segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Guiné 63/74 - P16503: Notas de leitura (881): “Memórias de um Esquecido”, por José Cerqueira Leiras, edição de autor, 2003 (Mário Beja Santos)

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 30 de Agosto de 2016:

Queridos amigos,

Tenho vindo a acumular provas de que a guerrilha se manifestou de forma acesa e contundente pelo menos a partir do segundo semestre de 1962. Destruir vias de comunicação, incendiar tabancas, o recurso ao assassínio de comerciantes, passou a ser moeda corrente no Sul da Guiné. Os sublevados ainda vêm mal equipados mas o seu poder intimidador irá revelar-se tão forte que as populações ou fogem para o mato ou para pontos do litoral, onde julgam encontrar defesa.
O relato de José Leiras é nesse aspeto eloquente: o que ele viu em Fulacunda, enquanto Cabo da CCAÇ 153, enquanto Chefe de Posto em Encheia, de 1963 a 1964.
Os historiadores não podem prescindir de consultar as histórias destas unidades para preencher as lacunas existentes. Fala-se sempre em 20 de Janeiro de 1963 como o início da guerra de guerrilhas, hoje sabe-se que não é verdade. Valia a pena pôr branco no preto.

Um abraço do
Mário


De Cabo do Exército a Chefe de Posto: na Guiné, entre 1961 e 1964

Beja Santos

“Memórias de um Esquecido”, por José Cerqueira Leiras, edição de autor, 2003, é um contributo precioso para conhecer melhor a Guiné a fermentar a luta armada, e sentir os sinais da primeira fase da guerrilha. (*)

José Leiras, do Alto Minho, escreve memórias da sua vida, vamos cingirmo-nos aos preparativos para a Guiné, o durante e o logo depois. Assentou praça em Março de 1960 na RAP 2 na Serra do Pilar, dali saiu imediatamente para o antigo Metralhadoras 3, segue para Coimbra, para o RI 12 e daqui arrancou para o Depósito Geral de Adidos, no Largo da Graça, em Lisboa. Anda muito à boleia entre Lisboa e o Porto, o namorico assim o obriga. Em 27 de Maio de 1961 chega a Bissau, vem num contingente de três aviões militares. O comandante de companhia é o Capitão Curto. Vão para Santa Luzia, a caserna ainda tem o chão em terra, as janelas ainda não tinham vidros, nem porta havia. De Bissau seguem para Fulacunda, que ele vai apresentado conforme sabe. A viagem que fazem é demonstrativa da paz existente. Vão por terra de Bissau para Fulacunda em viatura, passam pelo Biombo, prosseguem por Mansabá, depois Bafatá, Saltinho, Xitole e Bambadinca, e daqui a Fulacunda, região de Beafadas, mas onde não faltam Balantas, Mandingas, Mancanhas e alguns cabo-verdianos. Começam a desmatar em volta do acampamento para fazer um quartel novo. Escreve:

“Passámos 15 dias com machado e serra na mão a cortar árvores e a limpar cerca de 1500 cajueiros e mangueiros. Uma vez o terreno limpo, começámos a fabricar os blocos de terra amassada com palha brava, e que depois de secar ao sol umas semanas são maus duros que betão armado. Tempos depois, o capitão empregou alguns pretos e começou-se a construir uma caserna nova, entretanto já tínhamos ocupado o celeiro da vila e mais três pequenas casas de telha à europeia e aí instalámos dormitórios, enfermaria e depósito de munições. Para a cozinha montámos um grande barracão em troncos e ramos de palmeira e assim ficou para sempre em provisório”.
Tentou fazer negócios com a criação de porcos. Tudo correu mal.

