico de viaturas automóveis

Med - Médico (vg, Alf Mil Med)

Meta - Bar e salão de jogos, em Bissau, no tempo colonial

Metro e oito - Alcunha do Ten Cor Manuel Agostinho Ferreira (BCAÇ 2879, 1969/71)

MG 42 - Espingarda-metralhadora, de origem alemã (usada por páras e fuzos)

MGF - Mutilação Genital Feminina; excisão do clitóris e grandes lábios; fanado

MiG 17 - Avião de combate de origem russa, supersónico (que o PAIGC nunca chegou a ter)

Mil - Miliciano; milícias [vd. Pel Mil]

Mindjer - Mulher (crioulo) 


Mindjer Garandi - Mulher grande (crioulo)
Minino - Menino, rapaz (crioulo). Vd. também djubi ou jubi. 

Misti - Querer, queres (bo misti) (crioulo)

ML - Met Lig / Metralhadora Ligeira

MNF - Movimento Nacional Feminino (fundado em 1961 por Cecília Supico Pinto, a Cilinha)

Morança - Casa, núcleo habitacional de uma família, alargada, com o respectivo chefe (de morança) e em geral com uma cercadura (crioula) 




Guiné> Região de Tombali > Guileje > CCAÇ 726 (1964/64 >  O temível morteiro 81, o "botabaixo" (, em manobrado, fazia razias entre o pessoal atacante, num raio até 6 km).

Foto (e legenda): © Alberto Pires (Teco) (2007). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar:  Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Mort - Morteiro

Mort 81 - Morteiro 81 mm; alguns tinham 'nomes de guerra' como o 'Bota Abaixo'

Mort 82 - Morteiro 82 mm (PAIGC)

Morteirete - Morteiro ligeiro, de calibre 60 (mm), podendo ser usado sem prato

MP - Met Pes / Metralhadora Pesada

MSG - Mensagem

Mudar o óleo - Ir às... putas (calão)

Mulas - Sintomas de sífilis, doença venérea (inchaços nas virilhas) (calão)

Mun - Municiador

Mun Mort - Municiador de morteiro

N/M - Navio da Marinha

Nharro - Africano; preto (crioulo, calão, na altura com sentido pejorativo, racista)



Guiné-Bissau > Região de Tombali > Iemberém> Simpósio Internacional de Guileje > 1 de Março de 2008 > Grafito com o desenho nalú do irã protector da tabanca, o Nhinte-Camatchol, e que foi o logótipo do Simpósio, organizado pela AD -Acção para o Desenvolvimento, o INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesqusias, e UCB - Universidade Colinas do Boé. 

"O Nhinhe Camatchol é uma escultura dos nalus do Cantanhez usado na festa do fanado. Representa uma cbeça de pássaro com rosto humano, sendo a mensagem aos participantes deste ritual de iniciação à vida adulta a seguinte: que todos eles passam a considerar-se como verdadeiros irmãos, mais verdadeiros que os próprios irmãos biológicos. O que deve ser entendido como a afirmação do interessse colectivo, comunitário, acima do interesse dos indivíduos e das famílias. Orginalmente esta máscara não poderia ser vista pelos não iniciados, sob pena de morte" (Campredon, Pierre – Cantanhez, forêts sacrées de Guinée-Bissau. Bissau,Tiguena. 1997, pp. 32-33). 


Foto (e legenda): © Luís Graça  (2008). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Nhinte-Camatchol - O grande irã dos nalus na Floresta do Cantanhez

Ninhos - Entrada gastronómica com camarão, ovo e tomate, servida no Pelicano (gíria)

NM - Número mecanográfico (do militar)

NNAPU - Normas de Nomeação e de Apoio às Províncias Ultramarinas



Nord Atlas - Avião de Transporte (FAP)

NRP - Navio da República Portuguesa

NT - Nossas Tropa

OB - Oscar Bravo, obrigado (gíria)

Obus 14 - Obus, de calibre 14 cm

Oitenta - Morteiro de calbibre 81 (o PAIGC tinha o 82)

ONG - Organização não-governamental

Onze quatro - Peça de artilharia, de calibre 11,4 cm

Op - Operação (vg., Op Lança Afiada); operador)

Op Cripto - Operador Cripto

Op Esp - Operações especiais ou ranger

P2V5 - Avião de luta anti-sumarina, também usado no Guiné, no início da guerra, para ataque ao solo

Pachanga - Pistola-Metralhadora SHPAGIN Cal 7,62 mm M-941 (PPSH) (PAIGC);  costureirinha (gíria)

PAI - Partido Africano para a Independência, fundado em 1956

PAIGC - Partido Africano Para a Indepência da Guiné e Cabo Verde

Panga bariga - Caganeira (crioulo)

Parafusos - Familiares, amigos ou vizinhos de paraquedistas ou de fuzileiros, convivendo com ambos

Páras - Paraquedistas

Parte peso - Dá-me dinheiro (crioulo)

Partir catota - 'Dar o pito' (expressão nortenha); ter relações sexuais (a mulher com o homem) (calão)

Partir punho - Ser masturbado por outrem, à mão (crioulo, calão)

Pastilhas - Enfermeiro (em geral, Fur Enf) (gíria)

Patacão - Dinheiro, pesos (crioulo)

Pau de Pila - Lança Granadas-Foguete Pancerovka P-27 (PAIGC, gíria)

PC - Posto de Comando

PCV - Posto de Comando Volante 


Peça 11,4 - Peça de artilharia, de calibre 11,4 cm

Peça M-130 - Peça de artilharia de longo alcance, da Guiné-Conacri, usada em ataques fronteiriços pelo PAIGC-

Pel Caç Nat - Pelotão de Caçadores Nativos

Pel Can s/r - Pelotãod e Canhão sem recuo

Pel Mil - Pelotão de Milícias

Pel Mort - Pelotão de Morteiros

Pel Rec Daimler - Pelotão de Reconhecimento Daimler (Cavalaria)

Pel Rec Fox - Pelotão de Reconhecimento Fox (Cavalaria)

Pel Rec Info - Pelotão de Reconhecimento e Informação

Pelicano – Café. restaurante e esplanada de Bissau, junto ao estuário do Geba, na marginal do tempo colonial

Peluda - Vida civil (depois da tropa)(gíria) 


Perintrep - Periodic Intelligence Report

O Perintrep era uma documento classificado, elaborado pela 2ª Rep/QG/ComChefe/Guiné (, chefiada, no final da guerra, por Artur Baptista Beirão, ten cor inf) (1925-2014). Era elaborado a partir de notícias recebidas (Relim) durante um período semanal, indicando-se sempre a origem ou o órgão da fonte da notícia. O documento, classificado, chegava até aos comandantes operacionais (nível de companhia), que o tinham de incinerar no prazo de 72 horas... As informações nele contidas, devidamente selecionadas, podiam ser (ou não) partilhadas depois com os subordinados, individualmente ou em grupo.







