domingo, 7 de junho de 2015

Guiné 63/74 - P14708: (Ex)citações (276): Sexo em tempo de guerra... De Ganturé ao Pilão (Mário Gaspar, ex-fur mil At Art, MA, CART 1659, Gadamael e Ganturé, 1967/68)



Guiné > Região de Tombali > Canturé > CART 1659 (166/68) > Foto nº 1  > A bajuda mais linda de Ganturé



Foto nº 2


Foto nº 3



Foto nº 4


Foto nº 5


Foto nº 6  > A primeira, do lado esquerdo, foi minha lavadeira


Foto nº 7


Guiné > Região de Tombali > Canturé > CART 1659 (1967/68) > Beldades de Canturé.


Fotos (e legendagem): © Mário Gaspar (2015). Todos os direitos reservados Edição: LG]



1. Texto enviado ontem pelo Mário Gaspar (ex-Fur Mil At Art e Minas e Armadilhas da CART 1659, Gadamael e Ganturé, 1967/68; e, como ele gosta de lembrar, Lapidador Principal de Primeira de Diamantes):



Assunto: Filhos da guerra



Caros Camaradas

Já enviei um texto sobre o tema, oara publicação … Nós nunca poderíamos ser "santinhos", nem ponho a hipótese de violações. A verdade é que o Soldado português era Homem.

Exibicionismo? Nunca assisti! No mínimo dos mínimos o que se fazia era pela calada da noite, naquilo que conheço.


Cumprimentos

Mário Vitorino Gaspar


2. Sexo em tempo de guerra: de Ganturé ao Pilão

por Mário Gaspar



O nosso Camarada Jorge Cabral disse,  no Cinema São Jorge no dia 22 de Maio último sobre o tema “Filhos da Guerra”: (i) que defendia a honra do soldado português na Guiné; (ii) que " não éramos emprenhadores compulsivos”; (iii) que 80 a 90% dos soldados portugueses na Guiné não tiveram relações sexuais…”;  e (iv) que "a prostituição organizada se restringia a Bissau…”. (*)

Por aqui fico. Estou totalmente de acordo com o Camarada, acrescento novamente:  aqueles que “não estavam virados do avesso” – não gosto dessa gente – tinham necessidades normais para a idade. Os soldados portugueses eram,  na grande maioria,   virgens e alguns perderam a virgindade na véspera da despedida da namorada ou noiva. Existem estudos sobre o tema e participei nos debates. É mesmo verdade. E estive lá, na Guiné, e fico pasmado com os camaradas que percorreram aquelas paragens e que contestam.

No meu Livro “0 Corredor da Morte”, no Capítulo 9 (“O Rebentamento Durante o Batuque”), pode-se ler:
Estamos em Ganturé, 4 de Julho de 1967 (…). Do outro lado,  uma das mulheres do régulo – a mais nova – dono e senhor da população e colaborador da nossa tropa, com o posto de tenente de 2.ª linha Abibo Injasso, dirigia-se para a habitação fronteiriça, com um aspecto bem diferente das outras, como se fosse a rainha. (…). A mulher mais nova daquele rei,  de olhos escuros e seios grandes e firmes, que se soltavam do corpo gracioso quando caminhava. Era esbelta. Vestia um pano com cores berrantes, enrolado da cintura até aos joelhos. Sorri-me, notando­‑lhe os lábios carnudos rompendo-lhe o rosto. Atraía-me aquela mulher, que há bem pouco pilava, como se de uma dança se tratasse. 

(…). Ouvia-se o batuque. Aquele som, era diferente, bem diferente dos bailes em Alhandra, normal­mente aos sábados. A música vinha com eles do ventre. Eram sons vivos e ritmados que convidavam à dança. A mulher mais nova do régulo avançava, seguramente em direcção do batuque. O enrolar da saia, aquele acto de enrolar, assemelhava-se decerto ao ritual do toureiro, quando veste o seu traje de luzes, enrolada da cintura para baixo, deixando ver um palmo acima do joelho, e antevendo-se o nu do corpo escuro e brilhante. Uma volta, e outra, que com o andar, deixavam ver as pernas bem torneadas, não no torno das oficinas da Fábrica Grande, mas no do nascimento. As ancas carnosas sentiam-se roçando, num movimento ligeiro e cadenciado, o tecido multicolor. Seguiam-se uns seios harmoniosos, espetados, com os bicos tenros ainda, de rosas. Era aquilo que nós chamávamos naquelas terras: - de “mama firme”. 

