segunda-feira, 20 de junho de 2016

Guiné 63/74 - P16218: Dossiê Guileje / Gadamael (28): A situação de Gadamel, ao tempo da CCÇ 2796 (1970/72), que teve dois grandes comandantes, Cap Op Esp Fernando Assunção Silva e Cap Art António Carlos Morais Silva (Vasco Pires, (ex-Alf Mil Art, cmdt do 23.º Pel Art, Gadamael, 1970/72)

1. Mensagem de 4 do corrente do nosso camarada da diáspora, Vasco Pires (ex-Alf Mil Art, cmdt do 23.º Pel Art, Gadamael, 1970/72):

Assunto - Tempo de antena

Boa tarde Padrinho, Carlos Vinhal, Cordiais saudações. 
Tendo lido os rasgados (e acredito merecidos) elogios ao Senhor Tenente-General  [António Martins de Matos] (*), escrevo este, para dar uma modesta sugestão: publicar como post os meus últimos comentários sobre o Senhor Coronel Morais Silva, até para os Camaradas que não o conheceram, saberem que não se trata de qualquer um que andou passeando os galões pelos trópicos, mas sim de um Oficial com "obra feita" como Comandante operacional, e se isso não fosse suficiente, Professor da Academia Militar e Capitão de Abril. 
Esse é o meu pedido, que submeto à avalizada decisão dos editores.

Forte abraço.
VP


2. Segunda mensagem com data de 12 do corrente:

Assunto - Situação de Gadamael 1970/72
Bom dia Carlos /Luís,
Cordiais saudações,

Nestes tempos de comunicação em rede, quando alguém publica uma informação, verdadeira ou falsa, logo uma "multidão" a repete, muitas vezes, sem qualquer verificação.

Quando alguém fez o relato dos acontecimentos de 73, ajuntou a afirmação de que raramente Gadamael era atacada, provavelmente comparando. Então, quando alguém quer discorrer sobre Gadamael, repete a mesma afirmação.

É direito e obrigação dos intervenientes, restaurarem a realidade dos factos. Foi o que fez recentemente o senhor Coronel A. C. Morais Silva, à época Comandante Operacional do aquartelamento de Gadamael, que passo a citar:  

"...em dezembro 70, a CCAÇ Ind 2796 (em início de comissão) foi flagelada em 16, atacado o aquartelamento em 20 (uma hora), e flagelada no dia 30. ~

"Destas ações resultaram 2 baixas nas NT e 16 na POP. Em janeiro de 71, ataques em 8, 10, 11 e 28. Combate próximo em 5 e 24 ( morte do cmdt comp.capitão inf. Assunção Silva). (**)

Em 6/7 de fevereiro de 71 o aquartelamento é flagelado durante 3 (três!) horas repetindo em 28 de fev. Neste período a companhia teve 9 baixas (ver no P7756 o estado da companhia em fins de janeiro de 71...).(**)

"Nos treze meses de estadia em Gadamael, a CCaç 2796, teve 5 mortos e 26 feridos, foi flagelada 25 vezes e teve 5 contactos com o IN."

"Reafirmo que a pressão exercida pelo PAIGC de Dez de 70 a Mar 71, buscava a queda de Gadamael e a consequente queda de Guileje. Não o conseguiu, porque a guarnição de Gadamael, apesar dos momentos difíceis que viveu, manteve a posse da posição, a segurança da população, o apoio logístico a Guileje, e a liberdade de movimentos do setor. "

Solicito publiquem, para que fiquem registados os factos; assim, qualquer um pode fazer as comparações que lhe aprouver!!!

Forte abraço
Vasco Pires
Ex-soldado de Artilharia
Gadamael (***)
_________________

Notas do editor:

(*) Vd. poste de 1 de junho de 2016 > Guiné 63/74 - P16152: FAP (95): de Gadamael a Kandiafara… sem passaporte nem guia de marcha (António Martins de Matos, ex-ten pilav, BA 12, Bissalanca, 1972/74)


4 comentários:

JD disse...

