terça-feira, 22 de novembro de 2016

Guiné 63/74 - P16746: Agenda cultural (521): "Amílcar Cabral (1924-1973): vida e morte de um revolucionário africano", nova edição, revista, corrigida e aumentada (622 pp.): convite da embaixada guineense para o lançamento do livro do prof doutor Julião Soares Sousa, na Universidade Lusófona, Lisboa, sábado, dia 26, às 15h00


Capa do livro do historiador guineense Julião Soares Sousa, "Amílcar Cabral (1924-1973): vida e morte de um revolucionário africano", edição revista, corrigida e aumentada,


1.  Mensagem da Embaixada da Guiné-Bissau:

De: Embaixada Guiné-Bissau 
Universidade Lusófona, Lisboa, Campo Grande

Data: 22 de novembro de 2016 às 10:10

Assunto: Convite para o Lançamento do Livro do Professor Doutor Julião de Sousa, na Universidade Lusófona [. foto à direita]

Ilustre,

Quatro anos depois da sua primeira apresentação, o livro "Amílcar Cabral, vida e morte de um revolucionário africano", do historiador guineense Julião Soares Sousa, está de volta às bancas, em versão revista, corrigida e aumentada.

A obra, que ganhou o prémio,  da Fundação Calouste Gulbenkiam, da História Moderna e Contemporânea de Portugal, traz agora novos dados num estudo apontado como das mais rigorosas biografias do fundador  das nacionalidades guineense e cabo-verdiana.

A apresentação de "Amílcar Cabral, vida e morte de um revolucionário africano", de Julião Soares Sousa, acontece no sábado, dia 26 de novembro, às 15 horas, no auditório Agostinho da Silva, da Universidade Lusófona de Lisboa.

A obra será apresentada pelo jornalista Waldir Araújo. Uma organização a cargo da Embaixada da Guiné-Bissau em Portugal, com apoio da RDP-África.

Contamos com a sua ilustre presença!

Cordialmente,  Ana Semedo, adida.

Com os melhores cumprimentos.

Embaixada da República da Guiné-Bissau
Rua de Alcolena, Nº 17A, 1400-004
Lisboa;

Telef.: 00351 210 739 165


2. Informação adicional dos editores:

JULIÃO SOARES SOUSA

(i) nasceu em  1966, em Bula, Guiné-Bissau; vive em Portugal desde os 16 anos; reside atualmente em Pampilhosa;

(ii) concluiu, em 2008,  o doutoramento em história contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC); (foi, de resto, o primeiro guineense a doutorar-se pela Universidade de Coimbra, de acordo com notícia que demos, na altura no nosso blogue); 

(iii)  mestre em História Moderna (FLUC, 1997); licenciado em História (FLUC, 1991);

(iv) trabalha como investigador no Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, Universidade de Coimbra;

(v) é investigador associado do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas da Guiné-Bissau (INEP);

(vi) distinguido com o prémio Fundação Calouste Gulbenkian de História Moderna e Contemporânea de Portugal, da Academia Portuguesa de História (2011), pelo livro "Amílcar Cabral (1924-1973) Vida e morte de um revolucionário africano" (Lisbnoa, Nova Vega, 2011);

(vii) projeto de investigação pós-doc:  a cisão sino-soviética e as suas implicações nos movimentos de libertação das colónias portuguesas de África;

(viii) tem cerca de duas dezenas e meia de referências no nosso blogue.


3. Entrevista ao Jornal da Mealhada > 30 de junho de 2015 >  “Vida e morte de Amílcar Cabral”, de Julião Soares Sousa, apresentado na Mealhada  (excertos, com a devida vénia)
 
(...) “A reedição da obra sobre Amílcar Cabral foi aumentada e tem mais informação do que as duas outras publicadas em Portugal e uma outra em Cabo Verde, que foi uma edição exclusiva só para este país”, declarou, ao Jornal da Mealhada, Julião Soares Sousa, sobre a nova publicação, que tem seiscentas e vinte e duas páginas e que alguns críticos, garante Julião Sousa, a consideram “a biografia definitiva”.

