quinta-feira, 3 de março de 2016

Guiné 63/74 - P15818: (De)caras (32): Visita a Fulacunda, em julho de 1974, de Bunca Dabó e do seu bigrupo, "armado até aos dentes"... (Jorge Pinto, ex-alf mil, 3.ª CART/BART 6520/72, 1972/74)


Foto nº 1


Foto nº 2


Foto nº 3


Foto nº 4


Foto nº 4A



Foto nº 4 B


Foto nº 5


Foto nº 5A


Foto nº 6


Foto nº 6 A

Foto nº 6 B


Foto nº 6C


Foto nº 6 D


Foto nº 7 A


Foto nº 7

Fotos: © Jorge Pinto (2016). Todos os direitos reservados. [Edição: L.G.]


1. Mensagem, de 15 de fevereiro último,  do Jorge Pinto [, ex-alf mil, 3.ª CART/BART 6520/72, Fulacunda, 1972/74; natural de Turquel, Alcobaça, foto à esquerda; é professor do ensino secundário, reformado]:


Aqui vai o segundo pacote de fotos:

(i) As duas primeiras (Fotos nºs 1 e 2) retratam um patrulhamento das NT, feito ainda em junho de 1974;

(ii) As outras retratam a primeira visita dos militares do PAIGC à tabanca de Fulacunda, com destaque para a 3ª e 4ª foto, onde a população ouve atentamente o comissário politico, sobre as "mudanças" que se avizinham;

(iii) Nesta sessão também é visível o Administrador de Posto, Sr, Norberto  (Fotos nº 4, 4A e 4B) ;

(iv) As fotos nºs 5 e 6 retratam a visita, a pedido expresso, dos militares do PAIGC ao porto de Fulacunda, por onde era feito o nosso reabastecimento [, porto fluvial, no rio Fulacunda, vd, poste P12368];

(v) A última foto (nº 7) retrata, à entrada da messe de oficiais, o comandante de bigrupo, Bunca Dabó, que atacou várias vezes o aquartelamento e a tabanca de Fulacunda, durante os dois anos em eu que lá estive.

As fotos evidenciam que a "confiança", por parte dos militares do PAIGC, ainda estava para nascer!!! ....(Já estávamos em Julho de 1974...)  Também ficou por explicar a utilidade desta visita, pois não fomos fazer nada nem ver nada de novo.

Recebe o meu forte abraço amigo e desejos de que a semana te corra otimamente bem 

  JPinto

2. Comentário de um leitor distraído:

Manda-me o editor dizer que corrigiu o nome do comandante do bigrupo, Bunca Dabó... Jorge, na tua mensagem, o apelido vinha grafado D'Abó... Ele julga que seja apelido beafada, Dabó. Se estiver errado, ele depois corrige... Parece que eles têm, na Tabanca Grande, um tal Cherno Baldé, que é o assessor científico deles, em Bissau,  para as questões étnico-linguísticas e religiosas... Ele poderá confirmar ou  infirmar essa suposição do editor...

Jorge, ele manda dizer que o título do poste não é teu, mas que não ofende ninguém (nem foge à verdade factual) quando ele diz que o bigrupo do tal Bunca Dabó vinha "armado até aos dentes"... Pelo menos, para uma visita de "cortesia a ti", aos teus camaradas e aos teus fregueses de Fulacunda... Porra, só RPG, a contar pelos tubos,  são mais do que os elementos do bigrupo (que parece muito reduzido)...

O editor tem outra dúvida: o comandante... será mesmo o comandante ou o comissário político ? É um "caixa d' óculos", tem ar "citadino", de "intlectual", parece demasiado novo para ser comandante... Deve ter vindo da URSS, ou da Europa de leste, ou de Conacri, ou do liceu de Bissau, ou de Dacar... E, pelo apelido, seria um beafada...

Pergunta o editor, e eu só transmito o recado que ele me pediu para te dar, já que sou teu conhecido e vizinho e tu és amigo do meu pai: como é que aquele homem (, parece-me mais novo do que eu, que tenho 30), se sentiria, uns tempos antes, atacando Fulacunda onde provavelmente teria parentes ?...

