sábado, 16 de março de 2024

Guiné 61/74 - P25279: Os 50 anos do 25 de Abril (2): O meu primo Luís Sacadura, furriel miliciano, natural de Alcobaça, hoje a viver nos EUA, estava lá, no RI 5, Caldas da Rainha, no 16 de marco de 1974, e mandou-me fotos dos acontecimentos (Juvenal Amado)


Foto nº 1 > Caldas da Rainha > RI 5 > 16 de março de 1974 > Posto com Reforço.


Foto nº 2 > Caldas da Rainha > RI 5 > 16 de março de 1974 > Capitão Virgílio Varela,  um dos comandantes da revolta


Foto nº 3 > Caldas da Rainha > RI 5 > 16 de março de 1974 > Preparados para defender o quartel


Foto nº 4 > Caldas da Rainha > RI 5 > 16 de março de 1974 > Oficiais revoltosos


Foto nº 5 > Caldas da Rainha > RI 5 > 16 de março de 1974 > Junto à porta de armas: tempo de incerteza (i)


Foto nº 6 > Caldas da Rainha > RI 5 > 16 de março de 1974 > Junto à porta de armas: tempo de incerteza (ii)


Foto nº 7 > Caldas da Rainha > RI 5 > 16 de março de 1974 > 
Junto à porta de armas: tempo de incerteza (iii)


Foto nº 8 >  Caldas da Rainha > RI 5 > 16 de março de 1974 > O quartel já cercado pelas forças governamentais


Foto nº 9 > Caldas da Rainha > RI 5 > 16 de março de 1974 > Jipe com parlamentar governamental, o brigadeiro Pedro Serrano


Foto nº 10 > Caldas da Rainha > RI 5 > 16 de março de 1974 > Pelo aspecto do brigadeiro,  já se estava no capitulo das ameaças. (A imagem original tem um defeito de revelação ou de exposição, que procurámos corrigir.)


Foto nº 11 > Caldas da Rainha > RI 5 > 16 de março de 1974 > Serviço audiovisuais


Foto nº 12 > Caldas da Rainha > RI 5 > 16 de março de 1974 > Furriel mil Luís Sacadura, meu primo  que me enviou as fotos dos EUA.

Fotos (e legendas): © Luís Sacadura / Juvenal Amado (2011). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar : Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Reproduzimos aqui a mensagem de Juvenal Amado (ex-1.º cabo cond auto-rodas, CCS/BCAÇ 3872, Galomaro, 1972/74), com data de 28 de maio de 2011, publicada no poste P8359, de 1 de junho de 2011 (*):
 
O 16 DE MARÇO DE 1974 EM FOTOS

O meu Batalhão estava no Cumeré já a aguardar embarque quando se deu o levantamento das Caldas da Rainha.

Foi com natural apreensão que essas notícias chegaram até nós, pois, já com 27 meses de comissão, os nossos receios viram eventuais atrasos no nosso embarque resultante da situação que se vivia na Metrópole.

Ainda foi alvitrado no gozo, por alguém, que quando desembarcássemos nos seria distribuída novamente as G3 e ainda acabávamos na Serra da Estrela.

Quanto a mim juntava a essas preocupações o facto de o meu primo direito Luís Sacadura, que era furriel miliciano, e o Caetano, que era alferes miliciano, os dois de Alcobaça, estarem nessa altura a cumprir serviço militar no referido quartel e que decerto se teriam envolvido nos acontecimentos, de que resultaram à volta de 200 prisioneiros.

O meu primo já estava em liberdade quando desembarquei em 4 de Abril de 1974, mas o Caetano só o vi depois do 25 de Abril quando foi solto.

Hoje quem lê sobre os acontecimentos os nomes de militares ligados à Guiné, são prova de que o facto terem sido lá combatentes, assumiu um peso muito grande tanto neste levantamento como no 25 de Abril, que levaria por diante o derrube do regime.

Por último, as fotos foram-me enviadas dos EUA pelo o meu primo com a devida autorização para as publicar (...)

2. Comentário do editor LG (*):

(i) Recebemos do Juvenal Amado a seguinte mensagem, com data de 27 de maio de 2011:

"Carlos: Recebi fotos do 16 de Março 1974 a quando do levantamento das Caldas da Rainha. As mesmas foram-me enviadas por um primo meu a morar nos USA que participou na referida tentativa.

"Não sendo assunto directamente associado com a Guiné, venho então saber se ao blogue interessa o assunto. Fico a aguardar a tua opinião e se ela for um sim escreverei alguma coisa para acompanhar as fotos." (...)


(ii) A nossa resposta dos editores só podia ser sim, sem quaisquer reservas... Independentemente da "leitura" dos acontecimentos, e da contextualização do 16 de Março de 1974, seria no mínimo uma "pena" que estas fotos, tiradas pelo Luís Sacadura, de grande interesse documental, e até de boa qualidade estética (traduzindo o momento de grande tensão dramática que foi esse dia), fossem um dia parar a um "caixote do lixo" americano...

