terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Guiné 61/74 - P16912: Inquérito 'on line' (96): "O meu inimigo de ontem nunca poderá ser meu amigo"... Resposta até ao dia 9, segunda-feira, às 18h36...



Guiné > Região de Gabu < Paunca > CCAÇ 11 (1969/74) > c. junho / julho / agosto de 1974 > A paz, depois da guerra, ou a guerra e a paz, como duas faces da mesma moeda... > O fur mil op esp J. Casimiro Carvalho, "herói de Gadamael", no meio dos inimigos de ontem... Fotos do seu álbum fotográfico, sem legendas... (*)

Agradecemos-lhe a coragem e a frontalidade com que, dezenas de anos depois, ele nos deixou ver, digitalizar e publicar essas fotos de inegável interesse documental. Este nosso camarada que vemos aqui a abraçar os inimigos de ontem, foi o mesmo que tinha escrito à mãe, em 6 de junho de 1974 a seguinte missiva:

"(...) Ficou, nesse encontro, determinado que amanhã o inimigo vinha a um quartel nosso visitar-nos, conhecer-nos, nós que nos matavámos [uns aos outros] sem nos vermos. Enfim, agora como está previsto, conhecer-nos-emos, se não houver imprevistos, e eu, que tanto os odiei, com o ódio que ganhei com a guerra, devido ao sangue que vi derramar, irei... talvez - quem sabe ? - ABRAÇÁ-LOS. Sim, porque eles lutaram para defenderem o que por direito lhes pertencia, um chão deles, bravos soldados como nós." (...).

É o mesmo J. Casimiro Carvalho que na batalha de Gadamael pôs a vida em risco para salvar outros camaradas (e nomeadamente o seu capitão) e que chegou a ser ferido.

Fotos: © José Casimiro Carvalho (2007). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



I. INQUÉRITO DE OPINIÃO:

"O MEU INIMIGO DE ONTEM
NUNCA PODERÁ VIR A SER MEU AMIGO"


1. Não, nunca poderá vir a ser meu amigo


2. Sim, poderá vir a ser meu amigo


3. Talvez, depende das circunstâncias


4. Não sei responder


Este é o primeiro inquérito de opinião do ano de 2017... Vá lá, façam, o favor de responder... no canto superior esquerdo do blogue... 

Precisamos de 100 respostas, que é um número redondo... Até ao dia 9, próxima segunda-feira. O encerramento das "urnas" é às 18h36...(**)

O tema foi suscitado pelos postes do José Teixeira (P16905) (***) e do Carlos Vinhal (P16908) (****).


II. Comentário de Carlos Vinhal (****):
(...) E agora chegamos ao que aqui me traz, o inimigo de ontem, amigo de hoje.
Os movimentos de libertação foram criados e dirigidos por africanos portugueses que adquiriram formação académica universitária na capital do império, onde nas barbas do poder se organizaram. Apoiados por potências com ambições estratégicas em África, e acompanhando os ventos e marés que se faziam sentir, não foi difícil começarem a guerra que iria desgastar uns e outros quase até à exaustão. Portugal mobilizou metropolitanos e locais, e os grupos de libertação tentaram localmente arranjar simpatizantes para a sua causa. Os seus quadros tiveram formação de luta de guerrilha principalmente nos países do leste da Europa, acabando por terem no terreno a colaboração activa de especialistas cubanos e o apoio material desses mesmos países e outros.

Dizia Cabral que não lutava contra os portugueses mas contra o colonialismo, logo os quase 9000 mortos do nosso lado foram vítimas dos chamados efeitos colaterais. Alguns dos guineenses, amigos de portugueses e de Portugal, ao passarem-se legitimamente para o lado do PAIGC, movimento pelo qual lutaram, tornaram-se naturalmente nossos inimigos. Pergunto eu: e agora, acabada a guerra, voltaram a ser nossos amigos? Maneira muito romântica de ver a coisa.
Aquele guerrilheiro, que no calor da luta não me matou por caso, é agora meu amigo, também por acaso, digo eu. Se me tivesse acertado, lá se tinha ido a nossa amizade do pós-guerra. (...)
_______________

Notas do editor:

(*) Vd. poste de 29 de abril de 2012 > Guiné 63/74 - P9826: Os nossos últimos seis meses (de 25abr74 a 15out74) (9): Cartas de Paunca, SPM 5668, Parte II (J. Casimiro Carvalho, Fur Mil Op Esp., CCAÇ 11, mai-ago 1974)

(**) Último poste da série > 6 de dezembro de 2016 > Guiné 63/74 - P16805: Inquérito 'on line' (95): Texto e contexto: batota, balda, ronha, cobardia, indisciplina, traição?... Ou às vezes, também bom senso, experiência, velhice, sensatez ? (Hélder Sousa, ex-fur mil trms TSF, Piche e Bissau, 1970/72)

(***) Vd. poste de 1 de janeiro de  2017 > Guiné 61/74 - P16905: Fotos à procura de... uma legenda (80): Inimigos de ontem, amigos de hoje... (José Teixeira)
(...) O que estarão estes dois combatentes a planear?

Um, português, alferes miliciano, comandante em exercício da Companhia algures na Guiné. Outro, combatente do PAIGC. Reencontraram-se em 2013. Localizaram pontos comuns de convivência em barricadas opostas e toca a desenhar no terreno as suas posições estratégicas no passado ano de 1970 em que se enfrentaram em Jumbembem... Conversa amena que solidificou feridas e terminou num abraço.

Infelizmente o africano, funcionário da AD em Iemberém, já faleceu. Quem reconhece o nosso camarada, membro da nossa Tabanca Grande ? (...)


(****) Vd. poste de 2 de janeiro de 2017 > Guiné 61/74 - P16908: (In)citações (104): Inimigos de ontem, amigos de hoje? (Carlos Vinhal, ex-Fur Mil da CART 2732)

11 comentários:

Candido Cunha p disse...


Como o Casimiro escreve " ABRAÇÁ-LOS. Sim, porque eles lutaram para defenderem o que por direito lhes pertencia, um chão deles, bravos soldados como nós." (...).

Eu por mim, sou e continuo a ser amigo de quem nos combateu ,e não daqueles que em nome do "Império" ,nunca ouviram as suas justas pretensões. Nem sequer tinham quem os representasse na velha e bolorenta Assembleia Nacional .

A esses bafientos salazaristas ,é que eu atribuo a perca de quase três mil nossos queridos camaradas na Guiné

Carlos Vinhal disse...

Acho que estamos a balancear entre extremos o que acaba por confundir um pouco.
O título do P16905 diz: Inimigos de ontem, amigos de hoje - uma frase afirmativa
Eu no meu poste escrevi: Inimigos de ontem, amigos de hoje? - uma frase interrogativa
O título da sondagem é: O meu inimigo de ontem nunca poderá ser meu amigo - outra frase afirmativa, mas de sentido contrário da primeira.

Houve apenas uma pequena minoria (o reforço é propositado) que teve oportunidade de contactar e abraçar o inimigo depois de terminada a guerra. O que cada um fez, se abraçou, ignorou ou evitou o ex-IN é com cada qual.
Nós os mais velhos, que entramos e saímos em estado de guerra, só podemos falar de nós próprios e da nossa eventual reacção.
Como refere o Torcato Mendonça noutro local, provavelmente eu cumprimentava cordialmente o meu antagonista, se possível, ambos desarmados, e até com continência se essa pessoa tivesse no seu exército um posto superior ao meu. A isto chama-se respeito e não amizade.
Abraçar o ex-IN, acho que: "nunca, jamais, em tempo algum".

Já agora uma pequena achega ao comentador acima.
O meu camarada Alferes Couto ficou em bocadinhos
O meu camarada Soldado Vieira ficou esventrado por um rocket
O meu camarada Barbosa ficou todo "furado" com estilhaços

Não participei em nenhum jogo electrónico de guerra, era mesmo guerra com tiros, armas pesadas e minas, tudo a sério. E muito importante, cada um de nós só tinha uma vida, não havia segunda hipótese.

Carlos Vinhal
Leça da Palmeira

Tabanca Grande disse...

Por razões (neste caso, limitações) técnicas, esta funcionalidade do Blogger (a que eles chamam "sondagem") só permite fazer uma pergunta única, e tem que ser clara, concisa, precisa e sobretudo muito curta... E só temos 7 dias para responder, sempre "on line"...

