quarta-feira, 9 de maio de 2018

Guiné 61/74 - P18619: Directiva n.º 5/71 do General Spínola para disciplinar a atribuição de Condecorações no TO da Guiné, perante a discrepância entre os 3 Ramos das Forças Armadas (Virgínio Briote, ex-Alf Mil Comando)

1. Mensagem do nosso camarada Virgínio Briote, ex-Alf Mil da CCAV 489 (Cuntima e Alf Mil Comando, CMDT do Grupo Diabólicos, Brá; 1965/67), com data de 19 de Abril de 2018, trazendo em anexo a Directiva n.º 5/71 do General António de Spínola onde chama a atenção para a discrepância entre os três Ramos das Forças Armadas na atribuição de Medalhas Militares.

Boa tarde, Carlos!
Em arrumações, dei com uma pasta com documentos sobre a guerra na Guiné que tem alguns elementos que podem ter interesse, não só para os nossos Camaradas como para os curiosos da Guerra na Guiné.
Por hoje envio-te um documento, sem comentários porque o acho esclarecedor, sobre a premente Questão das Medalhas.
Espero que o apreciem.
Tenho, pelos vistos, mais alguns com interesse, especialmente dos tempos do Gen. Spínola.

Um abraço até Monte Real.
V Briote


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7 comentários:

Alberto Branquinho disse...

Virgínio

Este documento é delicioso. Tem que ser lido com uma certa ponderação e sem menosprezos, mas que é delicioso, isso é.
Eu não tenho nenhuma medalha nem a das "Campanhas de África" (que não quero desde que a vi ao peito de quem não fez nenhuma "campanha", apesar de terem estado em África...)

Um abraço
Alberto Branquinho

José Marcelino Martins disse...

Este documento que, oportunamente, me foi cedido pelo Briote, está referido num texto que, creio ser, os "Últimos dias da Guerra da Guiné"

Para o Alberto Branquinho:

Se falas que quem usava ao peito tinha estado em África, seja qual for a província - incluindo São Tomé e Príncipe ou Cabo Verde - por decreto têm direito a usá-la.

Será o tema de um próximo trabalho.

Abraços.

José Botelho Colaço disse...

Obrigado amigo Virgínio é bom esclarecer os mais distraídos e avivar a memória aos outros e venham mais aí dos teus alfarrábios. Um abraço amigo.

António José Pereira da Costa disse...

Olá Camaradas

O esforço que é exposto neste documento para reduzir o número de condecorações data da chegada do Gen. Spínola à Guiné. Os números falam por si e o estudo realizado pelo SGDN é fundamentado em parâmetros de risco inegáveis.
Sabíamos que tinha sido assim e agora, com números, ficou claro que foi ainda pior do que supúnhamos.
Guardarei este documento, "para mais tarde mostrar" aos incrédulos, duvidantes e contestantes, que, de vez em quando, aparecem.
Sobre as condecorações atribuídas a quem não esteve nos "TO daquelas PU" tenho a dizer que existe uma medalha comemorativa (bastou lá ter estado) relativamente à Índia e que tem inscrito: "Este Reino é obra de soldados" que é uma frase de Mouzinho de Albuquerque escrita ao Rei D. Carlos. Foi assim até ao fim do terceiro quartel do Séc XX.
Em termos de risco e letalidade, não sei avaliar o que foram as campanhas da Índia, mas sabemos que tudo terminou muito mal.

Quanto aos que foram mobilizados para S. Tomé, Cabo Verde ou Timor (sem falar nos que lá estavam na invasão da Indonésia, é provável que haja também uma medalha comemorativa. Mas é só isso mesmo.
Lembro aos camaradas que a "medalha da guerra" que muitos usam é uma medalha comemorativa (bastou lá ter estado). É uma medalha que irmana os que estiveram e mais nada.Poderá causar orgulho ao próprio, mas só porque ela evoca a situação e os sacrifícios pelos quais ele passou.
Creio que estas medalhas estão, como seria claro, fora das estatísticas e percentagens.
Os números apresentados no estudo dirão respeito, creio eu, aos serviços distintos, mérito militar, cruz de guerra, valor militar e torre e espada.

Um Ab.
António J. P. Costa

Anónimo disse...

Camaradas

Não ponho em causa que quem esteve "lá fora" tenha direito a usar a medalha das "campanhas". Regulamentação é para respeitar ou, melhor, para utilizar (ou para ser utilizada). Mas mudem o nome à "medalha", p. f..
Condecorados, com decorações.
LAUS DEO.
FINIS.

Alberto Branquinho

Mário Santos disse...

Saudações fraternais a todos os camaradas de todas as armas e que cumpriram comissão em zona de guerra, muito em especial na antiga província da Guině.
Em minha opinião todas as zonas eram TO.
No meu caso, e durante os quase dois anos de comissão foram alertas permanentemente para garantir o apoio indispensável aos camaradas do exército, marinha e paras. Penso ser subjectivo e pouco relevante confrontar estatísticas de quem deveria ter tido mais ou menos medalhas.
De todas as que me foram atribuídas,nunca recebi nem uma.
Nada mudou na minha vida, nem a minha atitude pelo facto de concordar ou não ou
não com as estatísticas apresentadas.
Abraço.
Mário Santos

António José Pereira da Costa disse...

Olá Camaradas

As estatísticas são algo que traduz com muita frieza o sucedido e, muitas vezes, são irrefutáveis, como é este o caso. E não vale a pena tecer mais considerações: efectivamente o "filtro" era exageradamente estreito no Exército ou demasiado largo nos outros Ramos.
E, numa altura em que andávamos todos a "defender a Pária" as coisas tornam-se mais injustas. E, no momento da emissão deste documento, a guerra já era bastante velha (cerca de 10 anos) o que quer dizer que a estatística é muito fiável.

Claro que a obtenção/atribuição de condecorações são actos/situações que dizem muitíssimo mais ao próprio do que aos outros. É raro que sejamos mais respeitados ou aceites, mesmo entre os nossos pares (ex-combatentes) ou na nossa família e amigos por sermos condecorados. Às vezes ninguém sabe ou já se lembra que isso aconteceu. Testem nos convívios das vossas unidades.
O problema está no nosso íntimo quando nos comparamos com os outros...
Claro que podemos desvalorizar a situação até às célebres expressões: "Se isso nem sequer dá dinheiro, c***ei!..." ou perguntar: "Para que é que serve uma rodela de lata com um trapo colorido agarrado?" o que é uma maneira de varrer para baixo do capacho. Este género de actuação é uma maneira de aceitarmos engolir o sapo, o que nunca é bom...
De qualquer modo, quando encontramos um dos policondecorados de cuja "heroicidade" duvidamos podemos sempre perguntar:
- "É pá, foste à guerra e não me avisaste? Dizias qualquer coisa, que eu poderia querer ir também. E assim já éramos dois heróis".
O silêncio do outro lado é muito eloquente. Raramente temos alguém que se justifique ou tente justificar-se, com clareza. E até pode haver alguém que se desvalorize, sugerindo que a condecoração lhe caiu em cima...

Enfim, esta será mais uma retribuição que a Pátria fez aos que "lutaram por ela(?)".

Um Ab.
António J. P. Costa