segunda-feira, 4 de abril de 2016

Guiné 63/74 - P15935: (Ex)citações (307): A descolonização da Guiné-Bissau tinha tudo para correr mal (Jorge Sales Golias)


Capa do livro  de  Jorge Sales Golias, "A descolonização da Guiné-Bissau e o movimento dos capitães" (Lisboa, Edições Colibri, 2016)] (*). Reproduzida, com a devida vénia ...





Jorge Sales Golias [ nascido em Mirandela, em 1941, ex-cap eng trms, licenciado em engenhria electrónica pelo IST, membro do MFA, Bissau, adjunto do CEME, gen Carlos Fabião em 1974/75, cor trms ref, administrador de empresas; vai lançar, no próximo dia 14, o seu livro "A descolonização da Guiné-Bissau e o movimento dos capitães" (Lisboa, Edições Colibri, 2016)] (**)

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Notas do editor:

(*) Vd, poste de 3 de abril de 2016 > Guiné 63/74 - P15932: Agenda cultural (472): sessão de lançamento do livro de Jorge Sales Golias, "A descolonização da Guiné-Bissau e o movimento dos capitães" (Lisboa, Edições Colibri, 2016, 385 pp.), dia 14 de abril de 2016, 5ª feira, às 18h, na Comissão Portuguesa de História Militar, Palácio da Independência, largo de São Domingos, 11, Lisboa. Prefácio: cor Carlos Matos Gomes; apresentação: cor Aniceto Afonso

(**) Último poste da série > 29 de março de 2016 >  Guiné 63/74 - P15911: (Ex)citações (306): A propósito da última troca de prisioneiros, em Aldeia Formosa, no dia 14 de setembro de 1974....Prisioneiros, não, "retidos pelo IN"...

12 comentários:

Cherno AB disse...

Caros amigos,

O A. Rosinha "O mais velho" costuma dizer-nos que ainda ha muito a dizer, que o pessoal (os turras) do PAIGC nao quer ou nao gosta de falar sobre o que realmente aconteceu durante a apos a Guerra colonial, realmente eh um facto, mas tambem do lado do Exercito colonial (os tugas e seus aliados) ate agora falaram muito pouco, pelo menos sobre aquilo que, de facto, interessa ouvir, isto eh a verdade.

Desta feita, sera bem vinda esta anunciada publicacao do livro do Jorge S. Golias sobre a descolonizacao da Guine, que podera, eventualmente, contribuir para esclarecer muitos dos aspectos menos claros e que chocam os espiritos menos conformados sempre que se evoca o 25A74 e os acontecimentos que se seguiram.

Eu que em crianca e na minha terra natal fui testemunha involuntaria dos acontecimentos que conduziram a independencia da Guine; Eu que durante a minha infancia fui educado no amor, respeito e addmiracao de Portugal e dos portugueses; nunca consegui entender, nunca consegui aceitar que o que aconteceu tinha, necessariamente, que acontecer assim, na maior das confusoes que o meu espirito de infante da mocidade portuguesa podia admitir, no maior desprezo pela vida e interesse vital das pessoas que estiveram envolvidas e se sacrificaram ao lado de Portugal, enfim, uma serie de coisas que, na verdade, o dia ha-de vir em que a verdade vira ao de cima e sera uma forma especial de homenegear as vitimas do MFA no processo da entrega (descolonizacao) precipitada da Guine aos elementos do PAIGC.

Para terminar, queria salientar que, tambem, sempre fui de opiniao que o Spinola tinha razao e que, infelizmente, o contexto e as circuntanscias reais nao permitiram que fosse compreendido por uma larga maioria da populacao e sobretudo do Exercito portugues durante o PREC e que conduziu ao descalabro, pelo menos a nivel dos territorios do Ultramar.

Que venha mais e que, no fim, nao se reduza a repeticao da luta entre o David e o Golias.

Com um abraco amigo,

Cherno Balde

JD disse...

