quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Guiné 63/74 - P15214: Convívios (715): Almoço de Confraternização do pessoal da CART 1659 – ZORBA, levado a efeito no Concelho da Batalha, no passado dia 26 Outubro de 2015 (Mário Vitorino Gaspar)

1. Em mensagem do dia 3 de Outubro de 2015, o nosso camarada Mário Vitorino Gaspar (ex-Fur Mil At Art e Minas e Armadilhas da CART 1659, Gadamael e Ganturé, 1967/68) enviou-nos o rescaldo do Convívio da sua Unidade levado a efeito no passado dia 26 de Outubro, na Batalha.


Almoço de Confraternização da CART 1659 – ZORBA
Restaurante Pérola do Fetal
Reguengos do Fetal – Concelho da Batalha
26 Outubro de 2015

No dia 26 de Outubro, após Encontro de Amigos – abraços e risos, barriga de uns e cabelo branco, ou liso de todo de outros – recordações, também colocada a questão: – Estou a conhecer-te mas não sei quem és… Passaram 47 anos. Tudo passado junto ao lindo Mosteiro da Batalha. As aranhas tecem teias e as tecedeiras tecem linho e o homem teceu pedra e fez o Mosteiro.

Guiné bem longe – Gadamael Porto e Ganturé.

Depois de um primeiro encontro, uma ou outra surpresa, para além do envelhecimento, via-se em cada um o jovem que fora. Recordados momentos. Não vi sinais de se reviverem os maus momentos, muito embora me viessem à memória, ao olhar um a um cada rosto. Confundi-me, não tinha a certeza. Quando não sabia, não tive problemas em perguntar.

Recordei os mortos da Companhia: Furriel Miliciano Vítor José Correia Pestana e do Soldado António Lopes da Costa a 12 de Outubro de 1967, vítimas de uma armadilha, e em 26 de Março de 1968 atingido de morte o Soldado Manuel Ferreira da Silva num ataque ao destacamento de Ganturé. Eles marcaram presença no almoço.

Seguimos para o Restaurante “Pérola do Fetal” – Reguengos do Fetal ficando na Serra de Aire, pertence ao concelho da Batalha.

Seguiu-se o almoço e a cavaqueira. Relembrámos aqueles que não tinham aparecido. Num ou outro caso faleceram, outros que desconhecíamos os motivos da falta. Confraternizámos, o alvo principal, nosso Capitão Miliciano e de Infantaria Manuel Francisco Fernandes de Mansilha, agora Advogado.

À esquerda: eu, o Jorge e atrás o Pedreiro e à frente – o terceiro a contar da esquerda o Justo – Guerreiro Justo. De blusão e camisa azul o Capitão Mansilha e do lado direito, à frente e de casaco – a surpresa Alferes Miliciano Júlio César Sousa Alves Moreira (um dos cinco Comandantes de Pelotão que tive) No fundo o Alves, Biga, Vitorino à esquerda de Mansilha o Pereira

Agora com as esposas e filhos de alguns. É difícil, mas a espreitar no lado direito, Pereira no seu lado direito o Barreira (1.º Sargento e à sua esquerda a sua esposa). O Alves está agachado, à sua direita o filho do Batista, o homem da bazuca da minha Secção

Ainda tenho a sopa de peixe no prato, e à direita o Maia de MA – foi ferido e o Pereira (Sargento)

As entradas e a sopa de peixe. Estive com a sopa mais de meia hora, já todos tinham comodo. Conversa com os Amigos. O Maia a meu lado esquerdo e a seguir o Pereira a quem roubei três galinhas e matei com uma fisga, a primeira não morreu com as fisgadas e matei-a com a faca de mato. Todos comeram galinha. E o Pereira dizia mais tarde: – Quem foi o filho da… que me roubou as galinhas? Anos depois contei-lhe.

