terça-feira, 4 de setembro de 2012

Guiné 63/74 - P10326: Em busca de... (202): Memórias de uma infância perdida .... (Paulo Mendonça, nascido em 1961, em Có, Bula, Cacheu, trazido para Matosinhos em finais de 1967, criado na Casa do Gaiato até aos 14 anos, e a viver há 20 em França)

1. Resposta do Paulo Mendonça (*)


De: jason39 wash [ pmendonca@hotmail.fr]
Data: 3 de Setembro de 2012 22:55


Bonsoir,  Luis Graça

Obrigado pela tua ajuda,  visitei os dois posts do blogue  e são  interessantes.

Nasci no dia três de junho de 1961,  fui baptizado em Bissau no dia 23 de novembro 1967 e o padrinho foi Manuel Lourenço Lopes.

Lembro-me ter passador o Natal na casa do Capitão Anacoreta Soares em Matosinhos,  antes de ir para o Gaiato.

Tenho ainda uma fotografia,  jà no Gaiato,  ao lado de uma rapariga, mas não sei se é a sua filha.

Como deve saber,  Luis Graça, é muito importante para mim encontrar o Capitão. Todo tempo que estive no Gaiato (7 anos) ele veio ver-me duas vezes. Nunca deu noticias e eu não soube mais nada da minha família. Tenho unicamente lembranças dos meus Pais e talvez um irmão quando pequeno...

A minha questão : PORQUÊ?

Merci pela sua ajuda.

Paulo Mendonça


2. Comentário de L.G.:


O Paulo Mendonça nasceu em Có, Bula, Cacheu, foi batizado como cristão em 23 de novembro de 1967, e tem hoje 51 anos... Deve ter vindo com o cap mil art Anacoreta Soares,  no final de 1967. lembra-se de ter passado o Natal desse ano em Matosinhos... 

Em 14 de janeiro de 1968, com seis anos, foi levado para a Casa do Gaiato, em Paço de Sousa, Penafiel.  Saíu de lá aos 14 anos. Vive em França há mais de 20 anos. 

Há uma infância perdida,  possivelmente por causa da guerra, e ele quer recuperar as memórias desse tempo. Algum camarada ou amigo o pode ajudar, levando-o até ao ex- cap Anacoreta Soares e/ou alguém da sua família ? 

Luís Filipe Anacoreta Soares vivia em Matosinhos em 1967/68. Foi comandante da CCAÇ 798 (Gadamel Porto, 1965/67) e da CCAÇ 1498 (Có, Binar, Bissau, 1966/67).

2 comentários:

Juvenal Amado disse...

Tenho acompanhado este percursso do Paulo Mendonça.
O PORQUÊ do Paulo parece-me que encerra alguma revolta quanto ao abandono que foi vitima.
Porque desenraizar uma criança para depois o abandonar numa intituição para os meninos pobres entre os mais pobres?
O sr capitão visitou-o duas vezes e depois terá falecido?
O que terá acontecido? Foram motivos humanitários ou o capitão terá trazido o Paulo tipo suvenir que depois esqueceu?
Ao nosso ex presidente Américo Tomaz também lhe foi oferecido um menino em Moçambique tipo gift, que depois foi parar à Casa Pia. São caridazinhas ao jeito dos chás canastras!!!!!!!!!
O mestre José Aleixo escreveu algumas quadras, que servem aquí na perfeição.

Desculpem o desabafo.

Luís Graça disse...

Não façamos juízos precipitados. O paulo tem sido lacónico, não adianta muitos pormenores. Por que razão foi retirado do seio da família guineense e trazido, "menino e moço", para bem longe ? Seá que era um "djubi", como Cherno Baldé, que vivia no quartel de Có, descontraído, sob a proteção da tropa, que o alimentava e vestia ? Houve muitos destes meninos, mais ou menos vadios, que era, adotados por nós como "mascotes" (sic) da companhia ?

Ou é uma história parecida com a do menino Adilan, trazido com muito amor para Portugal pelo nosso querido amigo e camarada Manuel Joaquim ?

O mais importante agora é levar o Paulo até à família que o acolheu... As razões por que foi parar à Casa do Gaiato, só ele (e a "família de acolhimento") é que pode esclarecer... E as razões podem ser do foro íntimo...

Ajudemos o Paulo!