As relações sexuais eram impensáveis. Se o Abibo soubesse! Toda a que fosse apanhada com o branco, era severamente castigada, depois de sujeita a um “julgamento”, em que participavam “os homens grandes”. Funcionava o chicote, tal e qual como nos filmes de histórias da escravatura dos americanos. As madeiras das traves que sustentavam o alpendre daquela tabanca luxuosa, que não era luxo, serviam para amarrar as “pecadoras” que cometessem adultério. Depois funcionava o chicote. Eram os usos e costumes daquele povo onde o Abibo era rei e senhor. (…). 

Mesmo em frente lá estava o centro das atenções daquela festa, o famigerado batuque. Os ouvidos ficaram repentinamente presos ao corpo. Mulheres e crianças em círculo, rodeavam os músicos munidos de tambores artesanais. As mulheres grandes e as bajudas dançavam, quase todas, com os seios descobertos – existindo excepções – a alegria transmitida por aquele ritmo trepidante fazia lembrar ciganos nas danças dos seus acampamentos e até em feiras. Os seios, ora rijos da juventude, flácidos outros e grandes movimentavam-se acompanhando as notas musicais, não existindo parte alguma daqueles corpos que não trepidasse. 

Os movimentos dos corpos faziam-me vibrar. Eram escuros, com um brilho envernizado. Luz quase inexistente, quase somente a claridade do luar batia meigamente nos corpos de miúdas de palmo e meio, que enfeitavam o quadro. Avançavam como que desafiando as mais velhas que sorriam. Uma fotografia para recordar aqueles momentos? Talvez não fosse necessário porque jamais esqueceria aqueles momen­tos. Os homens do centro batiam com força nos tambores molhados do suor que escorria das suas faces. Não haviam frequentado qualquer escola de música mas fabricavam o som que fazia tremer o meu corpo. Aprenderam decerto com os pais, os avós e, recuando gerações, de escravos quem sabe, transportados para longínquas paragens em naus para os cinco cantos do mundo. No futuro seriam eles os professores dos filhos. Poucos eram os militares presentes. Pretendiam envolver-se na dança, notei-lhes nos olhos quando o círculo se alargou e o 1.º cabo, olhando-me com um sorriso gaiato, afirmou com convicção.
– Tão boas...Que mamas,  minha mãe!... E as bundas?
– Daqui não levas nada, só com os cinco dedos da mão! Podes apro­veitar o balanço e faz-me uma, pode ser com a canhota ou com a irmã dela! – Ouvi da boca do soldado.
– Olha-me esta merda?! Dou-te uma tampona, que estás uns tempos que não vês o que tens entre as pernas... Vai mas é mijar que isso passa. É tesão de mijo. Podes agarrar-te àquelas de tetas grandes, deixa as bajudas para mim!

Logo de seguida afastaram-se ambos sorrindo, quando avistei a filha do régulo. Magra e bem esculpida, de seios pequenos. Os olhos escuros brilhavam no escuro do rosto onde sobressaía um nariz também pequeno. O pai vendia-a, segundo diziam os militares pretos, por três mil patacões (três mil escudos).

Ela olhou-me e riu-se.
– Meu furriel...

Imaginei estar encostado à sua bunda arredondada que trepidava com a música e colocar-lhe os braços em redor da cintura estreita, subindo as mãos até aos seios rijos de 20 anos. Afastou-se de mim. Embora não dan­çasse, balanceava com os pés presos ao chão, ao sabor dos tambores. Não entendia o que se estava a passar comigo. Sonhava que lhe tocava em todo o corpo. Parece que adivinhava o que eu pensava:
– Mim, cá nega!

