sábado, 11 de fevereiro de 2012

Guiné 63/74 - P9471: Blogoterapia (198): À Tabanca Grande, em primeiro lugar e a todos os que se lembraram de mim e também aos outros que todos os dias se abraçam no blogue (José Brás)

1. Mensagem do nosso camarada José Brás (ex-Fur Mil, CCAÇ 1622, Aldeia Formosa e Mejo, 1966/68) que ontem festejou o seu aniversário natalício:


...à Tabanca Grande, em primeiro lugar e a todos os que se lembraram de mim e também aos outros que todos os dias se abraçam no blogue.

Bem, camaradas, como muitas vezes dizemos, não tenho palavras.
E quando isto se diz, o dito mascara apenas um desejo grande de dizer numa só palavra, a emoção toda que nos enche em momentos como este.

Infelizmente, apesar da riqueza do português, construído por séculos de paixões, cruzamentos de povos em terras e nos mares, temperado por especiarias e frutos quentes de Áfricas e de Brasis, infelizmente, digo, não tem palavra que apenas em si consiga fazer o retrato do sentimento que me alegra a noite.

Sem tal palavra, partilho convosco um poema que postei no meu mural do Facebook esta manhã, e as reacções que sobre ele, amigas, me quiseram dar como abraço.

Talvez que nada tenha a ver com a nossa Tabanca mas o abraço cabe sempre entre nós, sobretudo porque "quem dá o que tem..." e isto tenho e vos dou como a minha alegria de hoje.

Obrigado a todos
Abraços
José Brás

PS
Entre o que diz o Luís, há uma coisa em que não concordo "vinho, mulheres e tabaco, põem um homem fraco". Vinho, vá que não vá, se for demais; tabaco, sim, de caras; mulheres? Não poderia a melhor criatura de Deus na Terra, causar a homem, senão, coragem e força.


O RIO E O MAR

...e grito por dentro da saudade
um rio que extravasa a minha foz
na verdade morrendo de teu mar

...e grito saciado em teu corpo
se inteira te tenho em meu sonho
no esplendor maior do verbo amar

...e grito a voz rouca do desejo
de almejar só o que não vejo
nem alcançar sequer a tua flor

...e grito da sede que me dás
e da sede que sei que não te dou
em ti nem noite sou nem alvor

...e veste-me com teu corpo de ternura
desnuda no por dentro dos meus rios
mergulha no sal deste mar bravo
e manso restarei sentindo-te no toque
a pele e os frutos que me adentram
pelos olhos e mãos e alma pura
faz-me teu...
...e cala-me!


Jose Manuel Moreira Cancela, Ana Mascarenhas, Rita Ferreira Leite e 8 outras pessoas gostam disto.

Déborah Pereira Lindo!!! bjs
Lininha Cbo maravilha

Mary Burnay Bello ?...um rio q extravasa a minha foz...bom dia mon ami :-)

José Brás Obrigado, Mary, Lininha, Déborah...e digo-o a esta hora porque hoje vou comemorar o meu aniversário numa festa de rechina (a quem adivinhar o que é, dou prémio). Não digo quantos são porque são dois algarismos que, juntos, representam uma malandrice. Por acaso até gosto muito de malandrices (lol)

Déborah Pereira rsrs...Faça com todo o prazer o que verdadeiramente gostas. Vejo que faz aniversário um dia após o meu...Seja feliz e com toda a tua sensibilidade a flor da pele! Tenha um belo dia!! bjs

Mary Burnay Bello Ah ah parabens e goza o 2 digitos :-)

José Brás Mas ninguém sabe o que é rechina

Mary Burnay Bello Sopas de pao e gomos d laranja. Venha o premio :-)

José Brás ?...e a parte do porco da matança, onde está? mas pronto, é uma resposta acima do 10. tem prémio. Caracóis?

