quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Guiné 63/74 - P10368: Caderno de notas de um mais velho (Antº Rosinha) (24): África subsariana: As ex-colónias neocolonizadas, as ex-colónias abandonadas e os caso da Guiné-Bissau, Gãmbia e Casamansa... É preciso salvar a Guiné-Bissau.

1. Texto enviado pelo Antº Rosinha, há já cerca de 3 meses... Julgamos que não perdeu atualidade, oportunidade e importância... É a opinião de um homem que nunca foi "cólon" /(, trata-se de auto-ironia!), que ama a Guiné-Bissau e os guineenses, e que nos obriga a rever ou questionar ideias feitas, estereótipos, mitos, certezas, à esquerda e àdireita, em suma, um camarada que nos tira, muitas vezes, do "sofá do nosso conforto"... (LG)

De: António Rosinha <antoniorosinha@gmail.com>

Data: 14 de Junho de 2012 19:21

Assunto: África subsariana: As ex-colónias neocolonizadas, as ex-colónias abandonadas e o caso da Guiné-Bissau / CasamanÇA

Amigos editores se acharem que é de publicar no blogue façam-no caso contrário podem divulgar entre o pessoal . 


Um abraço, Antº Rosinha


PS - Data de hoje...

(...) Para justificação do que eu escrevo, queria dar uma pequena explicação pois que cientificamente, jornalisticamente ou políticamente não tenho arcaboiço de qualquer espécie e as pessoas podem pensar que falo por falar.

Tudo o que falo foi "respigos" que fui colhendo, durante 13 anos, de trabalhadores das obras, de engenheiros das Obras Públicas, meus amigos,  em conversas informais, e principalmente de uma viagem a Kolda com um 'chaufeur' meu amigo das Obras Públicas em que fomos abordados por jovens que seriam guerrilheiros, quase todos ou todos mesmo,  pela independência de Casamansa, todos a falar crioulo, muito eufóricos a cumprimentarem-nos por sermos de Bissau.

Ainda não era noite, eu já dentro da Guiné, soubemos que naquela região havia incursões do exército senegalês em perseguição de guerrilheiros dentro da Guiné.

Isto foi em 1993, mas como já conhecia outras fronteiras africanas, e sei o que se passa na Guiné e redondezas,  principalmente quando se fala em petróleo no mar, pode-se esperar o pior.

Esperemos que tudo se resolva, mas as cabeças dos próprios guineenses anda muito baralhada, quando sabemos que há imensos (mais elucidados) na diàspora que já nem pensam em regressar. (...)


2. Salvemos a Guiné-Bissau
por Antº Rosinha


Toda a gente conhece os golpes de estado crónicos da Guiné-Bissau, e a quem interessam esses golpes, mas ninguém fala abertamente. A Guiné-Bissau tem tanta lógica como a Gàmbia a sobreviver naquele mundo francófono.

Quando os países africanos subsarianos, tal como se conhecem a partir dos anos 50 do século passado,  ficaram independentes, foi imposta aos cidadãos uma bandeira e um hino só conhecidos por uma minoria que tinha tido acesso a uma educação colonial.

Alguns desses países (colónias) só existiam no mapa, praticamente a partir de 1900. (Em 1900 foram marcadas em Londres as fronteiras de Angola, Moçambique, Rodésia do Norte e do Sul). Ou seja, etnicamente ainda hoje não há fronteiras, e mesmo fisicamente e geograficamente, ainda hoje para muitos habitantes desses países ainda não há país pois nem há bem a certeza em alguns casos se os marcos fronteiriços coloniais estão bem definidos no campo ou se é apenas no papel.

Mas a guerra civil que se gerou em diversos países dessa África subsariana,  durante e após essas independências, vai continuar periódica ou permanente em quase todos esses países. 

Mas tanto os países colonizadores como as Nações Unidas sabiam que seria inevitável a guerra. E o mundo inteiro acha natural e os próprios dirigentes africanos guerream-se com as melhores armas que os países desenvolvidos lhe fornecem.

Ora , como apenas uns poucos cidadãos de cada um desses países tinham assimilado a cultura semelhante à do colono nos anos 50, como se iam auto-administrar igual a países que vinham do tempo de Carlos Magno e do Rei Artur? E m apenas 24 horas! Foram marcadas datas de independências com poucos meses de antecedência do que devia ser um grande dia.

Muito facilmente se resolveu o problema, os poucos dirigentes mais ou menos preparados passaram a governar sob a orientação do antigo cólon, e aparece o NEOCOLONIALISMO.

E aqui aparecem os países que não tendo uma potência que os "neocolonize", que são os casos das ex-colónias portuguesas e belgas, sofrem as influências mais nefastas do que os outros que têm quem os «proteja».

Os exemplos da guerra de 27 anos em Angola, de Moçambique (mais ou menos 15 anos de guerra fratricida), e os autênticos genocídios nas ex-colónias belgas, são o exemplo das ex-colónias «abandonadas» a que me refiro.

E aqui temos o caso da Guiné-Bissau  que,  segundo muitos guineenses,  «teve o azar de ser colonizado por um país que é tão fraco e tão pobre como a própria Guiné». E como o ex-colonizador perdeu toda a influência militar, política e económica,  naquele território, a Guiné tornou-se vítima de uma invasão descomunal dos mais diversos organismos internacionais, ONG,  empresários, religiosos, muçulmanos e cristãos, enfim, tudo aquilo a que se chamou "COOPERAÇÕES".

Mesmo as cooperações melhor intencionadas tornavam-se perniciosas, porque inadaptadas, impróprias e desestruturantes e viciantes (Suécia e URSS). À Guiné tudo afluiu, até revolucionários ideológicos abrigava a troco de ajudas, refugiados dos países vizinhos (Casamansa, Conacri, independentistas das Canárias, palestinos…).

