segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Guiné 63/74 - P16428: Convívios (766): Os "tugas" de Bafatá... Agosto de 2016, restaurante "Ponto de Encontro", do casal Célia e João Dinis a quem prestamos uma emocionada homenagem (Patrício Ribeiro, Impar Lda)




Guiné-Bissau > Bafatá > Agosto de 2016 > Restaurante "Ponte de Encontro" > João e Célia Dinis, os donos anfitriões, e os tugas mais antigos




Guiné-Bissau > Bafatá > Agosto de 2016 > Restaurante "Ponte de Encontro" > Foto nº 2 > Da direita para a esquerda, Célia, Dinis, Sebastião, Nuno, Aprilio e Patrício...  


Fotos (e legenda): © Patrício Ribeiro  (2016) Todos os direitos reservados. [Edição: L.G.]


1. Mensagem do nosso grã-tabanqueiro Patrício Ribeiro [, da empresa Impar Lda]

[Foto à direita: Patrício Ribeiro, de 68 anos de idade, português de Águeda, vivido, crescido, educado e casado em Angola, Nova Lisboa / Huambo, antigo fuzileiro naval, que retornou ao "Puto" depois da descolonização, fixando-se entretanto na Guiné-Bissau, há 3 décadas, país onde fundou a empresa Impar Lda, líder na área das energias alternativas; é um daqueles portugueses da diáspora que nos enchem de orgulho e nos ajudam a reconciliarmo-nos com nós mesmos e afugentar o mau agoiro dos velhos do Restelo, dos descrentes, dos pessimistas; é de há muito tratado carinhosamemte como o ´pai dos tugas´, pelo apoio que dá aos mais jovens que chegam à Guiné-Bissau, em visita ou em missões de cooperação]


Data: 28 de agosto de 2016 às 22:55
Assunto: Os "tugas" de Bafatá


Homenagem:

Junto fotos do nosso almoço de jhm domingo de Agosto, com o petisco que nos brindou a Célia [Dinis].

Este grupo é frequente (, quase todos os dias),  no Restaurante Ponto de Encontro,  de Bafatá.

Somos tugas que por lá trabalhamos há muitos anos e,  como habitualmente, o nosso convívio é no Ponto de Encontro.

Quase todos os dias telefonamos de Pirada, Buruntuma ou Canquelifa.

Depois do nosso almoço, "lata de atum com pão"...
- Ó Célia, hoje à noite há sopa?

Ela lá responde que alguma coisa se há-de arranjar...

Assim sendo, aqui vai uma homenagem a este casal que,  de dificuldade em dificuldade, adoram a sua cidade de Bafatá. Fazem todos os sacrifícios para poderem ajudar os tugas que por lá trabalham, ou que apenas estejam de passagem...

Fotos : 1. João e Célia Dinis; 2. Célia, Dinis, Sebastião, Nuno, Aprilio e Patrício.

Patricio Ribeiro
IMPAR Lda
Av. Domingos Ramos 43D - C.P. 489 - Bissau , Guiné Bissau
Tel, 00245 966623168 / 955290250
www.imparbissau.com
impar_bissau@hotmail.com

PS - Neste almoço, não estiveram presentes os tugas que trabalham nas ONG, porque já estavam de férias em Portugal

2. Comentário do nosso editor LG:

Patrício(s):

Ficamos sem palavras... A milhares de quilómetros de Portugal, essa é seguramente uma "casa portuguesa"... E de repente salta-nos à mente a letra e a música da Amália, tão "maltratadas" antes do 25 de abril... No fundo, podia parecer que esse famoso fado, da Amália, era o elogio, miserabilista,  da pobreza honrada associada ideologicamente ao Estado Novo...

Camarada e amigo Patrício Ribeiro, diz ao nosso camarada João Dinis e à sua companheira Célia que eles já ganharam o direito de figurar, a partir de hoje, e com todo o mérito, no quadro de honra da Tabanca Grande, passando a ser os grã-tabanqueiros nºs 724 e 725. Diz-lhes que é a nossa singela homenagem, a do blogue do Luís Graça & Camaradas da Guiné, não só ao seu portuguesismo como também  à sua grande capacidade de  trilhar as duras picadas da vida, e de sobreviver as todas as minas e armadilhas. O seu exemplo comove-nos e honra-nos... Um abraço fraterno para todos os  demais "tugas" de Bafatá. Um xicoração para ti,  que és o "pai dos tugas" da Guiné-Bissau....LG
_____________


