domingo, 15 de maio de 2016

Guiné 63/74 - P16091: Tabanca Grande (486): José Salvado, ex-Fur Mil Armas Pesadas de Infantaria da CART 1744 (S. Domingos, 1967/69); foi também Administrador de Posto em Angola, é hoje advogado, vive nas Caldas da Rainha, e passa a ser o nosso grã-tabanqueiro n.º 715


Foto n-º 1 > O José Salvado em S. Domingues, na região do Caacheu


Foto nº 2 > A LDM 311 no rio Cacheu


Foto nº 3 > 2.º grupo de combate da CART 1744


Foto nº 4 >  Pela picada for

Fotos: © José Salvado (2016). Todos os direitos reservados


1. Mensagem de José Salvado, com data de ontem:

Caro amigo Luís Graça,

Respondendo ao convite, envio o pequeno texto, contendo os meus elementos militares e actuais:

Camaradas ex-combatentes,

Assentei praça no RI 5, nas Caldas da Rainha, no dia 16/05/1966, como soldado miliciano.

Em 21 de Agosto daquele ano fui para o CISMI em Tavira, tirar a especialidade de Armas Pesadas de Infantaria.

Terminada a especialidade fui colocado no RI 15, em Tomar, onde fui promovido a 1.º Cabo Miliciano, e, no dia 28 de Fevereiro de 1967 fui transferido para o GACA 2, em Torres Novas, para dar a escola de recrutas, sendo integrado na CART 1744, que no da 20 de Maio de 1967, embarcou no paquete Uíge tendo como destino a Guiné. Fui graduado em furriel miliciano na data de embarque.

Chegado à Guiné-Bissau, no dia 25 de Maio de 1967, descemos para uma LDM, onde nos foi distribuído o armamento, e navegando toda a noite chegámos no dia seguinte ao Cacheu, permanecendo ali até ao 27 de Maio, de manhã, e depois tendo embarcado num barco que nos transportou até S. Domingos.

Como Companhia de Intervenção a minha companhia, a CART 1744,  esteve presente em operações em S. Domingos, Susana, Ingoré, Cacheu e o meu pelotão esteve 15 dias no Sedengal em emboscadas para os eventuais fugitivos de uma grande operação que decorria na mata da Coboiana,  no Cacheu.

De regresso, embarquei no paquete Niassa, no dia 15 de Maio de 1969, tendo desembarcado em Lisboa no dia 21 do mesmo mês.

Mais tarde fui promovido a 2.º sargento miliciano.

No dia 13 de Junho de 1969 tomei posse do lugar que me aguardava na Repartição e Finanças de Montemor-o-Velho, como aspirante de finanças, e 2 anos e pouco após a posse, estava a rescindir o contrato, para tomar posse como Administrador de Posto em Angola. [Foto à esquerda,]

Regressado em 1975, fui colocado, no dia 21 de Janeiro de 1976, como funcionário administrativo da Escola Preparatória de Terras de Bouro, que abandonei em 30/09/1979, porque no dia 1 de Outubro (dia seguinte) tomei posse como chefe de secretaria da Câmara Municipal da Lourinhã, lugar que abandonei por transferência para a C. M. das Caldas da Rainha. 

No dia 2 de Dezembro de 1991, tomei posse como Director Administrativo da C. M. da Covilhã, sede do Concelho da freguesia da minha naturalidade.

Passei à aposentação no dia 30 de Setembro de 1994.

Presentemente,  para além de aposentado, exerço funções como advogado, na cidade das Caldas da Rainha, onde resido desde o dia 30 de Setembro de 1984.

Junto as 2 fotos da praxe [e mais algumas da página no Facebook].

Um abraço do
José Salvado


2. Comentário do coeditor CV:

Em nome do Luís Graça e demais editores, colaboradores permanentes e demais amigos e camaradas da Guiné, que se junta simbólica e fraternalmente à sombra do poilão da Tabanca Grande, dou-te as boas-vindas.

Cumpridas as formalidades de apresentação, passas a constar dos nossos registos como o grã-tabanqueiro n.º 715. Ficas a saber que és o primeiro representante da tua companhia, a CART 1744, da qual sabemos pouco.

Esperamos que nos digas mais coisas sobre o tempo que passaste no Cacheu e, já agora, por que não, podes também escrever sobre os tempos passados como administrador de posto em Angola.
Obrigado pela tua vontade em integrar este grupo de antigos combatentes que passaram pela Guiné entre 1961 e 1974. Como costumamos dizer, o Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande, nela cabemos com tudo aquilo que nos une e até com aquilo que nos pode separar, por exemplo, a política, a religião e... o futebol.

