segunda-feira, 3 de julho de 2017

Guiné 61/74 - P17538: "Resumo do que era a Guiné Portuguesa há vinte anos e o que é já hoje", da autoria do 2.º Sargento Ref António dos Anjos, Tipografia Académica, Bragança, 1937 (2): Págs. 15 a 23 (Alberto Nascimento, ex-Soldado Condutor Auto)


1. Segunda parte da publicação do livro "Resumo do que era a Guiné Portuguesa há vinte anos e o que é hoje", da autoria do 2.º Sargento António dos Anjos, 1937, Tipografia Académica, Bragança, enviado ao Blogue pelo nosso camarada Alberto Nascimento [na foto à esquerda] (ex-Soldado Condutor Auto da CCAÇ 84 (Bambadinca, 1961/63).


(Continua)
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Nota do editor

Primeiro poste da série de 29 de junho de 2017 > Guiné 61/74 - P17523: "Resumo do que era a Guiné Portuguesa há vinte anos e o que é já hoje", da autoria do 2.º Sargento Ref António dos Anjos, Tipografia Académica, Bragança, 1937 (1): Até à pág. 14 (Alberto Nascimento, ex-Soldado Condutor Auto)

12 comentários:

Antº Rosinha disse...

Isto é do mais perfeito e genuino que se pode ler para compreender África em português «puro».

Só se soubessemos Papel ou Balanta ou Fula poderiamos entender melhor o que é, foi e será ainda durante muitos anos, a Guiné Bissau e arredores. (Guiné Conacri, Nigéria, Mali...)

Só que agora é pior por causa da internet e já não há recurso a Chefes de Posto, só com drones.

A Kropatchec ainda servia para esgrima na recruta em Luanda em 1961.

Tabanca Grande disse...

Já aqui chamámos a atenção para as "gralhas" tipográficas que enxameiam este opúsculo do transmontanto 2º srgt ref António dos Anjos (a par de erros, exatidões, etxc., imputáveis ao autor...).

Neste caso, há uma referência a dos oficiais de nome ou apelido Lima... Um é (parece etsra correto) é a aministrador e comandante militar na vila de Farim, em 1908, o alferes Augusto José de LIMA Junior, natural de Cabo Verde, mais tarde capitão reformado, "Torre e Espada... O outro é o tenente LINO (e não Lima) Marçal Santana de Saldanha que ficou a comandar, em 1909, uma força de 50 homens em Bissorã... Em, 1920, já capitão foi condecorado ocm a Ordem de Aviz.

http://www.ordens.presidencia.pt/?idc=153&list=1


O capitão Augusto de Liam também foi condecorado em 1920 com a Ordem de Aviz.

http://www.ordens.presidencia.pt/?idc=153&list=1


Antº Rosinha disse...

Abri, li e ia fazer um comentário sobre os meus amigos Balantas "furtadores" por tradição antiga, como vemos aqui no relato do nosso 2º sargento Anjos, e qual não é o meu espanto quando encontro um comentário meu de 2014.

Como já nem me lembro do que escrevi ontem, menos ainda há 3 anos, e não gosto de repetir, gostava que o Carlos Vinhal ou o LG dessem uma explicaçãozinha, para eu compreender como aparece tal comentário tão antigo.

Obrigado

Tabanca Grande disse...

Há aqui uma referência à "justiça à laia de Bambarral"... Deve ser gralha: Bombarral, e não Bambarral, topónimo que não existe nem na Guiné nem em Portugal... Este opúsculo foi escrito (ou pelo menos publicado) em 1937... Na memória do 2º srgt reformado António dos Anjos, que viveu 25 anos na Guiné (desde 1911!), deveria haver ecos das notícias relativas à aquela terra da estremadura que, no tempo da República, era conhecido não só pelo seu fervor republicano mas também pela sanha anticlerical das suas gentes... "Justiça à laia de Bombarral", "justiça à moda de Fafe"... várias terras deste país tinham fama de fazer "justiça popular"...

Será correta a minha interpretação ? Enfim, sou vizinho daquele concelho, e sempre ouvi contar a história do incêndio e profanação da igreja, no tempo da República, mas sem saber mais detalhes.

