quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Guiné 61/74 - P19392: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (São Domingos e Nova Lamego, 1967/69) - Parte LIX: O estado de coma... alcoólico no passagem de ano de 1968/69, e as crises de paludismo...


Foto nº 1 >  Guiné > Região de Cacheu > São Domingos > 1 de janeiro de 1969 > O meu estado de coma, durante as primeiras horas do dia de Ano Novo de 1969. Furriéís da CART 1744, meus amigos e camaradas, "fazendo-se pensar por enfermeiros"...



Foto nº 2 >  Guiné > Região de Cacheu > São Domingos > Messe de sargentos >  1 de janeiro de 1969 >  A farra ou a tainada  continua


Foto nº 3 >  Guiné > Região de Cacheu > São Domingos > Messe de sargentos >  1 de janeiro de 1969 > Os mesmos da parelha anterior, agora com mais dois furriéis, o 1º Sargento Godinho, e o Alferes Gatinho, o careca.



Foto nº 11 >   Guiné > Região de Cacheu > São Domingos > 26 de outubro de 1968,  na minha cama, no meu quarto,com um ataque de paludismo.


Foto nº 12 > Guiné > Região de Cacheu > São Domingos > 27 de outubro de 1968 >  Na minha cama, no meu quarto, já e fase de recuperação do paludismo.


Foto nº 13 > Guiné > Região de Cacheu > São Domingos > 28 de outubro de 1968 >  Na minha cama, já com evidentes melhoras, e já a ler uma revista.


Foto nº 14 > Guiné > Região de Cacheu > São Domingos > 28 de outubro de 1968 >  Na  minha cama, a convalescer, lendo uma revista, pronto para o próximo combate. 


Foto nº 21 > Guiné > Região de Cacheu > São Domingos > Janeiro de 1969 >  Já com a braçadeira de ‘oficial de dia’ num local a que chamavam ‘Casa do Anis’. 


Foto nº 22 >  Guiné > Região de Cacheu > São Domingos > Fevereiro  de 1969 > Cserna dos soldados > Uma festa de aniversário de alguém, onde já se nota o cheiro a álcool.


Guiné > CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) >  São Domingos, 1968/69

Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]






1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do nosso camarada Virgílio Teixeira, ex-alfmil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) (*)


[Foto à acima , o Virgílio e a esposa Manuela, o grande amor da sua vida, na Tabanca de Matosinhos, Restaurante Espigueiro (ex-Milho Rei), 5 de setembro de 2018. O casal vive em Vila do Conde.  (Foto: LG, 2018)]



CTIG - Guiné 1967/69 - Álbum de Temas:
T091 – O ESTADO DE COMA ALCOÓLICO
UMA SITUAÇÃO REAL DA QUAL NÃO ME ORGULHO
- O COMA PROFUNDO, OS CONVIVIOS, AS FESTAS, OS COPOS E A PERDA DE CONSCIÊNCIA.
- OUTRO TEMA DA PERDA DA CONSCIÊNCIA:
AS DUAS TERRIVEIS CRISES DE PALUDISMO




I - Anotações e Introdução ao tema:


Deixo estas peças – coma, copos e malária – para este fim de ano de 2018.

NOTA PRÉVIA:

Para além de ressalvar os erros e omissões que remeto para final, este tema pode não ser tal como o descrevo, pela razão evidente que o vivi, sem ter consciência do mesmo. 

1 - O tema principal é o ‘estado de coma’ porque passei, na noite de 31 de Dezembro de 1968, para 1 de Janeiro de 1969. Não me agrada, mas nem por isso vou deixar de me lembrar deste episódio e partilhar com outros.

Estamos no final do ano de 1968, com jantar melhorado, antes e depois, muitos copos de bebidas variadas, começa na messe de oficiais, depois na messe de sargentos, acabando junto daqueles com quem mais convivi, os nossos soldados, em especial os condutores. Não sedi se foi esta a ordem mas vamos passando por todas as ‘capelinhas’ como é normal.

Sempre a beber, sempre a misturar, tudo o que tivesse álcool, e rapidamente a mente está toldada, com tantos aromas e tanta mistura, todos querem partilhar um pouco e os copos vão sucedendo uns atrás de outros.

Não sei bem contar esta história, porque na realidade e na prática eu ‘não a vivi’, foi algo que me toldou o cérebro, e já não era eu.

