terça-feira, 10 de novembro de 2015

Guiné 63/74 - P15348: Caderno de Memórias de A. Murta, ex-Alf Mil da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4513 (28): De 01 a 7 de Abril de 1974

1. Em mensagem do dia 8 de Novembro de 2015, o nosso camarada António Murta, ex-Alf Mil Inf.ª Minas e Armadilhas da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4513 (Aldeia Formosa, Nhala e Buba, 1973/74), enviou-nos a 28.ª página do seu Caderno de Memórias.


CADERNO DE MEMÓRIAS
A. MURTA – GUINÉ, 1973-74

28 - De 1 a 7 de Abril de 1974

Quando nos parecia que o mês anterior seria inultrapassável em intensidade de emoções, com empolgamentos e apreensões, surge-nos um Abril ainda mais emotivo, com factos marcantes e históricos a par de uma actividade operacional exigente e sensível.

Um dos acontecimentos locais mais importantes foi, por certo, o encontro das duas frentes de trabalho da estrada Aldeia Formosa-Buba, ainda que demorasse a ficar transitável em pleno devido à useira falta de alcatrão. Acho que todos vivemos este momento como se fôssemos co-autores da obra, pelo acompanhamento e protecção permanentes desde o início da desmatação, com muito empenho, dedicação e, diga-se, com muito risco.

Como suspeitávamos e temíamos, a actividade da guerrilha recrudesceu, tentando-nos estragar a obra e sua prossecução. Levaram a cabo várias acções e tentaram outras que a nossa tropa frustrou. Tanto apareciam na estrada entre Nhala e Buba como, do outro lado, entre Nhala e Mampatá, tendo conseguido sabotar a estrada uma vez, cortando-a, e emboscarem-nos pelo menos uma vez e tentando outras. Daí que se vivesse uma certa intranquilidade, sobretudo quando tínhamos que dormir no mato mesmo em cima do “carreiro” de Uane, em protecção às máquinas ali recolhidas, por estarem muito afastadas dos aquartelamentos.

Abril seria também o mês das visitas ao Sector, dos mais diversos comandantes incluindo o Comandante-Chefe, General Bettencourt Rodrigues.

Como é evidente, a nível local e nacional, o acontecimento do mês e do ano, (de 1974 e dos seguintes), foi, sem dúvida, a Revolução de Abril, que pôs fim a uma ditadura velha de muitos anos. Sob o efeito da surpresa, a maioria, creio, não teve a percepção plena do alcance do acontecimento e, ainda no desconhecimento das intenções de quem o promovia, tomando o poder, apenas acalentou a esperança de que acabasse a guerra para poder regressar a casa. Os mais esclarecidos, poucos, perceberam que uma revolução assim, com tais protagonistas, só podia ser de consequências irreversíveis para a guerra colonial, sendo eles, os protagonistas, parte interveniente nessa guerra e, esta, porventura a maior chaga nacional à época. Mas, como poucas coisas são assim tão singelas e lineares, (apenas a preto e branco, não é?), muito tempo passaria até que o caldo estabilizasse e se começassem a reconhecer os ingredientes. Logo, os efeitos do 25 de Abril no terreno não foram imediatos, longe disso, e trouxeram incertezas, ansiedades e situações ambíguas, assim como a penosa busca de soluções para problemas novos e muito sensíveis. Alguns nunca completamente resolvidos, como a segurança e a vida dos guineenses que combateram ao nosso lado. Esta foi a minha leitura pessoal e superficial na época, apenas corrigida pontualmente, mais tarde, pela posse de dados que, então, eram quase nulos. Para a maioria, nunca tive dúvidas, indiferentes às consequências políticas (ou que nem sequer descortinavam), a grande alegria que lhes trouxe a revolução foi pensarem que, se escapei até agora, com o fim da guerra irei para casa de certeza. Como se sabe, isso não foi assim para todos, infelizmente.


Da História da Unidade do BCAÇ 4513: 

(...)

