segunda-feira, 4 de junho de 2018

Guiné 61/74 - P18708: Ai, Dino, o que te fizeram!... Memórias de José Claudino da Silva, ex-1.º cabo cond auto, 3.ª CART / BART 6520/72 (Fulacunda, 1972/74) > Capítulos 55 e 56: "Amanhã, 19 de maio de 1973, faço 23 anos e vou dar um baile só é pena aqui não haver raparigas”.


Guiné > Região de Quínara > Fulacunda > 3.ª CART / BART 6520/72 (Fulacunda, 1972/74) > "Alegria das primeiras chuvas"...
 Foto (e legendagem): © Jorge Pinto (2014). Todos os direitos reservados.[Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Continuação da pré-publicação do próximo livro (na versão manuscrita, "Em Nome da Pátria") do nosso camarada José Claudino Silva [foto atual à esquerda] (*)

(i) nasceu em Penafiel, em 1950, "de pai incógnito" (como se dizia na época e infelizmente se continua a dizer, nos dias de hoje), tendo sido criado pela avó materna;

(ii) trabalhou e viveu em Amarante, residindo hoje na Lixa, Felgueiras, onde é vizinho do nosso grã-tabanqueiro, o padre Mário da Lixa, ex-capelão em Mansoa (1967/68), com quem, de resto, tem colaborado em iniciativas culturais, no Barracão da Cultura;

(iii) tem orgulho na sua profissão: bate-chapas, agora reformado; completou o 12.º ano de escolaridade; foi um "homem que se fez a si próprio", sendo já autor de dois livros, publicados (um de poesia e outro de ficção);

(iv) tem página no Facebook; é avô e está a animar o projeto "Bosque dos Avós", na Serra do Marão, em Amarante;

(ix) é membro n.º 756 da nossa Tabanca Grande.

2. Sinopse dos postes anteriores:

(i) foi à inspeção em 27 de junho de 1970, e começou a fazer a recruta, no dia 3 de janeiro de 1972, no CICA 1 [Centro de Instrução de Condutores Auto-rodas], no Porto, junto ao palácio de Cristal;

(ii) escreveu a sua primeira carta em 4 de janeiro de 1972, na recruta, no Porto; foi guia ocasional, para os camaradas que vinham de fora e queriam conhecer a cidade, da dos percursos de "turismo sexual"... da Via Norte à Rua Escura;

(iii) passou pelo Regimento de Cavalaria 6, depois da recruta; promovido a 1.º cabo condutor autorrodas, será colocado em Penafiel, e daqui é mobilizado para a Guiné, fazendo parte da 3.ª CART / BART 6250 (Fulacunda, 1972/74);

(iv) chegada à Bissalanca, em 26/6/1972, a bordo de um Boeing dos TAM - Transportes Aéreos Militares; faz a IAO no quartel do Cumeré;

(v) no dia 2 de julho de 1972, domingo, tem licença para ir visitar Bissau, e fica lá mais uns tempos para um tirar um curso de especialista em Berliet;

(vi) um mês depois, parte para Bolama onde se junta aos seus camaradas companhia; partida em duas LDM para Fulacunda; são "praxados" pelos 'velhinhos' (ou vê-cê-cês), os 'Capicuas", da CART 2772;

(vii) faz a primeira coluna auto até à foz do Rio Fulacunda, onde de 15 em 15 dias a companhia era abastecida por LDM ou LDP; escreve e lê as cartas e os aerogramas de muitos dos seus camaradas analfabetos;

(viii) é "promovido" pelo 1.º sargento a cabo dos reabastecimentos, o que lhe dá alguns pequenos privilégio como o de aprender a datilografar... e a "ter jipe";

(ix) a 'herança' dos 'velhinhos' da CART 2772, "Os Capicuas", que deixam Fulacunda; o Dino partilha um quarto de 3 x 2 m, com mais 3 camaradas, "Os Mórmones de Fulacunda";

(x) Dino, o "cabo de reabastecimentos", o "dono da loja", tem que aprender a lidar com as "diferenças de estatuto", resultantes da hierarquia militar: todos eram clientes da "loja", e todos eram iguais, mas uns mais iguais do que outros, por causa das "divisas"... e dos "galões"...

