Guiné > Carta Geral da Província (1961) (Escal 1/500 mil) > Posição relativa de Dulombi, Paiai Lémenei, Rio Corubal, Ché-Ché, Béli, Madina do Boé.
Com a retirada das nossas posições, em Béli, Madina do Boé e Ché-Che, o PAIGC passou a considerar o Boé como "zona libertada", a partir de 6/2/1969, e ameaçar todo o "chão fula", pelo menos os flancos sul a sul e leste. Paiai Lémenei terá sido a zona onde morreu, em combate, o nosso camarada Lucídio Rasinhas, da CCAÇ 2405 (Dulombi, 1968/70).
1. O Rui Felício, um dos históricos da Tabanca Grande, é autor da série "Estórias de Dulombi", de que se publicarm 10 postes, até ao 1º semestre de 2013. (*).
Haverá uma morte posterior, em combate, no dia 13 de julho de 1969, a meio da comissão (e não já no fim, como por lapso ele refere a seguir) (**)
Estávamos já muito perto do final da comissão [lapso do autor: estavam a meio] (**)
Uns dias antes o Dulombi tinha sido atacado com rockets, morteiros 82, canhões sem recuo e armas ligeiras por um bigrupo, pelas 22 horas.
As balas tracejantes que antecederam o ataque, serviram para indicar o alvo naquilo que parecia ser o desencadear de um fogo de artifício em festas da Rainha Santa [em Coimbra, onde o Rui nasceu, viveu e estudou].
A Companhia respondeu ao fogo com as armas de que dispunha, designadamente morteiros 81 e 60, metralhadoras HK, Borsig e espingardas G3.
Desde que a região do Boé ficou sem efectivos militares por decisão estratégica do Comando Chefe, a retracção do dispositivo originou o que se esperava. Ou seja, a guerrilha avançou as suas forças para norte do rio Corubal e as flagelações a quartéis como o Saltinho, Dulombi, Mondajane, Cansamba, Cancolim e outros começaram a ser mais frequentes.
Uma semana depois foi planeada e executada uma operação de patrulhamento com origem no Dulombi, ficando apenas no quartel o Victor David e o seu Grupo de Combate. (O Victor David [1944-2024], instalado a poucos kms, em Mondajane, teve que se deslocar com a sua tropa para guarnecer o quartel do Dulombi, enquanto a Companhia arrancava de madrugada para o dito patrulhamento.)
Toda a restante Companhia iniciou o percurso por sueste com o objectivo de contornar Paiai Lemenei, onde se supunha que se acoitassem os guerrilheiros como base para aproximação ao nosso aquartelamento.
Ao 2.º dia à tarde, sem encontrarmos sinais do inimigo, iniciámos o regresso.
E é verdade que a nossa presença não foi detectada,v como adiante se verá.
Já no regresso, ao fim do dia, depois de andarmos perdidos no meio da mata, encontrámos finalmente a picada que ligava Dulombi à base de Paiai Lemenei.
Reunidos na picada, sentados e conversando, estavamos o Capitão [Jerónimo], o [Jorge] Rijo, o [Paulo] Raposo e eu, isto é, todos os oficiais, para além de alguns furriéis como o Ribas, o Veiga e o Esteves.
E pedi ao furriel Esteves para se posicionar atrás de nós, vigiando a nossa retaguarda.
Nisto, os dois soldados destacados para fazerem a segurança próxima a norte da picada, efectuaram algumas rajadas de G3 e correram ao nosso encontro já debaixo de fogo do inimigo.
Durante mais de meia hora o combate foi violento e percebia-se que os rockets choviam ininterruptos, especialmente na direcção do local onde estávamos porque era dali que irradiavam as vozes de comando.
Um dos rockets acertou mesmo em cheio no sitio onde estava o Capitão e os Alferes.
Ao meu lado um estilhaço acertou na cabeça do soldado que estava mesmo ao meu lado e que veio a morrer no próprio local.
Ainda auxiliei no seu transporte durante uns dois quilómetros. O cheiro a sangue no meu braço ainda hoje o sinto quando recordo.
Foi um dos estilhaços dessa forte explosão que atingiu mortalmente a cabeça do soldado Rasinhas que estava a poucos metros de mim.
