quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Guiné 63/74 - P9317: O último Chefe do Estado-Maior do CTIG, Cor Cav Henrique Gonçalves Vaz (Jan 1973/ Out 74) (Parte IV): Agosto de 1974: ainda o caso do BCAV 8320/72 (Bula, 1972/74) (Luís Gonçalves Vaz)

1. Do Luís Gonçalves Vaz em comentário ao poste P9190 (*), em resposta a um comentário (infelizmente anónimo, e que por essa razão foi eliminado, não só por ser anónimo como por pôr em causa a honorabilidade do Cor CEM Henrique Gonçalves Vaz, infelizmente já desaparecido):

Para que não fique nenhuma dúvida:

1º) Muitas das "..." [aspas e reticências] são originais e do próprio punho do já falecido, Coronel Henrique Gonçalves Vaz, Chefe do Estado-Maior do CTIG na altura;

2º) O estive é mesmo "ESTIVE", não duvide ...

3º) É claro que o coronel Henrique Vaz esteve "em contacto" com os elementos do Batalhão em questão, ao ponto de o Comandante do CTIG ter criticado a sua actuação, conforme se pode inferir pela nota pessoal (in: Agenda do Chefe do Estado-Maior do CTIG) do dia 23 de Agosto de 1974 (ainda inédita neste Blogue);

4º) Todas as Notas que existem, sobre este episódio, são as seguintes; como tal os caros leitores que tirem daí as suas conclusões;

Bissau, 22 de Agosto de 1974


"... História do Batalhão de Cavalaria nº 8320  do Tenente-Coronel Ferreira da Cunha, que se pôs a andar do CUMERÉ, depois da 3ª refeição, em direcção a Bissau, a pé, sob chuva inclemente. Minha actuação [...]. "

Coronel Henrique Gonçalves Vaz
(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 23 de Agosto de 1974


"Como na noite anterior me deitei muito após as 2h, talvez 3 da manhã, levantei-me um pouco depois das 7.30H. A minha "actuação" foi criticada pelo Brigadeiro Cmdt nestes termos: "quem o mandou lá? Fazer concessões em meu nome?!"

Lá lhe expliquei os motivos do meu procedimento. Em vez de me felicitar, eis o que deu! Durante o dia, as "resistências" do Batalhão indisciplinado vieram ao de cima ... [reticências do próprio] e não teve remédio (o Comandante Militar) senão [...] ceder!, fazendo embarcar o pessoal amanhã à tarde! Eu não desisti e chamei sempre à atenção para a gravidade da situação. ..."

"... Reuni com a comissão que veio de Lisboa sobre os 'Planos de Retirada': Hipótese A e B. Mandei fazer a lista uma a uma para [...]."

Coronel Henrique Gonçalves Vaz
(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 24 de Agosto de 1974


"... O UIGE com o Batalhão do Cunha, o 'famigerado' Batalhão de Cavalaria nº 8320 de Bula, partiu a princípio da madrugada para Lisboa. Estive [algum tempo ou atento?] no Cais a vê-los partir! Disseram-me que até hastearam uma bandeira vermelha com a foice e o martelo!..."

Coronel Henrique Gonçalves Vaz
(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
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Nota1:


Espero ter esclarecido mais um pouco este episódio, mais não poderei dizer, pois já não estava na Guiné, na altura destes acontecimentos.

Nota2: 


O brigadeiro Comandante na altura, penso que seria o Brig Galvão de Figueiredo...

Nota3:

Não consigo ler bem,  na Nota do dia 24, a palavra a seguir a "Estive": será "algum tempo" ou "atento", já que na sua escrita o coronel Henrique Vaz utilizava muito as abreviaturas.

Nota final:


A análise crítica de causas e consequências deste episódio só poderá ser realizada pelos próprios intervenientes, e ainda vivos. Como tal fica aqui o desafio, mas serão importantes para "Memória Futura" e para a História da Descolonização, se o fizerem de uma forma "franca, transparente e construtiva", e sempre que possível de uma forma "não emocional"…

Abraços deste Tabanqueiro

Luís Gonçalves Vaz
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Nota do editor:

(*) Vd. poste de 13 de dezembro de 2011 > Guiné 63/74 - P9190: O último Chefe do Estado-Maior do CTIG, Cor Cav Henrique Gonçalves Vaz (Jan 1973/ Out 74) (Parte II): Agosto de 1974: rebelião da CCAÇ 21 (Bambadinca) e do BCAV 8320/72 (Bula)

3 comentários:

Luís Graça disse...

Faço um apelo para que o camarada que fez o comentário do dia 17 de dezembro, e que por lapso (ainda) não se identificou, para que apareça, ou nos escreva, dando informação mais circunstanciada da partida (aparentemente tumultuosa) do pessoal do BCAV 8320/72, em Agosto de 1974...

Se és leitor do nosso blogue, sabes que estamos aqui "não para julgar ninguém", mas para "partilhar memórias e afetos"... LG

________________

PS - O nosso mail é o:

luisgracaecamaradasdaguine@gmail.com

zeca disse...

lamento ter que desmentir: o que foi comentado. 1º o Henrique VaZ, foi Comandante até o 25 de Abril, sendo subestitudo pelo Carlos Fabião 2º a referido Batalhão do qual eu fazia parte, não se pode dizer que era indisciplinado, pois não o era, mas com 26 meses e companhias com 13 e 14 meses a virem embora e nós ficarmos por lá não se sabia a fazer o quê, e foi essa a razão da indignação não revolta. 3º o Comandante não teve nada a ver com a tal indignação, pois ele tentou impedir a nossa saida, do Quartel sem exito, pois ele quando teve conhecimento da nossa intenção disse que só saiamos por cima do seu CADAVER, e nóz respondemos que se isso fosse o motivo para nos virmos embora, emtão passavamos, e foi quando caminhamos pora BISSAU, e fomos parados, por uma força militar, já não me lembro se JOÃO LANDIM, sei que era um crusamento para BULA, e estava uma companhia ai instalada que se solidarisou comnosco, e disseram que se algo nos fisecem que teriam que se haver com eles, pois nóz tinhamos rasão, depois de converçações vieram os carros dos adidos, para nos levarem de regreço com a promeça de embarque, o que vei a acontecer, nós fomos folocados dentro do barco, e como tinha sido uma semana muito chuvosa, quiseram reternos no cais em BISSAU, e foi quando nós amweaçamos que tudo que estava no cais ia para a agua, e o Carlos Favião deu ordens, para partir, podem diser que isto éra indisciplina, eu digo INDIGNAÇAO. Quanto ás ditas bandeiras e foi no transporte do CUMURÉ até ao CAIS de embarque, e falta dizer que em LISBOA desembarcamos há civil, pois o espolio foi feito ao largo de LISBOA dentro do barco, muitas mais estórias tenho para contar, mas, mas fico-me por aqui com a certeza que esclareci uma estória que esta mal contada. Abraços a todos quantos por la passaram.

zeca disse...

Lamento o meu lapso, mas confundi, com o GOVERNADOR, e peço desculpe pelo que afirmei, mas comprenda já lá vai muito tempo, espero que compreenda.