segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Guiné 63/74 - P15137: Inquérito online: "Durante a comissão nunca vim de férias à metrópole"... A responder até ao dia 28


Guiné-Bissau > Bissau > 2008 > Foto do blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné


A. Mensagem enviada hoje pelo correio interno da Tabanca Grande:

Assunto - Sondagem: "Férias na metrópole"

O nosso camarada Jaime Machado deu-nos o mote (*) para mais uma sondagem que vai decorrer até 28 deste mês... Ele veio de férias à metrópole duas vezes: chegou à Guiné em fevereiro de 1968, foi a casa matar saudades em novembro desse ano e depois voltou, segunda vez, em 1969, no "querido mês de agosto", o das festas, romarias e foguetes...

Houve quem conseguisse a proeza de vir 3 (três) vezes de férias à metrópole... A grande maioria dos camaradas da Guiné por certo nunca fez férias na metrópole... Quando muito (e mesmo assim era preciso ter-se "capim", "patacão"...,) ia-se uns dias até Bissau, para ver a "civilização", excecionalmente a Bubaque, Bijagós... Ou então ficava-se pelo quartel e pela tabanca...

Teoricamente toda a gente tinha direito a uma licença anual, para gozo de férias, de 30 dias (?)...Mas a viagem, "by TAP", até à metrópole,  custava uma pipa de massa (6 contos e tal, ida e volta?)...

Há, por certo, a este respeito,  muitas histórias por contar... Da ida para férias, das férias propriamente dias, do regresso.... bem como das férias... na tabanca. E até, seguramente a maioria, as histórias daqueles camaradas que não puderam dar-se ao luxo de fazer férias.... Terá havido de tudo:  gente que se casou, gente que não queria voltar, gente que não voltou...

Para já, camaradas, respondam, "on line", no canto superior esquerdo do blogue, à nossa sondagem... E depois mandem fotos e histórias alusivas ao tema... Prometemos abrir uma série nova...



Abraço grande. Luís Graça e demais editores


B. SONDAGEM: "DURANTE A COMISSÃO, NUNCA VIM DE FÉRIAS À METRÓPOLE"


1. Vim uma vez

2. Vim duas vezes

3. Vim três vezes

4. Fiz férias em Bissau

5. Fiz férias nos Bijagós

6. Fiz férias no interior

7. Nunca tive férias
___________________

Nota do editor:

Vd. poste de 21 de setembro de 2015 > Guiné 63/74 - P15135: Álbum fotográfico de Jaime Machado (ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2046, Bambadinca, 1968/70) - Parte XIV: a segunda vez que vim de férias, em agosto de 1969

29 comentários:

Anónimo disse...

Carlos Pinheiro
21 set 2015 14:44

Nunca tive férias e nunca pensei vir à Metrópole.

Mas tive conhecimento de camaradas que vieram cá e já não voltaram à Guiné.
Era assim.

Carlos Pinheiro

Fernando Gouveia disse...

Lamentando muito, sinceramente, quem não pôde vir e, como já contei numa das minhas estórias no blogue (P4675), vim à metrópole 3 vezes (30+5 dias cada).
Abraços
Fernando Gouveia

Henrique Cerqueira disse...

Eu vim de férias na Metrópole uma só vês.Esperei um longo ano para o fazer e de tal modo que coincidisse com o meu aniversário,pois que o meu embarque para a Guiné tinha sido precisamente no dia dos meus anos.Assim , foi uma vingançazinha pelo "castigo"inicial.
Mas o meu comentário vai mais no sentido de contar como vivi os dias antes de embarcar de férias no avião da TAP rumo às almejadas férias na Metrópole.
Como todos calculam vir do mato para Bissau uns dias antes da partida , trouxe-me algumas alegrias e grande preocupação. É que havia o apelo a passar esses dias numas boas petiscadas e passeatas por Bissau,pois que era a primeira vês que estava em Bissau em descontracção total e com algum tempo. Mas havia um "tesouro" alojado no meu bolso que eu tinha um medo terrível de perder que era o famoso bilhete de avião que me iria permitir ter o meu mês de férias junto da família em especial meu filho,mulher e meus pais.A minha preocupação era tão grande que dormia com o bilhete dentro da fronha do travesseiro e passava a noite a acordar porque tinha medo de estragar o bilhete com o suor.Este comentário poderá nada valer mas considero uma situação típica daquilo que nós passamos em termos afectivos provocada pela separação.
Já agora as segundas férias passei parte delas em Bissau com a minha mulher e filho,pois que nessa altura já os tinha junto de mim.
Um abraço.
Henrique Cerqueira

Manuel Peredo disse...