(xi) faz contas à vida e ao "patacão", de modo a poder casar-se logo que passe à peluda; e ao fim de três meses, está a escrever 30/40 cartas e aerogram as por mês; inicialmente eram 80/100; e descobre o sentido (e a importância) da camaradagem em tempo de guerra.

(xii) como "responsável" pelo reabastecimento não quer que falte a cerveja ao pessoal: em outubro de 1972, o consumo (quinzenal) era já de 6 mil garrafas; ouve dizer, pela primeira vez, na rádio clandestina, que éramos todos colonialistas e que o governo português era fascista; sente-se chocado;

(xiii) fica revoltado por o seu camarada responsável pela cantina, e como ele 1º cabo condutor auto, ter apanhado 10 dias de detenção por uma questão de "lana caprina": é o primeiro castigo no mato...; por outro lado, apanha o paludismo, perde 7 quilos, tem 41 graus de febre, conhece a solidariedade dos camaradas e está grato à competência e desvelo do pessoal de saúde da companhia.

(xiv) em 8/11/1972 festejava-se o Ramadão em Fulacunda e no resto do mundo muçulmano; entretanto, a companhia apanha a primeira arma ao IN, uma PPSH, a famosa "costureirinha" (, o seu matraquear fazia lembrar uma máquina de costura);

(xv) começa a colaborar no jornal da unidade (dirigido pelo alf mil Jorge Pinto, nosso grã-tabanqueiro), e é incentivado a prosseguir os seus estudos; surgem as primeiras dúvidas sobre o amor da sua Mely [Maria Amélia], com quem faz, no entanto, as pazes antes do Natal; confidencia-nos, através das cartas à Mely as pequenas besteiras que ele e os seus amigos (como o Zé Leal de Vila das Aves) vão fazendo;

(xvi) chega ao fim o ano de 1972; mas antes disso houve a festa do Natal (vd. capº 34º, já publicado noutro poste); como responsável pelos reabastecimentos, a sua preocupação é ter bebidas frescas, em quantidade, para a malta que regressa do mato, mas o "patacão", ontem como hoje, era sempre pouco;

(xvii) dá a notícia à namorada da morte de Amílcar Cabral (que foi em 20 de janeiro de 1973 na Guiné-Conacri e não no Senegal); passa a haver cinema em Fulacunda: manda uma encomenda postal de 6,5 kg à namorada;

(xviii) em 24 de fevereiro de 1973, dois dias antes do Festival da Canção da RTP, a companhia faz uma operação de 16 horas, capturando três homens e duas Kalashnikov, na tabanca de Farnan.

(xix) é-lhe diagnosticada uma úlcera no estômago que, só muito mais tarde, será devidamente tratada; e escreve sobre a população local, tendo dificuldade em distinguir os balantas dos biafadas;

(xx) em 20/3/1973, escreve à namorada sobre o Fanado feminino, mas mistura este ritual de passagem com a religião muçulmana, o que é incorreto; de resto, a festa do fanado era um mistério, para a grande maioria dos "tugas" e na época as autoridades portuguesas não se metiam neste domínio da esfera privada; só hoje a Mutilação Genital Feminina passou a a ser uma "prática cultural" criminalizada.

(xxi) depois das primeiras aeronaves abatidas pelos Strela, o autor começa a constatar que as avionetas com o correio começam a ser mais espaçadas;

(xxii) o primeiro ferido em combate, um furriel que levou um tiro nas costas, e que foi helievacuado, em 13 de abril de 1973, o que prova que a nossa aviação continuou a voar depois de 25 de março de 1973, em que foi abatido o primeiro Fiat G-91 por um Strela;

(xxiii) vai haver uma estrada alcatroada de Fulacunda a Gampará; e Fulacunda passa a ter artilharia (obus 14); e o autor faz 23 anos em 19 de maio de 1973; a 21, sai para Bissau, para ir de férias à Metrópole; um grupo de 10 camaradas alugam uma avioneta, civil, que fica por um conto e oitocentos escudos [equivalente hoje a 375,20 €];

(xxiv) considerações sobre i clima, as chuvas; em 19/5/1973, faz 23 anos...


