quarta-feira, 25 de julho de 2018

Guiné 61/74 - P18869: Para que os bravos de Madina do Boé, de Béli e do Cheche não fiquem na "vala comum do esquecimento" - Parte II: A fonte da colina de Madina: mais fotos do álbum do Manuel Coelho (ex-fur mil trms, CCAÇ 1589 / BCAÇ 1894, Bissau, Fá Mandinga, Nova Lamego, Béli e Madina do Boé, 1966/68)


Foto nº 1


Foto nº 2


Foto nº 3


Foto nº 4

Guiné > Região do Boé > CCAÇ 1589 / BCAÇ 1894, "Os Tufas" (Bissau, Fá Mandinga, Nova Lamego, Beli e Madina do Boé, 1966-68) > 1967 >  A "Fonte da Colina de Madina"... Na foto nº 1, o fotógrafo...

Fotos (e legendas): © Manuel Caldeira Coelho (2018). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mensagem do Manuel Coelho, com data de 23 do corrente, às 19h45;

Para quem esteve nessa zona de guerra, pelo menos para mim, pouco nos diz as fotos e vídeos do Patrício Ribeiro, a não ser um ou outro pormenor que se reconhece (*).

Parabéns pelo esforço (conseguido) de mostrar uma região tão importante para nós como para o PAIGC. Quem sobreviveu aqui a este conflito não esquece, fica marcado no nosso pensamento e,  mesmo após 50 anos. ainda dói!

Quem dera ter a veia poética do Luís ou de outros camaradas para explicar em verso o calvário de meses de isolamento, com  falta de reabastecimento, ataques diários, etc...

Para comparar envio mais algumas fotos [, inéditas,  ] do meu álbum, começando pela da célebre "Fonte da Colina de Madina" [, que ainda lá está] (*)...

Em relação a esta fonte, ela servia não só para fornecer os bidões para banho como para as lavadeiras fazerem o seu trabalho. Para beber tinha de se ferver ou desinfectar devidamente.

(Continua)


2. Comentário do nosso editor LG:

Até à data o Manuel Coelho é quem tem as melhores fotos de Madina do Boé... Recorde-se que ele foi fur mil trms, CCAÇ 1589 / BCAÇ 1894 (Nova Lamego e Madina do Boé, 1966/68), também alinhava nas saídas para o mato,  vive em Paço de Arcos, desde 1969, mas nunca esquece a sua querida  terra, Reguengos de Monsaraz.

Os "tufas", os bravos da CCAÇ 1589 (**) reuniram-se este ano em 26 de maio passado.  Vou pedir ao Manuel Coelho que nos mande umas fotos desse convívio.
___________

Notas do editor:

(*) Vd. postes de:

21 de julho de 2018 > Guiné 61/74 - P18863: Bom dia, desde Bissau (Patrício Ribeiro) (8): Os meus passeios pelo Boé - Parte II: 1 de julho de 2018: Béli (e a Fundação Chimbo Daribó), Dandum, Madina do Boé, Canjadude..

21 de julho de 2018 > Guiné 61/74 - P18861: Bom dia, desde Bissau (Patrício Ribeiro) (7): Os meus passeios pelo Boé - Parte I: 30 de junho de 2018: a travessia do Rio Corubal, de jangada, em Ché Ché

(**) Último poste da série > 24 de julho de 18 > Guiné 61/74 - P18867: Para que os bravos de Madina do Boé, de Béli e do Cheche não fiquem na "vala comum do esquecimento" - Parte I: seleção de fotos do álbum do Manuel Coelho (ex-fur mil trms, CCAÇ 1589 / BCAÇ 1894, Bissau, Fá Mandinga, Nova Lamego, Béli e Madina do Boé, 1966/68)

10 comentários:

Tabanca Grande disse...

Camaradas, todos temos talentos, uns mais para a escrita, outros mais para a fotografia, ou para a conversa à roda da mesa... O importante, em relação às nossas memórias deste período das nossas vidas, é que elas sejam partilhadas... Se puderem ficar em "suporte documental digital", ainda melhor... A famosa "Fonte da Colina de Madina" é mais velha do que alguns de nós... E ainda lá está, desafiando o tempo e os viajantes...

Obrigado, Manel!

Anónimo disse...