Os meus velhos Amigos Jorge, Pedreiro e sua esposa e mais Amigos. Não os esquecerei
 
O Capitão, tendo à sua esquerda e em pé o Batista
 
É pena que não tenham ido ao Almoço mais Amigos Camaradas

O Biga faz contas à vida e na mesa atrás, o Capitão ao lado do filho. No lado direito está o Sargento Barreira e ao lado a esposa

Conversei com o Barreira e ainda se recorda, até foi ele mesmo que recordou as partidas que eu fazia ao Justo. Armadilhava-lhe a cama, dormia ao meu lado. Apanhava cada susto mas recuperava bem, ficando preparado para outra. Desafiava-me: – Já não me enganas!
Mas logo de seguida lá ia outra: ou na almofada; no rádio; num caixote, nos sapatos em qualquer que menos esperava.
Recordámos um episódio que foi na altura confortável. A minha mãe aproveitava os jornais desportivos que me enviava, para colocar entre eles uma posta de bacalhau alta. Penso que vinha de via aérea como jornais, mais barato. Eu quando tinha 2/3 postas, por vezes enviava de uma vez, pedia ao magríssimo Cozinheiro Lima que com tomate fizesse com o bacalhau desfiado e cru. Todos comiam e o 1.º Barreira dizia-me no fim: – A tua mãe continua a enviar-te bom bacalhau!
Um dia ao passar pelo armário – que era um caixote improvisado, como tudo – estava aberto e tinha postas de bacalhau que a mulher enviava. Espreitei e tirei talvez três boas postas que dei ao Lima. Todos comiam, fosse muito ou pouco. O Barreira depois de saborear o petisco diz: – A tua mãe continua a enviar bom bacalhau!
Respondi:
– Desta vez não foi a minha mãe, mas a sua mulher!
Era uma brincadeira, não se tratava de roubar fosse o que fosse, todos compreendiam. E riam.

O Alves à esquerda e no centro o Justo – engordou muito. A mesa ao fundo é a minha
 
E o bolo, uma beleza – não falta o lema da ZORBA - “Os Homens Não Morrem”
 
Passámos ao período do bolo, tragar uma fatia e comemorar este encontro. Um dia bem passado, recordando o tempo que ficou para trás. Honra para os mortos e os vivos que recordem: “OS HOMENS NÃO MORREM”

Discursou o Capitão Mansilha, depois de ter falado nestas quadras que lhe enviaram, disse ser curioso a Comemoração dos 50 Anos. Se forem da partida será Janeiro de 2017 e se for a chegada será em Novembro de 2018.
Propus que nesse dia o Almoço fosse em local em que fosse possível deixar uma marca. Talvez a colocação de uma Placa Alusiva ao facto. Será algo para pensar.

O Capitão Miliciano e de Infantaria Manuel Francisco Fernandes de Mansilha, leu as quadras que lhe enviaram em 2011 pelo Natal

Feliz Natal

Bem certo que o tempo passa…
Já nos vai pesando o pé!
Mas não há nada que faça…
Esquecermos a Guiné!

Algures em Gadamael…
Os outros em Ganturé.
Fulas, mandingas, papel
Sobe o rio com a maré.

Tempos difíceis, claro.
Sei que se foi cimentando.
A amizade. Um dom raro.
Que estamos comemorando.

Caro Mendes, Cabo Cripto.
Que que decifravas a mensagem.
Magro como um eucalipto.
Sempre com fé e coragem.

Vale a pena acreditar.
Que há mar e os rios correm.
O que nos fez regressar?!
Foi porque “OS HOMENS NÃO MORREM”.

Feliz Natal para si e
Para toda a Família
Natal de 2011

Terminámos este dia que ficará gravado na memória de todos. Voltaremos.

Texto do Ex Furriel Miliciano Mário Vitorino Gaspar
Fotos: Eduardo Mansilha e Fidelino Valada
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Nota do editor

Último poste da série de 3 de outubro de 2015 > Guiné 63/74 - P15193: Convívios (714): Encontro do pessoal da CCAÇ 2797 e Pel Canh SR 2199, a realizar no próximo dia 10 de Outubro de 2015, em Fátima (Luís de Sousa)

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