(...) “Trata-se de uma biografia política de um dos grandes africanos do século XX e impulsionador do projeto de unidade da Guiné com Cabo Verde. Condensa toda a etapa evolutiva desde o nascimento até ao seu assassinato”, explica o autor, que numa das edições anteriores chegou a receber o Prémio Fundação Calouste Gulbenkian História Moderna e Contemporânea de Portugal, da Academia Portuguesa da História, em 2011.

Nesta “nova” edição o capitulo sobre o assassinato de Amílcar Cabral foi alterado, tornando-se “maior e mais profundo”. “Sei que os leitores ficarão surpreendidos com este alargamento”, acrescentou ainda o autor que garante: “É uma história muito procurada pelas pessoas”.

Apesar de Julião Soares Sousa “ter intenção de não voltar a pegar na história”, recorda que a obra “começou na tese de doutoramento” e “obrigou-o” a intensas viagens por vários países, tais como, Dinamarca e Suécia, bem como a consulta “a vários Arquivos em Portugal e no estrangeiro”.

A obra, que já foi apresentada três vezes no Porto e será também em Coimbra e em Lisboa, tem já o dia estipulado para a sessão na cidade da Mealhada. (...)

Julião Soares Sousa já publicou outra obra intitulada “Guiné-Bissau: A destruição de um país – Desafios e reflexões para uma nova estratégia”, que se refere “às crises políticas nos últimos anos”. “É um livro de reflexão pessoal que faz apologia ao diálogo e algumas criticas à gestão”, concluiu o autor, que tem em fase terminal “cinco, seis obras”, estando para breve, tudo indica que até ao final do ano, a apresentação de “A cisão sino-soviética e as suas implicações nos movimentos de libertação das colónias portuguesas de África”.

“As minhas histórias centram-se sempre nas Guerras Coloniais”, confessa Julião Soares Sousa, que não esconde também “que está para breve o seu regresso, quem sabe definitivo, à Guiné”. “É o sitio onde está toda a minha família e o calor, que tanta falta me faz…”, concluiu, ao Jornal da Mealhada, o autor.  (...)

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Nota do editor:

Último poste da série > 21 de novembro de 2016 > Guiné 63/74 - P16743: Agenda cultural (514): O nosso camarada Paulo Cordeiro Salgado vai estar no programa Mar de Letras - Artes e Cultura - Artes e Letras, no dia 23 de Novembro de 2016, pelas 21h30, na RTP África

4 comentários:

Tabanca Grande disse...

Segundo o blogue Conosaba.blogspot.pt, de 22/5/2016 (que, curiosamente usa uma foto nossa, na capa, no rio Corubal, no Saltinho, em 2008, sem mencionar a fonte...), "na passada quarta-feira, dia 18 de Maio de 2016, pelas 17 horas, na Fundação Portugal - África, na Rua de Serralves, 191 - Porto, o Professor Jorge Ribeiro, do Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto, apresentou numa sessão o livro Amílcar Cabral (1924 - 1973). Vida e morte de um revolucionário africano. Edição Revista, Corrigida e Aumentada, da autoria de Julião Soares Sousa."

O historiador (e nosso conhecido Julião Soares Sousa) é citado como tendo dito:

(...) "Ontem como hoje, continuam válidas duas das três hipóteses avançadas por José Pedro Castanheira (...) relativamente ao assassinato de Amílcar Cabral. Isto é: o de ter sido um ajuste de contas no interior do PAIGC; o de ter havido participação ativa do regime português de então na conspiração. A terceira hipótese (a de ter sido uma acção instigada pelo regime de Sekou Touré), quanto a mim fica para já posta de parte" (...)

"É que seria demasiado evidente e colocaria o regime de Sekou Turé, já muito isolado pelos países ocidentais (nomeadamente pela França e por Portugal). Nesta altura acredito que Sekou Turé não mandou matar Amílcar Cabral, mediante os novos dados que vão surgindo" (...).

"Quanto a mim a chave para a resolução deste enigma encontra-se na documentação da PIDE/DGS e da Aginter Press (misteriosamente desaparecida), da SDECE e de outros sub-serviços paralelos. Mas acredito também que algum arquivo privado possa vir a resolver o mistério. Pelo menos pouco a pouco, mais dados têm vindo a terreiro, ajudando-me a reconstruir o puzzle tão complexo" (...)