Reprodução (parcial) do Perintrep nº 12/74, relativo ao período de 17 a 24 de março de 1974. Documento (digitalizado) por Nuno Rubim (2016) / Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2016)

Periquito - Militar novato; pira, piriquito (sic)

Peso - Unidade da moeda local; escudo guineense (no tempo colonial) (crioulo)

PG - Prisioneiro(s) de Guerra

Piçada - Repreensão de um superior (gíria)

Picador - Soldado ou milícia que faz a picagem

Picagem - Deteção de minas e armadilhas num trilho ou picada

PIDE/DGS - Polícia política portuguesa

PIFAS - Programa de Informação das Forças Armadas

Pil - Piloto (miliciano)

Pilão - Bairro popular de Bissau, muito frequentado pelas NT nas horas de lazer

Pilav - Piloto aviador, saído da Academia Militar (Os milicianos são apenas Pil) (FAP)

PINT - Pelotão de Intendência

Pira - Periquito, militar recém-chegado à Guiné; maçarico (Angola); checa (Moçambique)

Piurso - Pior que um urso, zangado (gíria)

Poilão - Designação comum a algumas árvores da família das bombacáceas. Ceiba Pentandra (crioulo)

Ponta - Herdade, exploração agrícola (crioulo)

Pop - População

Porrada - Contacto com o IN; punição disciplinar (gíria)
PPSH - Metralhadora ligeira, 7,72 mm (PAIGC; a famigerada 'costureirinha' (gíria)

Psico - Acção psicológica e social das NT junto da população (também Psique)

QG - Quartel General

QG/CCFAG - Quartel General do Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné), na Amura

QG/CTIG – Quartel General do Comando Territorial Independente da Guiné, em Santa Luzia 


QEO - Quadro Especial de Oficiais

QP - Quadro Permanente (Pessoal)

Quarteleiro – 1º cabo de manutenção de material

Quebra-costelas - Abraço, AB, Alfa Bravo (gíria, de origem alentejana)

Quico - Boné especial da tropa

Rabecada - Vd. piçada (gíria)

Racal - Equipamento portátil, de origem americana, podendo ser usado em viaturas e aviões, transmitindo em fonia entre as frequências de 38 a 54,9 Mc/s.

RAL - Regimento de Artilharia Ligeira

RCacheu - Rio Cacheu

RCorubal - Rio Corubal

RCumbijã - Rio Cumbijã

RDM - Regulamento de Disciplina Militar

Ref - Militar na Reforma

Reforço - Aumento das medidas de segurança dos nossos aquartelamentos

Reordenamento - Aldeia estratégica, construída pelas NT, reagrupando uma ou mais tabancas

Rep - Repartição (do Quartel-General)

REP / ACAP - Repartição do QC / Assuntos Civis e Acção Psicológica

Res - Militar na Reserva

RFOTO - Reconhecimento fotográfico (FAP)

RGeba - Rio Geba

RI - Regimento de Infantaria

RN - Reserva Naval (Marinha)

Rockets - Granadas lançadas pelo RGP 2 ou RPG 7 (PAIGC)

Rôz kuntango - (ou simplesmente Kuntango) Arroz cozinhado (bianda) sem máfé (crioulo)

RPG - Lança-granadas-foguete (PAIGC): havia o 2 e o 7

RVIS - Voo de reconhecimento aéreo (FAP)

SA-7 - Míssil Sam-7, Strela, de origem russa (PAIGC)

Sabe sabe - Gostoso (crioulo)

Sakalata - Confusão, conflito, chatice (crioulo)

Salgadeira - Urna funerária, caixão (gíria)

SAM - Serviço de Administração Militar

Sancu - Macaco (crioulo)

Sec - Secção; equipa (Um Gr Comb ou pelotão era composto por 3 Sec)

Setor L1 - Setor 1 da Zona Leste (Bambadinca, Região de Bafatá)

Sexa - Sua Excelência, mas também Sexagenário

SGE - Serviço Geral do Exército; oficiais oriundos da classe de sargentos

Siga a Marinha - Embora, vamos a isto! (gíria)

Sintex - Pequena embarcação, de fibra, com mortor fora de bordo, de 50 cavalos, usado para cambar um rio; parecia uma banheira (NT)

SM - Serviço de Material (vd. Ferrugem)

SNEB - Rocket antipessoal, de calibre 37 mm, que equipava o T-6 e que também era usado pelos paraquedistas e demais tropas como LGFog

Sold - Soldado

Sold Arv - Soldado Arvorado

Solmar - Cervejaria de Bissau, do tempo colonial

SPM - Serviço Postal Militar

Srgt - Sargento

STM - Serviço de Transmissões Militares

Strela - Flecha, em russo (стрела); míssil russo terra-ar SAM 7

Suma - Como, igual (crioulo)
Supintrep - Relatório de informação suplementar (Vd. Perintrep)

Supositório - Granada de obus (gíria) 





Guiné > Bissau > Bissalanca > BA 12 > Fiat G-91 R4: linha da frente da esquadra 121, "Os Tigres"


Foto (e legenda): © Mário Santos (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar:  Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


T/T - Navio de Transporte de Tropas (v.g., T/T Niassa, T/T Uíge)

T6 - Avião bombardeiro, monomotor; equipado c/ lança-roquetes e metralhadora (NT)

Tabanca - Aldeia (crioulo); mas também morança, cubata, casa: mas também tertúlia (v.g., Tabanca de Matosinhos)

Tabanca Grande – A mãe de todas as tabancas ou tertúlias de antigos combatentes da Guiné (v.g., Tabanca de Matosinhos, Tabanca do Centro, Tabanca da Linha, Tabanca dos Melros, Tabanca da Maia, Tabanca do Algarve, Tabanca da Lapónia, etc.) 

Tarrafe - Vegetação aquática, típica das zonas ribeirinha

Taufik Saad - Casa comercial, de origem libanesa, em Bissau


Taxy Way - Caminho de rolagem (FAP)

Tchora - Chorar (crioulo)

Tem manga di sabe sabe - Muito gostoso (crioulo)

Ten - Tenente

Ten Cor - Tenente-Coronel

Ten Gen - Tenente General, antigo general de 
3 estrelas [Posto reintroduzido no Exército Português em 1999, em substituição do posto de general de 3 estrelas; é a mais alta patente de oficial general no ativo, já que os postos superiores são apenas funcionais ou honoríficos: por exemplo, chefe do estado maior general].