Os guineenses após a independência nunca tiveram uma guerra civil entre o povo, porque o povo nunca tem armas, apenas os militares as têm e se matam entre eles e os políticos. Mas o povo não compreende nem colabora nem acredita nos militares nem nos governantes, reage apenas muito passivamente. Quem compreende bem os dirigentes guineenses são os vizinhos,  principalmente os do norte.

Muitos comerciantes guineenses tem uma vida dupla e até tripla, como a etnia deles se estende pelo Senegal, Gâmbia e mais distante ainda, são apenas Guineenses enquanto lhe convem.

Como a economia influenciada por esses comerciantes (muçulmanos) é baseada nos países vizinhos, sem qualquer controlo das autoridades (corrupção), para esses comerciantes o desaparecimento da fronteira norte é como que se não exista, na realidade a fronteira serve apenas para dar umas gorjetas a uns tantos polícias de um lado e do outro.

Mas existe um engulho para o Senegal e seu protector,  a França, que é a existência de uma Guiné-Bissau independente, estruturada e personalizada, é perigosíssima e subversiva pois mantem uma ligação étnica e territorial e linguística com a Casamansa, que vive de costas para o Senegal. [Imagem à direita:  Casamansa, a vermelho; Senegal, a cor de rosa; e no meio, a branco, o espaço correspondente à Gâmbia, anglófona... Fonte: Wikipédia].

Portanto cada golpe de estado na Guiné-Bissau que desestabilize este país, é sempre apoiado directa ou indirectamente pelos vizinhos.

Neste golpe e no de 1998 entraram os militares vizinhos, e a intenção é mesmo darem o golpe fatal neste PALOP. Só que desta vez uma tal CEDEAO é um cavalo de Troia que traz na sua barriga todo o veneno para acabar com a Guiné-Bissau como país de corpo inteiro.

Se não for desta tentativa o fim deste país com este golpe de estado, e os guineenses não abram os olhos para ver quem é mesmo guineense verdadeiramente responsável, não demora que haja outra tentativa mais decisiva, em próxima ocasião.

O discurso anti-colonial e anti-PALOP faz parte desse jogo por alguns dirigentes, que muitas vezes é usado ingenuamente por demagogos dos diversos governos, que o usam com outras intenções mais pessoais.

Sempre, desde a independência, o mundo de cooperações internacionais que invadiram a Guiné, massacraram os guineenses com a aleivosia que estavam ali para ajudar a Guiné, que os portugueses atrasaram durante 500 anos.

Este discurso foi e é usado até à exaustão para afastar os guineenses do fraquíssimo cordão umbilical lusófilo (PALOP), por aqueles a quem interessa directamente esse afastamento. Talvez este golpe de estado já tenha acabado com as resistências, e a CEDEAO só já saia quando aquele território se transformar num protectorado qualquer do Senegal, e assim acabar também com o perigo dos rebeldes da Casamansa, que são mais lusófilos que muitos guineenses. (Testemunhei isso pessoalmente em Kolda).

Os rebeldes de Casamansa expressavam-se em crioulo de Bissau, pelo menos nos anos 90. E notava-se que usavam subversivamente essa língua.

Mas pior que tudo o que se passa actualmente, será um dia que se concretize o que se fala de vez em quando: Haver petróleo no mar de Bissau. Existe um contencioso sobre as fronteiras marítimas com os vizinhos do norte e do sul. Este problema está em banho-maria, mas dentro de uma panela de pressão.

Como economicamente a Guiné Bissau é dependente dos vizinhos e da França, directamente (CFA), a solução à Timor não se pode aplicar a este país.

É preciso salvar a Guiné que tem tanto direito a sobreviver como a Gàmbia, seu vizinho. (**)
______________

Notas do editor:

(*) Último poste da série > 29 de junho de 2012 > Guiné 63/74 - P10087: Caderno de notas de um Mais Velho (Antº Rosinha) (23): Esse tal de linguajar de Luanda, só foi possível ouvi-lo em 2012 na Ilha de Luanda, porque em 1961 não se deu ouvidos às catanas de Holden Roberto (UPA)


(`**) Tomamos a liberdade de reproduzir aqui o artigo:

Casamansa, um grito de liberdade sufocado, por Adelto Gonçalves (#) 

A situação dramática vivida por uma província do Senegal é mais um exemplo da herança deixada pelos colonizadores europeus

 Provavelmente, você nunca ouviu alguém falar da Casamansa. Também, pudera. Não se sabe de jornal, revista ou emissora de rádio e TV brasileiros que tenham citado o nome da Casamansa nos últimos anos. Não imagine, porém, que, por trás de tudo, haja uma conspiração de silêncio. É falta de informação mesmo dos jornalistas. No Brasil, ninguém sabe onde fica a Casamansa. Nem o que significa.

E, no entanto, a fronteira entre a Casamansa, província do Senegal, e a Guiné-Bissau, na África Ocidental, vive hoje momentos de desespero, com mais de cinco mil de pessoas em fuga pelo campo, atemorizadas com as hostilidades que opõem o exército guineense a uma ala do Movimento das Forças Democráticas da Casamansa (MFDC). Há mais de 2.500 refugiados, segundo a Cruz Vermelha, e a Anistia Internacional já recebeu denúncias de violações dos direitos humanos de civis. Tanto na Casamansa como na Guiné-Bissau fala-se português. Não é incrível que, no Brasil, não se escreva uma linha a respeito de um drama que envolve povos que falam a língua de Camões e Machado de Assis?

Os confrontos começaram no dia 16 de março, quando guerrilheiros do MFDC lançaram um ataque suicida na cidade de São Domingos e 13 rebeldes morreram. O exército guineense respondeu com artilharia pesada contra a base dos guerrilheiros a cerca de 130 quilômetros de Bissau, capital do país, e a menos de seis da fronteira com o Senegal. Os bombardeios têm como alvo bases do comandante Salif Sadio, líder de uma facção do MFDC, a Frente Sul, que se recusou a assinar um acordo de paz em dezembro de 2004 com o governo de Dacar.

