sexta-feira, 26 de maio de 2017

Guiné 61/74 - P17397: Meu pai, meu velho, meu camarada (55): Artilharia de defesa de costa e antiaérea no Mindelo, na II Guerra Mundial: fotos do álbum fotográfico de Luís Henriques (1920-2012), natural da Lourinhã, ex-1º cabo at inf, nº 188/41 da 3ª Companhia do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 5 [, Caldas da Rainha], que esteve em Cabo Verde, Ilha de São Vicente, entre julho de 1941 e setembro de 1943


Foto nº 1 > Cabo Verde > Ilha de São Vicente > Mindelo >"As peças anti-aéreas do Monte Sossego; fotografia oferecida pelo meu amigo [e conterrâneo, da Lourinhã] Boaventura [Horta] em 21/3/43."

Foto nº 2 > Cabo Verde > Ilha de São Vicente > Mindelo > "Oficiais do Exército e da Marinha nas peças do Monte Sossego. Ao fundo a linda Baía com o [NPR] Pedro Nunes à vista. Fotografia oferecida pelo meu amigo Boaventura em 21/3/43. Mindelo. [O Monte Sossego fica a nordeste da cidade do Mindelo, sobranceiro à Ponta de João Ribeiro].


Foto nº 3 >  Cabo Verde > Ilha de São Vicente > Mindelo  >"Oficiais do Exército e da Marinha nas posições da Anti-Aérea no Monte Sossego, S. Vicente. Fotografia oferecida pelo meu amigo Boaventura, em Mindelo, 21/3/43". [O Monte Sossego fica a nordeste da cidade do Mindelo, sobranceiro à Ponta de João Ribeiro].



Foto nº 4 > Cabo Verde > Ilha de São Vicente > Mindelo  > "Posição das peças anti-áereas no Monte Sossego, São Vicente, Cabo Verde. Fotografia oferecida pelo meu amigo Boaventura em 21/3/43." [O José Boaventura  Horta, natural da Lourinhã, já falecido, era pai dos meus amigos de infância Carlos, Olga e Elisa. Éramos vizinhos da mesma rua ] 


Foto nº 4  > Cabo Verde > Ilha de São Vicente > Mindelo > "4 metralhadoras pesadas fazendo fogo anti-aéreo para balões de papel. No dia da festa de aniversário [da chegada do batalhão]. 23 de Julho de 1942. No Lazareto, S. Vicente, Cabo Verde" [O 1º Batalhão Expedicionário do R.I. 5 tinha chegado ao Mindelo há precisamente um ano, e estava aquartelado no Lazareto ]


Foto nº 5 > Cabo Verde > Ilha de São Vicente > Mindelo > "Aspeto da cidade do Mindelo tirada do Oeste. Vê-se os importantes depósitos de óleos da Shell. Outubro de 1941" [A II Guerra Mundial, com a drástica redução do trâfego marítimo da Europa para a África e a América Latina, teve dramáticas consequências no movimento do Porto Grande e na socioeconomia da ilha,]



Fotos (e legendas): © Luís Henriques (1920-2014) / Luís Graça (2017). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].





1. Fotos do álbum de Luís Henriques (1920-2012), natural da Lourinhã, ex-1º cabo at inf, nº 188/41 da 3ª Companhia do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 5 [, Caldas da Rainha], que esteve em Cabo Verde, Ilha de São Vicente, Mindelo, no Lazareto, entre julho de 1941 e setembro de 1943, em missão de soberania; este e outros batalhões foram entretanto integrados mais tarde no RI 23].  (*)


[Foto  à direita, Luís Henriques > 19 de agosto de 1942 > "No dia em que fiz 22 anos, em S. Vicente, C. Verde. 19/8/1942. Luís Henriques ".]



Escreveu o nosso camarada, natural do Mindelo (1943), Adriano Miranda Lima (cor inf ref, com duas comissões de serviço em Angola e Moçambique, no tempo da guerra colonial), e que tem escrito sobre as tropas expedicionárias portuguesas em Cabo Verde durante  a II Guerrra Mundial

(...) "As unidades desembarcaram e rumaram logo para os locais de destino previstos. No que respeita ao dispositivo da ilha de São Vicente, o Batalhão de Infantaria 5 (proveniente das Caldas da Rainha) ficou sediado na zona do Lazareto, o Batalhão de Infantaria 7 (proveniente de Leiria) na zona de Chã de Alecrim, e o Batalhão de Infantaria 15 (proveniente de Tomar) foi logo para [a ilha de] Santo Antão, sediando-se no Porto Novo, com excepção da 3.ª Companhia de Atiradores e de um pelotão da Companhia de Acompanhamento, que ficaram em São Vicente, mesmo dentro da área urbana do Mindelo.

