segunda-feira, 11 de abril de 2016

Guiné 63/74 - P15962: O que dizem os Perintreps (Nuno Rubim) (1): Violações da fronteira e assaltos no chão felupe, em julho de 1961: S. Domingos (a 18, 21 e 24), Ingoré (a 21), Susana (a 24) e Varela (a 25)

1. Mensagem de ontem, do nosso grã-tabanqueiro da primeira hora, Nuno Rubim, que por razões de saúde tem estado, desde há muito, afastado das nossas lides bloguísticas

[Nuno Rubim, cor art ref, historiador, especialista em história da artilharia]

Luís:

Mando mais uns extractos dos Perintreps iniciais do CTIG que claramente mostram que:

(i)  a guerra se iniciou em 1961; 

(ii)  embora o IN não fosse ainda o PAIGC.

Como sabes, tenho TODOS os Perintreps digitalizados.

Um dia ainda espero falar contigo sobre as “divergências” que notei entre alguns relatos expostos no blogue e o respectivo teor transcrito nos documentos oficiais ...

Abraço
Nuno Rubim


2. O que dizem os Perintreps (1) (Nuno Rubim): violações da fronteira e assaltos no chão felupe, em julho de 1961: S. Domingos (a 18, 21 e  24), Ingoré (a 21). Varela (a 25) e Suzana (a 24)

[Cortesia de Nuno Rubim. Perintrep é abreviatura do inglês "Periodic Intelligence Report"]





4 comentários:

Antº Rosinha disse...

Estes documentos são muito interessantes para podermos compreender melhor a exibição de força militar de Amílcar Cabral.

Agosto de 1961, ataques anti-colonialistas na Guiné (com "terçados", as catanas da UPA) quase simultâneos e similares com o terrorismo em Angola da UPA de Holden Roberto como no Norte de Angola dá para entender melhor as palavras ambíguas, com muitos sentidos de Amílcar Cabral, "não fazemos a guerra contra os portugueses...."

Será que em 1961, Amílcar Cabral queria fazer mesmo a guerra que fez, ou foi antes impulsionado, assim como o MPLA em Angola, para defesa contra esse perigo que eram esses movimentos incaracterísticos e incontroláveis que continuaram e continuam sempre latentes em África?

Mas esta minha maneira de eu ver as coisas, são muito minhas e de muito poucas pessoas mais. (portugas)

Muito curioso é aquela de os Felupes perguntarem ao colon se deviam cortar as cabeças dos assaltantes.

Eu digo, tenho a mania de dizer coisas, que se houvesse autoridades coloniais e comerciantes que falassem as línguas étnicas na Guiné, nem era preciso muitas armas para arrumar com o PAIGC, como aconteceu com o MPLA, a UPA e UNITA em Angola, que o 25 de Abril apanhou aqueles movimentos angolanos de calças na mão, e foi o povo que os arrumou.

Os Felupes também queriam arrumar fosse quem fosse.

Mas, a guerra nunca se ganhava, nem era para ganhar, porque a comunidade internacional da guerra fria e as Nações Unidas eram cínicas demais para respeitarem África.

Mas a Europa também vai sofrer as consequências.





Tabanca Grande disse...

Obrigado, Nuno, pelo teu contacto de telemóvel (que tinha perdido) e pelo material, que já foi publicado...

Os Perintreps, hoje desclassificados, são importantes também para despoletar memórias (e emoções) e obrigar-nos a um esforço de maior rigor factual... A grande maioria da malta tem dificuldade em datar e contextualizar os acontecimentos (uma emboscada, uma mina, uma operação, uma flagelação, etc.)... Poucos escreviam no T0 da Guiné... E até as legendas para as fotos são um bico de obra...

Se tens os Perintreps TODOS digitalizados, és um "sortudo"...Deves tê-lo feito por tua conta, presumo... Se quiseres partilhar mais alguns connosco ficamos-te gratos... Já dei início a uma série com o teu nome, como podes avaliar por este poste:

"O que dizem os Perintreps (Nuno Rubim) (1)".. Clica aqui:


Publicamos todos os dias entre quatro a seis postes... O blogue é um bicho voraz... E ainda continuamos a ter muitas visualizações (c. 2 mil por dia), embora agora tenhamos a concorrência (desleal) do Facebook... Também temos uma página (Tabanca Grande), com cerca de 2 mil "amigos"... Mas eu, pessoalmente, não sou fã do Facebook... E há grupinhos fechados, etc. O Facebook não tem nada a ver com o espírito do nosso blogue.

