sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Guiné 63/74 - P15306: Consultório militar do José Martins (15): Tabela de vencimentos auferidos (em 1963 e em 1965) pelos militares que cumpriam a sua comissão de serviço mas províncias ultramarinas


Tabela de vencimentos auferidos em 1965  pelos militares que cumpriam a sua comissão de serviço em África. Conforme a especialidade, cada praça recebia um prémio. A partir de agosto de 1965, o pré das praças foi aumentado para 680$00 (3,39 €) e 550$00 (2,74 €) consoante fosse 1.º Cabo ou Soldado, mantendo o prémio de especialidade.

(Fonte: José Martins, 2008, Adapt de Inácio Gois, "O Meu Diário: Guiné 1964/66: Companhia de Caçadores 674". Edição de autor. Mineira, Aljustrel, 2006, p. 211).



1. Consulta, por parte do editor LG, ao José Martins (*):

Zé, tens alguma tabela com os vencimentos + gratificações do pessoal militar no TO da Guiné ? É uma confusão, que ninguém se entende...Quanto ganhava um furriel mil at inf em 1963  e em 1974 ? E um 1º cabo trms ? E a tropa especial ?... É pedir-te muito... Ab. LG

PS - A única referência que eu tenho é o Decreto-lei  nº 44 864, de 26 de janeiro de 1963 (Fixa os vencimentos dos militares do Exército, da Armada e da Força Aérea em serviço nas forças armadas das províncias ultramarinas - Torna extensivas às províncias ultramarinas as disposições do Decreto-Lei n.º 41291 de Setembro de 1957). (****)

Segundo as tabelas anexas ao diploma legal, um  capitão do exército (inf,  cav, art, etc.) auferia, no TO da Guiné, 4500$00 (vencimento-base da metrópole) mais 2500$00 de complemento, perfazendo um total de 7000$00 (que hoje seriam 2.861,84 €, a preços constantes de 2014).

O alferes (inf, cav, art, etc.) recebia 2600 + 1750=4350 escudos (1.778,43 €, usando o conversor da Pordata). O furriel (de qualquer arma ou especialidade) auferia 3000$00 (1500 + 1500) (1.226,50 €)... As praças tinham um vencimento diário... Este diploma também previa já um subsídio de isolamento nas zonas fronteiriças da Guiné. (***)


2. Resposta pronta do Zé Martins: 

Capa do livro de Inácio Maria Góis - O Meu
Diário:  Guiné 1964/66: 
Companhia de Caçadores 674.
Edição de autor. Mineira, Aljustrel.
2006
De: 29 de outubro de 2015 às 22:18

Assunto:  Quem disse quem cem pesos era manga de patacão ? (*)....

Luís: O que tenho,  foi publicado em 31 de uutubro de 2008, há 7 anos, faz sábado, no poste  P3384. (**)

No livro do Inácio Góis [vd, capa à esquerda],  fala-se do nosso patacão, que para alguns era miserável, mas para outros era "fêmea" (dizia-se)...

Recorde.-se que o Inácio Maria Góis esteve na Guiné entre 13 maio de 1964 e 27 de abril de 1966: vinte e três meses e catorze dias,,,  Fez parte da CCAÇ 674 e e andou por  Fajonquito e Farim. Dia a dia, foi anotando o que se passava dentro dos aquartelamentos e fora deles,

No seu diário, editado em  livro (edição de autor, Aljustrel, 2006), na página 211, correspondente ao dia 24 de Julho de 1965,  sábado, tem uma nota referente aos vencimentos auferidos à época, e nos anos seguintes, pelos militares que cumpriam a sua comissão de serviço em África, eque reproduzo acima

A minha intervenção nessa tabela fica-se pela obtenção da Portaria n.º 362/2008 de 13 de Maio do Ministério das Finanças e da Administração Pública, que determina, no seu anexo, o Quadro de actualização dos coeficientes de desvalorização da moeda a que se referem os artigos 44º do CIRC e 50.º do CIRS.