Pressionadas pelo exército senegalês, as forças de Sadio deixaram a Casamansa, refugiando-se na Barranca da Mandioca, na Guiné-Bissau. Agora, o exército guineense promete expulsar até o último intruso. “Vamos fazer uma operação limpeza para tirar essa sujeira de nosso território”, prometeu Antônio Indjai, chefe do comando militar estacionado em São Domingos. “Os rebeldes não vão aceitar ser capturados como galinhas”, respondeu Zacarias Goubiaby, lugar-tenente do comandante Sadio. “Vamos combater como leões”.

Esse conflito seja recente. É resultado de outro que começou em 1982, quando uma manifestação em Zinguinchor, capital da Casamansa, reuniu mais de 100 mil pessoas de várias etnias reclamando a independência da província. Houve repressão e mais de mil mortos.

Foi a partir de então que o MFDC partiu para a luta armada contra o governo de Dacar. Os 32.350 quilômetros quadrados do território da Casamansa contam com vastas reservas de petróleo, o que tem atraído a cobiça de empresas estrangeiras, inclusive uma da Malásia, que adquiriu recentemente do governo senegalês os direitos de exploração.

Já o resto do Senegal é rico apenas em fosfato e o país sobrevive com a ajuda que o governo francês envia regularmente. Só que a maior parte desses recursos fica em Dacar, segundo a queixa que se ouve na Casamansa. Isso explica em boa parte as razões históricas do conflito.

Desde 1982, as hostilidades dos separatistas da Casamansa são contra o governo de Dacar, mas, devido à fronteira, sempre ocorreram incursões no território guineense, inclusive com a tomada de “tabancas” (aldeias), seqüestros e mortes. A incursão maior ocorreu em 1998, quando as forças separatistas da Casamansa ajudaram o falecido brigadeiro Ansumane Mane a afastar do poder o presidente João Bernardo Nino Vieira. Depois, com Kumba Ialá na presidência, os separatistas passaram a contar com o apoio estratégico da Guiné-Bissau.

De volta ao poder em Bissau, depois das eleições presidenciais de junho de 2005, Nino Vieira acertou com o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, uma operação conjunta para acabar com o foco guerrilheiro. Para tanto, Vieira e Wade contam com o apoio do comandante César Badiate, que se opõe a Salif Sadio dentro do MFDC e assinou o acordo de paz de 2004. Resolver a questão da Casamansa, inclusive, é uma promessa de campanha de Wade, eleito em 2000 e candidato à reeleição em 2007.

O bom relacionamento entre os países vizinhos é visto como fundamental para que o petróleo comece a ser explorado em maior profusão. Mas a posição política de Nino Vieira não é sólida: em março, enquanto estava em Lisboa para a posse do presidente português Aníbal Cavaco Silva, correram rumores de uma tentativa de golpe de Estado.

Antes, Vieira havia acusado algumas altas patentes de “conivência” com os rebeldes da Casamansa, enquanto o porta-voz do estado-maior do exército, tenente-coronel Arsênio Balde, desmentia que chefes militares tivessem recebido dinheiro do governo do Senegal para aniquilar a rebelião. Já dissidentes do PAIGC, principal partido do país, acusam Vieira de promover uma “caça às bruxas”, de pressionar cidadãos independentes e de manter “prisioneiros de guerra”.

A ajuda humanitária internacional começou a chegar a Casamansa e a Guiné-Bissau, mas ainda em quantidade reduzida. Vilas como Susana e Varela estão isoladas desde que os rebeldes colocaram minas na estrada que as liga a São Domingos. Uma dessas minas explodiu e provocou 12 mortos nos primeiros dias dos confrontos.

Até agora, o conflito só tem recebido indiferença por parte de Portugal e Brasil. Em razão da ajuda financeira que recebe da União Européia, o governo português, aparentemente, teme incomodar os interesses da França na região.

Também a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), até agora, não se manifestou. A entidade reúne Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste e, em tese, poderia abrigar uma Casamansa independente. Para mediar o conflito, o chefe de Estado do Senegal, com o apoio da Guiné-Bissau, preferiu convidar o presidente da Gâmbia, Yaya Jammeh. 

Um drama esquecido

O domínio do Senegal na região vem sendo contestado há muito tempo, mas recrudesceu quando, entre 1974 e 1975, as antigas províncias de Portugal no Ultramar tornaram-se nações independentes e as forças políticas da Casamansa viram no movimento uma oportunidade de reivindicar a sua origem de “ex-colônia portuguesa”.

Faz quase um século que a Casamansa deixou de ser colônia portuguesa: em 1908, os portugueses foram obrigados a ceder definitivamente a região à França, passando a ocupar apenas a Guiné. Mas, desde 1884-1885, os franceses vinham tentando resolver a questão a seu favor, pressionando Portugal no âmbito da Conferência de Berlim, que dividiu a África entre ingleses, franceses, belgas, alemães e portugueses.

Historicamente, os portugueses chegaram primeiro. Foi em 1445 que o português Diniz Dias “descobriu” a Casamansa, que, na linguagem do país, significa rei do rio dos Cassangas, porque a palavra mansa quer dizer rei ou senhor. Mas há historiadores que afirmam ter sido em 1446 que a região foi “descoberta”, quando Antônio de Nolle e Luís de Cadamosto, por ordem do infante Dom Henrique, percorreram a costa do rio Geba.

A colônia nasceu a partir de uma feitoria em Zinguinchor — hoje uma cidade com cerca de um milhão de habitantes —, criada para intensificar o comércio de escravos com o Império Gabu, reino que englobava, além da Casamansa, a Guiné-Bissau e a Gâmbia, reunindo várias etnias, como a jola — que sempre foi majoritária —, a fula, a banta e a manjaco.

Os franceses, atraídos pelo florescente comércio de carne humana, chegaram em 1459. No século XVIII, franceses e portugueses combateram entre si na região. A partir de 1908, a Casamansa tornou-se colônia francesa, mas não integrada ao Senegal.