"A artilharia de defesa de costa ficou instalada no Morro Branco e em João Ribeiro, enquanto a artilharia antiaérea não poderia ter encontrado posição tecnicamente mais adequada que o cimo do Monte de Sossego, que lhe conferia visão simultânea sobre o Porto Grande e sobre os pontos críticos da cidade do Mindelo."

(...) "Sei que, tanto quanto as possibilidades locais o permitiram, recorreu-se ao aboletamento (...) de oficiais e sargentos em casas particulares e pensões, pelo menos em parte e numa fase inicial, ao mesmo tempo que se utilizaram instalações de campanha (tendas e barracas), enquanto não eram construídos aquartelamentos!. (...) (**)
______________________

Notas do editor;



(**) Blog Praia de Bote > 15 de outubro de 2012 > [0264] Adriano Miranda Lima: a continuação (ver posts 256, 257 e 259): Tropas expedicionárias portuguesas a Cabo Verde no período da segunda Guerra  Mundial: 4 - A Actividade Militar e o Meio Físico Envolvente 

Vd. postes anteriores:

29 de setembro de 2012 > [0256] Adriano Miranda Lima:  Tropas expedicionárias portuguesas a Cabo Verde no período da Segunda Guerra Mundial: 1- Introdução

(...) as Tropas Expedicionárias que no período da II Guerra Mundial encheram o Mindelo foram grandes protagonistas da história da ilha naquele preciso contexto, e de uma forma tão mutuamente partilhada que na memória das populações e na dos próprios militares ficaram para sempre impregnadas as mais gratas recordações. Neste e em alguns posts subsequentes falarei do envolvimento dos militares com as gentes locais e de acções de tocante solidariedade humana numa altura em que a fome ceifava vidas nas nossas ilhas porque as carências eram gritantes. (...)


30 de setembro de 2012 > [0257] Adriano Miranda Lima:  Tropas expedicionárias portuguesas a Cabo Verde, no período da Segunda Guerra Mundial: 2 Totalidade de forças mobilizadas

(...) em Julho de 1941 encontravam-se prontos a embarcar em Inglaterra com destino a Cabo Verde, 3 peças de artilharia 4,7", 3 jogos para plataformas e 450 munições. (este material diz respeito à artilharia de costa). As autoridades inglesas ofereceram ainda pessoal para instruir e montar estas peças.

Em 1941, foi criada na cidade do Mindelo, em S. Vicente, uma Bateria de Artilharia de Costa. Em fins de Agosto de 1941, era transferida a título provisório, da cidade da Praia, em Santiago, para a cidade do Mindelo, em S. Vicente, a sede da Repartição Militar.

A evolução da guerra mostrou a urgência de criar um dispositivo defensivo na ilha de S. Vicente, pelo que foi ordenada a mobilização das seguintes forças:

Para a Ilha de S. Vicente:

- Comando Militar de Cabo Verde, sendo comandante o brigadeiro Augusto Martins Nogueira Soares, desde Agosto de 1941 até Dezembro de 1944;
- Comando do Regimento de Infantaria 23, integrando os batalhões seguintes;
- 1.º Batalhão expedicionário do Regimento de Infantaria 5 (Caldas da Rainha);
- 1.º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria 7 (Leiria);
- 1.º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria 15 (Tomar);
- Bataria de Artilharia de Costa 1;
- Bataria de Artilharia de Costa 2;
- Bataria de Artilharia Contra Aeronaves 9,4 cm;
- Bataria de Artilharia Contra Aeronaves 4 cm;
- Bataria de Referenciação;
- 2.ª Companhia de Sapadores Mineiros do Regimento de Engenharia 2;

Apoiavam estas unidades as formações dos serviços militares seguintes:
- Parque de Engenharia;
- Tribunal Militar;
- Hospital Militar Principal de Cabo Verde;
- Depósito de Subsistência e Material;
- Laboratório de Análise de Águas;
- Depósito Sanitário;
- Secção de Padaria.

O conceito de defesa da ilha de S. Vicente consistia essencialmente numa sólida ocupação e, em caso de emergência, manter a posse a todo o custo das regiões de João Ribeiro e de Morro Branco e a cidade do Mindelo. Para tal, 2 batalhões ocupavam posições de defesa e 1 batalhão, reduzido, encontrava-se em posição de reserva. (...)


(...) As razões de ordem sentimental prendem-se, como referi em post anterior, com o facto de o Batalhão de Infantaria 15 (BI 15) ter sido mobilizado para a minha ilha natal (S. Vicente) precisamente pelo Regimento de Infantaria 15 (RI 15), onde servi largos anos da minha vida. E o sentimento reforça-se com o facto de eu residir em Tomar, sede daquele regimento, e cidade onde viveram e conheci muitos militares expedicionários e entre eles um oficial (capitão) que marcou indelevelmente a memória do povo do Mindelo, como terei oportunidade de vir a relatar. (...) 