Ainda tivemos tempo, um mês depois, de lhe prestarmos uma homenagem póstuma, dando o seu nome ao aeródromo de Galomaro, sede do Batalhão, numa singela placa de betão.
(Foto à direita: Lucídio Rasinhas: foi homenageado na sua terra, Paus, Resende, em 29/4/2023)
________________
Notas do editor LG:
(*) Último poste da série > 5 de março de 2025 > Guiné 61/74 - P26555: Estórias de Dulombi (Rui Felício, CCAÇ 2405) (11): A fome era má conselheira... e apertava mais no tempo das chuvas, em Sangué Cabomba, subsector de Cancolim
(**) A CCAÇ 2405 pertenceu ao BCAÇ 2852 (Bambadincsa, 1968/70), a que esteve adida a minha companhia, CCAÇ 2590/CCAÇ 12, de julho de 1969 a maio de 1970.
Mas vejamos o resto do seu historial: a CCaç 2405 seguiu em 30Jul68 para Mansoa, a fim de efectuar o treino operacional até 21Ago68 sob orientação do BCaç 1912 e seguidamente substituíu a CCaç 1686 na sua função de intervenção e reserva do sector, tendo tomado parte em diversas operações realizadas nas regiões de Changalana, Cubonge e Inquida, entre outras.
Em 28Ju169, passou à dependência operacional do COP 7, mantendo-se em Galomaro e agora com pelotões destacados em Imilo, Cantacunda, Dulo Gengele e Mondajane e depois em Dulo Gengele, Samba Cumbera e Cancolim, de onde saiu após criação do subsector em 07Nov69.
Em 07Nov69, após criação do Sector L5 Galomaro), assumiu a responsabilidade do subsector de Dulombi, também então criado, para onde foi transferida em meados de Dez69, permanecendo um pelotão em Galomaro e passando a integrar o dispositivo e manobra do BCaç 2851.
Sold at inf Lucídio Rasinhas, CCAÇ 2405 (Dulombi, 1968/70), natural de Resende, morto em combate em 13/7/1969. Indicar Bafatá co.o "local de operações" é grosseiro.
Fonte: Excertos de: Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 8.º Volume; Mortos em Campanha; Tomo II; Guiné; Livro I; 1.ª Edição; Lisboa (2001), pág. 458.
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Rui Felício |
A morte súbita do seu filho, de 38 anos, Nuno Felício, jornalista, da rádio Antena 1, foi devastadora para ele, a família e amigos. A sua colaboração com o nosso blogue, naturalmente, ressentiu-se, a partir daí.
Estamos, todavia, a dar continuidade à sua série, com mais algumas "estórias" que vamos recuperando da sua página do Facebook... É o caso de mais esta, que merece honras de blogue.
Recorde-se que o Rui Felício foi alf mil at inf, CCAÇ 2405 / BCAÇ 2852 (Dulombi, 1968/70). Perdeu 11 dos seus homens do seu pelotão na Op Mabecos Bravios, mortos por afogamento na "cambança" do Rio Corubal, em Cheche, em 6/2/1969, efeméride que acabámos de evocar, na série "Foi há...".
Estamos, todavia, a dar continuidade à sua série, com mais algumas "estórias" que vamos recuperando da sua página do Facebook... É o caso de mais esta, que merece honras de blogue.
Recorde-se que o Rui Felício foi alf mil at inf, CCAÇ 2405 / BCAÇ 2852 (Dulombi, 1968/70). Perdeu 11 dos seus homens do seu pelotão na Op Mabecos Bravios, mortos por afogamento na "cambança" do Rio Corubal, em Cheche, em 6/2/1969, efeméride que acabámos de evocar, na série "Foi há...".
O Rui foi um dos sobrevientes, tendo conseguido libertar-se da arma e cartucheiras. Muitas das vítimas não sabiam nadar.
A sua companhia, a CCAÇ 2405, perdeu 17 homens num total de 47 (os restantes pertenciam à CCAÇ 1790).
Haverá uma morte posterior, em combate, no dia 13 de julho de 1969, a meio da comissão (e não já no fim, como por lapso ele refere a seguir) (**)
A morte do soldado Lucídio Rasinhas, natural de Resende
por Rui Felício
Uns dias antes o Dulombi tinha sido atacado com rockets, morteiros 82, canhões sem recuo e armas ligeiras por um bigrupo, pelas 22 horas.
