domingo, 9 de abril de 2017

Guiné 61/74 - P17226: Fotos à procura de... uma legenda (82): Meninas de Zagora, no sudeste de Marrocos, às portas do deserto do Saara... (Luís Graça)










 Marrocos > Cordilheira do Atlas > Zagora > 27 de março de 2017 > Duas crianças bérberes que espreitam, de manhãzinha,  tímidas mas curiosas, a partida de um grupo de turistas portugueses, chegados na véspera ao hotel Palais Amaa, vindos de Ouarzazate. (Fotos tiradas à distância, com zoom, do interior do hotel, a primeira, e as restantes do interior do autocarro que seguia para Erfoud.)

Fotos (e legenda): © Luís Graça (2017). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Canaradas da Guiné]

4 comentários:

Tabanca Grande disse...

Marrocos é o pais dos mouros, e fundamentalemente dos bérberes... Há uma grande confusão terminológica: mouros, bérberes, árabes, tuaregues, beduínos....

O povo berbere – a que a si próprio se chama Imazighen, no plural ou Amazigh, no singular – é um dos povos mais antigos do continente africano. Ou talvez melhor, um conjunto de povos com afinidades etnolinguísticas.

Originalmente, os bérberes viviam em tribos no deserto do Saara, ocupando uma vasta região (que inclui hoje grande parte do Magreb, o Sará Ocidental, a Mauritânia, Marrocos, a Argélia, a Tunísia e a Líbia).

Cerca de 2/3 ou mais dos marroquinos serão descendentes dos povos bérberes. Um terço ainda falará sua líOs árabes (os conquistadores, oriundos da península arábica) vêm segundo lugar. Há depois minorias, incluindo judeus, muitos deles sefardidas (oriundos de Portugal e Espanha). (Alguns, disse-me o meu guia, converteram-se ao islamismo, mas continuam a ser "endogâmicos", ou seja, não se misturam; daí ele chamar-lhes "mekos irmãos.)

Os bérbres tiveram o grande mérito de se saber adaptar ao deserto do Saara e ao rigor do clima (marcado pela cordilheira do Atlas, mil km de comprimentos por 100 de largura). Souberam utilizar o camelo e ganhar a vantagem da mobilidade, acompanhando as caravanas de mercadores e tornando-se hábeis comerciantes que negociavam quaae tudo, desde escravos
a easpeciarias, pedras preciosas, a peles, tecidos, artesanato, etc. São também bons artesãos, embora melhores sejam os árabes. Nas "medinas" das cidades de Marrocos, em geral onde dois mercados distintos, o árabe e o bérbere.

Há várias línguas e dialetos bérberes, o que vem a favor da tese da heterogeneidade dos bérberes (termo que virá do grego e do latim: bárbaro era originalmente o "não grego"; depois o não cidadão romanao; e, em particular, o habitante do nordeste de Áfria).

Os bérberes, embora islamizados e arabizados, tem fama de "resistência" e "resiliência" aos conquistadores, incluindo os romanos e os árabes... No caso destes últimos, essa resistência irá séc. XII...

Tabanca Grande disse...

mouro | adj. | s. m.

mou·ro
adjectivo
1. Relativo aos mouros.
2. Da Mauritânia.
3. De Marrocos.
4. [Informal] Pessoa que trabalha sem descanso.

substantivo masculino
5. Indivíduo árabe ou berbere habitante do Norte de África.
6. Espécie de camarão de Aveiro.
7. [Regionalismo] Chouriço de sangue.Ver imagem = MOURA

"mouro", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/mouro [consultado em 10-04-2017].

Tabanca Grande disse...

Mouro_

O termo vem do latim. Para os romanos, os "mauros" (em latim: mauri) eram todas as populações que habitavam o noroeste da África, ou seja a "Mauritânia",,,

Estas populações não eram etnicamnete homogéneas, pertenciam a grupo étnico maior, o dos berberes. Com a invasão áarbe, e a expasão do Islão (século VII), foram islamziadas e arabizadas. O árabe é, portanto, a língua dos conquistadores, embora ainda subsistam as línguas e dialetos bérberes.

A invvasão da península ibérica, em 711, é feita basicamente por bérberes, comnandados por generais árabesstas populações juntaram-se aos árabes na conquista da península Ibérica durante o século VIII.

Com a Reconquista cristã, os mouros na pensínsula Ibérica (Al Andaluz) acabam por ser derrotados, expulsos, dizimados ou assimilados... O processo vai até ao séc. XIII. Data de 1492, a conquista, pelos Reis Católicos de Espanha, do último reino mouro, o de Granada. Os refugiados estabeleceram-se no norte de África.

Com alguma propriedade, pode dizer-se que a "nossa guerra colonial" começa em 1415, com D. João I a conquistar a importante cidade de Ceuta... O seu neto, Afonso V, será cohecido como o Africano...


A maioria dos refugiados estabeleceu-se no norte de África.

Tabanca Grande disse...

Marrocos é ainda um país de contrastes... Talvez o país do Magrebe onde as mulheres conseguiram marcar "mais pontos" em termos de emancipação política, económica, social e cultural...

è um país que, contrariamente à vizinha Argélia, não teve que travar uma guerra sangrenta para se libertar da "proteção" dos franceses (o protetorado estendeu-se de 1912 a 1956)... A marca colonial está presente em muitas coisas: Casablanca, por exemplo, e a sua arquitetura deco e arte nova... Os topónimos, os sinais de trânsito, etc, são escritos em árabe e francês... Produz-se vinho, há jornais em francês...

Em boa verdade, e durante os 12 dias que por lá andei, senti-me relativamente confortável e seguro... O meu guia, natural de Marraquexe, de pai árabe e mãe bérbere, falava as línguas latinas: francês, espanhol, portunhol, italiano... Disse.me que o seu país estava a receber 10 milhões de turistas por ano, pretendendo atingir os 14 milhões... O turismo é economicamente bem vindo, Marraquexe e Agadir são os dois principais polos de atração... São cidades onde a presença policial e militar se faz sentir...

Parece que o árabe que se fala em Marrocos, o "darijá", é língua que, fora do país, poucos entenderão ou falarão, a nºão ser os marroquinos da diáspora... Creio que é também, o francês, a língua do ensino universitário...

É pens que o uso do franês, como língua estrangeira, tenha decaído no nosso país... Era a primeira língua esbtrangeira fakada em Portygal, desde o séc. XVIII até à minha geraçõa, a do pós-guerra...