Manuel Peredo

Fui para a Guiné em fins de Outubro de 1971 e vim de férias à Metrópole no dia dos meus anos,21 de Maio de 72. Em Fevereiro de 73 voltei novamente de férias,na altura do carnaval. Sabendo o que me esperava na Guiné,foi preciso ter alguma coragem para voltar ao "local do crime",mas nunca me passou pela cabeça em dar à sola. Vim duas vezes de férias em avião da força aérea,beneficiando do facto de ser furriel paraquedista. Os soldados mais valorosos geralmente vinham uma vez de férias pela força aérea. Neste aspecto éramos uns privilegiados,mas também se pode dizer que éramos os mais sacrificados,não acham?

Juvenal Amado disse...

Vim de Férias Em Outubro de 1971 para o casamento do meu irmão de quem fui padrinho.

Foi na TAP num Boing 727 que vim e que regressei. Penso que já existem ou estarei enganado?

De Bafatá para Bissau vim nessa altura num JU

alma disse...

Vim 2 vezes-Janeiro de 1970 e Janeiro de 1971. O curioso é que só agora me lembrei, que me falta pagar metade da segunda viagem... J.Cabral

Anónimo disse...

Alcides Silva
21 set 21015 16:26

Camaradas, esta pergunta para mim torna-se amarga, vim cá à metrópole uma vez, por morte do meu pai, faleceu em Novembro de 1967, estava à sete meses na Guiné, como tinha direito à viagem gratuita pela força aérea, concorri e foi abrangido para vir cá em Março de 1968, estive cá um mês, de formas que foram uma férias amargas que nunca mais esquecem.
Um abraço a todos.

José Carlos Gabriel disse...

Fui dos que vieram á metrópole por 3 vezes. E se a memória me não falha já contei neste Blogue o quanto me custou vir a primeira vez. As despedidas foram sempre muito difíceis mas a primeira chegada (passados pouco mais de 6 meses de ter embarcado) foi na verdade a mais marcante. Quando embarquei para a Guiné tinha a minha filha 5 meses e claro pouco ou mesmo nada se lembraria de mim. Embora lhe focem mostrando as fotos que ia enviando o choque ao me ver no aeroporto da Lisboa fui muito grande. Já perto de fazer um ano chorava ao colo da mãe agarrada ao seu pescoço e sempre que lhe viravam a cara para mim era uma gritaria infernal. Só no carro a caminho de casa é que se calou um pouco mais mas demorou umas boas horas a interagir comigo. Pensamos sempre que seria por eu vir bastante queimado e trazer bigode (o qual só deixei crescer na Guiné e nunca mais o cortei na sua totalidade até hoje). Vim sempre pela TAP e juntava o máximo possível para pagar as viagens. A segunda viagem nada teve de especial mas a terceira foi aquela que já não teve retorno. Fui informado por um camarada de que o nosso BCAC 4513 entretanto tinha chegado á Metrópole. Já não regressei e fui fazer o espólio ao Campo Grande conforme sua indicação. Oficialmente nunca fui informado do regresso do batalhão mas o mesmo se passou com outros camaradas que na altura também se encontravam de férias por cá.

José Carlos Gabriel

Anónimo disse...

Orlando Pinela
21 set 2015 19:23


Não vim nenhuma vez (motivos de ser ferido e também não haver disponibilidade financeira).

jpscandeias disse...

