segunda-feira, 21 de maio de 2018

Guiné 61/74 - P18660: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte XXXIII: as colunas logísticas até Madina do Boé



Foto nº 101


Foto nº 102


Foto nº 103


Foto nº 104


Foto nº 105




Foto nº 107 > A formação da coluna de várias viaturas à saída do aquartelamento, a caminho de Madina do Boé [Fotos, de 101 a 107]



Foto nº 121 > Pel Rec Daimler 1129 [Nova Lamego, 1966/68]... O Virgílio Teixeira aparece, à civil, de camisa branca, de óculos escuros... O cmdt do Pel Rec Daimler 1129, deve ser o da esquerda, também à civil, com a esposa ao lado. O pessoal parece estar a num churrasco... "Não tive grandes afinidades com o Alferes do Pel Rec Daimler 1129, porque ele tinha lá a mulher, e por isso vivia quase em separação...O pessoal das Daimlers era um grupo que eu apreciava muito, pelo apoio que davam nas colunas para Madina do Boé... Sei que fizemos mais confraternizações, com o esta, mas eles eram um pelotão independente e tinham as suas próprias instalações."




Guiné > Região de Gabu  > Nova Lamego > CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)

Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69); natural do Porto, vive em Vila do Conde, sendo economista, reformado; tem jámais de meia centena de referências no nosso blogue.

Recorde-se que o Virgílio Teixeira, de acordo com o seu CV militar (agora corrigido e atualizado):

(i) assenta praça, em Mafra, na Escola Prática de Infantaria (EPI), em 3 de janeiro de 1967, ainda antes de completar os 24 anos de idade; jura bandeira em finais de março desse ano; 

(ii) como habilitações literárias, tinha já os dois primeiros anos da Faculdade de Economia do Porto (, licenciatura que viria a completar  depois da tropa); tinha um irmão, velho, que era  militar de carreira;

(iii) é enviado para a EPAM [Escola Prática de Administração Militar], em Lisboa, no Lumiar; acaba em junho a especialidade de Serviço de Administração Militar (SAM); promovido a aspirante, tem uns dias de estágio, que acaba por não fazer por ter ido para o HMP, na Estrela, fazer fisioterapia por causa de um acidente sofrido  em fevereiro desse ano;

(iv) é mandado para o BC 10 em Chaves, onde deveria também fazer um estágio no CA, em julho, (que não faz, "pois não havia lá ninguém para me orientar; desenfio-me então porque não estava lá a fazer nada");

(v) é mobilizado para a Guiné em 10Ago67 - curiosamente dois anos depois em 10Ago69 chega a Lisboa a bordo do T/T Uíge -, "mas ninguém sabe de mim; encontraram-me, fui a Chaves levei uma piçada do comandante, e só me disse que não me castigava porque já tinha um 'castigo maior', que era a Guiné...

(vi) vai com Guia de marcha paro Campo Militar de Santa Margarida fazer o IAO,  e parte de Figo Maduro, em Lisboa, em 20 de setembro de 1967, num avião militar, com o comando avançado do BCAÇ 1933, para render o outro batalhão, o BCAV 1915, que segue para Bula ("embarco em 20 de setembro em Figo Maduro, chego a Bissau em 21, avanço para Nova Lamego em 24 e regresso a Bissau em 27 de setembro, com objectivo de ir aprender mais alguma coisa na Chefia de Contabilidade, mas vou mais vezes para o Pilão e para a Piscina do Club em vez de ir para CC; depois tenho de aprender sozinho, e cumpri as minhas funções sem nenhuma mácula."

(vii) faz o serviço no CTIG como alferes miliciano, sendo a sua especialidade o serviço de administração militar (SAM); nessa qualidade, foi chefe do conselho administrativo (CA) do BCAÇ 1933, ou seja, o oficial mais perto do comandante de batalhão, que era um tenente-coronel;

(viii) não tendo sido um "operacional" propriamente dito, não pode, por isso, "contar muita coisa sobre operações em concreto, embora tivesse feito muitas colunas militares de reabastecimentos, quer por rio ou por estrada", além de muitas patrulhas à volta dos aquartelamentos, e vivido muitas vezes os bombardeamentos contínuos às posições [das NT]"

(ix) faz questão também de declarar que dá "um valor enorme ao sacrifício das nossas tropas": "conheço, por aquilo que leio agora, o que se passou e nós não sabíamos quase nada. Passaram mais de 40 anos até se perceber o que foi aquela guerra";

(x) comentário final do autor: "Mas sobre o CV falta lá o antes e o depois. Nada foi fácil, como se pode pensar, eu tenho no meu activo cerca de 60 anos de trabalho, e não parece, mas aos 12 anos já era contribuinte da segurança social - naquela época caixa de previdência - passei à situação de pensionista após 45 anos ininterruptos de trabalho e contribuições, por isso com 45 anos de descontos, dou de borla ao Estado 5 anos, pois só precisava de 40. Nem os aumentos de 100% da Guiné precisei deles. Mas nunca parei, e continuei na mesma vida, agora sem mais descontos e a receber a minha pensão. Neste momento apenas escrevo o Livro e comento nos Blogues, ajudo os filhos em burocracias quando eles precisam, pois tenho uma enorme experiência de muitas coisas"....