3. Ai, Dino, o que te fizeram!... Memórias de José Claudino da Silva, ex-1.º cabo cond auto, 3.ª CART / BART 6520/72 (Fulacunda, 1972/74) > Capºs 55 e 56


[O autor faz questão de não corrigir os excertos que transcreve, das cartas e aerogramas que começou a escrever na tropa e depois no CTIG à sua futura esposa. E muito menos fazer autocensura 'a posterior', de acordo com o 'politicamente correto'... Esses excertos vêm a negrito. O livro, que tinha originalmente como título "Em Nome da Pátria", passa a chamar-se "Ai, Dino, o que te fizeram!", frase dita pela avó materna do autor, quando o viu fardado pela primeira vez. Foi ela, de resto, quem o criou. ]


55º Capítulo  > AS ARMAS GRANDES


Tento ser o mais coerente que posso mas a realidade de há 45 anos atrás entrechoca-se com o meu pensamento de agora. Leiam:

“Meu bem.

Normalmente por aqui tudo decorre bem mas amanhã vai haver aqui um pouco de movimento, vêm para cá trinta negros que possivelmente ficarão aqui no quartel para saírem para o mato com os meus camaradas. Estes negros também são militares como eu mas para ser franco não gosto deles misturados connosco, pois de qualquer maneira são pretos na mesma como os “turras”. Lá vou tendo paciência e suporto-os o melhor possível”.


Se vos disser que me arrependo do que então pensava estarei a mentir. Se vos disser que a minha ignorância pode desculpar, em certa medida, esse pensamento, tem alguma lógica. A Pátria. A Bandeira que todos os dias içávamos no mastro da parada. O Hino cantado nas mais díspares circunstâncias tolhiam um pouco o raciocínio a cada um de nós. As coisas não mudaram assim tanto nestes anos. Os nacionalismos bacocos aí estão a singrar pelo mundo, denotando uma imensa falta de solidariedade entre todos os povos. Em minha defesa, sou levado a afirmar:eu estava e continuei a estar, por mais alguns meses, convencido de que defendia Portugal.

De súbito, as minhas piores previsões sobre o correio concretizaram-se.

“A carreira da avioneta vai acabar, de maneira que… a menos que paguemos o aluguer… o correio só virá de barco, portanto de quinze em quinze dias, até eu irei de barco para Bissau, lá para o dia 16 ou 17 pois alugar avionetas é muito caro, não tenho outra alternativa terei de me resignar a mais esta contrariedade.

Hoje veio o barco trazer as tais armas grandes [Obus 14].

Quando tal começo mas é a fazer as malas para ir da férias”.


Receber correspondência era o melhor a que podíamos aspirar naquele fim do mundo, o que na sua ausência nos fazia ficar cada vez mais irascíveis. Pelo menos eu, no que até agora reli, percebo que o meu humor vogava ao sabor das notícias que ia recebendo. As armas grandes a que me refiro eram três obuses 14.

Que grande alteração já a seguir.

“Afinal ficou hoje resolvido que vamos de avioneta até Bissau. Como somos dez fizemos uma panelinha e como é uma avioneta Maior em vez de 400$00 fica por 180$00 a cada um. De avioneta são 20 minutos de barco seriam dois dias. Saio daqui no dia 21”.


56º Capítulo  > CHEGOU UM “PERIQUITO”


Já mais de uma vez pensei: que interesse tem o que escrevo neste livro, ou o que escrevi à namorada, para a maioria das pessoas? São histórias pessoais.

Infelizmente, não são. Se sou eu que assumo a sua autoria, aqueles por quem escrevi, em virtude de serem analfabetos, ou aqueles que o fizeram eles próprios, se tivessem guardado a correspondência, as histórias seriam muito parecidas. Os nove que me acompanharam, quando vim de férias, tinham um discurso quase igual ao meu.