Vim uma vez em Novembro de 1972 e ao fim de cerca de 9 meses de permanência na província. Vim pela TAP, não havia alternativa civil. O bilhete, pelo que recordo, era bastante em conta tendo em consideração o ordenado de furriel mil e o facto de no mato -Cabuca- não ter onde gastar o patacão. Se adicionar a poupança forçada que tive que fazer, pois só passados 4 meses de estar na província recebi o primeiro pré ainda se tornou mais fácil pagar. Isto aconteceu,talvez, por ter ido em RI. Foi ótimo vir no inverno a saudade era do frio. O chato foi embarcar perto do natal e passagem de ano, pelo que acabei por os passar em Bissau e a aguardar ligação aérea ao Gabu. Tanto na ida como no regresso fizemos escala no Sal. No regresso fui em primeira classe porque um camarada e amigo namorava na época uma hospedeira da TAP que nos proporcionou aos dois essa fineza. Embarcamos pela cauda do avião. Acabei por em 73 não vir por opção própria. Uma curiosidade, a bordo e na viagem para Lisboa vendiam coca-cola e tabaco estrangeiro o que comprei. Na ida não era permitido a coca-cola o tabaco já não recordo.

João Silva, nesta altura na Ccav 3404 em Cabuca e a caminho da 12 onde cheguei nos primeiros dias de janeiro de 1973

Carlos Esteves Vinhal disse...

Não sei se era norma oficial, mas na minha Companhia só se podia vir de férias após completados 6 meses de comissão, uma vez em cada ano civil, e toda a gente tinha que estar presente na época do Natal e Ano Novo.
Como chegamos à Guiné em 17ABR70, só depois de 17 de Outubro é que a malta pôde começar a vir à Metrópole. Como eu era o furriel mais novo (NM 19551569) só me tocavam 15 dias em Dezembro. Optei por vir só em FEV71 (mais ou menos a meio da comissão) não tendo possibilidade de vir mais vezes, já que a nossa comissão acabava oficialmente em 17JAN72. Regressámos a 19MAR72.
Carlos Vinhal
CART 2732

Luís Graça disse...

Dá para perceber, pela tendência de voto, ao fim de quase meia centena de votações, que passar férias no interior (na tabanca, no quartel, no destacamento onde se estava colocado...) é uma hipótese meramente teórica... Mesmo o Bubaque, nos Bijagós, devia ser um luxo, já nessa época... Ab. Luis

Hélder Valério disse...


Caros camaradas

No post com as fotos do Jaime Machado, para além de ter dado a minha opinião sobre o que se vê nas fotos e em que concordo com o Luís sobre o Cabo Espichel em vez de Sagres e refuto o estuário do Sado e Setúbal, já que o que se vê era a antiga ligação entre o Barreiro e o Seixal, digo também em relação ao inquérito, que fiz a minha votação, revelando que vim duas vezes, a primeira em Julho/Agosto de 71 e a outra em Março/Abril de 72 durante a qual ocorreu o meu casamento.

Voos TAP directos Bissau-Lisboa e via Sal na volta. Não me recordo do valor correcto mas tenho comigo, em mau estado, documentos da Agência de Viagens Costa em que referem um valor de 2.190$20 relativo ao "fornecimento de passagens" entre BXO/LIS/BXO para os quais estou a entregar 1.000$00 ficando um saldo de 1.190$20. No entanto, num outro documento referem que "entreguei para crédito da conta" o valor de 4.000$00. Deste modo, como não tenho mais informação e não me lembro, não chego a nenhuma conclusão sobre o real valor das passagens.

Abraço.
Hélder S.

António Murta disse...

Amigos e camaradas.

Fui dos que puderam vir duas vezes de férias. A primeira em Novembro de 1973 após 9 meses de comissão e, a segunda, em Agosto de 1974 (sem regresso) mas numa altura em que estava nos limites da minha resistência. Arrependi-me das duas vezes: na 1ª, embora me tivesse sabido bem rever os meus, não tinha contado com o engulho de um regresso sabendo ao que ia. Porque na ida inicial havia expectativa e curiosidade por África que, para mim, era uma paixão (e foi) mas nesse regresso sabia que ia para o Inferno. Ao aproximarmo-nos de C. Verde e ao sentir o começo dum suor zinho no corpo, que eu sabia ser para uma eternidade, apoderou-se de mim uma agonia como se o destino fosse o calvário ou o tal inferno. Quando se abriu a porta do avião (TAP) em Bissau e eu ali mesmo em frente, senti um bafo quente e húmido tão violento no corpo e na alma como se tivesse sido atingido por uma luva de boxe. Não chorei por vergonha.
Da 2ª vez vim por já não aguentar o impasse no nosso destino e no da Guiné. Como já tinha a viagem paga há muito, pensei que vinha desopilar e depois voltava para juntar os tarecos e fazer as malas. Não voltei mais. Também ignoro, ainda hoje, se o meu Batalhão já regressou.
Já agora deixo um alerta ao camarada J. Cabral. Por favor não pagues o resto da viagem porque eu já ta paguei e só agora é que lembrei! É que, como não regressei e a TAP se recusou a restituir-me a metade da viagem, eu disse-lhes que não fazia mal porque ficava para saldar a conta do meu amigo J. Cabral.
(E se a dívida era a uma agência de viagens?. Não interessa porque eu, furioso, rasguei o bilhete e atirei-o para cima do balcão na sede da TAP...).