As balas tracejantes que antecederam o ataque, serviram para indicar o alvo naquilo que parecia ser o desencadear de um fogo de artifício em festas da Rainha Santa [em Coimbra, onde o Rui nasceu, viveu e estudou].
A Companhia respondeu ao fogo com as armas de que dispunha, designadamente morteiros 81 e 60, metralhadoras HK, Borsig e espingardas G3.
Desde que a região do Boé ficou sem efectivos militares por decisão estratégica do Comando Chefe, a retracção do dispositivo originou o que se esperava. Ou seja, a guerrilha avançou as suas forças para norte do rio Corubal e as flagelações a quartéis como o Saltinho, Dulombi, Mondajane, Cansamba, Cancolim e outros começaram a ser mais frequentes.
Uma semana depois foi planeada e executada uma operação de patrulhamento com origem no Dulombi, ficando apenas no quartel o Victor David e o seu Grupo de Combate. (O Victor David [1944-2024], instalado a poucos kms, em Mondajane, teve que se deslocar com a sua tropa para guarnecer o quartel do Dulombi, enquanto a Companhia arrancava de madrugada para o dito patrulhamento.)
Toda a restante Companhia iniciou o percurso por sueste com o objectivo de contornar Paiai Lemenei, onde se supunha que se acoitassem os guerrilheiros como base para aproximação ao nosso aquartelamento.
Ao 2.º dia à tarde, sem encontrarmos sinais do inimigo, iniciámos o regresso.
Tínhamos tido a preocupação de fazer todo o patrulhamento fora dos trilhos de pé posto, para que a nossa presença não fosse detectada, o que implicava um maior esforço e atenção redobrada na progressão, orientada quase exclusivamente por bússola, pontos de cota geográficos de referência e linhas de água constantemente referenciadas na carta topográfica.
E é verdade que a nossa presença não foi detectada,v como adiante se verá.
Já no regresso, ao fim do dia, depois de andarmos perdidos no meio da mata, encontrámos finalmente a picada que ligava Dulombi à base de Paiai Lemenei.
Exaustos pela difícil caminhada, mas contentes, foi decidido pararmos para descanso de alguns minutos ficando a cabeça da coluna na picada e o resto da tropa espalhada pelo mato.
Mandei dois soldados afastarem-se para um dos lados da picada e outros dois para o outro lado, vigiando qualquer eventual movimento anómalo.
Reunidos na picada, sentados e conversando, estavamos o Capitão [Jerónimo], o [Jorge] Rijo, o [Paulo] Raposo e eu, isto é, todos os oficiais, para além de alguns furriéis como o Ribas, o Veiga e o Esteves.
E pedi ao furriel Esteves para se posicionar atrás de nós, vigiando a nossa retaguarda.
Nisto, os dois soldados destacados para fazerem a segurança próxima a norte da picada, efectuaram algumas rajadas de G3 e correram ao nosso encontro já debaixo de fogo do inimigo.
Um deles, cujo nome já se me varreu da memória, mas cuja imagem ainda conservo bem nítida, progredia cambaleante agarrado à barriga ensanguentada onde tinha sido atingido.
Felizmente, foi evacuado para Bissau e depois para Lisboa, tendo-se salvo.
Felizmente, foi evacuado para Bissau e depois para Lisboa, tendo-se salvo.
Percebemos então que uma coluna de guerrilheiros fortemente armada se dirigia em direcção ao Dulombi para executar um ataque ao quartel ao cair da noite.
Tinham sido apanhados de surpresa pela presença inesperada da nossa Companhia naquele local, ainda afastado do aquartelamento.
Durante mais de meia hora o combate foi violento e percebia-se que os rockets choviam ininterruptos, especialmente na direcção do local onde estávamos porque era dali que irradiavam as vozes de comando.
Um dos rockets acertou mesmo em cheio no sitio onde estava o Capitão e os Alferes.
Ao meu lado um estilhaço acertou na cabeça do soldado que estava mesmo ao meu lado e que veio a morrer no próprio local.
Ainda auxiliei no seu transporte durante uns dois quilómetros. O cheiro a sangue no meu braço ainda hoje o sinto quando recordo.