Agora, quando nos encontramos anualmente, reparamos nas enormes diferenças que nos separam; naqueles dois anos parecíamos todos iguais.

Tenho tentado e vou continuar a fazê-lo: dar uma ideia do que diariamente ia acontecendo, intercalando acontecimentos graves com coisas banais, como por exemplo:

“Já chegou o clarim que veio substituir o que tinha sido evacuado. Coitado do rapaz por onde passa todos fazem pouco dele, vem tão branquinho que parece ter saído agora da lavandaria e sabes como é, os velhos gozaram-nos a nós agora é a nossa vez.

Salta pira salta pira.
Periquito vai pró mato.
Olé lé lá que a velhice vai prá Metrópole
Olaré lé lé.

Depois ensino-te a música”.


Coisa estúpida, não?

Ou esta:

"Embora isto não te interesse muito quero que saibas que continuo a surpreender-me com este clima. Hoje choveu e foi de tal forma que eu nunca vi tal, já vi chover muitas vezes mas como hoje nunca, o engraçado é que antes de a chuva começar, somos avisados.

Está um calor horrível depois começa a soprar vento até se parecer com um ciclone e só depois é que chove torrencialmente durante mais ou menos meia hora, depois pára e dá lugar novamente a um calor infernal, que muito dificilmente se suporta. Este clima não haja duvida que é um clima curioso, mas o mais engraçado é que aqui chove todos os anos e em Cabo Verde que é relativamente perto não chove há sete anos. Os militares tem um litro de água para beber por dia, agora para tomar banho etc. é com água salgada. Os soldados que lá estão vêem-se à rasca com a sede”.


Pior ainda o que disse no dia seguinte:

“Amanhã faço 23 anos e vou dar um baile só é pena aqui não haver raparigas”.
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Nota do editor:

Último poste da série > 31 de maio de 2018 >  Guiné 61/74 - P18698: Ai, Dino, o que te fizeram!... Memórias de José Claudino da Silva, ex-1.º cabo cond auto, 3.ª CART / BART 6520/72 (Fulacunda, 1972/74) > Capítulos 53 e 54; vai haver uma estrada alcatroada até  Gampará, e vamos ter artiilharia em Fulacunda

4 comentários:

Tabanca Grande disse...

O que é notável nesta série, é que o Zé Claudino é uma pessoa "inteletualmente honesta"... Não esconde o pensava, sentia ou escrevia em 1972/74... Não gosta da pinta dos novos militares do Pelotão de Artilharia que chegam a Fulacunda para operar com os obuzes 14... Não os 30, mas a maior parte são "negros"...

Cherno Baldé disse...

Caros amigos,

Aqui o Claudino diz em voz alta aquilo que quase todos pensavam em voz baixa. Na verdade, a guerra apanhara Portugal em contrapé, pois que a realidade imposta pela guerra estava em flagrante contradição com a ideologia imposta pelo colonialismo que advogava o APARTHEID entre metropolitanos e ultramarinos, entre brancos e pretos, entre civilizados e não-civilizados, entre assimilados e indigenas, e ainda, dentre os indigenas a categorização dos Mansos e dos Bravos e “tak dali”.

Foi contra esta mesma ideologia que se esbarrou a politica Spinolista da “Guiné-melhor” quando foram obrigados a mudar, pois que ninguém estava preparado para aceitar uma viragem de 380 graus nos seus comportamentos e na maneira de encarar e compreender a colonização imposta aos “pretos” que sempre se baseara no desprezo dos mais elementares valores de relacionamento e convivencia humana. Compreende-se o desabafo da mesma forma que se deve compreender e bem a reacção e as consequências de uma ideologia tão injusta.

O único metropolitano que eu conheci e que, de facto, não pensava assim era o nosso Almeida “Comando”, mas esse era um anormal, um desequilibrado, aquele que nao batia bem da bola, como diziam os outros. Quando via os soldados pretos abandonados na parada ou na varanda de uma caserna qualquer ele convidava-os para o seu albergue solitario e exigia que fossem servidos no refeitorio geral. Ele era o unico que conheci, mas ele era um caso anormal, um caso perdido, como veio a confirmar-se mais tarde. Os normais, esses pensavam e se portavam assim como diz o Claudino.

