terça-feira, 24 de julho de 2018

Guiné 61/74 - P18868: E as nossas palmas vão para... (17): as nossas mulheres que muito sofreram e ainda sofrem por causa daquela guerra... Uma flor de São Domingos para elas! (Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, CCS / BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)


Foto nº 1


Foto nº 2

Guiné > Bissau > São Domingos > CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69 > 1968 > Uma foto da Guiné para as nossas mulheres...

Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mensagem de Virgílio Teixeira, com data de 20 do corrente: 

Assunto - Uma flor para as nossas mulheres

Luís, como a vida não é só guerra, aqui vai uma oferta minha para todas as mulheres de todos os combatentes de todas as frentes de combate que lutaram por um Portugal melhor.

Uma Flor da Guiné Portuguesa  (foto nº 1)

Julgo que foi tirada na foto abrigo (foto nº 2), junto a uma árvore com essas flores.

Foi no ano de 1968, não sei que mês.

Andavam perdidas no meu Álbum.

Oferece neste dia, em meu nome e de todos, este Poste àquelas mulheres que também muito sofreram e ainda sofrem...

Um abraço e obrigado,
Virgílio

[ex-alf mil SAM, CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)

2. Comentário do editor

Mais duas fotos do álbum do Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, set 1967/ ago 69). Natural do Porto, vive em Vila do Conde, sendo economista, reformado, casado, pai e avô... Tem já perto de 7 dezenas de referências no nosso blogue.  
E acabou de me escrever, começando por me dizer:

"Bom dia Luís, estou 'triste' pois podias postar pelo menos aquela flor e mensagem no fim de semana. Mas, já perdeu a sua oportunidade, talvez acredito que tenhas tanta escolha e seja difícil a decisão, mas era um pequeno poste sem muita conversa. Paciência."(...)

E acabei de lhe explicar, com bonomia, que estive de "fim de semana", na Lourinhã. com amigos, não deu para trabalhar muito... Ao mesmo tempo, tenho outras tarefas, que me consomem tempo e que não posso adiar (um livro em curso, por exemplo...)... Além disso, o nosso querido coeditor Carlos Vinhal está, com a sua Dina, de férias, de resto bem merecidas!... 

Virgílio, não percebi que era um pedido especial, talvez uma data querida para ti e a tua querida esposa... Mas, eu continuo a ter-te sempre na máxima consideração... Não te chateies, se a gente aqui às vezes não consegue estar à altura de satisfazer todos os teus pedidos e expetativas... Bom, tentei  dar a volta à coisa... Com atraso de quatro dias, aqui tens o poste... E faço minhas as tuas palavras: é uma bela foto, uma bela flor para as nossas queridas mulheres que muito sofreram e ainda sofrem com aquela guerra (e as suas memórias doridas)... Elas bem merecem as nossas palmas... e esta tua flor!...

PS - Virgílio, não querendo ser desmancha-prazeres, assim, de repente, a tua árvore parece uma acácia... E já não me lembro da flor da acácia... Já não vou a Angola há uns anos... Mas, feita uma pesquisa na Net, é capaz de ser mesmo uma flor da acácia vermelha... Os nossos entendidos que digam da sua justiça...

17 comentários:

Valdemar Silva disse...

A mim parece-me (foto 2) um jacarandá florindo e muito parecido com o que vi, pela primeira vez, quando cheguei/passei a Contuboel.

Valdemar Queiroz

Anónimo disse...

A flor da foto 1, é de um Hibiscus sp. (arbusto).

Na foto 2 vemos as árvores de Acácia rubra (Delonix regia, se ainda não mudaram de nome) em flor, vermelhas vivo que são das mais belas das acácias.

Abraços
JPicado

José Teixeira disse...

A foto deve ter sido tirada em Maio ou Junho. Eu cheguei a Ingoré a 8 de Maio de 1968 e a estrada central da vila - que vai de S. Vicente a S. Domingos - estava embelezada com estas lindas flores. Quando em principio de Junho surgiram os primeiros e violentos ventos, o chão ficou belamente atapetado. Digno de se ver, uma imagem que retenho com saudade.

José Teixeira

Tabanca Grande disse...

Obrigado, camaradas, é bom vê-los por aqui!... A malta, com o campeonato do mundo de futebol, deixou de nos ligar... A Tabanca Grande, o nossa blogue, tem andado tristonho...

Valdemar, jacanradás é cá comigo... Mas só os coneços de flor azul ou lilás, e amarela... Prefiro o lilás... ESte ano em Lisboa floriram mais tarde, aí estão por aí em Lisboa... E continuam lindos e inspiradores...

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2014/06/guine-6374-p13271-manuscritos-luis.html


Os jacarandás de Lisboa ou o puro azul do desejo

por Luís Graça

Estavam lindos os jacarandás
quando deixei Lisboa
e o Tejo, ao fundo.
Eram o puro azul do desejo,
o azul do lápis lazúli,
o azul mais inebriante do mundo.

