quarta-feira, 18 de maio de 2011

Guiné 63/74 - P8289: As mulheres que, afinal, também foram à guerra (6): Mais fotos da rodagem do filme "Quem vai à guerra"...



Clementina Rebanda, casada com umn militar vítima de stresse pós-traumático de guerra a quem o exército infernalizou a vida. num processo verdadeiramente kafkiano... A última parte do filme é dedicado às sequelas de guerra, nomeadamente a nível de saúde mental, de que as mulheres também foram vítimas (e quase sempre silenciosas)...  Esta e outras mulheres de camaradas nossos t tém sido apoiadas e companhadas quer pela ADFA quer   pela Associação Apoiar (Julgo que algumas  delas pertencem ao Grupo de Ajuda Mútua das Mulheres da APOIAR).


 Este tema, já de si complexo (tanto do ponto clínico e epidemiológico, como social), possivelmente deveria merecer um outro documentário,  específico...  O filme Quem Vai à Guerra tem, no entanto, o mérito de dar "visibilidade" a um problema, grave, de saúde que afecta dezenas de milhares de portugueses e suas famíias. "O Stress de Guerra é uma realidade para dezenas de milhar de ex-combatentes da Guerra Colonial e para as suas famílias. Desde 1994 que Associação APOIAR apoia os ex-combatentes que padecem de perturbação de stress pós traumático que adquiriram quando estiveram em combate. Esta doença afecta tanto o ex-combatente como mulheres, filhos e demais familiares. A APOIAR tem um corpo clínico e social que ajuda a tratar e a recuperar para a vida activa as pessoas afectadas com esta doença".





Ana Maria Gomes, cujo papel já não me lembro (embora tenha fixado o seu rosto e a sua voz)...




Rosa Redondo, casada  com um oficial fuzileiro especial, que acompanhou num dos teatros de operações (Angola, se não me engano)... Foi também professora, tendo guardado as fichas dos seus alunos, brancos e negros, com os nomes, as fotos, o aproveitamento escolar bem como o averbamento do que desejavam ser quando fossem grandes... Representa no filme o grupo, claramente minoritário, das mulheres "politizadas"...




Odete Barata cujo papel também já não me lembro (embora tenha  gostado do seu desempenho): possívelmente uma das mulheres que acompannhou o marido no Teatro de Operações... (Preciso de rever o filme, que dedicou bastante espaço às acompanhantes dos militares, bem como às viúvas).




Ercília Pedro, enfermeira pára-quedista (que se casou no ultramar com um dos militares que conheceu em serviço, julgo que da FAP)




Quatro enfermeiras pára-quedistas, da esquerda para a direita, a Cristina Silva e a Rosa Serra (1º plano) e a Maria Arminda Santos e a Natércia Neves (em 2º plano)...  


Em 21 participantes, todas mulheres, oito são ex-enfermeiras pára-quedistas, se bem as contei: além das já citadas, temos ainda a Giselda Pessoa,  a Ercília Pedro, a Aura Teles e a Júlia Lemos...


Julgo que a veterana Zulmira André Pereira (1931-2010) ainda chegou a ser contactada pela realizadora do filme... Infelizmente, a morte levou-a em Setembro de 2010. A sua presença não deixou, porém, de se fazer "sentir" no hall da Culturgest, antes da sessão de ante-estreia do filme...




Fotos da rodagem do filme Quem Vai à Guerra, disponíveis no mural da respectiva página no Facebook (Aqui reproduzidas com a devida vénia...)



1. Ver também aqui o nosso pequeno vídeo (34''), disponível na nossa conta You Tube > Nhabijoes, com a ficha técnica do filme e as palmas  dadas, por centenas de espectadores, no final da sessão de ante-estreia, na Culturgest, Lisboa, dia 13 de Maio último, no âmbito do 8º Festival Internacional de Cinema Independente (Lisboa, 5-15 de Maio de 2011).


Recorde-se que o filme vai estrear, comercialmente, no dia 16 de Junho, em Lisboa, Porto e Aveiro (*).



Página principal da Associação Apoiar.

Além do apoio clíncio e psicossocial às vítimas de stresse pós-traumático de guerra, a Associação publica também o jornal APOIAR que é "a única publicação periódica especializada no stress de guerra em Portugal".  O nº 68, referente a Janeiro/Fevereiro de 2011,  pode ser consultado aqui a em formato PDF




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Nota do editor

(*) Vd. último poste da série > 17 de Maio de 2011 > Guiné 63/74 - P8287: As mulheres que, afinal, também foram à guerra (5): Filme "Quem Vai à Guerra", de Marta Pessoa, no circuito comercial, em Lisboa, Porto e Aveiro, a partir de 16 de Junho



Vd. também o blogue Quem Vai à Guerra

8 comentários:

Anónimo disse...