Por volta da meia-noite, os oficiais do Batalhão foram convidados para o fim de ano na Casa do Administrador local, que passa inevitavelmente à meia-noite, pelo champanhe, que não me lembro se era nacional, mas presumo que era Francês.

Esta é a machadada final, pois pouco depois já era o ‘Novo Ano de 1969’, e a partir daqui não posso contar mais nada, pois perdi natural e vergonhosamente todos os sentidos, e assim entrei em estado de ‘coma alcoólico’. Não é bonito, nem feio, foi assim, não fui o único, nem serei o último.

Acordei já a meio da manhã desse primeiro dia de Janeiro de 1969, na minha cama, vestido com um pijama, que quase nunca o vestia, era em Terylene, nylon ou polyester azul-escuro. 

Procurei saber onde estava e o que me tinha acontecido, lentamente acordo e tento procurar todos os meus bens pessoais, que não tinha – o meu relógio Omega, a minha Câmara Konica, os meus documentos, a minha carteira, o meu dinheiro, a minha lanterna, o meu cordão e medalha em ouro, enfim as minhas coisas pessoais. Nada vejo, nem tenho a quem perguntar. 

Levanto-me tomo o duche com o recurso habitual à lata e o bidão de água, visto-me e vou tomar águas da Perrier, nem pensava em comer. A nossa capacidade de sobrevivência é enorme, os nossos anos ainda de jovem têm uma grande vantagem, pois rápido recupero.

Sei que me observavam, muita gente sabia o que se tinha passado, mas eu não. 

Passaram-se muitas horas desde que perdi a consciência, não fazia a mínima ideia do que aconteceu, e nem hoje sei ao certo, talvez me ocultassem por razões de ética e camaradagem. Mas constou-me que estaria deitado numa berma, e já a ser rodeado por população local, Felupes e outros.

Acabo por saber que foi um grupo de Furriéis milicianos, da CART 1744, com os quais eu convivia numa constante camaradagem e brincadeira, nunca tinha vivido assim antes, foram eles que me conduziram para o meu quarto e a minha cama, despiram-me a roupa e vestiram aquele pijama que raramente usava. Devem ter preparado uma grande brincadeira com esta situação. Contaram-me, eles e outros do meu Batalhão, mais ou menos, não quis mais saber. Entregaram-me tudo, pois tiveram a preocupação que nada ficasse perdido ou fosse roubado.

Não almocei, bebi sempre águas, e à noite já estava novamente com eles, bem fresco e com aquela pedalada que hoje já não tenho, onde se fizeram algumas cenas hilariantes, era afinal dia de ano novo. Tudo na messe de sargentos, onde se juntaram praças e oficiais.

Mais tarde com a revelação do rolo que estava na minha máquina fotográfica, venho a encontrar, entre outras, esta que apresento – Foto Nº 1.

Eles, neste período de tempo, á vontade, durante a noite, vestiram-se como se fossem médicos e enfermeiros, simulando e bem, uma transfusão de sangue, acho que é isso que aparece na fotografia, que eles com a minha máquina me tiraram, e assim ficou na minha história, da qual muito se falou depois, mas já não me lembro de nada, porque não ‘assisti’ ao vivo a este momento único.

Não deixo de agradecer a todos por aquilo que me fizeram, se ninguém me socorresse, o que ara quase impossível, pois naquela meio tão pequeno ninguém passava despercebido, talvez as coisas levassem outro rumo, mas foi assim e tudo correu bem, talvez agora a figadeira se vai queixando de tanta barbaridade, que não me orgulho, mas também não me lamento de nada.

Faz agora – 1 de Janeiro de 2019 - 50 anos que tudo aconteceu, e continuo vivo, e nessa noite já estava em novas brincadeiras, com aqueles que eu mais apreciava, eram os operacionais da CART 1744, a Companhia de Intervenção. Sempre achei aquela Companhia do Capitão Serrão como um exemplo a seguir, levavam aquela vida como se fosse uma brincadeira, mas quando era para trabalhar e intervir, não faltaram nunca. 

Tudo começou mal mas acabou em bem, mas poderia ter tido outro desfecho.

2 – Meti aqui neste tema, mais umas fotos e passagens. Ou seja por que razões aconteciam estas coisas, esta a mais grave, começava tudo em festas de aniversários e petiscada, e depois acabava tudo com os copos. 

Tenho mais de uma centena de fotos que não tenciono publicar, pois não são cenas que me dignifiquem, são demasiado ultrajantes para o meu posto e para a minha função, como para qualquer um dos outros camaradas, pois estamos todos à molhada nas mesmas fotos.