José Brás Déborah. Provavelmente você não vai gostar de ouvir. O mesmo que serrabulho. No campo, nesta altura, as famílias matam o seu porco. Para almoço é frita a carne das miudezas num caldo com sangue do animal e depois migam-se pequenas e finas fatias de pão caseiro para o fundo do prato e deita-se a carne com o caldo.

Déborah Pereira nossa José, realmente não é um prato a meu gosto muito agradável...Mas deve se ter gosto por aí, enfim...Um bom proveito! Por favor, para este tipo de prato não me convide, até porque não gosto de carne de porco...rsrsr bjs

Mary Burnay Bello Yessss :-)

Irene Rijo Lindo, Zé! Beijos

Delmira Fernandes ?

Julia Brito maravilhaaaaaaaaaa

Tera Sá Saudades dessa escrita que adentra os sentidos

Ana Galego so podia sair de ti, amigo. Maravilhoso. bj

José Brás Então, Déborah, aí a Casa da Feijoada não é consigo, nem uma boa cabidela de galinha que aí tem outro nome. Talvez uma boa muqueca ou um camarão na muranga. Por mim, teho boa boca e bato qualquer um, você é que escolhe

José Brás Julinha, obrigado e bom tempo aí em Angra. beijo

José Brás Saudades dessas noites de despique Norte/Sul, Tera, mesmo com esta geografia todo pelo meio. Beijo.

José Brás Irene. Sei que gostas de porco, salvo seja. Não sei se aguentarias um bom serrabulho. um beijo, sim, imagino

José Brás Mary... Yessss :-), caracóis, coirates na melhor tasca de Vila Franca, cabidela, pezinhos de coentrada, lampreia, coisas todas deste povo maluco, cruzado por tantos povos, bárbaros e cultos, tantas paixões e um paladar que sintetiza isso tudo, que faz caretas em gentes de fora e tanta luxúria nos inspira

Déborah Pereira Bem a muqueca é a especialidade....Muito proveitoso e com bastante camarão...Muito mais sofisticado! ;-) bjs

José Brás vamo nisso? um dia destes, ou uma spoa Leão Veloso na rua do Ouvidor

Déborah Pereira rsrs....;-))

José Brás Conheces a Sopa Leão Veloso, Deborah?

Déborah Pereira Olha, já ouvi falar...não sei se lembro o que se tem dentro...
José Brás É a melhor sopa de peixe que comi em toda a minha vida. e tenho uma vida que já comeu muita sopa de peixe

Déborah Pereira ah...claro que conheço é que chamamos aqui no Rio de Caldo de peixe...Talvez 'Caldeirada'....são apenas nomenclaturas diferentes...é uma delícia, realmente.

José Brás caldeiradas, ensopados, bouillabaise...

Déborah Pereira sim...diversos nomes....O que fica é a essência de cada prato que é o precioso do paladar..

José Brás Na Cabaça Grande, na Rua do Ouvidor, era uma maravilha

Déborah Pereira Mas hoje tem em regiões praianas onde moro, com um toque muito mais especial...Na rua do Ouvidor, hoje já não há mais estas especialidades...POis tornou-se muito comercial o local e hoje encontra-se mais os pratos básicos... já mt coisa mudou por aqui...as regiões praianas onde moro, principalmente, são glamurosas e ficaram com um requinte que não deixa a desejar o que no passado foi...
____________

Notas de CV:

(*) Vd. poste de 10 de Fevereiro de 2012 > Guiné 63/74 - P9467: Parabéns a você (380): José Brás, ex-Fur Mil TRMS da CCAÇ 1622 (Guiné, 1966/68)

Vd. último poste da série de 21 de Janeiro de 2012 > Guiné 63/74 - P9382: Blogoterapia (197): Recordações da CCS/BCAÇ 1911 (Mafalda e Armando Ramos)

7 comentários:

Anónimo disse...

José Brás!

Bravo!

Esplêndido!

Intimista sem pejo!

Transparente!


Adorei!

Parabéns!

Um abraço da

Felismina

antonio graça de abreu disse...