Tertúlia – Tabanca Grande

TEVS - Transporte em evacução (FAP)

Tigre de Missirá - Nome de guerra (Alf Mil Beja Santos, Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70)

Tigres - Esquadra de Fiat G-91, na BA 12

TN - Território nacional

TO - Teatro de Operações

Toca-toca - Transporte colectivo, privado, nas zonas urbans da Guiné-Bissau (carrinha tipo Hyace, de cores azul e amarela) (crioulo)


Guiné > Regoão de Bafatá > Setor L1 (Bambadinca) > CCAÇ 12 (1969/71) + CART 2520 (1969/70) > Op Safira Única, 21 de janeiro de 1970, no subsetor do Xime, nas proximidades da Ponta do Inglês

Uma pistola de origem soviética, Tokarev, de 7,62, igual ou parecida à que que foi apreendida ao guerrilheiro Festa Na Lona, na Ponta do Inglês, no decurso da Op Safira Única ... Pelo que me recordo, esta pistola ficou à guarda do alf mil Abel Maria Rodrigues, comandante do 3º Grupo de Combate da CCAÇ 12 (onde eu muitas vezes me integrei, conforme as faltas de pessoal...) , que a tomou como ronco... Não sei se a conseguiu trazer para a Metrópole e legalizá-la... Ao que parece, esta arma teve a sua estreia na Guerra Civil de Espanha, em 1936, nas fileiras do exército republicano, estando distribuída a pilotos e tripulações de tanques, entre outros... (LG). 

Fonte: Kentaur, República Checa (2006) [página já não disponível]

(...) Por volta das 15. 30h, já nas proximidades do objectivo, foram notados indícios de presença humana: trilhos batidos, moringas nas palmeiras para recolha de vinho e um cesto de arroz.

Seguindo um dos trilhos, avistou-se um homem desarmado que seguia em direcção contrárias às NT. Capturado, informou que ia recolher vinho de palma, que a tabanca ficava próxima, que não havia elementos armados e que a maior parte da população estava àquela hora a trabalhar na bolanha.

Feita a aproximação com envolvimento, capturaram-se mais 2 homens, 5 mulheres e 6 crianças. Um dos homens capturados disse chamar-se Festa Na Lona, de etnia Balanta, estar alí a passar férias e pertencer a uma unidade combatente do Gabu. Foi-lhe apreendido uma pistola Tokarev (7,62, m/ 1933) e vários documentos.

Havia 2 tabancas, cada uma com 4-5 casas, afastadas umas das outras cerca de 200 metros. Cada casa era revestida de chapa de bidão e coberta de capim. Para o efeito foram aproveitados os bidões existentes no antigo aquartelamento da Ponta do Inglês que as NT haviam retirarado  em novembro de 1968.

Foram destruídos todos os meios de vida encontrados e incendiadas casas, a excepção das que ficaram armadilhadas. Os 2 Dest executaram toda a acção sem disparar um único tiro. A  retirada fez-se igualmente a corta-mato em direcção de Gundagué Beafada, tendo-se chegado ao Xime pelas 18.30h. Durante a noite, a Artilharia fez fogo de concentração sobre os acampamentos IN do Baio/Buruntoni e Ponta Varela/Poindon. (...)

Fonte: Extractos de: História da CCAÇ. 12: Guiné 1969/71. Bambadinca: Companhia de Caçadores 12. 1971. Capítulo II. 24-26.


Tokarev - Pistola de calibre 7,62 mm, de origem soviética (PAIGC)

TPF - Transmissões Por Fios

Trms - Transmissões

Tropa-macaca - Por oposição a tropa especial (páras, comandos, fuzos)

TSF - Transmissões Sem Fios

Tuga - Português, branco, colonialista (termo na altura depreciativo) (crioulo)

Turpeça - Banquinho, de três pés, onde se sentam em exclusivo os régulos felupes

Turra - Terrorista, guerrilheiro, combatente do PAIGC (termo n a altura depreciativo)

Ultramarina - Sociedade Comercial Ultramarina, ligada ao grupo BNU; rival da Casa Gouveia.

Uma larga e dois estreitos - Galões de tenente-coronel

UXO - Unexploded (Explosive) Ordenance (em inglês); Engenhos Explosivos Não Explodidos (em português)

Velhice - Militares em fim de comissão (gíria)

Vietname - Guiné, para lá de Bissau; mato

ZA - Zona de Acção

Zebro - Barco de borracha com motor fora de borda, usado pelos fuzileiros

ZI - Zona de Intervenção (do Com-Chefe)

ZLIFA - Zona Livre de Intervenção da Força Aérea

____________

Notas do editor:

(*) Vd. postes de:


30 de dezembro de 2007 > Guiné 63/74 - P2389: Abreviaturas, siglas, acrónimos, gíria, calão, expressões idiomáticas, crioulo (6): Racal (José Martins)

29 de Dezembro de 2007 > Guiné 63/74 - P2388: Abreviaturas, siglas, acrónimos, gíria, calão, expressões idiomáticas, crioulo (5): Periquito (Joaquim Almeida)

26 de junho de 2007 > Guiné 63/74 - P1887: Abreviaturas, siglas, acrónimos, gíria, calão, expressões idiomáticas, crioulo (3)... (Zé Teixeira)

30 comentários:

Valdemar Silva disse...

Manga dele : alto, comprido, largo, grande, muito, etc. (crioulo)

Valdemar Queiroz

Tabanca Grande disse...

"Mafê" já vem grafado, para meu contentamento, no Dicionário Priberam... Lembro-me sempre da alegria dos meus soldados fulas quando, deslocados em tabancas em autodefesa, eles me diziam: "furiê, manga di sabe, hoje tem mafé prá bianda"... SEm o "mafé", era como nós, comer esparguete... LG


mafé | s. 2 g.


ma·fé
(do crioulo da Guiné-Bissau)
substantivo de dois géneros
[Guiné-Bissau] [Culinária] Molho ou caldo, geralmente feito de carne, peixe ou marisco (ex.: o mafé serve de acompanhamento à bianda).


"mafê", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/maf%C3%AA [consultado em 12-01-2019].

Tabanca Grande disse...

fanado | adj. | s. m.
masc. sing. part. pass. de fanar

fa·na·do
adjectivo
1. Murcho; estreito, esguio.

2. Que não tem toda a roda que devia ter.

3. [Figurado] Miserável, escasso, mesquinho; pobre, mísero; maltratado.

4. Amputado, mutilado.

5. Circuncidado.

substantivo masculino
6. [Guiné-Bissau] Processo de iniciação dos jovens na vida social adulta, que inclui rituais como a circuncisão ou a excisão e a transmissão de conhecimentos.


"fanado", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/fanado [consultado em 12-01-2019].

Alberto Branquinho disse...



No norte (Trás-os-Montes/Alto Douro) chama(va)-se "TROPEÇA" ao banco pequeno (parecido aos da foto) em que a cozinheira se sentava à lareira (da cozinha), mexendo/avivando o fogo com a "tenaz".

