quinta-feira, 13 de julho de 2017

Guiné 61/74 - P17576: "Resumo do que era a Guiné Portuguesa há vinte anos e o que é já hoje", da autoria do 2.º Sargento Ref António dos Anjos, Tipografia Académica, Bragança, 1937 (5): Págs. 43 a 51 (Alberto Nascimento, ex-Soldado Condutor Auto)



1. Quarta parte da publicação do livro "Resumo do que era a Guiné Portuguesa há vinte anos e o que é hoje", da autoria do 2.º Sargento António dos Anjos, 1937, Tipografia Académica, Bragança, enviado ao Blogue pelo nosso camarada Alberto Nascimento (ex-Soldado Condutor Auto da CCAÇ 84 (Bambadinca, 1961/63).



(Continua)
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Nota do editor

Poste anterior de 10 de Julho de 2017 > Guiné 61/74 - P17564: "Resumo do que era a Guiné Portuguesa há vinte anos e o que é já hoje", da autoria do 2.º Sargento Ref António dos Anjos, Tipografia Académica, Bragança, 1937 (4): Págs. 33 a 42 (Alberto Nascimento, ex-Soldado Condutor Auto)

4 comentários:

Tabanca Grande disse...

Quer se goste ou não, os guineenses devem muito provavelmente ao "capitão diabo", Teixeira Pinto, mais do que talvez ao "pai da pátria" Amílcar Cabral, o facto de hoje existir um país, independente, lusófono, que dá pelo nome de Guiné-Bissau:

"A Guiné estava pacificada e, mais do que isso, ficava unificado o 'enclave' que os Franceses sempre esperaram vir um dia a pertencer-lhes, fomentando para isso a hostilidade dos guineenses, como vimos. A coluna foi dissolvida em 17 de Agosto de 1915. Teixeira Pinto bem merece, portanto, a estátua que lhe foi erguida numa das colinas de Bissau por ele conquistada. Tal só aconteceu pela sua energia excepcional determinação e raro conhecimento do modo de ser dos nativos, que permitiu dominá-los por vias apropriadas e pouco acessíveis à guerra clássica" (p. 270).


Fonte: Carlos Bessa - Guiné. Das feitorias isoladas ao 'enclave' unificado. In: Manuel Themudo Baraa e Nuno Severiano Teixeira, ed. lit - Nova Históriaa Militar de Portugal. Vol. 3. S/l: Círculo de Leitores. 2004. 257-270

Tabanca Grande disse...

Claro que a estátua do Teixeira Pinto, inaugurada em 1946, em Bissau, ao tempo do governador Sarmento Rodrigues, foi desmantelada a seguir à independência do território... Era um dos "símbolos odiosos do colonialismo"... Mas as crianças da Guné-Bissau, nas escolas, deveriam saber mais sobre este período das "campanhas de pacificação" e o papel do cap Teixeira Pinto e do seu cabo de guerra Abdul Indjai...


https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2014/04/guine-6374-p13042-manuscritos-luis.html

Tabanca Grande disse...

Sobre o "Capitão Teixeira Pinto" temos 30 referências no blogue:

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/search/label/Capit%C3%A3o%20Teixeira%20Pinto

Tabanca Grande disse...

Já aqui em tempos escrevi: uma coisa parece certa, a Guiné-Bissau, em termos territoriais e populacionais, não seria o que é hoje, sem a visão estratégica e a acção destemida, enérgica e sangrenta do Capitão Teixeira-Pinto, ao serviço de Portugal e da República. Volto a citar Carlos Bessa:


Teixeira Pinto, pacificador da Guiné, "enclave" unificado
por Carlos Bessa

(...) "Proclamada a República, a administração portuguesa continuou a impor-se cada vez mais segura, ora aos comerciantes, ora a régulos poderosos e interesseiros como Adbul Injaí. Quando necessário usava a força contra as etnias animistas. Os Franceses não se conformavam com o perdurar do 'enclave' da Guiné, tropeço para a expansão na Senegâmbia.

"Até que, em 23 de Setembro de 1912, chegou um oficial diferenete. Nascera em Moçâmedes, bebera o saber de guerras no sertão de militares coloniais como João de Almeida, de cuja coluna fez parte nos Dembos, aprendendo a estudar primeiro o inimigo e o meio e só atacar depois. Não era um teórico. Cuidava do pormenor. Beneficiou de os governadores lhe darem carta branca, embora tendo de enfrentar os assimiliados da Liga Guineense, criada após a república para fins escolares e educativos, mas buscando com o tempo crescente influência política.

"O novo chefe do Estado-Maior concentrou esforços entre Cacheu e o Geba para evitar o choque com os Franceses e encurtar linhas de comunicação. Dispondo de poucas tropas, apoiou-se em chefes mercenários nem sempre modelares, como Abdul Injaí e Mamadu Cissé, ou no administrador e oficial de segunda linha Calvet de Magalhães, que soube captar o régulo Monjur e fazer dos fulas do Gabu aliados fiéis. Quadros militares de carreira queria poucos e dispensou-os. Elegeu como objectivo liquidar as bolsas animistas, apoiado nos islamizados, que utilizou também contra os grumetes. Dentro desta ordem de ideias organizou quatro campanhas: a do Oio, por onde começou, por ser a região mais adversa, de Abril a Agosto de 1913, na transição do cacimbo para a época das chuvas; a dos manjacos e papéis de Cacheu, de Janeiro a Abril de 1914; contra os balantas de Mansoa, de Maio a Julho de 1914; e contra os papéis de Bissau, de Maio a Agosto de 1915" (...).

Fonte: Carlos Bessa - Guiné. Das feitorias isoladas ao 'enclave' unificado. In: Manuel Themudo Baraa e Nuno Severiano Teixeira, ed. lit - Nova Históriaa Militar de Portugal. Vol. 3. S/l: Círculo de Leitores. 2004. 257-270.