domingo, 14 de agosto de 2016

Guiné 63/74 - P16386: Álbum fotográfico de Francisco Gamelas, ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 3089, ao tempo do BCAÇ 3863 (Teixeira Pinto, 1971/73) - Parte IX: Março de 1972, Cacheu... "Pintado de branco, o forte / que defendeu a velha feitoria. / Aqui, o negro evitava a morte / tornando-se mercadoria"


Foto nº 47 > Guiné > Região do Cacheu > Cacheu > Março de 1972 > Forte da feitoria, junto ao rio; "Pintado de branco, o forte / que defendeu a velha feitoria. /Aqui, o negro evitava a morte / tornando-se  mercadoria"...


Foto nº 46 > Guiné > Região do Cacheu > Cacheu > Março  de 1972 >  Monumento ao Infante D. Henrique: "O Infante das Descobertas / também aqui é lembrado / em pedra, de vistas abertas, /astrolábio e texto lavrado"... "Mas é o fresco camarão / o rei destas memórias",


 Foto nº 46A > Guiné > Região do Cacheu > Cacheu > Março  de 1972 >  Monumento em homenagem do "V Centenário da Morte do Infante Dom Henrique"...."Mas é o fresco camarão / o rei destas memórias, /pretexto de um belo serão / com suculentas histórias"...


Foto nº 45 > Guiné > Região do Cacheu > Cacheu > Março de 1972 > Avenida de entrada na vila,.. "Uma pequena avenida / à entrada da povoação. / De tão erma e contida / era de escassa admiração"


 Fotos (e legendas): © Francisco Gamelas (2016). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do Francisco Gamelas, ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 3089 (Teixeira Pinto, 1971/73), adido ao BCAÇ 3863 (1971/73) (*).

Francisco Gamelas, que é engenheiro eletrotécnico de formação, quadro superior da PT Inovação reformado, vive em Aveiro, e publicou recentemente "Outro olhar - Guiné 1971-1973" (Aveiro, 2016, ed. de autor, 127 pp. + ilust; preço de capa 12,50 €). Os interessados podem encomendá-lo ao autor através do seu email pessoal franciscogamelas@sapo.pt. O design é da arquiteta Beatriz Ribau Pimenta, a partir da foto. nº 29. Tiragem: 150 exemplares. Impressão e acabamento: Grafigamelas, Lda, Esgueira, Aveiro.

Do poema " Memórias do Cacheu" (pp. 117/119) retirámos alguns versos que completam as legendas... Com a devida vénia... (LG).


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3 comentários:

Tabanca Grande disse...

Francisco, vocês (o batalhão de Teixeira Pinto) tinham um pelotão no Cacheu, é isso ?... Não sei porquê, este "forte", liliputiano, faz-se lembrar os "soldadinhos de chumbo" e as nossos jogos de brincar às guerras... Como é possível esta feitoria ter sido sede (ou extensão) de uma imoportante rede de tráfico de escravos ?

Recorde-se que é aqui, no Cacheu, que ganhou forma e vida o projeto do Memorial da Escravatura, a que ficará ligado para sempre o nome do nosso amigo e grã-tabanqueiro Pepito. O projeto tem apoio não só da Guiné-Bissau, como de Portugal e da União Europeia.


https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/search/label/Memorial%20da%20Escravatura

Tabanca Grande disse...

Excerto de reportagem do "P+ublico", com a devida vénia:

https://www.publico.pt/mundo/noticia/-guinebissau-alimentava-o-comercio-de-escravos-de-cabo-verde-1729883

GUINÉ-BISSAU
: Alimentar o comércio de escravos de Cabo Verde
Joana Gorjão Henriques (Texto) e Frederico Batista (Vídeo e Fotografia) 09/06/2016 - 00:33
O país serviu de emissor de escravos — e para isso até foi criada a Companhia de Cacheu no século XVII.



(...) Forte de Cacheu

A Guiné-Bissau foi uma colónia de exploração, não de fixação, diz Leopoldo Amado. Era um território que alimentava o comércio de escravos de Cabo Verde — o arquipélago prosperou devido ao comércio que saiu daqui, defende.

Os portugueses estiveram no país através da administração, mas nunca houve uma “política de conquista e fixação na medida em que o desempenho económico de África era mínimo (ao contrário do que acontecia com o Brasil e o Oriente) e a resistência dos povos africanos ao avanço europeu também contribuía para a fraca ocupação do terreno”, lembra. Por isso “os portugueses tiveram imensas dificuldades em se estabelecerem nesses pontos”. Portugal “nunca conseguiu” ter o “domínio exclusivo” do comércio de escravos “destes rios da Guiné”. “Era preciso criar um forte para dissuadir as investidas dos espanhóis, franceses, e mesmo holandeses.”

Os moradores eram constantemente assaltados e a guarnição portuguesa era insuficiente para fazer face às investidas de outras potências coloniais: assim se criou o Forte de Cacheu em finais do século XVIII. Situado mesmo à beira do rio Cacheu, e hoje ostentando estátuas de várias figuras históricas trazidas de outros locais, como a de Honório Barreto, governador da Guiné-Bissau, o forte ainda hoje mantém os canhões apontados para vários lados, e para o rio.

Lá dentro, neste pequeno quadrado, cresceu o capim. “O forte era para ser mais robusto”, lembra o historiador.

“Começou a ser concebido depois de 1640 porque a coroa tinha problemas financeiros. Foi nomeado o capitão-mor chamado Gambôa [de Ayalla] que tinha como missão principal construir este forte porque era fundamental para defender as posições portuguesas e proteger os moradores.” A construção passou inclusivamente por casos de corrupção e desvios de dinheiro, que não permitiram que fosse construído na devida altura, revela.

“De qualquer forma, nota-se que o local escolhido tem um ângulo para poder fazer face a investidas marítimas de outras potências coloniais, quer a montante, quer a jusante do rio. Mas é também um forte com canhões virados para a povoação, fazendo antever a possibilidade de as autoridades portuguesas serem atacadas pelos africanos. Isto acontecia amiúde, e os africanos chegavam ao ponto de humilhar e exigir tributos aos moradores.”

No entanto, em geral, o forte conseguiu dissuadir várias investidas e permitiu que o resgate de escravos pudesse florescer: Leopoldo Amado julga que se chegaram a cerca de 3 mil escravos por ano.

“Se considerarmos que esse resgate durou cerca de três séculos, estaremos em condições de dizer que este forte permitiu que pudessem sair cerca de um milhão de escravos de Cacheu e de povoações vizinhas. Por isso, a importância de Cacheu sobreviveu até aos nossos dias através da história lendária das suas grandes famílias que prosperaram e se multiplicaram.” (...)

Tabanca Grande disse...

Vd. aqui vídeo no You Tube:

Cacheu, Caminho de Escravos
IMVF ONGD

https://www.youtube.com/watch?v=PO9THMNnHdQ

Publicado a 06/09/2012

"Um registo do trabalho de pesquisa realizado na Guiné-Bissau, recordando a importância da região de Cacheu, no Norte do país, na época da escravatura e domínio português".

O IMVF - Instituto Marquês de Valle Flôr é um ONGD, portuguesa, que é parceira, de longa data, da AD - Acção para o Desenvolvimento. com sede em Bissau, e de que o nosso saudoso amigo Pepito (1949-2014) foi mentor, cofundador e diretor executivo.