quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Guiné 63/74 - P15737: Blogoterapia (274): Portas estreitas da vida onde nem sempre se consegue passar (António Eduardo Ferreira, ex-1.º Cabo Condutor Auto, CART 3493, Mansambo, Fá Mandinga, Bissau, 1972/74)

Foto tirada durante a quinta sessão de quimioterapia no IPO de Coimbra



1. Em mensagem de ontem, dia 10 de Fevereiro de 2016, o nosso camarada António Eduardo Ferreira (ex-1.º Cabo Condutor Auto da CART 3493/BART 3873, Mansambo, Fá Mandinga e Bissau, 1972/74) enviou-nos este texto, a que deu o título de:


Portas estreitas da vida onde nem sempre se consegue passar

Ao decidir escrever este poste, reconheço que nada tem a ver com a guerra que, uns mais de que outros, todos nós vivemos na então província da Guiné.

O que me levou a escrever sobre esta doença que algumas pessoas não gostam sequer de ouvir falar, a esses peço desculpa, foi saber que muitos daqueles que por lá passaram já viveram e outros estarão nesta altura a viver uma situação como aquela que eu tenho vivido há já mais de uma dezena de anos.
Conheço pessoas que fazem tudo que estiver ao seu alcance para que ninguém saiba que são doentes oncológicos, tal comportamento, em meu entender, é um autêntico disparate e revelador de uma ignorância lamentável. Pois não só os priva do apoio que alguém que já viveu a mesma situação lhes possa dar, como,á com o seu silêncio, negam ajuda a quem dela possa necessitar.

Então como encarar a vida quando confrontados com tal situação?

Primeiro “descer à terra” e pensar que apesar de não parecer, estamos a ser confrontados com algo cada vez mais normal. Por vezes somos levados a perguntar, mas porquê a mim? Pergunta que só tem razão de ser pelo desnorte que naquele momento estamos a viver. Quantos, antes de nós não passaram pelo mesmo? Uns mais velhos, outros mais novos, algumas ainda crianças.

A minha doença foi diagnosticada nos últimos meses do ano de dois mil e quatro, seguiram-se cinco meses de espera e a cirurgia em fevereiro do ano seguinte, hoje talvez esperasse menos tempo, passados cerca de dois meses, fui sujeito a trinta e cinco tratamentos de radioterapia, reagi sempre bem, os efeitos secundários foram quase inexistentes. Ao longo destes anos continuei sempre a ser seguido no IPO de Coimbra.

No início do ano passado os valores tumorais estavam demasiado altos, foi então que foi decidido que tinha de fazer quimioterapia o que aconteceu a partir do início do mês de abril, seguiram-se dez tratamentos com intervalos de três semanas. No início fiquei um pouco assustado atendendo ao que ouvia falar acerca dos possíveis efeitos secundários, no primeiro dia fui acompanhado por uma pessoa de família ao tratamento, a viagem é de aproximadamente cem quilómetros de minha casa até ao hospital, nas restantes nove sessões a que fui sujeito entendi que não era necessário ir alguém comigo.

Tudo foi menos complicado que eu imaginava, o mais aborrecido era a deslocação, mas também se tornou fácil a partir do momento em que decidi utilizar o transporte facultado pelo hospital em viaturas dos bombeiros, permitiu-me assim ultrapassar mais uma serie de preocupações: se chegava a horas, se estaria em condições para conduzir, onde arrumar o carro o que não é nada fácil naquele local e, saber que mesmo aqueles que terminam o tratamento mais tarde há sempre alguém que os espera para regressar a casa.

Terminadas as dez sessões, fim do tratamento, senti um alívio enorme próprio de quem passou por mais uma porta estreita da vida, daquelas que nunca se sabe se conseguimos passar, os efeitos secundários comparando com o que acontece a algumas pessoas foram poucos o que me permitiu continuar a fazer uma vida quase normal, com exceção do dia do tratamento, todos os outros continuei a fazer a caminhada como antes fazia, de aproximadamente uma hora.