Realmente estas são de longe as melhores fotos daquela martirizada região do planeta.
Faz-me uma certa nostalgia,falar desta Companhia - cc1589 - pois estava sob o comando do nosso Batalhão, - bc1933 - pois eu vi-os a chegar a NL e por aquilo que se falava, se ouvia diariamente, as flagelações, as colunas para Madina, e eu sem ter tido a possibilidade de conhecer aquela zona, fico como se nada de importante tivesse feito. Isto apesar de a catástrofe do CheChe com uma companhia do meu batalhão - cc1790 - já não me dizer tanto, pois nessa altura estava muito longe de NL, e as noticias eram muito poucas.
Parabéns ao Manuel Coelho, consegue ter melhores fotos do que eu!
Venham mais, eu queria ver os veteranos do Vietname a viver esta guerra.....
Mas temos de ser realistas, o talento da escrita do Luís é um espanto.

Virgilio Teixeira

Valdemar Silva disse...

Extraordinárias fotos do Manuel Coelho.
Quem agora as vê e se for jovem ou não ter ido prá Guerra Colonial, provavelmente ficará confuso: mas isto não é na 1ª. Guerra Mundial?
É verdade, não é mas até parece. Quem esteve naquele tempo na Guiné, só de ouvir falar de Madina do Boé fica arrepiado.
Nos azulejos na Fonte de Madina, que ainda lá estão, está a marca da passagem dos
portugueses por aquelas bandas e para que conste que foi em 1945, ano do meu nascimento.

Valdemar Queiroz

Cherno Baldé disse...

Caros amigos,

Falando sobre as fontes ou nascentes de agua em locais estrategicamente situadas junto de pequenas elevacoes de terreno, como tenho visto um pouco por todo o territorio, no Norte, Sul, Este e Oeste, fico sempre maravilhado a vista e na presenca deste apurado conhecimento do terreno e da nocao do que pode ser um desenvolvimento duravel e auto sustentado strictus sensus. O que mostra, claramente, que os "colonialistas" que nos governaram nos anos 30 e 40 (aqui certamente no tempo de Sarmento Rodrigues), tinham uma visao de longo prazo e uma nocao clara sobre o que era o desenvolvimento auto sustentado, centrado nos recursos e bens disponiveis localmente e na sua utilizacao racional e equilibrada a bem da comunidade.

O Manuel Coelho diz que a agua precisava ser fervida antes do seu consumo, mas a verdade eh que ela eh servida assim mesmo e muitas vezes eh do melhor que ha (Iagu Sabi) e, pessoalmente, ja a bebi muitas vezes, directamente da fonte, em Bafata, Quinhamel, Canchungo e, comparada com a agua das nossas bolanhas do leste, era uma maravilha d'agua e ainda hoje eh.

Com um abraco amigo,

Cherno Baldé

Eh o que tenho estado a dizer aos mais novos, sempre que vejo esses maravilhosos locais com as suas fontes quase centenarias, mas que ainda continuam vivas e a jorrar agua limpa e da melhor que ha disponivel ao beneficio das populacoes locais e com nomes proprios que as populacoes as deram.

Encontrei-as em Bafata (Boma), Bissau, Quinhamel (Hoilan), Canchungo, Catio, Bambadinca, Madina de Boe e sei que existem e estao espalhadas por todo o territorio nacional.

Ja nao podemos dizer o mesmo dos furos e bombas manuais que os novos Projectos de desenvolvimento, fruto da coooperacao e das ajudas internacionais espalharam nas zonas rurais em anos recentes, mas que normalmente duram pouco, nao sabendo ao certo se nao teriam, tambem, um aplicativo de obsolescencia programada, como se diz actualmente sobre todos os produtos do capitalismo moderno que nos calhou em escala.



Tabanca Grande disse...

Cherno, tens razão, há uma sabedoria antiga que, hoje, os mais novos ignoram, para não dizer que desprezam...

É bom termos "backups", cópias de segurança das nossas tecnologias artesanais... Pode ser que um dia ainda não nos façam falta... Todos os dias escrevo o meu diário, à mão, em papel, à noite, ao deitar-me... E quando era puto rezava ao "meu anjo da guarda"... Há hábitos que se perdem, e outros que se ganham...

Cherno Baldé disse...

Caros amigos,

Alguem sabe dizer qual seria a origem do toponimo Cheche (portugues) ou Tchetche (Crioulo guineense) dado a localidade nas duas margens da cambanca do rio Corubal a caminho do Boé?

Talvez tenha a ver com a mosca Tsé-Tsé que abunda nas suas margens. Nao raras vezes, tenho encontrado junto a rampa da margem direita equipas de jovens com garrafas onde se podiam ver aquelas pequenas e temiveis moscas que provocam a Tripanossoma ou doença de sono. Sao trabalhos ligados a Centros de estudos e de pesquisa da nossa Sub-regiao (Ouagadougou) sobre o estado da doenca e a resiliencia destes insectos na Guiné-Bissau.

