quarta-feira, 31 de maio de 2017

Guiné 61/74 - P17418: Inquérito 'on line' (117): Imagens com história: a minha ida a Fátima (4/4/1965) e a minha chegada ao Cais da Rocha Conde de Óbidos (4/4/1974) (Jorge Araújo)




I. Mensagem do nosso colaborador permanente, Jorge Araújo, com data de 23 do corrente:

Caro Luís,

Com algum atraso, por dificuldades de gestão da(s) agenda(s) - a minha e a dos meus - só agora conclui a resposta ao teu apelo relacionado com a temática "FÁTIMA" e os resultados apurados no inquérito "on-line". (*)


É curta a narrativa, mas é a possível neste "Mês do Coração".

Um abraço, com saúde da boa.

Jorge Araújo.





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 Nota do editor:

Último poste da série >  18 de maio de 2017 > Guiné 61/74 - P17375: Inquérito 'on line' (116): Fátima... Num total (final) de 84 respostas, conclui-se que : (i) todos lá fomos, pelo menos uma vez na vida, antes (44%), durante (8%) ou depois da tropa (20%); (ii) não tanto como peregrinos (20%) mas mais como turistas (55%)... A questão admitia mais do que uma resposta.


(...) O facto mais surpreendente é que todos nós, ex-combatentes, crentes ou não crentes, já fomos a Fátima, num dado momento da nossa vida, uma ou mais vezes.

A maioria (55%) respondeu que foi lá "como simples turista ou em passeio". E só um em cada cinco admitiu que foi lá como "verdadeiro peregrino ou crente" (20%).

Os que lá foram logo depois de vir do ultramar (17%) ou muitos anos depois de vir do ultramar (20%) somam mais de um terço. Nestes haverá, por certo, um nº razoável de pagadores de promessas, mas que é difícil de quantificar, talvez uns 10% ou menos dos respondentes.(**)

Faltam-nos testemunhos de camaradas que tenham ido em peregrinação a Fátima, a pé ou de carro, por razões de fé, e nomeadamente no pagamento de promessas feitas por ocasião da guerra no ultramar /guerra colonial (por ex., não ter sido mobilizado, não ter ido como atirador, não ter morrido ou não ter sido ferido, ter voltado são e salvo).

Mas este é um assunto do foro íntimo, é difícil encontrar camaradas dispostos a dar, em público, no nosso blogue, o seu testemunho sobre a sua ida a Fátima. (...)

8 comentários:

Tabanca Grande disse...

Se a minha mãe ou irmãs mo tivessem pedido, eu iria com elas a Fátima, mesmo já não sendo crente na época... Era um pedido irrecusável... Rezaram por mim todos os dias o terço, para que eu chegasse são e salvo... A fé ajuda as pessoas nas adversidades, não sei se faz milagres... Fátima ou o templo de Epidauro, na Grécia antiga, com 25 séculos de distãncia,têm a mesma função e a mesma capacidade de atração...Ainda quero ir a Epidauro, quando voltar à Grécia... LG

Valdemar Silva disse...

Ir a Fátima agradecer por termos chegado sãos e salvos é, para mim, complicado
entender.
Entenderia melhor ir agradecer a Fátima por a Nossa Senhora ter interferido para
que ninguém fosse prá guerra.
Isso é que eu queria ver, mas as divindades têm destas coisas: precisam de sofrimento.
Valdemar Queiroz

Carlos Vinhal disse...

Quando regressei da Guiné, das primeiras coisas que a minha mãe me disse é que tinha prometido eu ir com ela a pé a Sta. Rita se voltasse são e salvo. A igreja onde se venera esta Santa dista daqui da minha freguesia cerca de 20 quilómetros. As pessoas daqui eram-lhe muito apegadas e faziam-lhe promessas em troca intermediação com o Criador para resolução dos mais variados problemas de vida.
A minha mãe sabia que eu, respeitando as convicções e a religiosidade de cada um, não era, nem sou, muito de me lembrar de Deus quando a coisa piora(va) para o meu lado. Disse-lhe logo que não ia porque não tinha sido eu a fazer a promessa, ela teria que ir duas vezes, uma por ela e outra por mim. Coitadinha, olhou muito atrapalhada para a minha cara, mas sabia que eu jamais deixaria de a acompanhar no seu acto de fé.
Lá se programou uma madrugada, que até foi muito concorrida. O grupo era composto por uma pessoa da família da minha, ainda, namorada que levou ao colo o seu pequeno rebento com poucos meses de nascido, a minha namorada também foi, não me lembro se o pequeno irmão dela também nos acompanhou. Nós os da casa fomos todos, o meu pai, a minha mãe e eu. Tenho ideia que iria mais gente que terá saído connosco de Leça ou se juntou a nós pelo caminho. A viagem demorava cerca de 4 horas e o regresso era feito de autocarro ou táxi. Fazia parte da promessa ouvir a Missa das 8.
Ao longo da minha juventude já tinha feito aquele percurso mais vezes, sempre acompanhando os mais velhos, família ou vizinhos.
Nunca prometi nada a Senhora de Fátima por motivos que não cabem aqui.
Carlos Vinhal

Tabanca Grande disse...