Enfim, reflexões serôdios de um "tuga" (,diz o editor, ) que passou, há quase meia centena de anos, por tabancas fulas, mandingas, balantas, e andou no mato aos tiros contra homens armados de Kalash, "costurinhas" e de RGP, e já se interrogava, "in loco",  nessa altura, em 1969/71, sobre o raio do sentido da guerra, em geral, e daquela guerra, em particular... "Guerra de libertação" ou "guerra civil" ?... Guerra, "tout court", meu estúpido, diz ele, o editor: pior que a peste (do latim, "peius", a pior doença), é a guerra... (Enfim, o raio do vosso editor parece que gosta muito de ir à origem etimológicas das palavras).

E mais manda dizer,  por este leitor distraído que sou eu: lembras-te, Jorge, tu que foste professor de história, e és da terra dos monges, Alcobaça, lembras-te da ladaínha que o nosso povo rezava na santa missa de domingo,   "Da peste, da fome e da guerra [, em voz alta,] ,... e do bispo da nossa terra [, baixinho,], 'libera nos, Domine'!" [... livrai-nos, senhor!]...

O que terão dito, nessa altura, os teus habitantes de Fulacunda que estavam sob a tua proteção?...  Em tempo de peste, fome e de guerra, bispo, comissário político, senhor da guerra, comandante de bigrupo, chefe de posto, e tropa... são tudo a mesma coisa, mensageiros de  desgraça e de morte... "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" (Luís de Camões)...

Agora , Jorge, amigo do meu pai e meu vizinho,  deix-me, a mim, leitor distraído, fazer-te uma pergunta e um agradecimento: que será feito deste  Dabó ? E dos outros Dabós ?... E da tua tropa que passou por Fulacunda ? E daquela pobre gente que lá "vivia" em Fulacunda, e que era tão portuguesa como os tipos da tua terra, Turquel, Alcobaça ? Ou que vivia no "mato" a que o Bunca Dabó chamava "zona libertada" ?

Olha,  Jorge, obrigado na mesma, mas as fotos da guerra, com gente fardada e com armas, fazem-me sempre impressão. Não fiz tropa,  nasci em 1985, no meu tempo, felizmente, já tinha acabado a guerra. Mas o meu pai também andou nessa guerra.... e não sabe (ou, melhor, não quer) explicar-me certas coisas....

É talvez por ele, que não é nada dado a estas coisas da Net, que eu às vezes paro por aqui, neste blogue, e fico a ver e a ler estas merdas... O meu pai ralha-me: "Ó filho, deixa-te disso e trata mas é da tua vida. A guerra nunca existiu. Ou então foi  como um pesadelo: tens um  sonho mau, de noite, mas no dia seguinte acordas, felizmente vivo e inteiro, e não te queres lembrar mais dessa merda, desse pesadelo"...  Eu acho que ele não razão, a guerra existiu mesmo, estas fotos são prova disso...

Cumprimentos lá em casa,  A.
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Nota do editor:

Último poste da série > 1 de março de 2016 >  Guiné 63/74 - P15813: (De)Caras (31): José Manuel Lopes (Josema), o poeta duriense de Mampatá... Relembrando um dos seus poemas de antologia, Pica na mão à procura delas..., tac, tac, tac, tac, tac, TOC!!!

13 comentários:

Antº Rosinha disse...

Estas fotos dos guerrilheiros com Jorge Pinto, assim como as de outros militares que após o 25 de Abril noutros posts, já foram mostradas aqui, mereciam um album.

É que essas fotos falam em altos gritos.

Aqueles rostos são eloquentes.

É que todas as fotos, de uma maneira geral, mostram-nos "brancos", alegres, descontraídos, desarmados, eufóricos e ao mesmo tempo tranquilos.

E mostram-nos "negros" armados, preparados para a guerra, incrédulos e indecisos, sem disposição de abandonar a guerra.

Claro que como eu também vi os guerrilheiros do MPLA, da UNITA e da FNLA em Angola, e o semblante de quem sabe que a guerra ia piorar, e estavam dispostos a matar ou morrer, por isso, todas estas fotos me confirmam sempre aquilo que eu sempre digo.