3 – Aproveitei também para anexar algumas fotos daqueles terríveis momentos em que estamos a ferver a mais de 42º, com a Malária, a doença do mosquito, o Paludismo. 

Para muitos que sabem o que isto é, não preciso de explicar muito, mas entramos em delírio nos primeiros dois dias, até que a célebre ‘Terramicina’ comece a fazer o seu efeito e a temperatura comece a baixar. Numa situação de temperatura ambiente acima de 35º e mais, temos tanto frio como se estivéssemos na neve, as ajudas eram poucas, o Médico não sei bem o que fazia, mas o nosso Enfermeiro, o já falecido Furriel Veiga, estava ali para ajudar no que podia e era com certeza orientado pelo nosso Médico, posto que ele atingiu já na vida civil, acabou por cursar medicina.

Apanhei por duas vezes esta peste, uma vez em Nova Lamego, outra em São Domingos.

II – Legendagem das fotos:

F01 – O meu estado de coma, durante as primeiras horas do dia de Ano Novo de 1969.

A simulação bem-feita dos dois Furriéis, meus amigos e camaradas da CART 1744, que infelizmente não me recordo dos seus nomes, fazendo passar-se por enfermeiros, numa missão de transfusão de sangue, de soro, ou mais vinho e álcool...

Foto captada em São Domingos, na minha cama, no meu quarto, durante a madrugada do dia 1 de Janeiro de 1969.

F02 – Na messe de Sargentos a brincadeira continuou, com fantasias de ano novo. A mesma ‘parelha’ que me socorreu com a transfusão de ‘soro alcoólico’ agora com novas vestes e cenas que não era normal ver na classe e messe de oficiais. Só gostavam de jogar.

Foto captada em São Domingos, na messe de sargentos, na noite do dia 1 de Janeiro de 1969.


F03 – Na messe de Sargentos, em cima da mesa, uma cena qualquer que não distingo. Os mesmos da parelha anterior, agora com mais dois furriéis, o 1º Sargento Godinho, e o Alferes Gatinho, o careca.

Foto captada em São Domingos, na messe de sargentos, na noite do dia 1 de Janeiro de 1969.

F11 – Na minha cama, no início de um ataque de Paludismo, talvez a delirar.

As fotos podem ter sido tiradas por qualquer camarada meu no nosso quarto, mas não sei.

Pode ver-se um balde com água e talvez gelo, para molhar a toalha e colocar na cabeça, as dores eram terríveis, e afectavam-me bastante.

E lá estão os comprimidos – LM  [, Labortório Militar,] – para todos os males.

Foto captada em São Domingos, na minha cama, no meu quarto, no dia 26 de Outubro de 1968.

F12 – Na minha cama, na cura do Paludismo, já com evidentes melhoras.

As fotos podem ter sido tiradas por qualquer camarada meu no nosso quarto, mas não sei.

Pode ver-se já as garrafas de água Perrier, com as quais combatia a desidratação.

Foto captada em São Domingos, na minha cama, no meu quarto, no dia 27 de Outubro de 1968.


F13 – Na minha cama, já com evidentes melhoras, e já a ler uma revista.

As fotos foram tiradas por um camarada a meu pedido.

De salientar, agora que estou a apreciar, as paredes estavam repletas de fotos, de mulheres que faziam capas nas revistas internacionais da época. Sem entrar em cenas ousadas, uma simples figura feminina, com roupa interior ou de praia, era uma delícia para a malta toda.

Não sei se cá na metrópole desse tempo, existiam revistas destas, não me lembro. 

Apenas sabemos que não haveria ‘motorista’ de pesados, que não tivesse na sua cabina do camião, algumas capas destas revistas, mais tarde bem ousadas.

Foto captada em São Domingos, na minha cama, no meu quarto, no dia 28 de Outubro de 1968.


F14 – Na minha cama, a convalescer, lendo uma revista, pronto para o próximo combate. 

As fotos foram tiradas por um camarada a meu pedido.

Foto captada em São Domingos, na minha cama, no meu quarto, no dia 28 de Outubro de 1968.


F21 – Já com a braçadeira de ‘oficial de dia’ num local a que chamavam ‘Casa do Anis’. 

Esta e outras tantas fotos, representam a razão por que poderiam aparecer situações extremas, incluindo o Coma.