Para o ano em questão (1965) o coeficiente é de 60,93. (***)Bom fim de semana.

Zé Martins


PS - Estive hoje com o Luis Marinho. Falamos de Companhias Africanas e das canções dos Gatos Pretos, descobrindo que, afinal, foi ele que escreveu sobre o livro sobre a Operação Mar Verde. Foi pena não ter relacionado a obra com o autor, pois teria levado o livro para autografar....

 ____________________

Notas do editor:

(*) Vd. poste de 29 de outubro de  2015 > Guiné 63/74 - P15302: (Ex)citações (297): Quem disse que "100 pesos era manga de patacão" no nosso tempo? Em 1960, mil escudos (da metrópole) valiam hoje 428 euros; e em 1974, 161 euros, ou seja, uma desvalorização de c. 266 %... Recorde-se por outro lado que 100 pesos só valiam 90 escudos...

Quanto ao que o exército nos pagava...[Segundo o Sousa de Castro],  "puxando um pouco pela memória, eu como 1º cabo radiotelegrafista ganhava 1.500$00, sendo 1.200$00 por ser 1º cabo e mais 300$00, de prémio de especialidade." [, tudo somado, 1500§00 em 1973 =305,10 €].

´(...) Temos as memórias (e os papéis) do Jorge Picado [,ex-cap mil art]:

(...) "Apontamento que resistiu ao tempo, referente ao mês de junho [de 1970]: Total abonos:13900$00; total descontos; 8967$00; a receber 4932$00. Nos abonos estão incluidos 4000$00, relativos aos abonos de família (já tinha os 4 filhos), de março, abril, maio e junho. [de 1970]". (...)

(...) "Vencimentos a receber em agosto em virtude do aumento: março-julho [1970]: 10500$00;
Fev 1326$00; total 11826$00; descontos Cx Geral Aposentações; 710$00; Imposto de selo -12$00; a receber (líquido): 11104$00 [=3148,45€]...

(...) Em comentárioao poste, o J. Casimiro Carvalho, fur mil at cav, em 1972/74, diz que ganhava, "entre 5400$00 e 6240$00 (já em 1974) por mês". (...)



(**) Vd, poste de 31 de outubro de 2008 > Guiné 63/74 - P3384: Recordando os nossos vencimentos no Dia Mundial da Poupança (José Martins)

(***) 21 de julho de 2015 > Guiné 63/74 - P14908: Consultório militar de José Martins (14): Restrições à consulta dos processos de casos disciplinares / justiça militar


(****) Vencimentos de oficiais. sargentos e praças do exército em 1963 (vencimento-base mais complemento ultramarino; no caso das praças, o vencimento era ao dia).







Praças de 1ª e 2ª classe



Fonte:  Decreto-lei  nº 44 864, de 26 de janeiro de 1963  (Clicar nas imagens para ampliar)

15 comentários:

alma disse...

Se calhar era por ser Alferes-Básico...mas o meu vencimento em 1971 era de 7.400$00.ABRAÇO. J.Cabral

Carlos Esteves Vinhal disse...

Estou com o Alma, porque um Alferes (básico) não ganhava mais do dobro de um Furriel (básico).
O vencimento de um Furriel em 1971 estava assim descriminado:
Vencimento Base... 2.600$00
Vencimento Complementar... 1.800$00
Subvenção de Campanha... 880$00
Total... 5.280$00

Assim provam os meus pergaminhos da época.
Abraço
Carlos Vinhal

Luís Graça disse...

Ah!, grande Carlos, é isso mesmo! Era isdeia que eu tinha... Já não me lembrava era da tal subvenção de campanha...

Quanto aos alferes, já na altura em 2008, se punha em causa os 9 contos de vencimento (em 1965!)... É claramente uma gralha!... Seriam 6 contos ?

Luís Graça disse...