Alberto Branquinho

Anónimo disse...

Muitas vezes a 'malta' perguntava à bajuda:
«Abo parte catota?» Normalmente levava o nega.
Elas batiam os braços nos sovacos, e num som muito gutural, lá diziam «nega!»

Nega = levar com os pés.

outra:

«mulher grande ca tem cabaço». mulher casada, não virgem, em contraste com a bajuda, «tem cabaço».

E vamos aos fulas:

«corpo di bó?» Como vai está bem?
e depois a lenga lenga, tabanca di bó, mulher di bo, porco di bo, e uma dezena ou mais de perguntas, que depois eram respondidas pelo outro fula, dizendo sempre na mesma lenga lenga - Tanala! Está tudo bem!

vamos continuando depois com outras.

E já agora pergunto eu a todos:

Corpo di bós?

Virgilio Teixeira

Valdemar Silva disse...

Cá tem cabeça : disparatado, conflitoso, maluqueira (crioulo)

Valdemar Queiroz

Valdemar Silva disse...

Virgílio
O mais provável é entre fulas não se cumprimentarem em crioulo, mas sim no seu próprio dialeto.
Lembro-me dessa lenga-lenga, que começava com um (não sei a grafia correcta) 'Tá lá finani'? e a resposta com um 'Já me tungue', com uma série de perguntas sobre os seus parentes, que era mais ou menos demorada conforme o tempo de desencontro ou de não se conhecerem. No fim seria Tá lá finani? (como vais indo) e a resposta Já me tungue (cá vou andando) e assim, também, em relação aos seus parentes, mas de certeza que não perguntariam pelo porco.
Evidentemente, por cá só acontecem estes cumprimentos em locais remotos e, mesmo assim, só entre pessoas antigas, de resto o mais provável é levar com : o qu'é que tens com isso?
Mas, o nosso grande amigo Cherno Baldé é a pessoa indicada para escrever sobre este assunto.
Ab.
Valdemar Queiroz

Anónimo disse...

Virgílio Teixeira

2 jan 2019 12:37

Este poste do dicionário está o máximo, é preciso ter muita dedicação, felicito-te por isso. Ainda posso acrescentar mais qualquer coisa. Vamos a ver.
Bom fim de semana,

Virgilio

Luís Graça disse...

Luís Graça

12 jan 2019 12:54

Virgíliio, obrigado pelo teu elogia ao "pequeno dicionário"... Não é meu, é nosso... por isso faz o favor de acrescentar o que muito bem entenderes...

Acho que vou ainda pôr umas das tuas belas "mamas fimres", como foto para ilustrar a expressão "mama firme"... Temos a obrigação de registar, arquivar e divulgar este nosso "linguajar"... que também é muito revelador da "nossa forma especial" de lidar com as populações da Guiné...

Hoje já não estamos em febre, bom sinal... Foi uma semana sem sair de casa... Que raio!... Cuida-te!... Luis

Anónimo disse...

Rectificando:

«corpo di bó?» Como vai está bem?
e depois a lenga lenga, tabanca di bó, mulher di bo, porco di bo, e uma dezena ou mais de perguntas, que depois eram respondidas pelo outro fula, dizendo sempre na mesma lenga lenga - Jamutum, jamutum ....queria dizer está tudo bem.

Depois o outro parceiro, retomava a mesma lenga lenga das mesmas perguntas ou outras, e o primeiro é que respondia, «Tanala!» que devia significar que também está tudo bem! ou igualmente.

Não quer dizer que seja rigorosamente assim a escrita, é a minha forma de ver e escrevi isso muitas vezes.

Havia outras, mas são picantes demais, ou até ordinárias, não vou acrescentar.

Virgilio Teixeira


Anónimo disse...

Caro Valdemar,

Tens razão, o "corpo di bôh" é crioulo arcaico do tempo de Papiamento que já não se usa muito, mas pode ser frequente em regiões que continuam a utilizar expressões do crioulo antigo como a região da Casamança.

Na lingua fula, "Tanáh fináni" (o mal não acordou), o dia começou bem, está tudo bem? quer dizer bom dia, em português.
Trata-se de uma linguagem que integrou elementos da lingua mandinga "Tana=mal/azar" falada pelos fulas de Gabu ou Fulacundas, autoctones da Guiné-Bissau. O ritual de cumprimentos tradicional dos fulas do antigamente incluia a preocupação de saber, igualmente, o estado do gado bovino, rxpressão de riqueza e de segurança pessoal e familiar. O gado, entre os fulas do antigamente, era a base e fundamento de tudo e não se podia conceber a própria existência sem este elo de ligação com o passado e elemento essencial para a vida no futuro. Fazia parte da cosmogonia dos fulas desde o periodo do Egipto antigo, de onde afirmam ser originários.

A resposta é mais curta "Djam-Tunh"= Em paz, em paz apenas. Aqui a expressão mantem-se mais ou pura e alarga-se a generalidade do grupo etno-linguistico fula que se estende desde a Mauritánia até a região sul do Sudão, atravessando todos os países da Africa ocidental e parte da Africa Central.

Com um abraço amigo,

Cherno Baldé

Luís Graça disse...

ja-se oque diz o nosso es+pecisliata em armamento, o Luís Dias, que trabalhou na PJ:


(...) A pistola usada pelas forças de guerrilha do PAIGC era, principalmente, a TOKAREV TT-33.

(...) A pistola Tula Tokarev TT-33 surgiu na URSS, baseada no desenho da Colt-Browning e foi a pistola das forças da União Soviética durante a IIª Guerra Mundial, vindo posteriormente a ser fabricada pelos países do Pacto de Varsóvia e pela China até ser substituída pela Makarov, no calibre 9 mm Mk.

Características desta arma
TIPO: Pistola semiauto
PAÌS DE ORIGEM: URSS, países do Pacto de Varsóvia e China
CALIBRE: 7,62 mm Type P
DATA DE FABRICO INICIAL: 1933
ALCANCE ÚTIL: 50 m
ALCANCE PRÁTICO: 5 a 10 m
PESO: 0,840 kg com carregador com 8 munições
MUNIÇÂO: 7,62x25 mm Tokarev
ALIMENTAÇÃO: 8 munições num carregador unifilar colocado no punho.
SEGURANÇA: A única segurança é feita pelo cão travado (half-cock) a meio de ser armado.
FUNCIONAMENTO: Pistola semi-automática, funcionando por recuo do cano e de acção simples. As forças do PAIGC possuíram ainda pistolas CZ, de origem Checoslovaca, nos calibres 6,35 mm e 7,65 mm.

