terça-feira, 5 de julho de 2016

Guiné 63/74 - P16272: Álbum fotográfico de Francisco Gamelas, ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 3089, ao tempo do BCAÇ 3863 (Teixeira Pinto, 1971/73) - Parte V: (Des)encontros... E em louvor das velhas Daimlers, que a sorte protege... quem tem olhinhos!



Foto nº 26 > Fevereiro de 1973 – Chegada de Caió. Na segunda fotografia é visível o 1º cabo apontador Manuel Lucas.


Foto nº 25 > Fevereiro de 1973  A chegada de Caió


Foto nº 25  > Fevereiro de 1973  A chegada de Caió


Foto nº 29 > Outubro de 1972  – Uma nativa manjaca que encontrei a caminho da bolanha

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Foto nº 30 > Outubro de 1972  – Uma nativa manjaca que encontrei a caminho da bolanha.


Guiné > Região do Cacheu > Teixeira Pinto > Pel Rec Daimler 3089 (Teixeira Pinto, 1971/73)


Fotos (e legendas): © Francisco Gamelas (2016). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do Francisco Gamelas, ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 3089 (Teixeira Pinto, 1971/73), adido ao BCAÇ 3863 (1971/73) [foto atual à direita] (*).

Francisco Gamelas, que é engenheiro eletrotécnico de formação quadro superior da PT Inovação reformado, vive em Aveiro, e publicou recentemente "Outro olhar - Guiné 1971-1973" (Aveiro, 2016, ed. de autor, 127 pp. + ilust;  p.reço de capa 12,50 €).

Os interessados podem encomendá-lo ao autor através do seu email pessoal franciscogamelas@sapo.pt. O design é da arquiteta Beatriz Ribau Pimenta, a partir da foto. nº 29. Tiragem: 150 exemplares. Impressão e acabamento: Grafigamelas, Lda, Esgueira, Aveiro.


Poema >"Tarefas do Pelotão Daimler"


Rolando sobre a estrada
a abrir e a fechar
colunas civis ou militares,
éramos a força esperada,
metralhadora pronta a cantar
ao desafio os seus cantares.

Impunham algum respeito
estas massas de ferro circulante
armadas e brutas
nem que fosse pelo efeito
grotesco de velho ruminante
sobrevivente de esquecidas lutas.




Nos caminhos com tapete de alcatrão
rumo ao Cacheu e ao Pelundo,
por vezes até ao João Landim,
exibíamos o nosso vozeirão,
rouco, feroz e profundo,
num faz de conta de interim.

Nas visitas dos senhores do pdoer
às terras das redondezas
éramos presença obrigatória
não fosse chegar e não ver
o aparato a garantir certezas
dum final feliz para a sua estória.

Durante a noite, após o pôr do sol,
todos os dias do ano
fazíamos a ronda ao povoado
em passo de caracol«.
Por vezes, e não seria por engano,
a inquietação subia pelo grupo apeado.

Em situações menos comuns,
aataques e flagelações a aldeamentos,
recuperação de mortos e feridos,
pesem embora todos os zuns zuns,
lá íamos acudir aos sofrimentos
dos irmãos de armas combalidos.

O pelotão era da arma de cavalaria.
Foi integrado, adjunto à CSS,
num batalhão de infantaria.
A sua relativa independência,
graças à sua competência,
foi mantida sem grande stress.

"A sorte protege os audazes".
Assim rezava a divisa dos comandos.
A sorte protege quem tem olhinhos,
respondiam, entre dentes, mordazes,
os soldados de costumes brandos,
para quem os tomavam por anjinhos.

In: Francisco Gamelas - Outro olhar: Guiné 1971-1973. 
Aveiro, 2016, ed. de autor, pp. 29-31
(Reproduzido com a devida vénia).

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5 comentários:

Tabanca Grande disse...

Francisco, umespanto as tuas fotos nº 26 e 30.. Uma a cores e outra preto e branco... Há poesia nas duas...Uma mostra-nos uma certa Guiné idílica, onde a única nota de guerra poderia ser a "velha lata" da tua Daimler... Mas esta até parece um brinquedo, que não chega a "estragar" a paisagem em fundo... Aqui trabalha-se, independentemente dos ecos (mais longínquos) da guerra...

A outra, que escolheste para a capa do teu livro, diz muito sobre os nossos (des)encontros...

Adorei a tua ironia, que não ofende ninguém, muito menos os bravos na 35ª CCmds, que estava contigo, adidf«a ao CAOP1: A sorte protege... quem tem olhinhos!... A sorte protegeu os tesu valenrtes rapazes do Pel Rec Daimler 3089...


PS - Vamos lá desfazer um mal entendido, quem está contigo nesta altura, em Teixeira Pinto, embora adida ao CAIOP1: é a 35ª ou a 38ª CCmds ? Não estarás a fazer confusão ? O António Graça de Abreu fala da 38ª CCmds... Temos de esclarecer este ponto... Ou a 38ª CCmds (1972/74) veio substituir a 35ª CCmds (1971/73)?

Sobre a 38ª CCmds temos 70 referências no nosso blogue:

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/search/label/38%C2%AA%20CCmds

E sobre a 35ª CCmds apenas 4 referências...

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/search/label/35%C2%AA%20CCmds

Tabanca Grande disse...

Temso, na Tabamca Grande, um camarada da 35ª CCmds (Teixeira Pinto, Bula e Bissau, 1971/73), o ex-fur mil comando, Ramiro Jesus, que sobre ele disse o seguinte:


(...) "Embarcamos em Lisboa, no Angra do Heroísmo, no dia 24/11/71;

Desembarcamos em Bissau no dia 29/11/71;

Regressamos, no Niassa, com embarque em Bissau a 15/12/73 e desembarque em Lisboa a 23/12/73.

