quarta-feira, 27 de julho de 2016

Guiné 63/74 - P16336: (Ex)citações (313): A minha faca de mato, de aço temperado mas não de inox, "made in Portugal", velhinha de 45 anos, amiga inseparável, ainda hoje nas jornadas de caça... (Augusto Silva Santos, ex-fur mil, CCAÇ 3306/BCAÇ 3833, Pelundo, Có e Jolmete, 1971/73)


Foto nº 1


Foto nº 2


Foto nº 3


Foto nº 4

Fotos: © Augusto Silva Santos (2016). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

1. Mensagem de Augusto Silva Santos, com data de 26 do corrente:

Augusto Silva Santos 
(ex-fur mil, CCAÇ 3306/BCAÇ 3833,



Olá,  Carlos Vinhal, boa tarde!
Espero que esteja tudo bem contigo.

Relativamente ao assunto em referência, estou a juntar a minha modesta colaboração, com um pequeno texto e algumas fotos para ilustrar que, caso assim o entendas, agradeço publicação.

Um Grande e Forte Abraço
Augusto Silva Santos


2. A minha Faca de Mato

Esta é a minha faca de mato, velhinha de 45 anos, que sempre me acompanhou durante toda a minha comissão na Guiné, conforme fotos [4] que o confirmam. Foi uma amiga inseparável, tal como a G3, e que muita utilidade teve em diversas situações, umas mais agradáveis que outras.

Sempre a usei no cinturão. Foi com ela que abri latas de conserva e ostras, que fiz petiscos, que amanhei peixe da bolanha, que colhi ramos de palmeira para fazer abrigos ou camas improvisadas, que tentei detectar minas, mas também para infelizmente ter de abrir a camisa de um camarada ferido por estilhaços de uma roquetada.

Também me lembro de com ela ter gravado,  numa árvore junto ao rio Cacheu, o meu nome e da minha namorada, e agora minha mulher.

Será sempre um objecto muito versátil e de muita importância no campo militar. Sendo caçador, confesso que algumas vezes (será por nostalgia?) já a levei comigo nalgumas jornadas de caça.

No meu caso, julgo tratar-se de uma faca de aço temperado, mas não de aço inox, até porque já apresenta alguns pontos de ferrugem, apesar dos cuidados que ao longo destes anos lhe tenho dispensado. Não tem qualquer designação ou marca para saber onde foi produzida, mas penso tratar-se de cutelaria nacional, pois foi por mim adquirida numa feira / mercado antes do meu embarque para a Guiné. Portanto, não me foi distribuída, era e é de minha propriedade.
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4 comentários:

José Botelho Colaço disse...

Camarigo Augusto o inox assim para um leigo como eu é uma mistura de ferro e níquel por isso também é atacado pela óxido de ferro e por esse motivo depende a quantidade de níquel que contém eu lembro-me quando trabalhava numa empresa de refinação de açúcar, havia uma secção onde eram os filtros da cal e aí só podia-mos utilizar o inox (AIZ-316) o único que resistia, por exemplo o (AIZ-304) ao longo de um ano começava a ficar picado.
Penso eu ser esta a razão das laminas das facas de mato passados longos anos apresentarem esses pontos de ferrugem.
Um abraço.

Tabanca Grande disse...


Camarada Augusto Silva Santos: Vejo, pela foto nº 4, que o "Pedras Negras", da Adega Cooperativa de Palmela, já chegava naquele tempo à Guiné... O que faz a faca de mato, ao lado do garrafão ? Era também saca rolhas ?

A península de Setúbal é hoje "terroir" de grandes vinhos, dos melhores do mundo... Mas na época, havia muita zurrapa... Pelo menos, o que chegava ao estômago do "império"... O chamado "vinho pró preto" (, neste caso, a tropa-macaca)... Como é que os gajos do "terreiro do Paço" queriam eu a gente ganhasse a guerra, com a "água de Lisboa" ?...

https://www.acpalmela.pt/mesa.html

Anónimo disse...

De: Augusto Silva Santos
Para: José B. Colaço

Amigo Colaço, também sou um pouco (não muito)conhecedor do assunto (aços, ligas, etc.) e posso-te garantir que a minha faca de mato não é mesmo de aço inox, pelo menos do puro. Aliás, ela nem sequer, como referi no texto, tem qualquer referência à sua composição ou fabricante. Numa ocasião guardei-a ainda húmida, e alguns dias depois estava toda enferrujada portanto, nesse capítulo é muito fraquinha, apesar de me ter sido muito útil. De qualquer forma, muito obrigado pelo teu comentário. Um forte abraço.

Anónimo disse...

De: Augusto Silva Santos
Para: Luís Graça

Amigo Luís, a faca em cima da mesa, era mesmo para cortar o "casqueiro" também presente na foto, e depois para cortar o chouriço que estava a assar. :)
O garrafão de Pedras Negras e outras iguarias que recebia periodicamente enviadas pelos meus pais, eram-me trazidas da metrópole por amigos meus da Marinha Mercante que comigo andaram embarcados no Alfredo da Silva, Rita Maria, e Niassa, antes de ter ido cumprir serviço militar. Também algumas vezes as recebi através de amigos do meu pai que tinha na Marinha de Guerra. Nesse aspecto fui um privilegiado e tive muita sorte, principalmente durante o último ano de comissão. E que bem nos sabiam esses petiscos! Matava-nos a fome mas também as saudades... Um forte abraço.