A Rosa Redondo e o marido Fernando Penim Redondo, foram meus colegas de emprego na IBM, durante cerca de 30 anos. A Rosa não só ensinou no ultramar, como a sua principal função na IBM foi a de instrutora de áreas informáticas ao longo de bastantes anos. Pela qualidade do ensino que ela desenvolveu na IBM, posso garantir que os africanos que aprenderam com ela foram uns felizardos. Quanto à sua politização é um facto, bem como a do marido. Creio também que o teatro de guerra foi Angola.
Raul Albino
C. Caç. 2402

Torcat Mendonca disse...

Falei, no comentário ao Poste anterior sobre este filme,do papel importante da mulher em apoio depois da desmobilização. É um assunto que muito pouco (nada) se tem falado e debatido aqui.
Debatem-se (não vou dizer o mesmo do economista) pequenos ou assuntos de menor importância e este ou outros com algum interesse não.
Não é critica. É? Pois que o seja.
Assunto a ser pensado.
Se não tivesses algum stresse pós guerra da Guine escrevias ou lias isto ??? Claro que não. Mais uns que outros, mesmo os que tentaram esquecer por décadas como eu...
Pois!

Ab T

Anónimo disse...

Corrigir o que está errado

Cementina Rebanda não diz no filme que ficou viúva.Seu marido Armando Sérgio Rebanda sofre de esquizeofrenia crónica derivado de acidende de guerra Em Tite Guiné 1967.Encontra-se inrternado numa Casa de Saúde

clementina disse...

Senhor Luis Graça

Meu marido,Armando Sérgio Rebanda não está morto .Encrontra-se internado desde 4-5-2004 numa Casa de Saúde
Quando muito sou viúva de um militar vivo.Agradeço que se informe antes de poblicar,obrigado

Clementina Rebanda
21-5

Marta disse...

Caro Luís Graça,
Mais umas correcções:
Conheci a Clementina Rebanda através da ADFA e não da APOIAR. O marido dela, Armando Sérgio Rebanda, ainda é vivo e encontra-se internado numa casa de saúde. Muito ficou por contar da história desta senhora tão corajosa cujo marido desenvolveu uma esquizofrenia e foi abandonado (não encontro expressão melhor) pelo Exército. Tal como ela conta no filme, já depois do marido ter tido crises e manifestar sintomas de problemas psiquiátricos, o Exército agiu como se nada se passasse e mobilizou-o para Angola!...
Na foto 2, Ana Maria Gomes acompanhou o marido, médico e Alferes Miliciano do Exército, a Macalage, Moçambique.
Na foto 3, Rosa Redondo, acompanhou o marido à Guiné, como ela prórpia refere no filme: "E não foi uma África turística, porque foi para a Guiné que nós fomos!"
Na foto 4, Odete Barata, não chegou a acompanhar o marido, pois nas vésperas de partir para Angola com os dois filhos recém-nascidos, quando já tinha as vacinas tomadas, o bilhete na mão e as malas despachadas, recebeu a notícia de que o marido havia morrido num acidente de avião.
Marta Pessoa

clementina disse...

Senhor Luis graça .
O meu marido não me infernizou a vida.Quando conheci meu marido em Nova Lisboa "Angola"Armado Sérgio Rebanda,Era uma pessoa educada e de respeiro por isso, foi aceite na minha família,se não tivesse sofrido um acidente no teatro de guerra em "Tite" Guiné 1967 não tinha sofrido traumatismo craniano e hoje seria-mos um casal feliz .Que enfernizou a nossa vida ,foi o Exército Português que abanou os Deficientes Militares,na saúde e na doença .E agora também o senhor Luis Graça.Tenha um pouco mais de respeito pelos seus camaradas.
Espero sua correção
tenha uma boa tarde
Clementina Rebanda
Clementina Rebanda

Luís Graça disse...

Cara Clementina:

Sem o querer, caí num erro que, sendo eu um homem da saúde pública, muitas vezes denuncio e condeno: a chamada condenação da vítima (em inglês, "blaming the victim")... Peço-lhe desculpa pelo erro factual de ter dado o seu marido (e nosso camarada) como morto e ter desastradamente escrito que ele, vítima, "infernalizou a sua vida"... A escrita bloguística tem destas armadilhas..Agradeço-lhe os seus contundentes e oportunos reparos. Só posso desejar o melhor possível da vida, para si e para o nosso camarada Armando Sérgio Rebanda, vítima de um verdadeiro processo kafkiano.

clementina disse...

Armando Sérgio Rebanda,deu entrada nas urgências do H.G.H.dia 26/7/2014 acompanhado por sua esposa pelas 3he15m da manha com insuficiência respiratória partiu muito sereno de mansinho,4 horas 30 minutos,sempre acompanhado por sua esposa.
Descansa em paz meu menino,meu marido,meu herói.Ambos fomos guerreiros
Clementina