Ao mesmo tempo que soltou dos seus lábios carnudos a pequena frase, bateu com o interior do cotovelo na sua cintura e lançou o braço para a frente, repetindo e voltando a repetir.
– Mim, cá nega!... Mim, cá nega! Furriel!

Depois de a escutar só me restava uma solução: - Sair daquele local. (…).


Pois este é um exemplo daquilo que sucedia. Todos jovens e ávidos de sexo. Não o faço por acaso. No Livro naturalmente não existem personagens com rosto, os diálogos que passo são resumos de factos que assisti.

Aquilo que descrevo era a realidade. No final de comissão, em Bissau andava com um camarada Furriel Miliciano e vimos duas cabo-verdianas muito bonitas, e decidimos averiguá-las, responderam “que eram mulheres para Oficiais, e não para Furriéis”. Considerámos que não era assim e procurámos encontrá-las, o que veio a suceder. Batemos à porta indicada e vem atender-nos um homem grande e bem grande, a quem elas tratavam de “paizinho”. A sala grande quase sem mobília: um frigorífico no meio da parede do fundo; a cadeira onde se sentou o “paizinho”, a mesa e mais duas cadeiras.

O “paizinho” tratava as lindas moças por “filhinhas”, e nós incrédulos. O “paizinho” vendia e a bom dinheiro as “filhinhas”.  Depois do “paizinho” dar uma cerveja a cada um de nós, resolvemos deixá-los em paz.

Esta é uma entre muitas – até algumas no Pilão – há que não ter receio de contar: “O nudismo em Gadamael Porto” e “Nudismo em Mejo”; As “Meninas do Movimento Nacional Feminino”; “Meninas dos Correios de Bissau”, e que tal o apetite sexual de uma mulher branca por um Furriel Miliciano? São temas.

São algumas bajudas de Ganturé. Tenho mais fotos. Aquilo que relato no livro sobre as “bajudas” é o exemplo que dou e foi escrito em 1996. Não escondo de ninguém. Se como disse “não virei”, sou sempre um potencial candidato a um coração, só que em Ganturé e Gadamael Porto não existiam possibilidades, decerto um ou outro caso surgiu. Em Mejo, Guileje, Sangonhá, Cacoca, Cameconde e Cacine com certeza eram locais onde existiam outras liberdades.

Recordo que em Bissau quando vim de licença, fui com camaradas ao Pilão, e à noite.

E os filhos desses encontros e desencontros:

a) Existe uma criança e o pai desconhece;
b) Existe uma criança e o pai sabe mas não assume;
c) Existe uma criança e a mãe diz ser “x” o pai, mas este nega, por saber que ela andava com outros;
d) Existe uma criança e o pai assume pretender tomar conta dela, mas a mãe não autoriza e
e) Outros

Defendo um mundo de Amor.

Cumprimentos

Mário Vitorino Gaspar

__________________

4 comentários:

Anónimo disse...

António José Pereira da Costa
6 de junho de 2015 21:32


Olá Camarada

Parece-me que estamos a chover no molhado e a levantar um tema que não tem pernas para andar, antes pelo contrário.

Faço minhas as palavras do Jorge Cabral.

De que é que os filhos dos ex-militares andam à procura?

Dos pais ou da uma nacionalidade que lhes garanta uma melhoria de vida?
Mesmo que seja num país onde não se vive bem, sempre se vive melhor do que no deles e só por isso vale a pena tentar.

Já expus a minha discordância sobre este tema no blog, indo desde o nome da "associação" que revela um mau gosto e um revanchismo que, do nosso lado, não existe até aos objectivos pouco claros ou mesmo escuros...
´´
Além disso, volto a perguntar o que é que se quer? Pretende-se desequilibrar emocionalmente uma família pelo simples prazer de conhecer uma pessoa?

Para fazer o quê? Correr para ele e pendurar-se no pescoço e chamar-lhe pai? Só? E depois?
Nunca mais deixamos de fazer papel de saloios? De saloios não! Saloio sou eu e não quero fazer figuras dessas.

Olha, um Ab.
António J. P. Costa

Luís Graça disse...