Nunca percebi a distinção entre praças de 1ª e de 2ª classe... Só se aplicava às praças ultramarinas... Discriminação ? Cinismo ? Economicismo ?... Quem tinha a 3ª classe na Guiné onde não havia escolas primárias ? Fomos, nós, os militares portugueses a montar postos escolares no mato!... Em 100 homens, do recrutamenmto local, apenas um, o José Carlos Suleimane Baldé chegiou a 1º cabo, o único que tinha a 4ª classe... no meu tempo. Os outros nem português falavam quando lhes demos a instrução de especialidade e fizemos a IAO.

Vasco Pires disse...

Lembro que uma parte era depositada em Portugal, e outra recebida lá na Guiné, mas não lembro o valor total.
Forte abraço.

Carlos Esteves Vinhal disse...

Luís, como o Alma, tenho ideia de 7.000$00 mais uns poses.
Carlos Vinhal

Carlos Esteves Vinhal disse...

Caro Vasco
Eu deixava na Metrópole 3.955$30. Acho que havia um limite máximo e um mínimo estipulados, mas não tenho a certeza.
Carlos Vinhal

Torcato Mendonca disse...

Não sei quanto ganhava na Guiné. Sei que depois da chegada do General (ainda Brigadeiro)passamos a ganhar mais. Havia diferenças entre as "Provincias Ultramarinas". - Deve ler-se Colónias.

De qualquer modo ganhavamos pouco para aquela trabalheira. Um Soldado ganhava muito pouco e muitos deles recebia a maior parte na Metrópole, como a maioria dos outros militares. Eu recebia o máximo cá e ia para o BNU. O que lá recebia nem sabia o que fazaér a tanto patacão. Geralmente os Centros Comerciais de Mansambo,Candamã, Áfia etc estava encerrados para balanço.

Havia uns extras, honestos e dizem que outros não tanto. Mas falando de uns decentes: mina anti-carro 2000$. anti-pessoal 1000$, granada IN 400$, pistola, metrelhadora etc etc...tudo tinha um preço...havia ainda outros preços mas não estou habilitado e perdi a memória sobre o assiunto:

Havia ainda a injustiça no recibimento do dinheiro. Um militar estava em Bissau, Banbica, Bafatá etc e outros estavam no mato ou iam e voltavam para a codade"" e dinheiro era o mesmo.

Haviam os gastos. Bebidas, comidas (a Transmontana com presunto a 500$ -quinentos pesos o quilo) recordações e divertimentos. Exemplo: uma Senhora Acompanhate numa noite custava - a deslocação dela, táxi Bafatá/Bambadinca, quarto e outros serviços na Tabanca a meia encosta com vista para o Geba, outros serviços e a"nota" para o Lali ou Suckel...porque o tramento do assunto, a segurança eram nesses asuntos bem pagos. Valia a pena e a juventude assim vivida tinha outro encant. Em Bafatá a Solemato ou as Meninas da Madame (???)era mais barato e havia bebida e comida.Para que queriam, certos tipos, o dinheiro se no outro dia vestiam o camuflato, apertavam cinturão, cartucheira,G3, punham o bornal dos dilagramas e dos eteceteras ao ombro...afivelava a máscara e ia para o car...perdão...para o diabo?

O meu abraço,Torcato Alf Art da 2339
(se leio não envio)

Anónimo disse...

A ideia que tenho é que, em 1965, recebia 5.200 e tal mais o subsídio de refeição, que andava pelos 20 e poucos escudos. Tudo junto rondava os 6.000 esc..
V Briote

Luís Graça disse...

Quando regressámos a casa, com a "morte na alma", tínhamos ao menos um "pé de meia"... Sei que paguei 15 contos de propinas da minha irmã do meio, que fez o antigo 5º ano no externato Dom Lourenço, que pertencia à Igreja. No tempo em que a escola pública se resumia ao ensino primário (4ª classe), porca miséria!... Depois só os "ricos" podiam continuar a estudar: liceu só havia nas capitais de distrito... Três anos de propinas, o padre Escudeiro não perdou nada... mas também não me levou juros.