1.1.3 OBSERVAÇÕES

A pistola Walther P-38, é uma arma de grande qualidade, muito robusta, tendo-se mantido ao serviço das forças armadas portuguesas ao longo de todos estes anos, embora se preveja vir a ser substituída em breve. É uma arma excelente para tiro prático, sendo nitidamente superior, quer no tipo de munição utilizada (9 mm Parabellum), quer no seu funcionamento, à Tokarev que, segundo alguns autores, encravava com alguma facilidade devido a problemas com o carregador. A Walther tem ainda a vantagem de funcionar por acção dupla (rapidez de disparo) ao contrário da Tokarev que funciona unicamente por acção simples. (...)


23 DE JANEIRO DE 2010
Guiné 63/74 – P5690: Armamento (2): Pistolas, Pistolas-Metralhadoras, Espingardas, Espingardas Automáticas e Metralhadoras Ligeiras (Luís Dias)

Valdemar Silva disse...

Mais uma vez o nosso blogue é um caso sério.
Evidentemente, que muito se deve aos 'Mauro Gorcos' (homens grandes, em fula)do blogue e, principalmente, ao meu camarada de Contuboel Luís Graça.
O Luís é também um caso sério. Não lhe escapa nada e está sempre a engrandecer este nosso convívio de velhos combatentes da guerra na Guiné. Só lhe falta saber, para nos explicar, a história do cão que só tinha uma perna.
Os arquivos da RTP valem muito dinheiro, até já esfregavam as mãos numa privatização, mas o nosso blogue vale muito mais que dinheiro. Vale a convivência de muitos homens que quando jovens estiveram na guerra.
Já velhotes, não esperamos desfilar na Avenida da Liberdade, em Lisboa, apenas queremos conviver neste nosso blogue, agora recordando palavras, expressões e formas de comunicar das gentes da Guiné, e nós próprios com o tempo, que o Luís Graça teve a ideia de colocar no léxico da língua portuguesa.
Era o que mais faltava, não se passar a dizer: estás a lerpar se não gostares deste nosso céu azul em Janeiro.
Luís, não desistas
Deste armário das surpresas imprevistas.
Mesmo que encontres dentro dele,
Farrapos velhos, desdenhados, desbotados.
E se vires viscosa aranha com peçonha no seu ventre,
Olha pra ela de frente,
Ela passa sem tocar-te.
Não desistas.
(não sei a métrica correcta, mais ou menos isto disse, em Contuboel, o Renato Monteiro em Abril de 1969.
Ab.
Valdemar Queiroz

Anónimo disse...

PS/

O "Tanáh-Aláa"= Não há nenhum mal/azar, está tudo bem? Do amigo Virgilio é equivalente e uma variante do "Tanáh-Fináni", mas que se pode utilizar não só de manhã, mas em qualquer perodo do dia.

Convém ter em conta que parte das expressões apresentadas como sendo " Crioulo" podem ser invenções da tropa metropolitana e seus soldados Indigenas a que os Guineenses dito Crioulos nunca ou quase nunca utilizavam por representar caricaturas de Crioulo. Por exemplo "Partir mantenha, partir catota, cabaço, mama-firme...entre outros" que podiam representar formas impróprias e pouco respeitosas para com os nativos vistos como inferiores e pouco dignos do respeito devido as pessoas civilizadas, nesse caso aos portugueses da metropole.

Cherno AB

Valdemar Silva disse...

Caro amigo Cherno Baldé.
Acabo de ler a tua explicação, a tua douta explicação.
A minha interpretação foi feita da convivência com as gentes e nossos soldados
da região do Gabu e, evidentemente, não tem nenhum cunho de 'sabichão', antes pensando ser assim a melhor tradução.
Estamos sempre a aprender.
Obrigado Cherno Baldé
Ab.
Valdemar Queiroz Embaló

nota: ainda hoje cumprimento uma africana, caixa do Pingo Doce, com as mesmas palavras Tanáh Finani e ela responde Djam-Tunh. Ela nasceu em Nova Lamego em 1966.
As vezes parece que há uma lagriminha nos nossos olhos.

Anónimo disse...

Cherno:

Tu é que és o especialista das questões etnolinguísticas. E eu lei-o sempre religiosamente... Quanto a alguns vocábulos e expressões mais "grosseiros", com sentido até mesmo racista ("nharro"), misógino ou sexista ("parte punho"), que podem ferir a tua sensibilidade, tua e de alguns dos nossos leitores e leitores, não preciso de lembrar que o nosso blogue é um repositório de memórias (e de emoções) e que a rapaziada que tu conheceste em Fajonquito estava longe de ser "meninos de cor"...

Por outro lado, como tu sabes eu sou sociólogo, de formação, não sou professor de religião e moral e muito menos censor... Em suma, sou contra o politicamente correto... O politicamente correto seria, por exemplo, "branquear" a linguagem de caserna dos anos 60/70...

Desculpa lá qualquer coisinha, mu irmãozinho... Mas estás no teu pleníssimo direito de nos mostrares os cartões amarelos e vermelhos, sempre que a gente os merecer... Sabes que os velhos são "desbocados"... E eu só comecei a dizer asneiras... na guerra!... Que por acaso foi na Guiné, mas podiam-me ter mandado para outro sítio, melhor ou pior, não sei. Calhou-me a tua terra, "bebi a água do Geba" e fiz lá bons amigos... alguns para sempre.

Um bom fim de semana para ti e a tua querida família. Luís Graça

Anónimo disse...

Não há palavras "feias"... Ou melhor, havia quando éramos putos e as nossas mães ameaçavam-nos com a pimenta na língua quando a gente chegava a casa com a lista, na ponta da língua, das asneiras aprendidas no recreio da escola... ou no intervalo das aulas de catequese...

No nosso dicionário também não há palavras "feias" ou "asneiras"... Enfim, há uma distinção entre gíria e calão, cuja fronteira é difícil de estabelecer...

Mesmo os termos do calão não são "feios" em si, "feia" é a realidade que eles denotam e conotam: "esquentamento", "mudar o óleo", "partir punho", "nharro", "fanateca (a que pratica, com uma faca, uma lâmina ou um vidro, "ainda hoje" (!), a excisão do clitóris e dos lábios grandes das meninas da Guiné-Bissau, de algumas comunidades...).

Boa fim de semana. Aproveitem o sol de inverno, eu continuo trancado em casa, a "burilar" o nosso pequeno dicionário... Luís Graça

PS - Repare-se que até o vocábulo português "calão" tem uma origem... racista:

ca·lão
(espanhol caló, linguagem dos ciganos espanhóis)
substantivo masculino
1. Linguagem considerada grosseira ou rude.

2. Linguagem de um grupo restrito. = GÍRIA

adjectivo e substantivo masculino
3. [Portugal, Informal] Que ou quem não gosta de trabalhar. = MANDRIÃO, PREGUIÇOSO

baixo calão
• Linguagem muito grosseira ou obscena.