O MPLA e o PAIGC, não era no "tuga" que viam o seu grande inimigo, e sabiam que a guerra ia continuar sem o "colon"

Até hoje ainda não largaram as armas, embora disfarcem.

E até dentro dos próprios movimentos, precisavam de se armar, para se protegerem uns dos outros.

Cumprimentos





Luís Graça disse...

Jorge, espero que tenhas tomado boa nota dos recados que te mandei, através do nosso inesperado leitor, teu vizinho e filho de um camarada nosso (que infelizmente acha que é um "zero à esquerda nestas coisas da internet")... Fico cada vez mais espantado (e ao mesmo tempo gratificado, pelo trabalho que, todos juntos, aqui fazemos, já há largos anos) pelo facto de serem os filhos e as filhos dos ex-combatentes a interessaram-se por "essa parte sombria da lua" da sua vida passada, de que pouco ou nada falam lá em casa...

Como as tuas legendas são lacónicas, falta-nos informação para "contextualizar" melhor estas fotos... Antes de mais, deixa-me dizer-te obrigado por elas... Há camaradas do teu tempo que ainda têm relutância em mostrá-las, no nosso blogue. Há sempre algum receio de crítica por parte dos pares, sobretudo pelos "velhinhos" que apanharam os duros anos do iníco da guerra ou que combateram o PAIGC no tempo de Spínola, como eu...

Sei que expor estas fotos, é também expor-nos... Mas seria uma pena não as publicar, e mais, ve-las no contentor do lixo... Não é desonra nenhuma "posar" para a fotografia com o "inimigo de ontem"... Acontece/aconteceu em muitas guerras que, como tudo na vida humana, chegam a um fim... E mais difícil, se calhar, é saber fazer a paz do que continuar a guerra...

Além do mais, fazes questão de dizer que quem veio ao vosso encontro foi o bigrupo do Bunca Dabo, não foram vocês que foram ter com eles... Não sei se a desconfiança era só de um lado... O que estariam a pensar os nossos camaradas africanas que optaram pelo "nosso lado" e a quem o PAIGC chamava, nasua propaganda, os "cães dos colonialistas" ? E eram fulas, mandingas, balantas, manjacos, beafadas, felupes, etc., como os seus "irmãos" do outro lado....

Ao mesmo tempo também há curiosidade, mútua, em "conhecer o outro" que nos combatia, que se calhar nos teve, no mato, debaixo da mira da Simonov, ou da Kalash ou do RPG... ou despejou carregadores de G3 contra o "sacana" emboscado por detrás daquele bagabaga, junto da aquele bissilão na orla da mata, na picada que ia ter à bolanha e ao rio, naquele dia e naquela hora, lembras-te, camarada ?...

Tens de explicar à gente donde veio exatamente este bigrupo... Há um tipo estranho, de farda amarela (?), com um gorro (ou "protetor de cabeça" ?), e pistola à cintura, à "cowboy", que tanto pode ser um apontador de RPG (segura um tubo), como poderia ser um eventual tripulante de uma viatura blindada (Vd. Foto 6 D)...

Parece-me de todo improvável que este bigrupo, mesmo em julho de 1974, fosse "autotransportado"... Pelo que se percebe das fotos, tu (e outro alferes) foste com eles ao "porto de Fulacunda", nas turísticas viaturas da tropa a que no meu tempo chamávamos Unimog... Quando íamos para os "safaris", íamos de Unimog, 404 ou 411 (o célebre "burrinho")...

Temos que perbecer (e até aceitar) as "cautelas" da "tropa" do PAIGC... A assinatura do acordo de Argel, ainda vem longe: se não erro, os políticos só "assinam a paz" em 25 de agosto de 1974... Até lá, a "paz foi-se construindo", com encontros como este e outros que se realizaram por todo o território...

Por fim, puxa pelos neurónios e confirma que o "caixa d'óculos",o Bunca Dabó, era mesmo o comandante... Olha que ele tem mais cara de comissário político, e pelo que eu tenho bo bloue eram mais os comissários políticos que faziam os primeiros contactos e aproximações à NT, no pós 25 de abril...

Aquele abraço fraterno, meu amigo, camarada e irmão Jorge!

JD disse...

