quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Guiné 61/74 - P22548: (Ex)citações (392): Vamos lá pôr os pontos nos iii... “Exageros de Marcelino da Mata?“ (Carlos Silva, ex-Fur Mil da CCAÇ 2548/BCAÇ 2879)

1. Comentário do nosso camarada Carlos Silva, ex-Fur Mil Inf da CCAÇ 2548/BCAÇ 2879 (Jumbembem, 1969/71), publicado no Poste P22539 em 14 de Setembro de 2021:

Amigos e camaradas:

Vamos lá pôr os pontos nos iii...

“Exageros de Marcelino da Mata?“

No livro agora recenseado pelo nosso camarada Mário Beja Santos,[*] é referido a páginas 71/72 que os “Roncos de Farim” foram chamados de urgência para tentarem resgatar a CCaç 1546/BCaç 1887, que fora apanhada à mão pelos guerrilheiros quando efectuava um reconhecimento em força na fronteira, mencionando:

"Em Agosto de 1967 …
[Pediram-me que os trouxesse de volta à Guiné Portuguesa. Sabia-se que tinham sido levados para um aquartelamento onde estavam foças do PAIGC e um batalhão de paraquedistas senegaleses. E nós lá fomos, 19 homens para resgatar 150!

Os do meu grupo iam todos fortemente armados, mas eu não. Levava apenas uma tanga igual à que os senegaleses usam naquela zona. Foi assim que consegui chegar perto do arame farpado. Os presos portugueses estavam todos sentados na parada, descalços e em cuecas. Um deles reconheceu-me e avisou o capitão.

Depois passaram palavra entre eles e esperaram pela acção“



“Atirei uma granada ofensiva para o meio da parada e no meio de grande tiroteio gerou-se confusão. Os “páras” senegaleses desataram a fugir e aproveitamos para tirar dali os nossos.

Foi assim que fugiram - descalços. Fizeram 40 quilómetros até à fronteira escoltados por nove homens do meu grupo, enquanto outros 10 ficaram para trás a aguentar os tipos do PAIGC.

Quando finalmente chegaram à Guiné Portuguesa, voltámos para trás para dar porrada aos guerrilheiros. Foi uma operação em que ganhei a Torre Espada, recorda Marcelino .” ]


O Autor não refere a fonte de onde extraiu este episódio, que nos faz lembrar os filmes de cowboys.

A
CCaç 1546 pertencente ao BCaç 1887 comandado por um grande combatente Ten Cor Agostinho Ferreira, seguiu em 13Maio66 para Piche, a fim de efectuar a instrução de adaptação operacional, sob orientação do BCaç 1856, até 02Jun66.

Seguidamente foi colocada em Nova Lamego, como subunidade de intervenção e reserva do Comando-Chefe e orientada para actuação na Zona Leste, onde foi atribuída ao Agr 24. Inicialmente, foi utilizada em operações realizadas nas regiões de Bucurés/Camajabá, Madina do Boé, Ché-Ché e Beli, entre outras, em reforço do BCaç 1856.

De 20 a 22Set66, foi utilizada numa operação realizada na região de Madina-Enxalé, em reforço do BCaç 1888.

Em 20Out66, transferiu a sua sede para Fá Mandinga, mantendo-se em reforço do BCaç 1888, tendo realizado várias operações nas regiões de Xitole, entre outras.

Em 16Dez66, foi substituída em Fá Mandinga pela CCAÇ 1589 e recolheu seguidamente a Bissau, onde se manteve até 27Dez66, após o que seguiu para Binta. Em 28Dez66, rendendo a CCaç 1550, assumiu a responsabilidade do subsector de Binta, com um pelotão destacado em Guidage, ficando então integrada no dispositivo e manobra do seu batalhão, BCaç 1887.

Em 13Jan68, foi rendida pela CArt 1648 e recolheu seguidamente a Bissau, a fim de aguardar o embarque de regresso.

[In, Estado-Maior do Exército – Comissão para o Estudo das Campanhas de África ( 1961-1974 ), 7.º Volume – Fichas das Unidades - Tomo II – Guiné – 1.ª Edição – Lisboa 2002]

Ora, face à experiência de combate desta Unidade CCaç 1546, como decorre do seu pequeno historial, qual é o Combatente de boa fé que acredita nesta história que nos faz lembrar os filmes de cowboys?