Depois da Segunda Guerra Mundial, foi criada a Federação do Mali, que reunia também Senegal e Casamansa. Em 1947, com a liberação das atividades políticas pelas autoridades coloniais, surgiram o Bloco Democrático Senegalês, comandado por Leopold Senghor, e o MFDC, que só optou pela luta armada a partir de 1982.

Proclamada a independência da Federação em 1958, o Mali, dois anos mais tarde, retirou-se da aliança porque exigia que a capital fosse Bamako em vez de Dacar. Casamansa ficou, então, unida ao Senegal por um documento que previa a coalizão por duas décadas. Mas, em 1980, Senghor entendeu que, “para o bem das duas nações”, a Casamansa deveria continuar unida ao Senegal. Quando ele já não estava no poder, ocorreu a tragédia de Zinguinchor.

Dos 3,5 milhões de habitantes, apenas 10% são alfabetizados e aprenderam obrigatoriamente um pouco de francês. O povo fala mesmo o idioma jola e o crioulo português. Só alguns integrantes da elite, que estudaram na França, usam o francês. As ligações com o mundo lusófono são mais fortes. Até porque Portugal esteve lá 462 anos, enquanto a presença francesa não passou de oito décadas.

Apesar do esforço de Dacar para erradicar a cultura lusa, há alguns monumentos em ruínas que testemunham a presença portuguesa. Mas, em razão da repressão, não há na Casamansa nenhum jornal ou emissora de rádio em língua portuguesa. Só entram jornais em francês impressos em Dacar.

Originalmente publicado na Revista Fórum,  São Paulo, ano 4, nº 39, junho 2006, pp. 42-43.  Dispoinível na Revista TriploV de Artes, Religiões e Ciências, nº 3, janeiro de 2010 (Com a devida vénia...)

_________________________

(#) Adelto Gonçalves, nascido em Santos, Brasil, é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa e mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanholas e Hispanoamericana pela Universidade de São Paulo (USP). É autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2003), Bocage: o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Fernando Pessoa: a voz de Deus (Santos, Universidade Santa Cecília, 1997), Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio, 1981) e Mariela morta (Ourinhos-SP, Complemento, 1977)... Fonte Revista RTriploV.


24 comentários:

Anónimo disse...

Com pedido de desculpas ao António Rosinha e sem querer passar aqui a ideia de querer considerar "burros" os leitores, conviria informar (quem, porventura, não saiba)que, no mapa junto ao texto, aquele espaço branco situado entre o Senegal (colorido a vermelho) e Casamansa (colorida a rosa), que parece uma "boca", é a (independente) Gâmbia, atravessada a meio pelo Rio Gâmbia, que lhe dá o nome.
Alberto Branquinho

Anónimo disse...

O texto acima tem que ser corrigido quanto às cores:

- O Senegal está a rosa;
- Casamansa a vermelho.
Alberto Branquinho

JD disse...

Camaradas,
O Rosinha faz-nos revelações interessantes sobre a política geo-estratégica daquela região, e um apêlo à atenção dos portugueses para os acontecimentos e eventuais consequências.
De facto, a Guiné-Bissau carece de urgente ajuda externa em muitos sentidos: educação, administração, obras públicas e energia, economia, etc, e Portugal, apesar do relativo escasso encargo, está nas puiores condições para ajudar. Ajudar, respeitando os interesses públicos locais, sem manifestações gananciosas sobre os recursos da GB. Os PALOP, em alternativa, poderiam colaborar nessa ajudo, sobretudo na área financeira, mas ainda recentemente se verificou como foi instalada uma desconfiança entre a GB, Portugal e Angola.
Tem sido tudo precário e muito vago, tanto da parte portuguesa, como dos PALOP. Sem que os PALOP se organizem de um ponto de vista solidário, a entidade pouco mais serve do que sítio para tachos de amigos.
JD

Juvenal Amado disse...

Gostei de ler este texto do amigo Rosinha e constato que o problema do traçado a régua e esquadro das fronteiras, é um problema de herança colonial e reflexo das disputas entre as potências coloniais.
Depois é o que se tem visto..

"Esse conflito seja recente. É resultado de outro que começou em 1982, quando uma manifestação em Zinguinchor, capital da Casamansa, reuniu mais de 100 mil pessoas de várias etnias reclamando a independência da província. Houve repressão e mais de mil mortos".
Mais um caso.

AS guerras de libertação começaram sempre com exigências legitimas de independência dos povos, que foram negadas pelas potências administrantes.
África é um espelho desse passado.

Bom trabalho Rosinha. Um abraço


Antº Rosinha disse...

88º aniversário do nascimento de Amilcar Cabral.

Hoje dia 12, noticia no Liberal online.

É interessante ler e ver comentários pelos olhos de Cabo verde.

Não sei quais as comemorações em Bissau, nesta data.

Luís Graça disse...

Rapazes, lembrem-se da nossa história... É verdade que Portugal é o pais mais antigo da Europa em termos de delimitação de fronteiras... (É pena que antiguidade fronteiriça não seja cotada em bolsa...).

Mas ao longo da história assistimos (ou assistiram algumas pobres populações da fronteira com Espanha à arbitrária aplicação da "régua e esquadra" para dirimir conflitos entre Estados... Não é preciso recuar ao tempo da chamada Reconquista cristã...

Estou-me a lembrar que Barrancos já foi espanhola... Que Olivença já foi (ou ainda é...) portuguesa...

Que Rio de Onor é hoje metade portuguesa e metade espanhola...

Pouca gente sabe que Rio de Onor partilha com a aldeia alentejana de Marco a caraterística (singular) de ser uma aldeia atravessada a meio pela fronteira internacional entre Portugal e Espanha... A parte espanhola é chamada "Rihonor de Castilla"... O povo estava-se nas tintas, conhecendo-se entre si como "povo de acima" e "povo de abaixo" e não como dois lugares distintos... Já não vou lá há muitos anos, mas esta aldeia comunitária de economia agropastoril de montanha tem atribuído a atenção dos antropólogos (Jorge Dias, Joaquim Pais de Brito...).