Guiné 1967/69 - Álbum de Temas: T101 –  As Famosas Colunas Militares para Madina do Boé"

I - Anotações e Introdução ao tema:

NOTAS:

Este novo tema vem na sequência dos últimos Postes sobre Madina do Boé e Béli (*) que estão a dar que falar entre os nossos generalíssimos camaradas.

Tive a oportunidade de ter ‘disparado’ algumas fotos, numa manhã de nevoeiro, com uma coluna a partir de Nova Lamego com destino ao Cheche e Madina. Eram longas filas de camiões, que partiam com reabastecimentos para o Cheche, Madina do Boé e Béli.

Sentia estas deslocações como algo de grande perigo, dadas as minas, os mortos e feridos que caíram por aquela estrada, e com este sentimento, resolvo um dia acordar mais cedo e fazer as fotos, para mim, são uma ‘nostalgia’ incrível, que nunca esqueço.

Não estão grande qualidade, porque a manhã estava a nascer, a quantidade de luz natural era pouca, mas fica o essencial, relembrar aqueles heróicos soldados que faziam aquele trajecto, de pica na mão sempre à procura do ‘clique’,  e que muitas vezes não era detectado e assim os mortos e feridos abundavam.

Estas colunas eram realizadas com grande aparato militar, as viaturas normais seriam as GMC, os UNIMOG, as MERCEDES, e talvez outras, não me lembro de ver BERLIET.

Eram acompanhadas e escoltadas por Unidades de intervenção, abaixo dou uma relação das possíveis, mais os Pelotões Daimler, Fox, e sempre sobrevoadas por aviões T6,  de apoio aéreo.

Normalmente iam elementos da Companhia de Caçadores 5 na missão da frente de picar a estrada. A Companhia de Intervenção de Nova Lamego era a CART 1742.

Unidades possíveis de terem participado nas diversas colunas mensais para Madina:

CCS do BAÇ1933;

CCAÇ 5 ["Gatos Pretos", de Canjadude]; 

CCAÇ 1586,  CCAÇ 1588, CCAÇ 1589 e CCAÇ 1623;

CCAV 1651 e CCAV 1662;

CART1742.

Pelotões Independentes:

- Pelotão de  Morteiros 1191;

- P AM Daimler 1143 e 1129 [Vd. tratar-se do Pel Rec Daimler 1129, Nova Lamego, agosto de 1966/maio de 1968];


- Secção de AM/FOX e Reconhecimento 1578 [Vd. EREC 1578];

- Companhias de Milícias 15, 16, 19, 23.

Fico na esperança que alguém apareça a dizer que estava ali também.  Foram tiradas numa manhã do mês de Novembro de 1967.

Em, 14-05-2018 - Virgílio Teixeira

II - Legendas das fotos:

F101 a F 106 – A formação da coluna de várias viaturas à saída do aquartelamento

F121 – Os elementos do Pelotão Auto Metralhadoras Daimler Nº 1143 ou 1129 [, trata-se do Pel Rec Daimler 1129].

Em, 14-05-2018

Virgílio Teixeira

«Propriedade, Autoria, Reserva e Direitos, de Virgílio Teixeira, Ex-alferes Miliciano do SAM – Chefe do Conselho Administrativo do BCAÇ 1933 / RI15 / Tomar, Guiné 67/69, Nova Lamego, Bissau e São Domingos, de 21SET67 a 04AGO69».
_____________

Notas do editor:


8 comentários:

Anónimo disse...

O comandante do PRDaimler nº 1129 está mesmo do lado direito, em pé, de calções, de óculos, e de mãos nos quadris.
O outro camarada com a esposa(deduzo) pode ser o Sargento do Pelotão, eram homens já do quadro, um pouco mais velhos, e a senhora deve ser a esposa dele. Os meus contactos eram assim pela 'rama' não tive a esperteza, o engenho e a arte, de tomar nota disto tudo, limitava-me a tirar as fotos, ou pedir a outros que as fizessem com a minha máquina.
Por isso não sei os nomes, nem do Alferes, como disse ele acho que tinha também a mulher dele lá em Nova Lamego, havia condições para isso.
Conheço melhor os condutores, era com eles que fazia mais convívios, eu era assim, politicamente incorrecto, como diziam os meus comandos!
Virgilio Teixeira

Luís Graça disse...