Não vi, não ouvi e nem li e nem acredito que algum dos gloriosos Combatentes desta UNIDADE pertencente ao glorioso BCaç 1887, comandado por um Comandante de gabarito, Ten Cor Agostinho Ferreira, que alguma vez tenham omitido uma tamanha humilhação resultante do episódio descrito no mencionado livro intitulado "No mato ninguém morre em versão John Wayne, Guiné o Vietname português", págs 71/72 da autoria . da autoria de Jorge Monteiro Alves.

O nosso camarada bloguista Domingos Gonçalves, ex-Alferes da CCaç 1546[**], que esteve sediada em Binta com um Pelotão destacado em Guidage, e que por duas vezes esteve a comandar o pelotão destacado em Guidage, não faz qualquer alusão no seu diário composto por 3 volumes a um episódio de semelhante natureza.

Eu também nunca ouvi da boca de vários elementos dos “Roncos de Farim“, inclusive do próprio Marcelino da Mata, tamanha façanha, caso contrário teria mencionado no meu livro “Os Roncos de Farim“, na medida em que tratava-se de uma intervenção do grupo e por certo teria de ser comandado pelo Alf Filipe Ribeiro, à altura comandante deste grupo aguerrido, que não era e nunca foi comandado por Marcelino da Mata.

Vamos lá desfazer as mentiras, nem oito, nem oitenta.

Carlos Silva

____________

Notas do editor

[*] - Vd. poste de 13 DE SETEMBRO DE 2021 > Guiné 61/74 - P22539: Notas de leitura (1381): "No mato ninguém morre em versão John Wayne, Guiné o Vietname português", por Jorge Monteiro Alves; LX Vinte e Oito, 2021 (Mário Beja Santos)

[**] - Vd. poste de 20 DE DEZEMBRO DE 2014 > Guiné 63/74 - P14057: (Ex)citações (255): O Marcelino da Mata, que foi um militar valoroso, não precisa que se inventem, e lhe atribuam episódios desse género (Domingos Gonçalves)

3. Esclarecimento do camarada Domingo Gonçalves.

Prezado Manuel Luís Lomba:
Respondendo ao teu pedido de esclarecimento tenho a referir o seguinte:
Quando se realizou a operação em causa eu estava a comandar o destacamento de Guidage pelo que acompanhei muito de perto a operação Chibata.
Os Comandos de Farim - os Roncos -, como eram conhecidos, participaram na operação, comandados pelo Marcelino da Mata, que teve, uma intervenção importante no desenrolar dos acontecimentos.
Participei, aliás, em várias ações levadas a cabo pela CCAÇ 1546, reforçada pelo citado grupo. O Marcelino era um combatente arrojado. Teve influência decisiva em várias ações de combate. Ele e o grupo, claro.
Contudo, sobre o episódio da libertação de prisioneiros, pertencentes à minha Companhia, apenas posso referir, que é mentira. Quer a minha Companhia, quer as outras duas, a 1547 e a 1548, que integravam o BCAÇ 1887, fizeram, ao longo da sua permanência na Guiné, prisioneiros, mas não sofreram prisioneiros.
Vi, também, na Net, a descrição do episódio que referes. Uma libertação, aliás, de prisioneiros, de forma bastante simplória. Como disse, é pura mentira.
O Marcelino, que foi um militar valoroso, não precisa que se inventem, e lhe atribuam episódios desse género.


Último poste da série de 12 DE SETEMBRO DE 2021 > Guiné 61/74 - P22538: (Ex)citações (391): Ainda não sabemos a proveniência da foto de capa do livro do TCor Pedro Marquês de Sousa, "Os números da guerra de África" (Guerra e Paz Editores, 2021), escolhida pela editora (António Bastos / Carlos Vinhal)

18 comentários:

A, Mendes disse...