PS - Nada disto serve para "desculpar" a tragédia de Casamansa ou outras... De qualquer modo, há a "questão de Casamansa", mas não há a "questão de Cacine", tanto quanto eu saiba...

Henrique Cerqueira disse...

Camaradas e EXCombatentes da Guiné e outras Ex Provincias.
Este nosso Blogue tem sevido e muitíssimo bem para expormos e contarmos a nossa passagem pela Guerra do Ultramar.Eu já sou um autentico "Dependente "desta espaço e como tal eu dou comigo a pensar...Não será altura de começarmos a olhar para "Dentro" deste nosso país?Estamos todos os dias a ser vilipendiados dos nossos bens,literalmente roubados nas nossas reformas e direitos de Cidadania,já não mandamos em nosso Portugal.Afinal porque andamos nós pela Guiné,Angola Moçambique...perdemos a nossa soberania em África (com razão ou sem ela)não está aí agora a questão.E porcá como é???
Desculpem lá eu sei que o blogue não foi criado para esse fim,mas nós ex combatentes e ex militares continuamos caladinhos?Eu penso que ainda temos idade e força para podermos intevir.Não me acredito que estamos tão acomodados que só se discuta os problemas da Guiné.
Caro Luíz Graça desculpa lá o teu blgue(nosso)já tem expressão e credebilidade mais que suficiente para que possa haver alguma intervenção e quem sabe um dia os nossos netos digam que afinal não s+o lutamos na Guiné mas sim e também cá em Portugal e desta vês com a ARMA DA ESCRITA.
Perdoem todos estou demais revoltado por estar constantemente a ser roubado e não poder fazer nada.
Um abraço Henrique Cerqueira

Antº Rosinha disse...

Luís Graça, se estiveste 3 meses para publicar este post foi certamente para arranjar momento oportuno.

Mas ao juntares com o meu desconhecido Adelto da terra do Pélé, foi uma boa oportunidade.

Mas para justificação do que eu escrevo queria dar uma pequena explicação pois que cientificamente, jornalisticamente ou políticamnte não tenho arcaboiço de qualquer espécie e as pessoas podem pensar que falo por falar.

Tudo o que falo foi "respigos" que fui colhendo durante 13 anos de trabalhadores das obras, de engenheiros das Obras Públicas meus amigos em conversas infortmais, e principalmente de uma viagem a Kolda com um chaufeur meu amigo das Obras Públicas em que fomos abordados por jovens que seriam guerrilheiros quase todos ou todos mesmo pela independência de Casamance, todos a falar crioulo, muito eufóricos a cumprimentarem-nos por sermos de Bissau.

Ainda não era noite, eu já dentro da Guiné, soubemos que naquela região havia incursões do exército senegalês em perseguição de guerrilheiros dentro da Guiné.

Isto foi em 1993, mas como já conhecia outras fronteiras africanas, e sei o que se passa na Guiné e redondezas principalmente quando se fala em petróleo no mar, pode-se esperar o pior.

Esperemos que tudo se resolva, mas as cabeças dos próprios guineenses anda muito baralhada, quando sabemos que há imensos (mais ilucidados)na diàspora que já nem pensam em regressar.

Cumprimentos

Cherno Baldé disse...

Caro amigo Rosinha,

A Guiné esta mal, mesmo muito mal, mas dai a atribuir, unicamente, a responsabilidade desta situacao catastrofica as "cooperacoes" e aos vizinhos do norte ou e do sul nao me parece justo nem muito sensato.

Senao vejamos, em 1982 houve quase uma confrontacao militar entre o Senegal e a Guiné porque o primeiro acusava esta ultima de ingerencia e de apoio a rebeliao de Casamanca, facto que, mais tarde, se revelou ser veridicto quando rebentou o escandalo de trafico de armas para os rebeldes e resultou na primeira guerra civil em 1998.

E mais recentemente, houve suspeitas e acusacoes de trafico de passaportes para a Costa de Marfim que nao foram desmentidas de forma convincente pelo governo de Cadogo.

Entao, afinal quem é que invade quem?

Na minha opiniao, o mal da Guiné é, sobretudo, interno e nao é dificil identifica-lo, chama-se PAIGC desde a sua genese. A sua grande ignorancia, a insaciavel ganancia dos seus dirigentes acompanhada de uma insuportavel prepotencia conduziram este pequeno pais a deriva, para um beco sem saida. Uma vergonha descomunal que nos desonra, anos Guineenses.

Casamansa é uma provincia do Senegal e para todas as pessoas/paises com uma pequena dose de bom senso ou que respeitam/aderiram ao principio basilar da UA, sabem que as fronteiras coloniais, mesmo sendo imperfeitas, nao devem ser violadas, alteradas por meros caprichos de poder.

De qualquer modo, o meu obrigado por esta reflexao que pode ser interessante para dissipar duvidas onde elas podem ainda subsistir.

Um abraco amigo,

Cherno Baldé

PS: Esqueci-me de dizer que a actual crise politica da Guiné revelou, para quem tivesse duvidas, que a CPLP ainda nao é a organizacao matura que gostariamos que fosse. O facto de a ONU dar mandato a CEDEAO diante da gesticulacao impotente da CPLP quer dizer alguma coisa, para bom entendedor.

JD disse...

Meu Caro Chico,
Não andaste na guerra, mas dás o peito às balas.
Admiro a frontalidade das tuas intervenções, bem como as informações que aqui não chegam, ou chegam deturpadas.
O Instituto Camões, parece-me, devia ter uma intervenção mais acentuada, mas, para além da crise, a incompetência e o desleixo são factores que lhe tolhem a acção. E os jovens guineenses sorveriam todas as formações com avidez. Só a despesa provocada pela recente deslocação de uma força militar, teria tido um impacto fantástico no âmbito da educação.
A crise, principalmente, é de governantes.
Um grande abraço
JD

Luís Graça disse...