Para que tudo decorresse tão bem há que realçar o trabalho desenvolvido por um grupo de pessoas que tudo faz para que os doentes se sintam o melhor possível, desde o pessoal médico, as enfermeiras/os, os técnicos, pessoal administrativo, e outros, não esquecendo os voluntários sempre prontos a ajudar sem receber nada em troca.

Sem esse conjunto de pessoas, nada podia ser feito, mas o doente também pode e deve ajudar, e a forma de o poder fazer é pensar que já que ali está, apenas terá a ganhar com isso, seguir rigorosamente os conselhos que lhe são dados, muito importante também numa fase tão confusa da vida é saber distinguir as pessoas que merece a pena escutar. As outras o melhor será afastar-se delas.

Normalmente ouve-se falar sobre esta doença, se alguns sabem de que falam e o que dizem, outros há que prestariam uma grande ajuda aos doentes se estivessem calados. Cada caso é um caso, o meu tratamento tinha uma duração de aproximadamente duas horas, outros demorava o dobro e alguns ainda mais, os efeitos secundários podem ser muito diferentes de pessoa para pessoa, pois o tratamento administrado não é igual para todos e a reação de cada um também pode ser diferente.

Havia muito a contar sobre o tempo que tenho vivido depois de me ter sido diagnosticada a doença e como tenho procurado minimizar as situações menos agradáveis que sempre acontecem, mas ficará para uma próxima… por hoje termino dizendo aos camaradas que possam estar a viver uma situação igual ou parecida com a que eu tenho vivido ao longo destes anos, que devemos pensar um dia de cada vez, amanhã logo se verá, a coragem, a esperança e, já agora a fé, devem de estar sempre connosco pois são uma preciosa ajuda.

A todos um abraço

Hoje assino com o nome completo,
António Eduardo Jerónimo Ferreira
____________

Nota do editor

Último poste da série de 17 de dezembro de 2015 Guiné 63/74 - P15501: Blogoterapia (273): Notícias do nosso camarada António Paiva, ex-Soldado Condutor Auto do HM 241 (Carlos Vinhal)

19 comentários:

Anónimo disse...

De: Augusto Silva Santos
Para: António Eduardo Ferreira

Camarada e Amigo,

Votos sinceros de rápidas melhoras.
Um grande e forte abraço!

Carlos Vinhal disse...

Caro António Eduardo Ferreira
Muito obrigado pelo teu testemunho de coragem. És um exemplo a seguir.
Os meus desejos de rápida recuperação para voltares às tuas caminhadas.
Vai dando notícias.
Carlos Vinhal
Leça da Palmeira

Anónimo disse...


Amigo António Ferreira:

Obrigado pela lição de optimismo e coragem que nos dás , não só aos que sofrem desse mal mas também a todos e são tantos que têm familiares ou amigos atingidos por ele.
Pela tua coragem psicológica e intelectual tu demonstras ser um guerreiro que não esmorece na luta e ainda arranjas forças para dares alento a outros que necessitem. O teu texto é um hino à vida e merecia ter uma divulgação maior do que a deste blogue para ser lido por mais gente a quem por vezes falta o ânimo que a ti te sobra.
Desejo-te também as tuas rápidas melhoras e ai dando notícias.
Um grande abraço. Francisco Baptista










Anónimo disse...

António Ferreira,

És de facto um exemplo ao dar a cara sobre uma coisa que muitos escondem.
És igualmente um exemplo pela coragem que demonstras, pois nunca é fácil a entrada nesses hospitais e menos ainda quando se vai a uma consulta, o primeiro impacto é complicado, mas ao encararmos de frente o problema e aceitá-lo, tal como se apresente, torna mais fácil a vida e os tratamentos.
És um lutador e espero que recuperes rapidamente.
Um abraço,
BS

Anónimo disse...

Votos de rápida recuperação e retorno aos prazeres da vida

Um abraço

Carvalho de Mampatá

Juvenal Amado disse...

Camarada o teu testemunho é um exemplo de coragem. Faço votos que a recuperação seja rápida e possas viver livre da doença muitos anos.

Um abraço com muita admiração

Luís Graça disse...