As colunas logísticas de Nova Lamego a Madina do Boé não estavam suficientemente bem documentadas no blogue... Foram uma epopeia, razão pela qual o gen Spínola acabou por mandar retiar o aquartelamento que nós lá tínhamos... tal como Béli.

Essa estrada (ou picada), de Nova Lamego a Madina do Bioé, passando por Canjadude, Cheche, Béli, estava cheia de viaturas, abandonadas na sequência de minas e/ou embosadas... O Xico Allen tiporu fotografias de algumas, em 1998 (!), há 20 anos... Vou recuperar essas fotos e fazer um poste "novo"... Pode ser que apareçam mais camaradas do Leste que tenham fotos e histórias relacionadas com estas colunas...


10 DE JULHO DE 2013
Guiné 63/74 - P11822: Álbum fotográfico do Xico Allen: região do Boé, 1998: trágicos vestígios 'arqueológicos' da guerra colonial, entretanto já destruídos ou desaparecidos...

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2013/07/guine-6374-p11822-album-fotografico-do.html

Valdemar Silva disse...

Virgílio
Confirmo ter avistado muitas viaturas sinistradas e abandonadas pela NT, nas estradas/picadas para os lados de Canjadude até ao Rio Corubal.
Lembro-me de ir para aqueles lados, com a CART 11 fazer segurança, para colocação ou
levantamento/mudança das nossas minas, e aparecerem diversos trilhos no percurso para, assim, passarem as nossas viaturas e evitarem rebentamentos de minas IN.
Não me recordo dos locais, em Nova Lamego, em que aparecem as várias viaturas da coluna para Madina, mas gostei de ver o pormenor da base das árvores pintada de branco.
Ab.
Valdemar Queiroz

Anónimo disse...

Valdemar, falta qualquer coisa! CART11?

O local destas fotos que eu tirei de madrugada, é na parte central de NL, não sei explicar ao certo, pois a memória não deixa, mas é junto ao edifício do Comando do Sector L3.
Era uma cerimónia cheia de significado, despedida, parecia um Adeus para sempre, recordo esse sentimento.
Quantas destas viaturas ficaram intactas até ao fim da guerra?
Ab,

Virgilio

Anónimo disse...

Luis, isto era mesmo uma epopeia, vale a pena recuperar estas histórias, que duraram até 6 de fevereiro de 1969.

Gostava que alguém de Beli, deixasse aqui escrita famosa 'BALADA DE BELI'. Não me lembro da letra, mas a musica era triste, tal como a musica e fundo do filme 'ALAMO' do Novo México.

Ab,

Virgilio

Valdemar Silva disse...

Virgílio
A CART 11 'Os Lacraus' era uma Companhia de soldados fulas do recrutamento local enquadrada por oficiais, sargentos e praças (cabos e soldados especialistas)que estava de intervenção em toda a zona leste mas sediada no Quartel de Baixo, em Nova Lamego, desde Junho 1969 a Julho 1970.
Evidentemente que nunca nos encontramos mas estivemos nos mesmos lugares.
Ab.
Valdemar Queiroz

Anónimo disse...

Valdemar,
Não conhecia essa Companhia, não era do meu tempo como dizes, em Junho de 69 já estava com um pé no porto de Bissau e outra no ar à espera do Uige...
Obrigado pela informação.
O tal Quartel de Baixo, como já tinhas dito, não me lembro de o conhecer por esse nome.
O pormenor das arvores pintadas de branco, também só agora reparei, mas NL já era uma aldeiazinha, com direito a estas benesses.

Ab,
Virgilio Teixeira

Tabanca Grande disse...

Virgílio, o Valdemar é um rapaz do meu tenpo. Estivemos juntos em Contuboel, a dar instrução aos mancebos do recrutamento local... Ele era três ou quatro meses mais velho do que eu no CTIG. Foi ele (e os seus camaradas) que deram a recruta aos futuros soldados da minha CCAÇ 12... Deoois da especialidade e da IAO, no CIM de Contuboel, Uns foram para Bambadinca, a CCAªÇ 12; outros foram para o Gabu, Nova Lamego e Piche, a CART 11 (mais tarde, rebatizada CCAÇ 11)... A "nova força africana" de que Spínola tanto se orgulhava... e que o ajuda a reequilibrar a correlação de forças... A CCAÇ 12 e a CCART 11 e a CCAÇ 5 (Canjadude), além dos diversos Pel Caç Nat e as companhias de milícias, defenderam o "chão fula" (zona leste) com unhas e dentes... O sul e o sudeste do "chão fula" ficaram muito fragilizados com a nossa retirada de Beli, Madina do Boé e Cheche...