Os gajos que vinham da guerra, vinham cacimbados mas ricos, era o que se pensava lá terra... Outros 15 contos emprestei à mana mais velha para se casar... Enfim, mais uns trocos, gastos na boa vai ela, e tudo o vento levou... Comecei a trabalhar uns tempos depois de regressar... Naquele tempo havia, ao menos, emprego... LG

Manuel Carvalho disse...

Caros camaradas

Sobre "Patacão" a ideia que eu tenho e estou a falar de 68/70 nos primeiros meses um Furriel ganhava 3.600$00 e depois tivemos um acerto para 4.100$00 para ficarmos iguais aos de Angola e Moçambique.A maioria de nós deixava cá 60% e recebia lá 40% o que dá primeiro 2.160$00 1.440$00 e depois com o aumento 2.460$00 1.640$00.Em 68 julgo que um alf. era 6.000$00 e um cap. 9.000$00.Nós com à volta de 1500$00 pesos ainda íamos matando a cede com umas cervejolas agora os nossos camaradas soldados, recebiam 600$00 cá ficavam 360$00 e lá tinham 240$00 para tudo não era fácil aguentar a cede.

Manuel Carvalho

Luís Graça disse...

Recorde-se, camaradas, que com o "patacão da guerra", alguns de nós, comprámos as nossas primeiras máquinas fotográficas, japonesas, que nos chegavam à Guiné, via Macau, a preços muito mais acessíveis do que na metróple (, apesar da desvalorização do "peso" em relaºoa ao "escudo")...

Como já aqui, no nosso blogue, tivemos ocasião de o recordar, a máquina fotográfica (a par do uísque velho!) era de facto um objeto de luxo, uma imagem de marca... Da malta da CCAÇ 12, do meu tempo (1969/71), poucos tinham máquina: que eu me lembre, só os fur mil Arlindo Roda, Humberto Reis, Tony Levezinho... Ah!, havia unm "fotógrafo profissional", um cabo, que deve ter ganho bom patacão a bater e a revelar chapas...

Ao fim e ao cabo, estávamos longe de casa,. A Guiné era fotogénica (as bajudas, os macacos-cães, as bolanhas, os palmeiras, as tabancas, os trajes, os nossos soldados...), e toda a gente gostava de mandar um "postal ilustrado" para a metrópole, a família, os amigos... Quanto mais não fosse pra fazer a "prova de vida": mãe, pai, irmãoi, irmã, amigos, nós por cá todos bem...

Pessoalmente tenho muito pena de, na altura, não me interessar pela fotografia e de ter malç gasto parte do "patacão da guerra"... Não tinha máquina, e muito menos disposição para me dedicar à fotografia... As poucas fotos que tenho foram tiradas por camaradas meus...

António Tavares disse...

Vencimentos no CTIGuiné em 1970/72

Camarigos,

No meu P6177 - Adiantamentos e Prestações O. G. F. E. -, de 08.Abril.2010, está escrito que o Abono Total de um Furriel Miliciano era de 5 280$00 justificado com cópia de Recibo de Vencimento.

Acrescento que o Alferes Miliciano recebia mensalmente 7 560$00 e

Um 1º. Cabo recebia, de Pré: 93$00; de Vencimento Complementar: 899$00 e de Subvenção Campanha: 248$00, o Total de 1 240$00.

Sobre o Total de Abonos dos Vencimentos dos Sargentos e Oficiais incidia uma taxa de 1%o (um por mil) de IMPOSTO DO SELO, nos exemplos: - 5$30 e 7$60 respectivamente.

A Pensão de Família e a Subvenção de Família também tem descrição.

Abraço.

alma disse...

Durante a minha comissão, 1969-1971, fui aumentado. De 6.400$00 para 7.400$00.Tenho documentos, mas dá muito trabalho procurá-los. ABRAÇO! J.Cabral

Anónimo disse...

Recebia 5.280$00/mensais (1972/74), distribuídos em 1.760$00 (1/3) na Guiné, e 3.520$00 (2/3) na Metrópole. No final da comissão a conta-corrente registava um saldo de 50 contos (números redondos).

Um abraço e bom fim-de-semana.

Jorge Araújo.