António Eduardo Jerónimo Ferreira, emocionei-me, primeiro, com (e depois orgulhei-me de) o teu testemunho!...

Ès digno da nossa geração (sofrida mas corajosa) que esteve na Guiné e fez a guerra da Guiné... O teu depoimento é também uma pedrada no charco da hipocrisia (social) que rodeia a doença oncológica no nosso país... Hipocrisia, estigmatização e discriminação...

Quem disse que o teu testemunho não tem nada a ver connosco, o blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ?

Hoje já falamos em neoplasia, cancro... Há uns anos atrás nem sequer a palavra nos atrevíamos a pronunciar: fulano tal morreu de doença incurável... Felizmente que hoje a maior parte dos cancros são curáveis e a taxa de sobrevivência é elevada...

Tenho um filho, que é psiquiatra, e que é nosso grã-tabanqueiro, que escolheu ir trabalhar no IPO de Lisboa... Precisamos, todos, de reforçar a rede de apoio psicossocial ao doente oncológico!... Acredito que temos, neste momento, muitos camaradas nossos em sofrimento, a lidar e a lutar contra esta doença!... Estes precisam do carinho, apoio e solidariedade de todos nós... Afinal, a nossa vida tem sido um picada cheia de minas e armadilhas!...O cancro espreita-nos a todos!...

O meu amigo Sobrinho Simões, uma autoridade mundial na matéria, diz que um em cada dois dos portugueses vai ter um cancro em 2050... E que isso não é nenhuma tragédia, é o preço que temos de pagar por viver cada vez mais anos...

Um xicoração fraterno, António Eduardo!... Bebo um copo à sua saúde, à tua convalescença, à tua coragem, à tua dignidade, á tua camaradagem!... Luís

___________________

(...)" Actualmente, um em cada três portugueses vai ter pelo menos um cancro durante a sua vida. A partir de meados do século XXI, os casos de cancro vão aumentar e então um em cada dois portugueses – ou seja, metade da população – desenvolverá um cancro ao longo da vida. O alerta é do cientista Manuel Sobrinho Simões, director do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup), no lançamento, esta segunda-feira, da Associação Portuguesa de Investigação em Cancro, afiliada da congénere European Association for Cancer Research." (...)

https://www.publico.pt/ciencia/noticia/daqui-a-dez-anos-metade-da-populacao-portuguesa-tera-um-cancro-alerta-sobrinho-simoes--1569281,


LANÇADA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE INVESTIGAÇÃO EM CANCRO
Depois de 2050, metade da população portuguesa terá um cancro, alerta Sobrinho Simões
PÚBLICO 29/10/2012 - 14:37

Aconselho, vivamente, os nossos leitores a lerem o livrinho que ele escreveu para a a Fundação Manuel dos Santos, coleção Ensaios... Tem um preço simbólico: 3 euros e picos

https://www.ffms.pt/ensaio/835/o-cancro


Sinopse:

"Numa linguagem acessível às pessoas sem formação médica, este livro procura responder às perguntas básicas do universo da oncologia. O que é o cancro? Quantas doenças cancerosas distintas se albergam sob a designação geral de «cancro»? Como se originam os cancros a partir das lesões pré-cancerosas? Porque é que o cancro está a aumentar em todo o mundo? No cancro, o que é hereditário e o que é ambiental? Qual o papel dos nossos comportamentos na ocorrência de doenças cancerosas? Na segunda parte da obra, as respostas a estas perguntas são utilizadas para passar do pensamento à acção: Como se previne o cancro? Como se diagnosticam os cancros nas suas fases iniciais? Como se tratam os doentes? Sem deixar de salientar a necessidade de apostar na prevenção e no diagnóstico precoce, a resposta à grande questão — o cancro tem cura? — é, felizmente, cada vez mais afirmativa." (...)

Mário Beja Santos disse...

