sexta-feira, 5 de maio de 2017

Guiné 61/74 - P17320: Agenda cultural (557): Lançamento do livro "Guiné: um rio de memórias", de Luís Branquinho Crespo. Sábado, 6 de maio, às 15h30, em Leiria, no Celeiro da Casa do Terreiro. Apresentação do nosso camarada António Graça de Abreu. O autor fez parte do Grupo dos Amigos da Capela de Guileje.



O convite chega-nos pela mão atenta e solícita do nosso camarada e colaborador permanente José Martins, que tem uma relação especial com Leiria, terra dos seus antepassados. A Textiverso é uma editora com sede em Leiria. O Luís Brnaquinho Crespo deve ter sido alfeeres miliciano num companhia que estve no Xitole / Saltinho, entre 1968 e 1970, é portanto contemporâneo de alguns de nós (BCAÇ 2852, CCAÇ 12...).


Sinopse do livro

Assombrados por lembranças passadas, três homens, entre vários, regressam ao ponto de partida de há muitos anos.

Num percurso atravessado por bolanhas e tarrafos da terra verde de floresta e do chão vermelho e amarelo da Guiné-Bissau, confronta-se esse rio de lembranças e de memórias mais recentes com os registos da solidão e de abandono como os sofridos por Braima Bá e pelo António Pouca Sorte. A que não é alheia uma descolonização pouco exemplar.

É este derramamento doloroso de memórias que percorre o livro e as elas são tão permanentes que nem o regresso pelo deserto afasta aqueles homens daquelas vidas que ficaram para sempre desacompanhadas.

O livro “Guiné - Um Rio de Memórias” é, também, além do mais, uma viagem íntima por um país de inacreditabilidades


Luís Branquinho Crespo - Nota biográfica 
(i) nasceu em 22 de dezembro de 1944 na localidade de Portelas da Reixida, freguesia de Cortes, concelho de Leiria:

(ii) fez os seus estudos no antigo Colégio Correia Mateus e, em seguida, no antigo Liceu de Leiria;

(iii) ingressou depois na Faculdade de Direito de Coimbra, interrompendo o curso por ter sido mobilizado para a guerra colonial na Guiné-Bissau;

(iv) de regresso, ainda frequentou a Faculdade de Direito de Lisboa, mas acabaria por se licenciar na Faculdade de Direito de Coimbra;

(v) exerce a profissão de Advogado em Leiria desde meados dos anos 70 do século XX;

(vi) publicou em Leiria, em 1963, o livro de poemas “Cidade Sem Fim” (70 p., colec. Almagre, n.º 2, capa de Augusto Mota);

(vii) em 1966, ainda em Leiria, foi co-autor da antologia “Almagre 3”, com Levi Condinho, Jaime Fernandes, António Maria de Sousa e Alberto Costa;

(viii) urante o seu percurso liceal, ganhou um 1.º Prémio de Poesia, e, durante mais de um ano, foi o editor da página cultural “Madrugada”,  no jornal “A Voz do Domingo”, também de Leiria;

(ix) tem colaboração dispersa por vários periódicos.

Fonte: Cortesia de Tinta Fresca - Jornal de Arte, Cultura e Cidadania


Guiné-Bissau > Região de Tombali > Guileje > 2010 > "A Nossa Senhora de Fátima de Guileje"... A última doação à Capela de Guileje, uma imagem de N. Sra. de Fátima, trazida de Portugal por António Camilo e Luís Branquinho Crespo. Recordamos aqui uma mensagem do nosso saudoso amigo Pepito (1947-2014),  com data de 16/3/2010: 

"Luís: Mais uma importante contribuição dos nossos amigos da Capela de Guiledje, o António Camilo e o Dr. Luis Branquinho Crespo (na foto), que fizeram questão de se deslocarem a Guiledje para doarem a imagem da Nossa Senhora de Fátima à Capela. Este gesto tão bonito, foi acompanhado pelos votos de que esta oferta ajude a Guiné-Bissau a encontrar rapidamente os caminhos da Paz. Abraço. Pepito."

Foto: © AD - Acção para o Desenvolvimento (2010) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné Todos os direitos reservados.
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2 comentários:

Anónimo disse...

Dr. Luis Branquinho
02/12/13

Sr. Luis Graça

É de alguma ousadia dirigir-me a V. Exa. sem que o conheça ou tenha sido apresentado e apenas, com alguma frequência, ter acedido ao seu site por causa de assuntos relacionados com a vida militar na Guiné e a que fui sujeito entre os anos de 1968 a 1970 na zona do Xitole/Saltinho.
Por isso as minhas primeiras palavras são também um pedido de compreensão e desculpa.