"Exageros do Marcelino da Mata?"
Tenho o livro , obsequiado pelo autor, li, e ja tive opurtunidade em circulo de combatentes da,Guine, de manifestar a minha estranhesa, e tambem ao autor, de algumas "historias" que foram pouco escrutinadas, ou consubestanciadas em fontes figdignas. A ida de Marcelino da Mata a Mocambique deveria ser pesquisada pelo autor, poi Marcelino nunca esteve em tal lugar. Foi me pedida autorizacao para ser mencionado um testemunho meu sobre Guidage , o que anui, com a condição de nada ser alterado. Foi cumprido. Privei com o Marcelino da Mata, na Guine, no
Regimento de Comandos da Amadora, e pela vida fora privamos em muitos e muitos eventos. Nos 10 de Junho, em encontros da 38ªCCmds onde esteve presente de norte a sul. Estive sempre presente em todos os casos dificeis, pagamentos e penhoras bancarias( foi publica a subscrição) nos seus an8versarios , tivemos longas conversas e nunca , mas nunca o ouvi mencionar "resgate de Companhias". Alias, na atribuicao da 1a torre espada nada consta sobre tal acontecimenro. Ainda sobre o livro, o autor pediu me para falar com o Marcelino sobre uma entrevista , o mesmo recusou , estava a decorrero proceso para a promocao(ja dado o aval) o que transmiti ao autor do livro. Teremos de encarar o livro como uma obra de ficção do farwest e caboyada...Fiquei triste pelo cintydo do livro, desmarquei- me na aperciacao publica pelo conteudo falicioso e pouco cretirioso, mas iytros na mesma linha têm surgido , usando e abusando em nome dos combatentes, que so envergonham os autores.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Releia-se, a este propósito, o poste de 20 de dezembro de 2014, Guiné 63/74 - P14057: (Ex)citações (255): O Marcelino, que foi um militar valoroso, não precisa que se inventem, e lhe atribuam episódios desse género (Domingos Gonçalves)

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2014/12/guine-6374-p14057-excitacoes-255-o.html


O nosso camarada Domingos Gonçalves (ex-Alf Mil da CCAÇ 1546 / BCAÇ 1887, Nova Lamego, Fá Mandinga e Binta, 1966/68) responde aqui a um comentário de Manuel Luís Lomba (ao poste de 15 de dezembro de 2014 > Guiné 63/74 - P14033: Memórias da CCAÇ 1546 (Domingos Gonçalves) (7) - Reportagens da Época (1967): Guidaje - Assalto a Cumbamory - Operação Chibata.

Escreveu o Manuel Luis Lomba:

(…) “O nosso grande Marcelino da Mata disse, reprodução do blogue "Rangers & Coisas do MR", que o assalto foi feito por ele e o seu grupo "Roncos de Farim" e que os quatro mortos, dois europeus e dois africanos, pertenciam-lhe.

E disse que que a CCaç 1546 havia sido apanhada à mão numa operação junto à fronteira, em Agosto [de 1967], e que foi ele e o seu grupo de Comandos que a foi libertar do cativeiro no Senegal, trazendo-os de regresso... em cuecas”. (…)

E perguntava no fim: “Como para nós a guerra nunca acaba, podes esclarecer?”


A resposta do Domingos Gonçalves (que fez várias operações com os “Roncos de Farim”) não podia ser mais perentória:

(…) "Sobre o episódio da libertação de prisioneiros, pertencentes à minha Companhia, apenas posso referir, que é mentira. Quer a minha Companhia, quer as outras duas, a 1547 e a 1548, que integravam o BCAÇ 1887, fizeram, ao longo da sua permanência na Guiné, prisioneiros, mas não sofreram prisioneiros.

Vi, também, na Net, a descrição do episódio que referes. Uma libertação, aliás, de prisioneiros, de forma bastante simplória. Como disse, é pura mentira.

O Marcelino, que foi um militar valoroso, não precisa que se inventem, e lhe atribuam episódios desse género."(…)

O Domingos Gonçalves tem 6 dezenas de referências no nosso blogue,e é autor justamente da série "Memórias da CCAÇ 1546":

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/search/label/Domingos%20Gon%C3%A7alves

JB disse...

Enquanto existirem testemunhos vivos(!) dos acontecimentos será fácil desmascarar mentiras.

Mais tarde?

Será outra a "história",ao critério de "historiadores" com agendas próprias,sejam elas políticas ou simplesmente do foro económico.

Abraco do J.Belo

Valdemar Silva disse...

Realmente, é como escreve J. Belo.
Enquanto por cá andamos ainda vamos testemunhando os acontecimentos, mesmo assim nunca fiando: ainda há a descoberto gente da "5ª. REP", do 'palavra d'honra qu'é verdade' e do 'isso passou-se comigo'.

Fernão mentes? Não, Pinto, Fernão Mendes Pinto.

Abraço
Valdemar Queiroz

Tabanca Grande Luís Graça disse...