Para trás, ficava o sulco de uma canoa
e o cheiro a alfazema de Alfama.
No teu quarto,
de hotel barato,
o sofá-cama desfeito
era um certo jeito
de dizer adeus,
um jeito tão português,
tão nosso,
o nosso fado, dirás,
ora batido ou chorado,
ora dançado ou cantado.

Falar da saudade de quem fica,
não posso
nem devo dizer do desejo de quem parte,
que o amor é ciência e é arte.
Subo aos céus,
em avião a jacto
que corta o planeta
em duas metades laranja ao pôr do sol.

Não sei se é amor,
de jure et de facto,
ou apenas sorte
o arco-íris da tua paleta
com que pinto Lisboa de jacarandás.
Mas que pode a imaginação do poeta,
quando o coração, mais forte,
pensa que manda ?

Em Lisboa, cidade aberta,
eram os teus lábios de girafa
que eu em vão procurava
nas folhas das acácias vermelhas
com que imaginava,
coberta,
a ilha de Luanda…

Tabanca Grande disse...

Obrigado, Jorge, engenheiro agrónomo sabe e não deixa por mãos alheias os seus créditos...

Até um dia destes, na Costa Nova... Por volta de 20 e poucos de agosto... Abraço, Luís

Tabanca Grande disse...

Zé, obrigado, pelas tuas doces lembranças, cheguei à Guiné nessa altura, finais de maio de 1969... Estive em junho/julho em Contuboel... As melhores recordações da Guiné, seis semanas de paz com as cores, os cheiros e os sabores desse oásis que era Contuboel... E onde devia haver acácias, já não me lembro... Em Bambadinca, havia acácias, em frente ao edifício do comando onde dormíamos... Em Luanda, andei desesperadamente à procura das acácias... Felizmente tenho jacarandás em Lisboa... Mas só em maio/junho/julho... Não se pode ter tudo...

Valdemar Silva disse...

Luís, parece que, realmente, os jacarandás são árvores mais 'crescidas' até tenho
algumas na minha rua, mesmo à frente da porta.
A Clara Pinto Correia tem um excelente estudo sobre a floração dos jacarandás.
Eu tenho um problema de daltonismo confundindo o lilás com grená, roxo com granada e bordeaux.
E belo poema.

Ab.
Valdemar Queiroz

Tabanca Grande disse...

Sobre a Delonix Regia, ver aqui...

https://pt.wikipedia.org/wiki/Delonix_regia

Anónimo disse...

Obrigado a todos pelo interesse e comentários. Um muito obrigado especial ao Luís, que também cada vez mais me surpreende com as suas palavras, que eu não consigo dizer, e com os seus fabulosos versos, que não sei também construir. Fiz um único ao meu 1º neto em 08DEZ2001, quando completou o seu 1º ano de vida, depois perdi a pouca veia que tinha..
O Valdemar diz que tem um problema daltónico, e eu estou a enfrentar agora uma lágrimas nos olhos que não me deixam escrever direito. Desculpa a comparação, mas é uma realidade, sou um eterno sentimental, nada a fazer agora.
De flores pouco conheço, estes nomes dizem-me pouco, claro que ouvi falar em acácias, mas não as conhecia, mas havia lá muitas destas, se tirei esta foto, é porque me disse alguma coisa nesse dia e hora, entre Maio e Junho de 68.
O Luis diz que chegou lá - a Contuboel - por essa altura em Maio de 69, mas estamos a falar em Maio de 1968. Foi um lapsos de memória.
José Teixeira, nessa data que chegaste a Ingoré - que lamentavelmente não conheço, e dizem que era muito superior a S.Domingos - tiveste ocasião de passar por SD? Eu estava lá. Julgo que não se faziam colunas para Ingoré, tenho algumas fotos no rio a carregarem mantimentos para Ingoré.

Espero que as nossas mulheres apreciem e gostem da flor e do gesto!

Virgilio Teixeira

Cherno Baldé disse...

Caros amigos,

Na Guiné do antigamente, havia duas especies de arvores que acompanhavam os viajantes os partiam ou que chegavam a qualquer sitio: Nas estradas do interior eram os Bissilaos que imponentemente ocupavam as bermas e que serviam tambem para dar sombra aos viajantes, pois que antigamente todos andavam a pe, mesmo os administradores ou Chefes de Postos, isto porque carros simplesmente nao haviam e, quando nao ha, nao faz falta. O meu avo que participou na ultima Guerra de Canhabaque (a revolta de 1935/36), explicou-nos que tinham andado a pé, desde a sua aldeia de Sare-saliu, situada entre Fajonquito e Cambaju, no sector de Contuboel, até a Capital, em Bolama, e vice-versa. Alguns poucos Regulos ainda tinham cavalos para si e para os seus Batulas (Conselheiros) e chefes de Guerra.