ABR74/02 – O Exm.º Comandante Militar Brig. BANAZOL, acompanhado do seu Chefe do Estado-Maior, Coronel VAZ; Comandante do BENG, Ten-Coronel Maia e Costa; Comandante da Companhia de Engenharia, Cap. Branquinho e Ajudante de Campo do Exm.º Comandante Militar, visitaram A. FORMOSA. Após um briefing no Gabinete de Operações, e acompanhados pelo Comandante e 2.º Comandante do Batalhão, visitaram o aquartelamento de A. FORMOSA, onde apreciaram as obras em curso, assim como posteriormente se deslocaram à frente de estradas. Quando do regresso ao aquartelamento o Exm.º Comandante Militar reuniu-se com os Oficiais e Sargentos presentes na Unidade a quem dirigiu algumas palavras, regressando seguidamente a BISSAU.

(...)

ABR74/07 – Pelas 11h30 os dois Destacamentos de Engenharia uniram as duas frentes da estrada, com grande regozijo de todo o pessoal, que manifestaram uma grande alegria pelo facto.
O Exm.º Comandante deslocou-se à frente de estradas a fim de observar o local de união das duas frentes.


Das minhas memórias:

7 de Abril de 1974 (domingo) - A estrada: os trabalhos e a união das frentes de trabalho numa selecção de algumas fotografias, sem grandes pretensões mas tentando mostrar um pouco da azáfama da Engenharia no local.

Foto 1 - 1974, Abril - Frente de trabalhos da estrada Aldeia Formosa-Buba, troço de Nhala-Mampatá. Uns dias depois, ao fundo, há-de surgir a frente que vem de Mampatá, unindo-se as duas. 

Foto 2 - 1974-04-07 - Frente de trabalhos: Elementos do meu 4.º GComb/2.ª CCAÇ/BCAÇ4513, fazem a picagem a caminho da frente de trabalhos que avança na direcção de Mampatá. 

Foto 3 - 1974-04-07 - Frente de trabalhos: Chegada do GComb à frente de trabalhos. Ao fundo vê-se uma pequena zona de luz na mata escura. É a frente de trabalhos oposta e já próxima, lado de Mampatá. 

Foto 4 - 1974-04-07 - Frente de trabalhos em actividade plena. A frente oposta é agora mais visível ao fundo à direita.

Foto 5 - 1974-04-07 - Frente de trabalhos: Através da galeria ao centro, vê-se claramente o seguimento da estrada para Mampatá. 

Foto 6 - 1974-04-07 - Frente de trabalhos: Com grande perícia, o operador da máquina sacode a palmeira e derruba-a. 

Foto 7 - 1974-04-07 - Frente de trabalhos: A palmeira é enfiada pela mata dentro. 

Foto 8 - 1974-04-07 - Frente de trabalhos: Imagem colhida na frente de trabalhos de Mampatá, vendo-se o seguimento da estrada para Nhala. Uma pequena fileira de árvores separa as duas frentes.

Foto 9 - 1974-04-07 - Frente de trabalhos: O derrube das últimas árvores. 

Foto 10 - 1974-04-07 - Frente de trabalhos: Concluída a ligação das duas frentes de trabalho e a jornada do dia, as máquinas recolhem a lugar seguro. Está feita a ligação Aldeia Formosa-Buba em termos de desmatação. Algures do lado de Nhala (e de Mampatá, creio), avança a construção da sub-base, base e alcatroamento da estrada.

(Continua)

Texto e fotos: © António Murta
____________

Nota do editor

Poste anterior da série de 3 de novembro de 2015 Guiné 63/74 - P15320: Caderno de Memórias de A. Murta, ex-Alf Mil da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4513 (27): De 01 a 31 de Março de 1974

17 comentários:

Luís Graça disse...

António, nunca ninguém como tu documentou, tão bem, em texto e fotos, a abertuiar de uma estrada pelos nossos homens e máquinas!... Se bem percebi, isto foi obra da Engenharia Militar, BENG 447, e não da empresa TECNIL...

Registo, por outro lado, as tuas notas sobre o alvoroço que a notícia do 25 de abril provocou... Para a grande maioria dos militares portugueses no TO da Guiné esse acontecimento da nossa história significou, de imediato, o alívio e a esperança... O regresso a caso ficava mais próximo...