Na companhia de alguns soldados do meu Batalhão, uns à civil, outros fardados. E sempre com o copo na mão, que não era água de certeza. Não sei se a Casa do Anis, era o nome de alguém, ou se era um sítio onde se bebia ‘anis’!

Não percebo também os olhares arregalados de todos os presentes, mas sei que todos me respeitavam. Este era um serviço de 24 horas sempre presente e atento.

Foto captada em São Domingos, na Casa do Anis, tomando uma qualquer bebida em Janeiro de 1969.


F22 – Uma festa de aniversário de alguém, onde já se nota o cheiro a álcool.

Era neste ambiente que nasciam os exageros, aos quais nunca faltava à chamada.

Pode notar-se sempre de copo na mão, na maioria são soldados condutores, dois furriéis, o Carvalho, e o outro atrás de um copo que pode ser o Camolas. Lembro os nomes dos soldados condutores, o Ermesinde, o Bourbon, o Pita e outros.

Terá sido uma das últimas fotos e convívios com o meu pessoal em São Domingos, pois de seguida, antes do fim do mês, já estava em fuga para mais umas férias no Porto.

Foto captada em São Domingos, numa Caserna de Soldados, em meados de Fevereiro de 1969.

«Propriedade, Autoria, Reserva e Direitos, de Virgílio Teixeira, Ex-alferes Miliciano do SAM – Chefe do Conselho Administrativo do BATCAÇ1933/RI15/Tomar, Guiné 67/69, Nova Lamego, Bissau e São Domingos, de 21SET67 a 04AGO69».


NOTA FINAL DO AUTOR:


# As legendas das fotos em cada um dos Temas dos meus álbuns, não são factos cientificamente históricos, por isso podem conter inexactidões, omissões e erros, até grosseiros. Podem ocorrer datas não coincidentes com cada foto, motivos descritos não exactos, locais indicados diferentes do real, acontecimentos e factos não totalmente certos, e outros lapsos não premeditados. Os relatos estão a ser feitos, 50 anos depois dos acontecimentos, com material esquecido no baú das memórias passadas, e o autor baseia-se essencialmente na sua ainda razoável capacidade de memória, em especial a memória visual, mas também com recurso a outras ajudas como a História da Unidade do seu Batalhão, e demais documentos escritos em seu poder. Estas fotos são legendadas de acordo com aquilo que sei, ou julgo que sei, daquilo que presenciei com os meus olhos, e as minhas opiniões, longe de serem ‘Juízos de Valor’ são o meu olhar sobre os acontecimentos, e a forma peculiar de me exprimir. Nada mais. #


Acabadas de legendar, hoje,

Em, 2018-12-30
Virgílio Teixeira

___________

7 comentários:

Valdemar Silva disse...

Virgílio
Pois...quem nunca apanhou um grande bioxene que atire a primeira pedra...ou copo.
Mais umas grandes fotografias do teu 'espólio' que mostram o outro lado da guerra.
Também havia copos e paludismo, quem é que os não teve?

Valdemar Queiroz

Luís Graça disse...

Virgílio, já te dei os parabéns pela coragem em publicar estas fotos... Bolas, têm a ver com a tua intimidade, a tua imagem... Mas o tema não é virgem, temos cerca de 30 referências ao descritor "alcool"...

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/search/label/alcool

E em março de 2016, fizemos um inquérito 'on line' sobre o tema, com uma frase formulada na negativa:

"NUNCA APANHEI NENHUM PIFO DE CAIXÃO À COVA NA TROPA OU NO TO DA GUINÉ"...

Dois terços da malta que respondeu, admitiu que apanhou uma ou mais valente "cardina"...E publicámos diversos depoimentos nessa altura, de camaradas que deram expressamente a cara...

Não sei se o general Spínola bebia, mas atrevia-me a dizer que na Guiné, ao soldado ao general, quem é não se meteu nos copos ? É verdade que uns tinham "pior beber" do que outros... A verdade é que se bebia, alegremente... Sobretudo depois das "operações", em "momentos festivos", em "tainadas"...

Neste capítulo, não tiver "telhados de vidro", que atire a primeira "pedra"...

Luís Graça disse...

Virgílio, "coma alcoólico" (foto nº 1)... é capaz de ser uma "força de expressão"... Bebedeiras "de caixão à cova" muitos de nós as apanhámos... Mas ficar em "coma alcoólico" era grave, e em muitos casos exigia a intervenção do furriel enfermeiro ou do médico...

