quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Guiné 63/74 - P15414: Fotos à procura de... uma legenda (65): Os que deram, não a vida, mas uma parte do seu corpo (um pé, uma perna, uma mão, um braço, ou os olhos) pela Pátria (José Maria Claro / Francisco Baptista)


Foto nº 1 B > HMP [Hospital Militar Principa],  Lisboa, c. 1969/70 > Cinco camaradas amputados por efeito de minas na guerra do ultramar / guerra colonial



Foto nº 1 A > Foto nº 1 C > HMP [Hospital Militar Principa],  Lisboa, c. 1969/70. O José Maria Claro é o segundo a contar da esquerda.


Foto nº 1 > No HMP [Hospital Militar Principa],  Lisboa > O José Maria Claro é o segundo a partir da esquerda.


 

Foto nº 2 > CCAÇ 2464, Biambe, 1969 > O José Maria Claro, na brincadeira, "com um camarada do rolo de peso", o cilindro manual que se usava na construção e manutenção dos arruamentos dos nossos aquartelamentos...


Foto nº 3 > CCAÇ 2464, Biambe, 1969. O José Maria Claro, cheio de energia, vida e otimismo, no campo de futebol (improvisado) do quartel, antes da maldita mina A/P o ter mandado para Lisboa, para o HMP... É hoje DFA. Recorde-se, por outro lado, que a ADFA - Associação dos Deficientes das Forças Armadas comemora este ano o seu 40º aniversário.


 Fotos (e legendas): © José Maria Claro (2015). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: LG]



1. O nosso grã tabanqueiro José Maria Claro foi soldado radiotelegrafista de engenharia, da CCAÇ 2464 / BCAÇ 2861, esteve em Biambe, setor de Bula, em 1969...

Foi curta a sua estadia no  TO da Guiné. Vitimado por uma mina antipessoal, que lhe causou a perda de um dos membros inferiores.  foi evacuado para a Metrópole, para o Hospital Militar Principa (HMP), em Lisboa. (*) 


.2. Comentário do nosso camarada Francisco Baptista [,ex-alf mil inf, CCAÇ 2616/BCAÇ 2892 (Buba, 1970/71) e CART 2732 (Mansabá, 1971/72)]


Amigo e camarada José Maria Claro,  salta à vista a alegria com que te moves e te divertes, só tu ou com outros camaradas,  antes da maldita mina te ter roubado uma perna.

A tua última fotografia [, no HMP, em Lisboa,] depois de toda a sequência anterior,  é de um homem corajoso que não está disposto a desistir de viver seja qual for a contrariedade. O que nos ensinas é que a vida é um caminho a percorrer sejam quais forem as dificuldades do percurso.

O teu poste fotográfico diz mais do que mil palavras. (**)

Muita saúde e felicidades que bem mereces e muito obrigado pela lição de optimismo que me deste.

Um abraço. Francisco Baptista

__________________

Notas do editor:


(*) 25 de novembro de 2015 > Guiné 63/74 - P15411: Memória dos lugares (323): Biambe em 1969, fotos de José Maria Claro, DFA, ex-Soldado Radiotelegrafista da CCAÇ 2464


(**) Último poste da série > 8 de outubro de 2015 > Guiné 63/74 - P15220: Fotos à procura de... uma legenda (64): visita do gen Arnaldo Schulz e do brig Reimão Nogueira a Porto Gole, em fevereiro de 1967... O insólito: (i) duas caixas de cerveja (Cristal e Sagres) no banco traseiro do helicóptero; (ii) um comandante-chefe, de máquina fotográfica a tiracolo, com ar de turista...

5 comentários:

JD disse...

Peço licença ao Francisco Baptista para subscrever as suas palavras.
Também remeto ao José Maria um abraço com votos de confiança e sucesso na vida. Tenho um amigo que sofre muito das suas amputações, mas é um homem alegre e dinâmico, que muita gente não lhe descortina drama nenhum. Não quero adiantar mais nada, para não dar de mim um ar mariquinhas.
Abraços fraternos
JD

António José Pereira da Costa disse...

Olá Camaradas

O meu problema é se os que deram algo de si - a vida ou um bocado do corpo e com isso têm de conviver diariamente ou até, apenas o esforço diário daqueles dois anos - o fizeram pela Pátria. Peço desculpa pelo desabafo mas, para mim, é cada vez mais duvidoso de que tanto esforço e/ou desgraça tenha sido em prol da Pátria. Quem é que se sacrificou pela Pátria: os que foram à África combater ou os que lá se lhes opunham? Parece-me que, infelizmente, o nosso esforço - maior ou menor - as lesões físicas ou mentais que hoje praticamente todos temos tenham sido inúteis. Não pela "derrota" mas pelo absurdo do que se passou e se previa que iria passar.

Um Ab.
António J. P. Costa

Luís Graça disse...

Tó Zé: O conceito de Pátria deve ser contextualizado, historicizado... Não tinha seguramente o mesmo sentido, no nosso tempo, em relação a épocas passadas, por exemplo na época da fundação da nacionalidade ou no tempo de D. João I, ou de D. João IV, ou ainda de D. João VI... A pátria é um conceito do Portugal "moderno" (fim do antigo regime, com as invasões francesas, e depois monarquia liberal, República, Estado Novo...).

O que é hoje a Pátria ?... Eu gosto de distinguir a Pátria, a Mátria e a Fátria... e a Pátria que foi Madrasta para a nossa geração... LG

Anónimo disse...



Camaradas António J.P. Costa e Luís Graça, quando eramos jovens havia um velho professor que do alto da sua cátedra proclamava aos quatro ventos através dos meios de comunicação da época “Não se discute Deus e a sua virtude; não se discute a Pátria e a Nação; não se discute a autoridade e o seu prestígio” Fomos formatados pelo conceito de Pátria Grandiosa, dos nossos livros escolares, que ele nos quis inculcar, feitos à sua imagem e à medida do seu pensamento patriótico. A Pátria desse modo, segundo o Luís, interpretando Salazar e outros chefes, seria uma entidade mítica, quase sagrada,com autoridade para exigir todos os sacrifícios dos seus filhos, incluindo o sacrifício da própria vida. A Mátria e a Fátria ,quanto a mim penso que são conceitos poéticos que vão entroncar no conceito de Pátria. Assim a Mátria seria uma mãe carinhosa para os seus filhos e a Fátria a grande irmandande constituída por esses filhos. A Pátria foi madrasta para a nossa geração porque não nos permitiu escolhas, será também para outras gerações na medida em que continue a proteger uns filhos em detrimento de muitos outros. Tem que deixar de ser a mãe de alguns e a madrasta de muitos outros.
Um abraço para todos, sem esquecer o J.D. Francisco Baptista

Hélder Valério disse...

Caros camaradas

Em termos de apreciação geral ao conteúdo deste 'post' secundo o que o Zé Dinis escreveu.
Quanto a 'legendas' para as fotos...
Elas são várias e para aquelas em que o nosso camarada José Claro aparece antes do incidente é bem notória, a sua alegria de viver, tal qual o Francisco Baptista salienta.
A outra, do quinteto de feridos, já é mais difícil pois pode-se valorizar a situação fazendo salientar as consequência das guerras mas também se pode valorizar a serenidade 'conformada' dos camaradas.

Hélder S.