Obrigado, Luís ("God Save You!"), obrigado, Juvenal... Tudo o que diz respeito à nossa Pátria e à nossa História, nos interessa, embora com particular enfoque na guerra da Guiné (1961/74)... Mas onde começa e acaba a "guerra da Guiné"? Para nós, que ainda estamos vivos, e cultivamos a arte e o prazer da memória, ela ainda não acabou de todo... 
 
(iii) Cinquenta anos depois do 16 de março de 1974, e do 25 de Abril, todas estas fotos são preciosas (**). O 16 de Março não teve um grande fotógrafo à altura como o Alfredo Cunha (que fez na madrugado do 25 de Abril fez a reportagem da sua vida)... 

São fotos, amadoras, que merecem ser republicadas. Aliás, temos escassas referências no blogue ao "16 de Março" e a imprensa da época, devido à censura, não pôde dar informação detalhada sobre o ocorrido...

Três dias depois os leitores do "Diário de Lisboa", como eu (na época), ficaram a saber, por uma pequena notícia da SEIT (antigo SNI) que tinham  sido presos 33 oficiais (e não 200, como dizia alguma imprensa estrangeira) "implicados na insubordinação verificada no Regimento de Infantaria nº 5"... (Repare-se que nem a RTP Arquivos tem imagens do cerco ao RI 5)...

3. O historiador e biógrafo de Spínola, Luís Nuno Rodrigues, escreveu: 

"No rescaldo do episódio, cerca de duas centenas de militares são presas, entre ele os membros do MFA mais próximos do general António de Spínoala, como Almeida Bruno, Manuel Monge, Casanova Ferreira, Armando Ramos e Virgílio Varela" (...). 

E mais adianta: 

"O '16 de Março'  tinha sido, por conseguinte, uma tentativa algo atabalhoada da 'ala spinolista' do MFA de fazer despoletar um movimento para o derrube do regime e para a entrega do poder ao general. 

"A acção fora em grande parte motivada pela tomada de posição de algins oficiais do CIOE de Lamego (que acabariam por não sair do quartel), pelas atitudes de dois antigos oficiais de Spínola na Guiné (Leuschner Fernandes e Carlos Azeredo) e pelo impeto dos oficiais oriundos de milicianos do RI5  das Caldas da Rainha". (Fonte: Excertos de "Spínola: biografia",  Lisboa: A Esfera dos Livros, 2010, pág. 236).




Diário  de Lisboa, edição de terça feira, 19 de março de 1974, pág, 1
____________

Notas do editor:

13 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Camaradas, onde é que vocês estavam no 16 de Março? Uns já na peluda, como eu (trabalhava em Mafra), outros ainda na Guiné como o Juvenal Amado.

Acho que poucos de nós se deu conta do que se estava a passar... A menos que tenha presenciado o "passeio" até Lisboa dos revoltosos das Caldas comandados pelo Armando Ramos (que faz parte da Tabanca da Linha, e acaba de publicar um livro de memórias: spinolista convicto, andou depois no MDLP, esteve no exílio, etc., e hoje é coronel DFA).

Os habitantes das Caldas também devem ter algumas memórias desse dia...

José da Silva Marcelino Martins disse...

Foram várias as entidades que foram chamadas a "travar" o 16 de Março.
Em breve terei pronto, para o blog, o dia que podia ter sido um "banho de sangue", mas acabou como o Ensaio geral, já que permitiu corrigir algumas lacunas.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

O cor inf DFA Armando Marques Ramos esteve no penúltimo convívio da Tabanca da inha, o nº 54 (em 22 de fevereiro último) e trouxe alguns exemplares do seu livro acabado de sair, "Da Ditadura à Democracia - A Minha Estrada...Preso, exilado, estropiado de guerra por amor do meu País" (edição de autor, fevereiro de 2024, 320 pp., preço de capa,35 €.

Foi este homem que comandou a coluna dos revoltosos do RI 5, em 16 de Março de 1974, e veio até Lisboa ou perto, à espera de outras forças revoltosas (que não sairam dos quartéis), tendo regressado depois ao RI 5, que será entretanto cercado pelas "forças governamentais"...

Ler aqui um testeunnho dele, sobre a guerra (onde foi ferido, em Moçambique) e a sua participação no 16 de Março de 1974 e acontecimentos subsequentes.

https://www.asmir.pt/1/upload/lembrana_as_do_11_de_mara_o_de_1975_autoria_cor_armando_ramos.pdf

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Zé Martins, ficamos a aguardar o teu trabalho!... LG

Manuel Luís Lomba disse...

O 16 de março?

Lembro-me perfeitamente, acompanhei-o pelos noticiários radiofónicos.

