sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Guiné 63/74 - P15417: Guiné, Ir e Voltar (Virgínio Briote, ex-Alf Mil Comando) (XXIII Parte): Lifna Cumba, o "Joaquim"; Um longo Dezembro e Os Últimos Dias

1. Parte XXIII de "Guiné, Ir e Voltar", série do nosso camarada Virgínio Briote, ex-Alf Mil da CCAV 489, Cuntima e Alf Mil Comando, CMDT do Grupo Diabólicos, Brá; 1965/67.


GUINÉ, IR E VOLTAR - XXIII

1 - Lifna Cumba, o “Joaquim” 

Parou no Taufik Saad, manequim na montra, mexeu-se no meio daquelas novidades, umas calças finas, antracite, uma camisa branca made in Macau, meias pretas nos sapatos pretos, parecia outro quando saiu, pela rua fora.

Em Brá, a 3.ª Companhia de Comandos estava a caminho dos quatro meses de comissão. Já tinham medido forças várias vezes com a guerrilha. Um dos alferes na primeira saída foi atingido por um estilhaço. Apesar do ferimento não parecer muito grave teve que ser evacuado para o Hospital Militar de Bissau. Recuperado, duas ou três semanas depois, voltou a sair e voltou a ser atingido. Evacuado, foi novamente internado no Hospital. Dias depois teve alta e após uns dias em repouso em Brá foi a vez do grupo que chefiava voltar a alinhar.
Não há duas sem três, deve ter sentenciado um filósofo há centenas de anos e passou a ser corrente na voz do povo. Pois o nosso alferes voltou a ser atingido, desta vez com mais gravidade. Três saídas para o mato, três ferimentos em combate, não era nada animador, de facto. Só havia uma saída, abandonar o palco.

Ainda estavam os Diabólicos nos últimos dias de actividade operacional, foi uma tarde contactado em Mansoa pelo Capitão Alves Cardoso, o comandante da 3.ª Companhia de Comandos.
Dê-me os nomes de dois guineenses do seu grupo, que possam vir a fazer parte da minha companhia.
E deu, não dois mas três. Foi assim que o Joaquim passou a integrar a 3.ª CCmds. Teve conhecimento, mais tarde, pelo próprio capitão, de que teria entrado em duas ou três operações e tinha inspirado confiança aos jovens candidatos a Comandos.
Em Outubro, talvez no final da primeira semana ou início da segunda, soube que o grupo de que o Joaquim fazia parte andava algures para os lados de Mansoa. Num daqueles dias encontrou o Furriel Valente de Sousa na esplanada do Bento. Então que tal têm corrido as coisas aos novos, perguntou a certa altura ao Valente de Sousa, que mantinha uma relação de maior proximidade com alguns camaradas da 3.ª CCmds.
Têm corrido bem, o Joaquim, ontem, é que teve azar. Um azar que, aliás, podia acontecer a qualquer um de nós. Que azar?

“Joaquim”, o Lifna Cumba, de pé, em segundo plano, de frente para a máquina. Regresso da Operação "Atraca". Julho de 1966. 

E o furriel, continuando como se estivesse a falar só, que o comandante do grupo tinha mandado o Joaquim internar-se na mata, que alguém do grupo terá visto um vulto a movimentar-se entre as palmeiras, e precipitou-se, disparou e depois foi uma fuzilaria para a mata. Olhe meu alferes, ficou como um crivo.
Levantou-se, enfiou-se no Fiat, directo ao Hospital Militar.

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2 - Um longo Dezembro

Uma eternidade, aquele mês de Dezembro nunca mais acabava.

Olhou para as tralhas acumuladas nestes dois anos. Não é que fosse muita, livros, papelada e fotos sim. Andava a aproveitar as noites de subalterno de dia no QG para lhes pôr alguma ordem, cópias de relatórios das operações e centenas de fotos. Estas são para rasgar, isto onde foi, como é que se chamava este tipo, apontamentos ao lado, nomes dos camaradas atrás, e depois disto, para onde fui? Anotava o que se lembrava, folhas e folhas, dois anos quase, ali à sua frente.

