quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Guiné 63/74 - P7679: Agenda cultural (103): Programa na SIC com o Cor. Sentieiro - o Capitão da "Ostra Amarga" – 6 Fevereiro 2011 (Virgínio Briote)


1. O nosso camarada Virgínio Briote (ex-Alf Mil Comando, Brá, 1965/67), enviou-nos a seguinte mensagem em 21 de Janeiro de 2011:
Programa na SIC
Caros Luis, Carlos e Eduardo,
O Cor Sentieiro (o Capitão Cmdt da Cª da "Ostra Amarga") telefonou-me um dia da semana passada. Já há cerca de dois anos que não falávamos mas o Cor. Sentieiro não perdeu o espírito vivo e a memória acurada, que o caracterizam, apesar dos problemas que teve com o fígado que o obrigaram a trocar por um novo.
Telefonou-me para me dar uma informação. Acabava de ser contactado por um jornalista da SIC que lhe solicitava uma data para um encontro pessoal. Esclarecidas as razões do interesse da SIC, o Coronel acordou em os receber na sua casa de Torres Novas, não sem referir que o caso da "Ostra Amarga" já tinha sido muito discutido, nem tinha sido um dos mais significativos por que passou na Guerra na Guiné, e seguramente muito menos para outros militares portugueses e que o que tinha dado projecção ao episódio foi o facto das filmagens terem sido obtidas em directo por um grupo notável de profissionais da informação, todos franceses e já com algum traquejo de situações idênticas ou do mesmo género.
Aproveitei para lhe dizer que o seu Filho Miguel nos tinha enviado, em tempos, uma mensagem sobre o filme da "Ostra Amarga". Ficou surpreendido e pediu-me que lhe lesse o teor da mensagem. Fui ao blogue e li-lhe o texto devagar, para lhe dar tempo. No fim, do outro lado, o silêncio. E do meu lado, o mesmo, fiquei sem pedalada durante uns segundos para continuar. Demos a volta e combinámos encontrar-nos brevemente.

Hoje, há momentos, voltou a ligar-me com novidades. Uma equipa da SIC tinha acabado de sair de sua casa, Torres Novas, a Cristina Boavida (jornalista SIC) tinha-o entrevistado durante cerca de duas horas e que o tema tinha sido a "Ostra Amarga". No início, quando se apresentaram, informaram que no próximo 6 de Fevereiro se comemoram 50 anos do início da Guerra em Angola. E uma das partes do programa Grande Reportagem é só sobre a Guiné. Disseram-lhe que, sobre a "Ostra", para além dele, contactaram ou iam contactar a enfermeira pára Rosa (não me soube dizer que Rosa, houve mais que uma), provavelmente uma que se vê num dos helis em evacuação, um militar da CCav emboscada (que não me soube dizer o nome) e que na próxima semana, a Cristina Boavida vai a Paris entrevistar a Geneviève Chauvel (no 1º contacto, o Cor Sentieiro tinha-lhe esclarecido o jornalista que havia um blogue sobre a Guiné, que tinham obtido o filme e que tinham contactado a jornalista Chauvel e que no blogue a história estava contada da forma que ocorrera).

Caros Camaradas, era isto que vos queria transmitir: que, aparte os meus pormenores, o importante é estarmos prevenidos para a data: 6 Fevereiro, domingo, SIC, Grande Reportagem.

Um abraço,
v briote
___________
Notas de M.R.:
A Grande Reportagem tem conta no Facebook:

8 comentários:

Anónimo disse...

Se a programa vai ser transmitido na sic o que faz aqui o logotipo da tvi?
Um abraço e muita saude para todos nós.
Amilcar Dias (pagamico)

Eduardo J.M. Ribeiro disse...

Amilcar Dias, Muito agradeço aqui a atenção ao avisar da troca dos logotipos, pois, como é óbvio, inadvertidamente eu havia-os trocado.

Reposto o logo correcto, com um abraço Amigo para todos e em especial para o Amilcar.

Magalhães Ribeiro

Luís Graça disse...

Obrigado ao Virgínio e ao Eduardo... Esperemos que os jornalistas da SIC tenham feito bom trabalho... A guerra colonial está cheia de histórias dramáticas como esta, a Op Ostra Amarga (também conhecida ironicamente como Op Paris Match)...

E a propósito, conheci há tempos, em Loures, por ocasião do lançamento do livro do José Brás, "Lugares de passagem", o nosso camarada Luís Murta, ex-Fur Mil Cav, que me disse ter pertencido à CCAV 2485
do Cap Sentieiro, e ter participado na Op Ostra Amarga...

Trabalhou na TAP, na Manutenção, e é amigo e conterrâneo do Francisco Godinho (natural de Moura)...

O Luís Murta que esteve em Bula, Teixeira Pinto e creio que ocasionalmente no Cacheu, manifestou logo de imediato o seu interesse em ingressar na nossa Tabanca Grande e contar mais episódios dessa operação... Falou-me, para além da Chauvel, de uma outra jornalista. Ele garante que havia 2 (duas) francesas, "embedded" nas NT. Muita gente da CCS do batalhão, mesmo sem grande experiência operacional, ter-se-á oferecido, como "voluntária", para acompanhar os jornalistas franceses (incluindo a Chauvel e a outra) no tal "passeio", já no final da Op Ostra Amarga, que deu para o torto... Espero que a entrevista com o Cor Cav Ref José Sentieiro possa esclarecer este e outros pontos...

O Luís Murta, até agora, não deu mais sinais de vida... Seria interessante termos a sua versão escrita, antes da emissão do programa "Grande Reportagem", no próximo dia 6, domingo,`à noite. na SIC...