Nas cidades, existiam as belas acacias que cuprimentavam com o seu colorido e odor aqueles, poucos, que se aventuravam a visita-las porque as cidades nao eram para toda a gente como agora e era preciso ter um motivo devidamente justificado para se deslocar a cidade. Em Contuboel, Gabu, Sonaco, Bambadinca e Bissau, mas foram as Acacias, a entrada leste de Bafata, que verdadeiramente me deslumbraram e, foi tambem a primeira cidade, de verdade, que visitei em 1973.

Hoje em dia, nada daquilo existe e a unica coisa visivel e que se espalhou por todos os lados, aldeias, vilas e cidades sao as miseraveis e inqualificaveis barracas que servem para tudo menos para agradar a vista de quem, pelo menos alguma vez, foi educado no primor da etica e estica urbanas.

Com um abraco amigo,
Cherno Baldé

Anónimo disse...

Caro amigo Cherno Baldé:
Bela descrição do que era antigamente a vida na Guiné e o que se tornou hoje em dia, não só aí, mas cá também. Gostei dessa de ir para a cidade só com motivo justificado, são estas culturas que se perderam, mais cá do que lá!
Essas inqualificáveis 'barracas' a que te referes, são os restos dos nossos aquartelamentos, dos soldados tugas?

Se assim é, não temos culpa, se fomos 'expulsos' não houve tempo para arrumar a casa, certo?

Mas é verdade tenho visto fotos actuais onde só se vê os restos daquilo que sobra dos sítios onde cada um de nós viveu lá 2 anos. Já deviam ter mandado tudo abaixo e aproveitar a madeira para outro fim.

Mas aquela flor é mesmo de São Domingos, isso não tenho duvidas, até porque só lá é que tive acesso a slides a cores. Não me lembro, ou passou-me ao lado, outras flores no Gabu e arredores, também nunca procurei.

Um abraço amigo do

Virgílio Teixeira


Valdemar Silva disse...

Julgo que o Cherno quis dizer que só se podia ir à cidade com justificação/autorização.
Era assim?

Valdemar Queiroz

Anónimo disse...

Não me parece que fosse essa a ideia, o Cherno o dirá. Autorização de quem?
VT/.

Anónimo disse...

O Cherno tem alguma razão quando afirma que era necessário uma autorização...Na verdade, era um "passe", se preferirem uma guia de marcha, já não me recordo quem o assinava, quando o seu portador se ía fixar por algum tempo noutra área que não a sua ou simplesmente visitar familiares.
Recordo aqui que as pessoas movimentavam-se muitas vezes para a apanha do cajú (um exemplo).
O portador do passe estava obrigado a apresentar-se no Destacamento Militar da localidade, mas desconheço o processo no caso de haver Posto Administrativo. Presenciei isso muitas vezes no Destacamento de São João, a única autoridade local, onde havia uma apreciável quantidade de cajueiros.
Todos nós sabemos da possibilidade de inflitraçães. O passe ajudava a reconhecer o seu portador e não tinha outro efeito que esse.
Cumprimentos.
José Câmara

Tabanca Grande disse...

Escreveu o Cherno:

(...) "Hoje em dia, nada daquilo existe e a unica coisa visivel e que se espalhou por todos os lados, aldeias, vilas e cidades, sao as miseraveis e inqualificaveis barracas que servem para tudo menos para agradar a vista de quem, pelo menos alguma vez, foi educado no primor da etica e estética urbanas." (...)

Concordo, África é um desastre urbanístico... Mas as cidades europeias, no pós-guerra, e até aos 70 anos, não eram melhores... Paris era um imenso "bidonville"... E hoje há imensos bairros onde a gente não entra... em muitas vidades europeias, ou nas suas periferias... Para não falar das megacidades de 20, 25, 30 milhões de habitantes... Os turistas ficam nos "resorts", passa-lhes a miséria ao lado... Ab, Luis

Anónimo disse...

Virgilio.
À data, apenas nos deslocávamos até Sedengal. A S. Domingos só fui em 2011/2013/ e 2015 de passagem para Varela e tabancas próximas, como Baceor Poilão de Leão, Elalab e Djufunko.

Abraço
Zé Teixeira

Anónimo disse...

Zé Teixeira, pois Sedengal era uma localidade que fazia parte do sector de SD. Conheci Poilão de Leão, mais nada.
Quando fiz a minha viagem no Sintex para Susana, depois fomos de Unimog, uns 30 elementos daquela Companhia, 1684, salvo erro, e passei por localidades que nem sei o nome, fomos a Varela, tomamos banho de mar, e percorremos o areal todo até Cabo Roxo onde termina oficialmente o território da Guiné. Depois no regresso, e como já referi, acabamos por nos perder nos rios e fomos parar a uma tabanca de Felupes, coisa muito primitiva. O Heli acabou por nos encontrar ao fim de 24 horas e lá regressamos a SD. Nunca escreveram nada deste acontecimento, porque foi uma acção de reabastecimentos para SD, 'comandada' por um Alferes do SAM, mais 2 militares, e o barqueiro. Não fiquei traumatizado com isso, até vinha a dormir em cima dos sacos de batatas e ao lado da vaca viva..........
Abraço, Virgilio Teixeira