sexta-feira, 24 de março de 2017

Guiné 61/74 - P17174: "Expedicionários do Onze a Cabo Verde (1941/1943)", da autoria do capitão SGE José Rebelo (Setúbal, Assembleia Distrital de Setúbal, 1983, 76 pp) - Parte VIII: A estafeta "Chama da Pátria", em 9 de abril de 1942, ligando Pedra Lume até Vila Maria, na ilha do Sal




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1. Continuação da publicação da brochura "Expedicionários do Onze a Cabo Verde (1941/1943)", da autoria do Capitão SGE José Rebelo (Setúbal, Assembleia Distrital de Setúbal, 1983, 76 pp. inumeradas, il.) [, imagem da capa, à esquerda].(*)

José Rebelo, capitão SGE reformado, foi em plena II Guerra Mundial um dos jovens expedicionários do RI 11, que partiu para Cabo Verde, em missão de soberania então com o posto de furriel (1º batalhão, RI 11, Ilha de São Vicente, ilha do Sal e ilha de Santo Antão, junho de 1941/ dezembro de 1943).

Não sabemos se ainda hoje será vivo, mas oxalá que sim, tendo então a bonita idade de 96 ou 97 anos. Em qualquer dos casos, este nosso velho camarada é credor de toda a nossa simpatia, apreço e gratidão. E, se já morreu, estamos a honrar a sua memória e a dos seus camaradas, onde se incluíram os pais de alguns de nós.

O nosso camarada Manuel Amaro diz do José Rebelo:

(...) "Por volta de 1960, fez a Escola de Sargentos, em Águeda e, após promoção a alferes, comandou a Guarda Nacional Republicana em Tavira, até 1968. Como homem de cultura, colaborava semanalmente, no jornal "Povo Algarvio", onde o conheci, pessoalmente. Em 1969, já capitão, era o Comandante da Companhia da Formação no Hospital Militar da Estrela, em Lisboa." (...)

A brochura, de grande interesse documental, e que estamos a reproduzir, é uma cópia, digitalizada, em formato pdf, de um exemplar que fazia parte do espólio do Feliciano Delfim Santos (1922-1989), que foi 1.º cabo da 1.ª companhia do 1.º batalhão expedicionário do RI 11, pai do nosso camarada e grã-tabanqueiro Augusto Silva dos Santos (que reside em Almada e foi fur mil da CCAÇ 3306 / BCAÇ 3833, Pelundo, Có e Jolmete, 1971/73).

[Foto do então furriel José Rebelo, expedicionário do 1º batalhão do RI 11]

Trata-se de um conjunto de crónicas publicadas originalmente no jornal "O Distrito de Setúbal", e depois editadas em livro, por iniciativa da Assembleia Distrital de Setúbal, em 1983, ao tempo do Governador Civil Victor Manuel Quintão Caldeira. A brochura, ilustrada com diversas fotos, dos antigos expedicionários ainda vivos, tem 76 páginas, inumeradas.

O batalhão expedicionário do RI 11, Setúbal, partiu de Lisboa em 16 de junho de 1941 e desembarcou na Praia, ilha de Santiago, no dia 23. Esteve em missão de soberania na ilha do Sal cerca de 20 meses (até 15 de março de 1943), cumprindo o resto da comissão de serviço (até dezembro de 1943) na ilha de Santo Antão.

Era comandante do RI 11, na altura, o coronel inf Florentino Coelho Martins, combatente da I Guerra Mundial, e que, ao que parece, não escondia as suas simpatias republicanas, o que na época, no auge do Estado Novo de Salazar,  pagava-se caro. Pouco tempo depois foi substituído.

As páginas que publicadas [de 34 a 37] não vêm numeradas no livro. Ficamos a saber, pelo autor do livro, que a baía da Murteira era um dos "covis" dos submarinos alemães, durante a II Guerra Mundial. Nas barbas das nossas tropas, ali estacionadas, mas não dispondo de artilharia, os alemães rondavam a ilha do Sal e outras ilhas do arquipélago, administrados por um país que praticavam a "neutralidade colaborante"... Na baía da Murteira há hoje um empreendimento turístico mas também mas tem uma zona protegida, a Reserva Natural da Baía da Murdeira
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2 comentários:

Antº Rosinha disse...

A "neutralidade colaborante" da 2ª Grande Guerra, colaborante para os dois lados, comprovadíssimo por várias ocasiões, é muitas vezes menosprezada, e até condenada, pela simples razão do anti-salazarismo, esquecendo-se a carnificina a que os nossos soldados foram poupados.

O que não aconteceu na 1ª G. Guerra, em La Lys, em Angola e Moçambique, em que os nossos soldados não tiveram o privilégio de ter um governante com visão e com coragem.

Para o efeito, hoje, na TVI, é testemunhado por uma moça, escritora que teve aceso a imensas cartas, soldado/família/soldado, desviadas e amontoadas sem nunca terem sido lidas pelos destinatários (censura).

cont.

Antº Rosinha disse...

Lutar contra hitleres, napoleões ou átilas, ou mesmo churchil ou piratas da rainha, só com muita manha e muito jogo de cintura.

Um pequeno relato de um neto de um militar que na 1ª Grande Guerra foi enfrentar os alemães no Sul de Angola, região tipo cús de Judas, ainda hoje, imaginemos em 1918 região que conheci, bem pior que Canquelifá ou Buruntuma ou Boé do piorio da Guiné:

"De Alexandre Policarpo a 24.03.2017 às 12:11
O meu Avô esteve preso no então Sudoeste Africano, hoje Namibia, que nessa época estava sob administração da Alemanha. Foi aprisionado pelas tropas alemãs nas margens do Rio Cunene que faz fronteira entre o sul de Angola e a Namíbia.
Contava o meu Avô que uma grande parte dos militares portugueses presos pelos alemães, foram dizimados pela doença e pela fome.
Quando os militares que sobreviveram foram libertados, foram transportados para Sá da Bandeira e daí foram de combóio para Moçâmedes para apanharem o barco para Portugal. O meu Avô estava tão mal com paludismo, que quando chegaram a Vila Arriaga, uma vilória que fica entre Sá da Bandeira e Moçâmedes, o deixaram para morrer à sombra de um imbondeiro que havia junto da estação, com uma boa dose de quinino, um cantil de água e um pão.
Três dias depois quando o combóio voltou para Sá da Bandeira, alguns militares foram dar com o meu Avô ainda vivo, meteram-no no combóio e levaram-no para o hospital em Sá da Bandeira. Felizmente salvou-se, ou eu não estaria aqui a contar esta história.
No principio dos anos 70 estive em Angola e fiz muitas vezes a estrada Sá da Bandeira- Moçâmedes que era de terra batida até justamente Vila Arriaga, e depois de asfalto até Moçâmedes. Sabe Pedro o mais curioso desta história? 50 e tal anos depois, o tal imbondeiro ainda lá estava ao lado da estação de Vila Arriaga, onde o destino não quis que a morte levasse o meu Avô."
(retirado de "Delito de Opinião" de Pedro Correia)