Ver ainda:


1 de novembro de 2012 > [0274] Adriano Miranda Lima: Tropas expedicionárias portuguesas a Cabo Verde, no período da Segunda Guerra Mundial:6 - A actividade militar e as suas múltiplas contingências (2.ª parte)



E ainda:

20 de março de 2014 >  [0782]  Adriano Miranda Lima: Tropas expedicionárias portuguesas a Cabo Verde, no período da Segunda Guerra Mundial:  Convivência entre militares e população civil

5 comentários:

Tabanca Grande disse...

O que é feito do nosso amigo e camarada Adirano Miranda Lima, cor inf ref, nascido no Mindelo e a viver em Tomar ? Há muito que não me responde aos meus emails... Nem tenho visto colaboração sua no blogue "Praia de Bote"...

Deixo aqui um apontamento dele no último poste, creio eu, sobre as tropas expedicionárias portuguesas em Cabo Verde, durante a II Guerra Mundial:

(...) "Lembro-me de, no meu tempo de menino e moço, ouvir a minha mãe cantarolar uma canção, género fado, que ela dizia ser da autoria de um militar expedicionário destacado na ilha do Sal. Segundo a minha progenitora, o poema da canção aludia à ilha agreste e desolada aonde o destino levara o militar para a honrosa missão de defender o solo pátrio. Actualmente com 90 anos, ela recorda-se ainda destes versos da composição: “lá na ilha do Sal/De picareta na mão/Abrindo uma trincheira/Para defender Portugal…”.

Este poste era de 15/12/2012...

https://mindelosempre.blogspot.pt/2012/10/0264-adriano-miranda-lima-continuacao.html

Tabanca Grande disse...

Acabo de perguntar ao António J. Pereira da Costa, nosso grã-tabanqueiro, cor art ref:


Tó Zé: Olá!... Tu, que és especialista em Artilharia de Costa, diz-me se estes calibres
existiam... 4,7'' (polegadas) igual a 11,9 cm ...

O que eram os "jogos
para plataformas" ? Telémetros, etc. ?

As imagens são de ACosta ou AA ?

(...) "em Julho de 1941 encontravam-se prontos a embarcar em
Inglaterra com destino a Cabo Verde, 3 peças de artilharia 4,7", 3
jogos para plataformas e 450 munições. (Este material diz respeito à
artilharia de costa). As autoridades inglesas ofereceram ainda pessoal
para instruir e montar estas peças." (...)

Obrigadão, Luís

António José Pereira da Costa disse...

Olá Camaradas
Aquela técnica de tiro AA aina me foi ensinada.
O soldado que tinha a metralhadora apoiada no ombro deveria ficar de costas para o avião e não como ai está exemplificado. Assim, em caso de ataque de avião, não tinha tendência a fugir...
Era um bocado poético, convenhamos, mas os tempos eram de poesia e por isso dava-se instrução e praticava-se aquela espécie de defesa.
Claro que a culpa era da arma que era claramente má.
Ainda me lembro de uma met. lig Madsen (dinamarquesas) que eram tão más que faziam fogo em segurança...
Enfim, felizmente não houve guerra, senão...
Um Ab. e bom FdS
António J. P. Costa

Anónimo disse...

António José Pereira da Costa
26 mai 2017 21:53

Olá Camarada

A avaliar pela elevação dos tubos das peças trata-se de armas AA e não de ACosta.
Não conheço as peças a que te referes: 4,7'' (polegadas) igual a 11,9 cm. É provável que o exército inglês as usasse para a defesa do seu território. Nunca encontri referências a peças AA desse calibre.

O Exército veio a utilizar Peças AA de calibre 9,4 cm.

Creio que os "jogos para plataformas" deverão ser os completos das peças, como se dizia no nosso tempo. Uma má tradução, portanto...

Existia um alti-telémetro que, em 1970/71 ainda tinha incorporação.

No CIAAC, em Cascais, ainda existia a respectiva caixa de metal. Nunca aprendi a operá-lo.

Um Ab.
TZ

António José Pereira da Costa disse...

Olá Camaradas
Pela ordem de batalha indicada no Post confirma-se que o material AA
- Bataria de Artilharia Contra Aeronaves 9,4 cm;
- Bataria de Artilharia Contra Aeronaves 4 cm;
era o que veio a ser utilizado no Exército, com excepção das metralhadoras AA que não seguiram as de 20 mm antigas e as "modernas" para o tempo (12,7 e 20 mm quáduplas) que ainda não tinham chegado.
O material de costa não conheço.
Um Ab.
António J. P. Costa