É difícil, no nosso blogue, contar "galgas" (notícias falsas, segundo o dicionário, mentiras, petas, boatos, "fake news", em inglês) sobre a Guiné e a guerra que conhecemos de 1961 a 1974, seja de um lado ou do outro, porque nós... estivemos lá! E depois éramos ouvintes da Maria Turra, e do PIFAS, duas estações de rádio que nos mantinham "sempre bem informados" sobre a atualidade político-militar da Guiné... Não eram perfeitas, mas cumpriram o seu papel noticioso e propagandístico, embora pecando uma por excesso (a Maria Turra), a outra (o PIFAS) por defeito...

E há mais de dezassete anos que estamos aqui a partilhar memórias, uns com os outros, numa boa, procurando, tanto quanto possível, não atropelar a verdade dos factos (topónimos, nomes, datas, etc.).

Ainda há dias o Carlos Silva comentava comigo, ao telefone, o facto de, em relação a antigos combatentes que agora já estão no Olimpo da Guerra (e que devem estar agora juntos, a gozar à brava connosco, que ainda ca ficámos, por mais uns tempitos, neste vale de lágrimas), ser já dificíl, se não mesmo impossível, separar o trigo do joio...

Ele referia-se concretamente ao nosso camarada Marcelino da Mata, mas eu também estou a pensar num outro "cabra matcho", este do "outro lado do combate", que foi o 'Nino' Vieira, um verdeiro "mito" no meu tempo...

Duvido que alguém, um dia, consiga escrever a história direita de um e outro... É como os heróis africanos do passado, cuja memória ia sendo alimentada pelos "didjius", de tabanca em tabanca, de geração em geração... A cultura oral africana alimenta(va)-se do "realismo fantástico", e quando se falava do balanço de uma batalha tanto fazia falar-se em mil com num mihão: para o ouvinte das lendas e narrativas africanas (como para o homem simples das sociedades simples, sem escrita...) tudo o que seja mais do que os dez dedos da mão já "manga de"...

Mas não é preciso ir mais longe: vejam-se as nossas "lendas e narrativas populares" ou a "mitologia grega"...Ou de toda a "antiguidade clássica", do Egito antigo ao Império Romano; apesar de serem já sociedades com escrita, eram/são bem diversificadas as "versões" que corriam sobre as bondades e as maldades dos deuses e dos heróis (que são sempre mais do que homens mas menos que deuses)

No nosso blogue, procuramos evitar que quem conte um conto, lhe acrescenta logo mais um ponto... Em relação à "companhia em cuecas" (um insulto para os nossos camaradas da CCAÇ 1546) seria interessante descobrir a origem da "anedota" de mau gosto...

É pena que o Jorge Monteiro Alves, autor de "No mato ninguém morre em versão John Wayne", tenha feito "copy and paste" de algumas excertos de relatos do Marcelino da Mata, da sua autoria ou a ele atribuídos, de maneira "acrítica", e sem qualquer controlo da fonte... É caso desta "história" mirambolante...

Há coisas, de um lado e do outro (, lembro por exemplo a notícia da declaração unilateral da independência da Guiné, em Madina do Boé, em 24 de setembro de 1973) vão sempre reproduzidas "ad nauseam", falsas ou deturpadas, e sobretudo "descontextualizadas"...

É bom que apareça aqui alguém a pôr os pontos nos ii, com credibilidade e autoridade, como os nossos camaradas Carlos Silva e Domingos Gonçalves.

Anónimo disse...

Amigos e Camaradas

Vamos lá repor a verdade dos factos

1 – O Marcelino da Mata nunca foi o Comandante do pelotão “ Os Roncos de Farim”
Aliás está provado testemunhal e documental no meu livro.
O meu Comandante do BCaç 2879 Ten Cor Agostinho Ferreira, que também foi Comandante do nosso camarada Domingos Gonçalves no BCaç 1887 sempre disse que um pelotão era comandado por um alferes e foi assim que foi comandado pelo Alf Filipe Ribeiro da CCaç 1585 quando o grupo foi constituído.
Em Outubro de 1967 devido ao Filipe Ribeiro estar prestes a findar a comissão, o grupo passou a ser comandado pelo Alf Morais Sarmento, vid meu livro pág 94
Posteriormente passou a ser comandado pelo Alf Neves da CCav 1748, pág 121 e por fim, no meu tempo pelo Furriel Cherno Sissé, vid pág 145
Pelo que, o esclarecimento do Domingos Gonçalves quando refere:

“Os Comandos de Farim - os Roncos -, como eram conhecidos, participaram na operação, comandados pelo Marcelino da Mata, que teve, uma intervenção importante no desenrolar dos acontecimentos”

Nâo é correcto.
Assim como não é verdade que nessa operação “Chibata” a Cumbamori em 11-12-1967 os “Roncos” fossem comandados pelo Marcelino da Mata, na medida em que eram comandados pelo Alf Morais Sarmento, vid pág 115, pelo que, aproveito para corrigir o meu lapso quando referi o Alf Filipe Ribeiro que nessa altura a CCaç 1585 creio que já estava em Quinhamel a preparar o regresso à Metrópole

Foi em resultado destas acções que tanto o Marcelino da Mata e o Cherno Sissé foram condecorados com a Torre Espada.
O Marcelino da Mata não foi condecorado em resultado de uma mentira como referida na pág 71/72 do livro de Jorge Monteiro Alves, quando este imputa uma façanha maquiavélica do resgate dos 150 combatentes ….

Carlos Silva


Valdemar Silva disse...

Carlos Silva
Eu já referi o interesse em vermos os textos dos louvores e condecorações do Marcelino da Mata.
Isso possível? Não faço ideia como, mas seria de todo o interesse.

Abraço e saúde
Valdemar Queiroz

João Carlos Abreu dos Santos disse...

... após ter lido, com interesse a devida atenção, cada um dos sucessivos comentários apostos aos p22481/22488/22539/p22548, apesar de correr o risco de "beneficiar o infractor" jornalista com desmerecida publicidade, entendo meu dever, apenas a título de esclarecimento e contributo para a História, factual, regressar à liça e partilhar breves tópicos sobre alguns "quando, onde, como, quem", etc.
2ªfeira 11Dez1967, região fronteiriça norte-centro da Província Ultramarina da Guiné Portuguesa, Op Chibata lançada pelas NT sobre território senegalês do Casamance:
Na sequência do golpe-de-mão sobre acampamento do PAIGC em Mampatás, e consequentes reacções entre o IN e as NT (chefiadas pelo cmdt da CCac1546*), morrem os seguintes quatro militares do Exército Português:
- António Pires Correia (nat.Favaios/Alijó), sld atirador n/m 09852166 da CArt1691* (então adstrita ao BCac1887);
- Fodé Baio (nat.Bigene/Farim), sld milícia nº 53/64 do PelMil116/CMil5 (adstrita ao BCac1887);
- José Miranda (nat.SMartinho-de-Mouros/Resende), sld básico n/m 01025765 da CCS/BCac1887;
- Saliu Jaló (nat.NSrªGraça/Farim), sld milícia nº 26/64 do PelMil116/CMil5 (adstrita ao BCac1887);
Nenhum dos corpos daqueles malogrados militares foi possível resgatar, nem localmente nem para solo da Guiné Portuguesa.
Quanto ao grupo especial 'Os Roncos': muito embora sendo na prática um pelotão - naquela data comandado pelo alferes miliciano atirador de infantaria José Júlio Barbosa de Morais Sarmento -, na prática operacional foi de facto orientado pelo 2Sg cmd Marcelino da Mata (da CCac1548), o qual participou muito eficazmente na Op Chibata.
Nenhum dos textos publicados naquela grosseira "narrativa jornaleira" - farwest-vietnam-&-não-sei-quê -, se refere especificamente à Op Chibata (11Dez1967) ou à precedente Op Cajado (02Jan1967), sequer a uma outra intercalar Op (cujo nome ainda desconheço), igualmente executada por tropas do BCac1887 infiltradas no Casamance, no dia 19Jun1967, sendo no entanto certo que em qualquer uma dessas, 'Os Roncos' e o cmd Marcelino da Mata actuaram com sucesso.
Sobre a «façanha maquiavélica do resgate dos 150 combatentes» (Carlos Silva 'dixit'): aquela estória do resgate dos 150 é efabulação antiga; e nunca me mereceu crédito... até porque a "história oral", sendo uma moda, tem demasiados alçapões por tal carece, sempre, de cotejos com fontes variadas, como no 'caso de estudo' em apreço 'qed' à saciedade.
--
* (notas: os resultados da Op Chibata, designadamente pela quantidade de armamento capturado e inimigos abatidos, mereceram que Fernando Luís Banha Soares Carracha, cap mil inf, fosse agraciado c/ CG.3ª classe; Cherne Sissé, 1Cb n/m 82021956 da CArt1691, c/ CG.2ªclasse; e António Nestor Alves Crespo, 1Cb, c/ CG.4ªclasse; a título colectivo, a CArt1691 veio a ser agraciada c/ CG.1ªclasse, pelo conjunto de op's em que actuou; relativamente a Cherne Sissé (1Cb inf nº 108/56 da CCS/BCac1887 - não confundir com Cherno Sissé supra mencionado), e a Marcelino da Mata, a atribuição individual da Torre e Espada (ao 1º em 01Jul1970 quando furriel na 1ªCCmdsAfr e ao 2º em 06Jun1969 entretanto colocado no CICmds/CTIG), nenhuma relação específica tem com uma qualquer Op em concreto).