Muita saúde e longa vida, camarada José Salvado,
______________

Nota do editor:

Último poste da série > 19 de abril de 2016 > Guiné 63/74 - P15992: Tabanca Grande (485): Completando o processo de adesão do António Osório, que vive em Vila Nova de Gaia: foi fur mil rec inf, CCS/QG/CTIG (Bissau, Cacine, Gadamael, Cameconde, 1970/72)

3 comentários:

Antº Rosinha disse...

Ai tanta coisa que deve ter para contar este ex-mancebo, ex-chefe de posto, ex-furriel, ex-retornado, que veio de Angola em 1975...será que ainda veio com guia de marcha devidamente assinada por Rosa Coutinho?

Que grande currículo!

Tabanca Grande disse...

... e passou pela minha terra, Lourinhã. acabando por aterrar em Caldas da Raínha, que fica a 35 km, mais a norte. Belo sítio, também...

Ben-vindo, José Salvado!... Precisamos de saber mais sobre a tua passagem pela terra dos felupes e,já agora, sobre a tua experiência como administrador de posto em Angola. Um kandando, haveremos de nos encontrar "ao vivo". Luis Graça

José Salvado disse...

Amigo e camarada Luís Graça, só hoje tomei conhecimento do convite que me foi enviado, ao qual, com tempo, irei dar satisfação, que pode ser extensa, porque só na terra dos felupes passei 21 meses (descontados os 30 dias de férias, em que vim à Metrópole). Como já referi era especialista de armas pesadas de infantaria, integrado numa companhia de Artilharia(CART 1744, do GACA 2). Por erro referi que embarquei no Uíge no dia 20 de Maio de 1967, quando queria dizer 20 de Julho, desembarcando em S. Domingos no dia 27 de Julho. Na data da nossa chegada S. Domingos era considerada zona extremamente perigosa, e logo na primeira noite ouvimos tiros vindos de fora do aquartelamento, e resposta do interior. Na manhã seguinte, bem cedo, ouvimos uma violenta explosão provocada por uma mina anticarro, que destruiu a frente de uma Berliet, por sorte, descapotável que mandou pelos ares o furriel mecânico e o condutor, mas ambos saíram quase ilesos, para alem do susto e da aterragem. Sendo de armas pesadas, a minha campanha foi limitada do morteiro 60, com o qual fazia brilharetes, porque a "olho" metia uma granada onde queria.Daí que tivesse tomado parte em todas as operações, e em emboscadas, patrulhamentos e segurança, podendo dizer-se sem perigo de engano que fui o graduado mais operacional da minha companhia.
Estivesse em todos os combates travados pela minha Companhia, que, na primeira vez em que teve contacto com o IN teve que fugir, porque a grande maioria das armas, não funcionavam, e tal fuga ocorreu no dia 20 de Setembro de 1967. Se os elementos do PAIGC fossem inteligentes teriam abatido a grande maioria dos nossos, mas, felizmente, não o foram.
No dia seguinte os mecânicos de armamento não pararam de trabalhar nas nossas armas. E nesse mesmo dia fomos experimentá-las, no norte do aquartelamento e virados para o Senegal, o que se traduziu numa provocação.
No dia 22 de Setembro, cerca de uma 1H30, o IN atacou-nos com tudo o que tinha, mas teve tanto azar que o primeiro disparo do Morteiro 81, caiu em cima do espaldar do morteiro 82 deles, ficando inoperacional. O comandante de batalhão na escuridão, porque o ataque cortou as estruturas eléctricas, chamou-nos covardes, do que não gostámos.
No dia 1 de Outubro fizemos uma operação à zona onde fomos corridos, e com a convicção e disposição de que eram eles ou nós, pelo que avançamos feitos loucos em direcção ao largo onde se encontravam as ruínas da guarda fiscal, abatendo logo um dos elementos, e na disposição de irmos atrás deles. Porém o PCV não nos deixou entrar na mata sem que viesse uma parelha de T6, que metralhou e bombardeou, e só após foi possível o avança, resultando para eles 7 baixas confirmadas.
No dia 7 de Outubro voltámos ao mesmo lugar, e voltamos a ter combate no duro, com alguns feridos nossos, mas conseguimos entrar na mata, descobrindo-lhe o acampamento e os "armazéns" de material de guerra,que foi aprendido.
E, por hoje fico-me por aqui.
Um abraço.
José Salvado
(ex-2.º sargento miliciano)