Mas o "carreiro de Uane" traz-me sempre á menória os versos do nosso Josema (José Manuel Lopes, ex-fur mil, op esp, CART 6250, Mampatá, 1972/74):


Olhos semi cerrados,
querendo ver
para além das árvores,
passo controlado,
procurando caminho,
já calcado e pisado,
orelhas a pino
a querer ouvir
além da neblina,
todos os sentidos
são poucos;
escaparão com vida?
não ficarão loucos?

Carreiro de Uane 1972
josema

http://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2008/03/guin-6374-p2665-poemrio-do-jos-manuel-4.html

Luís Graça disse...

Outro poema do Josema com referência ao carreiro de Uane...


As brincadeiras loucas
acabam por ter sentido
se as alegrias são poucas
neste cantinho perdido

já vi tourear uma cabra
entre os arames farpados
e outros ao beber água
ir pelos ares aos bocados

desde o carreiro de Uane
à estrada para Nhacubá
todo o cuidado é pouco
ninguém quer ficar por cá

chegam do patrulhamento
cobertos de pó a suar
anseiam pelo momento
de se refrescar no bar.

Mampatá 1973
josema

http://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2008/03/guin-6374-p2694-poemrio-do-jos-manuel-5.html

Antº Rosinha disse...

A construção dessa estrada que A. Murta tão bem retrata com as dificuldades provocadas pelo PAIGC, com o tempo (4 a 5 anos) transformou-se na pior estrada para se circular em toda a Guiné.

Talvez só mesmo as picadas abandonadas há vários anos de Madina do Boé fossem tão horríveis.

É que devido às pressas e à pressão do PAIGC não se fizeram ensaios, não houve cuidados nas compactações de base e sub-base, e a aplicação do asfalto não respeitou os mais pequenos cuidados (temperaturas, granulometria dos inertes, chuvas e o que se queira imaginar)

Muito fazia o Bat. de Engenharia.

Circulva-se aos zigzagues de berma a berma por entre os buracos cortantes dos restos de asfalto, até 1993.

Os restantes brancos que iam resistindo em Bissau, chamavam a essa estrada a estrada de Spínola.

Talvez por ter sido a última teimosia por uma "Guiné-melhor" lhe chamariam estrada do Spínola.





Carlos Esteves Vinhal disse...

Disse em tempos que no asfaltamento da estrada Bironque-Farim, me lembro de algo parecido como BECE, que seria Brigada de Estudos e Construção de Estradas(?) e não Tecnil como muitas vezes é referido aqui. Os trabalhos estiveram a cargo exclusivamente do BENG.
Carlos Vinhal

Antº Rosinha disse...

A última estrada de asfalto a ser construida pela TECNIL até ao 25 de Abril foi de Gabu a Piche, que era para seguir até Buruntuma, já estava adjudicada aquela empresa.

Essa estrada Gabú-Piche aguentou-se bem, mesmo sem qualquer manutenção, bastantes anos.

Aí também o PAIGC basoocou um camião carregado de pessoal e matou gente guineense, já no finalzinho.

O PAIGC sabia que a grande arma colonial era o desenvolvimento e essa arma já tinha tido enorme sucesso em Angola e Moçambique com aquela política spinolista da "Guiné-melhor".

Quando o PAIGC já tinha visto ir Amílcar, os movimentos vencedores das 3 colónias criaram uma máxima anti-colonial que dizia: não precisamos nada do colon, "porque os nossos amigos vão-nos ajudar"

Claro que ninguém ajuda ninguém...parece que ajudam!

Luís Graça disse...

Rosinha, é verdade, tu sabes do que falas... Em África (e não só...) tudo o que não tem preservação, proteção e manutenção (programada) vai à vida num ápice... Viaturas, equipamentos, máquinas, hospitais, escolas, e não apenas estradas... Em 1 de março de 2008, fiz a estrada de Bissau-Bambadinca-Saltinho-Quebo-Mampatá- Gandembel-Guileje... A partir de Quebo, só havia algumas amostras de alcatrão... Depois de Mampatá, era picada... Tenho pena de nunca ter ido a Buba...

Era interessante que o António Murta nos mostrasse no mapa alguns dos pontos mais críticos da estrada Aldeia Formosa - Buba... Onde ficava o Uane, Nhacobá, Colibuía ?... Tudo nomes míticos da guerra...