João Carlos Abreu dos Santos disse...

Os conteúdos, integrais, de cada um dos louvores que originou atribuição de sucessivas cinco condecorações militares ao Português nascido na Guiné, Marcelino da Mata, desde há mais de uma década se encontram disponíveis 'urbi et orbi', 'online, aqui >
http://ultramar.terraweb.biz/CTIG/Imagens_CTIG_TenCorMarcelinodaMata_AsCondecoracoes.htm

Anónimo disse...

Caro João Carlos Abreu dos Santos

Não trouxe acrescentou absolutamente nada de novo em relação ao meu trabalho único e fundamentado.
Aliás, refere uma inverdade. Pois Marcelino da Mata, meu amigo pessoal que conheci cá há mais de 20 anos, na altura da operação Chibata era 1º cabo da CCS do Bat Caç 1887. e Não 2º Sargento e foi promovido a furriel quando saiu de Farim em Janeiro de 1968, não sei a data, mas pode-se confirma-se no seu assento militar ou folha de Serviços ?
Para sua informação que é um fervoroso adepto da "terraweb" este site também contém inverdades. Pois Há dias vi uma publicação nesse site em que afirma ser o Cherno Sissé, Comando, já o disse de forma categórica aos dirigentes e na Associação de Comandos, que o Cerno Sissé, nunca foi comando na vida. O Cherno era 1966 era da 5ª Companhia de Milícias em Farim, e passou a alinhar com a CCaç 1585 enquanto 1º cabo e ele eo 1º Cabo Marcelino da Mata da Cª de Transportes do BEN447 que depois foi para Farim para o BCaç 1887/CCS foram integrados no Pel dos Roncos de Farim formados em Novembro de 1966. O Cherno Sissé em 1970/71 era Furriel e nessa época era o Comandante dos Roncos, alinhei várias vezes com o meu pelotão e o dele para o mato quando estiveram de Reforço à minha Companhia em Jumbembem. Quando se extinguiu o Pel dos Roncos talvez fins de 1971 ou princípios de 1972 o Cherno e outros elementos foram integrados na CCaç 14, e quando foi ferido veio evacuado para a Metrópole. Era comandante da CCaç Caç 14 na altura o Cap José Pais já falecido.
Leia os livros
De qualquer modo não venha para aqui com tretas, porque eu falo do que sei, não só com fundamentos, mas também porque estive lá no terreno e palmilhei os trilhos e picadas de todo o Sector de Farim
Reitero que não acrescenta nada de novo, assim como invoca uma inverdade no que se refere ao Marcelino da Mata.
E já agora aproveito para lhe pedir o favor de dizer aos seus amigos da "terraweb" para retirarem a qualidade de Comando ao Cherno Sissé, que nunca o foi. Foi isso sim um valoroso militar condecorado com a "Torre Espada" com o qual tive o privilégio de conviver e de partilhar os mesmos aposentos em Jumbembem porque éramos furriéis.
Para mais informação e se estiver interessado em aprofundar o que foram os Roncos leia o meu livro "Os Roncos de Farim" único trabalho, embora incompleto, em Portugal que se debruça sobre este valoroso grupo.
Cumprimentos
Carlos Silva

Valdemar Silva disse...