Camaradas,
Compreendo a satisfação da NT que nunca gostou da guerra, mas não se deixou amedrontar por ela, e gostaria de formular uma questão: na época dos retratos ainda estava por assinar o armistício e ainda se vivia em regime de guerra contra a guerrilha. Não seria plausível a entrada de guerrilheiros armados nas instalações militares, e como já vimos por outras descrições, por vezes até com arrogância. A descontracção mostrada pelas NT, demonstra que sabiam não correr riscos. A questão é a seguinte: o MFA da Guiné ter-vos-á dado indicações para confraternizar com o IN antecipando o fim da guerra, ou cada uma das unidades visitadas fê-lo por conta própria.
É que só vejo uma de duas possibilidades, e gostaria de ser esclarecido.
Abraços
JD

Luís Graça disse...

Jorge e outras camaradas que estavam no pós-25 de abril no TO da Guiné: é uma boa questão, esta, a que o Zé Manel Dinis vos põe... Eu não estava lá, não posso honestamente responder...

Antº Rosinha disse...

Em Abril de 1974, no caso de Angola, os movimentos já não tinham grande receio da tropa metropolitana.

Só se aproximaram das populações e das cidades depois de Agosto, mas sempre armados, e sem à vontade e até com sensação de envergonhados.

Mas o grande receio deles era encontrarem-se com os movimentos adversários pelo que começaram imediatamente aos tiros esporádicos.

Entretanto eu peguei nos meus caixotes de retornado e em Novembro/74 já não assisti a mais nada em Angola.

Mas faço ideia o que se teria passado com sobas e comandos africanos, que sabiam que eles se iam portar como terroristas com todas as letras, ou alguêm duvidava?

No caso da Guiné, já sabemos que o receio levou-os a criar as valas comuns para os comandos africanos de Spínola e alguns régulos.

Para mim, aquele ar com que se apresentam nas fotos já diz em parte o espírito com que chegaram junto do povo.

Ajustar contas!

Mas, essa cara que vemos nas fotos que devia ser de alegria e abraços pelo menos junto do povo, continuava a mesma cara estranha, passados vários anos, nos quartéis em Brá e na rua.

Só devemos falar sobre aquilo a que assistimos, mas passados tantos anos a estudar, e a ouvir testemunhos, já podemos fazer afirmações e deduções que podem ficar para a história.

Luís Graça disse...

Zé Manel Dinis: as fotos não permitem "perceber" (em pormenor e profundidade) as "possíveis reações" do tuga... Os únicos que aparecem nas fotos é um condutor de Unimog, um alferes (o Jorge Pinto) e um meio alferes (cortado, na foto, no porto de Fulacunda)... Mas o nosso Jorge Pinto está "impex", em farda nº 2, desarmado, descontraído, sorridente, autocofiante... Não se sabe do resto do pessoal: capitão, outros alferes, furriéis, e por aí fora... Vemos o chefe de posto a "colaborar" na "sessão de esclarecimento" do comissário político do PAIGC, possivelmente como "tradutor" (?), ou "interlocutor" por parte da administração civil... Não dá para perceber quem representa o quê...

Já os "nossos" soldados guineenses (boina castanha) parecem estar mais apreensivos... Pudera!...

Luís Graça disse...

Camaradas:

Não façamos uma leitura tão "imediatista", redutora, linear... destas imagens. Todos temos, os seres humanos, um "rosto" e uma "máscara"... O rosto é "aquilo que somos", a "máscara" é o rosto retocado, melhorado ou não, manipulado, com que nos apresentamos aos outros... É no espaço que medeia o rosto e a máscara que está a verdade...

Quem, como o Rosinha, viveu largos anos em África (,eu só vivi dois...) sabe qual é a importância da máscara nas culturas africanas... LG

Antº Rosinha disse...

Luís Graça, eu não vejo aqui qualquer máscara, vejo apenas gente armada sem qualquer ideia de paz.

Os africans, entre eles, demonstram sentimentos de satisfação, ou de convivência, de uma maneira instintiva. e de uma maneira irresistível, quer dançando, quer batendo palmas, quer apertando a mão e se forem mais velhos, fazendo vénias respeitosas.

Em variadíssimas fotografias pós 25 de Abril, que aqui já foram exibidas nunca vimos demonstrações de júbilo entre o povo e os guerrilheiros.