Um grande abraço a todos.
A. Murta.

Anónimo disse...

Luiz Figueiredo
21 set 2015 23:19


Vim duas vezes de férias.

Anónimo disse...

De: José Augusto Miranda Ribeiro
Data: 21 de setembro de 2015 às 23:51
Assunto: Sondagem: férias na metrópole


Vim de férias à "Metrópole" duas vezes.

1ª vez:. Tinha autorização pelo CTI de Cabo Verde para passar férias em Portugal. Estive em Cabo Verde em 1963/64.Chegado à Guiné fui informado que essa autorização não era válida para a Guiné. Aceitei.

Dias depois veio ter comigo o ex-alferes Vitor,(mais tarde falecido como capitão) que estava na mesma situação, a informar-me que podíamos ir de férias, porque a dita autorização do CTI de Cabo Verde, continuava a ser válida mesmo na Guiné. Nesse dia, durante a manhã, como ainda estava em Bissau, preste a partir para o mato (interior), marquei uma chamada telefónica para minha casa em Coimbra. A minha namorada foi dormir em minha casa à espera da minha chamada telefónica.

Como tudo se alterou com a informação do ex-alferes Vitor, fui aos correios anular a referida chamada. Tratámos de tudo muito rapidamente e lá partimos. Tivemos uma paragem em Cabo Verde, Ilha do Sal, de onde tínhamos partido alguns dias antes. Quando desci, aquelas enormes escadas, estava a Hospedeira de terra, minha conhecida,muito íntima, que todos tratavam por "CHUVINHA". É curioso que na Ilha do Sal não chovia.Era raro chover. Então porque lhe chamavam "CHUVINHA".? Porque ela era tão magra tão magra que se chovesse não se molhava, conseguia passar por entre as gotas da chuva.

Cheguei a minha casa eram cerca das 5 da manhã. Todos ficaram surpreendidos em especial a minha namorada, hoje minha mulher.

Quando regressei encontrei no aeroporto de Lisboa dois cabos de transmissões, que tinham ido ver a família, porque eram casados.A partida de Lisboa foi muito difícil. Entrámos no avião Caravela de 4 hélices. Tivemos de sair do avião muitas vezes porque o avião não estava em condições de voar. Isto entre a meia-noite e as 6 horas da manhã. Por fim lá partimos. Cerca de uma hora de viagem, mais ou menos sobre as Canárias, vem uma hospedeira mandar apertar os cintos. O avião dava salto que nós quase que batíamos com a cabeça no tejadilho. Foi uma tempestade, informou no fim o comandante, e aquela turbulência era provocada pela baixa altitude a que tivemos de voar.

Acordei os meus conhecidos companheiros de companhia, que não apertaram os cintos e disseram-me "Ó meu furriel, se nós não morrermos aqui vamos morrer na Guiné com um tiro nos cornos" e lá se viraram para o outro lado e continuaram a dormir

2ª vez. Aproveitei mais umas férias em Portugal, e desta vez, porque tive um louvor em combate tive direito a mais 5 dias, portanto foram 35 dias de férias.Os louvores não têm valor nenhum, mas neste caso até deu jeito e mais tarde, os meus filhos foram dispensados do pagamento de propinas, no ensino superior porque eu tive um louvor em combate. Esta lei já vem da 1ª Guerra Mundial. Quem me informou foi o meu antigo Comandante de Companhia. Eu apresentei cópias de documentos e fui isento de pagar as propinas dos filhos.