Gostei do teu poema e do comentário" as mulheres, as melhores criaturas de Deus na Terra".
Então ai vai a fala de quem sabe:

"Oh! Que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo
Mas julgue-o quem não pode exprimentá-lo.

Luís de Camões, Lusíadas, XI, 83

Homem sensual e calmo, gozador sem grosseria, mas declarado e reincidente pecador de todas as volúpias.

Vitorino Nemésio, sobre Manuel Teixeira Gomes


Quando por vezes paro de cantar e vejo
uns deslumbrantes ombros femininos de
gigantescas estrelas nos cabelos
quero sentir-me atado ao respirar da casa
(…) Ó mulher loura sorridentemente dou-te
um beijo alto como um sacramento.

Ruy Belo, poema Despeço-me da Terra da Alegria, 1975

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Luís Graça disse...

Meu caro Zé, o provérbio, claro que não é meu meu, é do "povo" (não se do bom do mau, todos temos duas metades)...

Sobre a mulher, há inúmeros provérbios ("populares"), todos eles reveladores de uma mentalidade predadora e doentia, alimentada pelo mito judaico-cristão do pecado original, e que vê nela um ser desprezível mas diabólico:

"Da cintura para baixo não há mulher feia";

"De má mulher te guarda e da boa não fies nada";

"Debaixo da manta tanto faz a preta como a branca";

"Frade e mulher - duas garras do diabo";

"Frade, freira e mulher rezadeira - três pessoas distintas e nenhuma verdadeira";

"Freiras e frieiras, é coçá-las e deixá-las";

"Mulher beata, mulher velhaca";

"Mulher doente, mulher para sempre";

"Mulher não se enceleira: ou se casa ou vai ser freira";

"Mulher se queixa, mulher se dói, enferma a mulher quando ela quer".,,,

É caso para perguntar se as nossas companheiras não pertencerão a uma outra espécie completamente diferente da nossa...

" A mulher e a mula o pau as cura"

"A raposa tem sete manhas e a mulher a manha de sete raposas"

"Até aos vinte, evita a mulher; depois dos quarenta, foge dela"

"Com mulher louca, andem as mãos e cale-se a boca"

"De má mulher te guarda e da boa não fies nada" (Séc. XVI)

"Desejo de doente, visita de barbeiro, serviço de mulher"

"Dia de Santo André, quem não tem porcos mata a mulher"

"Foge da mulher que sabe latim e da burra que faz ‘im’…"

"Hábito de frade e saia de mulher chega onde quer"

"Guarda-te do boi pela frente, do burro por detrás e da mulher por todos os lados"

"Guarde-vos Deus de moça adivinha e de mulher latina" (Séc.XVI)

"Mulher beata, mulher velhaca"

"Mulher se queixa, mulher se dói, enferma a mulher quando ela quer"

"Não provam bem as senhoras que se metem a doutoras"

"O homem deve cheirar a pólvora e a mulher a incenso"

"Para perder a mulher e um tostão, a maior perda é a do dinheiro"

"Para se encontrar o Diabo não se precisa sair de casa"

"Três coisas mudam o homem: a mulher, o estudo e o vinho"

"Vaca triste e pançuda não presta e não muda"

... É caso para pedir desculpa às nossas amigas e camarigas... LG

Luís Graça disse...

Camarigo: E as letras de fado que o poeta Zé Brás escreveu para o Carlos do Carmo ? Quando é que a Tabanca Grande vai poder ler, ouvir e curtir ?

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Anónimo disse...

Bem te entendo Zé Belo...pois.
Luís

O Carlos do Carmo anda às voltas com um novo CD de fado, coisa que já não edita há anos. Enfiou-se naquela coisa do Frank Sinatra, depois com umas canções acompanhadas ao piano com o Bernardo Sasseti.
Acho que o fado anda um pouco dividido entre o tradicional e a renovação em termos musicais e não abunda por aí coisas novas, Está na calha, acho eu.
Abração, Luís
José Brás