Caro António Eduardo Ferreira, Um blogue de camaradas da Guiné é um anfiteatro adequado para tu te exprimires com a autenticidade com que o fizeste. Faço parte de uma organização onde se agrupam mais de duas dezenas de associações de doentes crónicos: esclerose múltipla, traumatizados cranioenceláficos, Alzheimer, doenças reumáticas, doentes da próstata, doentes reumáticos, e por aí adiante. Aqui há uns mese atrás entrei lampeiro numa conferência internacional sobre multimorbilidade e envelhecimento. Um colega de ocasião achou estranho eu estar com ar tão afoito, não sei se ele estava à espera que eu me arrastasse com canadianas ou tivesse um ombro mais alto do que outro. Expliquei que era doente crónico como ele, que há 20 anos ou mais tomo sulfato de glucosamina para travar a degenerescência das cartilagens dos joelhos, tenho tido sorte; expliquei-lhe igualmente que tomo três comprimidos diariamente para aplacar as dores na perna esquerda, sequela da segunda operação que fiz à L4. E lá procurei dizer-lhe que é preciso ter sorte, já Napoleão Bonaporte dizia que gostava de ter generais aguerridos mas que em batalha preferia que eles tivessem acima de tudo sorte. Isto para dizer que também nos habtiuamos ao sofrimento e que é um dos mais negros preconceitos não dizer a verdade sobre o nosso estado de saúde, esse silêncio acaba por nos fazer sofrer mais. E hoje muitos cancros estão a ser debelados, desde o da mama ao da próstata. Espero que na vida tu tenhas pelo menos tanta sorte como eu tenho tido e recebe um abraço do Mário

Luís Graça disse...

Camaradas:

Por que é que o raio do cancro haveria de ser um tabu ? Por que é que não haveria de ser um dos tópicos do nosso blogue ? Se as balas da russa Kalashnikov e os "rockets" chineses das RGP não nos mataram, a nós, felizardos, que fomos à guerra e regressamos a casa, sãos e salvos, com maiores ou menores mazelas, se alguma coisa haveremos de morrer... Se calhar de cancro, quem sabe ?!... Que não seja ao menos de morte macaca, e quando a malvad chegar, para nos cobrar o bilhete de viagem para o "outro lado donde não se regressa", que seja oa menos com lucidez e dignidade!...

Afinal, o cancro é apenas uma das muitas minas e armadilhas com que nos defrontamos na puta da picada da vida que nos calhou em sorte!...

Reforço o que já aqui disssemos, os camaradas da Tabanca Grande: Saudemmos a coragem e a dignidade do nosso António Eduardco Ferreira que merece um miminho da nossa parte!... Não é como uma dor de dentes, António, mas tu mostraste-nos como dar a volta ao destino e sobreviver a uma grave crise como a doença oncológica!

paulo santiago disse...

Camarada António Ferreira,elogio a tua coragem.
Desejo-te as melhoras para continuares a fazer essas caminhadas diárias.
Forte abraço

Santiago

José Carlos Gabriel disse...

Camarada António Ferreira.
Antes de mais os meus parabéns pela tua coragem.
Não só por teres falado sobre a tua doença mas por sentir no que escreves-te uma força vencedora.
Continua a acreditar e vais vencer mais esta barreira tal como já deves ter ultrapassado outras ao longo da vida.
Um abraço.
José Carlos Gabriel

Mário Vasconcelos disse...

Grande testemunho de coragem e força de vida. Não devemos, de facto, ter fantasmas escondidos, pois a solidariedade de todos também fornece vontade anímica contra as adversidades da vida. As mais rápidas melhoras.

António Duarte disse...

Camarada António Ferreira
Parabéns pela tua coragem. Melhores tempos virão.
António Duarte
CART 3493 (ex furriel do 3º grupo de combate) e CCAÇ 12

Anónimo disse...

Camarada António Ferreira

Este teu depoimento não é uma queixa, um desabafo, um "fado da desgraçadinha". Pelo contrário é um depoimento de um HOMEM! Observado de outro ângulo - é, até, boa literatura.
Dizes (e muito bem!) que há quem esconda a doença, como se isso diminuísse a condição de homem (ou mulher), como se afectasse a honra da família, como se fosse um mal peganhento, contagioso, uma coisa porca e extra-terrestre. Pois, Vinicius de Morais, no seu célebre poema, no qual refere a grande proliferação da doença (nas suas variadíssimas nuances...), chega a afirmar que "até Deus tem câncer!".
Recebe um GRANDE e FORTE abraço do
Alberto Branquinho

António Murta disse...