Feminino: calona.

"calão", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/cal%C3%A3o [consultado em 13-01-2019].

Anónimo disse...

Do editor Luís Graça:


Para os nossos leitores de "ouvido mais sensível"... E também para os "puristas" da língua... Há muito (, há umas dezenas de anos, grosso modo, depois do 25 de Abril...), que os nossos dicionários "grafam" os vocábulos e expressões do calão, do baixo calão e das "obscenidades"... Por exemplo:


foder | v. tr. e intr. | v. tr. e pron.

fo·der - Conjugar
(latim futuo, -ere, ter relações com uma mulher)
verbo transitivo e intransitivo
1. [Calão] Ter relações sexuais.

verbo transitivo e pronominal
2. [Calão] Deixar ou ficar em mau estado, destruído ou prejudicado. = ESTRAGAR


foda-se
• [Calão] Interjeição designativa de admiração, surpresa, espanto, indignação, etc.


Sinónimo Geral: FORNICAR


"foder", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/foder [consultado em 13-01-2019].


________________

Já agora, o que é "obsceno" ?

obsceno | adj.

obs·ce·no |ê|
adjectivo
1. Contrário à decência ou ao pudor.

2. Indecente, desonesto, torpe.

3. Lascivo.


"obsceno", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/obsceno [consultado em 13-01-2019].

Valdemar Silva disse...

NEPS : Normas do Exército Português, do Conde de Lipe.
….Tem de ser assim, é das nepes.

Valdemar Queiroz

Anónimo disse...

Caro amigo Luis,

O uso do calão ou do baixo calão pode ser normal e existe em todas as sociedades humanas. O que pode chocar é a sua utilização com caracter racista e/xenófobo como era o caso na Guiné durante a guerra. No inicio, até 1970, pareciam-nos expressões normais no convivência com a tropa, sobretudo porque a maioria era originária do Norte de Portugal, mas quando começaram a chegar as mulheres (as senhoras) brancas, esposas de alguns oficiais, constatamos com desagrado que todo o arsenal de obscenidades era só e unicamente reservado a nossa gente e de forma especial as nossas mulheres, sem distinção entre casadas e mulheres grandes. Isto não era só calão, era racismo e abuso do poder sobre os dominados, portanto, inaceitável. Se os militares não tivessem posto um ponto final na guerra em 74, com a nossa geração de jovens escolarizados e nacionalistas, certamente que não seria a mesma coisa. E penso que é isso que explica, entre outras coisas, a adesão do grupo de Domingos Ramos e Osvaldo Vieira, a causa do nacionalismo depois de serem formados pelo exercito Português, sem falar do próprio A. Cabral.

Com um abraço amigo,

Cherno Baldé

Antº Rosinha disse...

Não concordo com a ideia do Cherno sobre os motivos de adesão à luta e ao nacionalismo de figuras como Domingos Ramos e Amílcar Cabral, coisas como a falta de respeito pelas mulheres grandes e as mulheres africanas.

A juventude de Domingos Ramos e de Amílcar nunca foi semelhante à vida de "quartel" que o Cherno foi obrigado a conhecer e a viver, não só porque só havia quarteis nas capitais, e a tropa europeia era praticamente reduzida a alguns sargentos e oficiais, e alguns cabos, isto, antes da guerra (1961)

Essa realidade que Cherno conheceu, não existia em 1959 (?), quando Domingos Ramos fez a sua recruta ou CSM.

Nesse tempo, os mestiços ou brancos de IIª ou pretos escolarizados (Domingos Ramos), já tinham outros motivos para as suas independências que iam muito além de qualquer descriminação racial, ou complexos de superioridade da parte do branco.

No caso das colónias portuguesas já havia uma convicção absolutamente formada na cabeça dos estudantes da simples 4ªa classe, preto ou branco de IIª, que eles estavam muito mais preparados para tomar conta da sua terra, do que os «atrazadinhos» que vinham da metrópole.

Cherno, no minha recruta e CSM, (Huambo 1959) eramos 30 no meu pelotão, dividamos, 10, como eu da metrópole, 10 eram "Domingos ramos", e outros 10 Amilcares à mistura com dois ou três brancos de IIª.

Cherno, aí já eramos nós os dez da metrópole as grandes vítimas descriminadas, que nem sabiamos jogar à bola, que vínhamos abanar a árvore das patacas, minhotas com pernas peludas, ainda se fossemos ingleses ou franceses...e outras que nem menciono, porque seria uma ladainha que nunca mais acabava.

Até que veio o 15 de Março de 1961, "para Angola e em força" do Salazar, e dos "Ramos" e dos "Amilcares", muito pouquinhos se passaram, e foi ao lado de muitos que eu fiz a minha guerra de 13 anos em Angola.

Embora a realidade de Angola e Guiné fosse diferente, sabemos que o MPLA e PAIGC foram irmãos, de maneira que facilmente encontro semelhanças.

Cherno, a vida que conheceste (tropa e guerra) não tem a mínima semelhança com o sonolência que se passava com os velhos chefes de posto, velhos comerciantes, velhos régulos, a rotina dos fanados e cultura do arroz, tudo ao ritmo de travessias de jangada, passa quando passa...uma morte lenta, em que além do chefe de posto e do isolado comerciante, muitas tabancas não viam mais qualquer branco ou qualquer alteração da rotina, durante meses, e nas próprias capitais de "colónia" era ao Domingo o BenficaxSporting a maior movimentação de massas.

Claro que houve e há "doutrinações" que podem ser aproveitadas para vários fins, mas não no caso de Domingos Ramos o Amílcar, creio eu.

Cumprimentos









Luís Graça disse...

Cherno:

Bom dia, aqui já é boa tarde, uma tarde soalheira, de inverno, estão 13º em Lisboa, céu limpo, em pleno inverno, andamos todos a pedir chuva para "limpar a gripe"... Já devem ter morrido umas centenas largas de velhotes com o surto gripal que por aí anda, entupindo as urgências dos hospitais... Aindfa há dias fui enterrar (neste caso, foi cremado) um velho amigo de há 50 anos... Não chegou a fazer os 83, tinha 11 anos a mais do que eu...

Mas vão voltando ao que interessa... que é o teu comentário. Tu és guineense, "filho da guerra", fula, muçulmano, pai de 4 rapazes (que já devem ser uns homens), muito cioso da tua cultura e identidade... E ainda bem!... Vivestes em dois ou três mundos, a Guiné colonial, a Guiné-Bissau, independente, a ex-União Soviética, Portugal, e de novo e sempre a tua terra querida...

O tema do "colonialismo e racismo" é um dossiê que nunca mais acaba... OU como é o da "guerra ganha/perdida"...