Depois regressei e dias depois estávamos em Morés, a operação que a nossa companhia, a CART 566 se honra ter realizado.

Anónimo disse...

George Freire
22 set 2015 00:56 (há 4 horas)


Vim uma vez, no mês de Maio de 1962, um ano após a minha chegada.

George Freire [EUA]

Anónimo disse...

Excerto de uma antiga mensagem do Humberto Reis:


1 DE AGOSTO DE 2005 > Guiné 63/74 - P132: Cem pesos, manga de patacão, pessoal! (2)

http://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2005/08/guine-6374-cxxxii-cem-pesos-manga-de.html


(...) Já não me lembro da maioria dos preços mas tenho uma ideia de que uma viagem na TAP em Março de 1970, Bissau-Lisboa-Bissau, me custou à volta de 6 contos e nós ganhávamos cerca de 5.

O pré dos soldados era de 600 pesos os de 2ª, 900 pesos os de cá e os cabos 1200 pesos. Eu sei dessa diferença pois tinha no meu Gr Comb o Arménio (o vermelhinha) que foi como soldado, visto que levou cá uma porrada (foi apanhado numa rusga pela PM no Porto quando já estávamos no IAO em Santa Margarida) que lhe lixou a promoção.

Em Bissau, como normalmente ficava instalado na BA12 [Base Aérea nº 12] nos alojamentos dos pilotos, pois tinha lá malta minha conhecida de cá, não sei qual o preço das pensões, e do bifinho na Transmontana de Bafatá também já não me lembro.

Sei bem, isso não me esqueceu, que o visque era mais barato que a cervejola : 2,50 simples contra 3,00 ou 3,50, além de que dava direito, o whisky, a gelo. As cervejas nunca estavam suficientemente geladas pois os frigoríficos da messe, a petróleo, não tinham poder de resposta para a quantidade de pedidos. (...)

Luís Graça disse...

també havia, sim, senhor, quem fizesse férias em Bubaque... A malta que estava em Bissau, podia tirar uns dias e dar um salto aos Bijagós... Quem estava no mato, queria mas era ir a casa... LG

_________________

18 DE DEZEMBRO DE 2013

Guiné 63/74 - P12469: "Memórias da Guiné", por Fernando Valente (Magro) (12): Férias da Páscoa em Bubaque - Bijagós

http://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2013/12/guine-6374-p12469-memorias-da-guine-por.html

Luís Graça disse...

Vim de férias em meados de 1970, uma ano depois do início da comissão, se a memória me não falha... Lembro-me de o avião da TAP fazer escala na ilha do Sal... Uma a duas horas... A TAP não podia, por razões "políticas", sobrevoar o continente africano...

O avião ia por "nossa" conta... Ver as pernas às hospedeiras de bordo estava "incluído" no preço... E tenho ideia que o consumo de bebidas a bordo era "generoso"... Começávamos as férias na "desbunda"... De Lisboa até casa (70 km) fui de táxi... Vir de férias, da guerra, era um luxo que não tinha preço!... LG

Anónimo disse...