Aproveito para sublinhar que este é talvez um dos exemplos pioneiros do "embebbed journalism" que se popularizaria, mais tarde, com a guerra do Iraque...Recorde-se que em Março de 2003, cerca de 8 centenas de jornalistas e fotojornalistas fizeram a cobertura, "em directo", da invasão do Iraque pelas tropas americanas e seus aliados....

http://en.wikipedia.org/wiki/Embedded_journalism

JC Abreu dos Santos disse...

... «uma equipa da SIC» que, no pretérito dia 21, se deslocou à residência do coronel de cavalaria José Maria de Campos Mendes Sentieiro, agraciado com uma Cruz de Guerra de 1ª classe, logo de entrada se lhe apresentou - cf inf do próprio -, dizendo «que no próximo 6 de Fevereiro se comemoram 50 anos do início da Guerra em Angola».

Comemorar 50 anos do início da Guerra...
"Comemorar" o início de uma guerra?! Mas que raio de "enquadramento jornalístico" será este?! Então a SIC já faz parte do universo empresarial da senhora Isabel dos Santos?!
Vamos aos factos, que a nós - Geração de Portugueses que cumpriram o Dever - interessam: em 6 de Fevereiro de 2011, é decorrido exacto meio século sobre a morte em combate na Baixa do Cassanje, perto da teca Riaquida, de dois camaradas-de-armas, militares portugueses: João Maria de Almeida Figueiredo (nascido em Recardães, onde se encontra sepultado); e Manuel Baptista da Costa (natural de Macieira de Cambra, onde se encontra sepultado).

E concluo, com duas perplexidades:
- após um qualquer brain-storming redactorial numa estação televisiva, portuguesa, um(a) manipulador(a) decidiu enchouriçar a supra citada e tão infausta efeméride «do início da Guerra em Angola»... com uma infeliz 'op' de marketing spinolista, ocorrida na manhã de 18Out69 no noroeste da Guiné;
- afinal, que vai a Grande Reportagem da SIC... "comemorar"?!

Anónimo disse...

Continuamos deslumbrados com acontecimentos televisivos, sem preocupações de qualidade, alinhamento ou seguimento.
Somos os fantoches efémeros...

Pergunta-se, o Sr Coronel Sentieiro recebeu os moços de recados e
se sim, porquê ou para quê?


SNogueira

Anónimo disse...

Caro Luis,
estive cinco anos em África mas nunca vi nem não sei o que é um jornalista "embedded" - importas-te de explicar?
(O resto do teu comentáriuo afigura-se demasiado vasto para a minha prosaica referência por isso deixo para outra altura )

Obrigado

SNogueira

Miguel Sentieiro disse...

Deixo aqui a minha genuína admiração para todos os que estiveram nos terrenos pantanosos e mortíferos da Guiné. Não deixei, no entanto, de ficar surpreendido com o comentário de SNogueira, sobre as motivações “sub-reptícias” do Coronel Sentieiro ao receber os “malandros” dos jornalistas em sua casa. A minha incredibilidade prende-se com a ideia bizarra, de que, qualquer reportagem televisiva que pudesse divulgar a guerra da Guiné e os seus terrenos pantanosos onde pereceram milhares de portugueses, pudesse ser do agrado de qualquer combatente que a sofreu em silêncio na pele, porque muita gente poderia ficar com uma ideia do que se passou. O facto de eu saber de forma mais aproximada o que se passou na Guiné , muito o devo a este Blogue e às Únicas imagens editadas de uma emboscada no mato, onde por azar estava o meu pai, Coronel Sentieiro. Apenas dizer que, até aos 37 anos, eu nunca ter ouvido do meu pai qualquer referência aos “feitos” da guerra, às feridas em combate, nem àquela medalha, que fiquei a saber há pouco, ser a tal da Cruz de Guerra de 1ª Classe. Qualquer tentativa de se tentar subverter um documentário de divulgação, numa cabala de motivação “obscura” ou pretensão de “gabarolice” associada à entrevista que o Coronel Sentieiro, deu (a contra-gosto) à jornalista, entra no domínio do caricato. Os meus filhos de 8 e 10 anos também viram a reportagem. Assim, não correrão o risco de confundir a Guerra na Guiné, com uma qualquer Guerra do Planeta Fénix. A guerra da Guiné, foi aquela onde o avô Zé e milhares de outros avós, atolaram de forma heróica, alguns anos da sua vida… Abraço para todos os combatentes do não-combatente
Miguel Sentieiro

Hélder Valério disse...

Caro Miguel Sentieiro

Muito obrigado pelas suas palavras e pela sua visão das coisas.
As suas conclusões são aquelas que de facto importam
E acresce ainda que, quanto a reportagens, é o que há!
Tem-se dito que pouco mais existe em termos de filmagens e por isso a importância acrescida que essas têm.

Quanto a certo tipo de opiniões, já se sabe que é assim mesmo. Se não se passa nada é porque somos ostracizados, os que mandam são os que não 'fizeram' a guerra e por isso 'apagam' tudo o que nos diga respeito (é preciso reparar que, na prática, já se vai sendo dirigido por aqueles que nem chegaram a ter que optar por ir ou não, esses até já são passado, mas insiste-se nessa tecla para alcançar outros objectivos); se passam alguma coisa é porque há ânsia de protagonismo (houve até um 'artista' que chegou a enviar um 'comentário' aqui para o Blogue, a propósito do anúncio de uma entrevista de um camarada a mais um órgão de comunicação social com um lacónico e provocatório "vaidades"...), é porque estão a procurar explorar os sentimentos dos ex-combatentes para a guerra das audiências, é porque 'não gostei', etc..

Felizmente, a caravana vai passando.

Abraço
Hélder