Camarada António Eduardo Ferreira.

Felicito-te pela tua coragem e vontade férrea.
Pessoalmente, quero ainda agradecer-te o depoimento, como um exemplo estimulante para encarar-mos os percalços da vida com a naturalidade possível, mas conscientes de que fazem parte dela.

Aceita um abração, com votos de boa recuperação.
António Murta.

Tony Borie disse...

Olá António.
Também sou António, também fui afectado com a doença de câncer, também me submeti ao tratamento de radiação e outros tratamentos que me deixavam sem forças e atormentado, às vezes desejando e tendo atitudes não muito comuns num combatente que fomos, mas no fundo resisti, com tu vais resistir e, vais viver muitos anos, és um combatente e isso faz-te diferente, bebes-te água da bolanha e resistis-te, ouvis-te tiros dirigidos a ti e aos teus companheiros e resistis-te, sofres-te a amargura de viver em zona de combate e resistis-te, portanto esta fase menos feliz da tua vida é sòmente a vivência de outra guerra, onde vais sair com vida, tornar a conviver normalmente com a família e amigos, e com vontade, entre outras coisas, de escrever as tuas vivências para os teus companheiros de guerra que te admiram!
Um abraço de esperança, companheiro António.
Tony Borie.

Manuel Luís Lomba disse...

Força, António e a resignação com enfrentaste sobre rodas as minas e as emboscadas na Guiné. Enfrentando as atribulações da vida, o homem poderá sofrer derrotas, mas não será vencido! Estou certo do restabelecimento da tua saúde e hoje vou beber por ela.
Aquele abraço
Manuel Luís Lomba

Anónimo disse...

Olá, António Ferreira.
Parabéns por esse espírito lutador e de esperança que revelou no seu depoimento. É um desabafo e uma lição de vida. Entre camaradas e amigos que passaram por dificuldades na mesma guerra, faz todo o sentido trazer ao conhecimento de todos, o seu estado de saúde. Fez muito bem. Para quê esconder, uma doença que cada vez está mais presente nas nossas vidas e que quando se revela há que a encarar com serenidade, fé e esperança?!.. Apesar de tudo por que passou, veja que está e continuará a estar entre nós.
Alguém disse que "Há um cancro adormecido em cada um de nós" e que um dia, desperta!...
Há três anos em (2O12) o meu despertou, ou por outra, um feliz acaso permitiu-me o conhecimento da sua existência e que felizmente foi retirado a tempo e sem consequências. Não necessitei de nenhum tratamento adicional, mas apenas a vigilância periódica, que ainda se mantêm. Penso que irei ter alta após a próxima colonoscopia, que aguardo não revelar alterações.
Devemos todos fazer os exames de rotina que nos forem aconselhados, pois há bastante sucesso, em muitos casos.
Desejo-lhe a continuação de uma boa recuperação.
Um abraço amigo.
Mª Arminda Santos

Joaquim Gomes disse...

Meu Caro Amigo Ferreira

Obrigado pelo teu testemunho sobre uma situação que, em qualquer altura da vida, pode bater à nossa porta.

É de repente. Num primeiro instante, a gente não consegue acreditar. talmé o repúdio visceral que germina em nós. Depois, lentamente, nos vamos conformando e passamos a lutar por nos desembaraçar...
Tudo na vida ganha outras cores. Começamos a sentir a verdadeira dimensão das coisas e da sua importância. Como estávamos enganados...Afinal, tanta ambição por coisas fúteis...O que vale é o bem que possamos fazer aos outros e a nós mesmos que seja bom...Também passei por essa tua experiência no ano 2010. O que dizes foi o que também senti. Pensei que me tinha chegado o fim.
Quis o Destino que o debelasse. Minha vida transfigurou-se a partir daí... Renasci. Cada minuto passou a ter outro sabor. Mais puro e verdadeiro. Estou certo que também te vais desembaraçar e sair vencedor. Todos torceremos por ti...Um grande abraço, Amigo