Outro grande inconveniente é que não podemos recolher informações de natureza sociodemográfica (sexo, idade, escolaridade, local de residência, etc.), e muito menos controlar as respostas de combatentes e não combatentes, amigos e camaradas, etc.

Podíamos usar outras plataformas, como o "surveymonkey", para fazer "inquéritos científicos" sofisticados com uma bateria de perguntas... Mas exigem tempo e dinheiro, listas de nomes e de emails, etc.

Aqui o nosso objetivo não é fazer estudos de opinião, académicos, mas sim interagir com os nossos leitores e levá-los a participar mais assiduamente no blogue... E se possível conhecer "tendências" em relação a uma série de assuntos que interessam aos amigos e camaradas da Guiné. alguns dos quais são (ou podem ser) fraturantes...

O nosso objetivo, em última análise, e como temos dito muitas vezes, é suscitar a reflexão, a escrita, o comentário... O título do inquérito deste sema
na está formulado na negativa, justamente para suscitar a "reação" do leitor, concordando ou discordando da frase que, em si, não é verdadeira nem falsa... As hipóteses de resposta são basicamente quatro: 1. Não; 2. Sim; 3. Talvez; 4. Não sei.

Até às 16h de hoje tinham respondido 30 leitores, o que para as primeiras horas é um sinal encorajador... Vamos lá a ver se chegamos mesmo às 100 respostas...

Eis os resultados (provisórios), desagrehgados (n=30):


1. Não, nunca poderá vir a ser meu amigo > 4 (13%)

2. Sim, poderá vir a ser meu amigo > 14 (46%)

3. Talvez, depende das circunstâncias > 9 (30%)

4. Não sei responder > 3 (10%)

Obrigado a todos os que respondem e/ou que comentam. LG

Carlos Vinhal disse...

Luís, a pergunta ao inquérito poderia ter sido feita mais ou menos nestes moldes: O meu inimigo de ontem poderá ser hoje meu amigo?
Como está nem sequer é uma pergunta, é uma afirmação à qual só se pode responder: verdadeiro ou falso.
Carlos

António José Pereira da Costa disse...

Olá Camaradas

Concordo com as considerações tecidas pelo Vinhal.
Só uma pergunta dá direito a resposta, neste caso com 4 hipóteses. Assim estaria correcto. Penso que, no fundo, ao responder ao inquérito todos supusemos que o ponto de interrogação lá estava.
Não estive na descolonização, mas aquela de "andemos à porrada, mas agora semos todos uns gajos do baril" não me seduz. Claro que o fenómeno é complexo. Eles começaram por ser portugueses dissidentes a quem outros portugueses tinham de subjugar. Por razões exógenas acabou não com uma vitória/rendição, mas isso não quer dizer que caiamos nos braços uns dos outros. Tenho para mim, sem hipótese de prova, que eles simularam uma "amizade" que não sentiam e nós tomámos a atitude do "nacional-porreirismo" habitual dos portugueses. Claro que o denominador comum disto era o fascismo e o colonialismo de segunda categoria do regime político que dominava o país aquém e além mar.
Mas acho que o PAIGC conseguiu o que queria e, caído o fascismo, nós todos metropolitanos queríamos regressar são e salvos. Há ainda os guineenses que eram portugueses e deixaram de o ser e esses não creio que alguma vez tenham sido abraçados pelos guerrilheiros. Isto diz de um certo ódio larvar que felizmente não se cevou em nós. Poderia ter acontecido e sabemos bem as "confusões" que se sucederam no momento em que os colonialistas saíram e as gloriosas hostes dos guerrilheiros tomaram o poder. Na Guiné, talvez nem tanto, mas em Angola houve problemas sérios...
Creio que a receita para o relacionamento das NT com o PAIGC é aquela que o Torcato Mendonça e o Vinhal defendem.
De outra forma há um desrespeito por quem "ficou" no terreno.

Um Ab.
António J. P. Costa

Tabanca Grande disse...

"O meu inimigo de ontem poderá ser hoje meu amigo?"

Carlos, a pergunta do inquérito poderia ter sido formulada como tu sugeres e estaria também muito bem. É até mais "ortodoxo" ou "canónico... Estamos habituados à ideia de que um questionário é "sempre" feito com perguntas "diretas"...