Correspondência! O aroma dela nas cartas, falta pouco, um mês só, não vou a Lisboa esperar-te, mas quando puseres os pés em terra, lembra-te, estou contigo. Está tudo dito, já não há mais para dizer. À frente dele, uma folha toda em branco, enorme, com tanto espaço para responder, sem ideias, nem sabia como começar. Quero estar contigo, sem mais ninguém por perto. Uma frase só numa carta. Não tenho mais para dizer, não sei o que escrever.
Vinte e quatro meses de cartas para lá e para cá. Palavras para encher papel, que de guerra não havia que dizer. Tinha cumprido, sem um desvio, que se lembrasse, o que tinha prometido a si próprio, falar de tudo menos de guerra, que era assunto que não lhes interessava. Que havia de dizer aos Pais e à namorada? De bazucas, de morteiros, de PPSHs1, de feridos, de estropiados, de evacuações? De uma guerra que se discutia? Não, não à namorada nem aos Pais.
Quando lhes falava da Guiné, era das paisagens, dos rios, dos enormes poilões, da gente boa que conhecia, e do tempo que fazia. Um calor e uma humidade que nunca sentira, vê lá tu, às vezes acabo de tomar banho e só de me limpar com a toalha fico outra vez a suar. Por vezes volto ao chuveiro e deito-me sem me secar. Escrevia-lhe do tempo que faltava para ir de férias, ainda nem quatro meses tinha de Guiné! Umas férias que nunca vieram, por culpa dele. Quem havia de se meter em sarilhos na Associação Comercial de Bissau? Quem havia de fazer frente a um tenente-coronel, na ordem de batalha, dizer-lhe nas trombas, com oficiais presentes, que ele, senhor tenente-coronel, estava pouco informado? Um garoto com 21 anos, quem é que ele se julgava? Não posso ir de férias, fui castigado, na tropa diz-se punido, por falta de respeito a um oficial superior. Já passou um ano, só falta o outro. Estou bem, em descanso, tenho muito pouco para fazer, espero o dia em que te vou ver. Não é preciso testemunhas, só quero estar contigo, os dois sós.

O sono leve, intermitente, e as malas, o que vou levar? Tem que caber tudo numa mala, não levo mais. Já pensaste no que vais levar, o que é que vai contigo? Os livros, todos, uma muda de roupa civil, as coisas do quarto de banho. Os sapatos civis, as botas, o camuflado, tudo no saco da tropa. Levaria vestida a farda amarela, a que envergara aquele tempo todo, as botas de cabedal e a boina. O resto ficava, podia servir a alguém.

O despertar súbito, outra vez muito acordado, uma sensação estranha a aparecer, a tomar conta dele, uma vontade irreprimível de fugir, os pés fora da cama, o que vou fazer, para onde, a tremer como se estivesse com febre. No quarto de banho, frente ao espelho, este sou eu com as mãos na cara, isto vai passar, nem um mês falta.

Talhão militar do cemitério de Bissau. 
Foto do autor. 

Tinha que ser, tinha que lá ir. Numa daquelas tardes entrou no cemitério, directo às campas dos camaradas. Parou em frente ao túmulo do Silva, a olhar para a relva. As diligências que fizeram, até o dinheiro que receberam pelas armas que apanharam, reverteu todo para as urnas de chumbo, para as trasladações dos corpos dos camaradas mortos. E o que resta do Silva ainda aqui está, aqui mesmo à frente. Soldado António Maria Alves da Silva. Nasceu em 17 de Janeiro de 1942. Faleceu em 6 de Março de 1966.
Sem uma flor, sem nada.

A guerra via-a de muito longe, como se fosse um assunto que já não lhe dizia respeito. Mas mesmo assim, às vezes não podia esquivar-se aos relatos dos recém-chegados do mato. A 3.ª CCmds andava por Tite. Raramente saía com efectivos inferiores a dois grupos.


Entretanto chegara outra Companhia de Comandos, a 5.ª, comandada por um jovem capitão, um tipo simpático. Então como é isto aqui, fresco, não? As zonas da guerrilha são todas iguais ou há diferenças? Antes que me esqueça, cumprimentos do Capitão Saraiva. Quando chegar a Lisboa contacte-o.