Nem tudo é o sétimo céu, começam a chegar notícias de que a subversão passara a rondar Fulacunda. Pela primeira vez refere a sua unidade, a CCAÇ 153 (**), acabara-se o sossego, todos os dias e todas as noites saíam patrulhas de reconhecimento. Declara que houve uma emboscada quando iam buscar água, morreu o soldado 224/60, António Vilares. Vão à tabanca de Dada e trazem alguns prisioneiros, terá havido represália do PAIGC que incendiou e destruiu completamente a tabanca levando para o mato toda a população válida. A seguir é dinamitada uma ponte que atravessava um pequeno afluente do rio Fulacunda, ficaram cortadas as comunicações com Buba, onde se encontrava a CCAÇ 152.
Refere que Buba era muito bonita e airosa, tinha bom clima e boa água, e um importante cruzamento de estradas para Empada, Catió e a fronteira da Guiné-Conacri. Reconstruiu-se a ponte que dois meses mais tarde foi novamente destruída, o que levou a enviar um pelotão para Empada e uma Secção para Aldeia Formosa. O desassossego continua, foi descoberta uma casa de mato cerca de Buba-Tambó, montou-se emboscada, houve mortos, feridos e prisioneiros, o Soldado António Ribas morreu em combate. Com a tropa desmoralizada, o Capitão Curto manda-os descansar em Bolama, um pelotão de cada vez. E observa, acerca de Bolama:

“Apesar de pequena e desprezada é ainda hoje a cidade da Guiné mais tipicamente portuguesa, com as suas ruas estreitas e calcetadas em pedra ou paralelos”.~

Estavam em férias e tiveram que ir a S. João, os guerrilheiros tinham incendiado e destruído aquele ponto de passagem no ponto extremo do Setor de Fulacunda. Sucederam-se combates em Nova Sintra, as populações dispersam-se. O pelotão é destacado para Catió, os ataques são constantes. Começam a aparecer também comerciantes assassinados. Em Março de 1962, casa-se por procuração. Em 1963, já está em Bissau, a mulher acompanha-o. Logo a seguir a CCAÇ 153 embarca para Lisboa, José Leiras foi ao palácio falar com o Governador Peixoto Correia que já lhe tinha destinado o comando do Posto Administrativo de Encheia. Aplica-se ao trabalho e faz o recenseamento das 30 tabancas existentes, cobrou impostos, mandou efetuar a plantação de dezenas de mangueiros à beira da estrada principal, reparou-se o posto sanitário. E escreve:

“Com a mão-de-obra negra, orientei os trabalhos e então construiu-se uma pequena pista para que lá pudesse ir uma avioneta levar correio. Pelos trabalhos efetuados, éramos muito queridos lá na terra só que o terrorismo naquela zona começava também a dar sinal de vida e em pouco tempo alastrou”.

A mulher está grávida e a sofrer de paludismo, tem de regressar a Portugal. Na coluna para Bissau, entre Encheia e Binar há uma emboscada, um camião civil carregado de arroz e mancarra saltou pelos ares com o rebentamento de uma mina. Mais um soldado morto. No regresso a Encheia, e pela estrada de Bissorã, via Mansoa, depara-se um camião civil a arder. 10 quilómetros à frente, duas árvores atravessadas e mais adiante uma grande vala cortando por completo a estrada.

A guerra é indisfarçável, os fuzileiros chegam a Encheia. José Leiras vai a Bissorã falar com o administrador e pedir reforços, tudo lhe é recusado. No regresso, escapa por um triz a uma saraivada de balas. Em Encheia, há alvoroço todos os dias, gente a fugir para o mato. É nisto que se dá um ataque à povoação, muitas moranças destruídas pelo fogo, o comércio saqueado, todo o gado roubado e pessoas levadas para o mato. O comerciante Francisco Beira Mar é assassinado. José Leiras consegue chegar ao posto e resiste ao fogo dos guerrilheiros, apesar de ferido, pois no jipe foi atingido por várias balas numa perna. Na manhã seguinte, toca-se o clarim para a formatura e hasteia-se a bandeira portuguesa. A situação de Encheia é de uma enorme desolação. José Leiras arranja um voluntário para ir a Bissorã avisar a tropa, esta levou cinco horas para fazer 24 km pois na estrada havia dezenas de árvores atravessadas para além das valas. Ferido, é levado para o hospital, nessa altura as cuidadoras são religiosas. São-lhe extraídas as balas e dias depois vai de avioneta até Bissorã. Passa a noite de Natal de 1963 em Bissorã, no dia seguinte parte para Encheia, já lá está um pelotão. Caminhamos para o fim das vicissitudes do Chefe de Posto em Encheia. No fim do mês de Março de 1964, é mandado apresentar ao novo Governador, Contra-Almirante Vasco Rodrigues. Põe-se ao caminho e apresenta-se ao Governador. Vinha coberto de poeira vermelha, apresentou-se de arma às costas e duas granadas no bolso da camisa. O Governador não escondeu a sua indignação, repreende-o com aspereza, pois devia apresentar-se de farda branca e boné de pala. Convocara-o para lhe dar um louvor, como já não merecia, ia transferi-lo de castigo para o Posto de Cacine. E ele escreve:

“Senhor Governador, o meu louvor pode guardá-lo para V. Exa. como recordação minha, eu queria era aumento de salário e com respeito a ir para Cacine de castigo, vá para lá você que tem tiroteio de dia e de noite para se distrair mas não leve o fato branco porque está sujeito a manchá-lo de sangue e desde já apresento a minha demissão”.

Demorou alguns meses a regressar, os transportes vêm pejados de gente em retirada para a metrópole, andou alguns meses a trabalhar como motorista de camião da Tecnil, em Bissalanca. Em Junho desse ano chega a Lisboa.

Como é evidente, é indispensável ler a história da CCAÇ 153 (**) para procurar averiguar o que há de fidedigno nestes episódios. Parece mais que demonstrado que houve guerrilha acesa a partir de 1962, a data ícone de 20 de Janeiro de 1963 só pode significar que é o ponto de partida para flagelações, mas durante largos meses de 1962 acumulam-se as provas de fugas e raptos de população, assassinatos de comerciantes, atos de destruição de pontes e telégrafos, as comunicações foram sendo anuladas e os civis aproximando-se das povoações do litoral. Isto no Sul. O testemunho parte de Fulacunda. Em Encheia, assistimos, já em 1963 a formas de destruição coincidentes com as que se perpetraram no Sul. E em 1964 disseminara-se a luta armada. Testemunhos como o de José Leiras abonam a intensidade de uma guerrilha que foi recrudescendo até encontrar formas de contenção com nomes próprios: o terror do helicóptero lobo-mau, as operações das forças especiais, os bombardeamentos intensos no interior das matas de difícil acesso. Curioso seria perceber o que é que José Leiras esperava, depois de ter experimentado a guerra no Sul, de seguir em terreno tão atribulado, uma carreira de funcionário colonial.
____________

Notas do editor

(*) Último poste da série de 16 de setembro de 2016 > Guiné 63/74 - P16495: Notas de leitura (880): Os Cus de Judas, por António Lobo Antunes (2) (Mário Beja Santos)

(**) Sobre a CCAÇ 153, temos no nosso blogue dezena e meia de referencias. Clicar aqui. Temos também meia dúzia de referências ao cap Curto, José Curto ou José Carreto Curto, hoje tenente general reformado. As suas memórias escritas seriam importantes para se perceber melhor este período de terror e contra-terror dos anos de 1962/63.

8 comentários:

Anónimo disse...

Beja

Verifica-se na descrição a ausência de datas relativamente à "porrada" anterior a 20-01-1963.
Fala-se no PAIGC, mas o que é certo toda a documentação deste Movimento e todos os seus dirigentes máximos fazem apenas referência ao início das hostilidades por eles em 20-01-1963 com o ataque ao quartel de Tite e nunca outra data.
Falam também de algumas escaramuças antes desta data levadas a efeito no ano 1961 no norte da Guiné, S Domingos, em 1961 pela FLING ou outros mas que não são reconhecidas como sendo o início da guerra de libertação/guerra colonial.
A CCaç 153 não tem história da unidade,{vid Fichas das Unidades - EME pág 40 e 309} foi integrada no dispositivo e manobra do BCaç 237 que também não tem história, embora existam umas folhas no AHM das quais eu tenho fotocópias e que até dei ao meu conterrâneo Gabriel Moura o qual integrou-as no seu trabalho...
Enfim... ficam as dúvidas.
Um abraço
Carlos Silva

Antº Rosinha disse...