Mas vou directo ao assunto e sem rodeios: tenho um livro para publicar acerca de uma viagem que fiz à Guiné Bissau em 1910 e através da memória relembro a partida para aí já lá mais de 40 anos, a chegada, o que hoje se vê e se sente daquele país e bem assim o regresso a Portugal pelo deserto.
Toda esta memória reflecte a lembrança dos homens que para ai foram como o Carlos, dos que como o Braima Bá são chamados à guerra e ficaram com a alma danada de solidão pelo abandono a que foi votado e dos que como o António Pouca Sorte sentem o desprezo do mundo, como se o seu nome fosse Guiné, o próprio nome daquele pedaço de terra mal tratada.

Alguns dados sobre mim apenas: publiquei um livro de poesias “Cidade sem Fim” e fui um dos autores do livro de poesia “Almagre 3” e já ganhei um prémio de poesia.
Infelizmente não tenho tido muito tempo para escrever devido à minha vida de Advogado que, apesar de reformado, ainda exerço.

E a questão final que coloco é esta: será que me pode dar uma ajuda com vista à publicação e, posteriormente, à divulgação do mesmo ou terei de bater a outra porta e qual?
Poderei agendar um encontro consigo para lhe entregar um exemplar ou mesmo fazer o envio do mesmo por e-mail?
Aguardo a sua resposta.

Já não constitui ousadia o desejo que aproveito aqui manifestar: um Bom Natal e Feliz Ano Novo.

Atentamente

Luís Branquinho Crespo

Tabanca Grande disse...

Resposta de Lu+is Graça, 5/6/2017, 18h56

Luís, caro caramada da Guiné:

Antes de mais os meus parabéns pela publicação do livro "Guiné: um rio
de memórias". Fico sempre feliz quando vejo um camarada meu, dos
tempos da Guiné, exorcizar em livro, em prosa ou em verso, os
fantasmas que ainda povoam a floresta galeria da nossa dorida
memória..

Embora não nos conhecendo pessoalmente, o nome do Luís não me era
estranho...Não estudei em Leiria, sou da Lourinhã e acompanhei, à
distância, através do meu amigo de infância Álvaro de Carvalho, hoje
conhecido psiquiatra, a irreverência e a inquietação, poética,
cultural e cívica, da sua geração (onde se incluem figuras públicas
como o Alberto Costa...) enquanto estudantes do liceu de Leiria...
Recordo-me de ler, fascinado, o vosso jornal e sobretudo a vossa
produção poética...

Por outro lado, tenho velhos e bons amigos aí, em Leiria, desde o dr.
Carlos Mariano, ortopedista, até malta, da Gândara dos Olivais, da
família Gordalina, ao Anacleto Marques, das Cortes, ao doutor Carlos
Silva Santos, da Maceira...

Vou, desde 1975, com alguma frequência à bela capital do Liz... É
nesse concelho, em Monte Real, que se tem realizado, todos os anos,
desde 2010., o Encontro Nacional da Tabanca Grande, o mesmo é dizer,
do blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, que tem 13 anos de
existência...

Em contrapartida, sinto-me constrangido, ao escrever-lhe, porque
nunca cheguei a dar resposta, que eu me lembre, ao seu amável convite,
de 2/12/2013, para aceitar apreciar e comentar o seu manuscrito e
ajudá-lo a encontrar um editor.. Remexendo numa das minhas várias
caixas de correio, deparei-me com a sua mensagem... Nem sequer foi
aberta, o que é lamentável, mas eventualmente desculpável: nessa
altura, eu ainda estava no ativo, como professsor universitário, e nem
sempre conseguia dar resposta aos muitos mails que recebia, quer por
razões profissionais, quer na qualidade de editor do blogue. Confesso
que não me lembro desta sua mensagem...

Peço-lhe, tardiamente, que aceite as minhas desculpas. Fico feliz por
ter encontrado um editor, para mais da terra. Vou ler o livro e
prometo fazer-lhe uma bela recensão, eu ou o nosso crítico literário
Mário Beja Santos. Também seria interessante podermos publicar o texto
de apresentação.

Vou desejar-lhe uma boa sessão de lançamento do livro. Sei que o
apresentador é de cinco estrelas, o meu amigo e nosso camarada António
Graça de Abreu.

E faço questão desde já de o convidar, a si, Luís, para integrar a
nossa Tabanca Grande. Somos já 742 os grã-tabanqueiros registados (54,
infelizmente, já falecidos)... O Luís tem por certo histórias e fotos
para partilhar connosco. Para já, e para o apresentar, só preciso de
duas fotos, uma do tempo da Guiné e outra atual, e um pequeno CV
militar...

Em tempos publicámos uma espantosa foto que o saudoso Pepito nos
mandou com o Luís, de costa, "desembrulhando" a nossa senhora de
Fátima de Guileje... Na altura foi, com o Camilo e o Pepito até
Guileje, fazer a entrega da imagem... É uma belíssima e feliz imagem,
que remeto, por email, para o caso de não a ter. O Luís, afinal, fez parte
do Grupo de Amigos da Capela de Guileje!

A sessão de lançamento do seu livro já foi por nós anunciada, neste poste.

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