[Imagem à esquerda: cartaz de propaganda do Estado Novo, Cortesia de Susana Simões]


Uma casa portuguesa

Música: V. M. Sequeira; Artur Fonseca

Letra: Reinaldo Ferreira [Barcelona, 1922- Lourenço Marques, 1959]



Numa casa portuguesa fica bem
Pão e vinho sobre a mesa,
E, se à porta humildemente bate alguém,
Senta-se à mesa co'a gente.
Fica bem esta franqueza, fica bem,
Que o povo nunca desmente,
A alegria da pobreza
Está nesta grande riqueza
De dar, e ficar contente.

Refrão:

Quatro paredes caiadas,
Um cheirinho à alecrim,
Um cacho de uvas doiradas,
Duas rosas num jardim,
Um são josé de azulejo
Mais o sol da primavera,
Uma promessa de beijos
Dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!


No conforto pobrezinho do meu lar,
Há fartura de carinho
E a cortina da janela é o luar
Mais o sol que bate nela...
Basta pouco, poucochinho p'ra alegrar
Uma existência singela...
É só amor, pão e vinho
E um caldo verde, verdinho
A fumegar na tigela


Refrão:

7 comentários:

Valdemar Silva disse...

Um grande aplauso, pra esta gente.
Valdemar Queiroz

Costa Abreu disse...

Uma pergunta, aonde e o restaurante Ponto de Encontro, e aonde era a Transmontana, o Neves (ao lado da CCS doBat.506) ou noutro lugar?
Julio Abreu

Tabanca Grande disse...

O seu a seu dono... Dou-me conta de que a letra deste fado "imortal", na voz (ímpar) da Amália, é da autoria de um grande poeta português, que também andou pelas Áfricas e moreu cedo: Reinaldo Ferreira... Saibamos algo mais sobre ele:


(...)REINALDO FERREIRA, OU ANTES, REINALDO EDGAR DE AZEVEDO E SILVA FERREIRA

Reinaldo Ferreira, poeta, nasceu em Barcelona a 20 de Março de 1922 (faria hoje 94 anos). Era filho do escritor Reinaldo Ferreira, o célebre Reporter X. Foi para Moçambique, Lourenço Marques, em 1941 (já o pai tinha morrido – morreu em 1935) e aí completou os estudos liceais e trabalhou nos Serviços Administrativos de Moçambique.

A sua obra só foi conhecida na Metrópole após a morte, uma vez que a publicação de “Poemas” é póstuma, embora alguns dos seus versos tenham sido publicados ainda em vida em periódicos locais. É exemplo “Eu, Rosie, eu se falasse, eu dir-te-ia” que teve o título de “Dancing with Rosie (a táxi-girl)”. Reinaldo Ferreira gostava de teatro. Adaptou algumas peças à rádio chegando mesmo a colaborar com a Rádio Clube de Moçambique.

Foi letrista de canções de sucesso, algumas feitas em parceria. São disso exemplo “Piripiri” e “Kanimambo”, cantadas por João Maria Tudela. Deste naipe destaca-se “Uma Casa Portuguesa”, cantada por Amália Rodrigues.

Disse, a propósito desta canção, Vasco Graça Moura: “Uma Casa Portuguesa”, de 1953, com letra habilmente engendrada por Reinaldo Ferreira e Vasco Matos Sequeira e música de Artur da Fonseca, e esplendorosamente interpretada por Amália Rodrigues, tornou-se um autêntico cartaz musical de propaganda do SNI, em Portugal e no estrangeiro” (in V.G. Moura, “Amália Rodrigues dos poetas populares aos poetas cultivados”, Academia das Ciências de Lx.).

Não podemos, porém, esquecer que esta letra foi criada bem longe da Metrópole e, por isso, devemos encará-la como uma ironia ao status quo do país.

Reinaldo Ferreira morreu em Lourenço Marques (hoje Maputo) a 30 de Junho de 1959, com 37 anos, devido a um cancro no pulmão. O poema “O ponto”, epitáfio do seu túmulo, mostra-nos muito da alma do poeta. Foram os amigos, entre eles Eugénio Lisboa, que lhe publicaram os poemas, em Moçambique, um ano depois da sua morte (1960). Procuraram respeitar a intenção do poeta na organização da obra dado que tinha deixado as poesias agrupadas em 4 livros. Isto leva a crer que estaria a pensar na sua publicação. (...)