A maior parte do tempo da minha comissão foi passada em Teixeira Pinto (hoje Canchungo), onde substituímos a 26.ª CC, de que me falas, depois, uns tempos em Bula e os últimos meses - mais do que o previsto porque o general Spínola se desentendeu com o regime e não regressou depois das férias de Agosto de 1973 - em Bissau, de guarda ao Palácio do Governador, na época em que o PAIGC declarou a independência unilateral em Madina do Boé.

Tínhamos a esperança e quase promessa de fazer menos tempo de comissão pelos "roncos" que tínhamos conseguido, mas tivemos de esperar e sossegar o novo Comandante-Chefe Bethencourt Rodrigues e assim fizemos vinte e cinco meses." (...)


https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2012/09/guine-6374-p10356-tabanca-grande-358.html

Tabanca Grande disse...

Obrigado, Francisco pela tua resposta, esclarecendo as minahs dúvidas...

A confusão foi minha... O António Graça de Abreu esteve no CAOP1, em Teixeira Pinto, de 26/6/1972 a 1/2/1973... Nesse período apanhou a 35ª CCmds e a 38ª CCmds (não a 36ª, como por lapso referes no mail...). Quando o CAOP1 muda para Mansoa (em 3/2/1973), ele vai com a malta da 38ª CCmds (onde se incluía o nosso grã-tabanqueiro, o ex-1º cabo comando Amílcar Mendes, herói de Guidaje...). Portanto,deves ter ainda apanhado a 38ª CCmds, em Canchungo, o alf Paiva, e outra malta...

Peço desculpa a todos pela confusão. E obrigado pelas novas fotos com as tuas Daimlers, vão dar outro poste ...

Confesso que tenho uma grande ternura pelas Daimlers e o seu pessoal.. Em Bambadinca apanhei "cavaleiros" excecionais como o Jaime Machado (Pel Rec Daimler 2046 (1968/70) e o Zé Luís Vacas de Carvalho (Pel Rec Daimler, 2206, 1970/72). E vou confessar um "pecado mortal": um dia, completamente apanhado do clima, e já mais para o fim da comissão, consegui convencer um dos homens do J. L. Vacas de Carvalho a ir ao Xime... beber uma bejeca...

A estrada estava em construção, e nós montávamos segurança à TECNIL, mas havia sempre risco de minas e emboscadas. Eram 12/14 km para lá e outros tantos para cá... E ainda levei o Tchombé, que era a nossa mascote, um puto de 4/5 anos, adotado por nós... Eu, o Tchombé e o condutor... Loucuras, quem não as fez, com 23 anos ?

Julgo que nunca contei esta ao Zé Luís... E espero que ele me perdoe... Ou será que o condutor era ele mesmo ? Não juro, nem acredito, mas era menino para "alinhar"... Tem alma e voz de fadista...Mas, não, não era ele... o condutor.

O apontador da metralhadora foi dispensado; não cabíamos todos na "lata de sardinhas"...Estou a imaginar a "porrada" que eu levaria se as coisas tivessem dado para o torto... Mas nessa altura o troço em construção, Bambadinca-Xime (mais tarde alcatroado) era todo nosso, e os "gajos" do PAIGC nunca se meteram com a CCAÇ 12 nesta missão...

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/search/label/Jaime%20Machado

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/search/label/J.L.%20Vacas%20de%20Carvalho


As "vossas" Daimlers podiam ser um "bocado de lata", mas davam-nos sempre um grande "conforto" nas nossas colunas logísticas... Ou até na simples e rotineira viagem a Bafatá, por estrada alcatroada (30 km), no o nosso dia de glória ("comer o ovo a cavalo com batatas fritas" na Transmontana, "dar dois dedos de conversas com as libanesas", "mudar o óleo" no Bataclã, "rezar na catedral", fazer umas compritas na Casa Gouveia, "dar um mergulho na piscina", enfim, "respirar a civilização cristã e ocidental" da Princesa do Geba...).

E como eram "bailarinas" as vossas Daimlers, nunca as vi atascadas, nem nunca nos deixaram mal...

Glória às nossas velhas Daimlers!...

Ab. Luis

Anónimo disse...

Jaime Machado
5 jul 2016 14:22

Caro Luis

As tuas doces palavras fazem-me recuar no tempo.

Tudo o que escreves me volkta à memória.
Será estranho dizer que quase tenho saudades desse tempo?
Pudera , quem não gostaria de voltar aos 23 anos?
Faria tudo na mesma tenho pena do que deixei por fazer.

Ai as minhas Daimlers, que vaidade, que orgulho, que saudade.

Um abraço do


jaime

Evaristo Reis disse...

Evaristo Reis
Também embarquei nesse dia 27/11/1971, no Angra do heroísmo, deves estar lembrado de ao terceiro dia de viagem, da avaria daquele paquete enferrujado.
Eu tive mais sorte fiquei em Bissau, fiz comissão á civil na parte das obras da Câmara Municipal de Bissau, regressei a 24/11/1973.
Lembro-me perfeitamente quando vieram para Bissau substituir a PM que fazia guarda ao Palácio e Spinola.
Deves lembrar-te do vosso camarada Furriel Miliciano, Carmo que reside em Setúbal como eu,conhecemo-nos desde miúdos em Santiago do Cacém, há muito que não o vejo.
Um abraço a todos.