Olá Cherno, bom dia!
Que grande lição de serenidade e patriotismo que acabas de dar-nos. Logo tu, que ainda menino, viveste no ambiente da tropa com autorização dos teus pais; que aprendeste as primeiras letras nas deficientes condições do ensino da época; que terás conversado e avaliado com os "jubis" teus amigos sobre a presença dos portugueses na tua terra - ainda recentemente referi que antes de termos nacionalidade, já somos cidadãos do mundo; que terás alimentado expectativas de desenvolvimento social para ti e para o teu povo sob a bandeira portuguesa; que através do Spínola (de quem não sou indefectível) terás imaginado uma sociedade lusíada repartida e com grande capacidade para promover o progresso e a harmonia social; tu que, finalmente, assististe ao descalabro das lutas intestinas, e da ganância da sucessão de dirigentes, podes convencer-te de que estás tão decepcionado, quanto aqueles que tiveram, e têm, a percepção do retrocesso que atinge todos os povos do antigo império, a metrópole incluída, com excepção dos que ainda acreditam que a democracia se resume ao depósito mais ou menos regular de um voto. Um voto sem sentido nem responsabilidade, pois a seguir os eleitos nem dão sinais de recordarem as promessas eleitorais.
O MFA e o PREC foram manifestações de cobardia e traição, relativamente a governos sem inteligência para promoverem a paz, protagonizadas, talvez por uma minoria de militares profissionais em correspondência com o medo e as desconfianças de tantos anos de afastamento das famílias, e aproveitadas pelos que viviam de fazer a política a coberto de potências estrangeiras, sempre através de mentiras soezes acerca das promessas que faziam, pois todos sabiam que as parcelas por si não possuíam meios para corresponder às expectativas, por um lado, e que entrariam logo em conflitos pelo poder, por outro.
Espa minha interpretação de modo algum pretende comprometer-te.
Um grande abraço
JD

Anónimo disse...

Caro Luis e Carlos,

Ha fortes probabilidades que o guerrilheiro ao meio na imagem da capa deste livro seja o famigerado Comandante Quemo Mane. Gostaria de obter a reaccao de quem possa saber.

Cherno Balde

alma disse...

Felizmente já não estava na Guiné,em 1974.Seria para mim, muito difícil entregar o meu Quartel-Missirá, ao P,A.I.G.C. e explicar aos meus soldados africanos, que o juramento que haviam feito à Bandeira Portuguesa,já nada valia.Claro que a independência da Guiné era inevitável, mas devia ter havido um período de transição suficiente,para preparar a população, a tropa africana e o próprio P.A.I.G.C. para a nova realidade.O efectivo militar português,podia ter sido reduzido, mantendo-se apenas a tropa necessária à manutenção da Paz. Era possível? Não sei, até porque não foi tentado...Abraço! J.Cabral

Antº Rosinha disse...

Os velhos Comandantes do PAIGC, e os velhos comandantes do Exército Colonial, vão morrendo e desaparecendo sem justificarem as consequências nefastas previsíveis com a (i)responsabilidade da "guerra colonial" e da "paz criminosa" que se seguiria naqueles territórios africanos.

Mas a maior responsabilidade da guerra internacional de 30 anos em Angola que se seguiu. de 17 anos e continua em Moçambique, e no caso da Guiné, apesar dos abusos indescritíveis do PAIGC sobre a população, ainda é onde as monstruosidades foram menos espectaculares, a maior responsabilidade, quero dizer, é da ONU, porque desde 1960 já se passeava em "safaris" misericordiosos pela Nigéria, Congo's, Ruanda e Burundi, República Centro Africana e até a Argélia, um caso diferente da África sub-sariana e sabia muito bem o que seguiria teria que ser terrível.

Mas a Europa com o fim dos impérios, também vai pagar as consequências, como eu digo há 7 ou 8 anos aqui. (bem podem aramar Ceuta e o Túnel da Mancha, que o pessoal vai lá bater à porta)

Tenho que me manter no politicamente correcto, porque fui retornado de Angola e cooperante da Guiné.



Tabanca Grande disse...

Cherno, tenho uma foto dele, do Quemo Mané, vou-ta mandar... Ab, Luis

Vasco Pires disse...

Me parece que analisar pontualmente a rápida descolonização,sem a inserir nas políticas Ultramarinas /Coloniais do então dito Estado Novo,arriscamos ver a só a "foto" do momento, em prejuízo do "filme" que "rodou" durante mais de quatro décadas.
Forte abraço a todos.
VP

Cherno AB disse...

Caro Luis,

O guerrilheiro ao meio na imagem (de camuflado) deve ser o mesmo da foto de Quemo Mane (do espolio da Fundacao Mario Soares) que o Editor do blogue inseriu no texto sobre os acontecimentos de Cuntima em 1976 relatados por mim num Poste (P11762)de 25 de Junho de 2013. Comparem as duas fotos e verao que a semelhanca eh flagrante.

Cherno

Tabanca Grande disse...