O blogue Conosaba é editado, desde 2013, por Pate Cabral Djob, um guineense que vive no Porto e foi um dos fundadores da Associação dos Guineenses do Porto.

http://conosaba.blogspot.pt/2016/05/historiador-e-investigador-guineense.html

Tabanca Grande disse...

Já não me lembrava dessa Aginter Press... Citando a Wikipedia, com a devida vénia:


(...) A Aginter Press, também conhecida como Ordem Central e Tradição, foi uma pseudo agência de notícias estabelecida em Lisboa em Setembro de 1966, durante o regime do Estado Novo em Portugal.

"A Agência era dirigida pelo antigo capitão do Exército Francês, Yves Guérin-Sérac, que tinha tomado parte na fundação da OAS, um grupo militante clandestino que defendia uma 'Argélia francesa' durante a guerra da Argélia entre 1954 e 1962, acusado de levar a cabo diversos atentados terroristas. A Aginter Press era na realidade uma organização de mercenários anti-comunista, com subsidiárias por todo o mundo. Treinava os seus membros em técnicas de operações clandestinas, incluindo ataques a bomba, eliminação de personalidades, guerra psicológica, comunicação e infiltração clandestinas e contra-insurreição."(...)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Aginter_Press

A versão inglesa é um pouco mais completa:

https://en.wikipedia.org/wiki/Aginter_Press

Tabanca Grande disse...

"Biografia definitiva" ? É um bocado arriscado, até presunçoso, meu caro Julião, fazer-se afirmações deste tipo, pese embora o teu incansável labor e a tua honestidade intelectual... Há demasiados "buracos negros" por explorar...Grande parte da história do PAIGC, do "pai da Pátria" e da guerra colonial/guerra de libertação da Guiné baseia-se na oralidade, no não-escrito, no não-dito, no "silêncio" dos arquivos...Seguramente, pode haver ainda surpresas... Mas, não te esqueças, todos os " generais" de Amílcar Cabral já morreram, uns como heróis, outros miseravelmente... E os últimos que restam dos guerrilheiros do PAIGC estão remetidos a um estranho silêncio de morte...

Infelizmente, os "generais" do teu Prometeu Agrilhoado não terão deixado testemunhos escritos...Não se cultiva, recalca-se a memória na Guiné-Bissau, tal como em Angola, e provavelmente em Moçambique... Tal como em Portugal, seguramente...

E o exorcismo dos fantasmas da guerra, na tua terra, só se faz, provavelmente, em noites de muita "água de Lisboa" ou "vinho de palma", nos encontros dos antigos combatentes da liberdade da Pátria, nos "choros" dos "homens grandes"...

E tu, Julião, estás há muitos anos afastado da tua terra, não devendo tu e a gente esquecermo-nos que eras um "djubi" quando os irãs se zangaram e incendiaram as savanas e as tabancas da Guiné... Cada vez mais me convenço da estupidez e da inutilidade daquela guerra...em que infelizmente fui obrigado a participar... O que seria hoje a Guiné-Bissau se tivesse tido acesso a uma independência pacífica e faseada ? O que seria hoje a Guiné-Bissau e Portugal ? Pergunta idiota, já que na história não há "ses"...

Enfim, eu tiro o meu "quico" ao teu trabalho como investigador... O conhecimento da nossa história comum deve-te muito, seguramente... Já não te vejo desde 2008, em Bissau... Recebe um abraço fraterno do Luís Graça

Antº Rosinha disse...

Os guineenses sabem como, e porquê, e quem fez desaparecer Amilcar Cabral, mas estão proibidos de contar a sua própria história, assim como milhões de africanos que já morreram a maioria precocemente, sem terem tempo de contar o que se passou, nestes últimos 60 anos.

Os guineenses (povo) a essa "dúvida" respondem emitindo um som bocal provocado por um sibilar de entre dentes.

Quem não conhece esse sibilar dos guineenses a essa questão, vá a Bissau como fiz eu e perguntem, (ao povo bem entendido), que eu não sei explicar melhor que isto.