A minha experiência nesse campo é limitada: já passei por isso, por ser "discriminado", na Holanda, dos flamengos, louros, altos, de olhos azuis, "discriminado", no aeroporto, por ter a pele morena, barbas pretas e cabelo grande e ondulado, portanto, por ser "suspeito"... Mediterrânico, grego, palestiniano, siciliano, magrebino, egípcio... Já passei por isso... Sou um europeu da ponta mais ocidental/acidental da Europa, que tenho no meu ADN "sangue" judeu, mouro (bérbere, norte-africano, não árabe) e possivelmente subsariano, guineense...

Portanto: nunca fui nem serei nem poderei ser "racista"...

(Continua)

Luís Graça disse...

Cherno:

(Continuação, II parte)

Estive na Guiné numa companhia, a CCAÇ 12, em que as nossas praças eram do recrutamento local... Os meus soldados eram guineenses, fulas, com quem andei por todo o lado, sem a mais leve suspeição de deslealdade ou traição... Fomos camaradas e irmãos... Foi comigo e connosco que eles aprenderam a falar português e eu algum, muito pouco, crioulo e fula... Quando regressávamos do mato, íamos cada um para seu lado: os graduados para o quartel (de Bambadinca) e eles para a tabanca (de Bambadinca)... Eram "desarranchados" e com isso podiam alimentar mais uma esposa... Eram dois "ordenados"...

Há aqui alguma falha, mimha/nossa, no convívio diário, com as suas famílias... Mas, ponto assente: as suas mulheres eram nossas irmãs e eu não tenho notícia nenhuma, em dois anos (ou melhor, 22 meses), de "deslealdade" dos militares metropolitanos da CCAÇ 12 em relação aos seus camaradas guineenses...

Expressões racistas ?... Nunca as usei, mas às vezes, esporadicamente, ouvi-as da boca de um ou outro militar, mal formado, e sobretudo desconhecedor da complexa realidade sociocultural dos povos da Guiné... Envolvi-me, no Chez Toi, em Bissau, numa discussão violenta com um militar português que proferia, no bar, um discurso de "bêbedo, racista", ofensivo para nim e para os meus camaradas da CCAÇ 12 e para todos os demais militares que estavam ali à ordem de Spínola... Eu ia a caminho de férias e estava naquela espelunca do Chez Toi... A coisa deu para o torto, houve ameaças de chamar a Polícia Militar... Enfim, estas situações podiam acontecer, pontualmente, em Bissau, no Cupelom ou Pilão... Felizmente que "tudo acabou em bem" e pude partir no dia seguinte para a metrópole, gozando o primeiro e único mês de férias...

Vou desde 2003 a Angola e sou lá acarinhado pelo pessoal de saúde... Sempre tive, na Escola Nacional de Saúde Pública, um "special relationship" com a malta que vinha, em formação, de África (Cabo Verde, Guiné, São Tomé, Angola, Moçambique) mas tambémda da Ásia (Macau, Timor)... Sempre oa acarinhei, ajudei e, em não poucos casos, orientei...

A experiência da Guiné e da guerra colonial foi muito importante para reforçar esta minha capacidade para comunicar e lidar com o "outro", que vem do outro lado do mar ("ultramar")... Não tenho dúvidas, pelo menos desde os meus 14/15 anos, que o colonialimo é também uma forma de racismo, ou implica sempre o racismo...

Tu tens outro "arco do tempo", enquanto que eu só posso falar da minha experiência limitada à zona leste, aos anos de 1969/70... A mudança de atitudes e comportamentos da tropa que tu notas, a partir de 1970, pode ter mais a ver com a tua própria mudança: depois da escola, tu tens outra capacidade de observação, análise e reflexão... E isso é que é ou foi altamente positivo, isso ajudou-te a ser o homem e o guineense que tu és hoje...

(Continua)

Luís Graça disse...

Chermo:

(Continuação, III e última parte)


Quanto à presença de "senhoras brancas" nalguns aquartelamentos (poucos) das Nossas Tropas, acho que não foi benéfica para ninguém (a não ser eventualmente para os maridos e para elas)... A avaliar pela minha experiência de Bambadinca, só exacerbou o discurso sexista e misógino... Não te vou contar aqui as histórias, as anedotas, as obscenidades... que se diziam e ouviam dizer a respeito das "senhoras brancas", mulheres dos oficiais superiores, dos capitães e de alguns camaradas nossos, milicianos...

No fundo, a sua presença, mesmo discreta (na maior parte dos casos), só acabava por exarcebar a sexualidade já de si agressiva, de militares, de vinte anos, desterrados no cu de Judas... E atenção: uma parte das nossas praças metropolitanos já eram casados e até pais de filhos... E não tiveram direito a férias, em dois anos, na metrópole... E alguns nunca chegaram, infelizmente, a conhecer os seus filhos, como o meu infortunado sold cond auto Soares, morto numa mina anti-carro em 13/1/1971, à saída do grande reordenamento de Nhabijões...

Pôrmo-nos aqui a falar do "racismo" no tempo do Honório Barreto, do Sarmento Rodrigues, do Arnaldo Schulz ou do António Spínola, é uma armadilha... Aqui, no nosso blogue, temos que privilegiar os testemunhos na primeira pessoa do singular, como é o teu caso e o meu caso...

Estou-te grato pelo teu sempre oportuno e enriquecedor comentário.

Teu amigo e irmãozinho, Luís

Anónimo disse...

Este tema não se esgota, há muito pano para mangas:

- No tempo de criança, o termo 'fanado' era conotado com 'amputado'. Sem pénis.

- Verbo 'partir'
Crianças dirigiam-se a mim, em qualquer parte da Guiné, nestes termos:
. «Alfero, parte dois pesos e meio!» Porquê esta quantia e não apenas um peso?
- O termo que utilizei atrás «jamutum» foi escrito de ouvido, nunca o li em partre alguma. Agora perlo que vejo do Cherno e Valdemar, pode ser «Djam-Tunh». O som leva para isso, mas não vi a palavra escrita em nenhum sitio, mas o significado é o mesmo. Ou seja quando um Fula do Gabu pergunta a outro 'Corpo di bô, jamutum?' está a fazer um cumprimento, de bom dia, se está tudo bem, como vai isso, tens saude?

Esta explicação não me convence, pois o termo «Tanala» que utilizei, era a resposta ao primeiro, que julgo significar, como resposta e não pergunta, «está tudo bem» e como diz o Cherno, (o mal não acordou).
- O termo de 'Tanáh fináni' não se parece em termos de som a 'Tanala'!. Mas quem sabe melhor isso será o Cherno, não se esquecendo que me estou a referir a linguagem entre Fulas, na região de Nova Lamego, nos anos 67/68.

Peço um comentário do nosso amigo Cherno Baldé.