Valdemar: não estabeleço nenhuma razão de causa e efeito entre o terço, Fátima e o "milagre" do regresso, "são e salvo"...

Eu não era melhor do que outros que lá ficaram, ao meu lado...E não foram poucos... Agora, não posso ignorar ou escamotear o facto de muitas das nossas famílias terem "rezado" por nós e, nalguns casos, terem prometido ir a Fátima em peregrinação...

Se isso nos deu força ou não para lutarmos e sobrevivermos, isso já não sei, ou melhor, é do foro íntímo de cada um... O b,ogue tem por função primordial contar histórias, partilhar memórias, revelar segredos, publicar testemunhos e depoimentos...

Podemos falar de Fátima,sem tabus nem preconceitos... Por que não ? Afinal, esteve presente nas nossas vidas, antes, durante ou depois da tropa e da guerra... Estamos "proibidos" aqui de falar de religião, mas não de espiritualidade...que é também uma dimensão da saúde, segundo a insuspeita OMS - Organização Mundial de Saúde: a saúde não é o oposto da saúde, é mais do que isso, é o resultado e o processo da proteção e da promoção do nosso bem-estar (físico, mental, social e espiritual)... Os valores, os princípios e as crençs pessoais são igualmente importantes para esse equilíbrio dinâmico...

Enfim, não sei se fui convincente e, sobretudo, se exprimi bem...

Valdemar Silva disse...

Luís Graça, muito obrigado pelas tuas palavras.
Concordo, plenamente, contigo.
Mas, isto de ser religioso (ter fé) tem que se lhe diga, até a filosofia fica
atrapalhada para a entender.
Valdemar Queiroz

Tabanca Grande disse...

Obrigado, Carlos, pelo teu testemunho. Desconhecia a existência dessa romaria a Santa Rita. Deve ser a romaria de Santa Rita (concelho de Ermesinde, distrito Porto) no segundo domingo de junho, não ?

http://www.jf-ermesinde.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=21&Itemid=4

A lista de festas e romarias no nosso país continua a ser impressionante, quer no continente quer nas regiões autónomas... Este fenómeno está longe de ter sido devidamente estudado pelos historiadores, antropólogos e sociólogos, e nomeadamente no que diz respeito às suas origens e transformações ao longo do tempo.

As romarias terão tido origens "pagãs", a Igreja Católica acabou por as "recristianizar" e enquadrar... No essencial, é uma peregrinação religiosa feita , em geral, por um grupo de pessoas (peregrinos ou romeiros), de preferência, a um local de culto, considerado "santo" (com igreja, capela ou mosteiro), e onde se vai: (i) para pagar promessas, (ii) para agradecer ou pedir graças, ou (iii) por simples devoção... mas também por (iv) curiosidade, lazer, turismo, diversão...

As peregrinações ao santuário de Fátima são hoje, e ao longo do séc. XX, um fenómeno mediatizado e de massas, e de certo hegemónico, tal como as peregrinações a Santiago de Compostela, até ao séc. XIV, na península ibérica. Mas não nos pode fazer esquecer a existência de muitos outros (da ordem das centenas..) locais de culto, marianos ou não, que são objeto de peregrinaçõesde âmbito local e/ou regional...

Em todas estas festas e romarias, ao longo do tempo, vamos encontrar a presença do soldado que vai para a guerra ou regressa da guerra...

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_das_principais_festas_e_romarias_de_Portugal

Tabanca Grande disse...

Claro que os operadores turísticos hoje "revalorizam" estas manifestações culturais que são as nossas romarias e festas religiosas. Veja-se esta brochura do Turismo do Porto e Norte de Portugal:

http://www.portoenorte.pt/client/files/0000000001/3006.pdf


(...) "Periódicas, cíclicas ou calendáricas, numa perfeita simbiose entre o
sagrado e o profano, as festas e romarias do Norte de Portugal são um autêntico convite ao saudável convívio no meio de gente alegre e à visitação de um multifacetado território.
Com uma paisagem diversa e estimulante, pontilhada de simples ermidas e santuários, de imponentes igrejas e capelas, ou de conventos e mosteiros com séculos de história, que
são locais de fervoroso culto ao longo de todo o ano, o Porto e Norte de Portugal é um destino turístico com uma oferta rica e variada, onde as tradições imemoriais se mantêm vivas e renovadas.

Nas aldeias, vilas e cidades do Norte, os costumes e as tradições nunca acabam. " (...)

Juvenal Amado disse...

Caro Jorge Araújo é sempre com emoção que vejo estas imagens, que como já tinha dito não tinha alguma da nossa chegada a Lisboa.

Ali algures entre a multidão, que nos esperavam estavam os meus pais com um chapéu de praia daqueles às cores, que dizia Alcobaça em letras garrafais. Ainda o barco não tinha atracado já eu os estava a ver.

Um abraço e se tiveres mais vai mostrando. Há uma página no facebook chamada Galomaro Destino e Passagem criada pelo malogrado Carlos Filipe onde estou a postar as tuas fotos para gáudio da malta do 3872.

Mais uma obrigado e um abraço