Fonte: Excerto, com a devida v+énia:



UNICEPE - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRL

2016-03-20, domingo, 16h

Reinaldo Ferreira, por Manuela Baptista > Homenagem ao poeta, no 94º aniversário do nascimento.

http://www.unicepe.pt/lancamentos/reinaldo/reinaldo.html

Antº Rosinha disse...

As coisa que te vêm à cabeça Luís Graça!
Fui ver a vida desse poeta Reinaldo Ferreira à internet e vi isto:

1950 "Estreia de «Uma Casa Portuguesa», cujo poema escreve, interpretada pela cançonetista angolana Sara Chaves, num sarau em honra da embaixada do Colégio Militar, de Lisboa, em visita a Moçambique, e que rapidamente se torna num êxito internacional."

Chegamos à conclusão que a Casa Portuguesa é uma angolana a primeira a interpretá-la embora seja a Amália que vemos a imortalizá-la.

Olha que o sr. Rui Patrício ainda se deve lembrar da Sara Chaves melhor que eu.

As coisas que trazes à baila LG. que se chega a conclusões estranhas.

Por exemplo sabemos que os maiores nomes das letras (e do futebol)dos últimos 500 anos de Portugal, ou nasceram ou passaram ou viveram e/ou morreram no Ultramar.

Uns inspiraram-se nas bolanhas da Guiné, como tu próprio, ou nas anharas do Cazombo como Lobo Antunes ou na Baía como António Vieira e Camões India e Macau e até Fernando Pessoa no Cabo da Boa Esperança.

Olha que até nasceu em São Tomé o grande Almada Negreiros e até foi no meio do Atlântico que o nosso Nobel Saramago viveu os últimos anos da sua vida.

Agora apareces com essa da "Casa Portuguesa", que lá no ultramar sim, se sentisse o verdadeiro sentido inspirador para essa canção para sempre.

Cumprimentos

Tabanca Grande disse...

Mais um apontamento sobre o grande poeta:


(...) Reinaldo Edgar Azevedo e Silva Ferreira, cuja obra tem uma ligação a com Moçambique, foi para Lourenço Marques em 1941, onde chegou a chefe de posto e fez obra no então Rádio Clube de Moçambique. Hoje está sepultado no cemitério central de Maputo, cidade onde morreu em 30 de Junho de 1959. Tinha apenas 37 anos de idade. Na sua campa estará inscrito um texto de sua autoria:

"Mínimo sou.
Mas quando ao Nada empresto
A minha elementar realidade,
O Nada é só o resto". (...)

https://delagoabayword.wordpress.com/2010/10/09/reinaldo-ferreira-poemas-musica-e-a-rua-araujo/

alma disse...

Na Guiné, costumava declamar, de Reinaldo Ferreira, o Poema-Receita para fazer um herói. Tome-se um homem,/ Feito de nada, como nós,/ E em tamanho natural./ Embeba-se-lhe a carne,/ Lentamente,/ Duma certeza, aguda, irracional,/ Intensa como o ódio ou como a fome,/ Depois, perto do fim,/ Agite-se um pendão/ E toque-se um clarim./ Serve-se morto. Abraço J.Cabral

Anónimo disse...

Bom dia

No jornal "Expresso", de 2015_09_30foi publicada uma reportagem sobre este magnifico casal

http://expresso.sapo.pt/internacional/2015-09-29-Os-que-ficaram-1

"... Ele na casa dos 60 ou 70, ela uma menina ainda na flor da idade. Ele dono de um estabelecimento comercial que já vendeu de tudo na época dourada e agora fica-se pelo essencial, ela agarrada ao pescoço dele. É um dos quadros mais conhecidos dos portugueses que ficaram pelo Guiné, mas está longe de ser o único. O Expresso foi conhecê-los a Bafatá..."

Entre outras.....

http://expresso.sapo.pt/internacional/2015-09-29-A-rota-da-memoria-1

"... De Bissau a Guileje, de Bafatá a Gabu ou Cacheu. A reportagem do Expresso percorreu a Guiné-Bissau à procura das memórias que ficaram dos tempos da guerra que antecedeu a independência do país. Do "turra" maneta ao comando que não fugiu, dos portugueses que ficaram por lá ao quartel abandonado à pressa e o forte que ainda hoje guarda os restos de um tempo perdido. ..."

Cumprimentos