O golpe das Caldas foi um falhanço do MFA, um ato solitário, nada teve a ver com spinolismo.

Os oficiais conjurados faziam "reconhecimentos" entre si, o interlocutor do CIOE respondeu ao das Caldas "estamos sobre rodas", queria dizer que estavam prontos, mas este interpretou a mensagem literalmente...

Se o CIOE tivesse saído (seria a tomar o aeroporto do Porto), o que é que teria acontecido?

Os "ses" não fazem história, o major Otelo só concluiu a distribuição da "ordem da operação" aos seus pares no dia 23 de abril, o major Melo Antunes entregou cópia ao Carlos Brito e à Zita Seabra, dirigentes da DORL, no dia 24.

Por que não dão foco a este pormenor?

Foi o PCP que fez o "Povo com o MFA"!

Abraço

Valdemar Silva disse...

Luís Lomba.
Bem queria parecer que o PCP esteve metido nesta do "avança/não avança".

Saúde da boa
Valdemar Queiroz

Manuel Luís Lomba disse...

Bom regresso, Valdemar!

E concluo a dizer que "O Povo está com o MFA" é património do PCP!...

Pelo teu rápido restabelecimento,

Valdemar Silva disse...

Luís Lomba, tinha que ser.
O "barrete" que os situacionistas levaram, e nem sequer um único morto nas ruas, tinha que dar uma desculpa dessas "aquilo foi obra do PCP e talvez da NATO".

Agora, até a pilhas vou indo na mesma.

Abraço
Valdemar Queiroz

Joaquim Luis Fernandes disse...

Até hoje ainda não compreendi bem o que foi a conjura dos Oficiais do RI 5 das Caldas da Rainha, em 16 de março de 1974. Aquilo foi amadorismo demais, para ser levado a sério como tentativa de golpe de estado. Interrogo-me se não teve como objetivo, fazer abortar as ações em curso de preparação do que viria a ser o 25 de Abril.

Apesar de ter passado em 1973, 2 trimestres no RI 5, o 1º trimestre como recruta, Instruendo do CSM, e o 3º trimestre com Aspirante instrutor, dando a recruta a Instruendos desse trimestre,
não tenho a mínima memória, de entre os Oficiais, haver qualquer manifestação que levasse a sair dali a força que iria fazer cair o Regime.

Das poucas memórias que tenho do que vivi e presenciei nesses 6 meses, na memória seletiva ressalta o Capitão Varela. Ele, quando fazia de Oficial-dia, era o terror dos instruendos.
Era vê-los ao fim do dia, depois de concluída a instrução, formados perto da porta de armas, com a respetiva autorização para saírem do quartel, com hora marcada para entrarem, e, na revista, o Capitão Varela, rejeitar a saída a uma boa parte. A uns, por falta de brilho nas botas, a outros, porque a barba ou o cabelo não estavam conforme as normas, a outros ainda, por uma questão de atavio ...

Porque procedia assim? Para os castigar mais e lhes provocar a revolta? Se era isso, então já estava subliminarmente a provocar a revolta, que havia de conduzir ao 25 de Abril de 1974.
Seria?... Não me parece.

Atentamente
JLFernandes

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Já morreu, em 2017, o ex-capitão Virgílio Varela... Não sabia que era madeirense. Nem sequer sabia a sua história... Também estou a aprender, 50 anos depois...

https://madeira.rtp.pt/sociedade/morreu-virgilio-varela-o-capitao-madeirense-que-liderou-coluna-no-golpe-das-caldas/

Juvenal Amado disse...

Lomba o 25 de Abril tem dado azo a muita teoria da conspiração mas essa do PCP estar metido na "coisa" deve ser verdade.
Como focou o Valdemar Silva em boa hora regressado, o facto de o golpe não provocar mortes tem a haver com a defesa intransigente das vidas humanas em que o 25 de Abril foi forjado e os seus valor que continuam a ser deturpados com fins pouco misteriosos.
Na verdade banho de sangue esteve para haver mas provocado por sombras do passado.
A PIDE também cumpriu o seu designio e matou mais quatro na António Maria Cardoso e feriu mais tantos.
O 25 de Abril foi benevolente com os esbirros torcidários foi benevolente com os tribunais plenários e seus agentes.
De que se queixam?
A final todas as mortes foram de sindicalistas, militantes de esquerda e inocentes.


Juvenal Amado disse...

Gente pouco apreciada em certas latitudes

Um abraço

Joaquim Luis Fernandes disse...

ERRATA:

Onde no 2º parágrafo do meu anterior comentário refiro o ano de 1973, deveria ter escrito 1972. No ano 1973, estive na Guiné, onde aterrei em 20 de janeiro.
Do meu involuntário erro, peço desculpa aos camaradas e leitores.

Quanto ao resto, tudo conforme a memória.

Abraços

JLFernandes