Optei pela pergunta "indireta", que também se usa com a chamada escala de Likert (concordo / discordo)... Já aqui a usei várias vezes, mas a malta não aceita bem... Os anglossaxónicos estão mais familiarizados com as escalas de Likert do que nós, lusófonos...

Nesse caso, teria que passar da tua pergunta direta para uma proposição afirmativa e introduzir 3 ou 5 hipóteses de resposta... Poderia ser uma coisa deste género:

"O meu inimigo de ontem poderá ser hoje meu amigo" (proposição, na afirmativa, que não é verdadeira nem falsa, e que funciona como estímulo para a resposta, que vai permitir dividir os respondes em 2 grupos: os que concorda / têm uma atitude favorável; os que discordam /têm atitude desfavorável)... Podemos também querer saber o "grau de intensidade" da opinião...

1. Concordo totalmente
2. Concordo
3. Não concordo nem discordo
4. Discordo
5. Discordo totalmente

Acho que chegamos aos mesmos resultados, com a formulação por que optei:

"O meu inimigo de ontem nunca poderia vir a ser meu amigo"

1. Não, nunca poderá vir a ser meu amigo

2. Sim, poderá vir a ser meu amigo «

3. Talvez, depende das circunstâncias

4. Não sei responder

O "Não" é um não redondo, o "sim" é um sim sem reservas, o "talvez" remete para o contexto, as circunstâncias, os casos... A 4ª hipótese é a da praxe: temos que admitir, em teoria, que há inquiridos que poderão "não saber responder"...

Repara que estamos no domínio da especulação... "Em princípio, não", "em princípio,sim", "tudo, depende", "não sei"...

Obrigado pelas tuas observações, estamos sempre a aprender e com vontade de melhorar... Como sabes, tão bem ou até melhor do que eu, trabalhamos aqui no blogue, como o macaco, sem rede, e pressionados pelo tempo... Agora, já não posso corrigir nada...a partir do momento em que a malta começou a responder...

Ab. Luis

António José Pereira da Costa disse...

Olá Camaradas
Quem é o Likert?
A que companhia pertenceu?
Porque é que à pergunta directa só se pode responder Sim ou Não?
A existência de 5 hipóteses e apenas estas Concordo totalmente/Concordo/Não concordo nem discordo/Discordo/Discordo totalmente?
Qual é a diferença entre concordar totalmente, menos totalmente, assim-assim ou discordar e discordar totalmente?
Pode-se discordar ou concordar não totalmente?
Isto é uma questão de lógica e as hipóteses de resposta são as que forem necessárias para se medir o que pretende.
Esta faz-me lembrar a "emboscada que vinha nas folhas". O Insidioso não tinha as folhas e era criativo. Seguir cegamente as "folhas" dá mau resultado.

Um Ab.
António J. P. Costa

Candido Cunha p disse...

Carlos Vinhal,tal como tu afirmas,também "Não participei em nenhum jogo electrónico de guerra, era mesmo guerra com tiros, armas pesadas e minas, tudo a sério. E muito importante, cada um de nós só tinha uma vida, não havia segunda hipótese." E,usámos as mesmas maquinetas de guerra que tu. Formámos a CART11, depois C.Caç 11 que ficou sediada até 74 em Paúnca. Pois Vinhal ,eu também não esqueço as minas entre Piche e Canquelifá em julho ou Agosto de 69 ,(seis mortos),um dos quais um cabo enfermeiro todo negro da explosão,que um srg. como louco, tentava acordar .Tivemos sorte ,sim senhor ,foi termos saído de lá em 70.Como não esqueço aquela noite e madrugada já perto de me vir embora,em que estive a contar histórias ao Aladje Silá que ficou a esvair-se em sangue à espera do Allouette ,que pousou cerca das 7:30.Ele morreu quinze minutos antes.Como sabes o Salazar ,não nos tinha fornecido meios capazes de nos evacuar de noite. Lembro-me do 1º,durante umas fogachadas em Nova Lamego ,quando eles andavam a preparar os Katiuscas que passavam e rebentavam a Kms, ironizando comigo e a dizer-me que os meus "amigos" nos queriam matar.Portanto ,nós hoje ,e também graças ao 25/4 , escolhemos os amigos que quiser-mos . Nem hoje, nem nesse tempo os culpei pela Guerra .Já agora prefiro a amizade do que o "respeitinho" militar e a continência !