"Meu bem.
Normalmente por aqui tudo decorre bem mas amanhã vai haver aqui um pouco de movimento, vêm para cá trinta negros que possivelmente ficarão aqui no quartel para saírem para o mato com os meus camaradas. Estes negros também são militares como eu mas para ser franco não gosto deles misturados connosco, pois de qualquer maneira são pretos na mesma como os “turras”. Lá vou tendo paciência e suporto-os o melhor possível”.

Com um abraço amigo,

Cherno Baldé

Valdemar Silva disse...

Cherno Baldé.
Nós, na CART 11 'Os Lacraus', nunca sentimos, pelo menos nunca foi motivo de reparo, nada parecido com as dúvidas e desconfianças do Dino. E estávamos em 1969/70 com cerca de 70% de africanos na Companhia.
Aconteceu uma vez em Nova Lamego, o meu Pelotão ser escalado para uma segurança/emboscada noturna na periferia. Depois de devidamente instalados e passado uma ou duas horas acordei, entretanto tinha adormecido, ao som de um alvoroço e reparo que estava quase sozinho. De imediato dou uma rajada de G3 e passado pouco tempo começam a chegar os soldados. Estão fodidos, então abandona-se a emboscada sujeitos a sermos apanhados à mão, julgo eu ter dito.
Cá tem problema, a nós sabia e até furriel está dormir, disse o Lobo Seidi.
Afinal, eles sabiam perfeitamente que não haveria qualquer problema e aproveitaram a nossa descontração para ir ter com as suas mulheres ali próximo, mas os solteiros ficaram e o alvoroço não passou de uma incursão de lobos (hienas que pareciam burros) às lixeiras de Gabu.
Tudo ficou entre nós e quando regressamos apenas tive, depois, de dar explicações da rajada de G3 para espantar as hienas.

Um abraço e saúde da boa.
Valdemar Queiroz Embaló

Tabanca Grande disse...

No passado dia 28 de maio, o Dino mandou-me a seguinte mensagem a propósito do seu último poste:

José Claudino Silva
28/05/2018

A frase que tenho no meu perfil [do Facebook] "SOMOS O QUE SOMOS NO MOMENTO", significa que devemos actuar conforme o momento em que estamos. Pensando assim concordo que num momen possa matar e no momento seguinte seja incapaz de o fazer. Abraço.

__________

Sei que o José Claudino da Silva de hoje não tem "nada a ver"... com o Dino de 1972/74... De resto, ele foi um pacífico 1º cabo condutor autorrodas, a quem deram a grande a responsabilidade de gerir os reabastecimentos da cantina (e nomeadamente as "bejecas"...). Pelo que já li, nunca saiu do quartel em operações... Quando fmuito foi ao rio Fulacunda, ao porto fluvial, descarrregar alguns caixotes de cervejas e outros géneros...

Não o conheço pessoalmente. já falámos pelo telefone, já o vi na televisão, sei que mora na Lixa, uma vez por outra espreito a sua página no Facebook... onde de resto ele fala pouco de si...

O que escreveu e está a ser publicado não se destinava originalmente ao blogue... Acaba por ser uma pré-publicação de um livro... Ele não sabe se tem condiçções para o publicar. Foi generoso, parilhando-o connosco aqui no blogue.

Ele não é nem pretende ser "politicamente correto"... E não faria sentido ele vir agora "censurar" as cartas e aerogramas (e foram muitos!) que mandou à sua namorada (e futura esposa).

A ele, a todos nós, que fizemos aquela maldita guerra, se aplica a célebre frase do filósofo espanhol Ortega y Gasset" (1883-1955) «Yo soy yo y mi circunstancia, y si no la salvo a ella, no me salvo yo". (Meditaciones del Quijote, 1914)...



Um abraço fraterno para o Dino, para o Cherno e para o Valdemar...Luis