Houve problemas disciplinares gtaves, nalguns casos, por causa do álcool... É bom lembrá-lo. Estou-me a recordar da tragédia da noite de Natal de 1966, em São João, em que o soldado madeirenese Cavaco, alcoolizado, matou, a tiros de G3, o comandante da sua companhia, a CART 1613, o o Alf Art, graduado em Capitão, Fonseca Ferraz.

Vd. poste de 11 de Fevereiro de 2006 >


Guiné 63/74 - DXXI: Memórias de Guileje (Zé Neto, 1967/68) (7): Francesinho e Cavaco, o belo e o monstro



Luís Graça disse...

De qualquer modo, notável neste álbum é a grande quantidade (e qualidade) de fotos que abarcam um boa parte do quotidiano de um militar no TO da Guiné... A m+aquina ou as máquinas estavam prontas a "disparar", fosse pelo fotógrafo fosse pelos seus ajudantes... São documentos que também fazem parte da nossa "petite histoire" e que não podemos nem devemos rejeitar...

Pessoalmente tenho poucas fotos da Guiné, unas escassas dezenas. Não tinha máquina, estava dependente da boa vontade dos camaradas que faziam fotografia... Por exemplo, não tengo nenuma foto na cama a arder em feber com o paludismo...

Esta semana, em que tenho estado com um surto febril, tosse e constipado, com sintomas de gripe, tenho-me lembrado bastas vezes das situações em que "curei" as minhas crises de paludismo, no Nosso quarto, em Bambadinca... Éramos quatro ou cinco por quarto... Não havia enfermaarias... Lá ia o "bom do Pastilhas", o fur mil enf Joaão Carreiro Martins, cuidar de mim ou de nós, à cama... Mas era pavorosa, uma crise de paludismo, oscilando entre os extremos, os calafrios e as febres altíssimas...

Luís Graça disse...

A propósito, tenho um dever de gratidão para com o meu camarada João Carreiro Martins que se "tratou" de algumas bebedeiras, esquentamentos, crises palúdicas... E não só...

O que será feito dele ? Sei que vivia em Lisboa e tinha dois filhos médicos...


https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/search/label/Jo%C3%A3o%20Carreiro%20Martins

Anónimo disse...

Luís, obrigado pelo telefonema de hoje antes de publicares este Poste. Realmente trata-se de assuntos da intimidade de uma pessoa, mas já vejo que não estou só.
Eu pensei muito tempo sobre a oportunidade de colocar a vista de todos, as imagens impensáveis de um militar, com este aspecto. Estavam comigo nesse período os camaradas da 1744, e eles não brincavam em serviço - digamos de copos.
Não sei então o que é um coma alcoólico, quando se perde totalmente a consciência, o que se chama a isso?
Vejo agora quando fazem a queima das fitas, no dia do cortejo, muitos estudantes são levados de ambulância para o Hospital, para se tratarem.
Nós não tínhamos ali hospital, depois não sei se o nosso enfermeiro, ou médico, foram ver o que se passava.
De qualquer modo de muitas esta foi tipo único, por isso a achei diferente de tantas outras, tenho uma centena de fotos de coisas parecidas, mas por agora fico por aqui.
Não tenho vergonha de as publicar, mas também, como disse, não é uma situação de que me orgulhe muito, era a vida do dia a dia.
E continuo ainda vivo.
Virgilio Teixeira


Anónimo disse...

Sobre as restantes enfermidades de que o Luís fala, há muito mais para contar, eu graças a Deus, tive de tudo, nada me faltou, não há doença endémica e não só, que não me tenha 'pegado'. O meu Furriel Veiga, Enfermeiro, se fosse vivo, saberia dizer muita coisa dos tratamentos que me fez às escondidas de tanta doença, que só me aconteceu na Guiné, também a culpa é da idade, mas eu já era mais velho do que qualquer militar do meu batalhão, tirando os do quadro, por isso também sou muito culpado. Felizmente apenas me resta como recordação, em vez de um estilhaço de mina alojado no corpo, trouxe uma mancha na perna, de um parasita qualquer que se alojou e não tive tempo de o curar lá com o mesmo tratamento da mesma mazela da outra perna, a esquerda, e agora ando há 50 anos a tentar resolver, mas nada consigo.
Eu tinha pensado colocar tudo no mesmo poste, mas achei que era demais, talvez ainda venha cá falar das outras 'crises' ou 'pestes', sei lá o que lhe chamar...

Virgilio Teixeira