Era o soldado [Lucídio] Rasinhas [, natural de Resende]… Lá ficou…
Rui Felício (***)
PS - Ainda hoje me lembro do meu corpo ter levantado por efeito do sopro de uma granada de rocket que explodiu na ramagem da árvore ao lado de cujo tronco me protegia, acachapado na terra.
Foi um dos estilhaços dessa forte explosão que atingiu mortalmente a cabeça do soldado Rasinhas que estava a poucos metros de mim.
Ainda tivemos tempo, um mês depois, de lhe prestarmos uma homenagem póstuma, dando o seu nome ao aeródromo de Galomaro, sede do Batalhão, numa singela placa de betão.
(Foto à direita: Lucídio Rasinhas: foi homenageado na sua terra, Paus, Resende, em 29/4/2023)
________________
Notas do editor LG:
(*) Último poste da série > 5 de março de 2025 > Guiné 61/74 - P26555: Estórias de Dulombi (Rui Felício, CCAÇ 2405) (11): A fome era má conselheira... e apertava mais no tempo das chuvas, em Sangué Cabomba, subsector de Cancolim
(**) A CCAÇ 2405 pertenceu ao BCAÇ 2852 (Bambadincsa, 1968/70), a que esteve adida a minha companhia, CCAÇ 2590/CCAÇ 12, de julho de 1969 a maio de 1970.
Embarque: 24Ju168; desembarque: a 30Jul68 | Regresso: 16Jun70 (CCaç 2405 em 28Mai70).
Em 1/7/1969, a CCAÇ 2405 estava colocada em Galomaro , com 1 Pel em Dulombi, 1 Pel em Samba Cumbera e 1 Pel (-) em Fá.
Em 1/7/1969, a CCAÇ 2405 estava colocada em Galomaro , com 1 Pel em Dulombi, 1 Pel em Samba Cumbera e 1 Pel (-) em Fá.
Mas vejamos o resto do seu historial: a CCaç 2405 seguiu em 30Jul68 para Mansoa, a fim de efectuar o treino operacional até 21Ago68 sob orientação do BCaç 1912 e seguidamente substituíu a CCaç 1686 na sua função de intervenção e reserva do sector, tendo tomado parte em diversas operações realizadas nas regiões de Changalana, Cubonge e Inquida, entre outras.
Deslocou ainda pelotões, por períodos variáveis, para Bissá e Bindoro e participou ainda numa operação realizada na região de Cã Quebo, Morés, esta em reforço temporário do BCaç 2851.
Em 12 e 17Dez68, foi substituída, por fracções, pela CCaç 1685, seguindo para Fá Mandinga e depois para Galomaro, onde assumiu, em 24Dez68, a responsabilidade do respectivo subsector, rendendo a CCaç 2436 e ficando integrada no dispositivo e manobra do seu batalhão, mantendo, sucessivamente e por períodos variáveis, efectivos seus destacados em Pate Gibel, Campata e Cansamba e depois, em meados de Mar69, em Samba Juli, Dulombi e Samba Cumbera.
Em 28Ju169, passou à dependência operacional do COP 7, mantendo-se em Galomaro e agora com pelotões destacados em Imilo, Cantacunda, Dulo Gengele e Mondajane e depois em Dulo Gengele, Samba Cumbera e Cancolim, de onde saiu após criação do subsector em 07Nov69.
Em 07Nov69, após criação do Sector L5 Galomaro), assumiu a responsabilidade do subsector de Dulombi, também então criado, para onde foi transferida em meados de Dez69, permanecendo um pelotão em Galomaro e passando a integrar o dispositivo e manobra do BCaç 2851.
Em 10Mai70, foi rendida pela CCaç 2700 e recolheu seguidamente a Bissau, a fim de aguardar o embarque de regresso.
O pessoal ficou conhecido como os "baixinhos de Dulombi". E a sua divisa era: "Perigos Vários".
O pessoal ficou conhecido como os "baixinhos de Dulombi". E a sua divisa era: "Perigos Vários".