A minha vinda de férias à metrópole, teve uma estória curiosa
Até meio do ano 1964, creio que ninguém era autorizado a vir de férias á
Metropole, quem queria gozar férias e tinha direito, ia para Bissau.
Ora, como o 3º pelotão da 412 foi destacado para o Enxalé-28/Out/1963
a 25/1/1964, então comecei a montar armadilhas todos os dias,por carolice e necessidade, e como não tinha curso, fui agraciado com um louvor pelo Comandante
da Companhia Capitão Braga ( o lambreta) pois com os lábios fazia um barulho que se assemelhava a uma lambreta.
Quando já estava em Cantacunda - junho/1964 a fevereiro/1965, perto de Fajonquito,
durante o mês de outubro, tivemos conhecimento que o sr. General Schultz, havia constituido um prémio "Prémio Governador da Guiné", para agraciar os combatentes que se notabilizasse na efectivação de baixas ao inimigo ou outros feitos em combate.
Qual foi o meu espanto, quando recebi a informação do sr. Capitão que me havia sido
atribuido o referido prémio e que podia ir gozar um mês de férias onde desejasse.
Assim marquei a minha vinda a casa.
Como já não se passava na estrada,Bafatá - Banjara - Mansabá - Mansoa - Bissau, tive que ir para Bissau de barco. Há época os barcos iam até ao Capé e Contuboel. Tomei o barco em Bafatá e rumei a Bissau, no dia 30/Out/1964. Embarquei em 31/10/1964, Bissalanca, num avião da Força Aérea (Dakota-Skymaster ou " se cais morres", rumo ao Sal-Cabo Verde, passagem pelo aeroporto militar dos Gambos-Canáras mas quando chegamos a Lisboa, estava uma tempestade enormissima, pois que todos os
aeroportos da Peninsula Ibérica estavam encerrados. Quando estava a amanhecer, olhamos pelas janelas e só viamos mar e depois depois uma ilha, era a ilha do Sal,
outra vez.
No Avião vinha, no meio, um motor de um F-86 e um paraquedista de maca acompanhado de uma enfermeira e outros militares.
Desembarcamos e fomos comer às instalações da C.Caç 413 que havia ido connosco para
a Guiné-Mansoa, tendo a meio da comissão sido deslocada para o Sal- cabo Verde.
Aí comemos lagosta a todas as refeições, eles já enjoavam a lagosta. Eramos todos conhecidos pois como nós também pertenciam Ao B.C.10-Chaves e os sargentos éramos todos do mesmo curso-1961.
O Aeroporto do Sal, era só uma pista e no final da mesma havia a torre de controle.
Na tarde desse dia, tornamos a embarcar e quando arrancamos para levantar, ouvimos um estrondo da rebentação de um pneu e só paramos a cerca de 5 ou 6 metros da torre.
Como não havia pneu suplente ficamos três dias no Sal até chegar um pneu, no avião da TAP. No dia 3 de Novembro, reembarcamos para Lisboa onde chegamos no dia 4.
Passei essas Férias em Amarante, Chaves, VERIN-Espanha, (onde tinha uma namorada espanhola) e Porto. Passados os trinta dias apresentei-me nos Adidos-Lisboa, mas não havia alojamento, fui instalar-me numa Pensão na Rua Rodrigo da Fonseca, a aguardar passagem aérea para Bissau, o que veio a suceder só no dia 6 de dezembro. Chegado a Bissau apanhei um barco civil, para Bafatá, seguindo de novo até Cantacunda.
Nas Canáriaas comprei um relógio por 500 escudos e uma máquina fotográfica Konica também por 500 escudos.
Do outro pessoal da 412 apenas um alferes veio de férias, no entanto, três alferes tiveram as esposas em Bafatá

Alcidio Marinho

Anónimo disse...


Carlos Silva
carlospintazevedo@gmail.com

22 set 2015 07:43


FÉRIAS nunca as tive !

... Mas passei bons momentos em Bedanda ,e outros menos bons como tudo na vida ,nuca me arrependi do tempo que passei lá conheci nova gente com outra maneira de vida .Gente Humilde e tambem com sabedoria ,sempre aprendi algo .

Direi sempre não á guerra .

Um abraço

Anónimo disse...

vasco pires
13:13 (Há 14 minutos)


Bom dia Luis e Carlos,
Cordiais saudações.

Vim duas vezes de férias.

No GAC 7 permitiam um mês de férias por ano.

Lembrei que nas primeiras férias encontrei [...], aliás, ele me procurou. A companhia dele embarcou, ele conseguiu uma licença pois havia o nascimento eminente de um filho; como soube que eu conhecia o quartel onde estava a companhia dele, queria saber como eram as coisas por lá. Procurei fazer um relato realista, não se se foi pelo meu relato, mas ele resolveu cumptir a comissão nas "bolanhas"... de Paris.
Forte abraço
VP

jpscandeias disse...