Anónimo disse...

O A. Murça documentou muito bem a execução destes trabalhos. Chamou-me a atenção as grandes difernças entre o como aqui se fez e aquilo que foi a execução dos trabalhos na Mata dos Madeiros. Logo a começar pela proteção militar. Foram quatro os acampamentos ao longo do troço Bachile/Teixeira Pinto. A estrada avançava no seu todo, isto é, tirada de pontos, abertura do itinerário, desmatação (cerca de 100 metros para cada lado da estrada e logo atrás a construção da base e asfaltagem. No todo a estrada avançava cerca de cem metros diáriamente.
A construção da estrada no troço referenciado estava a cargo de uma companhia civil que podia muito bem ser a Tecnil. O António Rosinha talvez me pudesse esclarecer se a Somague também executou trabalhos de estradas n Guiné.

Luís Graça disse...

Camarada, esqueceste-te de assinar o comentário... Sem querer (nem poder) falar pelo Rosinha, acho que só a TECNIL (a que ele pertenceu, como topógrafo, depois da independência, no tempo do Luís Cabral) é que fez trabalhos de abertura e construção de estradas no nosso tempo, na altura da guerra...

Não tenho ideia da presença da SOMAGUE no TO da Guiné, mas é possível... Nessa altura, só conhecia o leste, onde a TECNIL trabalhou, com os seus homens e máquinas (por ex., construção da nova estrada Xime-Bambadinca), e onde pagou também o "preço de sangue"...

Talvez o Rosinha nos possa informar quantos trabalhadores da TECNIL foram mortos ou feridos nessa época... Na estrada de Piche, sei que teve mortos...

Ab. Luís

Antº Rosinha disse...

Nunca me constou que a Somague tivesse andado pela Guiné pelo menos com o nome de Somague.

Podiam os empresários da Somague, devido à sua grandeza ter por lá alguma empresa mas com outro nome.

A estrada para Teixeira Pinto (Canchungo) aguentava-se razoavelmente, estava bem construída para as condições e os materiais que havia.

Foi uma empresa privada concorrente da TECNIL que a construiu.

Não me lembro o nome.Depois do 25 de Abril não ficaram vestígios dessa empresa.

A Somague não tinha tradição de andar pelas colónias.



septuagenário disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Antº Rosinha disse...

Luís não me lembro de quantos me diziam que tinham morrido em Piche.

Luís os muitos testemunhos empregados da Tecnil que assistiram na estrada de Piche à bazzocada na porta do condutor da Magirus contavam em pormenor o seguinte:

O camião estava ao fim do dia a preparar-se para regressar a Gabu, e um civil desconhecido que seria turra pediu boleia, mas o motorista negou porque o camião já estava muito cheio de gente.

Passados uns minutos veio da mata próxima a bazzocada e vários tiros.

Ora como na cabina é o motorista mais dois, tás a ver.

Só me lembro do camião a servir para tirar peças na oficina da Tecnil.

Anónimo disse...

Peço desculpa aos editores e a quem leu o comentário que acma não assinei.
José Câmara

Anónimo disse...

Caros Camaradas:
Sempre vivi com a convicção de que a estrada entre Aldeia Formosa Mampatá Colibuia Cumbidjã Nhacobá causou (incomparavelmente) mais trabalho, mais emboscadas, mais sofrimento, mais feridos, mais mortos do que a estrada entre Mampatá /Nhala/Buba. E tenho vindo, bem ou mal, a difundir essa convicção. Gostaria que o Murta ( ou outro que se julgue habilitado) dê a sua opinião e me confirme ou infirme aquilo que julgo saber mas não sei se sei.
Outra questão: quando, em 2009, estive em Mampatá, o itinerário entre Aldeia /Mampatá/Nhala/Buba estava em bom estado com sinais evide3ntes de ter sido sujeito a obras de renovação do pavimento, quanto ao itinerário entre Mampatá/Colibuia/Cumbidjã/Nhacobá, encontrava-se completamente degradado.
Um abração
Carvalho de Mampatá

José Carlos Gabriel disse...

Amiga António Murta.