Tite, na realidade é uma data do PAIGC para criar a sua história e apagando a história de outros movimentos, que é o mesmo processo que os partidos irmãos, MPLA que Amílcar também é co-fundador e Frelimo usaram em relação aos movimentos que se lhe opunham.

Ou seja, os "heróis nacionalistas" que dominaram sobre certos partidos "tribais" numa tentativa de apagar os outros da história da libertação do jugo colonial português, a parte mais fácil para esses 3 movimentos, como se viu na prolongada guerra que continuou em Angola e em Moçambique e no caso da Guiné, com o "desaparecimento" continuado de vários dirigentes.

Este post e outros têm escrito a nossa guerra do Ultramar, mas Beja Santos também vai ajudando a escrever a luta de libertação dos movimentos que acabaram por manter até hoje os 5 PALOP.

E não 4 como pretendia Amílcar e Luís Cabral, e que continuam 5 enquanto Cabinda fôr angolana e a Guiné Equatorial não papia o crioulo.

Já rebati muito esta tecla do "mal por mal", antes estes movimentos a que dominaram a situação final.

Cumprimentos






Tabanca Grande disse...

Este camarada nosso, o José Cerqueira Leiras, não pode ser "esquecido". Irónico o título do seu livro, "Memórias de um esquecido"... Nem ele nem os nossos camaradas da CCAÇ 153... e muito menos os nossos administradores e chefes de posto...

Importante que o nosso infatigável crítico literário tenha "repescado" mais este testemunho sobre o conturbado período de 61, 62, 63, na Guiné, os "anos de chumbo" como eu lhe chamo, quando a brincar com o fogo ateámos o capim... E ao terror respondemos com o terror... Há ainda uma cortina de silêncio sobre todos estes acontecimentos.

Antº Rosinha disse...

Luís Graça, pouca gente dá mais importância a estas carolices coloniais, da nossa 3ª idade.

Mas como a velha Europa colonial que com a descolonização se viu livre de África, mas não dos africanos, deves com teimosia e paciência dar sempre corda a este blog.

Como digo sempre, falta explicar muita coisa.

É que desde o Quénia e da Serra Leoa até à Líbia e Argélia, passando pelas "Guinés" os africanos estão invadindo o Mediterrâneo, em fuga e não para jogar futebol ou estudar como vinha Chipenda ou Amílcar Cabral ou Eusébio, é a prova que falta muito para compreender o que esteve errado no nosso tempo que se repercute hoje, tão negativamente.

Este post com o relato do terrorismo antes do "histórico Tite", só vem relembrar que o termo "terrorismo" sobre as populações, era a palavra correta, na Guiné, como foi com a UPA em Angola, com o Mau-mau, no Quénia e que continua a haver terrorismo e já se sente até no território Europa de hoje.

Claro que eu estou nos antípodas, digo sempre que os "ventos da história" é que estavam errados, não nós os "tugas", os chefes de posto e os "colon" os "imperialistas" e os fantoches (fulas e comandos).

E também digo que os nacionalistas Amílcar e Agostinho Neto só vão lutar para o "Mato" para combater com as mesmas armas dos movimentos de origem tribal, porque era aí que estava o grande inimigo desses nacionalistas.

Embora repetitivo, voltarei com post da mesma tecla, embora eu não faça fé.

Cumprimentos



Tabanca Grande disse...

es·que·ci·do |è|
(particípio de esquecer)
adjectivo e substantivo masculino
1. Que ou aquele que se esquece frequentemente.
adjectivo
2. Que se esqueceu.
3. A que se não liga importância.
4. Abandonado.
5. Pateta.