Antº Rosinha disse...

Ao fim de 40 anos, em que temos as verdadeiras vítimas dos nossos "inimigos" o povo de Angola, o povo da Guiné e de Moçambique, a pergunta jamais podia ser "o meu inimigo de ontem..."

A verdadeira pergunta para um inquérito destes seria "Quem era o nosso inimigo?" (A Igreja, a ONU, os Muçulmanos, Cubanos, alinhados e não alinhados, e certos partidos europeus...e outros criminosamente cínicos e demagogos)

Depois de termos visto uma guerra louca em Angola e em Moçambique e o que se passa com o PAIGC na Guiné, aqui um dos povos mais pacíficos de África, só o PAIGC é que se continua a confrontar entre si, a morder o próprio rabo, não devia ser essa a pergunta, ao fim de 40 anos.

Porque a demagogia, as mentiras e as barbaridades daquelas independências em toda a África negra em geral, até chega a ser cínico chamar àquela meia dúzia de pessoas manuseadas internacionalmente, o nosso verdadeiro inimigo.

Na Guiné, exemplo em África de gente pacífica, (só o PAIGC é que não sabe o que ele próprio significa) a vida tem sido tão desorientada, que o pesadelo de qualquer jovem é conseguir uma bolsa de estudos internacional para poder fugir dali, ou embarcar com visto e não mais voltar, ou clandestinamente mesmo fechado em contentores marítimos, ou atravessar o deserto até Marrocos ou a Líbia para saltar para a Europa.

Pior agora do que há 40 anos, porque os jovens africanos já não se comunicam com tambores, mas com internet.

Nem devemos chamar a Luís Cabral, ou a um qualquer pé descalço a quem tiraram a flecha e a zagaia e deram uma Kalashnikov, um "nosso inimigo" porque o problema foi internacional.

Luís Graça, não devemos iludirmo-nos ou enganarmo-nos a nós próprios.

Porque foi (era) uma guerra contra o mundo inteiro, menos um ou outro abstencionista. (Africa do Sul, Espanha, Brasil...)

E eramos só nós "TUGAS" e os nossos aliados angolanos, moçambicanos guineenses e caboverdeanos e sãotomenses, goeses, macaenses e timorenses, contra o mundo).

Quem não deixou internacionalizar a sua guerra foi Mandela e os Boers, mas nós"TUGAS", estavamos sabotados a partir de 1968.

Ao fim de muitos anos até os japoneses e americanos se juntaram em Pearl Harbour e no nosso caso, no dia 26 de Abril nem sabíamos quem era quem, e os nossos governantes já beijavam e abraçavam quem ia continuara a matar e esfolar os próprios povos angolanos, moçambicanos e guineenses durante muitos anos a seguir.

Não concordo com os moldes da pergunta, mas isso sou eu eu, porque não passei apenas os 24 meses naquela guerra, como tu e a maioria de quem por aqui vem.

Continua até esmiuçar tudo, porque a luta continua.

Cumprimentos

Anibal Magalhães disse...

Amigo Vinhal:
...dormi na mesma casa....
...comi á mesma mesa....
...fiz viagens no seu carro...
...tive algumas prendas...
...adorava aquele homem...
...fui para a Guiné...C.Caç2465 - Có e Bissum-Naga....
...saudades do meu Grande Amigo Amílcar Cabral....

...Um abraço

José Diniz Carneiro de Sousa e Faro disse...

Não poderá ser meu amigo, acho que será trair os meus camaradas que morreram. Os abraços que vi via TV em 74, entre inimigos de ontem e amigos de hoje foi de alívio por parte dos meus camaradas(era um chegar ao fim de uma guerra) do que de amizade. Os altos Comandos Militares, não tiveram Dignidade na Rendição e da parte do inimigo muito menos foi um "Adeus oh vai-te embora" Os nossos mortos não mereciam nem tão pouco o Povo da Guiné que ficou entregue a uma mão cheia de recalcados. Passados este anos todos ficaram muito pior. Portanto o "Tal abraço" não passou disso mesmo. Abraços.

Ex-Fur.Milº de Artª (1968/1970 BAC 1 Guiné)