Virgilio Teixeira






Trata-se de uma linguagem que integrou elementos da lingua mandinga "Tana=mal/azar" falada pelos fulas de Gabu ou

Anónimo disse...

Agora para continuar, vou contar aquilo que presenciei uma vez, na rua, à porta da Casa Caeiro, em frente ao edifício do Comando.

- Dois fulas, vestidos com as suas túnicas brancas, homens grandes, de bicicleta, no mesmo lado da rua, um em direcção ao outro, a uns 10 a 20 metros de distância, começa um deles a cumprimentar o outro em sentido contrário com a mesma lenga lenga:
'corpo di bô, mulher di bó, galinha di bó etc, um rol de perguntas, seguidas cada uma delas por "jamutum?.
O outro ao longe lá ia respondendo 'Tanala' está tudo bem, julgava e julgo eu. Quando se cruzaram, batem com a mão sempre a pedalar, e o segundo recomeça com a mesma lenga lenga, que já escrevi, sempre seguida de Jamutum, ao qual o outro que já tinha passado, respondia o tal Tanala, até não se ouvirem mais.
Isto é verdade, eu fiquei pasmado como eles se entendiam à distância.

Assisti a outras cenas: Outras ou as mesmas personagens, o meu estilo, agora a pé, encontram-se, apertam as mãos, e com todo o respeito lá começam com esta lenga toda, que não vou repetir, primeiro um, tabanca di bó jamutum? etc, ao qual o outro responde sempre em monocórdio, Tanala. Depois acabando as perguntas todas, começa o outro a fazer outras perguntas, filhas di bó jamutum, e o outro, sempre Tanala.
Sempre, durante este tempo todo, com as mãos dadas, é verdade.

Parecem agora os nossos políticos internacionais, nos encontros e nas fotos para a Tv, agarram as mãos e nunca mais as largam, sempre a sacudir e a rir, um riso comercial.

Também nós hoje, encontramos um 'amigo' e lá ficamos a fazer as mesmas perguntas, do género, «Tá tudo bem?» e isto engloba tudo, o outro responde ou sim ou sopas, conforme o caso. As mãos podem ficar alguns segundos apertadas, mas sacode-se logo, a não ser que seja uma senhora ou menina, que deixe estar mais uns segundos as mãos apertadas, embora agora já não se usa, só beijinhos (não é o meu forte).
Ainda hoje, se a menina ou senhora não se chega primeiro, eu lanço logo as mãos, que depois o cumprimento é complementado com mais um beijinho, e até já se usa dois.
Sinais do Tempo.

Virgilio Teixeira


Anónimo disse...

Para acrescentar:

NIM - Nº de Identificação Militar (O mesmo que NM mas agora informatizado)

NEP's ?

Todos leram e ouviram falar de Nep's, o que é?
Eu recebia muitas, eram Normas a seguir, mas não consigo decifrar o NEP?
Quem sabe diga e depois acrescentar ao léxico

Virgilio Teixeira

Parte mantenhas!

Anónimo disse...

Aqui vão mais algumas palavras-chave para adicionar se for o caso ao nosso dicionário de A-Z. Dei mais uma olhada e lembrou-me mais estas:

Biafra - Pavilhão-Caserna-Dormitório no Clube de Oficiais, para as dormidas dos oficiais milicianos que passavam por Bissau - Mau, muito mau.
Bissalanca - Aeroporto de Bissau
BC10 - Batalhão de Caçadores 10, o quartel de Chaves, onde estive a estagiar
Casa Pintosinho (ou, o Pintosinho) - Uma casa comercial das mais famosas, e das maiores fornecedoras de materiais para as FA.
CHEREC - ?? Centro de desencriptar mensagens do PAIGC, da maior confiança do QG
Dakota - Avião Bi-motor, de transporte militar no espaço do CTIG
EPAM - Escola Prática de Administração Militar, situada no Lumiar
Coluna militar de veículos - Por estrada de TT ou reabastecimentos
Coluna? fluvial de embarcações - Por rio, para TT ou de reabastecimentos
Clube militar de oficiais - Infra estrutura do QG, situada em Santa Luzia, com messe de oficiais, bar, salas de jogos, piscina, quartos individuais, e o Biafra. O melhor local da Guiné.

Grande Hotel de Bissau - O melhor Hotel de Bissau daqueles tempos, frequentado pela elite militar e civis de passagem, um dos locais onde Spínola recebia os seus convidados.
Solar dos 10 - O melhor Restaurante de Bissau, junto aos Fuzileiros, local também frequentado pelo Spínola e convidados (também era o meu local preferido)
Zé d' Amura - uma esplanada junto à Fortaleza da Amura, muito conhecida pelos seus petiscos (passarinhos fritos e outras especialidades picantes)
Nazareno - Outro restaurante que até 1969 era bem frequentado, e que depois passou a ser, segundo dizem o Chez Toi?
Setor L3 - Nova Lamego: Ocupava 1/5 do total do território do Ctig, zona leste, fronteira com Conacri e Senegal, desde Pirada, Buruntuma, Canquelifá, Piche, Cabuca, Sonaco, Paunca, Cheche, Madina do Boe, Beli, Canjadude etc.
Sintex - Barco de fibra, semelhante a uma banheira (5 a 6 vezes o tamanho de uma banheira normal, com dois(2) motores fora de borda, de 50 cv cada. Talvez era para cambar os rios de uma margem a outra, mas também para médias viagens a outras localidades, com horas de viagem, e depois perdidos no rio sem saber onde estávamos.
Radio Argel - Rádio da oposição portuguesa, localizada em Argel, onde era lançada a propaganda por militares desertores e traidores, incentivando os outros à deserção ou depor as armas. Ouvi várias vezes aquela voz de trovão...
Caboverdianas - as nossas mulheres disponíveis para os nossos prazeres mais íntimos, acho que elas animavam a malta, eu que o diga...

Agora não me lembro de mais, fica para outro dia.

Mantenhas, VT


Anónimo disse...

Ainda outros:
. Patrulhas - barcos / navios de guerra de defesa fluvial, e acompanhamento dos comboios de barcos com as NT ou mantimentos. Tinham nomes de constelações, Lira, Oreon, cassiopeia, e designação oficial de P-201, P-301 etc. A confirmar

. Filhos do vento - já está explicado em parte, também depois chamados de 'Português Suave', ou pior, 'Restos de Tuga'. As crianças e os filhos passaram a ser discriminados após a independência, pelos seu próprio povo, por não terem nome de pai...

Sinais do tempo!

. Como se dizia Adeus?

Virgilio Teixeira




Valdemar Silva disse...

Virgílio
...tem que ser assim, está neps.
Ainda hoje se diz quando se está enrascado numa explicação de uma ordem dada.

As NEPS, Normas do Exército Português, é o vulgar RDM, do Conde de Lippe.

Ab.
Valdemar Queiroz