Eu não vejo nada que não esteja à vista de todos os por aqui passam frequentemente.

Penso eu.

Vasco Pires disse...

Chamou a minha atenção o comentário desse jovem,filho de ex-combatente,e vizinho do nosso camarada.
Nós não podemos mudar a história, mas lendo o depoimento desse jovem, vejo como é importante este blog,para deixar escrita para a posteridade,a nossa versão da vivência da guerra.
Forte abraço.
VP

Jorge Pinto disse...

Tentando esclarecer algumas dúvidas e para melhor compreensão do "acontecimento" retratado pelas fotos, importa saber:
1ºEm 1972/74, Fulacunda é uma tabanca totalmente isolada. A única picada transitada era a que servia de acesso ao porto de reabastecimento e que distava uns 4/5 Klms.
2º O referido grupo Bunca Dabó, pelo que sei, patrulhava/circulava a zona entre Fulacunda e os rios Corubal e Geba e por isso flagelava/atacava Fulacunda de vez em quando.
3º A visita deste grupo, composto por cerca de 50 elementos a Fulacunda, durante 1 dia, foi programada e preparada, mas desconheço pormenores. Sei, apenas que o mesmo já tinha acontecido noutras localidades da Guiné.
4º Naturalmente que a população de Fulacunda recebeu estes guerrilheiros, que vinham fortemente armados, em grande tensão. As fotos 3,4 e 4B, demonstram isso.
5º A "exigência" da ida ao porto de Fulacunda, no mesmo dia da visita, considerei-a inútil, pois não fomos fazer nem ver nada de novo. Nesta viagem de 4/5 Klms iam cerca de 15 (guerrilheiros), bem armados, conforme fotos demonstram. Da parte das NT ia eu, um furriel e o cabo condutor, totalmente desarmados. Nenhum elemento da população nos acompanhou. Esta ficou dentro do recinto que era cercado por arame farpado conversando com os restantes elementos do PAIGC. As fotos 5 e 5A retratam a saída da Tabanca para o Porto. As outras são tiradas no próprio porto.

Sei que foram colocadas outras questões, mas para essas não possuo respostas com o "rigor cientifico" que a "delicadeza" da situação histórica vivida nessa época exige. O "devir histórico" se encarregará de as desnudar...

Abraço

Anónimo disse...

Então foi assim.....

A malta das NT ficou contente porque antevia, finalmente, o final da guerra e o regresso a "no terra".

Nos "gajos" do PAIGC notava-se uma certa desconfiança sobre "tudo e todos"..não sabiam qual seria o futuro (deles)

Quem mandava eram os "comissários políticos"..os restantes "eram carne para canhão"

A população andava apreensiva e com razão.

Quanto aos elementos das NT locais tiveram reacções diferentes consoante as funções que desempenharam...concretamente na arma de artilharia não se passou nada...receberam o pré a que tinham direito, passaram à disponibilidade e foram à sua vida.

Um alfa bravo

C.Martins


Anónimo disse...

Tudo bem. Perguntas são perguntas que nem exigem respostas, longe do domínio dos factores reais que fundamentariam a visita e a forma como é feita. Estranho é que alguém nascido em 1985, aparentemente com boa formação, diga ainda hoje que aquela população era de portugueses...tão portugueses como os...portugueses de Turquel (para quem não saiba, conhecida na chamada zona oeste de Portugal, como a terra dos burros, como se dizia na Guiné, sobre Bafatá)
José Brás

jpscandeias disse...

JD
Vou relatar o que se passou comigo no CIM, Bolama, no dia 1º de Maio de 1974, altura em que já ia a caminho do meu 25 mês na Guiné. Um Major de nome Lima, que julgo foi substituir o "celebre" Major Coutinho, era o diretor de instrução e por quem os instrutores não morriam de amores, veio nesse dia "autorizar" quem quisesse participar numa manifestação do PAIGC na cidade. Não fui, nem conheci ninguém que lhe tivesse "obedecido". Desconheço se o Major Lima era membro do MFA, pelo perfil militar demonstrado até aquela altura e depois eu considerava-o um ultra.

João Silva