Mais uma vez te dou os parabéns pelas fotos e pelos teus minuciosos comentários. Não sou a pessoa mais conhecedora do que se passava na frente de trabalhos mas tenho uma vaga ideia que algo aconteceu quando da construção de um pontão para os lados da BOLANHA DOS PASSARINHOS (penso não estar errado no nome)? A ter acontecido com certeza que estarás documentado e em breve irás comentar o mesmo.
Aquele abraço amigo.

José Carlos Gabriel

António Murta disse...

Camaradas.
Agradeço a todos os vossos comentários.

Sobre a construção da estrada A. Formosa-Buba, confirmo que foi obra do BENG do QG/CTIG/4ª REP, Destacamento 1 (frente de A. Formosa) e Destacamento 2 (frente de Buba), e da Brigada de Estudos e Construção de Estradas. Socorro-me da H. U. do BCAÇ 4513 porque, pela minha memória, já lá não ia.
É verdade que os condicionalismos foram de toda a ordem e, parte do trajecto, esteve demasiado tempo à espera do alcatrão. Isto não podia dar bom resultado. Circulava-se sobretudo pela via lateral de terra para não danificar a base da estrada, onde se tinha de fazer picagem. Mas se se circulasse na estrada o perigo era igual. Em breve farei um mapa a partir do Google Eart.

Amigo Carvalho. Creio que tens razão ao comparar os incidentes do lado Mampatá-Nhacobá com os verificados na “nossa” estrada. Acho que foi muito pior do vosso lado. Ainda assim, houve várias emboscadas, uma delas, como relatei recentemente, com 2 mortos (lado Buba), houve várias que abortámos, uma sabotagem com corte de estrada (lado Buba) que em breve sairá num poste meu e uma sabotagem de pontão evitada pelo pessoal de Mampatá na zona do Uane. Mas, e muito importante, a “nossa” estrada foi interceptada pelo 25 de Abril... Nunca saberemos o que aconteceria até ao final da obra sem essa circunstância. Nem o que aconteceria às nossas vidas.

Amigo J. C. Gabriel. Foi realmente na zona da Bolanha dos Passarinhos que aconteceu a emboscada que relatei em poste anterior com 2 mortos e julgo que foi aí que cortaram a estrada num pontão, caso que relatarei brevemente. Nesta sabotagem, estou quase certo de que morreu um elemento da Engenharia por ter caído com a viatura que conduzia a grande velocidade, sem escolta, dentro do buraco da estrada. Estranhamente, a História da nossa Unidade não faz qualquer referência à vítima mortal. A verdade é que só tenho algumas fotografias e não um registo escrito.

Grande abraço para todos.
A.Murta.

Anónimo disse...

Caro Murta:

Deste-me um duplo esclarecimemto:confirmaste que a estrada de Nhacobá deu mais problemas que a de Buba (vossa) e disseste que as coisas terão acontecido assim porque parte das obras desta estrada decorreram já após o 25 de Abril. Imagina (como John Lenon) que teríamos estabelecido um acordo com o PAIGC, estipulando que eles não atacariam as nossas tropas no decurso dos trabalhos de construção de estradas. Isso permitiria fazer estradas melhores, mais estradas, sem mortos nem feridos de parte a parte, e hoje a Guiné estaria mais desenvolvida. Só estou a sonhar (como Luther King).
Um abraço
Carvalho de Mampatá.

José Teixeira disse...

SE pensarmos que a estrada Buba/ Aldeia Formosa foi começada em fins de 1968 e logo no arranque começaram as complicações na estrada e em Buba, um um morto da minha Cª. As emboscadas e minas no terreno forma-se sucedendo com ataques a Buba e a Samba Sabali com um morto e vários feridos graves. Em Julho ou Agosto de 1969 na primeira coluna de Aldeia para Buba, vários mortos e mais não sei porque recolhi a Empada até ao regresso. Creio que no somatório extensivo ao tempo dos trabalhos o ramal Buba/Aldeia foi mais complicado.
Reconheço que o desbravamento de Mampatá para Nhacobá, com muito mais homens no terreno, mas em tempo mais curto tenha sido muito violento.
Zé Teixeira