Meu caro Henrique:

Li e entendi, com todo o respeito E apreço, o sentido, a força e a justeza do teu grito... O que
queres dizer é... que é preciso salvar Portugal!

Quantas vezes eu próprio falo para os meus botões:
- Porra, a Guiné foi há 40/50 anos, estás aqui a falar de um país que já não existe, de um Altântida perdida na tua memória!... Estás p'ra aqui a exorcizar fantasmas do passado quando tudo à tua volta se está a desmoronar... O país que conheceste, o país que foi o teu berço já não é mais o mesmo, o mundo onde nasceste e cresceste já não é mais o mesmo... Porra, estás cercado, e na iminência de colapso das muralhas da tua cidade... e tu discutes o sexo dos anjos, como os sábios bizantinos aquando do cerco de Constantinopla pelos otomanos em 1453...

Henrique, percebo e respeito a tua indignação... É preciso salvar a Guiné, é preciso salvar Portugal, quiçá a Europa (envelhecida, decadente, impotente...), e o resto do mundo, o ártico, a Gronelândia, a Amazónia, os oceanos, o clima, a África, os leões, o planeta...

A hora é de pessimismo, mas quem teve 20 anos e passou pela Guiné também teve direito a esses "estados de alma"... Dois milhões de portuguses nos anos 50/60/70 sairam dos seus buracos e fizeram-se à vida!...

Acontece que este blogue é o que é: não é de opinião, não é generalista, não fala (ou não deve falar de política, de religião e de futebol, foi criado para reunir uma comunidade virtual, os combatentes da guerra colonial que estiveram no TO da Guiné... Serve basicamente para partilhar memórias desse tempo... Com afeto, sem ressentimentos, sem ira, sem gritos de vingança, sem rancores, sem ajustes de contas...

Essas regras não as posso eu mudar ou violar "de motu proprio"..., embora a mudança seja uma constante da vida...

A Tabanca Grande tem uma página no Facebook onde não estás limitado pelo espartilho das nossas "10 regras de ouro"... Confesso que não vou lá todos os dias, mas muitos camaradas, grã-tabanqueiros, frequentam-na, assiduamente... Tens aí um bom meio para deixar falar a tua alma sobre a hora que passa... e que eu só espero que não se eternize... Não vou dizer, como o outro safado, que me piro... mas essas decisões são do foro pessoal, do domínio da cidadania... Se algum decidir pirar-me, anuncio a decisão com antecedência a todos os meus amigos e camaradas, a começar pelos que se reunem aqui, todos os dias ou quase os dias, sob o poilão da nossa Tabanca Grande.

Na realidade, há limites para a resistência humana, para o stress físico e mental, para a intolerância, a arbitraiedade, a incerteza, o medo...

Todas as hipóteses podem e devem ser ponderadas... Quando este blogue deixar de fazer sentido e ficar às moscas, é por que deixámos cair as muralhas e fomos derrotados pela amnésia, a lassidão ou o desespero...

Henrique, somos um povo bipolar, com altos e baixos, tal como as ondas... Somos um povo dado a euforias e a depressões... E neste vaivém já se passaram mil anos, 40 gerações...

Terei sempre orgulho em ser português, isto é, falar, ler e escrever (n)a minha língua materna, e reconhecer-me neste pedaço do mundo, nas formas, nos cheiros, nos sabores, nas cores, deste pequeno rectângulo da península ibérica que será sempre nosso (mesmo que hipotecado)... Na realidade, podem roubar-te tudo memso os afetos e as memórias...

Olha, fez-me bem o teu intempestivo comentário... Um abração. LG

Luís Graça disse...

Maldita gralha!

Eu queria dizer: "Na realidade, podem roubar-te TUDO MENOS os afetos e as memórias"...

Antº Rosinha disse...

Amigo Cherno, eu não posso por falta de conhecimentos falar da política interna actual da Guiné.

Pelo menos da política actual porque em primeiro não vou à tua terra há 18 anos e já mal conheço as pessoas actuais, mesmo o próprio Cadogo nem o conheci como politico, ele era apenas empresário.

Eu tudo o que falo (golpes de estado por ex.) é apenas num ponto de vista histórico e numa perspectiva das possíveis consequências futuras, que espero que nunca aconteçam.


Como vês no meu comentário antes do teu, eu falo que em Kolda em 1993 percebi um pouco do que se passava a norte da Guiné. J´lá vão uns anitos.

Sobre a CPLP e sobre a diplomacia portuguesa e das relações entre os diverso países dos PALOP tambem tenho a minha opinião pessoal e sei do que todos (não) são capazes.

Já o Nino se entendia melhor com o consul da Guiné no Porto do que com o Presidente Mário Soares ou Jorge Sampaio.

Boa sorte para os guineenses e portugueses que aí vivem

Cumprimentos.

JD disse...

Camaradas,
O Cerqueira lançou um desafio ao Luís e à Tabanca para que o blogue passe a acolher textos de intervenção política. Já o fizémos no âmbito de acções relacionadas com a Guiné (autonomia de manifestação pelo 10 de Junho, e comparência na inauguração da Alameda General Spínola).
Compreendo muito bem o desabafo do Cerqueira neste ambiente de camaradagem. No entanto, tenho que considerar que tal abertura poderia tornar-se divisionista, pelo que concordo com a resposta do Chefe.
No entanto, posso sugerir que em Portugal, as pessoas assumam uma capacidade de intervenção cívica, pela organização de foruns onde debatam os problemas, e tomem decisões. Poderá ou não constituir-se um núcleo coordenador desses foruns, e desencadear-se a partir dessas acções um Movimento nacional de cidadania, à defesa dos partidos, ou dos vira-casacas, que congregue a generosidade e a participação em situações públicas sempre que necessário.
E parece-me ser a solução necessária e pacífica, para dar vazão às ideias mais sensatas e realistas, no que respeita à tomada de conhecimento da realidade do país, às medidas de poupança necessárias, às medidas com vista ao desenvolvimento tecnológico e ao progresso económico e social, tendo em conta que perdemos empresas, perdemos meios financeiros desviados para off-shores (muitos milhares de milhões), perdemos competitividade, e existe um exército de desempregados que pressiona os níveis salariais.
Abraços fraternos
JD

JD disse...