No "site" da CM Bombarral pode ler-se:

(...) No Bombarral-vila, a imagem do Senhor dos Passos atualmente a culto na igreja paroquial tem origem numa outra muito antiga, que se encontrava na primitiva matriz do Santíssimo Salvador do Mundo. Nas Memórias Paroquiais (1758), aqui se referia a existência da “Irmandade dos Santos Passos”.

Durante a agitação anti-clerical da I República, o Bombarral, então recentemente constituído como concelho (18 de Março de 1914), foi palco de alguns exaltados episódios, de que ficou na memória a profanação daquela igreja no dia 14 de Maio de 1915.

Durante este blasfemo acto, foram destruídos órgão, alfaias litúrgicas e imagens de vários santos. Mas, quando alguns profanadores se divertiam com a cabeça do Senhor dos Passos, a conhecida “Narcisa Peixeira” terá arrebatado a cabeça e corrido a levá-la a António Pereira Bernardino, importante vitivinicultor, que então residia na Quinta da Granja.

Durante as décadas seguintes, o Bombarral não teve pároco, sendo alguns atos litúrgicos celebrados pelo prior do Carvalhal, na pequena Capela da Madre de Deus, por deferência do seu proprietário, Abel Pereira da Fonseca.

A “Cabeça” manteve-se na posse daquela família até ser incorporada numa nova imagem do “Senhor dos Passos”, cujo andor, transportado pelos filhos de António Pereira Bernardino, entrou na nova Igreja do Santíssimo Salvador do Mundo no dia da sua inauguração, 5 de Julho de 1953, e ali se mantém desde então. (...)

Tabanca Grande disse...

A origem da "justiça à moda de Fafe" vem aqui explicada na Wikipédia:


A lenda da Justiça de Fafe é uma apologia da justiça popular. Um dos maiores símbolos referenciais de Fafe, é vista como o espírito e o verdadeiro ex-libris desta localidade, e foi celebrada por um monumento na cidade.

A versão mais difundida desde o início do século XIX foi objecto de um longo poema de Inocêncio Carneiro de Sá, o Barão de Espalha Brasas. Narra um episódio, registado no século XVIII e protagonizado pelo Visconde de Moreira de Rei, político influente no concelho e homem de bem mas não de levar afrontos para casa.

Deputado às Cortes, terá chegado atrasado a uma sessão daquele órgão monárquico, no que terá sido censurado grosseiramente por um marquês, também deputado, que chegou ao desplante de lhe chamar "cão tinhoso". O visconde fingiu não ouvir o impropério e mostrou-se tranquilo durante a sessão mas, finda aquela, interpelou o marquês petulante, repreendendo-o pelas palavras descorteses que lhe havia dirigido. Em vez de lhe pedir desculpa, este arremessou-lhe provocadoramente as luvas no rosto, convocando-o para um duelo.

Ao ofendido competia escolher as armas, e quando todos pensavam que iria preferir espadas ou pistolas, como era usual na altura, o visconde apresentou-se para o recontro munido de dois resistentes varapaus. O marquês não sabia manejar esta arma grosseira mas o visconde, perito na arte do jogo do pau, tradicional nesta região, espancou o seu opositor. À gargalhada perante o acontecimento, os populares que presenciavam não se contiveram e gritaram: "Viva a Justiça de Fafe!".

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lenda_da_Justi%C3%A7a_de_Fafe

Tabanca Grande disse...

Rosinha, será este comentário a que te referes ?
Vê aqui:

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2014/12/guine-6374-p14065-excitacoes-256-eu.html

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Antº Rosinha disse...

Parece que na Guiné só dá cristãos da etnia balanta.

Mas penso que têm pouca fé.

Ainda se fala no "furto de vaca", e isso os padres não ensinam.

Oxalá os guineense nunca entrem nas guerras religiosas como certos vizinhos fazem.

Parece que em Angola também se luta contra essa tipo de guerra.

Se Moçambique escapar também a essa guerra, então os PALOP serão os maiores.