SONDAGEM INICIADA ESTA NOIIE:

NO TO DA GUINÉ, CONFESSO QUE NÃO TIVE RELAÇÕES SEXUAIS COM NENHUMA MULHER LOCAL

Só se pode respodner a uma das seis hipóteses:.


1. Não, não tive

2. Sim, tive, pelo menos uma vez

3. Sim, tive mais do que uma vez

4. Sim, tive bastantes vezes

5. Sim, tive com muita frequência

6. Não sei, já não me recordo bem

José Botelho Colaço disse...

Tenho evitado comentar este assunto, quanto à prostituição não é possível tapar o sol com a peneira, por exemplo onde não havia prostituição era no Cachil mas o comandante rodava sempre a secção que escoltava a lancha do abastecimento da agua para o pessoal em Catió desenferrujar o prego.
Nos outros locais onde estive Bissau desde a Alfandega ao Pilão havia o comércio clandestino do sexo, em Bafatá por exemplo no bairro creio que era a Rocha na saída da estrada para (Nova Lamego) Gabú ao lado do quartel o Esquadrão havia pelo menos duas tabancas uma de uma senhora a rondar os 60 anos e a outra tabanca com duas jovens uma aí com os seus 18 ou 20 anos e a amiga já senhora com os seus 30 anos que o dia a dia delas era atender quem chegasse.
Quanto aos filhos do vento concordo totalmente com o comentário do camarada António J. P. da Costa.

Um abraço
Colaço.

Valdemar Silva disse...

Estava em Nova Lamego, não me recordo do mês, de 1970, já era noite e havia uma grande batucada. Muita gente assistia, tropa de cá e lá e civis de lá.
Havia pouca iluminação, eu estava em calções a assistir ao espetáculo. Nisto levei um grande beliscão no rabo e olhei rapidamente para trás e não vi ninguém que me tivesse beliscado daquela maneira. Continuei a assistir e passado um bocado voltei a
ser beliscado da mesma maneira. Desta vez fui rápido em ver quem teria sido. O meu olhar chocou com o olhar duma bajuda, já crescida, que se ria convidativa para a seguir. Eu fui atrás dela. Em Nova Lamego a iluminação das ruas era reduzida ao centro, no resto nada de iluminação, mas continuei a seguir a bajuda beliscona.
Ela esperou por mim e entramos numa casa, na tabanca, mas afastada do centro.
Era uma casa quadrada, com certeza feita pela tropa. Com o chão em terra, uma cama com colchão da tropa, mas assente sobre um estrado de canas entrelaçadas, uma lamparina com uma torcida saída duma garrafa de cerveja com petróleo iluminava toda a casa. Ela despiu aquele pano, às riscas azul e branco, que todas as fulas usavam enrolado ao corpo e ficou nua. Nua era mais forte que as outras raparigas esguias, também, fulas que eu já tinha vista nas 'lavandarias'. A luz da lamparina dava mais realce à cor do seu corpo. Também me despi. Sem apagar a lamparina deitamo-nos com todo o cuidado no colchão sobre canas entrelaçadas. O calor chegou, nós suamos e adormecemos. Ainda não tinha chegado a dia, acordei fora do Quartel. Ela também acordou e expliquei-lhe que tinha de ir embora. 'Stabém', se calhar foi o que ela disse e, logo a seguir, meteu-me dentro dum pequeno alguidar e começou a dar-me banho com uma esponja rija com sabão e água corrente duma cabaça. Nisto, na porta ao lado, interior, que estava tapada com o que parecia um pano de tenda, surgiu uma voz masculina a dizer qualquer coisa em crioulo/fula. Eu assustado, perguntei 'o qué que se passa' ela respondeu: é o meu irmãozinho que pede um cigarro. E, eis que surge um rapagão e saca-me dois, ou três cigarros que lhe ofereci do meu maço.
Saí, passava das oito horas em direcção ao centro e ao Quartel, sem ela me pedir nada, mas voltei a trás e dei-lhe dez pesos para ela comprar um ronco. Nunca cheguei a saber qual a profissão/o que fazia o irmãozinho.
Inesquecível
Valdemar Queiroz