Camaradas,
Já agora, tendo ainda em conta, se queremos ou não continuar na CEE, com as consequências dessa escolha. E qualquer que seja, dado o estada da nação, que tem sido ocultado, vai exigir grandes sacrificios. Vai ser necessário poupar, poupar, poupar! Como se tivessemos saído de uma guerra catastrófica. E, francamente, não vejo que os governos tenham especiais preocupações.
JD

Henrique Cerqueira disse...

Camarada Luís Graça e restantes Tertulianos.
Compreendo totalmente as palavras que o Luís escreveu e acreditem que as senti de alma e coração. Mas eu tinha mesmo que "Gritar de revolta" e escolhi este nosso querido cantinho porque tenho a certeza que o problema que abordei nos toca á maioria deste blogue.Uma ves mais as minhas sinseras desculpas.
Continuo a "AMAR"este espaço,respeito tudo e todos,mas opino sempre que possível e puder.Uma vês eu digo que na escrita tipo"obra prima"sou um fracasso mas quando escrevo é sempre com o coração e ao correr da pena.
Um abraço a todos Henrique Cerqueira

Mário Tito Memórias disse...

Quinta-feira, 13 de Setembro de 2012Luís Graça & Camaradas da Guiné: Guiné 63/74 - P10368: Caderno de notas de um mais velho (Antº Rosinha) (24): África subsariana: As ex-colónias neocolonizadas, as ex-colónias abandonadas e os caso da Guiné-Bissau, Gãmbia e Casamansa... É preciso salvar a Guiné-Bissau, lusófona!
Luís Graça & Camaradas da Guiné: Guiné 63/74 - P10368: Caderno de notas de um mais velho (Antº Rosinha) (24): África subsariana: As ex-colónias neocolonizadas, as ex-colónias abandonadas e os caso da Guiné-Bissau, Gãmbia e Casamansa... É preciso salvar a Guiné-Bissau, lusófona!

Camaradas Ex-combatentes em geral e especialmente Ex-combatentes na Guiné.
Gostei de ver a mensagem de A. Rosinha onde, quanto a mim - e por ter vivido lá na Guiné cerca de 14 anos emeio (Maio 67 a Agosto de 81) - ele "põe o dedo na ferida" quando refere "Casamança". Quanto amim, Casamança a Cassine (região de Cassine) é o segredo para deslindar "Quem, como e porquê" matou Amilcar Cabral!". Já em tempos fiz alguns cometários sobre isso...inclusiva alvitrando o "namoro de conveniência" política entre o Seku Turé (na ocasião da morte de AC) e Leoplodo Senhghor - inimigos entre si mas parceiros nos pontos territoriais que menciono.

Como é sabido, incluindo a Gambia (ex do dominio Português e onde há um movimento silencioso "pro-indeopencia associado ao movimento de Casamaça (por etnias mistas).

Segundo o que me consta, de fonte fededigna, AC estava a ser pressionado para que entregasse a região de Cassine a Seku, na condição deste o continuar a receber apoio na luta armada contra nós e início de reclamar Casamança - que era um facto nos planos do PAIGC.

Só que, entregar Cassine não estava na prioridade imediata do PAIGC antes de ver a solidez de recuperar Casamança.

Este emblrólio, a germinar nos bastidores dos dois lados da fronteira - PAIGC - conjuntamente com as quezílias internas no PAIGC, levaram Momo (meu colega de trabalho no restaurante "O Pelicano" (Bissau) e outros, a actuar com resultados finais (morte de AC) provalmente fora do controle deles porque efectivamente não accredito que a inciativa dele (Momo e outros) tivesse iss em vista. Incluindo a participação da DGS que, queira ou não queira participou e em grande. A não ser que haja alguma explicação plausível para e porquê, me interrogaram logo no dia do desaparecimento do Momo, quando 3 "pastorinhos"da DGS aparaceram no Pelicano a procuru por ele e se eu sabia onde ele tinha ido etc etc, a deitar serradura nos olhos. Só estando por detrás da fuga de Momo, eles poderiam saber da fuga. Naquele tempo não havia telemóveis, e-mails, etc., para que eles advinhassem que ele não tinha comaprecido ao trabalho, logo aseguir a uma festa na casa dele - npilão - onde estive presente.

Assim, aqui está aminha opinião e comentário de suporte a todas as ideias que rondem este tema da Guiné. Mais...num cartaz de promoção do meu livro (onde menciono este e+pisódio e outros, na Guiné) tenho 4 bandeiras onde meu coração está repartido, cada qual de seu apís. Portugal, torrão que me viu nascer. Guiné Bissau, torrão onde vivi os melhores (e piores também) momentos da minha vida e onde nasceu aminha única filha. EUA, onde vivo, país das oportunidades e desilusões (nem tudo são rosas, acreditem) e Luxemburgo, onde gostava de viver para disfrutar da compnhia dos meus 2 únicos netinhos - país onde vive a minha filha.

Para que vejam, a vida não é fácil e, no meu livro - PALAVRAS DE UM DEFUNTO, ANTES DE O SER", tento realçar exactamente vários aspectos sobre isso.

Gostava que os camaradas comparecem ao lançamento do livro - 27 de Outubro em Lisboa cerca das 3:30 Rua do Bolhão nº1 por baixo do cinema King. Vou contactar o C.Vinhal para divulgar mais informação.

Com um abraçao a todos os camaras Mário Serra de Oliveira Ex-1º Cabo amanuense nº 262, da Base Aérea 12 - destacado na messe de Oficiais nda FAP em Bissau.

Abreu dos Santos (senior) disse...

(nota prévia: não li nenhum dos 17 comentários supra)

A propósito, do provocatório título deste postal: «É preciso salvar a Guiné-Bissau, lusófona!».