Sem essa guerras, "tudo se cria".

22 de dezembro de 2014 às 14:27

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Tabanca Grande disse...

Rosinha, experimental "pesquisar no Google" (janela,ao alto, à esquerda, se usares o Google como "browser":



"Antº Rosinha disse..." + balanta + 2014

ou "Antº Rosinha disse..." AND balanta AND 2014

A expressão "Antº Rosinha disse..." vem sempre com aspas...

Tabanca Grande disse...

Incrível!...Será que estamos a falar da mesma tabanca que eu conheci, no regulado de Badora, e onde até fiz umas "férias" com uma secção da CCAÇ 12, em março de 1970...e aonde enchi a barriga aos putos, fulas, muçulmanos, com uma lata de... fiambre de 5 kg que me mandou o vagomestre, para mim e para o meu camarada das transmissões, os únicos que eram cristãos, desarranchados e que podiam comiam carne de porco... Mas 5 kg, meu Deus!, era demais para dois pobres tugas... perdidos na Guiné profunda!... Achei que era um crime deixar estragar o fiambre... Foi um dia feliz em Sansancutá!.. E eu longe de saber que era uma terra com "pedigree"... LG
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3 DE NOVEMBRO DE 2012
Guiné 63/74 - P10615: A minha CCAÇ 12 - Anexos (I): Sansacuta, tabanca fula em autodefesa no sul do regulado de Badora, onde estive em março de 1970 e onde um dia recebi, do vaguemestre, um lata 5 kg de fiambre dinamarquês... que tive de consumir e repartir pelos putos em escassas horas (Luís Graça)

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2012/11/guine-6374-p106015-minha-ccac-12-anexos.html

Tabanca Grande disse...

Ainda voltando ao Bombarral...

Tem hoje uma igreja, a do Santíssimo Salvador do Mundo, de de linhas modernas, inaugurada a 5 de julho 1953.
Veio substituir a anterior, datada de 1548, que foi vandalizada em 1915 e depois incendiada em 1918, acabando por ser demolida em 1924.

Entre 1914 e 1941, o Bombarral não teve pároco... Tinha um goês, Bernardo Vicente Pinto (1850-1914). Sabe-se que: (i) nasceu em Socorro, distrito de Goa, India, a 12 de Março de 1850, sendo filho de José Xavier Pinto e Dorothea Tecla Justina Lugdumila Pinto; (ii) faleceu às 14h30 horas do dia 7 de Abril de 1914, ficando sepultado no cemitério do Bombarral.

Foi, portanto, foi o último pároco antes da igreja ser vandalizada (1915), incendiada (1918) e demolida (1924).

Tabanca Grande disse...

O régulo de Badora, que eu conheci em 199/71, devia ser descendente deste régulo Bancó... Era um dos régulos mais influentes e poderosos no tempo de Spínola, Tinha a residência oficial em Madina Boncó...Foi fuzilado pelo PAIGC depois da independência.

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10 DE OUTUBRO DE 2012
Guiné 63/74 - P10512: As Nossas Tropas - Quem foi Quem (11): Tenente de 2ª linha Mamadu Bonco Sanhá, régulo de Badora, comandante da companhia de milícia do Cuor (Cherno Sanhá)

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2012/10/guine-6374-p10512-as-nossas-tropas-quem.html

Tabanca Grande disse...


Campampe fica(va) a nordeste de Bafatá, do lado esquerdo da estrada que seguia para Contuboel...

http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial10_mapageral.html

Tabanca Grande disse...

Rosinha, isto não é obra do irã... nem eu tinha percebido o teu comentário de espanto,,,

O Carlos Vinhal já te explicou, por email, que desta série chegaram a ser publicados os dois primeiros postes em 2014... Depois tivemso dúvidas quanto à propriedade intelectual da obra. Optámos por remover os postes e passados estes, poucos, anos, resolveu-se definitivamente publicar a totalidade, que se deverá prolongar por 10 postes, estes dois, mais oito.
Como já havia comentários, incluindo o teu, de 29/9/2014, optou-se por os manter.

Força para ti! LG