O famigerado comandante Quemo Mané (mandinga ? beafada ?) aparece em foto de corpo inteiro, bem reconhecível, aqui, neste documento do Arquivo Amílcar Cabral...

Vou pedir autorização à Fundação Mário Soares para poder reproduzir a foto em formato grande ou extra-largo, no nosso blogue...


http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=05248.000.024

Tabanca Grande disse...

Lembram-se ? "Nem mais um soldado para as colónias!" (... e quem lá está que se amanhe!)... Eu não estava lá, regresseio em março de 1971, mas tive pena de quem lá estava em 25 de abril de 1974... LG
__________________

4 de Maio de 1974

- Militantes do MRPP [, Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado, de "inspiraçºao maoísta"] impedem, pela primeira vez, um embarque de tropas para as colónias. Palavra de ordem: "Nem mais um soldado para as colónias!"


http://www1.ci.uc.pt/cd25a/wikka.php?wakka=PulsarMaio74

Tabanca Grande disse...

Lembram-se ? "Nem mais um soldado para as colónias!" (... e quem lá está que se amanhe!)... Eu não estava lá, regressei em março de 1971, mas tive "pena" de quem lá (, nomeadamenmte na Guiné) estava em 25 de abril de 1974 e meses subsequentes... Se lá estivesse, também, não perdoaria, a quem me "abandonava"...

Hoje é fácil especular e opiniar sobre o processo da "descolonização", quando fomos (... a nossa "elite dirigente") incapazes de encontrar uma "solução política" para um "problema político" que só poderia ter uma "solução política"... Mas não vale a pena "autoflagelarmo-nos", porque a história não se repete... Em história não há "ses"... E para masoquimo, já basta o fado que o António Ferro, ministro da propaganda de Salazar, transformou em "canção nacional"... LG
__________________

4 de Maio de 1974

- Militantes do MRPP [, Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado, de "inspiração maoísta"] impedem, pela primeira vez, um embarque de tropas para as colónias. Palavra de ordem: "Nem mais um soldado para as colónias!"


http://www1.ci.uc.pt/cd25a/wikka.php?wakka=PulsarMaio74

JD disse...

Meu Caro Comandante-Mor da Tabanca Grande,
"Não vale a pena autoflagelarmo-nos, porque a história não serepete", referes, e eu concordo. No entanto, também parece verdadeira aquela frase que diz que uma mentira muitas vezes repetida pode tornar-se uma «verdade». É disso que se trata. Ainda hoje há um grande esforço para mascarar o 25 de Abril como um acto de generosidade e grande bravura. Qual generosidade? Qual bravura?
Sobre os 3 dês do chamado programa do MFA, nada se aproveitou. Senão, veja-se: 1) Democratizar: alcançou-se a possibilidade de votar em Portugal, mas não se votam deputados, apenas programas, e não há capacidade para controlar os programas que são viciados nos dias imediatos, nem se registam referendos para assuntos da importância de dar ou não os governos das colónias à minoria de guerrilheiross, com desprezo pelas populações e por pessoas que poderiam garantir o normal funcionamento das instituições nas colónias. Assim sendo, não há democracia onde a governação se apodera do poder e dele faz uso particular para benefício próprio; 2 - Desenvolver: desde aquela data todos os territórios e populações do antigo império têm visto degradar-se a qualidade de vida, estão cada vez mais economicamente empenhadas, e em todas as comunidades regista-se regressão na qualidade de vida e no desenvolvimento económico e social; 3 - Descolonizar: a descolonização não passou de uma série de debandadas irresponsáveis, deixando os residentes e as empresas à mercê da senha odiosa e destrutiva dos movimentos emancipalistas, onde os havia, pois em Timor inventaram-se soluções criminosas com a imposição de partidos feitos à pressa, que o MFA impôs à população que queria continuar portuguesa. Essas debandadas deram origem a conflitos de extrema gravidade que deviam envergonhar os alucinados capitães que promoveram o golpe inicial.
Lamento profundamente que as emoções partidárias tolham o esclarecimento dos factos incontestáveis sobre a perda da soberania nacional (é a CE e o FMI quem manda em Portugal), a economia tem-se degradado constantemente, e não se regista um único exercício orçamental sem resultado negativo, critica-se na generalidade a corrupção, mas não se vislumbram meios democráticos para correcção desses vícios. As dívidas pública e privada crescem para permitirem uma aparência de normalidade, quando o País está falido e totalmente dependente.
Abraços fraternos
JD