Salvar a Guiné-Bissau, de quem? Do PAIGC?!
E por que carga-d'águas, haveríamos nós, agora, de nos preocupar em "salvar" a "Guiné-Bissau" - país soberano -, se nós próprios estamos subjugados ao mando estrangeiro?
Ora façam favor de reler René Dumont que, há exactos 50 anos, pôs em alvoroço os mal-disfarçados neocolonialistas (ditos anticolonialistas), tanto internos como "internacionais", ao avisar: «A África começa mal».
Que obrigação então poderíamos sentir, nos dias que correm? Por má consciência, do "fardo do homem branco"?! Mas, então, jamais o "homem branco" se poderá livrar do tal "fardo"?
António Rosinha, se sente necessidade de "salvar" a Guiné-Bissau, e não tem qualquer rebuço em publicamente o afirmar, permita que lhe diga: você é um autêntico colonialista; e, ademais, arrogante, ao presumir que a "Guiné-Bissau" tem de ser "salva"... ; por meu lado, receba a absoluta indiferença quanto a problemas da "Guiné-Bissau", lusófona ou não, quando no meu País, Portugal, existe uma gravíssima recessão a resolver e a qual, essa sim, deve - tem de, forçamente -, motivar todas as atenções e energias de cada um Português.

O resto, é... "sódade".
__

Antº Rosinha disse...

Abreu dos Santos, verifico que estou nos antipodas de quase toda a tertúlia.

Quando escrevo este post, se verificares apresento uma perspectiva histórica e uma perspectiva futura. Apenas perspectiva, repito.

Mas Abreu dos Santos, se Portugal acendeu velas por Timor, porque não tinha barcos nem aviões nem satélites americanos como os ingleses tinham para resguardar as Malvinas;

Se Portugal conseguiu cavar as maiores fronteiras coloniais do mundo (Brasil), porque,se correr perigo não há-de ajudar a defender uma das mais pequenas fronteiras coloniais africanas?

A propósito de esquecermos os outros para nos debruçarmos sobre a nossa crise lusa, (pessoalmente já criei anti-corpos há 38 anos), penso que o nosso Luis Graça deve manter este blog imune, e tem bagagem suficiente para criar um blogue próprio para o efeito, irmão mais novo deste da Guiné.

É a minha sugestão, mas apenas porque a ideia surgiu num escrito meu, do qual já nem me lembrava.

Cumprimentos

Cherno Baldé disse...

Amigo Rosinha,

Por ventura não será muito agradável reconhecê-lo mas o Sénior tem toda a razão ao seu lado ao reconhecer nas tuas ideias originais alguns resquicios salazaristas dos sêc. XVIII/XIX.

É como se quisesse dizer que a Guiné pretensamente "lusófona" não tem nada a ver com os povos e as gentes da região onde está inserida.

O Honório Barreto morreu desde 1859na fortaleza da Amura e, infelizmente para ti, outro Honório ainda não nasceu.

Um grande abraço,

Cherno Baldé



Luís Graça disse...

... Cherno, cá está o risco de abordarmos, aqui, questões da atualidade política dos nossos dois países... memso que essas questões tenham (como têm sempre) um grande lastro de historicidade... Guiné lusófona não quer dizer portuguesa... Retira-se o adjetivo, que pode levar a uma leitura enviesada das "notas do nosso mais velho"... Aliás, a responsabildidade do subtítulo não é dele mas do editor... O fundo da questão posta pelo Rosinha é a do cerco francófono à Guiné-Bissau e à Gâmbia, se bem percebi... O meu pedido de desculpas ao Rosinha e aos leitores do blogue.

Luís Graça disse...

... Rosinha: Tens a tua caixa de correio cheia até ao teto. As nossas mnensagens estão a ser devolvidas.. Limpa a conta: elimina o SPAM, esvazia o caixote do lixo... Um abração. LG

Antº Rosinha disse...

Luís e Cherno Baldé, sabem que é sem qualquer complexo que abordo o problema colonial e a descolonização.

Mas todos os nomes que possa ouvir de Salazarista, colonialista, e até fascista, pessoalmente já devo ter ouvido dirigido a pessoas que pensam como eu.

Em discursos de Nino Vieira, Alberto João Jardim e nos discursos de Abril todos os anos em Portugal.

Mas igual ao que Nino Vieira chamou em comício a Mário Soares, quando este se pronunciou sobre Viriato Pan e Paulo Correia..., até Salazar caía da cadeira se fosse para ele.

A coisa foi tão feia que os portugueses na Guiné, fomos aconselhados não sair à rua no dia seguinte.

Cherno, apenas como portuguès emigrante, no Brasil, na Guiné em Angola, sei o valor e mais valia que é existirem esses países em tranquilidade...e lusófonos!

Cumprimentos

Hélder Valério disse...

Caros camaradas

Este post, com este tema e suas implicações, veio também 'agitar as águas' mais um pouco.
Embora se tenha corrido o risco de criar condições para nos imiscuirmos na 'vida interna' de um país soberano (alegadamente, mas também por esse aspecto a soberania portuguesa não se pode ficar a rir), acho que valeu a pena.
Adiantaram-se argumentos, pontos de vista e trocaram-se opiniões.

O Blogue, este Blogue, em si mesmo, não deve enveredar pelo caminho do fórum político. Em pouco tempo estaria mortalmente inquinado e liquidado, perdendo-se assim (quase) todo o trabalho de recolha e divulgação que tem vindo a ser feito.
Bem bastam os males que lhe têm sido infligidos por aqueles que pouco o acarinham, à força de tanto criarem anti-corpos. Por causa disso houve alguns 'eclipses', que se espera e deseja serem passageiros, demore o tempo que for preciso.
Para expor teses político-partidárias existe o Facebook. É de leitura mais rápida, pode-se 'amandar' bocas à vontade e há à disposição para todos os gostos.

Abraços
Hélder S.