No sábado vamos reunir-nos em Monte Real, é o nosso XI Encontro Nacional... Vão juntar-se 2 centenas de grã-tabanqueiros (incluindo acompanhantes: lotação máxima da sala são 200... Nos tempos que correm, ainda é obra...

Quero agora estudar melhor como acautelar a salvaguarda deste imenso acervo: 16 mil postes, mais de 50 mil imagens, 62 mil comentários, 712 membros registados, os mapas da Guiné, etc. Talvez tenhas ideias sobre isto...

Um abraço forte. Luis

Tabanca Grande disse...

Rosinha, o seu a seu dono... O PAIGC não reivindica estas acções, em julho de 1961, nem nunca lhe foram atribuídas, nem sequer pelas NT...

Já aqui discutimos este assunto, o da data do início da guerra... Para o PAIGC, é 23 de janeiro de 1963, com o ataque a Tite. Mas nós discordamoos... A guerra começou pelo menos desde 1961... É evidente que o PAIGC sempre quis "marcar a agenda", mas não é o PAIGC que manda, é a História... De facto, devíamos alterar o cabeçalho dos nossos postes: Guiné 61/74... Abr. LG

Antº Rosinha disse...

Luís, este blog já repetiu e eu não ponho aqui em causa o que já foi esclarecido até à exaustão que não foi Amílcar e o PAIGC a começar a subversão anti-colonial na Guiné.

Luís, sabemos o que o PAIGC, ou melhor o que Amílcar Cabral conseguiu quase sozinho, imaginar e criar um partido quase impróprio e impossível, assim como ainda ajudou a criar o MPLA de Angola.

O que eu, sozinho aqui no blog, e pouca gente emite ou corrobora uma opinião que sempre repiso, é que tanto o MPLA e o PAIGC, Amílcar, Lúcio Lara e Agostinho Neto, etc. só tomam a decisão de avançar para o mato e pegar em armas como fez a UPA e estes movimentos referidos pelos documentos de Nuno Robim, precisamente porque esses intelectuais genuinamente nacionalistas, se sentiram encostados à parede com aquele "inimigo" inesperado.

Porque ninguém tenha dúvida que tanto em Angola (UPA)como na Guiné, esses movimentos não passavam de grupos com sentido puramente tribal, e perigosamente indisciplinados e divididos e Amílcar e os outros tinham plena consciência do perigo que representava essa gente para eles.

Claro que tanto o MPLA e o PAIGC não podem dizer estas coisas porque politicamente é impróprio, e no caso da Guiné até tentam esquecer que houve outros movimentos.

Mas porque é que eu digo e repiso que não queriam ir para o mato? porque simplesmente foi para uma guerra urbana que se prepararam, primeiro o MPLA, e o PAIGC ia seguir os passos.

Foi em Luanda, que a luta estava preparada, não esquecer os ataques à Casa da Reclusão, o ataque a uma esquadra da polícia com 6 polícias mortos, a descoberta de catanas na sacristia da Sé etc.

Aliás, o exemplo para o MPLA e Amílcar Cabral, os tais "estudantes do Império" tinham o modelo da Argélia e já conheciam a luta de Nelson Mandela (ANC), que atacavam bombas de gasolina, atentados em coisas do Estado, ou seja guerrilha urbana.

Tento apenas usar pequenos pormenores, como estes documentos de Nuno Robim, e outros, para demonstrar certas verdades que não se dizem.

Nunca pensaram os "calcinhas" estudantes do império e das missões, de jogadores de bola e funcionários dos correios e de Câmaras, avançar de catana para o mato.

Mas a UPA no Norte de Angola e esta gente a quem os Felupes queriam cortar a cabeça, alteraram os planos aos nacionalistas angolanos e guineenses e a uns tantos Caboverdeanos.

E apenas esta verdade minha, mas convictamente minha, Luís, que tento expôr.

Em Angola vi o princípio o meio e o fim, e na Guiné temos este blog.

Claro que sou eu apenas a fazer comparações com o que se passou em Varela e Suzana e no Uige, Noqui e Nambuangongo e a poder comparar a reação dos Felupes e dos Bailundos.

Mas catanas na sua bandeira só tem o MPLA, claro que só podem ser as catanas da Sé, porque as da bandeira da Fling e da UPA gastaram-nas no mato.