E...já agora acrescento que a minha viagem de regresso e definitiva também foi feita na TAP a extensas minhas em maio de 1974. No mesmo voo, e nas mesmas circunstancias, vieram outros camaradas, do nome apenas recordo o Spínola (furriel) natural da Madeira. Mas só o fizemos com a prévia autorização do GC na pessoa do major Mota Freitas. Coisas giras que a guerra teve, despesas extras! Tive duas, a viagem de regresso, a outra um carregador da G3 que perdi na 2 emboscada que a 12 sofreu no mês de fevereiro de 1973 na mata do Xime. Se achei barata a viagem Bissau-Lisboa, menos de 3 mil pesos, naquela época o câmbio já estava a 20%, pelo carregador, que não me passaram recibo, ainda não tinha NC mas já tinha NM, paguei cerca de 6 pesos, entregues ao 1º sargento, que teve uma atenção, não paguei as munições,achei baratíssimo, mas ridículo e ... injusto.

João Silva Caç 12

Anónimo disse...

Verifico pela "amostra", que fui dos poucos que nunca tive férias, durante a Comissão, não por razões económicas, mas de oportunidade. Passo a explicar: -
A minha Copanhia, organizada em três Grupos de Combate, chegou à Guiné em ABR/65 e a Gadamael um mês depois, para guarnecer este aquartelamento e o destacamento em Ganturé. Passados 3/4 meses o Capitão foi para o Quartel General, tendo passado eu a comandar interinamente a Companhia.
Os meus planos, quanto a férias, eram de uma vinda à metrópole, sensivelmente a meio da Comissão. Entretanto em JAN/66, o Grupo de Combate do Alf. Pinheiro, sofre uma emboscada, juntamente om o PelRec FOX na estrada de Gandembel.(Corredor de Guileje) A Coluna sofreu 5 mortos e 14 feridos, sendo um destes o Alf. Pinheiro que nunca mais regressou à Companhia. Na sequência desta baixa e das férias que outro camarada gozava, ficamos anenas dois Alf: eu na sede, outro no destacamento.
Demorou algum tempo até que a situação da falta de quadros fosse reposta. Mas quando tudo parecia normalizado o Cap. Mil. que veio comandar a Compª, desentendeu,se com o PCA numa operação no "Corredor de Guileje" e foi transferido, tendo eu passado a comandar interinamente a Compª, situação que se arrastou, até faltarem três meses para virmos embora, altura em que apareceu um Capitão a que faltavam e meses para ser promovido a Mjor. Nesta altura, não valia a pena vir à metrópole, pensei. Fiquei-me oito dias por Bissau, onde vim tratar de uns assuntos ofiviais e para "não ficar apanhado do clima"!...
Um abraço a todos. - Manuel Vaz

Vasco Pires disse...

Onde se lê eminente,deve ler-se iminente.
VP

Anónimo disse...



vasco pires
22 set 2015 15:01


Sim, Luis, omiti o nome [do meu conhecido], a Companhia e o local, julgo ser mais acertado. Contudo, se quiseres, posso ter enviar a título confidencial.
Por favor corrige: onde lê eminente leia-se iminente.
Forte abraço

VP

José Carlos Gabriel disse...

Voltando a este tema e embora fosse 1º cabo op. cripto como disse na minha mensagem anterior tentei sempre juntar o máximo possível do pouco que recebia de pré. No entanto a minha mulher também recebia na metrópole uma verba a qual também juntava para as minhas viagens. Ela vivia com a nossa filha na casa dos pais que foi o princípio da minha vida de casado e provavelmente de muitos de nós. Raro foi o mês em que não recebia uma encomenda enviada pela família pelo que as minhas despesas eram muito reduzidas. Quando eu fiz estas viagens ia de Nhala até Buba numa coluna e entretanto já se tinham juntado 3 ou 4 camaradas que também iriam de férias mesmo de outras unidades e era fretada uma avioneta civil que nos trazia até Bissau onde depois de passar pelos adidos fiquei sempre na pensão central. O regresso era exatamente da mesma forma. Tenho uma vaga ideia que estes transportes eram conjugados pelas secretarias das companhias mas já não me recordo. Todas as sondagens valem o que valem mas no mínimo fica uma ideia das possibilidades (ou prioridades) que alguns deram às férias na metrópole. A verdade do que é escrito fica na consciência de cada um.

José Carlos Gabriel

Unknown disse...

Caros amigos e camaradas:

Vim de férias 2 vezes à Metrópole.
Em Novembro de 1973 e Agosto de 1974.
A última vez, porque estava a ficar saturado da guerra.

Um abraço
Fernando Araújo