(***) Esta versão resulta da fusão de 2 textos do autor, publicados na página do Facebook do Rui Felício
- 5 de julho de 2023 (Memórias que não se apagam);
- 21 de maio de 2024 (Guerra)
(Revisão / fixação de texto, título: LG)




7 comentários:
Nunca conseguimos defender sequer a margem direita do rio Corubal.
Abaixo do rio Geba, só tinhamos o regulafo de Badora e do Cossr, com muita população ainda.
O que fazer a essa gente toda sei a linha de fronteira passasse a ser a estrada Xime - Bambadinca - Nova Lamego ?
As milícias sozinhas não aguentavam com a pressão do PAIGC. Madina Xaquili vai ser abandonada em outubro de 1969. Foi lá que a CCAÇ 12, mal chegada a Bambadinca (18 de julho de 1969) teve o seu batismo de fogo (a 24 e logo a seguir a 28). Beli e Madina do Boé foram abandonados mas estava previsto construir um grande aquartelamento com pista para T6 e Dacotas... no Cheche!... Entregaram o "ouro ao bandido". O trauma do desastre do Cheche foi grande. Ninguém conseguiu imaginar que com o PAIGC à solta no Boé só faltava a "declaração da independência" de papel passado e carimbo das Naçóes Unidas, da OUA, e do bloco soviético...O "brilhante" Hélio Felgas voltou para a Academia, e foi receber a sua Torre e Espada no 10 de junho, deixando a batata quente ao Spínola (ao que parece, não morriam de amores um pelo outro). Ao Spínola e a quem, como nós, lá ficou... Há decisões (tomadas de ânimo leve?), como o do abandano de toda a zona do Boé, que se pagam caro. Sei do que falo, porque sobrou para a CCAÇ 12, pra os páras, etc.
Vão-me dizer: pois é, mas o Spínola já não tinha tropas de quadrícula, metropolitanas...O lençol já era curto para fazer aquela cama grande e complicada... Não são apnas 36 mil km2 e 500 mil habitantes (que é preciso encher a barriga de arroz)...São as marés, são as chuvas, é o clima tropical, sãs as formigas são as abelhas, etc, mais os sacanas dos balantas e biafadas do PAIGC, cada vez melhor armados, a bater o pé aos "tugas", e lá fora todo o mudo, de Estocolmo a Moscovo, de Havana a Conacri, a apoiar o Cabral, "és o maior, pá!"...
A história do Rui Felício fez-me lembrar a que eu passei, na zona que ele descreve, em Paiai Lemenei, anos depois, em 11 de Março de 1972, quando com o meu grupo de combate (2º) e outro combate (3º), ambos da CCAÇ3491, recentemente chegados ao Dulombi, e reforçados por 1 secção de milícias, quando regressávamos de uma operação a uma zona perto do Rio Corubalo, numa zona fortemente arborizada, onde parámos para descansar. Fomos alertados pelos gritos de alerta de um dos meus soldados, que avistou 2 elementos IN a avançar sobre a nossa zona, seguidos de uma forte rajada de metralhadora. Após alguns segundos de silêncio, desatou um "fogachal" sobre nós, com roquetes e tiros de armas automáticas. Depois da surpresa, houve uma reacção do nosso pessoal e foi um elemento africano, do 3º grupo, já experiente, que agarrou o morteirete 60mm, colocou-o à barriga (um feito que nunca mais vi ninguém fazer) e largou um par de granadas que terão caído perto donde estavam os elementos do IN acoitados. De facto, o fogo deles quase parou imediatamente. Entretanto o escuro da noite foi surgindo. A rajada que tínhamos ouvido, foi lançada por um dos meus 1º cabos, que também avistou os elementos do PAIGC e disparou uma rajada da sua ML e pouco mais porque a HK-21 encravou. Tivemos feridos ligeiros, mas o IN pelos rastos e poças de sangue encontradas(só no dia seguinte) e material deixado pelo chão, tiveram baixas de certeza. Na rádio do PAIGC disseram que tínhamos sofrido 8 mortos e, o que não era normal, referiram terem sofrido baixas. Como na história do Rui, deduzimos que o grupo IN, também tinha parado na mesma zona, provavelmente a descansarem, para mais tarde irem atacar o Dulombi. Abraço a todos os camaradas.
Luís Dias Ex-Alf da CCAÇ3491/BCAÇ3872-Dulombi/Galomaro
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