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quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Guiné 61/74 - P27469: Notas de leitura (1868): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte VI: a IAO em Bolama: "Eh, pá, estás morto!... Atira-te para o chão, que estás morto!" (Luís Graça)



Luís da Cruz Ferreira 


1. Continuando a leitura do livro do Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhas da memória" (edição de autor, 2025, il., 184 pp,) (ISBN 978-989 -33.7982-0) (*). (Revisão / fixação de texto: J. Pinto de Carvalho.)


Com a especialidade de 1º cabo auxiliar de enfermeiro feita em Coimbra, no RSS (Regimento de Serviços de Saúde) (jan/mai 1972), o Luís é mobilizado para a Guiné, indo formar batalhão, o BART 6521/72, no RAL 5, Penafiel (jun / set 1972).

Daqui parte para o CTIG, por via aérea (TAM), em 22/9/1972 (*)

Em 11 páginas (pp. 48-59) descreve a sua estadia em Bolama, em cujo CIM iria fazer a IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional. O tom que adota continua a ser irónico, e às vezes burlesco, a raiar o absurdo.

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Crachá da 2ª C/BART 6521/72
(Có, 1972/74)
"O tempo que me faltava para terminar a minha comissão era tanto que para mim ainda não tinha começado a contar" (pág.56).

Em quatro pincelaas, descreve Bolama, "capital abandonada", "uma cidade de recordações de postais
desbotados" (pág.48).

O batalhão "estava aquartelado nos antigos armazéns da Casa Gouveia, que ficavam  perto do cais e pertenciam ao grupo CUF" (pág. 49),  o "dono" daquilo tudo:

 "Eram edifícios altos, cobertos de telha e sem forro, onde à noite (...) éramos armazendos em pilhas de colchões, em beliches quádruplos" (pp. 49/50)... 

De tudo o que restava do passado colonial (hospital, câmara municipal, hotel, vivendas de estilo colonial...), "a piscina era a que estava em melhores condições; estava cheia, a água era limpa e tinha um bar de apoio com muitas cervejas" (pp. 50/51).

Nas restantes páginas (pp. 52-59), fala-nos da IAO, que nada teve de empolgante, a não ser a chuva... e o quase-acidente de que foi vítima numa brincadeira estúpida, a finalizar a famigerada "semana de campo". Vale a pena reproduzir aqui os excertos correspondentes a essa cena burlewsca (pp. 56-58).








 Fonte: Excertos de Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys" (edição de autor, 2025), pp. 56-58.

Acabou-se o "recreio", mas a passagem dos "Có Boys" por Bolama (um mês, em outubro de 1972, ) "acabou por ser o melhor tempo que se passou na Guiné", confessa o autor (pág. 54).

Após a realização da IAO, no CIM, em Bolama,  a 2ª C/ BART 6521/72 seguiu, em 290ut72 para Có, sector do Pelundo,  a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição com a CCaç 3308. 


Último poste da série "Notas de leitura" > 24 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27460: Notas de leitura (1867): "Os Descobrimentos no Imaginário Juvenil (1850-1950)"; edição da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses; 2000 (1) (Mário Beja Santos)

4 comentários:

Eduardo Estrela disse...

Também pisei o chão da ilha de Bolama a dar e receber instrução como elemento da ccaç 14. Também encontrei caramelos armados em burros e a quem os amarelos dos ombros lhes dava a posse do mundo. Comandar exige respeito e dignidade.
Grande abraço
Eduardo Estrela

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Origem etimológica... Diz a IA / Google

(..:) A palavra "comandar" tem origem no latim commandare, formada pela junção de "com-" (junto) e "mandare" (ordenar, confiar), ou seja, "dar ordens em conjunto" ou "exercer autoridade sobre um grupo".

A palavra também entrou na língua portuguesa através do francês "commander".

Latim: A etimologia mais antiga vem do latim commandare, que é uma união de "com"- (junto) e "mandare" (ordenar, confiar).

Francês: Outra origem direta para o português é o francês commander, que por sua vez também tem a raiz latina.

Significado: A palavra mantém a ideia de liderança, direção e autoridade, inicialmente usada no contexto militar para descrever o ato de dar ordens a um grupo. Com o tempo, seu uso expandiu-se para outros contextos onde se exerce controle ou liderança.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Eduardo, também me aconteceu uma cena dessas, numa dessas "estúpidas semanas de campo"...Armados de Mauser, íamos atacar o IN, "abivacado" num pinhal... (Creio que foi na recruta, nas Caldas da Raínha, no 3º trimestre de 1968.)

Na "bossanguice" de apanhar a "garrafeira" do IN, lembro-me de ter também disparado, inadvertidamente, na refrega do corpo-a-corpo, um tiro à queima-roupa no cu do desgraçado do IN... E devo ter disto a mesma baboseira do alferes Guimarães para o "Beatle": "Estás morto!"...

Tirando a farda que ficou com um buraco, não houve consequências de maior para o "inimigo"... Jurei, ali mesmo, nunca mais disparar uma p*uta de uma arma, a não ser em legítima defesa...

Eduardo Estrela disse...

E fizeste tu muito bem Luís!
Uma decisão acertada e racional
Grande abraço
Eduardo Estrela