Visto como inexpugnável, no sul as NT estavam praticamente confinadas aos aquartelamentos. Madina do Boé, um inferno, o Diem-Biem-Phu dos portugueses, o capitão de lá a dizer que a única coisa que podiam fazer era viver de dia e de noite dentro dos abrigos cavados no solo, suportados por troncos e enchidos com cimento em barda. Passavam os dias e as noites a verem a vida em frente por entre os buracos. Abastecidos do ar, dizia para quem o queria ouvir, que os aviões faziam malabarismos para não serem atingidos. Madina vai ser o primeiro aquartelamento a ser tomado pelo PAIGC, ouvia-se em muitas bocas que era um assunto arrumado.


Os Fiats G-91 já estavam operacionais, a esperança da manutenção da superioridade via-se em algumas caras, confirmavam-se notícias de acções sobre antiaéreas do PAIGC. E os lobos maus, os Alouettes III armados com canhão e metralhadora, passadas as experiências, também já apoiavam as forças terrestres.

Alouette III armado. 
Foto da net. 

E os ataques dos guerrilheiros com foguetes a vários aquartelamentos também começavam a ser frequentes. O norte em brasa, Barro, Bigene, Guidage, o Oio nem se fala, o sul quase fora do controlo, o leste ainda assim-assim.
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Nota:
1 - Pistola metralhadora utilizada pelas tropas da URSS durante a 2.ª Grande Guerra. Nos anos a seguir a PPSH foi utilizada por numerosos movimentos guerrilheiros apoiados pela URSS. Encravava com alguma facilidade, especialmente com o carregador em forma de tambor, e a alta cadência de tiro (cerca de 900 por minuto) aliada à facilidade de disparo faziam com que rapidamente se gastassem munições disponíveis, o que acarretava alguns problemas logísticos à guerrilha. A elevada cadência de tiro levou a que as NT lhe pusessem o nome de costureirinha.

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3- Os últimos dias 

Natal à porta, as montras de Bissau mudaram a cara, muitos militares nas ruas a entrarem e a saírem das lojas. Há um ano andava por Barro e Bigene, foi um fim de ano diferente.
No QG organizaram uma Ceia de Natal como devia ser, bacalhau e os doces todos. Estava lá toda a oficialada superior, Comandante Militar incluído, e familiares, mulheres e filhos, alguns vindos de Lisboa para passar o Natal com os papás.
Bebeu-se muito bem, alguns demasiado, como acontece sempre. Depois, ao ar livre, viram um filme italiano, com o Gianni Morandi, um cantor italiano que estava na moda, a fazer o papel principal dentro da farda de um soldado, estavam à espera de quê, que fosse de um capitão? Um apaixonado, aquele Morandi, tirava canções atrás de canções. Tantas que a maralha lá de trás, entusiasmada, começou a acompanhar a música, primeiro um, muito baixo, depois já se sabe como é, outros entusiastas também, até o Morandi se virou para eles, a cantar de lágrimas nos olhos. Falta de respeito! Uns alferes de merda, uns comunistóides, que é para isso que agora servem as universidades, sussurrava um major voltado lá para trás!

Entrou Janeiro, a primeira semana nunca mais acabava, minuto a minuto, até de noite! A confirmação da data de chegada do Uíge também chegou naqueles dias. A 17 deste mês, disse-lhe o Manaças, a par de tudo o que fosse transportes. Estou a dizer-te, pá, já saíram de Lisboa, estão neste momento a caminho daqui!
E o navio chegou mesmo. As tropas, verdinhas de novas, demoraram uma eternidade a desembarcarem, uma vontade enorme de não mexerem as pernas.

Navio “Uíge” em Bissau. Foto de Torcato Mendonça. Com a devida vénia. 