"esquecido", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/DLPO/esquecido [consultado em 20-09-2016].

Tabanca Grande disse...


Autor: LEIRAS, José Cerqueira
Título: Memórias de um esquecido / José Cerqueira Leiras
Publicação: [S.l.] : J.C.Leiras, 2003
Descrição física: 221, [3] p. ; 21 cm
ISBN: ISBN 972-95996-1-0
Nº do Depósito Legal: PT|191024/03
CDU: 869.0-94 Leiras, José Cerqueira
Cota: 0-8-167 BMC 519284
Tipo de documento: Texto impresso
País de publicação: Portugal


Fonte: DocBWeb


http://pesquisabmc.cm-coimbra.pt/docbweb2/plinkres.asp?Base=ISBD&Form=COMP&StartRec=0&RecPag=5&NewSearch=1&SearchTxt=%22AU%20LEIRAS%2C%20Jos%E9%20Cerqueira%22%20%2B%20%22AU%20LEIRAS%2C%20Jos%E9%20Cerqueira%24%22

Tabanca Grande disse...

Não sei se, no seu livro, "Memórias de um esquecido", o José Cerqueira Leiras narra o episódio da morte do 1º histórico comandante do PAIGC, em julho de 1962, na sequência de uma ação fulgurante do "grupo especial" do cap inf José Curto, que comandava a CCAÇ 153...

25 DE JANEIRO DE 2013

Guiné 63/74 - P11005: Efemérides (119): A morte do comandante Vitorino Costa, um revés para o partido de Amílcar Cabral, em 1962, ainda antes do início oficial da guerra

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2013/01/guin-e-6374-p11005-efemerides-119-morte.html


O Vitorino Costa (1937-1962), nascido em Bolama, era soldado do exército português em 1959, tal como o Domingos Ramos e outros... Terá aderido ao PAIGC em 1960, e saído para Conacri, tal como o irmão mais novo, Manuel Saturnino Costa. Em janeiro de 1961 integra o grupo dos dez meninos bonitos de Amílcar Cabral, que vão para a China, para treino político-militar, na Academia Militar de Nanquim...Do grupo fazem parte outros históricos como o 'Nino'Veira, o Constantino Teixeira, o Xico Tê, o Domingos Ramos, o Osvaldo Silva, etc. Todos já morreram, com exceção do Manuel Saturnino Costa.

Depois do regresso dos 10 históricos comandantes, o Vitorino ainda vai para o Ghana, representar o PAIGC, mas depressa regressa a Conacri para ser mandado para o sul, creio que em 1962, para fazer o trabalho de "aliciamento" das populações...

Em Darsalame, segundo informação que tenho, na região de Quínara, a sua presença é denunciada às autoridades portuguesas. A sua morte é saudada como um grande "ronco" pelas NT em Tite... Para Amílcar Cabral foi um duro revés pessoal e político...

Era importante que aparecessem testemunhos escritos, de um lado e do outro, sobre este episódio, que continua rodeado de um grande secretismo. Mais de meio século depois, é fundamental separar o mito e a realidade... Era importante que o hoje ten gen ref José Curto aceitasse falar sobre este e outros episódios que marcaram o início da guerra na Guiné... De facto, a guerra está longe de ter começado em 23 de janeiro de 1963, em Tite... com o mítico tiro disparado pelo Arafan Mané (1944-2004)... O barril estava a ser enchido de pólvora de há muito...

Anónimo disse...


Luís

Quando referes que:

"De facto, a guerra está longe de ter começado em 23 de janeiro de 1963, em Tite... com o mítico tiro disparado pelo Arafan Mané (1944-2004)... O barril estava a ser enchido de pólvora de há muito..."

Na verdade está longe, pois desde a sua descoberta/ocupação em mil quatrocentos e tal, passando pelas campanhas de Teixeira Pinto em 1912/13 que o barril estava a ser enchido de pólvora e veio a terminar em 1974, continuando entre eles a partir dessa data...
Um abraço
Carlos Silva