Caro Vasco,
Sou contemporâneo desses anos de 70 e 71, e Gadamael já tinha alguma nomeada. Não era um lugar recomendável. A minha companhia também sofreu uma vintena de flagelações, mas repartidas pela sede e dois destacamentos. Não sofremos mortos em combate.
Portanto, acho que fizeste bem em revelar a periodicidade das visitas nesse período. No entanto, havia outros períodos de alteração na intensidade das acções do IN, e por isso, imagino que o Martins de Matos possa ter elementos diferentes para o período 73/74. No entanto, e espero que isto seja esclarecido, o que terá querido dizer, acho eu, é que se tivesse sido permitida a acção mais frequente das NT sobre as bases do IN, provavelmente a guerra não teria atingido o mesmo dramatismo que foi constatado noutros períodos e em diferentes lugares.
Saudações do
JD

Tabanca Grande disse...

Vasco, a grande generalidade dos nossos camaradas era mantida na conveniente ignorância em relação a tudo: (i) o que se passava no pais, em casa, na "metrópole": (ii) a evolução da situação em Angola, Moçambiique e nas restantes partes do império; e (iii) sobretudo sobre o que acontecia no TO da Guiné...

Mesmo a nível de setor, o que sabíamos era do contato uns com os outros nas poucas ocasiões em que cada um saía do seu buraco (colunas logístioas, operações a nível de batalhão, ida de férias à metrópole, para alguns privilegiados)...

De vez em quando ouvíamos (a até víamos...) os embrulhanços, flagelações, ataques, nossos (FAP, artilharia) ou do IN, que o território era pequeno e plano... O boato, desmoralizante, desestabilizador, fervia e alimentava inquetações....

Cada companhia preocupava-se com o seu subsetor, o seu "quintal", e era melhor que assim fosse para bem do moral das tropas...

Apesar de termos mapas da Guiné, alguém sabia lá, com exatidão, onde ficava Gandembel, Guileje, Gadamael, Catió... no sul... No leste, havia pontos de passagem obrigatórios: Xime, Bambadinca, Bafatá... Mas alguém sabia onde ficava a Afiá ou Camará ou Madina Xaquili ? Ou o Fiofioli, Ponta do Inglês, Satecuta ? Ou mais a norte, Sinchºã Jobel, o Morés ?

Cada um, conforme o tempo e o lugar, tinha uma visão limitadíssima da guerra e da sua evolução...

É, por isso, bom lembrar que Gadamael nunca foi propriamente uma "colónia de férias", antes ou depois de maio/junho de 1973... Por alguma razão hvia lá um Pel Art, por alguma razão foi para lá a africana CCAÇ 20, já no final da guerra...

Graças também ao nosso blogue, lá vamos juntando as peças e compondo o "puzzle"... Mas para isso é preciso que a malta não se cale, como tu!... Infelizmente, só temos 1 em cada 100, na mlehor das hipóteses, que se dá à pachorra de partilhar memórias (e emoções) com os seus antigos camaradas, através deste meio, o nosso blogue...

Nâo é fácil cá chegar, para os nossos antigos camaradas... As barreiras ainda são muitas. Tardiamente, timidammete, um ou outro, através de filhos e netos, vai-nos batendo à porta da Tabanca Grande, aqui ou no Facebook... Com o tempo, as memórias estão cada vez mais estilhaçadas... E o que resta são coisas boas e más, mas desfocadas... E até desgraçadamente a maior parte dos álbuns fotográficos, que a humidade, a traça e o tempo estão a destruir avassaladoramente, não têm legendas precias... Que a malta era avessa à escrita (para além do aerograma da praxe onde não se contavam as coisas más, para evitar agravar o sofrimento das famílias e amigos)...

Ab grande de Lisboa até São Paulo. LG

Vasco Pires disse...

Boa tarde Camaradas Luis/JD,
Cordiais saudações.
Muito obrigado pelos comentários.
Forte abraço.
VP

Ant' Rosinha disse...

VP e daqueles que ainda n\ao desistiu de esmiucar.
Falta muito para se compreender porque fomos os ultimos colonialistas, *europeus*, a abandonar e deixar em paz os africanos.
VP nao desistas de continuar.
Como diz algures LG, alguns desistiram, mas n\ao e bom.