Estava a vê-los ao longe, na marginal, encostado a uma palmeira. É aquele o navio que te vai levar, amanhã por estas horas estás com a mala na mão, prontinho a entrar. Ficou-se a olhar para eles a saírem devagar, um a um até às lanchas, depois já no cais, perdidos, para um lado e para outro, pareciam formigas. Alguns daqueles não voltam a ver Lisboa.
Bom, vamos lá embora, até ao Bento, mais uma cerveja para veres melhor, o Manaças sempre ao lado, não o largava nem um segundo. Veio-lhe à memória a despedida do Godinho dos “Camaleões” naquele mesmo cais. E o gesto dele, de um jovem virado ao contrário. Tira do bolso uma pequena caixa de plástico e da boca sai-lhe uma frase: aqui a ganhei, aqui fica! E manda a caixa pelo ar até ao Geba.
Sabias que na noite de consoada, um soldado em Tite descarregou a G-3 no capitão?
Não quero saber de mais nada, Manaças, quero é ir-me embora. Da Guiné, agora só quero ostras no Fonseca.
Nem no Fonseca se podia estar, tanta gente nas mesas. O Augusto, um guineense que a sua companhia de Cuntima recolhera no mato e que depois aprendera com eles a ler, recebeu-o com um abraço, até se esqueceu que estava de serviço às mesas. Arranja mesa, pois claro, alferes, tem que arranjar! A sala cheia de fumo, aromas de álcoois, de muita gente também.
As cores da pele desta gente, das roupas, são quase todas iguais. As cores daqui são diferentes das que estamos habituados a ver na metrópole, um periquito da mesa do lado.
A Guiné não tem cor, tem cores, as que eu vejo andam todas à volta de tons de verde do claro ao escuro, o Manaças sonhador.
A cor de fundo, a que vai comigo, é a cor do uísque e da cerveja, Manaças.

Tanta pressa que chegasse a manhã e ela nunca mais vinha. Deitou-se e levantou-se a noite toda. Mal a luz entrou pela janela atacou a mala. Afinal estava cheia, um peso para burro, o saco ao lado. Os camuflados, as botas de lona que trilharam quilómetros sem conta, as meias esverdeadas, lenços, os restos todos arrumados ao canto do quarto. Antes de sair volto a despedir-me destes camuflados que me chuparam o suor e a água das chuvas, desta tralha que me acompanhou estes tempos todos.

Depois o andar das horas acelerou, nem deu tempo para se despedir de ninguém, tudo para trás. Ficara sem olhos, não via nada. Mal deu pelo Major Pereira da Silva, só reparou quando ele o interpelou, sorridente. Isso é que é pressa, alferes! Não se esqueça, a sua vida vai agora recomeçar, as guerras vão ser outras! E pense naquela escola de que falámos, a de Lausanne.
Leva a Guiné aqui dentro, não? Mala nas mãos do motorista do Manaças, saco nas costas dele, o quarto numa desarrumação, deixa estar, a malta arruma tudo. Parou, olhou para trás, para os restos que deixava, dois anos ali no chão. Ainda pegou no lenço negro, do pescoço, que sempre o acompanhou por aquelas terras. Siga a marinha, para o cais antes que a piroga se pisgue. Ainda falta muito, pá, só embarcas depois das 5 da tarde. Ainda tens duas ou três horas à tua frente, vamos até ao Bento, sentamo-nos lá um bocado.
Uma emoção no cais. Rostos magros, amarelos, sorriso tristes, ausentes, ar de cansaço, sentados em cima das malas alinhadas, etiquetas coladas. Outros, mais exuberantes a dançar o malhão, o vira e o corridinho. Tudo pronto à espera da ordem de embarque para as lanchas. A primeira a partir, a segunda meia hora depois. Qual meia hora, cinco minutos para aí, ainda ali vai, pá! Outra, outra, nunca mais chegava a vez dele. Mas chegou, foi das últimas, mas foi. Manaças amigo!
Pá, vai direitinho, olha o chão, cuidado com as escadas.
As luzes de Bissau ali e só tinha olhos para o Uíge, ainda tão longe, mas desta vez deve ser, devo mesmo ir-me embora.
Mal subiu a escada, o camarote onde é? Meteu-se lá para dentro e fechou a porta. Acabou-se a Guiné.
Porta fechada? Julguei que não abria, um camarada com a mala.
Está a ouvir estes rebentamentos? Deve ser em Jabadá, não?