Provavelmente, os militares que passaram por Canjadude e pela regiao de Boé (Madina e Beli) nao sabiam do perigo que corriam com a presenca desse perigoso insecto, estando todos os cuidados concentrados no chao das picadas e nos vultos que podiam surgir do matagal.

Cherno Baldé

Anónimo disse...

Valdemar tens razão, eu já tinha na mente falar algo sobre estas imagens, MADINA era sinonimo de terror, isolamento, flagelações, fome, vida debaixo dos abrigos, etc atc....
E as fotos que vão aparecendo, para quem as vê e não sabe o que é, só pode lembrar-se da 1ª Grande guerra, pois isso aparece nos filmes e nos muitos livros sobre o trágico tema. Mas nós 50 anos depois de acabar a 1ª grande guerra continuávamos a viver e a lutar em condições semelhantes. Dá para pensar.
A bela lápide da Fonte da Colina de Madina, foi construída já eu era nascido, tinha então 2 anos de idade - 1943. Sou mais velho que a Fonte. Parabéns por estares ligado a este acontecimento tão importante ainda para as populações que lá vivem hoje.
VT/.

Anónimo disse...

Cherno eu por acaso quando aí estive como 'colonialista' ouvi falar na mosca tsé-tsé, a mosca do sono. Nunca liguei grande importância, falava-se nessa altura em Nova Lamego e arredores.

Mas quando voltei em 1984 já como 'capitalista' a procurar investimentos rentáveis, foi concedida ao grupo de que fazia parte e outras grandes personalidades que não interessa agora falar, mas uma delas posso porque já morreu - Nino Vieira, dizia, que o governo da Guiné-Bissau concedeu uma zona de 7000 há de terreno, junto às margens do Corubal, precisamente em CABUCA, a 200 quilómetros do mar, por causa da água salgada, era para um projecto agro-industrial.
Fomos um dia, com elementos do Estado guineense, de jeep até aos confins do leste da guiné, passei por Nova Lamego - Gabu, e fiquei arrepiado, porquê, não sei, talvez saudades.
Depois fomos pela picada - uns 30 km, de Gabu até Cabuca, e depois até à fronteira com a guiné-Conacri, havia um lago, e andavam ali à procura de pedras, não cheguei a saber ao certo. Fomos recolher amostras da 'terra' para análise e estudos.
Depois olhei e vi uma tabuleta com imagem da mosca tsé-tsé e um aviso sério para a protecção de cada um. Novamente um arrepio, agora sabia porquê, e fugimos daquele local, era o que me faltava ficar ali a dormir toda a vida...

Tenho essas imagens todas do que estou a falar, está tudo pronto, esta minha louca aventura em 1984 e 1985, é pesada a história, especialmente para mim e família, que deixei em casa e fui à procura de fantasmas, mas isso um dia vai sair em Poste, tenho a certeza.
Até lá fica a ideia desta aventura que terminou mal, como seria evidente.
Abraço, Virgilio Teixeira

Anónimo disse...

CALMA---

A mosca tsé-tsé é o vector transmissor da tripanossomíase(vulgo doença do sono).

Na África OCIDENTAL existe na guiné em regiões húmidas nomeadamente junto aos rios (caso do corubal e geba, até onde têm água doce) e no sul na região do quitafine.

A transmissão é feita através da mosca tsé-tsé dos animais (vacas e antílopes,etc) para o homem,se aqueles estiverem infectados com o tripanossoma crusei gambi.

É mortal para os animais infectados ,mas há tratamento para o homem.
No homem é uma doença arrastada no tempo ( vários anos),e se não for tratada acaba por provocar letargia e sonolência na fase terminal,daí o nome.

ab
C.Martins

António Murta disse...

As fotografias 3 e 4 da Fonte da Colina de Madina, que parece ser já um memorial, são muito bonitas e tecnicamente quase perfeitas: pelo enquadramento, pela gama de cinzentos, pela textura, e pelos reflexos que nos dão a sensação de vida daqueles instantes. Sei que não é isso que está em discussão e desculpem o arrazoado, mas é porque fiquei que tempos a olhar para elas. Não desmereciam o ilustre Ansel Adams (1902-1984), um especialista do preto e branco, sem contudo carregarem a rigidez técnica obsessiva que tiravam sensibilidade às fotografias dele. Parabéns ao Manuel Coelho.

Abraço a todos.
António Murta.