Carlos Silva, há cada uma ou cada um como se queira.
Veja-se/leia-se que o pelotão dos "Os Roncos", naquela data note-se, tinha dois comandantes: o comandante do pelotão e o comandante da prática operacional!!. Não nos digam que é uma daquelas conversas de café '...pois, eu é que mandava ...'.
Provavelmente o jornalista/escritor Jorge Monteiro Alves foi beber episódios às transcrições dos Louvores/Condecorações da "terraweb", com autênticas pérolas cinematográficas, como '...., pessoalmente, causou ao inimigo elevado número de baixas', diz um dos Louvores para uma situação concreta, e no '....Teatro de Operações' fez confusão por causa do T maiúsculo.

Abraço e saúde
Valdemar Queiroz

João Carlos Abreu dos Santos disse...

Valdemar Silva, converse comigo, se pretende argumentar faço-o em termos correctos e dirija-me directamente a palavra, não a terceiros.
Votos de saúde.

João Carlos Abreu dos Santos disse...

Carlos José Pereira da Silva, que foi furriel miliciano na CCac2548 (Farim 30Jul1969, Jumbembem 05Jan1970, Cumeré 12Jun1971).
Os termos que me dirigiu, à distância, não me merecem qualquer resposta, escrita.
Acaso pretenda terçar argumentos, sugiro vivamente que proceda a outros recursos.
Chamo a atenção do editor e do co-editor deste blogue, para as múltiplas e variadas ofensas verbais daquele membro do vosso blogue, proferidas em tom inapropriado e que considero ofensivo da minha dignidade e honra pessoal.

Anónimo disse...

Valdemar Queiroz

Eu transcrevo no meu livro a págs 124/125 " Os Roncos de Farim " o Alvará de Concessão de 6-6-1969 da condecoração com a Torre Espada do 2º Sargento de Engenharia Rodoviária Marcelino da Mata ( e não Comando, como referem muitos camaradas Comandos, pois a Marcelino da Mata só muito mais tarde é que lhe foi atribuída a especialidade/qualidade de Comando) logo o Marcelino não foi condecorado enquanto Comando, como os Comandos tanto gostam de invocar, mas sim como militar de Engenharia. A págs 126 transcrevo a promoção a Alferes do Serviço Geral do Exército, com antiguidade reportada a 1-08-1973 e a Tenente e a Capitão do referido Serviço desde 18Dez80 por de Decisão do Conselho de cujo Órgão de Soberania tanto mal falam por aí.
Quanto ao meu camarada Fur Cherno Sissé também transcrevo no meu livro citado a págs 127/128 o Alvará de concessão de 3-06-1970 da sua condecoração com a Torre de Espada.
Sobre os textos das condecorações, quer com a Torre Espada e Cruz de Guerra, vem publicados nos Diários do Governo, mas compilados nos livros do EME - Campanhas de Àfrica que comprei
No que se refere aos louvores creio que não são públicos, pois vêm transcritos nas cadernetas militares para as praças e sargentos e nos Assentos/folhas de serviço ? para oficiais.
Abraço
Carlos Silva

Anónimo disse...

Valdemar Queirós

Atrás quando menciono Conselho, claro que quero referir-me ao Conselho da Revolução.

Carlos Silva

Anónimo disse...

Caro João Carlos Abreu dos Santos

Tenho o bom senso de não trata de forma inapropriada ou ofensiva seja quem for.
Em resumo referi que o camarada em minha opinião não trouxe nada de novo à colação e não acrescentou nada de novo e referi que não era verdade o que mencionou sobre Marcelino da Mata que não era 2º Sargento na data em que se realizou a OP Chibata e nem comandava os Roncos o que é verdade, contrariamente ao que afirma.
Bem como também mencionei que o 1º Cabo Cherno Sissé, meu camarada Furriel em 1970 nunca foi Comando, contrariamente ao que vi publicado na "terraweb".
Se conseguir provar o contrário, eu humildemente penitencio-me.
Cumprimentos

Carlos Silva

João Carlos Abreu dos Santos disse...

... pelos vistos, Carlos Silva, não entendeu - ou não quer entender -, que, da minha parte, não irá obter qualquer réplica, escrita.

Valdemar Silva disse...

Carlos Silva
Realmente lendo as transcrições dos Louvores/Condecorações publicados no "terraweb" até parecem escritos todos no mesmo dia e pelo mesmo redactor, que quer sempre vincar o "Comando", ao ponto de o do primeiro Louvor acabar '...estima e consideração de todos os "Comandos".
Em 1964, na Guiné, todos os "Comandos" ?!?!.
Note-se que digo escritos/redigidos e não transcritos.

Abraço
Valdemar Queiroz