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(Continua)
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Nota do editor

Último poste da série de 19 de novembro de 2015 Guiné 63/74 - P15385: Guiné, Ir e Voltar (Virgínio Briote, ex-Alf Mil Comando) (XXII Parte): Outros horários; Contas com os fornecedores; Um mês e meio para o fim; Um Folgado no QG e VAT 69

3 comentários:

António Murta disse...

Camarada V. Briote.
Quem me dera ter tido uma despedida assim... Mas não, fiz a maior estupidez da minha vida: por causa de um pós 25 de Abril prolongado, indefinido, expectante, demolidor dos nervos, Agosto à porta. Não aguentei. Rapazes, vou à Metrópole ver os meus, ver como é a Liberdade, e depois venho fazer as malas de vez. Até hoje... E até hoje me ficou a sensação de que algo de mim ficou lá. Nas coisas que não trouxe e nas pessoas a quem não abracei por despedida.

Espero que a tua despedida da Guiné não seja a despedida das tuas memórias. Ficaríamos mais pobres. Parabéns.

... e agora, para Mamadu Jaló, que firma no Catió, Gianni Morandi vai cantar “non soi dinho di bó”.

Grande abraço
A.Murta.

Hélder Valério disse...

Meu bom Amigo Briote

Tenho, à semelhança de muitos, lido os teus relatos.
Às vezes emociono-me. Outras vezes esboço um sorriso. Quase sempre fico a pensar e a reler.
Não tenho feito muitos comentários, um ou outro, espaçados, tinha a intenção de vir a 'comentar por junto', aliás à semelhança das memórias e relatos do Murta.
Mas hoje não posso deixar de comentar até porque deixaste aqui uns apontamentos em que me revi completamente.
Um deles foi esse 'olhar para trás' para o que deixavas. Também eu quando saía das instalações, do quarto, pela última vez, demorei o olhar sobre todas as coisas que lá estavam como que a querer decorar tudo e a levar as suas imagens. Foi assim que me recordo do armário desmontável que por lá ficou, passado ao meu substituto, da cama, da ventoinha que foi ligada quando lá cheguei ao quarto e só não trabalhou aquando dos cortes de corrente, do 'poster' do Frank Zappa junto a uma sanita (cagadeira), das paredes castanhas pintadas a tinta de óleo, das cortinas que fiz e deixei lá em amarelo torrado que contrastava lindamente com as paredes....
E o olhar para a cidade? Para as casas, para o movimento, para as pessoas?
Dizíamos (dizia) "Guiné, nunca mais!" mas sei hoje que isso era só 'da boca p'ra fora'...

Um abraço
Hélder S.

Vasco Pires disse...

Boa noite V. Briote,
Cordiais saudações.
Tenho lido as tuas crónicas,e admiro o estilo em que escreves.
Parabéns!
A descrição da tua volta,fez-me lembrar a minha.
Depois de passar quase toda a minha comissão em Gadamael, o Comandante do GAC7, mandou-me para Ingoré
Ao fim de 24 meses pedi ao Cmdt.interino do Batalhão a que estava adido que me deixasse ir para casa. E ele foi categórico,só vai quando tiver substituto,e na altura havia falta. Consegui que me deixasse ir a Bissau,para arrumar um.
Quando me apresentei ao Cmdt. do GAC7,ele disse: enfim vai para casa; ripostei que infelizmente não,pois o Segundo Cmdt do Batalhão, dizia que era ele quem mandava e não autorizava. Limitou-se a dizer: Ah é,ele disse isso.
Logo em seguida,ondenou que fizessem os papéis para eu regressar.
Estava eu na sala de embarque,com o meu camarada Vinagre de Almeida,que tinha ido mo mesmo dia para Guiné, quando vimos entrar o Coronel Cmdt. do GAC7; dirigiu-se a nós, e com ar solene disse:Lamentavelmente,quem manda é o nosso Major,e você tem que voltar.
Deve ter visto que eu "mudei de cor", pois, logo em seguida,falou que vinha agradecer a nossa colaboração, e desejar boa sorte.
Coisas do ir e voltar.
Forte abraço.
VP